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História Church - Nakamoto Yuta - Capítulo 6


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Notas do Autor


Presentinho pro final de semana :)

Capítulo 6 - V.II Desespero


Fanfic / Fanfiction Church - Nakamoto Yuta - Capítulo 6 - V.II Desespero

- Johnny? Por favor me responde.

Como se estivesse saído de um transe, o garoto apenas piscou freneticamente e pareceu ter voltado a respirar, tirando minhas mãos de seu ombro bruscamente e com isso, ficamos em silêncio por alguns segundos tentando compreender a situação.

- M-me desculpa, eu não fiz por querer.

- Sem problemas Joh, só me diz o que houve. - Cruzei os braços tentando não transparecer o nervosismo de o ver daquele jeito. Eram poucas coisas que abalavam ele de verdade, então para estar desse jeito, algo muito grande aconteceu.

- Não devemos ir àquela festa.

A seriedade expressa em sua voz me fez estremecer, e duvidar do porquê estaria falarando aquilo.

- Se isso for uma desculpa sua pra não ir à festa, saiba que não tem graça Johnny.

- Não é uma desculpa.

Seguro o pulso do mais velho e o levo até a porta do prédio.

- Olha, isso tem a ver com a ligação? - Mais um silêncio em resposta. Aquilo já estava me deixando agoniado e nervoso. - Johnny!

- Não! Não é isso... Eu só 'to com um mal pressentimento.

Suspirei baixo e segurei os ombros do mais velho, sorrindo de verdade. Era justo ele se sentir assim, já que ano passado deu tudo tão errado.

- Relaxa bro, nada vai acontecer.

Aquela expressão de derrota em seu rosto não me deu nenhum gosto bom por tê-lo convencido. 

- Uau... isso aqui está incrível! - _________ dizia agarrada em meu braço, sorrindo para tudo a sua volta.

E não era para menos, afinal, diferente do ano passado o financiamento da universidade para essa festa foi bem maior. A decoração era praticamente toda com tons neon, que em meio a luz negra ganhava vida.

Na porta, tínhamos que assinar nossos nomes na lista de presentes - que àquela altura já estava na quarta ou quinta página -, pegar uma pulseira com numeração e algumas tintas neon para nos decorarmos.

O interior estava tão lindo que dificilmente poderia haver alguma reclamação.

Haviam balões transparentes com luzes brilhantes em seu interior e nas fitas que se prendiam nestes; Em todas as paredes que nos cercavam, cores brilhantes se destacavam como jorros, como se alguém simplesmente as jogasse ali sem padrão; os copos e as bebidas eram tão coloridas e brilhantes quanto todo o resto e olha, eu não queria nem saber o que colocaram ali pra ficar assim.

Sem contar as pessoas, todas tão bem vestidas e boa parte irreconhecíveis, já com as tintas devidamente colocadas em seus rostos e outras partes do corpo. 

- Com certeza tá bem melhor que o ano passado. - Olho para o tailandês que parecia abismado com a decoração local. Sua fantasia estava excepcionalmente criativa.

- Acho que tive sorte mesmo. - A garota ao meu lado completou animada.

Sua fantasia valorizava tantos pontos da aparência dela, e por uma leve ilusão a deixava doce e delicada.

Era engraçado o jeito como nossas diferentes fantasias chamavam a atenção das pessoas ao nosso redor, seja para rir ou elogiar.

- É um milagre que o Ten tenha vindo de bom grado. - Nos viramos na direção daquela voz fina e sorri ao ver Donghyuck.

Me surpreendo ao ver o pequeno coreano com uma fantasia bem diferente do que ele havia nos dito.

- Que porra é essa Hyuck? Você não ia vim de Michael Jackson? - Ten cruzou os braços analisando a roupa do outro.

- Eu achei que ele ficou muito fofo de Alice. - ________ foi para o lado dele e sorriu, segurando seu braço do mesmo modo que fazia com o meu.

