1. Spirit Fanfics >
  2. Cicatrizes >
  3. Interlúdio

História Cicatrizes - Capítulo 11


Escrita por: e XuxuJ2


Notas do Autor


Capítulo co-escrito juntamente com @XuxuJ2 ;;

Capítulo 11 - Interlúdio


Fanfic / Fanfiction Cicatrizes - Capítulo 11 - Interlúdio

P.O.V Narrador // On 

Era uma manhã pacata de Fevereiro. Dois anos haviam se passado depois dos acontecidos, e os alunos da classe 1-A já estavam no terceiro ano do ensino médio: o último ano deles no colégio. Dois anos haviam se passado e nenhuma notícia de Ayane. Dois anos haviam se passado, e nenhuma novidade. A rotina se tornara monótona, enfadonha. Pelo incrível que pareça, o caso da "garota demônio", que havia sido encontrada com Chisaki e os outros havia sido deixado para trás por todas as estações policiais e pelas autoridades. De nada adiantou. Nenhum membro sequer da Shie Hassaika nunca mais foi encontrado ou flagrado na cidade de Musutafu, e o caso foi semanas depois rotulado como arquivo morto. Ninguém nunca mais soube do paradeiro de Ayane ou dos outros criminosos, e algumas pessoas até ousavam dizer que tudo aquilo não passava de uma "lenda urbana". Tudo continuava no mais puro silêncio. Na mais pura paz. Era uma pena.

As oito da manhã mal havia batido e os alunos da classe de Aizawa já estavam aos cochichos e falatórios, ansiosos para aquele último ano letivo na U.A High School. Todos, menos Shoto Todoroki. Dois anos se passaram, muita coisa havia mudado, já até havia conhecido algumas garotas, mas nenhuma delas havia feito o esquecer de Ayane. Alguma coisa conseguia ligar profundamente os dois: pelo menos para Shoto. Ele havia parado de chorar e sofrer por dentro por causa daquilo, e, agora, apenas olhava fixamente para o vazio, com uma imensa apatia. Mas, mesmo assim, sempre acabava lembrando da garota morena, acreditava ver vultos negros e a silhueta da própria Ayane o observando quando ia dormir. Enquanto ele olhava a caixa onde estavam as suas antigas roupas e pertences, sentia que ela estivesse atrás dele, com uma respiração forte. O bicolor estava pirando de verdade, e ele não sabia o que fazer. Quem sabe, por pura ironia, a maldição de Shoto seria ter que ver a alma pobre e perdida de Ayane assombrar sua vida para sempre? Vai saber, vai saber.

– Oe, Shoto? Shotooo...? — Momo apareceu de repente, enquanto o bicolor ainda estava perdido em seus pensamentos.

– ...Ãh? O quê? — Shoto respondeu rapidamente, quase em um choque, se virando com um olhos preocupados.

– Acorda, rapaz! Nada do Aizawa e já passaram minutos que você tá assim. No que você tá pensando? — Momo retrucou, curiosa.

– Tsc, nada, nada não. Eu só tava...

De súbito, em meio a toda aquela bagunça, a porta abriu e o professor Aizawa entrou na sala de aula. Foi um burburinho e vários "silêncio!" e "todos para o lugar de vocês" até que Momo e Shoto se despedissem. "A gente se fala mais tarde, quem sabe", retrucou Momo, deixando Shoto á deriva, no meio da sala. Confinados naquela sala de aula, todos estavam engolindo (ou pelo menos tentando) regras de linguagem e ortografia, como sempre engoliam. Shoto conseguia perceber que os alunos ainda estavam os barulhentos e insuportáveis de sempre. Aizawa ainda mantinha aquela expressão de cansaço e decadência no rosto e aquela voz curta e grossa, como sempre. Tudo estava tão igual, mas ao mesmo tempo, tão diferente, sem ela...

Aizawa olhava para os alunos da sala, falando e falando em uma exaustão e esgotamento grande. De repente, ouviram-se duas batidas na porta da sala de aula, o que conseguira calar o professor Aizawa e todos os sussurros aos ouvidos e risinhos dentro da sala de aula. Sem todo o barulho na sala, as batidas na porta ecoaram pela sala inteira. O professor deu alguns passos apressados até a porta para atender e, quando abriu, conversou um pouco com as "pessoas de fora" e pediu para que elas entrarem. Da porta, surgiram dois jovens com o uniforme da escola: um menino e uma menina.

