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História Chume Labs: luta contra o tempo. - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oiiii, eu escrevi essa história com muito carinho durante a quarentena em memória a uma grande parte da minha infância, porém tem algumas coisas a se ressaltar.

1: se passa em um universo alternativo, ou seja, Pac e Mike aqui são apenas personagens e não fazem alusão as pessoas reais.

2: Pac e Mike são pessoas, por isso o SHIPP mitw sobre circunstâncias normais não deve ser levado a sério

3: mitw é meme, engole o choro e segue em frente

4; se vc é da mesma época que eu que a nostalgia preencha vc e "a verdade corre em nosso sangue"

Capítulo 1 - Chume Labs


A luz da manhã batia na grande construção cercada de árvores, deixando aquela cena magnífica e meio tenebrosa, as cores cinzas parecendo absorver a luz cada vez mais presente do sol.

A única coisa que parecia brilhar naquele lugar era o velho, porém ainda lindo; como uma criatura mística fotografada no momento certo; era um letreiro, que continha nele as palavras "Chume Labs", sendo o C escrito em azul e o L escrito em verde, de modo a simbolizar os donos daquele lugar de forma eficiente.

Havia sido uma idéia meio contrariada no começo, porém surtiu o efeito desejado, era claro que, mesmo após todo esse tempo, essas duas cores juntas sempre traziam uma lembrança clara a mente de todos que as viam, e essa lembrança era: Mike e Tarik (ou Pac como era por muitos apelidado). Sim, não havia um ser que conhecesse os donos da fábrica que, quando as viam, não lembravam se imediatamente do casal.

É, casal. Um casal... E isso causava um choque de estranheza em muita gente...

Eles eram um casal gay de cientistas que construíram um grande império juntos, um império que era conhecido por todo o mundo. Tão reconhecido que o primeiro lugar aonde esteve a fábrica foi fechado e conservado como museu, e esta teve de ser mudada para o meio do nada pois, aonde estava anteriormente, chamava MUITA atenção de pessoas curiosas.

A fábrica era o tipo de lugar místico que as pessoas imaginariam que só existisse em lendas, aonde estudavam muito mais do que seres unicelulares e plantas estranhas, não, eles viajavam pra outra dimensão, enfrentavam monstros, mexiam com máquinas incríveis e equipamentos de ataque e defesa melhores ainda, aquele lugar era um sonho, trabalhar lá era um sonho.

É.... Era....

A verdade é que a Chume Labs não era mais como um dia foi, não estava mais em seus momentos de maior glória, a verdade é que, por pior que parecesse aos que lá estavam.... ele... Havia... Se tornado obsoleto. Uma história... Uma história para incentivar crianças e adolescentes a estudar, uma história que falava sobre representatividade, mas, infelizmente, na mente de muitos, não passava de uma história.

Entrando na fábrica era possível ver a visão da recepção, a bancada já toda empoeirada, como se não recebesse uma faxina apropriada a meses, as câmeras de segurança não estavam ligadas havia muito tempo, então realmente não haveria como saber se alguém tivesse entrado lá, mas... a verdade é que tais descrições não são tão importantes para a história... seguindo pelos corredores é que tudo começa.

Os corredores estavam fracamente iluminados enquanto um vulto andava por ele, de modo a fazer uma enorme sombra ser projetada na parede, parecia apreensivo, ansioso. Seus passos eram longos e se dirigiam a um lugar certo. O refeitório.

Aquela era a hora mais calma do dia de Tarik de longe, era seu pequeno momento de prazer junto ao amado antes de um dia cheio tentando impedir que o seu sonho de consumo, aquilo pelo qual trabalhou toda a sua vida, se quebrasse como vidro ao se encontrar com o chão. Em outras palavras, ele não queria que o projeto de toda uma vida fosse fechado, e estava trabalhando continuamente com isso.

Ele e o marido não entendem exatamente quando a falência começou, em belo dia eles simplesmente acordaram e não havia aquele som constante de máquinas, de pessoas conversando, campainhas, nem ao menos ouviam a voz de Gutin (a cabeça falante da qual eram amigos) ecoando pelos corredores. Não. Somente o silêncio e um baixo barulho de engrenagens.....

Desde então eles lutam somente os dois para manterem seu lar não somente aberto, mas funcionando... E a cada dia isso se mantinha mais e mais difícil.