Ela não mentiu no fim das contas. Haechan estava com um vestido azul rodado que ia até o meio de suas coxas, sobreposto por um avental branco sujo de algumas tintas neon. A meia branca, a peruca loira e o sapatinho preto o deixavam ainda mais fofo, por mais que eu odiasse admitir.

-Eu perdi uma aposta pro Taeil e tive que vim assim. Mas olha, vou falar que essa fantasia fica perfeita em mim, fora que é bem confortável sabe? Tem entrada de ar embaixo e não aperta minhas- Ten tampou a boca do garoto com o sorriso mais agradável que conseguia. 

-Tudo bem, entendemos, chega de detalhes. - Todos começamos a rir enquanto Haechan apenas esbanjava um bico em seus lábios. Era esse o efeito positivo que ele trazia para nosso grupo.

- Essa Alice ai tá chamando bem a atenção pelo visto.

- Como assim? - Hendery logo sorriu ladino, apontando para a diagonal do coreano.

Lá, podia-se ver um cara sentado em uma das mesas próximas a parede, bebericando sua bebida com o olhar completamente fixo no nosso amigo. Assim que o olhar dos dois se encontraram, um sorriso nada inocente surgiu no rosto do rapaz que podia ser bem visto através da máscara.

Sua fantasia era claramente um personagem da peça "O fantasma da Ópera", tanto pela máscara branca - que tinha tons de tinta neon- típica quanto pela roupa chamativa com a capa característica. Aquele tipo de criatividade tinha que vir de alguém do curso de artes cênicas.

- Se eu fosse você aproveitava, parece ter coisa boa debaixo daquela máscara. - O olhar receoso que o mais novo nos deu foi a coisa mais fofa que eu já vi. Era certo que ele não se envolvia com uma alma sequer nessa faculdade. A única pessoa que o vimos ficar - E ficar de verdade - foi com Moon Taeil, nosso senior e estudante de enfermagem, amigo de Taeyong e que ainda por cima estava tão bêbado naquela noite quanto Donghyuck.

- Tudo bem, eu vou. - Nossa Alice disse num tom de confiança, respirando fundo e ajeitando sua roupa.

Se tinha uma coisa que Hyuck era bom de verdade, é flertar com alguém, mesmo que todos fossem flertes sem nenhum desfecho.

- Lembra de usar camisinha! - Hendery grita, recebendo um gesto obsceno do recém saído e uma risada de Ten.

Não foi preciso mais de 10 minutos para todos estarem em rumos diferentes e lugares diferentes da festa. E cá estava eu, sentado no bom e velho bar montado todo ano e que só serve para dar dor de cabeça e uma noite de arrependimentos para essas pessoas.

E se tinha alguém que parecia invencível contra o álcool, era ________. Estava acompanhando a garota beber há uma cota e nenhum efeito alcoólico surgiu.

- Uau, você é feita de ferro? - Pergunto quebrando nossa última conversa.

- Não, eu apenas sei beber direito. - Respondeu com uma cara convencida e bebeu mais um gole de souju, misturado com limão e whisky.

Só de pensar nessa mistura me dava enjoo, ainda mais nos efeitos daquilo.

- Me diga, por que escolheu esse curso?

A garota parou de mexer o copo e ficou olhando um bom tempo para o nada, enquanto eu degustava meu belo refrigerante.

- Eu apenas me interesso por teatro. Artes cênicas parece a melhor opção pra isso, não?

Um mentira. Uma óbvia e descarada mentira.

- Certo. Mas não acha que só ter interesse é muito vago pra você escolher um profissão e seguir pelo resto da vida?

- E você? Por que escolheu o teatro?

Uma ótima jogada para mudar o assunto, felizmente esse jogo eu sei jogar.

- Por que mais uma pessoa que mora em um outro país escolheria isso se não por amor ao que faz?

