História Cicatrizes de Batalha - Capítulo 6


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Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Adrien Agreste (Cat Noir), Alya, Chloé Bourgeois, Gabriel Agreste, Hawk Moth, Marinette Dupain-Cheng (Ladybug), Mestre Fu, Nino, Personagens Originais, Plagg, Sabine Cheng, Tikki, Tom Dupain
Tags Ladynoir, Marichat, Miraculous
Visualizações 25
Palavras 3.187
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


bom eu demorei mas voltei. eu queria deixar um recado apenas, não vou demorar nisso.
eu vou reescrever alguns capítulos, pouca coisa mesmo só pra facilitar pra quem ler o entendimento dessa relação extremamente confusa do adrien e da marinette.
algumas palavras estão repetidas de propósito mesmo, só pra deixar isso cravado mesmo.
beijinhos

Capítulo 6 - Tes mains sur mon corps


Havia rabiscado as paredes desnudas de seu quarto. Bordando rostos tristes, modelos esvoaçantes ou reescrevendo seu nome várias e várias vezes em um emaranhado confuso. Engoliu toda uma cartela de calmantes, sufocando a histeria. Os pulverizando em língua, mastigando os comprimidos. Faminta. 

Devorou duas caixas e cereais, insatisfeita. Comeu sanduíches inteiros, trepidante de fome. Vomitando horas a fio. Vazia. Quis morrer, gritar ou ser esmurrada. Quis chorar, berrar para os travesseiros e preencher este intenso e solitário nada. Este vazio mórbido. Um enlouquecedor e enraizado nada. Ira e pavor; insaciáveis de mentiras. 

-Isto queima. - As unhas deslizaram nas extensões rubras dos pulsos. Acumulando o sangue nos dedos, sumindo entre suas pontas. Cócegas para alguém tão calejado de espancamentos. Apanhara tanto que, em determinado momento, seu corpo passara a reagir de maneira indiferente. Sangrar, se entupir de remédios ou continuar ininterruptamente os banhos com águas extremamente frias. Nada. 

Marinette não sentira nada. Abrigando uma inquietude nociva. Nua. Pressionando as bochechas no chão do banheiro. O rosto dolorido ardera, esfolado. Um após o outro e as palmas de suas mãos ásperas sequer suportavam o seu peso. Caindo, novamente. Sobrevivendo a miséria.  

-Au clair de la lune. -Os lábios se movimentaram, mas não havia voz. Sozinha, cogitara recorrer aos delírios. Os quis, amedrontada pela ideia de morrer agitada. Findando, assim, sua vida. 

-Mon ami Pierrot.-Teus dedinhos coloridos foram tocados, deslizando suaves nos dele. O gatuno acariciou os quadris estreitos, gentilmente os aproximando dos seus. Admirando os pares de esmeraldas vibrantes, o manteve em seu aperto. Acreditando que um dia o poderia perder, e por teu rosto desceram as lágrimas. 

Ela o amava, e como amava. O céu escuro, por cima de seus ombros, os tornava eternos. A heroína envolveu as laterais de sua face em um afago, e tudo nela dizia “eu te amo”.  

-Prête-moi ta plume. - E desfez suas mãos. Necessitava; de maneira incontrolável. Nos teus ombros descansou as madeixas azuis, guiada entre as estrelas em um movimento calmo. Haviam de ter todo o tempo do mundo e Ladybug o queria; desta maneira. Junto a ela, sussurrando sincero “eu te amo”. 

-Cuspa, vamos. -Vomitou, desorientada o bastante para tampouco dar-se conta de que dois dedos inteiros estavam em sua garganta. -Vamos, Marinette. - Ambos invadiram sua língua de uma vez, bombardeando os lábios entreabertos. Viva, ou a síntese do que era se estar viva. Respirando, reagindo a estímulos.  