Por isso eles haviam se dividido, Mike ficava mantendo a fábrica em um funcionamento constante, nada que custasse muito, apenas para que as mesmas não aculassem poeira e fuligem, isso também garantia a eles uma renda pequena ao fim de cada mês.... Ainda que... Estivesse cada dia mais escassa.

E Pac por sua vez ia procurando jeitos de salvar a fábrica, novos contratos, maneiras, qualquer coisa, qualquer mínima ideia ele colocava em prática pra que pudessem manter aquele lugar vivo.

E esse era um dos motivos pelos quais não tinham qualquer relação havia semanas... Sempre estavam ocupados. E Tarik era muito estressado pra simplesmente deixar isso passar, ele era muito preocupado pra relaxar por um minuto sequer, tanto que mesmo em seus momentos tomando café da manhã juntos Pac ainda assim falava e muito sobre os problemas do lugar, o que gerava suspiros cansados e concordância por parte de um Mike estressado e ansioso.

Ajeitando o moletom azul e seu jaleco ele solta um longo suspiro, fechando os olhos...  Pobre Mike, ele não merecia tudo isso, mas Pac sabia que o garoto de cabelos castanhos estava tão preocupado e cansado quanto.... Talvez até mais....

Ele entra no refeitório, a posição defensiva caindo, os ombros relaxando e um sorriso surgindo em seus lábios.

O marido estava retirando do forno com cuidado um bolo de morango, na mesa havia pães, frutas e sucos, porém os pratos já estavam postos, somente esperando que aqueles dois rapazes se dirigissem a mesa, e é o que o garoto de cabelos escuros como a noite faz, enquanto retirava seu capuz.

Se sentando a frente do prato que havia uma maçã cortada em pequenos pedaços ele pacientemente espera que o marido se dirija até ele com a travessa, sorri ao ver Mike quase se queimar com aquilo e ri ao ver que o mesmo estava envergonhado, o rubor subindo por suas bochechas. Ele coloca com cuidado a travessa na mesa, tirando as luvas de proteção em seguida, revelando sua dourada aliança.

Pac encara encantado aquele belo rosto, os óculos remendados... Tarik ri, havia tentado convencer ele a trocar de óculos mais vezes do que podia contar, Mike era um cabeça dura com relação aqueles velhos e gastos óculos. Não os trocava por nada.

Um suspiro apaixonado escapa dos lábios do de capuz, sim... Amava seu marido mais do que qualquer coisa na vida, os sorrisos que ele dava, a maneira que ele cozinhava, até como lia em voz alta pra Pac dormir. Tudo isso era tão encantador, ele estava fazendo tanto.... Ambos estavam, o marido sorri pra ele enquanto coloca um dos tomates de sua salada na boca.

–Esta lindo hoje meu amor...

Os cabelos negros caem sobre seus olhos enquanto Tarik sorri, corando um pouco ao ouvir o elogio do marido.

–Você.... Está deslumbrante também, é incrível como uma pessoa que dorme mais tarde pra poder fazer todas as máquinas funcionarem e acorda mais cedo para fazer o café da manhã consegue ser... Tão deslumbrante.

Mike abaixa o olhar, comendo, um sorriso formando em seus lábios.

–Tudo pelo amor da minha vida. Tudo por... Você.

Sim, era verdade, a chume Labs não estava bem, ambos sabiam disso, seus dias de trabalho estavam se tornando cada dia mais intensos e aquele lugar cada dia mais vazio. Perda de funcionários, desligamento de máquinas. Tudo isso...

A verdade é que ele e seu marido não conseguiriam impedir muito tempo que aquele lugar quebrasse...

Mas... Contanto que estivessem juntos, tudo valeria a pena, Pac pensa ao sentir a mão do moreno sobre a sua.

–Entao, alguma novidade do contrato com o Batata?

Pergunta Mike, em um tom curioso, Felipe Batista. Um dos melhores amigos do casal, esteve com eles desde antes de sequer passar pelas cabeças dos dois de namorar, ele os apoiou em toda decisão que tomaram na vida, na construção da fábrica, nas viagens a outras dimensões, até seu padrinho de casamento ele foi.

E agora esse mesmo batata tentava a todo custo tirar seus amigos da beirada do abismo.