O garoto tinha uma pele caucasiana, um cabelo castanho escuro com mechas loiras de prazo baixo. Mesmo com o uniforme, dava para ver que ele era bem corpulento e estava em forma. Tinha olhos azuis bem profundos e, abaixo de seus olhos, jaziam algumas cicatrizes, semelhantes á lágrimas escorrendo. A garota tinha uma pele clara, olhos verdes-claro e uma cabeleira loira, longa e sedosa. Vestia o uniforme padrão da U.A, mas mesmo assim, tinha uma feição extremamente "infantil", doce e meiga. O garoto não parava de esfregar sua nuca, enquanto a garota (que parecia ter sete ou oito anos, por conta de sua aparência), exibia um sorriso adorável e não parava de dar "piques" com seus sapatos perto do garoto novato, enquanto caminhava.

– Pessoal, temos novos alunos na sala de aula. — O professor Aizawa retrucou, ainda perto da porta. Ele ainda continuava um pé a fora, como se uma terceira pessoa estivesse fora da sala. Shoto acabou fitando um salto alto perto do professor. — Deem as boas vindas á Jinko Hasayami e Sayuri Yokkako, por favor.

– Hum, hum! Bom dia, pessoal! Bom dia! É um prazer estar aqui! — Sayuri logo reagiu a todos os olhares da turma com um sorriso fofinho e uma risadinha boba e meiga. Alguns alunos do fundão reagiram com um "Awwwn!". Sayuri deu mais algumas risadinhas fofas e ficou ao lado de Jinko. — Prazer! O meu nome é Sayuri! E esse é o Jinko! Nós nos encontramos aqui mesmo, na escola! Mas acho que já somos grandes amigos! Não é mesmo, amigão?

– O-oe... Olá... — Jinko ficou com algumas gotas na cabeça e um pouco vermelho, constrangido por toda a turma estar observando.

– Hah, hah, hah, há! — Sayuri deu mais uma risada bobinha e abraçou Jinko, que ficou mais vermelho ainda pela pequena tagarela. — Eu estou tããão feliz em conhecer todos vocês! Nossa, como a U.A é tão grande e legal! Eu espero que faça muitos amigos, além do Jinko, claro! E então? O que acham...?

De repente, Sayuri ouviu um pigarreio de fora da sala e virou sua cabeça para trás discretamente. Uma figura feminina e esguicha que estava ao lado do professor lançou um olhar congelante e amedrontador para a novata. Após ver aquele olhar, o sorriso no rosto de Sayuri desapareceu, mas mesmo assim, ela tentou esconder sua "preocupação" virando a cabeça rapidamente para a turma e soltando um sorriso amarelo e um riso sem graça. Jinko fez praticamente o mesmo, depois que notou isso na novata.

– Ah, hah... hah, há! — Sayuri deu um riso sem graça para a turma, tentando disfarçar algo. Shoto ficou olhando para ela, um pouco desconfiado de alguma coisa. — Então... Jinko, onde podemos nos sentar?

Os novatos foram para seus assentos com passos apressados. O assento de Sayuri ficava ao lado de Bakugo, e o de Jinko, atrás de Midoriya. O professor Aiwaza fechou a porta e voltou para a sala, e a aula continuou com aquelas regras novamente. As regras chatas de ortografia e um pouco de geografia foram dados pelo professor amorenado. Tudo poderia estar, ainda, naquela "paz" de antes, mas os olhos de Shoto não paravam de observar os novatos, o que deixava Shoto ainda mais desconfiado. Aliás, quem havia sido o último novato a entrar na U.A antes deles? E o que havia acontecido depois que esse novato entrou...?

Quebra de tempo ;; 15h da tarde, em ponto.

– E é assim que nós utilizamos a nossa individualidade! — Falou Jinko, retirando uma máscara de Venture de seu bolso e equipando em seu rosto. Em seguida, de seus dedos, exalou-se uma fumaça arroxeada, que por pouco, não consumia todo o local.

– Isso mesmo! — Sayuri respondeu, soprando uma grande bolha colorida em volta daquela fumaça roxa, que ficou inteiramente "presa" dentro da bolha. Ela pegou a bolha e dissipou ela, fazendo com que toda a fumaça também desaparecesse. Sayuri deu mais um sorrisinho e um pequeno risinho fofo. — Puft! E ela desapareceu!

Jinko, Sayuri e quase toda a turma estavam reunidos na cafeteria do colégio, hora do almoço. Um aglomerado de alunos se voltou ao redor dos alunos novatos, cheios de perguntas e elogios. Jinko continuava com algumas gotas na cabeça, enquanto Sayuri recebia todos os elogios com entusiasmo e uma grande empolgação.

