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História Cicatrizes - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


♥ O fim chegou, meus amores!
♥ Espero que gostem desse capítulo, fiz com todo meu amor!
♥ Agradecimentos especiais aos leitores que me acompanham no Twitter: @XerlokC, @AmoraBoreal, @lady_winca, @grumpy_hippie (se eu esqueci de alguém, me perdoem!)
♥ Agradecimentos finais a minhas amigas queridas que leram minha história, obrigada!
♥ DENISE, EU TE AMO.
♥ Aos leitores que comentaram aqui com mensagens carinhosas, textos LINDOS e PERFEITOS: eu AMO vocês. E aqui eu não citarei nomes, porque TODOS que comentaram foram muito especiais para mim, me animaram quando eu estava triste, me incentivaram quando nem eu mesma tentei kkk GRATIDÃO ETERNA!
♥ Me perdoem pelo tamanho do capítulo, ok? Tô chorando!
♥ NUNCA PENSEI QUE HEMATOMAS CHEGARIA ONDE CHEGOU. VOCÊS SÃO INCRÍVEIS, SÉRIO.

Capítulo 17 - Epílogo


    No domingo, após um jogo de futebol em que Archie se machucou, Marc fez curativo no joelho dele. Quando colocou esparadrapo para prender a gaze, ele estendeu a perna e disse:

━Não vai dar um beijinho para sarar mais rápido?

Marc olhou-o seriamente, tentando entender se estava brincando, mas ele lhe encarava com as sobrancelhas erguidas. Inclinou-se e beijou-o no curativo. Archie começou a rir.

━Queria ver se você ia beijar mesmo.

━Está gostando de me testar ultimamente, Archie… -resmungou apertou o pé do namorado, que sentiu cócegas

Conforme a noite chegava, Marc sentia um frio na barriga, pois a surpresa que tinha preparado aproximava-se. Trocava mensagens diárias com os pais que, para sua surpresa, mostravam-se empolgados. Não admitiria em voz alta, mas era bom estar em contato com eles, que estavam se esforçando para mudar e serem mais presentes. 

De tardezinha, Alan puxou Ada para a varanda espaçosa da casa enorme. Colocou as mãos nos bolsos e, após tomar coragem, começou a falar:

━Adorei passar o fim de semana aqui, de ficar perto de você.

Começou a suar e Ada encostou-se na parede da casa, sorrindo divertidamente. Ela lhe abraçou pelo pescoço com ambas mãos. Envolveu-a com carinho pela cintura.

━Sei de tudo isso. -a loira mostrou a língua e deu uma piscadinha- Prossiga. 

━Talvez seja cedo para perguntar isso, mas… Você gostaria de ser minha namorada?

Ada arregalou os olhos, afastou-se, colocou as mãos na boca, que estava escancarada, e deu um gritinho e felicidade. Inclinou-se e beijou-o, sorrindo em meio ao ato.

━Claro que sim, seu bobo! Não é cedo demais. 

Ela lhe abraçou com ternura e carinho. Alan fez uma carícia lenta na sua nuca, de olhos fechados, sem acreditar direito que ela seria sua namorada. Ou melhor, já era. 

━Vai ter que acostumar o seu estômago a comer mais. -ela deu-lhe dois tapinhas na barriga

Alan suspirou e encarou-a com amor.

━Por você eu comeria duas fatias de torta.

━Só duas? -fez uma careta

━É o máximo que eu aguento. Talvez após passar mais tempo com você eu consega comer mais. -brincou

━Ótimo.

Ada entrelaçou os dedos nos dele, com o coração agitado de alegria e disse:

━Meus pais também amariam te conhecer. -olhou para o chão, com as bochechas coradas

Alan arregalou os olhos, surpreso com a sugestão. Segurou o rosto dela delicadamente, ergueu-o e beijou-a gentilmente nos lábios. Sorriu com amor e disse:

━Seria um prazer conhecê-los!

Ada sentiu os olhos lacrimejarem e abraçou-o com força novamente, adorando o perfume masculino que Alan usava. 

━Vou ser cunhada do Archiezinho! -quase gritou de felicidade

━É melhor do que ser minha namorada?

━Brincadeira, seu bobo. -sussurrou 

Beijaram-se novamente enquanto os hóspedes arrumavam as malas e bolsas para voltarem às rotinas habituais.

_____

    Ao chegarem em casa, Marc jogou as bolsas no sofá e deitou-se em um deles, cansado após ter dirigido tantos quilômetros. Recebeu mensagem dos amigos, confirmando que suas partes na surpresa estavam prontas, e sorriu sem perceber. 

    Archie, ao vê-lo sorrindo para o aparelho, arqueou as sobrancelhas com curiosidade.

    ━Com quem está falando?

    Ele sobressaltou-se e estendeu o aparelho para Archie ver uma foto da irmãzinha. Era sua nova tática para fazê-lo parar de desconfiar das suas atitudes, pois só de ver Marie seu rosto se iluminava numa expressão amável. Archie sorriu para a foto, mas logo afastou-se para perto das caixas ao lado das escadas. 

    ━Tem roupas novas dentro, foi o Julian quem colocou, ele disse que você pediu. 

    Marc bocejou e disse:

    ━São roupas para serem doadas.

    ━Doadas? -Archie arregalou os olhos- Mas custaram uma fortuna!

    ━Não posso fazer uma boa ação?

    Archie estreitou os olhos e cruzou os braços.

    ━Pode... Acha que os pais do Julian vão ficar preocupados? Ele ficou na fazenda...

    Marc negou com a cabeça.

    ━Para eles é melhor ter o filho longe.

    ━Não fale assim, Marc. 

    ━É verdade. Os pais dele são deputados, ou senadores, não gostam de escândalos.

    Archie mordeu os lábios, preocupado com o destino do amigo do namorado. O celular vibrou e, ao pegá-lo, viu uma mensagem estranha na caixa de e-mail. oS olhos se arregalaram ao ler o conteúdo do e-mail. Foi observado pelo semblante concentrado de Marc.

    ━Eles querem que eu dê uma entrevista sobre a cafeteria para um jornal local!

    ━Quando?

    ━No sábado!

    Archie aproximou-se, boquiaberto, e Marc sentou-se no sofá. Puxou-o para si, beijando-o na bochecha e apertando-o num abraço carinhoso. 

    ━Ada pode te ajudar, ela já deu muitas entrevistas.

    O coração de Archie acelerou, sem saber como poderia agradecer ao namorado, afinal, ele havia pagado por boa parte da reforma e ainda tinha investido no capital de giro da cafeteria. Olhou-o com amor e abraçou-o pelo pescoço. 

    ━Estou tão feliz!

    Sentiu o perfume do sabonete de chocolate que ele usava e tinha levado para a fazenda. Inspirou profundamente o cheiro e sorriu em seu peito. Quando levantou o olhar, Marc lhe encarava com paixão. Beijou-o lentamente, saboreando os lábios que tanto amava e que sabiam lhe dar prazer com tanta destreza.

    _____

    No dia seguinte, no trabalho, recebeu olhares curiosos usuais. Ignorou-os conforme sentava-se no refeitório com um prato de comida a frente. Pegou o celular e fingiu estar entretido com ele.

    Uma chamada de um número desconhecido apareceu na tela. Franziu o cenho, sem querer atendê-la, mas resolveu aceitá-la.

    ━Marc Berlusse?

    ━Sim, quem é?

    ━É a secretária da Dra. Olívia. Ela tem horários disponíveis essa semana e na outra. Gostaria de marcar uma consulta?

    Estava pronto para negar e agradecer, mas pensou no pedido que Archie tinha feito quando brigaram. Ele continuava lhe perguntando quando consultaria novamente. Fechou os olhos e respondeu:

    ━Pode ser essa semana. 

    ━Perfeito! Amanhã à tarde?

    ━Certo.

    ━Marcado. Tenha um bom dia!

    Não teria muito o que falar com a mulher, mas tiraria um peso das costas. Se ela ficasse quieta também ficaria e, se insistisse num assunto, responderia de maneira vaga. Uma parte de si dizia que não precisava daquele tipo de ajuda, pois tinha se virado muito bem durante tantos anos sozinho. Entretanto, assim que pensou aquilo, viu que era mentira. 

Não tinha passado nada bem aqueles anos sozinho. Alguns dias eram infernais e em outros tinha pensado em desistir. 

    Perdeu-se em pensamentos e, quando olhou para a frente, Natalie estava ali, sentada e com salada o suficiente no prato para alimentar um pássaro. 

    ━Gostou do John? Eu teria adorado vê-lo bater em você após aquela sua cena patética.

Durante a partida de futebol, quando tinham se desentendido, o garçom tinha esbarrado em Archie, fazendo-o se machucar. Foi o suficiente para fazer Marc irritar-se.

    ━Claro, porque você gosta de ver homens sofrendo e apanhando. -sorriu cinicamente 

    ━Ada me falou sobre a surpresa que você está preparando.

    ━Ela falou? -rangeu os dentes com irritação

    Natalie revirou os olhos e disse:

    ━Ela me conta tudo. Quer uns dias de folga?

    ━Você é chefe agora?

    Natalie arqueou as sobrancelhas. Marc encarou-a com irritação.

    ━Precisa de folga para arrumar tudo. Quem diria, hein? -olhou-o de cima a baixo com surpresa

    Ignorou-a e continuou comendo.

    ━Quer dias de folga ou não?

    ━Depende. Terei de fazer horas extras?

    ━Como você é preguiçoso! Não, não terá.

    Marc deu um sorrisinho debochado.

    ━Eu posso ajudar com a parte da Ada -disse com uma expressão indiferente

    ━Archie não gostaria da sua ajuda.

    ━Eu e ele nos demos bem. -cantarolou, rindo

    ━Quero as folgas. É o mínimo, por tê-lo tratado tão mal.