–Ele disse que as fábricas dele não precisam de nada muito engenhoso mas estão precisando de novos respiradores, acha que pode nos pagar um valor bom se fizermos pra ele até segunda– Pac corta a própria fala, puxando os cabelos pra trás e os segurando– não vai mudar muito não é? –ele engole em seco, erguendo o olhar para o marido, conhecia-o suficientemente bem para entender a resposta.– ele não vai poder nos ajudar muito tempo, sabemos disso.... Estamos ferrados não estamos.

Mike fica sem fala ao ver o rosto do marido manchado com pequenas lágrimas que escorriam de seus olhos, ele puxa a mão dele, beijando sua palma com cuidado.

–Não, não estamos ferrados, um dia de cada vez... Primeiro devemos ficar felizes, conseguimos mais algum... Algum tempo. –Mike encara o marido com caminho, se esticando para limpar suas lágrimas, deslizando os dedos por sua bochecha.– método mais eficiente....  Algo que dure permanentemente... Não fique assim, por favor.

–Como Mike? –Ele solta um pequeno soluço, mais lágrimas saiam de seus olhos, caindo sobre a mesa.–Esse lugar.... Esse lugar e tudo que eu tenho, construí ele com a pessoa que mais amo. E agora, não... Não temos nada. Mais alguns dias e ... E isso vai ter acabado, estaremos em algum lugar estranho, provavelmente sendo julgados e as pessoas vão nos odiar por que não nos conhecem e nós-

Sua fala é interrompida ao sentir o dedão do garoto de cabelos castanhos sobre seus lábios, ele ergue o olhar pra dar de cara com um sorriso de canto brincalhão no rosto do marido.

–Você é tão lindo assim preocupado.... Vamos pensar em algo, por agora, peço que coma.

Tarik faz sim, comendo novamente, aproveitando os carinhos do marido. Sim, ele estava certo, de novo, Mike estava certo mais vezes do que ele imaginava, e era claro que Pac não ia deixar ele saber disso... Ele ia ficar se achando. Um dia de cada vez. Eles precisavam viver um dia de cada vez e aproveitar o hoje. O agora... O...

Caramba! Isso!

Ele para um pedaço de maçã a caminho da boca, soltando um enorme sorriso involuntário, uma ideia surge, vindo do fundo de sua mente, como não tinha pensado isso antes? Como essa possibilidade sequer passou pela sua cabeça. Sim! Era arriscado, e sim, poderia trazer alguns problemas, mas ele e Mike se programariam de modo que tudo transcorresse da melhor forma possível. Eles conseguiriam eles... Se desse certo... Estavam salvos.

Mike encarava o marido, havia continuado a comer, seu olhar estava esperançoso, ele pega um pedaço de mão, mordendo-o, deixando esse tempo para o marido digerir a ideia que havia acabado de ter, ele engole, soltando um sorriso envergonhado.

–Você pensou em alguma coisa não é? Está com cara de quem pensou em algo... –se inclina pra frente, ajeitando os óculos.–Vai me contar?

O sorriso alegre de Pac logo se torna um sorriso brincalhão, ele ajeita os cabelos, encarando o marido de canto de olho enquanto colocava as mãos no bolso do moletom. Aquele azul escuro como um lápis lazuli.... Mike achava extremamente sexy, mesmo que fosse tão folgado que ia até a metade das coxas do marido.

–Não sei...–Ele ergue a sombrancelha, os olhos demonstrando uma felicidade tão grande e uma calmaria maior ainda. O sorriso brincalhão em seus lábios não havia saído de lá e isso fazia com que Mike quisesse o beijar, mas se contém. – Não era você mesmo que disse um dia de cada vez?

Mike ri ao ouvir sua frase sendo usada contra si, se afasta de perto do rosto do marido, ajeitando a camisa verde com uma estampa de um monstro que já haviam estudado muito, mas que não vem ao caso agora.

–Sim, ok, ok, você me pegou. –Ele ergue o olhar, ajeitando os óculos com cuidado, afinal, ainda era, apesar de estar com ele a muito tempo, um óculos quebrado. –Mas agora você tem uma ideia e eu quero saber. Quero entender o que está pensando e quero te ajudar. Garcinha...

