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História Cicatriz - Capítulo 19


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Notas do Autor


Oi! Eu sei, demorei o tanto de meses que eu já tinha dito que não demoraria, não foi minha intenção. Trabalho, faculdade, problemas pessoais e uma lista de coisas.

Capítulo de hoje deu uma avançada e com isso Cicatriz entra em reta final, espero que gostem e eu realmente sinto muitíssimo pela demora. Tô aproveitando esses dias difíceis (infelizmente) pra voltar a ativa e não deixar mais ninguém na mão.

Boa leitura!

Capítulo 19 - Nós três


Fanfic / Fanfiction Cicatriz - Capítulo 19 - Nós três

Kim Taehyung estava sentado em minha mesa de estudos quando abro os olhos.

Enxergar sua imagem por um minuto me faz pensar que poderia estar sonhado, mas ao vê-lo se levantar e se aproximar da cama onde eu estava deitada me fez ter certeza que sim, ele estava ali. Mais sério do que o costume, mas estava. Minha língua coça para perguntar o motivo dele estar ali, tão cedo, olhando para mim como se esperasse algo de muito importante acontecer. Bom, talvez ele esteja. Eu apenas continuo com a coberta até os olhos até ele finalmente decidir se pronunciar.

— Alguém já disse a você para que serve um aparelho celular, Yerin?

Ele pergunta e tudo o que faço é murmurar um ‘uhum’. Sua pergunta era óbvia, devido às milhares mensagens em que ele me mandou e eu não respondi ou algumas das ligações que eu não atendi. Desde a festa em que nossos pais deram para comemorar a bonança do ano e mais algumas coisas que eu não fazia questão de lembrar, eu quis isolar-me um pouco do mundo. Isso significava ficar longe do celular e qualquer rede social, também. Eu sabia o que ele estava fazendo ali, eu sabia o que ele queria perguntar.

Não era mais novidade que meu namoro com Jungkook tenha ficado balançado após ele não ir à festa e após ele ter me dito o motivo. Um dos pontos negativos de se ter pais que se conhecem e são amigos... Sei lá, desde a adolescência.

— Sua mãe me deixou entrar quando eu disse que você não respondia minhas mensagens. – ele mais uma vez começa a falar e se aproxima ainda mais, puxando meu edredom com seus dedos longos e fazendo-me soltar resmungos de irritação.

— Quando alguém não atende uma ligação ou não responde uma mensagem quer dizer que ou ela está ocupada ou simplesmente não quer responder, Taehyung.

— Sim, eu sei. – responde e puxa ainda mais o pano que me cobre, fazendo-me puxar de volta e praticamente iniciar uma briga para ver quem ganhava pela força.

O que, de longe, era ele.

— Não sei exatamente o que te aconteceu, já que você sumiu praticamente do nada na festa. Você some por uma semana e não me respondia, não me atendia... Lógico que eu viria atrás para saber o que aconteceu, fiquei preocupado.

Tudo bem, ele precisava de uma explicação depois de eu ter praticamente deixado-o sozinho quando decidi subir antes da festa acabar.

— Eu não sumi – respondo quando finalmente crio coragem para levantar e me apoiar sobre a cabeceira. – Me despedi de você antes.

— Não está assim por causa do Jungkook, está? Sua mãe disse que ele não veio e...

— E que o que, Taehyung? – o interrompo, fazendo-o me encarar.

— Que tiveram uma conversa no outro dia, uma conversa que segundo ela não te fez bem. Ela também me deixou entrar porque eu disse que talvez fizesse você me contar.

Claro, mamãe como sempre arruma um jeito de apaziguar as coisas entre mim e Taehyung e nos manter próximos, ou talvez ela esteja tão curiosa para saber tanto quando o homem em minha frente está. Permaneço calada, porque sei que por mais que Taehyung esteja se roendo de curiosidade, sei que é sincero quando diz estar preocupado. O que me faz cogitar falar a verdade e quem sabe assim colocar um pouco da sensação esquisita para fora.

Decisão errada Yerin, decisão errada.

— De fato, eu e Jungkook tivemos uma conversa que eu esperava que fosse melhorar a situação, mas aconteceu de fazer o contrário – ele me olha atento, esperando que eu continuasse. — Ele não veio à festa porque foi encontrar uma antiga namorada.

Certo, não era exatamente isso que eu planejava dizer e o que Jungkook tinha me dito. Mas minha cabeça ainda estava tão confusa que eu não conseguia assimilar a tal menina de outra forma que não fosse uma antiga namorada dele. O fato de sua brincadeira – de muito mau gosto, por sinal – quando me disse que ela e sua mãe ficariam em sua casa me fez pensar mil e uma coisas. Uma delas foi se realmente eu poderia acreditar quando ele me disse que não era verdade e que só falou aquilo para ver minha reação.

Uma faceta de Jungkook que eu nunca esperava ver.