    Natalie bufou e deu algumas garfadas na comida. Mordeu os lábios, pensou e disse:

    ━Vou ajudá-lo a ser mais estiloso. Ele só usa suéteres. -torceu o nariz

    ━Não espere um agradecimento. 

    ━Imagina, Marczinho! -sorriu diabolicamente- Essa surpresa é o mínimo que você faz para ele, por ter te aturado. -deu uma piscadinha

    Continuaram comendo em silêncio. Marc surpreendeu-se com o jeito menos sarcástico dela, mas não fez nenhum comentário sobre. 

_____

    Finn entrou no apartamento com Vincent atrás. Tinham pagado uma “babá” para cuidar de Byron enquanto estavam fora e, ao ouví-lo miar alto, ultrajado por ter sido deixado sozinho, começaram a rir. O loiro abaixou-se e acariciou-o entre as orelhas. 

    Ali ele tinha um pouco mais de espaço para correr, já que o apartamento do loiro era relativamente maior do que o estúdio de Vincent. 

    O escritor serviu água em dois copos e entregou um para Finn. Beijou-o ternamente na bochecha e fez uma carícia em sua orelha. As bochechas pálidas encheram-se de cor. Estava feliz por ter passado o final de semana com os amigos dele, alegre por terem dormido abraçados novamente, sem muitas preocupações. 

    O loiro pegou o celular e, quando conectou-se à internet os barulhos de notificações quase lhe deixaram surdo. Haviam 30 mensagens não lidas na caixa de entrada do e-mail e mais de mil curtidas em sua rede social. Quando checou o número de seguidores seus olhos se esbugalharam. Não eram tantos quanto os que Ada possuía, mas era um número grande: 10 mil. No seu perfil só haviam fotos do píer, da moto e de cafés, como era possível?

    Vincent aproximou-se, preocupado com aquela reação, mas ao ver o número de seguidores, sorriu largamente e abraçou-o.

    ━Parece que estou namorando alguém famoso. Um futuro modelo, talvez?

    Em seguida o aparelho começou a vibrar com uma chamada de David. Atendeu-o, ainda tentando processar o que havia acabado de ver. 

    ━Finn, como você está?

    ━Estou bem!

    ━Deve ter percebido um aumento nos seus seguidores, certo? É porque a campanha foi adiantada. Enviei as fotos naquele dia mesmo e quase não precisaram de retoques. Tenho outros trabalhos para você, mas não tenho pressa. 

    ━Então gostaram de mim?

    ━Gostar, Finn? Eles te amaram! Com certeza vai receber propostas de agências. Fale comigo se precisar escolher, algumas não são confiáveis.

    ━Muito obrigado, David. Puxa, você me ajudou tanto… 

    ━Foi um prazer.  Acostume-se a ver seu rosto pela cidade. Vou te enviar as propostas de fotos que eu recebi, leia com calma e me diga quais você gosta e quais não gosta. Estou assumindo que queira continuar no ramo?

    Finn mordeu os lábios, olhou para Vincent, que já tinha ido para a cozinha preparar um lanche, e para Byron, que esfregava-se em suas pernas. Queria um apartamento maior, mas também queria ganhar ainda mais confiança e tirar aquelas fotos tinha sido libertador.

    ━Sim, eu gostaria. Talvez eu deva fazer algum curso para continuar no ramo?

    ━Claro, cursos vão te ajudar bastante. Pode começar a montar um portfólio virtual com todas as fotos que fizer, isso é essencial. A empresa te enviou um bônus pela recepção das fotos, aproveite. Ótimo falar com você, Finn!

    Quando desligou e checou a conta corrente, arregalou os olhos. Era uma quantia alta, nunca recebida antes. Olhou para Vincent, que estava entretido na pequena cozinha, e sorriu com paixão. Compraria um presente para ele com o dinheiro.

    ━Então virou uma estrela mundial? -ele comentou, secando as mãos no guardanapo

    ━Acho que sim. -murmurou- Mas eu não entendo. Eu sou tão… -olhou para o próprio corpo e encolheu-se

    Vincent franziu o cenho e analisou-o.

    ━Bonito? Carismático? Estonteante?

    ━Adoro esse adjetivo.

    ━Ele descreve você direitinho.

    Vincent abraçou-o pela cintura e beijou-lhe na testa.

    ━E o seu livro? -o loiro afastou-se para perguntar

    ━Está na fase de revisão e edição. Depois diagramação, e impressão. Mas antes preciso aprovar as capas. Por último a divulgação, que consiste em dar entrevistas e autógrafos. Ficará pronto em um mês. 

    Finn sorriu largamente e beijou-o nos lábios.

    ━Estou ansioso para tê-lo em mãos. E vou ficar na fila para pegar autógrafo. 

    ━Mal posso esperar para que você o leia por completo. Lembra que eu disse que eu ia adicionar um certo loirinho?

    Vincent sussurrou em seu ouvido, enchendo-o de beijinhos pela face e Finn riu, sentindo um pouco de cócegas. 

    ━Você adicionou? -quase gaguejou ao perguntar

    O escritor fez um carinho em seus cachos loiros e assentiu. Finn sentiu o coração apertar de amor e abraçou-o pelo pescoço.

    ━Estou tão feliz, Vincent. -quase começou a chorar

    ━Que tal fazermos a viagem depois do lançamento do livro? 

    ━Eu adoraria. 

    ━Poderia aproveitar e iniciar uma carreira internacional na Itália. 

    Finn beijou-o nos lábios, balançando a cabeça com um riso e ouviu um miado. Byron estava em cima do balcão, olhando-os com curiosidade. Estendeu a mão, fez um carinho no pêlo amarelo e recebeu lambidas nos dedos.

    ━Byron vai odiar ficar sozinho.

    ━É por uma boa causa. 

    ━Falando nisso, não acha melhor morar aqui? -Finn murmurou a pergunta com hesitação

    ━Eu adoraria, mas não quero incomodá-lo.

    ━Não vai incomodar! Você sempre me ajuda e cuida de mim quando estou triste, gosto de ter a sua companhia. -escondeu o rosto no ombro dele ao dizer aquilo

    Ultimamente, sempre que Finn acordava mais quieto ou cabisbaixo Vincent fazia de tudo para mimá-lo e agradá-lo, geralmente com comida. Outras puxava-o para deitar a cabeça em seu colo e lia alguns trechos que tinha escrito enquanto enrolava os cachinhos loiros nos dedos. 

    ━Vamos dividir os gastos, certo?

    Finn riu com felicidade e assentiu e sugeriu: 

    ━O que acha de pedirmos pizza para comemorar?

    ━Esqueceu que está falando com um cozinheiro de mão cheia? Vamos fazer uma pizza! -Vincent falou decididamente

_____

    Mandou sua localização para Archie, que respondeu:

    “Estou tão feliz que você esteja consultando novamente, Marc ♥ Eu amo você!”

    Ficou sem jeito com a resposta, respirou fundo e digitou:

    “Eu também te amo.”

    “Sem provocações?”

    “Deveria te provocar?”

    “Geralmente você pede algo sexual por mensagens, dá ordens, me xinga… Mas dessa vez não veio nada…”

    Marc arqueou as sobrancelhas, ultrajado com aquela frase. Começou a suar antes de responder, mas em seguida recebeu um emoji de risada. Franziu o cenho e suspirou com alívio. 

    “Está sempre esperando sexo de mim? Admita que você gosta tanto quanto eu das provocações,” escreveu com um sorrisinho

    “Vou estudar, antes que você me peça fotos sem roupa. Boa consulta!”

    Bloqueou o celular. Agora, ao olhar Olívia, não sabia o que deveria falar ou fazer.

    ━Como tem passado, Marc?

    ━Bem. 

    ━Tem conversado com seus pais?

    ━Sim. 

    Ela ficou lhe encarando com um sorriso condescendente que odiou. Resolveu olhá-la fixamente, pois não iria começar a falar espontaneamente. Não iria ceder. 

    ━Alguma novidade? 

    ━Não.

    Não contaria para uma estranha sobre o que estava planejando para o namorado. Olívia suspirou e anotou algo num bloco que tinha em mãos. Tentou espiar, mas logo desistiu.

    ━Como se sente ao conversar com seus pais?

    Marc teve vontade de revirar os olhos. 

    ━Estranho. Passei muito tempo sem falar com eles.

    ━Está se esforçando para ter uma relação amigável com eles?

    ━Por que eu deveria? -perguntou rispidamente

    ━Porque no fundo é isso que quer, não? Corrija-me se eu estiver errada. 

    Marc crispou os lábios e apoiou o queixo na mão direita. Sentia-se preso e encurralado naquele escritório. Olívia arqueou as sobrancelhas, esperando uma resposta.

    ━A única coisa que eu quero… -a voz saiu travada e rouca, mas continuou- é realizar todos os sonhos do meu namorado. 

    ━Mas e os seus sonhos? 

    ━Não tenho sonhos. 

    Não tinha muitos objetivos. Toda vez que pensava no futuro seus pensamentos voltavam para Archie. Talvez fosse aquele seu propósito, fazê-lo feliz. Olhou para os próprios pés, perdido em pensamentos. 

    ━Tem outros irmãos, Marc?

    ━Uma irmã recém-nascida. 

    ━Como gostaria que fosse o futuro dela?

    Perdeu-se em memórias de verões repletos de risadas e brincadeiras na casa do avô. Viu Rachel construindo castelos de areia, sentiu o cheiro do almoço feito pelos empregados, observou o avô lhe mostrando experimentos coloridos e finalmente pensou em Marie. Se pudesse escolher um futuro para ela seria um em que estivesse cercada dos familiares, que não a pressionariam a fazer nada que não quisesse. Que não tentariam moldá-la. 

    ━Marc? Sei que está pensando, mas precisa conversar comigo para que eu possa te ajudar.