– Wow! A individualidade de vocês é muito única, adorei! — Comenta Mina, toda animada olhando para os dois alunos novatos.

– Que fofa a sua individualidade, Sayuri-chan! — Comenta Uraraka, também indo na direção da pequena garota, que fica com estrelinhas radiantes nos olhos, com seu grande bom humor de sempre.

– Aaah! Muito obrigada! Muito mesmo, muito mesmo! — Responde a loira, com toda aquela animação inocente e fofa, quase não acreditando naqueles elogios todos, dando alguns pulinhos e soltando algumas bolhas ao seu redor. Muitos alunos estavam por volta dos dois.

– Legal! Mas... Hey, Jinko-san, a sua individualidade não é muito perigosa? — Pergunta Midoriya, já com o seu caderno em mãos, anotando a individualidade dos dois novatos.

O garoto olha para ele com um olhar preocupado, como se aquela pergunta o afetasse de alguma maneira.

– Sim, o gás tóxico que eu solto pode imobilizar o oponente, e se ele for exposto por muito tempo pode até matar o meu alvo. —Responde Jinko, logo depois dando um suspiro mostrando o gás arroxeado que saiu da sua máscara.

– Ah, e-entendo. - Fala Midoriya, ficando até mesmo um pouco assustado por dentro. “A individualidade desse cara é bem assustadora”, pensou o de cabeleira esverdeada, enquanto terminava de anotar tudo no caderno.

Enquanto tudo isso, Sayuri Yokkako estava sendo paparicada pelas garotas que todas admiraram muito, não só pela aparência fofa e infantil, mas também por toda aquela simpatia da garota.

– Sayuri-chan! A sua individualidade é bem parecida com a minha. — Comenta Uraraka, ativando a sua individualidade e começando a flutuar no ar.

– É verdade, é verdade! Se nós trabalharmos juntas alguma vez, nós poderemos imobilizar TODOS esses vilões nas minhas bolhas e flutuá-los para beem longe! E aí depois pew, pew pew! Salvamos todo mundo! — Fala a pequena loira, deixando Uraraka animada.

– Haaaii! Pelo visto, vamos nos dar muito bem! — Fala Uraraka, pegando as duas pequenas mãos de Sayuri, comemorando com ela.

Todos os veteranos estavam conversando com Jinko e Sayuri, e todos estavam bem animados, até mesmo Bakugou estava, mesmo não sendo tão simpático. Shoto estava sozinho pelos cantos da cafeteria, olhando eles conversarem juntos enquanto comia um prato de Katsudon. Não que ele se importava ficar sozinho daquele jeito, pelo contrário, quando ele está sozinho fica pensativo pensando nas coisas que estavam acontecendo. O bicolor estava enlouquecendo, não parava de pensar em Ayane, e mesmo se quisesse, ele não conseguia. Os olhos do bicolor se encontram com os olhos azuis profundos do novato Jinko, que estava o encarando sério, parecia que ele estava um pouco preocupado com o bicolor. Shoto, na hora, sentiu o seu coração apertar, acabando se lembrando da morena novamente. Aqueles olhos azuis eram muito semelhantes dos olhos da Ayane, o mesmo tom de azul e o mesmo olhar sério. Talvez ele esteja vendo coisas. Ele coçou seus olhos e revirou seu olhar para o seu prato de comida.

– Oe... — Fala Jinko, que havia se livrado de toda a multidão e estava se aproximando do bicolor, que o encarava meio assustado. — ...Você está bem? — Pergunta, fazendo uma expressão de preocupação para o bicolor que o encara de volta com um olhar sério.

– Estou. — Responde Shoto, logo depois engolindo aquilo a seco e desviando o olhar para o prato.

– Você é o filho do Endeavor, não é? — Pergunta dando um sorriso meio tímido para o bicolor que o encara meio surpreso.

– Sou, sim, porquê? — Pergunta sendo um pouco grosso e direto deixando o garoto na sua frente um pouco apreensivo.

– Ah, p-por nada, só queria dizer que te admiro muito. — Responde, coçando a nuca e tentando aliviar a tensão que sentia pelo corpo.

– Hm... Obrigado pela admiração. — Responde Shoto, logo depois começando a caminhar, não querendo conversar com ninguém.