Era verdade que Kimberly havia ligado para ele pedindo para encontrá-lo, também era verdade que quem começou com o joguinho de pôr ciúmes fui eu quando falei sobre Taehyung ter me feito companhia à festa toda. Talvez Jungkook apenas tenha tido vontade de me fazer sentir o mesmo que sentiu. Talvez ele só tenha me devolvido na mesma moeda.

Eu sempre tentei ser clara com meus sentimentos, nunca escondi quando algo me aborrecia... O fato de encarar o desconhecido também me assusta. Não que eu fosse uma mulher insegura ao ponto de pensar que Jungkook terminaria com o que tínhamos por causa da antiga namorada... Digo, melhor amiga. Entendi que não se viam há um tempo, percebi que também ficaria tentada a fazer o mesmo... Mas o fato dele não ter me avisado que não iria à festa me deixaria mais tranqüila. Ele simplesmente não ligou, não mandou mensagem. Só foi e não pensou em mim na forma em que eu com certeza pensaria nele.

Mas é meu direito me sentir insegura, não é?

— Direito seu se chatear e eu não o tiro, e longe de mim defender aquele cara... Mas ele não tinha um motivo para ir atrás dela?

— Segundo ele, só queria vê-la. Já que não a via fazia tempo desde que se mudou de Busan para cá.

— E por isso você vai morar embaixo do edredom? – Taehyung praticamente me puxa para frente, fazendo-me levantar de vez e uma certa tontura me acertar em cheio. Eu estava vestida, para sorte dele. — Você não é disso, Yerin, ou você resolve seu ciúme em ou eu mesmo vou atrás do Jungkook, e não é aqui deitada e trancada no quarto que isso vai acontecer.

— O que você veio fazer aqui, afinal?

— Já disse – ele se levanta. — Saber que bicho tinha te mordido e te tirar da cama, agora que já consegui fazer as duas coisas... Posso voltar para minha casa e dormir? Temos que ir à faculdade amanhã.

Ah, a faculdade. Estávamos em fase inicial para dar sentido em nossas vidas. Taehyung tinha conseguido uma bolsa na qual ele queria e era uma boa instituição, eu tinha recebido dois e-mails das que eu tinha interesse. E Jungkook, bem... Jungkook tinha interesse em pelo menos cinco das melhores do país e todas elas pareciam felizes demais por isso, afinal suas notas eram uma das melhores. Nós conseguimos fazer todas as provas que restavam para o ano letivo terminar e os professores foram bons o suficiente para nos ajudar passando um trabalho aqui e ali. Talvez eles queriam se ver livres dos alunos assim como os alunos queriam no mínimo a mesma coisa.

O dia estava apenas começando e Taehyung estava reclamando que queria ir para casa dormir... Ou ele queria aproveitar as últimas horas de descanso que tivemos ou novamente passou a noite estudando tudo que iria estudar em seu respectivo curso. Ele sempre foi bom em matemática, então escolheu Logística. O plano era conseguir aprender ainda mais o mundo em que nossos pais viviam e, quem sabe, dar continuidade ao negócio da família. Coincidência ou não, eu e Jennie escolhemos o mesmo curso: Design de Interiores, e poderíamos ficar na mesma faculdade.

Jungkook escolheu Administração, visto que também era bom com números. Tudo nos conformes e era só tentar passar por cima da ansiedade e esperar o grande dia. Na manhã seguinte, marcamos de conhecer onde iríamos estudar pelos próximos anos. Meu pai se ofereceu para levar-me na qual me interessava e talvez já marcar o vestibular, mas mamãe se infiltrou na conversa e disse que seria ela quem iria me levar. Junto com Taehyung e Jungkook. Nós três.

Que grande maravilha!

Eu não precisava me preocupar com o que iria acontecer, afinal nós éramos três adultos indo fazer uma visita em suas faculdades. Por sorte, ou azar, minha mãe se certificou de levar-nos em cada uma. Eu na minha, Taehyung e Jungkook nas suas, já que não eram muito longe uma da outra, e isso foi totalmente proposital.

Como já era esperado, o clima dentro do carro não poderia ser menos tenso. Taehyung se ofereceu para ir à frente, ao lado da minha mãe que dirigia enquanto eu e Jungkook permanecemos sentados atrás, juntos. Percebia suas olhadas pelo retrovisor e em como isso fazia o moreno ao meu lado ficar desconfortável, eu só não tinha noção de exatamente o porquê. Fomos primeiro na minha e além de estar feliz com a escolha do curso que estudaria, fiquei apaixonada por toda arquitetura do lugar. Um grande prédio espelhado na cor azul escuro, em meio a grandes árvores e pequenos jardins.

