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História Chuva de verão - Capítulo 7


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Notas do Autor


Bom, eis aqui mais um capítulo. Espero que gostem! Obrigado por quem está acompanhando até aqui e pelo feedback em geral! Vocês me motivam a continuar. Obrigado mesmo.
( ^^)

Capítulo 7 - O confronto de Pedro


O almoço estava realmente divertido. Tanto os meus amigos quando os de Max pareciam visivelmente mais à vontade, como se estivessem em um encontro de amigos há tempos conhecidos. Por mais que eu ainda permanecesse em minha neutralidade, hora ou outra ria ou comentava algo a respeito do que falavam.

A comida estava completamente elogiável. A carne era suculenta, macia e deliciosa. A linguiça juntamente à calabresa estavam impecáveis, com um sabor forte e ao mesmo tempo sutil. Se não tivesse visto Max, Ruben e Clarice temperando, diria que fora preparada por um chefe e encomendada.

Durante os satisfatórios diálogos, era comum alguém se engasgar de tanta êxtase. Ao olhar para o lobo azul-anil defronte a mim, me lembrava com sobressalto de suas sinceras desculpas, aquelas que me trouxeram uma paz indescritível.

Depois daquela inesquecível refeição, nos servimos de um simples mas apetitoso bolo de chocolate com recheio de maracujá. A combinação dos sabores era incrível: o doce chocolate era equilibrado pela acidez do simples maracujá. Entrementes, Leonardo e Clarice pareciam conversar de um assunto diferente dos demais. Eles claramente tinham se dado bem um com o outro.

Por estar absorto na conversa do grupo e não mais em meus pensamentos, agora podia observar de relance quando me encaravam por alguns segundos.

Oras, era comum alguém em certos momentos encarar uma outra pessoa. No entanto, isso para mim ainda causava certo desconforto e curiosidade. Meus breves olhares não eram suficientes para descobrir quem tanto às vezes me observava. Motivado por isso, quando senti novamente o misterioso olhar, decidi direcionar meu rosto a pessoa.

Meus pelos arrepiaram suavemente quando vi Marco me encarando diretamente, com seu punho apoiando o queixo. Imediatamente, ele desviou de meu olhar e passou a encarar os outros. Fora um movimento tão natural que ele parecia não ter se incomodado quando o olhei.

A tarde se demonstrou tranquila e alegre. Max, durante uma conversa sobre jogos, sugeriu o que estávamos jogando há alguns dias. Começou a explicar as mecânicas, a história e o vasto cenário para se explorar. Na sua voz, percebia-se uma grande excitação. À medida que ia narrando o que eu e ele havíamos passado, inevitavelmente eu corava com certos comentários e sorrisos direcionados a mim.

O resto do dia iria ser promissor e imprevisível. Vale dizer, nestes longos quinze anos de vida, que este fora um dos dias mais felizes de minha vida?

● ● ●

O sol poente abrangia todo o bairro, chegara o momento de ir embora.

— Novamente, foi muito divertido, Max! No próximo encontro eu com certeza não faltarei. — repetia Leonardo.

— Um prazer tê-lo conhecido. — dizia Marco a mim, enquanto Ruben e Clarice conversavam com Leonardo e Max.

— O mesmo. — disse espontaneamente, com um sorriso desajeitado.

Marco deu uma risadinha e foi se juntar ao amigo que já estava indo embora. Eu já havia me despedido de Leonardo antes de sairmos da casa.

— Obrigado por terem vindo —disse Max, encostado à porta. —, nos vemos outro dia.

— Claro!!! — dissemos em uníssono. Antes de fechar a porta , Max firmou seu olhar calmo em mim e sorriu.

No meio do caminho para casa, Ruben comentou de repente.

— Foi mais divertido do que eu esperava. — tateou o bolso e apanhou o celular. — Olha essa foto que eu tirei, Clarice.

Por curiosidade, alonguei meu corpo para o celular de Ruben e vi a foto de Clarice rindo com o focinho melado de chocolate.

— Legal. — disse Clarice, parecendo desinteressada. Mas, em um movimento rápido, tomou o celular de Ruben e, antes que pudesse ter o celular tomado novamente, fez algo com os dedos ágeis.

— Aaah, você apagou!!! — resmungou.

— Minha imagem, minhas regras. — respondeu, debochando.

— E você, não vai me defender, Peter? — indagou.

— Hm… — olhei gargalhando. — Não sei…

— Você quase não está falando, Peter. Algo errado?

