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História Chuvas de papel - Capítulo 3


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Notas do Autor


E aqui estamos com o terceiro capítulo dessa viagem!!! Ele ficou um pouco maiorzinho, mas a sensação que tive é a de que não foi tão elaborado quanto o anterior. Mas isso não é problema, cada um desses planetas vai falar sobre algo diferente, então contanto que a mensagem principal esteja aqui, o resto é detalhe. 💖

Capítulo 3 - O planeta das lágrimas iridescentes


Às mãos que se agarram à tela:

A cada salto cósmico, Jungeun se aproxima mais do exato lugar em que, segundo Jinsoul, o novo planeta vai nascer. Reune, então, toda a sua paciência e espera, no dorso do universo, pelo glorioso momento, até que, num canto qualquer, surge a primeira gotícula iridescente.

Elas crescem feito bolhas de sabão, isolando tudo o que adentra aquele espaço — carregam o arco-íris e aquele sentimento de uma explosão silenciosa imanente. Mas não explode; toma a forma do planeta, e não forma rio algum, mas uma superfície escorregadia que, agora, abriga um novo mundo.

Quando acredita ser o momento certo, Jungeun se aproxima.

Ainda é tudo muito fresco: chãos de plástico-bolha, furacões iridescentes e um friozinho meio úmido que vem soprar sua estabilidade. É difícil caminhar por ali — um descuido, uma queda, a possibilidade de nunca mais conseguir levantar. É arriscado, sim, viver como um inseto de patas para o ar, mas Jungeun é desbravadora dos próprios medos. Prefere voar.

Aí, em meio à música que sobe no estouro causado pelos seus passos comedidos, de repente escuta um choro, bem baixinho. Há lágrimas aladas naquela esquina do universo.

Ao chegar mais perto da curva que elas fazem, Jungeun consegue discernir uma figura singular encostada à base de uma parede-bolha, agarrada aos próprios joelhos enquanto se desprende do pranto volátil.

— Com licença… tá tudo bem? — pergunta, por mais tosco que seja questionar a alguém que se desdobra em lágrimas herméticas.

É que Jungeun, no fundo, nunca soube muito bem como lidar com as torrentes da tristeza.

A pessoa ergue a cabeça, e de repente a surpresa tinge sua expressão — o choro, porém, continua, além de seu controle. Os olhos brilham, ainda que um pouco avermelhados, e por um minuto parece dividida entre se deixar levar pela própria curiosidade ou pela vontade visceral de manter distância.

Entretanto, mesmo banhada em hesitação, ela fica. 

Jungeun lembra-se das palavras de Jinsoul — rios de lágrimas, talvez. Não sabe se a metáfora é ou não proposital, mas por um momento se encanta com as gotas que, ao deixar os olhos, sobrevoam sua cabeça formando aqueles mares celestes, e parece um pouco do inverso: pisa em ar e cobre-se de água.

— Quem é você? — a garota finalmente indaga, e sua voz também parece úmida de melancolia.

— Só estou de passagem, viajando por aí. Me disseram que ia nascer um planeta por perto, e me bateu a curiosidade. Você mora aqui?

— Ainda não — ela murmura, enquanto seus dedos brincam com alguma coisa em seu pescoço. Um olhar mais atento permite perceber que se trata de um colar. — Preciso construir minha casa, mas esse choro dificulta as coisas.

— Mas por quê…

— É uma maldição — ela interrompe, como antecipasse a pergunta. — Foi porque eu pisei na Estrela. Mas não me arrependo! Agora é só consequência, o tipo de coisa que é inevitável.

— Estrela? — Jungeun demonstra sua confusão enquanto se senta ao lado dela. Nota, também, que a maciez da parede-bolha em suas costas é muito bem-vinda, quase a convida para afundar na textura.

— É, toda galáxia tem uma, certo? A que fica no centro, gera calor, essas coisas. A nossa é muito, muito bonita, mas também é perigosa. Se tiver vontade de ir pra lá, não vá, a não ser que você esteja completamente preparada pra enfrentar o que quer que encontre. Dizem que cada pessoa se depara com algum desafio quando pisa na Estrela, mas umas constelações ao redor tentam desmentir e aumentar a tentação, então não dá pra saber a verdade. De qualquer forma, tenha muito cuidado! — Após isso, faz uma pausa, ergue os ombros e abruptamente se vira, encarando Jungeun pela primeira vez. — Oh, desculpe, acabei despejando muita coisa em você, sendo que a gente mal se conhece. É que desde que voltei de lá, nunca encontrei alguém pra contar o que aconteceu. Parece que as palavras são mais difíceis de controlar do que as lágrimas.

— Tudo bem, você me deu conselhos importantes, na verdade — Jungeun assegura, com um sorriso. Sente umas gotículas esbarrarem em sua pele e a pintarem de arco-íris, é a mesma sensação de ter uma pluma arrastando-se pelas maçãs de seu rosto. — Você disse que quer construir uma casa, né? Se quiser, posso te ajudar.

A outra sorri, bem de levinho, o que surpreende Jungeun por um instante — são os olhos, em contraste com o sorriso quase imperceptível, deixam de expelir melancolia e passam a chorar alívio, talvez o contentamento por ter uma companhia, ou uma ajuda, ou uma mistura de ambos. Não é mais apenas o silêncio de todas as cores; nela, acende-se luz.

Construir até que é divertido, ainda que Kim Jungeun não tenha nenhum tipo de experiência nesse campo. Mas é uma primeira vez interessante, até, com direito a algumas escorregadas acidentais, um ou outro desvio dos arcos que fazem as lágrimas e risadas que também se formam efervescentes. No final de tudo, tem o bônus de descobrir que a garota se chama Jeon Heejin, e que o interior da casa recém-concluída é quentinho.

Heejin convida Jungeun para um chá, oferece uns biscoitos também. Lá dentro tem um aconchego mágico, quase sedutor, que faz nela nascer uma vontade gigantesca de ficar. Só não consegue mesmo se sobrepor ao seu maior objetivo.

— Você tem um destino específico depois daqui ou tá parando em qualquer lugar? — Heejin pergunta, quando já estão se despedindo no parapeito da janela. 

— Hm… Acho que, por enquanto, eu só quero mesmo visitar os planetas mais próximos.

— Oh! — Heejin estica os braços para segurar as mãos de Jungeun num aperto firme. — Então, se não for problema, posso te pedir pra fazer uma entrega por mim?

— Claro!

Heejin embrenha-se pela casinha de um só cômodo e não demora a retornar, com um pacote-bolha brilhante em mãos. 

— É pra pessoa com que eu morava antes de decidir visitar a Estrela… Eu imagino que ela esteja preocupada até hoje, então queria pelo menos arranjar uma maneira de dizer pra ela que sim, eu estou viva, que existo aqui nesse universo. Por mais que tenha demorado, acho que, no fim, nunca é tarde pra dar uma boa notícia. Você faz isso em meu lugar?

A Kim assente e guarda o embrulho com todo o cuidado do mundo. Por fim, Jeon Heejin agradece e fala um pouco mais sobre como pedaços de satélites vão e vêm a todo momento pelas redondezas — eles são bons guias para viagens — e, também, sobre como não precisa ter pressa para fazer esse pequeno favor, as coisas têm seus momentos certos de acontecer.

Então, após mergulhar no céu, Jungeun agarra-se ao pedaço de lixo cósmico como a nascente que procura onde desembocar; deixa-se arrastar pela correnteza da matéria.


Notas Finais


Obrigada a quem está acompanhando! Se tudo der certo, o próximo sai na semana que vem :D


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