Pac não consegue controlar o riso ao ouvir aquele apelido idiota, garcinha, as vezes ele se espantava sobre quanto Mike conseguia fazer até os piores momentos ficarem mais leves. Ele apoia as mãos no queixo.

–Ajuda...

As sombrancelhas de Mike se unem em uma confusão presente, ele morde mais um pedaço do pão, mastigando lentamente, tentando entender o que Pac tinha visto demais nisso... Ele ... Não é como se não tivessem tentado pedir ajuda, justamente por pedirem ajuda que eles tinham esse trabalho especial com o Felipe. Sua mente divaga, o olhar se perdendo em sua mão, observando o anel dourado em seu dedo. Por fim ele não consegue assimilar e pergunta em um tom lento:

–Ajuda?

Pac não consegue conter a risadinha, ele havia sentido um pouco de falta da lerdeza de Mike com alguns assuntos.

-Ajuda!... ajuda de outros nós, Mike.–Ele ri, erguendo se em um pulo –Quem melhor pra achar uma forma de impedir nossa fábrica de quebrar que... a gente?

Um silêncio quase sepulcral perfura entre os dois, com Mike encarando um ponto fixo no meio do nada, após alguns minutos correrem a voz de Mike são fraca, quase.... Como uma indagação.

–Tarik, eu te amo, mas você perdeu completamente a cabeça, e quem é suposto pra manter o portal aberto pra gente ir?

Pac o encara, respirando fundo, os olhos presos no do seu melhor amigo, a pessoa que sempre o acompanhava, sempre pensava, sempre via tudo com os olhos da esperança, a pessoa responsável por toda a cor e beleza na vida de Pac, o moreno fala, com uma voz firme, sabendo que era algo extremamente necessário.

-Bem.... você...

–O que?

A voz de Mike soa surpresa, Tarik entende o porquê... Eles eram muito Unidos, antes de casados eram melhores amigos... E sempre seriam. Estavam sempre juntos, sempre, raramente era possível ver os dois em missões individuais, eles odiavam isso, não era assim que sua dinâmica funcionava, eles eram a dupla imbatível, verde e azul, tomate e maçã..... Eles.... Eram Pac e Mike....

Mas, o moreno pensa, balançando a cabeça, o homem de óculos a sua frente sabia tanto quanto ele que tal movimento era necessário, muito necessário... Porquê...

–Você manteria o portal aberto, e quem iria seria eu... afinal.... eu sou o com menos chance de fazer alguma merda e acabar voltando antes da hora. –Ele sai de seu lugar, indo até o marido e sentando em seu colo, deslizando os dedos pela pele macia de sua bochecha, roubando-lhe diversos selinhos cada vez mais longos.– ... E... Você sabe como funciona a viagem entre os portais, vou substituir o Pac daquela dimensão, mesmo que houvesse um jeito de você ir comigo eu ainda assim pediria para que ficasse. Senão não teria a quem perguntar... Entende?

Tarik sente as mãos do marido entrando por baixo do moletom e apertando com firmeza a sua pele, seu rosto se esquenta e seus lábios se entreabrem enquanto Mike o puxa para um beijo intenso.

Pac firma as mãos nos ombros do esposo, enquanto o mesmo desliza as suas pelas costas dele, como o garoto de moletom azul amava a sensação daquela mão calejada pelos anos de serviço com máquinas em si. Ele se arrepia por inteiro ao sentir Mike deslizando a boca até seu pescoço, iniciando uma trilha lenta de beijos pelo mesmo, o moreno ofega, colocando mais pressão nas mãos em seu parceiro e unindo o quadril ao ele. Sua voz sai fraca e sofrega de seus lábios, enquanto ele fecha os olhos, curtindo a doce sensação.

–Mike.... O que você está-

–Me despedindo–Ele fala, a voz cortando a de seu marido.– Pra mim não vai passar mais de 5 minutos, mas pra você... –Ele volta ao que estava fazendo, deixando as unhas percorrem a costa de Pac sem realmente a arranhar.– .... Não sei... Horas, dias.... Meses.– Tarik se arrepia com aquele tom de voz, soltando um gemido baixo, tal som fez com que as unhas parassem de apenas andar, fazendo elas fincarem em sua pele. – Não quero você se envolvendo com nenhum outro Mike por aí, então-

–Eu nunca faria isso, Senhor. Você sabe que eu não-

Ele geme ao sentir o marido morder a base do seu pescoço. Era um pedido silencioso pra que Tarik calasse a boca, ambos sabiam que não poderiam impedir quaisquer fluxos que viessem a ocorrer, em outras palavras, caso Pac tivesse de beijar alguém, ele teria que beijar alguém, pra manter o equilíbrio básico do universo. E beijar era apenas a ponta do iceberg, se fosse necessário Tarik teria até que... Matar alguém....