Tossiu, sentindo que nada além dos dedos lhe obstruíam a boca, somente a restando os sons insinuando para que os retirasse. Sentiu saliva descendo pelo rosto, suado e machucado. Confusa, vira sumir o eloquente ir e vir dos heróis. Se esvaindo a amabilidade do gatuno, e dele sentia saudade. O queria, veementemente. O queria, nestes intermináveis minutos de dormência. 

-Chat. -Atônita, chamou por si. Insensível, mal coube em palavras o alívio que fora a cãibra em suas pernas, doendo.  

-Estou aqui, meu bem. -Crendo na voz chorosa. E não precisaria o ver. Chat estava ali. 


-Você usou a porta. - E seus pezinhos caminhavam em passos calculados pela sala, úmidos como os cabelos azuis. Eram bitucas pisoteadas no caminho, vinho manchando o sofá. Neste cenário caótico, a única coisa que emanava vida, vibrante e reconfortante, era ele. Calor nas suas vestes, laranjas e quentes. Este que, calando todas as suas mágoas, a salvara de encarar o rancor nos cômodos destruídos por sua fome de sentir. 

No profundo de seu âmago, ela o invejara. Querendo a sua maneira dócil de sorrir mesmo quando ao redor ruía. Oca, o buraco sedento a tornava inexistente. Fora dissera ao Sol, vá embora disse a sua pressa de ver o mundo. E tudo morrera consigo. Aqui ninguém entra, ou sai. Sozinha gritaram as vozes, e ele abrira as cortinas, dizendo não a ansiedade e você não é bem-vinda a dor.  

-Estive cansado de surgir na sua varanda. -Instantes seguintes, e o medo de não tornar a ver a tua imagem em esplendor no véu noturno a consumira. Pensar nisto doía, muito. Enfurecia algo em si, o medo. O pavor. Vai me deixar e notara que fumar era preciso.  

-Visite Soleil, traria o seu vigor novamente. O que acha? -A ausência de humor em sua voz o alarmou. Exibindo em seu belo rosto um sorriso tenebroso, intenso e de caráter maldoso. Nos teus pensamentos obscuros, rondando somente os lábios rosados, a derme em porcelana e o quanto sua mente a todo momento a recordava deste sofrimento.  

Os heróis mantinham, em seus egos, tantos diálogos pendentes. Questionamentos, tantos deles que, por vezes, a agonia em os ter transparecia. Nas lazúli, clamando, berrando e chamando por ele. Nos teus dizeres mentirosos e, ela quis crer. A amabilidade de sua heroína, morta. Sua heroína, morta. Familiarizando com o cadáver, coberto de moscas em um canto esquecido. Isto era o que seu rosto vazio representava. A morte de algo.  

-Iria adorar, de fato. Porém, você continua sendo a minha favorita. -Eram nocivos, os dois. Ambos construíam, ainda que inocentemente, este castelo de cartas. Ambos sabiam o que os aguardava ao término de tanto reconforto, ao final de tamanho descuido. Incentivando a tua loucura, provando que algo ainda residia em sua menina, findara a minúscula distância em quatro passos. Contabilizados com a tuas mãos, singelas e calmas a alisar as bochechas fundas. O polegar descia por seu queixo, pontiagudo e ornamentando as finas linhas que compunham a tua estrutura facial.  

Adrien a tocara cauteloso, amedrontado pela ideia de vê-la partir em seu carinho. Quebrar o que não havia mais concerto, e Marinette sentira realmente como se o toque bravo de suas palmas a pudesse queimar, arder em chamas e saudade. Deste maléfico e sombrio querer. Tola alertou a si, permitindo que este a maltratasse. Gentilmente, ele a rendera. Sofrer com a tua vinda ainda seria a cura para todo o mal que o mesmo causava. O ter ali adormecia a fome, contudo, expunha o teu ferimento as larvas. 