    Encarou-a com o cenho franzido, irritado por ter sido interrompido. Apertou os punhos e engoliu em seco ao falar:

    ━Meus pais são péssimos, mas estão tentando mudar. -a respiração acelerou- A verdade é que eu queria a minha família de antes, que todos estivessem aqui, -fechou os olhos com raiva- mas é impossível porque eles morreram. Está satisfeita? -perguntou com o rosto vermelho e ela assentiu

    ━As pessoas têm formas diferentes de encarar a perda de alguém e você ainda está em luto. Nada será como antes novamente, porque você não é mais uma criança, Marc. A morte faz parte do ciclo da vida. No entanto, se seus pais estão tentando mudar, porque não tenta aproximar-se, por sua irmã? Talvez você possa ensinar-lhes algo. 

    ━Eu não espero que nos tornemos uma família feliz. Eles dizem que se sentem culpados por terem me deixado. Já eu me sinto culpado por não ter visitado Rachel no hospital. -murmurou, com o cenho franzido, falando involuntariamente sobre a irmã falecida que tinha citado na consulta anterior.

    ━Sente que mereceu ter sido deixado sozinho por causa disso? Por não ter ido visitar sua irmã?

Permaneceu em silêncio, olhando para o colo com as sobrancelhas unidas. 

━Eles eram os adultos, Marc. Precisa se perdoar antes de perdoá-los. 

    Engoliu em seco. Não tinha percebido, até o presente momento, o quanto se culpava pela morte da irmã. A conexão que ela tinha feito da culpa com as viagens dos pais tinha sido surpreendente. Era algo que não sabia sobre si mesmo. Respirou fundo e disse, com relutância:

    ━Talvez. 

_____

    Manter segredo sobre a surpresa ao longo da semana foi difícil. Archie lhe pegava escondido, mandando mensagens, e tinha de mentir, deixando-o ainda mais desconfiado. 

    Antes de sair de casa com uma expressão feliz ao ver as fotos que Ada tinha enviado, teve o rosto analisado de perto por Archie, incomodado com aquela alegria estranha. Mentiu novamente, dizendo que tinha visto algo engraçado nas redes sociais. 

Já no trabalho, durante o horário do almoço, Marc saiu para fumar um cigarro e, surpreendentemente, encontrou Archie. O suéter amarelo de tricô era inconfundível, pois era o favorito dele. Ele olhou nervosamente para o prédio onde trabalhava e Marc aproximou-se, preocupado e pensando que provavelmente seria visto por algum colega.

    Quando chegou perto dele, Archie deu um pulo de susto e encarou-lhe com irritação.

    ━Vai a algum lugar? -o garoto perguntou

    A pergunta lhe pegou desprevenido. Guardou o cigarro, que nem tinha acendido, e franziu o cenho.

    ━Desci para fumar. Por que está aqui? Algo aconteceu?

    ━Sim! Você fica falando no celular com alguém. 

    ━O quê?! -olhou-o, incrédulo

    Archie cruzou os braços e fechou a cara.

    ━Por acaso é com ela? -apontou o queixo para a fachada da empresa

    Marc revirou os olhos e puxou-o pelo braço para longe do lugar. Archie deu-lhe um tapa no antebraço, irritado com aquela reação.

    ━Por que está me afastando? Ninguém pode ver que eu sou seu namorado?

    Arqueou as sobrancelhas, surpreso com aquele surto de ciúmes. Segurou-o pelos ombros, abaixou-se na altura dos olhos verdes e disse:

    ━Realmente acha que eu estou te traindo? 

    Archie olhou para os próprios pés. 

    ━Não sei! Eu tinha que vir aqui perto encomendar umas coisas para a cafeteria e quis ver onde você trabalha. E você tem agido estranho ultimamente. 

    ━Archie, você sentir ciúmes tudo bem, mas achar que eu te trairia?! É ridículo. 

    Ele não respondeu e afastou-se. 

    ━Com quem tem falado então? 

    Marc passou a mão pelo rosto, cansado, e pensou rapidamente em uma mentira para dizer.

    ━Com Leonard 

    ━Leonard?! -Archie arregalou os olhos

    ━Era uma surpresa. Queria redecorar a casa para você.

    Engoliu em seco ao contar a mentira.

A expressão de Archie relaxou e sentiu-se idiota por ter reagido daquela forma. 

    ━Desculpe. Vou embora.

    ━Ei! -puxou-o pelo pulso

    ━Claramente você não quer ser visto comigo aqui. -resmungou

    Marc grunhiu de frustração. Puxou-o pela cintura bem na hora em que vários funcionários estavam saindo para almoçar. Não ligou. Segurou o rosto de Archie com carinho e beijou-o nos lábios rapidamente. Então sussurrou no seu ouvido:

    ━Eu jamais te trairia. 

    ━Eu sei, mas…

    Archie ficou vermelho e balançou a cabeça com tristeza.

    ━Desculpe! Foi idiota… Eu…

    Archie estremeceu e apertou seus braços. Inclinou-se com os olhos verdes cheios de lágrimas não derramadas e beijou o namorado nos lábios. 

    Marc olhou para cima, pois o escritório de Daniel era no segundo andar, e arregalou os olhos ao vê-lo lhe fitando com espanto e raiva. Ao lado dele, Natalie parecia preocupada.

    Archie afastou-se e mordeu os lábios. Marc coçou os cabelos com nervosismo, pois tinha quase certeza de que seria demitido ao entrar na empresa. Daniel tinha pedido para que mantesse sua orientação sexual em segredo quando tinha sido contratado.

    Mais aliviado e achando-se idiota por ter desconfiado dele, Archie disse: 

    ━Nos vemos em casa então.

    Acenou e caminhou para longe. 

Ao vê-lo, tão pequeno e bonito, Marc quase esqueceu-se de que o chefe havia visto tudo. Quando entrou no prédio, a recepcionista disse era esperado na sala de Daniel.  

_____

    ━Natalie pediu para eu te dar alguns dias de folga, ela me explicou tudo. Mas depois do que eu vi… -ele colocou a mão no rosto- É demais, Marc.

    ━Pai, pare de ser chato. -Natalie resmungou, de braços cruzados ao lado dele

    ━Natalie, é uma pouca vergonha! Eu fui bem claro quando entrou aqui, Marc. Disse para manter esse seu relacionamento em segredo! -ele esbravejou

    Marc respirou fundo, com vontade de bater nele. Colocou as mãos nos bolsos e manteve uma expressão séria. 

    ━Vai me demitir? 

    ━Garoto, eu deveria te demitir mesmo!

    ━Com base em quê? Eu estava no meu horário de almoço. Sua política discriminatória é proibida por lei. Meu pai é advogado, esqueceu? Ele é seu amigo também.

    Deu um sorrisinho cínico para ele e cruzou os braços. Daniel ficou vermelho e começou a mexer em alguns papéis. Quando encontrou o que queria, pegou uma pilha de folhas e entregou para Marc:

    ━Se conseguir fazer tudo que está aqui até quarta-feira terá a quinta e a sexta de folga. 

    ━Claro. -deu um sorriso confiante ao pegar os papéis

    Quando saiu pela porta em direção ao laboratório, Natalie lhe deu uma cotovelada. Olhou-a com impaciência. O sorrisinho largo nos lábios vermelhos não indicava que havia ficado ofendida com o tratamento que dera ao pai.

    ━Se não fosse por mim ele teria te demitido.

    ━E seria processado. -disse com indiferença

    ━Ora, Marczinho, dê um pouco de crédito a mim. -piscou- Sabe por que ele não te demitiu?

    ━Porque ele não é burro.

    ━Não, porque eu disse que eu queria tentar te reconquistar. -ela riu alto, deixando alguns funcionários surpresos

    ━Espero que seja mentira.

    ━Claro que é, eu não me humilharia a esse ponto. Você não vale a pena. Não mais.  

    Ela afastou-se, jogando os cabelos e desfilando com elegância os saltos altos e caros. Todos a cumprimentaram no caminho e várias cabeças masculinas ficaram encarando-a, boquiabertos e hipnotizados.

_____

    O projeto que Leonard tinha desenvolvido durante a semana foi recebido com positividade pelo bairro. Os moradores eram de classe média e engajaram-se no trabalho de forma voluntária. O custo inicial foi alto, mas repartido entre vários vizinhos não pesou no bolso de ninguém. 

    Criaria uma horta comunitária para os moradores de baixa renda. Os temperos e ervas que cultivava em casa eram os mesmos que comia e gostava de levar uma dieta a base de hortaliças e frutas, todas orgânicas. Tinha tirado completamente a carne do prato e queria que mais pessoas se alimentassem melhor.

    Dias antes da surpresa de Marc ser revelada tinha aprontado a sua parte na mesma e, quando terminou, dedicou-se ao trabalho voluntário. Sempre que tinha um tempo sobrando fora da Kimura usava-o para desenvolver projetos de casas sustentáveis e baratas para pessoas que necessitavam. Muitas delas viviam na divisa com o centro da cidade e não possuíam moradias resistentes à chuva. Esperava poder continuar ajudando, pois fazia bem para a sua alma. Sentia-se alegre por doar um pouco do seu tempo a quem precisava. 

    Não tinha mais recebido mensagens de Ethan, o que era um alívio.

Trabalhar daquele jeito tirava seu foco das lembranças vergonhosas.

Conversava com Finn esporadicamente e entristecia-lhe, mas não lhe surpreendia, saber que a relação tinha tornado-se mais distante. 

Apesar de tudo tinha um novo amigo que lhe fazia dar gargalhadas, Julian. Haviam aproximado-se bastante desde o final de semana na fazenda de Ada e o surfista tinha permanecido lá, ajudando Nícolas. Por mensagens ele fazia perguntas honestas e engraçadas para o asiático, que ria por longos minutos ao ler as mensagens. Julian também mandava fotos engraçadas com os animais.