A sorte dos dois era que isso nunca se mostrou necessário para manter a ordem básica de uma dimensão. Eles as vezes só tinham que cumprir umas coisas idiotas... Missões.... Então pegavam o que lhes era necessário e saiam. Mas agora.... Quem sabe?

–Eu pedi a você que falasse, Tarik?

–Não Senhor. –Fala Pac, engolindo em seco, respirando fundo. O corpo reagindo aos estimulos do marido... Mesmo depois de tanto tempo... Ele ainda sabia exatamente aonde o tocar para deixa-lo louco. – Você não pediu ... Senhor.

Ele sente um arrepio descer por sua espinha ao sentir Mike tirar uma das mãos de dentro do moletom e passar sobre seus lábios.

–Bom menino.... Meu bom menino.

Tarik cora com isso, desviando o olhar, sentindo o corpo esquentar mais, as mãos de Mike firmando em seu corpo, apertando a pele macia....

–Eu.... Te amo, senhor.

Murmura o mesmo sem jeito, o de cabelos castanhos sorri, roubando um beijo longo dele.

–Eu também te amo. Muito mais do que você imagina... Vamos, precisamos preparar as máquinas.

Pac o encara confuso, seu olhar se desviando entre as mãos de Mike ainda em si e seu rosto, fazendo uma pergunta silenciosa, ajeitando os óculos em seu rosto, Mike da de ombros e sorri canteiro, dizendo:

–Bem... Pra mim não vai passar muito tempo. –Quando o moreno abre a boca pra reclamar o mesmo o cala, lhe dando um selinho.– Hey.... Você mesmo que fala toda vez, primeiro a crise, depois o prazer.

–M-mas, agora já temos uma resposta pra crise. –O de azul faz um beicinho. – qual é... Fazem meses que-

–Exatamente Tarik –Fala seriamente, retirando as mãos de dentro de seu moletom e o ajeitando.– fazem meses que estamos a beira do abismo e agora descobrimos uma resposta. Precisamos aproveitar e resolver isso o quanto antes. –Mike lhe dá um longo selinho, fazendo carinho em seu rosto com as mãos.– e assim que acabar eu prometo te compensar não só por essa vez, mas por todos os meses.

–Promete, mesmo?

O fôlego falta do peito de Pac, ele engole em seco, respirando fundo. Aquele sorriso, como amava o sorriso malicioso que Mike dava sempre que ouvia aquela pergunta.

–Prometo mesmo, vamos, vamos ver se ainda temos jeito com aquelas máquinas, vamos botas elas pra funcionar.

Ambos se levantam e; de mãos dadas e com a energia, esperança e fé dentro do  si renovadas; vão para a sala de portais. Iniciando assim uma provável nova tentativa de tentar salvar aquele lugar que tanto amavam. A sua casa.

E lá dentro eles passaram o dia, mal conversavam ou discutiam, só era possível ouvir barulho de suas respirações, metal batendo em metal e papel, diversos papéis sendo amassados, rasgados, rabiscados e jogados de um lado pro outro. Em certo momento passou pela mente de Pac desistir, era arriscado demais, iam gastar muita energia, se ele voltasse sem uma resposta convincente... Já era. Eles não teriam mais DINHEIRO ALGUM pra manter o lugar funcionando. Essa seria sua única chance. Erguendo a cabeça de suas anotações ele deixa essa ideia o preencher, as lágrimas escorrendo por suas bochechas e manchando as anotações abaixo de si.

–Mike...–sua voz sai fraca. Quase como se tal percepção tivesse lhe sugado as forças, em um gesto quase suplicativo, ele pergunta.– Você confia em mim?

Os cabelos castanhos estavam grudados na testa pelo suor, os óculos estavam erguidos (como um óculos de sol) pois a muito tempo estavam embaçando devido ao suor e ao calor da sala e não mais ajudavam ele a ter uma boa visão, seu rosto estava sujo e estava sem camisa a algum tempo. Em suas mãos, havia uma chave de fenda, ele sorri amigavelmente pro seu amante enquanto volta a se concentrar no seu trabalho.

