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História Cicatrizes - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Cura



Sabaku no Gaara era de uma família simples, sua família crescera e prosperara no Japão seguindo os costumes de seu povo, mas nada era mais o mesmo após a guerra que assolara o mundo, todos falavam que a grande guerra havia acabado, mas ele sabia que não, havia servido defendendo seu povo e representando o Japão, seu irmão mais velho havia morrido na batalha de Midway  e a derrota do Japão fora declarada em 1945, após o rendimento de seu país depois do ataque brutal e desumano realizada a Hiroshima e Nagasaki. Mas a guerra inteira era isso é o próprio Sabaku nunca se orgulharia de já ter tirado a vida de alguém, ainda que lhe dissessem que era seu inimigo. Como poderia ser? Eles sequer se conheciam.  

Ino Yamanaka era a psicóloga enviada por sua base, Gaara fora dispensado do exército sob a patente de general. Não tinha orgulho disso também, havia sido um dos poucos que sobrevivera é apenas por isso tinha aquele título, mas isso lhe garantiu um bom atendimento psicológico que ele julgava ser completamente desnecessário. Mesmo quando ficou conhecido como demônio entre a linha de frente inimiga, Gaara não costumava errar tiros, em homens, mulheres ou crianças. Bombas eram bombas, não importava quem as carregassem. 


Gaara apenas se levantou com raiva, sabendo que existia uma protocolo até que fosse liberado completamente sem ser considerado a porra de um sem sentimentos. Eles não entendiam, não pode comparecer a cidade natal para o enterro de seu irmão pois estava lutando em outro ponto do país e três anos depois quando soube do ataque a Nagasaki estava em Okinawa defendendo sua posição, dessa vez não haviam corpos para serem enterrados, seus pais e irmã haviam derretido com a radioatividade da bomba atômica, tentava se convencer de que eles não haviam sentido nada e tinha terríveis pesadelos com os gritos de agonia da família. 


Chegou ao local indicado ainda cedo, se tratava de uma fazenda perto da cidade, a camisa branca e calças negras largas, sua corrente de identificação no pescoço e a postura sempre em alerta gritava que era um ex soldado, ele nunca conseguiria mudar aquilo. Um homem de cabelos castanhos e estranhas tatuagens nas bochechas veio em sua direção. 

Gaara não respondeu nada e apenas seguiu o homem por onde ele indicava, não era nenhum voluntário e veterinário de quê?

Atravessaram uma espécie de porteira e o  homem caminhou em direção a uma grande construção de madeira, lá dentro haviam várias baías e em cada uma tinha um cavalo diferente, todos muito bem cuidados, porém alguns possuíam ferimentos graves, como alguns membros amputados. 

Gaara negou com a cabeça e Hinata sorriu. 


Gaara estava acostumado a seguir ordens, não questionava, era prático, queria a solução dos problemas e por isso não sabia lidar quando Hinata perguntava o que achava melhor, o que ele queria fazer naquele dia ou quando ela apenas dizia pra ele andar por aí fazendo os cavalos se sentirem bem, era calado e dificilmente sorria, podia dizer com certeza que riu quando Hinata caiu pisando em bosta de cavalo e pela primeira vez a ouviu xingar culpando Konohamaru de não tem feito a limpeza da ala oeste do galpão. O ruivo estava sentado em uma saleta especial quando Hinata abriu a porta esbaforida, a cabeça de Gaara funcionou conforme sempre fora treinada e o ruivo já estava de pé no segundo seguinte, um rastelo ficou firme em sua mão direita e com a esquerda passou pela mulher procurando a ameaça lá fora.

Hinata o levou em direção a entrada da fazenda, uma égua de pêlos negros urrava de dor e raiva, ainda que a corda em seu facinho a restringisse ela se erguia avançando sobre quem quer que fosse. Com a ajuda de Gaara, logo conseguiram colocá-la em uma baia com água e alimento e ali ele percebeu o quão machucada ela estava, havia sido atacada por lobos e caído uma ribanceira, mas o pior era que o animal estava prenhe e Hinata explicara que devia estar em trabalho de parto e o cheiro de sangue havia despertado o interesse dos animais em si. Viraram a noite ajudando a égua com o parto e seu filhote castanho nascera morto, Hinata chorou enquanto aninhava a égua que apenas bufava, como se sofresse em silêncio. Gaara saiu dali sentindo-se sem ar, precisou se encostar na parede de fora do estábulo para normalizar a respiração, suas mãos ainda estavam cheias do sangue da égua. 


Gaara apenas olhou para onde a égua estava, abatida e magra. Não era bom com animais, na verdade não era bom em muita coisa e ainda assim queria ser bom para aquele ser tão sofrido, não falou nada com Hinata e acreditava que não precisava, todos os dias ele limpava a baía da égua e a banhava, fazia carinho no equino e mesmo quando ela o mordia ou resfolegava, Gaara ainda permanecia consigo, com o tempo e muito aos poucos conseguiu sua confiança e que ela estabelecesse uma rotina normal de alimentação e socialização com os outros animais do espaço, era quase como Hinata fazia com ele, percebeu isso quando passou a sentir falta do cuidado da Morena consigo, ela o escutava, o fazia se sentir importante e sempre estava consigo quando parecia que sua cabeça ia explodir, os pesadelos antes recheados de medo e horror passaram a ter dias bons em que ela com os olhos claros e sorriso aberto o acalentava trazendo o melhor de si que achava ter perdido na guerra.

O homem a encarou negando.

Não haviam muitos lugares pra irem, o pub era um local pequeno e charmoso e pertencia a Lee, um homem animado e alegre, na opinião de Gaara ele era intrometido também, sempre buscando assunto com a morena e perguntando sobre os animais. Se ele se importava tanto, porque não ia lá de voluntário?

O ruivo revirou os olhos contrariado e algumas cervejas depois já estavam conversando sobre as perdas que tiveram, Gaara lhe contara sobre a perda de sua família e a guerra e Hinata falará sobre como perder o irmão afetara sua família, o pai havia perdido quase tudo em jogo e sua mãe havia morrido pouco tempo depois do filho mais velho, Neji era o grande amor de sua mãe e sinceramente ela achava que se fosse ela a ter morrido a mãe não teria sofrido tanto, Neji a teria consolado melhor que ela o fez, mesmo ele dizendo que ela havia feito seu melhor Hinata preferiu não falar mais naquilo. Havia começado a trabalhar no centro de equinos quando o exército precisava de cavalos e não os tinham, a guerra explodia os animais como bonecos de pano e ela chegou a costurar alguns. 


Hinata parou em frente a sua casa, não era longe da de Kiba e ele sequer havia se dado conta disso.

Quando Hinata se despediu e se virou o ruivo acenou voltando a caminhar.

Hinata já havia tirado os sapatos e caminhava descalça bebendo um copo com água, Gaara era de longe uma pessoa boa, mas com cicatrizes demais pra idade que tinha, as batidas na porta a assustaram e quando abriu deparando-se com o ruivo ela franziu o cenho.


Quando ele a beijou Hinata percebeu que apesar de ser muito tímido, Gaara era também muito decidido, a mão do ruivo lhe acariciou as costas e a nuca, a puxou aprofundando o beijo e ela ficou sem ar obrigando-se a se afastar dele, ele sorria com os olhos verdes que lhe faziam sonhar desde o primeiro dia.



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