    Archie lhe enviava mensagens quase todos os dias e em alguns finais de semana passava ali para lhe fazer companhia. Aproveitavam para pedir algum docinho para comer. Marc às vezes vinha junto, mas permanecia silencioso e só abria a boca para resmungar, provocar ou reclamar. Leonard gostava de irritá-lo ao tagarelar sem parar perto. 

    A relação com a mãe estava mais próxima do que nunca. Convidava-a para comer um espaguete de abobrinha e ela lhe esperava com saladas e rolinhos primavera. Não gostava tanto de ficar sozinho, mas curtia o silêncio. Estava acostumado a falar sem parar junto de Finn e agora, imerso no silêncio, não sentia-se tão desconfortável. Mas logo que encontrava alguém para conversar não perdia a oportunidade.

    Não tinha muitos amigos com quem sair e alguns dias ia até a cafeteria de Archie sozinho. Lá encontrava Vincent, que puxava assunto mesmo não tendo muitas coisas em comum a não ser Finn.

    Ada muitas vezes lhe convidava para ir até o Café das Flores. Ela lhe fazia companhia, era uma boa amiga e adorava ajudá-la a tirar fotos. 

    Quando sentia-se sozinho assistia a um filme, fazia pipoca ou ia até o píer caminhar. Tinha encontrado um outro hobby naquelas caminhadas: a meditação. Todos os dias sentava-se no jardim de manhã, fechava os olhos e refletia sobre a vida.

    Um dia estava almoçando sozinho num restaurante vegano, na parte exterior e ao olhar para cima, um outdoor eletrônico mostrou uma foto de Finn. Pegou o celular, apontou a câmera para ele e mandou no grupo que tinha criado quando haviam passado as férias na praia, e que estava morto desde então.

    Finn enviou emojis de surpresa e todos o parabenizaram. Leonard sorriu ao ouvir a voz dele através de áudio, dizendo que estava sendo surreal, que já tinha sido parado na rua e que tinha recebido um monte de propostas de agências. Alegrou-se por ele.

    Guardou o celular. Uma tristeza começou a lhe incomodar, apertando seu coração, mas sacudiu a cabeça e concentrou-se no prato a frente. 

    Decidiu não podia ficar culpando-se para sempre, muito menos buscando um relacionamento. Era bom estar solteiro. Relações eram complexos. Iria concentrar-se na empresa, nos projetos sociais e sustentáveis. E, mais importante ainda, em si. 

    Com um sorrisinho de quem estava um pouco orgulhoso de si mesmo, continuou comendo o prato gostoso e sem nada de origem animal. Tinha realizado o sonho da Kimura, estava tirando um tempo para si e os clientes não paravam de crescer. Mesmo que não gostasse muito de ficar sozinho, era necessário. Podia dizer que estava feliz.

Tinha entendido, finalmente, que estar num relacionamento não era algo essencial para a sua vida. 

    Possuía amigos legais que gostavam de si. A relação com Finn era boa. A empresa ia bem. Não tinha do que reclamar. 

    Sentiu uma brisa no rosto e tomou um pouco do suco de amora que adorava. Sorriu para algumas crianças que passavam, agradeceu aos atendentes pelo serviço, deixou uma gorjeta grande e foi para casa. Cantarolou no caminho, sorrindo de maneira satisfeita, feliz pelo dia ensolarado.     

_____

    Colocou as mãos nos bolsos e usou os dedos para tirar alguns cabelos que teimavam em cair pela testa. Os fios lhe incomodavam, mas Archie gostava deles daquele jeito, então não os cortaria.

A lápide era a mais bonita do cemitério. Entalhado em uma placa dourada estava o nome do avô. Marc afastou-se, encostou-se na parede a frente e ficou olhando para as letras, perdido em memórias. 

    Todos os anos ia ali. Era um segredo que nem mesmo Archie sabia. Ia sempre no mesmo dia, na data do aniversário do avô. Muitos anos atrás, naquela mesma data, tinha quase desistido de viver. 

    A perda do avô tinha moldado muito da sua personalidade, pois tinha acontecido na adolescência, depois de muitos verões juntos. 

    Ao lado estava a placa da irmã, ao lado de uma foto dela sorridente, colorida e em moldura dourada. Pensou no que Olívia tinha lhe dito e no que tinha confessado para ela, sobre sua culpa.

    Não eram tão próximos quanto gostaria que tivessem sido. Ela sabia fingir bem e agradar aos pais enquanto Marc brigava e questionava as escolhas deles. Rachel era popular, carismática e extrovertida.

Os pais sempre mantiveram um olhar mais cuidadoso sobre Marc, que era o causador dos problemas. Às vezes metia-se em confusão apenas para irritá-los. Ou para ter atenção? Agora não sabia mais, mas poderia discutir aquilo com Olívia… Chocou-se com a possibilidade.  

    Não iria falar em voz alta com uma placa, pois seria ridículo. Pigarreou, fechou os olhos e moveu-se desconfortavelmente. Falou com o avô mentalmente. 

    “Sinto sua falta. Eu precisava muito de você naquela época. Sempre tentou convencê-los de que no fundo eu não era tão irritante ou maldoso quanto pensavam, mas eu sou. Infelizmente gosto de saber que eles se sentem culpados, como deveriam. Sou mesquinho como ela, certo? Mas não vim aqui para isso. Você tornou minha infância e adolescência toleráveis. Sinto saudades todos os dias, em silêncio. Não gosto muito de falar, mas penso bastante no senhor e tenho muitas lembranças suas. Quando eu tentei… -engoliu em seco- Eu queria encontrar o senhor. Se eu tivesse desistido eu não teria encontrado o Archie. Agora meus pais estão tentando melhorar. Ter você de volta é impossível, mas eles ainda estão aqui e são minha família. Nunca serei o filho amoroso e obediente, mas quero que Marie tenha uma infância saudável. Ela é parecida com a Rachel…”

    Estava parado, olhando para a placa com um sorrisinho melancólico. Olhou então para a placa da irmã. As sobrancelhas uniram-se e a garganta fechou. Falou com ela em silêncio.

    “Não há explicação para eu não ter ido te visitar no hospital. Sinto muito por nossos pais terem te transformado no projeto deles. Crescemos juntos, mas sempre fomos o oposto um do outro. Você me dava bons conselhos, mas eu nunca soube fingir. Queria ter falado com você uma última vez. Sei que fui um péssimo irmão. Meu tempo sozinho talvez tenha servido como punição por isso.”

    Franziu o cenho e balançou a cabeça, recusando-se a chorar. Os olhos arderam, mas as lágrimas não caíram. 

    Quando virou-se para ir embora, surpreendeu-se ao ver os pais ali. Adeline usava um vestido preto e óculos escuros. O pai vestia um terno simples. Marie estava nos braços de Jacques, sorrindo. A mãe olhou-lhe com surpresa.

    Ficou quieto, com a boca entreaberta, sem saber o que dizer. Olhou-os de um jeito enviesado e Jacques balançou a irmã nos braços. Adeline tirou os óculos; estava chorando e disse:

    ━Sinto falta dele. Todos os dias. 

    Marc permaneceu em silêncio. 

    ━Lembra de como ele gostava de comemorar o aniversário? Contratava um buffet e distribuía comida para os funcionários... Sempre deixava você apagar as velas do bolo. 

    ━Montávamos quebra-cabeças de noite, quando todos iam embora. -Marc murmurou, com o olhar perdido

    ━Rachel um dia desmontou um, de ciúmes. Ela queria ser a neta favorita dele. -Jacques comentou, sorrindo 

    ━Não sabíamos que estaria aqui hoje. -Adeline secou as lágrimas- Ele te amou muito, filho.

    Olhou para a placa na parede e franziu o cenho. Aquelas visitas introspectivas eram seu segredo. Não gostava de ser pego de surpresa quando mostrava-se tão vulnerável.

    ━Ele foi tudo para mim. Tudo o que vocês não foram. Me deu tudo o que não me deram. -falou baixo, sem maldade na voz

    Adeline encolheu-se. Jacques suspirou. Marc balançou a cabeça, deu um sorriso triste e começou a caminhar para longe. Mas a mãe segurou seu pulso e apertou sua mão com carinho.

    ━Nos vemos no sábado? 

    Apenas assentiu com a cabeça. Jacques aproximou-se e Marie estendeu-lhe os bracinhos. Ela estava maior. Marc não segurou-a, apenas estendeu a mão e teve o dedo indicador agarrado pelas mãozinhas gordas. Ali estava a sua chance de ser um bom irmão. Ela não era Rachel, mas era sua oportunidade de fazer a sua parte corretamente.

    ━Amamos você. E adoramos o Archie. -Jacques disse- Seremos pais melhores para você e Marie de agora em diante. 

    ━Espero que sim. Estou cansado de odiar vocês dois. -resmungou 

    Jacques fez uma careta e Adeline sorriu tão largamente que Marc arrependeu-se de ter dito aquilo. Então acrescentou, coçando o queixo:

    ━Será que podem nos emprestá-la alguns dias por mês? 

    Não olhou-os ao perguntar aquilo. Adeline franziu o cenho com confusão. 

    ━Ela é sua irmã, sempre que precisarmos de ajuda…

    ━Gostaria de vê-la com mais frequência.

    A verdade era que queria ter um relacionamento saudável com Marie e, ao mesmo tempo, fiscalizar como os pais a estavam criando. Eles, surpresos com o pedido do filho e sem saber os reais motivos por trás do mesmo, quase pularam de felicidade ao dizer:

    ━Claro, filho!
    ━Nós adoraríamos. Archie tem jeito com crianças! Logo você terá também. 

    Viu os olhos do pai lacrimejarem e suspirou. Mexeu nos cabelos com nervosismo e afastou-se. Adeline gritou:

    ━Estamos ansiosos para sábado!
    “Eu também,” Marc pensou, com um arrepio nervoso. 