– Oe, não se preocupa com isso não. Faz um tempo que ele está assim com todo mundo. — Comenta o loiro do Kaminari, colocando uma mão no ombro do novato que logo depois o encara um pouco curioso.

– Mas, porque ele está assim? — Pergunta Jinko, não entendendo muito bem.

– Na verdade... Ele está desse jeito depois que a namorada dele sumiu, sem dizer nada. Ele superou, mas ainda está muito avoado esses dias. - Fala Kirishima, dando um suspiro entrando na conversa com as suas mãos na cabeça e se espreguiçando.

– Ah, agora eu lembrei de uma coisa. Sobre... Aquele ocorrido da estudante que se juntou com o Chisaki Kai. Aquilo... Aquilo é verdadeiro? — Pergunta Jinko, curioso olhando para eles, se referindo da "lenda" da "garota demônio".

Os dois garotos olham para Jinko, muito tristes e com preocupação no olhar, dando a entender que aquele assunto era extremamente delicado para eles. Os dois balbuciaram algumas palavras e, em seguida, viraram-se para Jinko.

– Não comentamos sobre isso faz um bom tempo, mas como você é um de nós tem que saber. — Fala Kirishima dando um suspiro  e sentindo o ar pesar. — Ayane Hideko era uma aluna da nossa turma, ela se dava muito bem conosco, mas no enterro dos seus avós, ela foi sequestrada por uma liga de vilões. Depois disso, ela simplesmente se juntou com o Chisaki Kai... e o resto você já sabe. — Fala ele, dando uma resumida não querendo dar muitos detalhes.

Jinko ficou um pouco pensativo com aquilo o que o ruivo tinha lhe dito, ele não sabia muito bem o que pensar sobre, mas sentia no fundo que não gostava nenhum pouco daquela garota, já que muitas pessoas a odiavam, diziam que ela é uma traidora, uma vilã espiã que estava aquele tempo todo escondida na U.A.

– Vocês acham que ela era uma vilã que se escondeu aqui? Muitas pessoas a odeiam... Na verdade, nem sabemos se esse caso da tal Ayane é verdadeiro... — Pergunta Jinko, deixando os dois garotos ali um pouco irritados com o que ele disse.

– Oe, não acreditamos que ela é uma vilã, e nem uma lenda! Para nós, ela foi manipulada pelos vilões, os avós dela morreram, as pessoas que odeiam ela simplesmente não a conheceu. Eles deviam se colocar no lugar dela primeiramente. - Fala Kirshima o encarando com um olhar de incômodo, deixando o garoto um pouco sem graça.

– Ayane foi uma pessoa muito importante para nós e principalmente para o Shoto. Respeitamos o sentimento dela e do nosso amigo. — Fala Kaminari, olhando para o novato seriamente, o que normalmente não se encaixava muito bem na sua personalidade normal de comediante e sorridente garoto loiro.

Então, ela era a namorada do Shoto Todoroki.”, Pensa Jinko, logo depois olhando para o bicolor, que estava um pouco distante bebendo água encostado na parede de um corredor próximo.

Antes que a conversa continuasse, o professor Aizawa aparece entre as colunas da cafeteria, pedindo para que todos os alunos se arrumassem e se preparassem para as próximas aulas, já que era o começo das aulas e todos eles sempre faziam uma "reunião" á tarde, nas primeiras semanas de aula. Enquanto todos saíam dali, Shoto terminava de beber o copo d'água, simplesmente olhando para aquele corredor escuro e tirando o antigo pingente de Ayane. Uma expressão preocupado tomou conta de seu rosto.

Quebra de tempo ;; No auge das 17h da tarde.

As aulas do dia já haviam terminado. Todos estavam na sala do diretor Nezu: alguns professores representantes das outras classes e os alunos da classe 1-A. Mais uma vez, a conversa se instalou no local facilmente, tanto para os professores quanto para os alunos. O senhor diretor, uma espécie de ratazana branca e gigante, falava com os professores enquanto entregava e arquivava papéis e mais papéis pela sua mesa, enquanto a maioria dos alunos conversavam uns com os outros. E lá estavam eles! Jinko e Sayuri, sendo a garotinha a mais animada e entusiasmada do grupo, soprando algumas bolhas e, assim, entretendo todos os alunos por ali. "Um momento, por favor!", o diretor pediu para todos os professores. Os professores representantes foram liberados da sala, até mesmo Aizawa. O diretor chamou todos os alunos para sua mesa.