— Alôoo, terra para Clarice! — enfatizou Ruben. — Você está mesmo doida hoje! Fez até uma pergunta sem sentido. Você sabe que…

— …O Peter é assim? Sei, sei. — Clarice interrompeu o amigo, desdenhosa. — Mas hoje parecia diferente…

Ela aproximou-se de mim e apoiou sua mão em meu ombro.

— Você parecia mais "aberto". — direcionou-se a mim.

— Parecia…? — perguntei, olhando para o chão. — É…

Não estava à vontade para falar sobre tal assunto. Mas, como eles foram umas das pessoas que me ajudaram e me ajudam até hoje a me livrar da timidez, desabafei.

— Fiquei feliz. Eu não sentia essa sensação de paz há tempos… — porventura, lembrei de Max. — Me senti entre amigos. Amigos de verdade. Estava cercado de pessoas que me traziam uma sensação de que eu pudesse confiar abertamente neles. Mesmo que eu não tenha falado quase nada, ainda assim estava bem…

— Isso é muito bom, cara. — disse Ruben. — Não quero forçar você a nada, mas…devia sair assim mais vezes.

Suspirei. Os dois, ao perceberem minha inquietação, tornaram a caminhar sem dizer mais nada.

"Vale mesmo a pena?

Ao chegar em casa, corri para o quarto para evitar Pedro, que estava distraído em seu celular. Retirei minhas roupas, fui ao banheiro e fiquei lá por longos minutos, refrescando-me com aquela água gélida e confortante.

Depois do banho, vesti simples roupas de dormir e desci até a cozinha, para beber algo.

— Onde você tinha ido? — Pedro apareceu atrás de mim, enquanto tirava o jarro de suco da geladeira, com os braços cruzados.

— Eu disse aos meus pais…não lhe disseram? — olhei confuso. — E aproveitando…onde eles estão?

Corri o olhar pela sala e levantei minha orelhas, em busca de captar algum som vindo do andar de cima. Não tinha percebido a ausência de meus pais.

— Foram visitar meus pais. — disse com certo desinteresse. — Mas e você, onde estava?

— Fui almoçar na casa de um amigo.

O olhar de Pedro mudou. Sua boca se endireitou em um breve sorriso, que mais parecia uma feição de triunfo.

— Você? Saindo? As coisas mudam mesmo… — ele soltou os braços e foi para sala com uma única risada.

Um pequeno ponto de raiva cresceu dentro de mim. Tentando permanecer sóbrio, coloquei o suco no copo e bebi calmamente, ainda na cozinha. Terminei, guardei o jarro e lavei o copo.

— Foi aquele que conheci na quadra, não? — disse bruscamente. — Afinal, deve ser o único que tem…

Seu deboche era perceptível. Por que gostava tanto de me provocar?

— E qual o problema ter um único amigo? — digo, em tom desafiador. Não era nada comum agir assim. Mas, infelizmente, minha sobriedade tinha se esvaído junto ao sol sendo substituído pela negra noite.

— É uma desvantagem. Por isso você vive chorando, não é? Você tem poucos amigos, assim não tem com quem conversar. E ainda diz que ter poucos amigos, desde que verdadeiros, é bom! — alteou a voz na última frase.

— O que quer dizer? — minha raiva, ainda transparente, confrontava a confusão dentro de mim.

— As pessoas são substituíveis, primo. Você que não sabe lidar ainda com isso. — respondeu seriamente.

— Minha percepção é diferente da sua…completamente.

— Não, é porque você não sabe lidar com os f- — dei dois passos em direção a ele, que parou sua própria fala, percebendo meu semblante.

Você é egoísta, egocêntrico, insensível, gosta de se aproveitar das pessoas e de ter o melhor só para si! Você usa as pessoas, descarta elas e depois acha outras! Você, ao usar dos outros, os corrompe também, os fazendo pensar que ou devem usar ou que serão usados!

O silêncio invadiu toda a casa. Ouvia-se apenas os carros buzinando e passando pela rua. O vento provocava ruídos no telhado, e as árvores liberavam sons característicos.

Sem entender, vejo Pedro se aproximar de mim em passos largos. Quando o vi cerrar o punho e observei seu rosto, finalmente havia entendido o motivo de toda àquela aproximação.


Notas Finais


Hm...O que fez Pedro?
Aah, sabia que "Peter" é o nome em inglês de "Pedro"? Eu usei como metáfora, para dizer que são o inverso um do outro. Só queria esclarecer isso mesmo, ksksksk


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