_____

    No sábado, Marc tinha escolhido um terno novo para Archie usar. Sem entender porque deveria usá-lo para uma entrevista, o namorado simplesmente disse:

    ━Deve vestir a melhor roupa que tiver, afinal, é a sua primeira entrevista.

    Assentiu, com certa desconfiança. Mais caixas estavam empilhadas no corredor e perguntou-se se Marc realmente era tão solidário como estava dizendo ser. Quando estava pronto para sair, uma hora adiantado, Leonard lhe ligou, com uma voz preocupada e ofegante. 

    ━Leonard?! O que aconteceu?

    ━Pode vir aqui, Archie?

    Marc arqueou as sobrancelhas, espiando as reações do namorado. Até o momento tudo tinha ido conforme o planejado. Só precisava de tempo para preparar-se. Archie lhe encarou com pânico.

    ━Marc, Leonard está passando mal!

    ━Vou chamar um carro para você.

    ━Não pode me levar?!

    ━Meu chefe me chamou. -resmungou 

    ━No sábado? Que estranho. 

    Ele começou a suar e Marc escondeu um sorrisinho. Quando o viu entrar no carro, correu para dentro de casa para vestir-se. Ajeitou os cabelos para trás, em ondas bonitas, abotoou a camisa branca, colocou os sapatos formais da nova coleção que tinha comprado e, ao olhar-se no espelho, surpreendeu-se com a expressão ansiosa que tinha. Balançou a cabeça e ensaiou o sorrisinho torto que daria para Archie.

    Usou o perfume cítrico de sempre e pegou as chaves do carro. Precisava chegar lá antes dele, mas contava com Leonard para enrolá-lo.

_____

    Quando Archie chegou na casa do amigo quase tropeçou ao sair do carro. Estava suando e com o rosto vermelho ao bater com força na porta da casa.

    Leonard abriu, no entanto pareceu estar bem fisicamente. Ele sorriu, suspirou e disse:

    ━Assim que eu liguei passou, acredita?

    ━Leonard! Você me deu um susto! -resmungou, trêmulo

    O asiático puxou-lhe para entrar.

    ━Acalme-se, vou trazer um chá para você. De hibisco, meu favorito.

    Archie sentou-se no sofá da sala, tentando acalmar-se, visto que tinha uma entrevista em menos de uma hora. O amigo trouxe uma xícara bonita com decorações de flores e detalhes dourados. Bebeu o líquido quente com cuidado e logo sentiu-se mais calmo. Encarou o horário no celular com preocupação.

    ━Tem algum compromisso? - asiático perguntou, fingindo que não sabia de nada

    ━Tenho uma entrevista. Um jornal local quer que eu fale um pouco sobre a cafeteria. -respondeu com alegria

    Leonard mordeu os lábios.

    ━Te dou uma carona. -sugeriu, como combinado

    ━Não precisa, vou chamar um motorista.

    ━Archie, eu insisto!-fingiu estar ofendido- Depois eu tenho um compromisso mesmo, vou aproveitar e te levar. Vou me vestir num instante. E você está lindo, esse terno é chiquérrimo! -tocou-lhe a gola da roupa e afastou-se

    Archie agradeceu e continuou bebendo o chá, ansioso para chegar logo à entrevista. Nunca tinha respondido perguntas de um jornalista. Perguntou-se se seriam difíceis e se conseguiria articular bem suas respostas. Ada tinha lhe dado umas dicas muito boas e até tinham ensaiado um pouco por chamada de vídeo, mas continuava nervoso.

    Muitos minutos depois, para desespero de Archie, que estava quase chamando um motorista, Leonard apareceu na sala vestindo um terno azul turquesa. Archie arregalou os olhos e escancarou a boca. Os cabelos lisos e negros estavam penteados para trás, soltos. A gravata era preta, assim como a camisa de baixo. 

    ━Meu compromisso é chique, Archie! -Leonard riu- Vamos, ou vai se atrasar.

    Archie assentiu e seguiu-o, gostando do perfume de jasmim que usava. O coração estava acelerado, as mãos estavam suando e passou o caminho todo tentando diminuir o nervosismo que sentia.

_____

    O endereço deixou Archie confuso. Primeiro tiveram que entrar num condomínio de luxo, de carro. Leonard disse, com confiança:

    ━Provavelmente ele marcou onde se sente mais confortável.

    Conforme passava pelas casas seus olhos se esbugalhavam. Eram construções enormes e modernas, com entradas chiques e cheias de luzes. 

    Estacionaram o carro em frente à casa de número 4. Tudo era tão resplandecente que, ao descer do carro Archie ficou boquiaberto, encarando a construção grande e linda. Possuía muitas janelas largas e minimalistas; paredes brancas misturavam-se com paredes majestosas de pedra. Havia um lance de escadas baixo, feito de porcelanato branco. Um gramado verde, bem cuidado, e arbustos bem podados ladeavam os degraus. Leonard insistiu em levar-lhe até a porta.

    Tocou a campainha com nervosismo, visto que nunca tinha estado numa casa tão linda. A de Marc era grande, mas aquela era enorme. 

    A porta abriu. Um homem desconhecido, de terno, disse:

    ━Senhor Walker?

    ━Sim. -gaguejou 

    ━Me acompanhe por favor. 

    Leonard acenou, despedindo-se, mas assim que os viu se afastarem esgueirou-se para dentro silenciosamente.

    Archie não teve tempo de reparar muito no ambiente, apenas viu um piso reluzente e quase nenhum móvel. A escada para o andar de cima era elegante, parecia saída de um castelo! 

    O homem lhe levou até o jardim. Não conseguiu olhar em volta, pois um par de mãos cobriu seus olhos. Reconheceria o toque e o perfume dele em qualquer lugar. Mas não entendeu por que ele estava ali.

    Marc lhe guiou com lentidão para a frente e olhou ao redor. Todos saíram de seus esconderijos, vestindo roupas formais bonitas e elegantes. 

    ━Abra os olhos apenas quando eu fizer a pergunta.

    ━Qual… 

    Marc colocou um dedo nos lábios do namorado e tirou devagar as mãos de seus olhos. Estava louco para vê-los, pois eram as esmeraldas mais lindas do mundo, mas precisava seguir o planejamento, que tinha sido pensado com perfeição.  

    Archie ouviu alguns cochichos. Uma música instrumental começou a tocar num volume baixo. Era um piano. Suas mãos foram seguradas com carinho. 

    ━Archie. 

    De olhos fechados, sentiu o amor da voz dele. Sorriu sem entender o que estava acontecendo.

    ━Marc? -ouviu alguns risinhos e distinguiu o de Ada no meio

    ━A pergunta é simples. 

    ━O que está acontecendo?

    Marc inclinou-se, segurando suas duas mãos e sussurrou em seu ouvido, numa voz rouca que fez todos seus pêlos se arrepiarem:

    ━Aceita casar comigo?

    Abriu os olhos. O jardim estava todo iluminado. Havia um homem com uma câmera atrás de Marc. Flashes quase lhe cegaram.

 Estavam embaixo de um arco todo decorado com rosas. 

    Olhou, boquiaberto, em volta. Estavam todos ali: Ada chorando, abraçada em Alan; Vincent, Finn, Leonard, Julian, Nícolas, Tereza, Adeline, Jacques e Marie. Encarou Marc, chocado e, sem perceber, algumas lágrimas começaram a escorrer por suas bochechas. Recebeu um beijo na testa começou a chorar mais.

    ━Não acredito que me enganou assim! -choramingou, com a voz embargada

    ━Archie. -Marc lhe encarou com uma expressão apavorada

    Ele estava amedrontado porque ainda não tinha respondido. Começou a rir, para maior desespero do namorado, mas logo aproximou-se, ficou na ponta dos pés e encostou o nariz no dele. Fechou os olhos antes de responder, com a voz trêmula e emocionada:

    ━Sim. Claro que eu aceito. Você é o amor da minha vida. 

    Ada chorou e enterrou o rosto no peitoral de Alan. Vincent beijou Finn na bochecha. Julian deu dois tapinhas no ombro de Leonard e cruzou os braços, tentando não chorar. Nícolas encarou-o com divertimento. Tereza sorriu, feliz por ter feito as pazes com o filho mais novo. Jacques abraçou Adeline. 

    Uma chuva de arroz caiu em cima dos dois. Um homem aproximou-se, com uma prancheta com papel e canetas na mão. 

    ━Os votos.

    Marc engoliu em seco e pigarreou antes de reunir coragem para falar. Tinha escrito um texto, dias atrás, e praticou escondido de Archie por muitos dias. Respirou fundo, sentindo calor e afrouxou a gravata. Todos ficaram em silêncio. Alguns vagalumes voavam por ali.

    Archie apertou as mãos dele com carinho. O coração apertou de paixão e reparou no terno lindo que ele vestia. Era um preto tão intenso que chegava a brilhar. Moldavam perfeitamente os músculos dos seus braços e das pernas. Os cabelos castanho-escuros estavam penteados para trás, numa vã tentativa de domá-los. Olhou para as pintinhas no pescoço e perdeu-se na pele morena. Os traços masculinos e sérios eram estonteantes… Piscou, tentando processar o que estava acontecendo. Logo a voz dele ecoou alta, séria e grave pelo jardim lindo e iluminado. Suas pernas tremeram de emoção. 

    ━Só eu preparei os votos, porque só eu sabia que iríamos casar. -Marc disse seriamente e Archie riu

    Naquele momento foi como se só existissem os dois ali. Esqueceu-se que todos estavam ali e apenas concentrou-se nos olhos castanho-escuros que eram capazes de deixar-lhe radiante, inebriado e sem palavras. Amava-o mais do que tudo e recomeçou a chorar. Ultimamente não tinha pensando tanto no quanto Marc tinha mudado, no quanto tinha lhe ajudado, no quão incondicionalmente o amava… 

    ━Detesto falar em público e não gosto de mostrar meus sentimentos desse jeito. Mas sabe que eu faria tudo por você.