• • •

"UM SHOW DE ROCK, AO VIVO?", alguns alunos até surtaram um pouco com a notícia dada por Nezu. Outros apenas guardaram seu entusiasmo para si, e haja quem não ligou muito para a notícia. Shoto era um exemplo perfeito desses.

– Isso mesmo! — O diretor assumiu, com olhos fechados, para os alunos. — Sei como estão tendo o trabalho de estudar e se preparar para suas futuras faculdades: e até espero que esses estudos estejam sendo intensos, hein? Como eu dizia... Como agradecimento, toda a staff da U.A preparou um show de rock e new wave exclusivo, na próxima semana, para os alunos da classe 1-A do terceiro ano!

– Nossa... Legal! — Kirishima retrucou, com olhos arregalados de alegria.

– Wow, tô dentro! — Mina não pôde resistir e falou, quase meio histérica.

"E nós também!", Kirishima, Kaminari, Sero e Momo responderam, também muito animados com aquilo. Jinko, Uraraka, Sayuri e Midoriya ainda comemoravam e ainda marcavam alguns planos para o dia do show. O diretor disse que o show iria acontecer ás 19h da noite, na praça Nawaru Chi, que ficava alguns quilômetros da escola U.A, mas os alunos poderiam ir facilmente caso todos os alunos caminhassem cedo até o local do show.

Todos ficaram ainda mais alegres, e nem tentaram em conter todo o entusiasmo. Jinko deu algumas risadinhas discretas e um sorriso interessado apareceu em seu rosto, enquanto Sayuri dava pulinhos de alegria juntamente com Uraraka, ambas com sorrisos largos em seus rostos. Nezu se levantou por um momento e abriu uma gaveta: vários tickets e ingressos para o show. Demorou meia hora para o diretor distribuir todas as cortesias para os alunos. Ao todo, 22 cortesias. Todos agradeceram e, depois de uma conversinha ou outra, todos saíram da sala do diretor. Ele dispensou todos com um sorriso simpático.

– Como é, vamos ao show de rock próxima semana, juntos? — Kirishima perguntou para Mina e Kaminari.

– Pode apostar! Vai ser uma curtição, depois de todas essas semanas estudando! — Kaminari respondeu, na maior onda.

– Claro que sim! Quero ser a primeira a chegar e a última a sair. — Diz Mina, criando muitas expectativas para o dia.

– Então vocês todos ficam, e eu volto pra casa. — Diz Shoto, se aproximando um pouco dos três. — Legal esse negócio do show, mas eu realmente prefiro continuar estudando, porque depois do dia do show nós temos um exame de química. Vocês não se lembraram...?

– Ai, ai, que trágico... — Respondeu o loiro do trio, com um sarcasmo na fala. — Quero só ver o Shoto de terno e gravata no dia da festa! — Kaminari conseguiu arrancar alguns risos do trio, fazendo com que Shoto desse um suspiro e fosse embora dali.

Todos os alunos conversaram ainda por um tempo e depois, todos foram para o pátio do colégio. Cada um tomou o seu rumo seus dormitórios, quase todos. Shoto, o último a sair, antes se despediu de Jinko e Sayuri, que resolveram sentar em um banco no pátio para conversar um pouco. Depois daquilo, o cabelo meio-a-meio foi embora. Depois de um último "tchau!", os novatos ficaram sentados no banco, cada um olhando para uma direção diferente. Jinko coçava sua nuca, como sempre fazia, e Sayuri estava acariciando uma pequena joaninha em seu dedo.

– Oe... Sayuri? — Jinko virou sua cabeça para a jovem loirinha, que estava entretida com a joaninha.

– Sim? — Sayuri olhou para Jinko quando percebeu que ele estava falando com ela. A joaninha em seu dedo voou na mesma hora.

– Hum, nada não, é que... — Jinko falava, um pouco hesitante em perguntar aquilo. Ele tinha um rosto entusiasmado. — O diretor falou que você poderia trazer uma pessoa de fora para ir no show de rock. E... você vai trazer alguém?

– Aaah, é isso? — A loira respondeu, com aquela inocência e doçura de sempre. Olhou profundamente para Jinko e depois sorriu, piscando seus olhos. — Eu vou trazer uma pessoa sim! ...E por quê a pergunta, Jinky? Vai trazer alguém também? Algum outro amiguinho de fora? — Sayuri perguntava, balançando suas pernas, sentada no banco do pátio. Ela balançava seus pés como duas criancinhas, achava aquilo fofinho.

Jinko parou. O entusiasmo em seu rosto se dissipou totalmente. Ele a respondeu com uma expressão neutra, quase vazia.