- Por ódio e rebeldia talvez. - Me surpreendo com o tom de voz da garota que parecia mais pensativa que o normal.

- O que quer dizer com isso?

- Pense bem, os dois motivos andam lado a lado. Tanto o amor quanto o ódio te incentivam a fazer coisas que as vezes são irracionais e ambos são motivos tão fortes que podem... - Sua frase foi interrompida pelo meio - Esquece isso.

- Tudo bem.

Concordei meio relutante. Fazer perguntas naquele momento não seria adequado, mas instigava o meu pensamento a tentar entender tudo aquilo.

Achei que olhar em volta ia ser uma boa escapatória pra pensar em outras coisas e eu nunca estive tão certo na vida. ________ encarava o mesmo local que eu e por pouco não começamos a rir.

- Eles estão quase se comendo ali. - Indicou com a cabeça para Ten e Hendery que definitivamente não pareciam tão felizes, ou pelo menos Hendery não parecia.

- Quem é aquele garoto que o Ten tá beijando?

- É o Xiaojun, aluno do primeiro ano de artes plásticas. Há boatos que esse garoto é um príncipe com todo mundo e tem uma pegada de enlouquecer. - Ri da expressão boba da garota e encarei os dois.

- É... Da pra perceber. - Não sei o que era mais engraçado, a cara que o Hendery fazia ao evitar olhar para os dois ou o claro desejo dele de estar ali no lugar de Xiaojun.

- Isso porque eu achei que o Ten não ia perder a oportunidade de ficar com o Hendery e olha só o que temos aqui.

- Qual a sexualidade dele?

- Pansexual assumido. Aquele garoto é totalmente flex. - Balancei a cabeça em negação já imaginando o porque dele estar fazendo aquilo.

Provocação, o que mais seria?

- Flex? Ok, isso foi informação demais.

- Ele ia te contar uma hora ou outra, não é como se fosse um segredo.

- Muita gente sabe?

- A universidade inteira praticamente. Ele simplesmente não liga para o que falam dele por ai, até aproveita bastante as oportunidades de pegas. Mas emocionalmente é difícil ver ele se envolver...

- Desculpa perguntar, mas por quê? - A curiosidade era evidente em seu olhar e acabei sorrindo com aquilo.

- Ele é apaixonado pelo Hendery, de verdade. Mas o chinês estúpido ali nunca notou ou se faz de sonso. O Ten já se machucou tanto gostando dele e mesmo assim não faz melhor... Ao invés disso prefere se igualar e provocar. E nós realmente não sabemos no que pensar, porque as vezes o Hendery parece demonstrar algo mais do que uma amizade por ele, mas é tudo meio incerto.

- Talvez isso seja atração sexual? Quer dizer, olhe ele, é um puro pecado humano e talvez com os boatos o interesse dele pode ter aumentado. - Havia um incômodo estranho na sua voz, mas fiquei apenas na teoria.

- Talvez. O que eu não entendo é que eles nunca passaram dos beijos e mãos bobas, nunca.

- E por que o Ten não ficou com ele hoje? Ele tem toda a oportunidade na frente dele.

- Isso que não entendo, eu até apostei com o Joh...

Johnny

Parei totalmente com minha linha de raciocínio e levantei bruscamente olhando em volta desesperado.

Tento buscar em minha mente a última vez que vi ele e mais uma vez bateu um desespero. Ele estava estranho desde que chegamos, e não falava nada, apenas ria e sorria.

- Yuta? Aconteceu algo? - Seguro o ombro da garota ansioso

- Você viu o Johnny? - Só pelo olhar eu já pude advinhar - Droga!

A ligação... Ele estava estranho desde aquela maldita ligação.

Corro em direção a Hendery, ainda parado ao lado de Ten.

- Hendery, você viu o Johnny?

- Achei que ele estava com você. - Fecho os olhos e puxo delicadamente Ten de cima do garoto fantasiado de pintor.

