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História Chuva - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Castigado


O tempo passava correndo sem a percepção, tudo passado conforme a dança; já fazem três anos e mesmo agora as lágrimas rolam. Não eram memórias dolorosas, mas o presente há de ser tão duro que esmaga qualquer pensamento da minha mente nem tão sã.

Mais uma vez escorrem as lágrimas por estas bochechas já encharcadas, um ciclo que vive se repetindo; mais uma vez o tempo escorre por entre meus dedos, mais uma vez... Todas as lembranças se entopem e eu...

... Entro em erupção.

Mesmo as boas sensações e vivências de outrora há de doer agora. Memórias que vem e vão, o tempo precioso que zomba dessa vida despreocupada. O coração entra em colapso e aquele fio de sanidade se vai para todo o sempre. Minh'alma contorce e revira-se em si mesma, as paredes começam a ruir...

E agora não é só o mundo que está no fim.

Quando foi que o mundo pessoal desabou?

As horas intermináveis da sombria madrugada eterna esmagam até a última partícula; cada célula dói. Tudo aquilo já passou na dança do tempo, e não sou eu que tem o poder de reviver tudo que agora só vive em memórias amáveis.

Bate em minha pele a brisa da noite, me desintegra e evapora no ar, tudo que me restou. Minha mente é levada pela ventania que um dia levou meus dias, aquela brisa que sempre esteve presente nos meus momentos. Pairando e carregando tudo que ficou pra trás.

Mais uma vez meus olhos alcançam o rubor, minha mandíbula já dói; meu ar se vai com o resto do que um dia quis permanecer.

Meu chão treme, se abre e outra vez eu estou caindo no espaço do meu ser; já não há nem mais aquela fumaça, a labareda se extinguiu há tempos.

O enjôo pesa, preso na garganta junto dos meus gritos; o vômito emocional que eu guardo comigo. E os sentimentos pesam, a culpa pesa, o medo pesa... As lágrimas pesam no rosto, as minhas forças se vão junto de minha vontade.

E de joelhos desabo, cortado pelos estilhaços; eu caio.

Em posição fetal, encolhido e amedrontado; todos os sentimentos escorrem como ácido pelas feridas e cortes, o quarto já está alagado por tudo que esteve aqui dentro. Todo o ressentimento e as decepções que me rasgavam, e todos os erros que pesam como nunca.

A face lamentável transmitida pelo reflexo, aquele antigo brilho no olhar que não estava mais lá; eu quero tudo de volta.

... Um último gole do café desce pela garganta, empurrando tudo de volta pra onde é o seu lugar; acabou.

A madrugada vence mais uma vez, meu sono não tão profundo chega no alvorecer de mais um dia.

Os olhos cansados fecham-se sem cessar as infinitas gotas da chuva tempestuosa permanente...

... E eu acordo novamente em prantos.


Notas Finais


Por que você insiste em dizer que ainda existe vida sem você...?


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