A de Taehyung e Jungkook não era muito diferente, a mesma fachada preta que dizia o nome da instituição. Os dois adoraram o lugar, assim como eu adorei o meu. Enquanto eu e Jungkook fazíamos o que dois adultos que se namoravam faziam, mamãe e Taehyung conversavam e sorriam como se não houvesse amanhã. Eu tinha esquecido quão próximo os dois eram e em como ela o tratava tão bem, quase como um filho. Sempre foi assim, desde quando éramos pequenos. Não era segredo de ninguém os ciúmes que Jungkook tinha de Taehyung e eu tenho certeza que não foi intencional de que ficasse um clima ruim que mamãe chamou os dois para virem, foi apenas uma falha de comunicação porque eu seria a primeira a dizer que não era preciso. Fiquei totalmente quieta quando Jungkook disse que foi idéia de sua mãe, não da minha.

— Ela queria que eu saísse de casa – Jungkook diz, enquanto entrelaça seus dedos nos meus com uma das mãos enquanto com a outra alisava meu cabelo — Disse que estava muito tempo trancado dentro do quarto estudando e me preocupando com algo que ainda não aconteceu.

— Se refere à faculdade? – pergunto enquanto devolvo seu carinho, mas alisando seu rosto cansado pelas horas de estudos — Talvez ela tenha razão, você de longe é o mais estudioso de nós três. Se sairá bem na prova.

— Noona... Ainda está chateada? Pelo o que eu fiz?

O grande suspiro que dou ao tirar minha mão de seu rosto o responde. Eu estava chateada sim, por mais que tenha se passado uma semana do acontecido. Estava envolvida demais com Jungkook para não me chatear caso ele deixasse de fazer o mínimo.

— Sei que não deveria ter feito o que fiz e ter avisado para onde iria... Mas fiquei tão eufórico com a ligação que acabei deixando o celular em casa, pensando em mais nada.

— Ela é importante para você, não é? A Kimberly.

— Assim como Taehyung é para você também.

Ele diz e eu fico calada, por momentos sem saber o que dizer, mas ele continua.

— Ela foi à única pessoa que se aproximou de mim quanto muitas só me chamavam de nerd e me excluíam. A única a sentar do meu lado, a me enxergar.

— Eu entendi. Entendo tudo o que me djz, eu só quero repetir o que disse aquele fatídico dia e venho repetindo todos esses também. Quero que seja transparente comigo, sabe? Verdadeiro. Que me conte as coisas e nunca me esconda nada pensando se poderá ou não me machucar. Me machuque com a verdade, não com a mentira.

Somos interrompidos quando mamãe e Taehyung se aproximam de onde estávamos sentados nos chamando para o almoço. Não sei exatamente para quê, mas minha mãe me chama para ir ao carro e pede que eu vá sozinha, deixando Taehyung e Jungkook sozinhos. Olho de um para o outro, enquanto meu namorado permanece sentado e olhando para o nada, Taehyung me olha com os olhos cerrados fazendo-me lembrar de sua frase de que, ou eu me resolvia com Jungkook em relação ao que aconteceu ou ele mesmo tiraria satisfação.

O que era engraçado de se pensar, Taehyung tirando satisfações com Jungkook devido a algo que aconteceu em nosso namoro. Enquanto aceito o pedido de minha mãe, vou caminhando ao mesmo tempo em que olho para trás e os enxergo trocando palavras. Meu corpo paralisa quando vejo Taehyung sentar ao lado de Jungkook e ele o olhar com uma cara não muito amigável.

— Precisa de alguma coisa? – pergunto para minha mãe enquanto a mesma abre a porta do carro pegando sua bolsa e tirando uma carteira.

— Oh, não, Yerin! – diz sorridente — Apenas queria saber o que achou da faculdade e se realmente irá querer ficar. Seu pai está curiosíssimo para saber.

Meu. Deus. Do. Céu.

— Claro, mamãe – respondo com o mesmo sorriso, mas não exatamente verdadeiro quanto o dela — Pode ligar para o papai e dizer que sim, ficarei aqui. Já podemos marcar o vestibular. Posso voltar?

Ela me olha desconfiada, intercalando seu olhar entre mim e os dois homens sentados a poucos metros de nós.

— Claro, querida. Pode ir.

Não quis sair correndo de onde estava ou eu iria dar mais bandeira do que já deveria ter dado para a mulher que eu chamo de mãe. Mas só o fato de imaginar que Taehyung possa ter dito ou perguntado algo faz meu sangue gelar, dependendo do que aconteceu ele iria fazer o contrário, e ferver. Eu me aproximo um pouco mais de onde os dois estavam e fico paralisada quando enxergo os dois em pé, encarando-se como se estivessem se preparando para uma guerra.

Talvez eles estivessem.

E eu estava perdida.


Notas Finais


Como eu disse, após esse capítulo a história entra em reta final! Um passo grande foi dado com todos indo para a faculdade e mais uma vez o foco volta aos três protagonistas. Não vou demorar os meses que demorei, se minha palavra ainda vale algo pra vocês, eu prometo isso!

Se cuidem, lavem bem as mãos, fiquem em casa! Vamos passar por essa como sempre conseguimos passar! 💕

Obrigada a @mooncact pelo banner LINDO da volta de Cicatriz. Você arrasa, bebê!

Até!


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