- Yuta! Que merda é-

- Cadê o Johnny? Por favor, você viu ele?! - Pergunto deixando o desespero transparecer. Por mais que naquele momento meu desespero nem se comparasse à indignação do outro que se irritou mais ao ver Xiao Jun levantar e ser puxado para longe por um garoto de cabelos laranjas.

- E eu vou saber? Que merda Yuta! Olha o que você fez! O Johnny saiu tem quase uma hora, deve estar por ai fudendo com alguém! Melhor que você que fica atrapalhando os outros.

Me irrito com o tom de voz usado por ele e o empurro de volta pro sofá sem muita força, jogando seu corpo acidentalmente contra Hendery.

- Pensa duas vezes antes de gritar comigo! Se algo aconteceu com o Johnny... eu espero que isso fique na sua mente podre e te faça se importar mais com as coisas! - Naquele momento, algumas pessoas nos encaravam e eu não ligava, simplesmente. O mau pressentimento era maior que tudo.

- Yuta! Espera! - Me virei em direção à garota e segurei seu braço delicadamente e trêmulo.

- Fica com o Ten e me espera, vou achar ele e já volto. Eu prometi pro Doyoung que voltaríamos juntos e não vou te deixar sozinha. - Vejo a menor concordar com a cabeça.

- Volta logo, por favor.

Sorri em resposta e soltei-me dela, indo em direção a saída esbarrando com todo mundo sem ao menos me importar com as reclamações.

No primeiro ponto sem barulho que eu achei, tentei ligar para ele. Uma, duas, três e quando vi, cinco tentativas todas não atendidas. Eu deveria ter imaginado que algo sério aconteceu... Ele nunca fica nervoso por nada, e muito menos calado. Como eu fui estúpido de não ter percebido que algo estava errado.

Mandei várias mensagens, todas chegaram a seu celular e em apenas cinco minutos que mais pareciam uma eternidade, veio uma resposta.

" Eu não estava me sentindo bem.

Saí pra tomar um ar e comer algo

Tem uma lojinha perto do local da festa, em uma rua abaixo daí.

Vem rápido por favor, não me sinto bem"

Eu não sabia se me sentia aliviado depois dessa mensagem ou mais preocupado ainda.

Não pensei duas vezes antes de correr em direção ao lugar pedido. A rua que se seguia ali era bem iluminada e mesmo assim exalava uma sensação ruim, ou apenas eu estava nervoso. De longe, consegui ver a lojinha de conveniência e corri em direção à ela, com o corpo trêmulo e a respiração ofegante e sem exitar, entrei ali.

A loja estava completamente vazia, não havia nem ao menos um atendente decente.

- Hyung? Porra, cadê você? - Perguntei mais por estar nervoso do que irritado.

Silenciosamente passei a andar de sessão em sessão da lojinha. Se estava mal, seja por bebida ou seja lá o motivo, ele poderia estar sentado, correto? Não sabia que podia senti tanto desgosto por estar certo na minha vida.

- Johnny!

Gritei desesperado ao ver o corpo do estadunidense jogado no chão.

A geladeira de bebidas aberta

Produtos no chão

Uma garrafa de água aberta derramava água que se misturava com... sangue.

Nunca tremi tanto ao me aproximar dele e muito menos senti tanto pavor ao tocar seu corpo.

- Johnny... por favor responde. Johnny!

Não percebi quando, mas minhas lágrimas já pingavam no chão desesperadamente.

Uma pancada

Um última figura 

E lá estava eu, caído ao lado do corpo do meu melhor amigo, sem forçar para levantar. 

Meus olhos fechavam involuntariamente apenas ouvindo duas vozes que eu jamais ousaria esquecer.


Notas Finais


Preciso urgentemente parar de terminar os capítulos assim e sim, eu nunca vou superar esse Halloween, mas espero que tenham gostado


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