    Quem olhasse de longe pensaria que Marc estava sério demais, mas Archie, que fitava os olhos escuros que brilhavam, sabia que ele estava se concentrando. Possuía um olhar intenso, repleto de uma paixão ardente e dolorosa, como o relacionamento que tinham.

    ━Quero que todos saibam que você é a melhor parte da minha vida. Archie, você trouxe felicidade para aquela casa onde eu passei tantos anos sozinho antes de te conhecer. Se eu mudei e me tornei um pouco melhor, -Marc abaixou o olhar, franzindo o cenho ao continuar- é porque você não desistiu de mim. Nem do nosso relacionamento. -ele respirou fundo e levantou o rosto- Me perguntei, esses dias, quais eram meus objetivos na vida e descobri que só tenho um desejo, te fazer feliz. Eu tenho tudo. Tenho dinheiro, amigos e agora uma família, -sussurrou- mas eu seria nada sem você. Nós ficamos noivos de um jeito rápido, mas lá no fundo eu sempre quis casar com você. É isso que você merece -olhou ao redor- e é isso que eu sempre vou te dar, o melhor. 

    O coração de Archie estava tão acelerado que pôde ouvi-lo. O corpo inteiro esquentou. Os olhos de Marc estavam brilhando demais… Ele estava lacrimejando?! A constatação lhe deixou boquiaberto, mas logo sorriu, de olhos fechados. Entrelaçou os dedos nos dele e levou suas mãos até a boca para beijá-las. Começou a falar:

    ━Você virou especialista em surpresas. -comentou, dando um sorrisinho- Fez coisas para mim que eu jamais esperaria, me surpreendeu com o seu lado romântico diversas vezer. -Marc pigarreou, com nervosismo- Eu me sinto amado quando estou com você e, mesmo que seja resmungão, eu amo o seu jeito. Gosto, principalmente, de quando você ri junto comigo. -murmurou, corado- Ou quando me beija na testa e quando me abraça. Amo tudo sobre você. Eu descobri como é amar alguém tão incondicionalmente graças a você. Toda vez que me olha eu me sinto amado e desejado. Só você é capaz de me beijar apenas com um olhar. -Archie sorriu e deixou as lágrimas molharem suas bochechas- Nós dois moldamos nosso relacionamento para que tivéssemos o que temos hoje. Eu te amo demais e espero que seja o bastante. -acrescentou timidamente

    Foi a vez de Marc beijar suas mãos e, quando o fez, deu um sorrisinho torto que deixou o coração de Archie disparado.

    ━É mais do que suficiente. 

    Marc pegou a prancheta das mãos do homem e assinou. Quando estendeu-a para Archie, ele começou a ler, intrigado. Quando chegou na parte que dizia “comunhão parcial de bens”, arregalou os olhos. Marc ajeitou a gravata e tocou sua cintura, incentivando-lhe a assinar.

    ━Mas isso quer dizer que…

    ━Tudo que será meu será seu também. -sussurrou

    Trêmulo, Archie assinou na linha. Olhou para Marc, hipnotizado de amor e zonzo com tantas novidades. Ele tirou do bolso uma caixinha de veludo preta. 

    Archie passou as mãos no rosto, sem conseguir acreditar. Os fotógrafos tiraram mais fotos e continuaram filmando. Ouviu algumas pessoas fungando e choros baixos. Quando olhou para a mãe a viu estava abraçada em Alan; ela olhou para o céu e fechou os olhos. Archie fez o mesmo, enviando uma mensagem mental de amor para o pai. Ao olhar novamente para Marc, ele lhe estendeu a caixinha, aberta.

    Dentro, havia dois anéis reluzentes de ouro com um design moderno, ondulado e repleto de diamantes reluzentes na lateral. Era uma jóia delicada e bonita. 

    Marc segurou sua mão esquerda e colocou um dos anéis no seu dedo anelar. Archie fez o mesmo, sorrindo largamente e balançando a cabeça, ainda incrédulo, enquanto tocava-o. A música clássica e fluida continuou tocando.

━Tenho uma outra surpresa. 

    ━Mais uma? -Archie riu e os convidados também

    ━E não é a última. -ele sussurrou em seu ouvido

    ━O que é? -perguntou, ansioso 

    ━Olhe em volta. 

    Archie obedeceu. O gramado verde e bem cuidado estava cheio de arroz. Algumas luzes coloridas dançavam, iluminando os pontos escuros da área. Viu vestidos coloridos brilhantes, ternos elegantes, poltronas imponentes, uma mesa com alguns porta-retratos e outra mesa com docinhos delicados. Em uma mesa mais bonita havia um bolo grande de três andares.

    ━É o bolo?

    ━Não, Archie. -Marc fechou os olhos e riu- Onde estamos?

    ━Em uma casa. Por que estamos nessa casa? 

    Reparou melhor na arquitetura, que era gigante e moderna. Notou uma piscina na lateral da mansão e encarou Marc sem entender. 

    ━Será a nossa casa de agora em diante.

    Escancarou a boca. Olhou em volta novamente, chocado. Era uma construção enorme e luxuosa. Lembrou-se das caixas com roupas e começou a rir. 

    ━É claro que você não estava sendo solidário. Estava planejando uma mudança!

    Marc riu com nervosismo e assentiu. Analisou a face de Archie, tentando perceber algum desconforto, mas só encontrou felicidade. A pele dele reluzia e os olhos verdes brilhavam. Era a cor que mais amava, aquele verde imponente e nobre. Inclinou-se, segurou o rosto delicado com ambas mãos e beijou-o na testa.

    ━Estamos casados. 

    ━É o melhor presente que eu já ganhei na minha vida. -Archie recomeçou a chorar e Marc suspirou, abraçando-o com carinho

    ━Ganhará outros presentes hoje. Vamos cumprimentar os convidados.

    Archie assentiu, ficou na ponta dos pés e beijou-o nos lábios delicadamente, de olhos fechados, querendo lembrar para sempre das emoções que estava sentindo e o quão cheio de amor estava. Deixou a música tocar-lhe profundamente e abraçou-o com paixão e força, para ter certeza de que aquilo era real. 

    ━Você é o melhor namorado do mundo.

    ━Marido. -corrigiu-o num resmungo 

_____

    No decorrer da tarde e início da noite Archie conversou com os amigos para entender como eles tinham mantido aquele segredo. Ada foi a primeira a falar, com animação:

    ━Basicamente o Marc deu uma tarefa para cada um de nós. Eu cuidei dos fotógrafos e mais umas coisinhas. 

    Ada tomou um gole de champanhe que os garçons estavam servindo. Usava um vestido azul que contrastava bem com sua pele. Os cabelos loiros estavam presos num coque elegante e nos pés havia uma sandália delicada e prateada. Alan a admirava com ternura, vestindo um terno cinza bonito e simples.

    ━Eu da decoração. -Leonard cantarolou

    ━Dos gastos. -Finn sorriu ao falar

    ━Os documentos oficiais. -o irmão disse

    ━Como ele escondeu essa casa de mim?

    ━Por que não pergunta para o seu marido? -Finn perguntou, de braços dados com Vincent

    ━Boa ideia! 

    Não precisou procurar muito para encontrá-lo, conversando com os pais e bebendo uma taça de champanhe. No céu o sol se escondia, criando um cenário repleto de nuvens rosas e laranjas. Marc virou o rosto e, quando os olhos escuros encontraram os seus, um sorriso sedutor espalhou-se pelos lábios que tanto queria beijar. 

    Aproximou-se rapidamente. Adeline e Jacques deram-lhe abraço e retribuiu. Marie começou a cantarolar baixinho, nos braços do pai, numa linguagem que só ela entendia. Archie apertou levemente as bochechas dela e teve a cintura envolvida por Marc, que beijou o topo da sua cabeça. Ele estava irresistível e romântico, pensou com alegria e carinho. Gostou do fato de ele não ter cortado os cabelos, pois os amava daquela maneira, rebeldes e crescidos.

    ━Como manteve essa casa em segredo? 

    ━Eu ajudei a planejar o casamento e a comprar acasa -Adeline murmurou, sorrindo- Na verdade é o mínimo que eu poderia fazer. Contratei um corretor amigo meu para mostrar algumas casas ao Marc e, quando ele escolheu, decidimos ajudá-lo a comprar. 

    ━Não que eu precise de ajuda para comprar uma casa. -Marc acrescentou

    ━Não, claro que não. -Jacques pigarreou- Demos metade do valor como presente de casamento. 

    ━E a sua casa, que o seu avô deixou para você? -Archie perguntou

    Virou-se para olhá-lo. Marc sorriu e disse:

    ━Vou vendê-la. 

    ━Mas… Ela é importante para você. -Archie murmurou, com tristeza

    ━Essa será a nossa casa. Aquela era apenas minha, não tinha muito de você lá. 

    ━Ela não está mobiliada ainda. -Adeline murmurou

    ━Essa é a outra surpresa. -Marc disse, incomodado por ela ter contado aquilo. 

    ━Como assim?

    ━Nós dois vamos contratar Leonard para decorá-la. Poderá fazer uma horta, um jardim personalizado e tudo o que quiser. 

    Archie abraçou-o pelo pescoço. 

    ━Quantas surpresas preparou para mim? Será que eu aguento?

    ━É bom aguentar. -Marc sussurrou 

    Um arrepio eletrizante percorreu a cintura de Archie, que foi envolvida pelos braços fortes de Marc. Recebeu beijos no pescoço, mas queria beijá-lo como se estivessem sozinhos e ansiava perder-se no corpo que tanto amava com lentidão, sem pressa. Teriam tempo a sós depois, pensou. 

    Marc engoliu em seco e fechou os olhos. Faltavam algumas surpresas a serem reveladas.