–Eu confiaria minha vida a você sem pensar duas vezes.... Você vai conseguir Pac, fizemos um plano sem motivos pra falhas, são várias dimensões e você vai poder..–Ergue o olhar, seus olhos pareciam brilhar de entusiasmo. Um sorriso enorme em seu rosto.–Cada uma delas, perguntar a cada um deles. E se você achar resposta logo na primeira... É só apertar o botão e volta logo pra casa. Cinco minutos. Nem vai dar tempo de sentir saudades.

–E... E se eu não achar a resposta nem na última?–Sim, sim crianças o universo é infinito, mas o corpo de Pac só aguentaria algumas dimensões, se ele tentasse ir além disso é capaz que ele.... Se machucasse ou pior.– E se.... Eu não achar a resposta.

O sorriso de Mike some, sim, o mesmo sabia que era uma possibilidade, uma pequena, mas existia. A verdade é que eles não sabiam com exatidão pra onde Tarik iria, poderia ser um lugar esquisito, estranho, aonde não haveriam Mikes com uma resposta. E isso é... Péssimo. Imaginar isso fazia o coração de Mike disparar. Sem uma resposta.... Era adeus sonho da vida deles, adeus ao lugar aonde tinham passado tantos anos ... Era.... Adeus. O sorriso dele se abre de novo

–Seja positivo homem, eu sou a pessoa mais inteligente do mundo. Em qualquer dimensão. Vamos achar uma resposta na mesma hora, você vai ver. Vai voltar aqui rindo e me enchendo o saco porquê se preocupou atoa.

–É...- diz Tarik em um sorriso, a voz bem mais firme.– ... Com certeza. Eu acredito se você acredita. Vamos conseguir passar por isso!

Mike balança a cabeça positivamente, feliz por ter podido ajudar o marido um pouco.

Em pouco tempo eles estavam prontos, tudo funcionando, revisado por pelo menos dez vezes cada, para que Tarik não corresse riscos. Estavam prontos.

Era a hora, a hora de ver se o plano dos dois daria certo, se eles .... Conseguiriam. Se .... Tarik conseguiria. Depois de se constatar que eles fariam isso mesmo, que aconteceria, tudo ficou mais rápido. Sim.... mais rápido .. E pac não saberia explicar, mas no fim das contas aqui estava ele, em frente ao portal, vendo o marido apertar um botão que fazia o portal a sua frente se ativar, alterando a pressão do local....

Um tom fraco de roxo iluminou a sala em que estavam, destacando o sorriso de Mike, Pac sabia que ele sentia falta de ligar aquilo.... Mesmo que gastasse tanta energia, ainda era muito, muito satisfatório. O trabalho da vida deles,depois de muito tempo parado, funcionava de novo. Olhando seu marido nos olhos, ainda com um sorriso enorme, o homem de óculos diz, enquanto seu amado tira o jaleco:

–Vai... estarei aqui esperando a sua volta.

Jogando o jaleco pra ele, Pac sorri, piscando pra ele, fingindo até pra si mesmo que não estava com medo do que viria a seguir.

–Eu te amo, estarei de volta antes que perceba.

–Bem.... É..... Te vejo em cinco minutos?

Fazendo um joinha com a mão esquerda enquanto ajeita o casaco azul com a esquerda, ele diz:

–Ate menos, Mike. Até menos.

Ele observa a magnitude do portal a sua frente ... Seria a primeira vez que faria uma viagem dessa sem ele ... Estava ansioso, com medo. Mas... Pelo seu projeto de vida, pelo amor de sua existência.... Ele faria. Ele iria. E ele ia conseguir. Sim.... Ele ia conseguir.

Com uma falsa calma ele ajeita os ombros (os erguendo) e, sorrindo uma última vez pro amado; que sorri de volta pro seu menino; ele entra no portal.

E então tudo fica preto, a escuridão completa, como breu, e há somente silêncio. Um silêncio ensurdecedor que enche todos os sentidos.


Notas Finais


Bem, é só isso por enquanto, espero que gostem, com carinho, tia mel ( ˘ ³˘)♥


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