– ...Tsc, ninguém. Quem eu poderia trazer, né? — Jinko brincou, porém, um pouco cabisbaixo. Falou em um tom de melancolia, como se tivesse lembrado de algo com aquilo e ficado triste. Muito triste. — Não... Não vou trazer ninguém. Só estou perguntando pra você mesmo.

Sayuri parou. Ela percebeu uma grande agonia e tristeza no olhar do caucasiano. Ele até tentou esconder, mas sem sucesso algum.

– Ah, simi... Mas, Jinky... O que houve? — Sayuri perguntou, um pouco preocupada com ele, também se sentindo um pouco culpada por aquilo. — Eu... Eu falei alguma coisa?

– Ah, ah, não! — Jinko suspirou superficialmente e respondeu á ela. — Só, só me lembrei de uma coisa, mas você não vai entender...

Sayuri pegou na mão de Jinko, colocando-a no banco.

– Não se preocupe... Pode falar pra mim! Se é um problema, tem uma solução...! — Sayuri respondeu, inocentemente.

O que ele faria agora? Jinko pensou, hesitou, mas não adiantou. Ele sabia que aquilo era sério de mais para até mesmo a Sayuri entender. Ele não queria contar nada sobre ele para uma pessoa que ele tinha conhecido hoje mesmo, mas também sabia que tentar esconder algo dos olhos curiosos e tão... aconchegantes da Sayuri. Sua expressão de tristeza aumentou.

– É difícil... Mas, a U.A foi a primeira escola que me recebeu tão bem. Eu não estava acostumado com "amizades" ou coisa parecida, preferia realmente ficar na minha.... Foi sempre assim. É... — Jinko declarou, cabisbaixo. Uma lágrima escorreu de seu olho. — ...Lá no fundo, eu já sabia que eu era estranho e esquisito, comparado com as pessoas “comuns”. Foi sempre assim.

– Mas... Jinko, o que você tá falando? — Sayuri perguntou, ainda mais preocupada com ele e tentando limpar suas lágrimas. — ...Quando isso aconteceu, e por quê essas palavras...?

– Tsc, desculpa, desculpa por isso... — Jinko pegou as mãos de Sayuri, parando um pouco de lacrimejar. — Há muito tempo... Meus pais foram mortos. Fui largado ao mundo, e ainda por cima, eu tive que sofrer muito por causa... disso. — Jinko apontou para suas cicatrizes, que era por onde suas lágrimas passavam. — Sou detestado desde pequeno. Estou sozinho desde pequeno...

Sayuri se aproximou do rosto de Jinko, este que suspirou para se acalmar. Ela deu um sorriso inocente e esperançoso.

– O-oe, Não fale isso, Jinko, não fale! Talvez eu também sempre tenha sido uma "rídicula" só por ser assim, como eu sou! Acha que eu me sinto bem sabendo disso...? Você não está sozinho, não mais...!

Jinko, depois de uns segundos, observando aquele sorriso tão motivador e doce de Sayuri, deu um leve sorriso e assentiu.

– Oe, nós quase destruímos uma vida inteira! Acho que não somos tão diferentes, quanto eu achava...

– E quem disse que não somos? — Sayuri se aproximou de Jinko, no banco, dando uma risada fofa.

Os dois se abraçaram com força, e em seguida, logo quando o rosto claro de Sayuri estava perto do rosto do caucasiano, Jinko soltou a jovem loira do abraço. Ele já estava com lágrimas, aliviado. Enxugou as lágrimas, agradeceu profundamente a Sayuri. "Amanhã, a gente se encontra... Muito obrigado por tudo", disse Jinko, que se levantou do banco, caminhou até o portão da escola e foi embora, até seu dormitório. Sayuri se levantou, ainda muito entusiasmada, preparando suas coisas para ir embora também, porém, dessa vez, para casa, não ficando para dormir na escola. Ela pegou seu celular, para checar as horas. O sol já estava se pondo diante o céu coberto pelo crepúsculo. Sayuri hesita por um momento, e no final, pensa:

– O-oe... 18:15? Uh, espero que... Espero que a minha Yane-chan não se importe... — Disse ela, tentando esconder sua apreensão.

 

 

 

Continua...


Notas Finais


Espero que tenham aproveitado o capítulo!
Desculpas pela demora e pela extensão curta do capítulo, mas nada que atrapalhe!
Um bom dia, boa tarde ou boa noite para todos.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...