_____

    Os garçons passaram com bandejas cheias de aperitivos elegantes e gostosos, feitos com frutos-do-mar e carnes nobres. Era uma cerimônia pequena, mas repleta de luxo e detalhes. O buffet principal foi composto por lagosta, caviar, arroz negro, massa ao molho pesto com alcaparras e salada caprese. Os talheres de ouro tilintaram conforme todos comiam. 

    Após a refeição, ao som de música clássica ao vivo (Archie encontrou o pianista próximo à varanda), uma valsa lenta começou a tocar. Marc limpou a boca no guardanapo e puxou Archie até o gramado. Deram passos letárgicos, ritmados, próximos e de maneira apaixonada. Fecharam os olhos alguns minutos, adorando a proximidade e intimidade que possuíam. Beijaram-se com paixão em alguns momentos e só então perceberam que todos estavam lhes observando. 

Ada puxou Alan para dançar e os dois deslizaram lentamente, com as testas coladas. Depois foi a vez de Finn e Vincent. O loiro envolveu o pescoço do escritor num abraço carinhoso e beijou-o na bochecha várias vezes. Julian, Nícolas e Leonard ficaram olhando os pares dançarem. Nícolas bebeu o resto do champanhe e sentiu-se zonzo. Pôs uma mão no ombro de Julian e sussurrou:

    ━Quer dançar?

    O surfista arregalou os olhos, surpreso e, com certa timidez, disse:

    ━Sim.

    ━Dance com ele então. -Nícolas respondeu, rindo e bêbado, apontando para o asiático

    Julian revirou os olhos e encarou Leonard. Nícolas ficou surpreso com o fato de ele ter levado a sério sua sugestão. Em seguida os dois afastaram-se e começaram a dançar desajeitadamente. Leonard estava falando sem parar, pelo que percebeu, ajeitando as mãos de Julian em seu corpo.

    Os pais de Marc dançaram enquanto Tereza ficou com Marie no colo, admirando os amigos dos filhos, feliz por estar presente, livre de mágoas.

Após a dança romântica os recém-casados deram atenção a todos os amigos. Conversaram atenciosamente com cada familiar também. 

Ada aproveitou e falou que a loja estava aberta, online, e que enviaria alguns produtos para os recém-casados. Finn e Vincent contaram sobre a viagem que fariam. Assim, todos comentaram suas novidades, felizes uns pelos outros.

Cortaram o bolo por último, enquanto a noite caía e logo a noite chegou, simbolizando o fim de um evento marcante na vida de ambos. Archie deu o primeiro pedaço para a mãe, que lacrimejou e abraçou-o.

━Estou muito feliz por você, filho. E orgulhosa.

O coração de Archie apertou. Ela estava orgulhosa de si! Abraçou-a de maneira apertada, fechando os olhos e chorando em seu ombro.

━Amo você, mãe. Pode nos visitar sempre que quiser. 

 Marc, surpreendentemente, deu o seu primeiro pedaço a Finn.

━Por que eu? -ele perguntou timidamente

━É um bom amigo para o Archie. -disse, num tom sério. Tossiu e acrescentou, sem olhá-lo: É meu amigo também.

Archie beijou-o na bochecha, sem resistir ao vê-lo todo sem jeito. Ao comer a primeira garfada, fechou os olhos e quase gemeu de alegria. Era de chocolate e tinha recheio de nozes e damasco; mas também sentiu um certo cheiro de café. Ao redor o bolo era dourado e, no topo, haviam algumas flores douradas delicadas, numa clara referência à floricultura. Enquanto comia, olhando para Marc, sentiu os olhos lacrimejarem novamente. Não conseguiria largá-lo aquela noite. Mais uma vez inclinou-se e beijou-o na bochecha, limpando o canto da boca dele, que estava sujo de recheio. O olhar de Marc foi intenso ao inclinou-se e beijar-lhe nos lábios.

Estavam casados. 

_____

Todos foram embora e, para surpresa de Archie, o gramado ficou limpo, sem sujeira e sem nenhuma decoração. Mesmo sem nada era lindo. Respirou fundo, olhando para a piscina iluminada. Passos se aproximaram e, ao olhar para trás, Marc entregou-lhe uma taça. Havia outra em sua mão, junto com uma garrafa de champanhe.

━Pretende se embebedar na noite de núpcias? -provocou-o baixinho

━Não, eu vou me embebedar.

━Por quê? -Archie perguntou, com preocupação 

Marc fechou os olhos e respirou fundo. Serviu-se de uma taça e bebeu tudo num gole só. Archie continuou lhe encarando com os olhos verdes repletos de ansiedade. 

━Vamos para o quarto? 

━Eu pensei que não tivéssemos móveis ainda.

━Pedi para Leonard decorar só o quarto.

Marc puxou-lhe pela mão. Deixou a garrafa na bancada de mármore da cozinha no caminho. Archie olhou para o espaço gigante da casa, abismado enquanto era puxado para o andar superior. Lá havia um corredor espaçoso, bem iluminado, com 5 portas. Entraram na primeira. 

Era o quarto mais lindo que já tinha visto. No meio havia uma cama de dossel branca, com duas poltronas cor de creme aos pés. A janela enorme, em frente à cama, mostrava o pátio, a piscina e o horizonte negro e repleto de estrelas. Um tapete decorava o chão de cerâmica e cheio de veios cinzas. A parede tinha um papel de parede branco 3D, com algumas ondulações bonitas. Havia uma TV enorme na parede e, ao lado dela, uma porta francesa que levava a uma varanda pequena. Dentro do quarto também haviam duas portas, Archie imaginou que para o closet e para o banheiro.

Entrou na primeira porta e arregalou os olhos. Haviam dois armários enormes, que iam do chão ao teto, repleto de roupas, sapatos e gavetas, extremamente bem organizados. Um espelho grande e iluminado ficava na parede central. Encarou Marc.

━Você comprou mais roupas? E organizou tudo?

Ele encostou-se no batente da porta, cruzou os braços e negou com a cabeça.

━Ada comprou, algumas coisas ela trouxe da loja que recém abriu. Mas acho que alguém a ajudou. -murmurou, desviando o olhar

━Alguém? -Archie semicerrou os olhos com curiosidade, então arregalou-os- Natalie?! 

━Sim. 

Aproximou-se Marc, boquiaberto, no entanto, não teve tempo de externar sua incredulidade com a beleza de tudo. Teve o rosto segurado com força, os lábios foram atacados, tocados pela língua experiente, que tinha gosto de champanhe e chocolate. Segurou as mãos dele e Marc diminuiu o ritmo. Encostaram suas testas, ofegantes. 

━Eu não me preparei. -Archie resmungou

━Eu me preparei.

━Você está sempre pronto. -Archie brincou, tocando-o no meio das pernas, mas ele logo tirou suas mãos dali

Marc afastou-se e olhou-o de frente, seriamente. 

Archie ficou lhe encarando com confusão, sem entender. 

Em alguns segundos, no entanto, entendimento tomou conta do seu semblante. As sobrancelhas arquearam-se e ficou estático, chocado.

━Você quer que eu…

━Antes que eu mude de ideia. -resmungou, sem olhá-lo

Quando encarou-o mais de perto, viu que ele estava vermelho. Sorriu largamente, ficou na ponta dos pés e beijou-o na ponta do nariz.

━Quer fazer isso porque quer ou para me agradar?

━Os dois. -respondeu com um pouco de impaciência

Archie abraçou-o pelo pescoço e empurrou-o para o quarto. 

____

Sem roupas, os corpos suados tocaram-se com uma paixão ardente, ansiosa para ser consumada. Os barulhos de beijo e gemidos preencheram o cômodo. Seus sentidos aguçaram-se como se fosse a primeira vez que fizessem aquilo, mesmo que a experiência de anos juntos fosse visível nos toques.

Archie beijou as pernas que tanto amava de olhos fechados. Inspirou profundamente o odor do sabonete de chocolate que amava e esfregou o rosto em suas coxas. Deu atenção ao membro, que estava ereto, usando a língua e as mãos para fazê-lo gemer roucamente. Era novidade vê-lo tão passivo, despido de ordens e provocações. Sentiu o nervosismo dele ao provar a pele arrepiada. 

Colocou-lhe na boca. Marc retesou-se um pouco, apoiado nos cotovelos para vê-lo melhor. Os lábios lhe apertaram e moveram-se, quentes e molhados, por sua extensão. Foi envolvido por inteiro e sentiu o fundo da garganta úmida. Tocou-o nos cabelos com carinho, contendo sua força e vontade de controlá-lo. Ele desceu para seus testículos. 

A língua molhou-os e os dedos os massagearam lentamente. Então sentiu-o em outro lugar, mais abaixo. Fechou os olhos, com o cenho franzido. Deitou-se, resignado, e colocou um braço em cima dos olhos. O coração estava acelerado e a face quente e avermelhada. O corpo inteiro estava em polvorosa. Ia deixá-lo fazer aquilo. E estava gostando. Queria ser o primeiro e último com quem ele faria aquilo. 

Archie afastou-se, admirou o corpo masculino e musculoso que lhe deixava arrepiado de excitação. Deslizou as mãos por suas coxas numa massagem reconfortante. Sentiu o próprio coração na boca, disparado, ansioso. 

Mordeu os lábios ao vê-lo esconder o rosto com o braço. 

Puxou a mão dele para o próprio pênis. Marc resmungou. 

━Você está bem? -Archie inclinou-se, beijando-o na bochecha

Empurrou o braço dele para longe do rosto bonito e envergonhado. Nunca havia visto-o daquele jeito acanhado. Beijou-o na bochecha e quase disse para trocarem de lugar, porque também o queria em seu corpo. Mas queria tanto fazer aquilo… Queria experimentar o homem que amava daquele outro jeito também.

Marc desviou o olhar e moveu a mão em sua extensão, com os dedos apertados. Archie gemeu e beijou-o nos lábios, colocando a língua em sua boca e tentando fazê-lo concentrar-se no ato. 

Lentamente, em meio ao beijo, o fez dobrar as pernas e colocou-se no meio delas. Os membros se encostaram e sensações eletrizantes percorreram seus corpos. Beijaram-se com mordidas, língua e sorrisos. 

Archie entrelaçou as mãos nas dele. Beijou todo o rosto exuberante, tentando fazê-lo relaxar. Marc respirou fundo, com o coração acelerado e a garganta apertada. Estavam colados, o abdômen magro dele no seu, os membros tocando-se e as respirações encontrando-se.  

━Archie. -resmungou

Queria que ele fizesse aquilo logo, para que terminasse logo também. Mas também porque queria vê-lo fazendo, algo que jamais iria admitir em voz alta.

Archie deu-lhe um último beijo no nariz antes de afastar-se. Usou saliva e os dedos para lhe preparar. Remexeu-se com dor e impaciência, sem olhá-lo. Os movimentos dele foram gentis e lentos, nada afobados. 

Ele esfregou-se em sua entrada e novamente cobriu o rosto. Rangeu os dentes ao senti-lo deslizar, lentamente, para seu interior. Grunhiu baixo, sentindo dor e, quando enfim sentiu-o por inteiro, Archie inclinou-se em cima de seu corpo. 

Respirou fundo, tentando acostumar-se. Após longos minutos recebendo beijos pelo rosto e no torso, Archie afastou-se e apoiou as mãos no quadril de Marc. 

Moveu-se lentamente.

Marc reparou, de soslaio, na cintura magra e pensou que seria capaz de pegá-lo apenas com um braço. Queria fazer amor com ele naquela varanda, na piscina, na cozinha… A mente divagou, tentando livrar-se da dor. Tinha pensado em fazer amor e não sexo. Quase riu do romantismo mental. 

━Está gostando tanto assim? -Archie indagou, ao vê-lo sorrir

Archie pensou que seria esmagado. Era apertado e muito quente. Não conseguiria aguentar muito tempo sem chegar ao orgasmo. Mas queria aproveitar cada momento. Assim que entrou nele por inteiro um arrepio elétrico espalhou-se dos pés à cabeça, forte e trêmulo. Fechou os olhos, sentindo os músculos contraírem-se e tremerem. 

Ao olhá-lo, o braço de Marc tinha escorregado para cobrir a boca. Os olhos escuros estavam semicerrados, incendiados. Tão intensos que Archie gemeu. E ele estava mordendo o próprio pulso… Franziu o cenho com o aperto em volta do membro. 

━É muito bom. -disse, inebriado de prazer, sorrindo de olhos fechados

Ficou alguns segundos parado, sentindo-o contrair-se e ajustar-se. Ao mover-se, ouviu os grunhidos raros dele, que apertava o lençol. 

Entrou e saiu de seu corpo com mais facilidade, tentando segurar-se. Massageou o membro dele, que estava duro e, numa estocada mais forte, sem aviso, começou a tremer e teve de apoiar-se na barriga dura de Marc. Boquiaberto e maravilhado por estar fazendo aquilo no interior dele, fechou os olhos e gemeu alto. Chegou ao orgasmo logo em seguida.

Marc respirou fundo, cobriu o rosto para esconder um sorrisinho. Jamais iria admitir que estava se sentido orgulhoso por tê-lo feito gozar daquela maneira. Em seu íntimo sabia que agora estavam mais entrosados do que nunca. 

Archie afastou-se, com o semblante corado, saiu de seu interior e deu um suspiro alto.

━A noite é longa, Archie. -Marc murmurou, olhando para o lado

━O que quer dizer?

Marc arqueou as sobrancelhas e olhou para o meio das pernas, para o membro esquecido. Archie deu um sorrisinho alegre, ficou de quatro na cama e colocou-o na boca. 

Tinham crescido como namorados. Confiavam um no outro o bastante para experimentarem juntos.

E Marc tinha cabado de dividir seu lado mais íntimo com Archie.

Não demorou para ele chegar ao orgasmo, pois Archie era muito bom no que fazia.

Deitou-se no peito largo e beijou-o pelos ombros. Por fim deu-lhe um beijinho na bochecha e ficou acariciando os cabelos castanho-escuros.

━Isso parece um sonho. -Archie perguntou, de olhos fechados

Na varanda alguns vagalumes iluminavam pontos pequenos do quarto. Grilos cantavam lá fora, pulando na grama bonita, debaixo de um céu estrelado. 

Marc acariciou sua bochecha.

━Qual outro sonho seu devo realizar? -murmurou a pergunta, mais sério do que pretendia

Archie fingiu pensar, deu um sorrisinho brincalhão e disse:

━Ainda não somos pais.

Marc olhou-o, surpreso, e levantou-se da cama. Archie apoiou os cotovelos na cama, observando-o vestir uma cueca qualquer. 

Atirou um roupão verde de seda que estava pendurado num cabideiro para Archie e ele vestiu. Deu um sorrisinho torto, adorando ver o corpo magro dele envolvido no tecido delicado.

Archie aproximou-se, entrelaçou os dedos nos dele e disse:

━Não me diga que adotou uma criança? -comentou, incrédulo- São muitas emoções para um di…

Marc colocou um dedo em seus lábios para silenciá-lo. 

━Não. Venha comigo.

Puxou-o pelo corredor espaçoso e bonito, sentindo os músculos do glúteo doerem. Também estava ardendo, mas ignorou as dores.

Foram até a última porta. Tocou a maçaneta e, antes de empurrá-la, respirou fundo e olhou para Archie.

━Está preparado?

━Não! -disse, exaltado

Marc riu e empurrou a porta. Dentro, Archie viu uma cama pequena, de criança. Franziu o cenho ao vê-la. Aproximou-se, sem entender e, ao lado da cômoda, viu um tapete e dois potes bonitos, rosas. 

Quando olhou novamente para a cama, ela se mexeu. Arregalou os olhos. Puxou as cobertas com delicadeza e pulou de susto.

━Que bicho é esse? -quase gritou

Marc resmungou, impaciente, e inclinou-se.

━Ele está dormindo.

━Ele? 

━Archie. -falou seriamente- Eu espero que você goste.

Aproximou-se da cama, puxou lentamente todo o lençol e pegou o bicho em mãos. As orelhas eram grandes e os olhos maiores ainda. Ele era de um tamanho médio, não era nem um filhote nem adulto. Só ao ver o rabo percebeu que era um gato. Mas havia algo faltando. 

━Isso é um gato?

━Sem pêlos. Ele não é lindo?

Archie ficou boquiaberto, observando Marc acariciar o animal esquisito. Quando o gato abriu os olhos, no entanto, ficou surpreso com a intensidade do olhar. Ele tinha dois orbes verdes expressivos e brilhantes. Abriu a boca e bocejou. Aninhou-se no colo de Marc, que abraçou-o, sorrindo.

━Ele é estranho. -Archie murmurou, sorrindo, mas aproximou-se e fez um carinho na testa do animal

━Ele é lindo. 

Archie sorriu com amor ao vê-lo tão entretido e apaixonado pelo animalzinho. Colocou os braços em volta da cintura de Marc, inclinou-se para beijá-lo nos lábios e disse:

━Acho que realizou todos os meus sonhos já, Marc.

━Invente outros, tenho tempo e dinheiro.

━Exibido. -provocou-o e apertou sua bochecha- Amo você.

━Eu também te amo. Mais do que tudo.

Marc beijou-o na testa e, com a sensação de devercomprido, sentindo o corpo inteiro esquentar de amor por Archie, soube que ficaria ao lado dele para sempre. Estavam casados e tinham um gato. Eram uma família.

O passado pareceu distante e, ao encarar o olhar apaixonado de Archie, soube que as cicatrizes dolorosas e emocionais que possuía estariam sempre marcadas em sua vida, não havia como fazê-las desaparecer. Mas não deveria apagá-las e sim entendê-las melhor, pois eram parte da sua história.

 


Notas Finais


Foram mais de 120 MIL palavras! Obrigada a todos que comentaram, votaram e me incentivaram.

Espero que vocês tenham gostado tanto quanto eu, meus amores. Eu amo vocês demais. Estou muito emocionada, eu adoro a minha história, obrigada por terem acreditado nela. GRATIDÃO.

Ficaram com alguma dúvida, questionamento? Mandem para mim, adoro responder ♥

Quer mandar um recadinho? Entra no site de Hematomas, lá tem um formulário anônimo para você fazer perguntas e mandar recados (pode pedir cenas específicas, eu adoro").

Link do site: www.sites.google.com/view/hematomas/página-inicial

HEMATOMAS FOI INSCRITA NO WATTYS 2020!!!!! se vocês puderem indicar para os amigos e votar na plataforma eu AGRADECERIA MUITO, ANJOS ♥ ♥

IMPORTANTE: continuarem postando ceninhas dos personagens na história "TOQUES" no Wattpad (https://www.wattpad.com/894684082-toques-dire%C3%A7%C3%A3o) . Eu amo demais os meus personagens e não conseguirei dizer adeus para sempre, por isso criei essa história, paramatarmos a saudade e sabermos sobre o futuro e passado de alguns deles. Teremos a ceninha do Marc comprando o gatinho (não compre, adote, ele comprou pq é burguês safado e sem noção) ♥

IMPORTANTE²: teremos uma side story da Natalie intitulada "Batom Vermelho". Começarei a postá-la logo ♥

AGORA ME DIGAM O QUE ACHARAM DESSE FINAL PQ EU CHOREI ESCREVENDO E TÔ EMOCIONADA E CHORANDO, PODEM ME MATAR, ME XINGAR, DIZER QUE FOI RUIM, QUE FOI BOM, EU ACEITO TUDOH
TÔ DEITADA EM POSIÇÃO FETAL CHORANDO


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