-Mentiroso. -A boca proferiu, isenta de sons em um mover lento. Presa entre o seu indicador suave e as tuas unhas que desciam aos ombros desnudos. Doía, e iria doer terrivelmente. Ele traria, com a boca pronunciando o seu nome com intenso querer, a alusão de um amor nos seus dedos cheios de cuidados nas carícias. Nas suas doces palavras. Crendo que, nas tuas certezas incertas, o manter distante seria o mesmo que fadar-se a morte. Esteve, convicta do que pensara, sozinha o bastante para amar a dor de se estar diante de uma mentira ardilosa como esta, do que retornar ao sinuoso abismo no qual, cedo ou tarde, acabaria por atirar-se.  

-Somos idênticos desde as cicatrizes. -Atento ao fino corte diminuto abaixo do antebraço, ao qual passeou os nós dos dígitos curiosos. -Até as raízes de nossas mentiras. - A bochecha de tez suave tocara o seu rosto. -E você disto, não sabe, Marinette? -Ela queria. Necessitava crer que ele a queria. O afaste, por favor. E os dedos eram calmos, delicados a tocarem sua nuca. Extremamente sensíveis, os nós dos dígitos friccionaram pele. Lentos, percorreram os finos pelos que ali foram acariciados.  

-O que quer, Adrien? -As pontinhas deslizaram por seus cabelos, gentis. Os esmeralda de seus orbes, intensas. Excitantes. Íntimas de suas lazúli, estas reconheceram a luxúria nas quais foram banhadas. A dor. Marinette arriscaria tudo por ele. O amava, e como amava. Este sentimento obsoleto a manteria prisioneira deste sofrimento. A culpa nunca seria o bastante, nunca a tornaria mais miserável. Mais, de fato, livre. Pois, encarando o esverdeado ainda queimando em vida, faria tudo outra vez. Cada erro, cada um deles. Os faria novamente se isto o trouxesse a ela. Ao momento em que ele ainda a amava. 

Daria tudo para encaixar em teus braços, dele somente. Para o ter. Dele, agora, só haviam memórias. Dos lábios macios nos teus, dos “eu te amo” 

-Estar com você, somente isto. -Soube, ao sentir os polegares descendo em sua pele, que era verdade. Ou, para manter longe de si o tormento, fingiu ser. Marinette recusou clamar teu nome ao esvair, rápido como havia acatado as suas carícias naturalmente ele a envolvera. Permanecia consigo, nos teus dedos a percorrerem cada centímetro a imitarem os dele. Afoitos para transmitirem a mesma harmonia. A paixão, A devoção. Eram ásperos, rudes e seus. 

Jamais algo seria imenso e marcante como os verdes que a encaravam. Admiravam a alma, diziam o que permaneceria mudo entre eles. Gritavam. Cada parte de si a ordenando a pensar neles; a idolatrar o que eles viam. E ela quis ser o que ele amava. Caberia nos seus ideais, nas suas vontades e que assim fosse. Seria moldada, como argila. Seria dele, e esqueceria que nem mesmo a ela pertencia. Marinette não se possuía. 

-Cômico, eu diria. -E ela transbordava ironia, mágoa. -Que você queira estar aqui. -E as noites de sonhos esquematizados por sua mente doente para sentir culpa retornaram. E ele sumira como sua vontade de sobreviver a mais um nascer do Sol. -Que você queira estar ao meu lado. -E novamente o silêncio. A dúvida os calando. Esta, como inúmeras outras, permaneceria ecoando entre os seus medos. 

-Sendo sincero, eu nunca abandonei este lugar. -Admirou as cores cinzas do apartamento, caminhando por ele e suas memórias. -Ou abandonei a ti, Marinette. -E todos os berros, toda a raiva que a consumia, todas as mentiras diziam a ela que não, ele não esteve.  

O heroísmo de seus ideais a livrara do rancor, do abandono. Porém ali, perto o suficiente dele, a dor ainda era real. Era intensa e incurável. O perdoara. O erro havia sido seu, jamais o faria ver novamente aquilo. 

 -Eu sei. -Habituada a mentir para si, esteve consciente de que os seus medos a atormentariam durante a noite. Quando sua mente a punia, sozinha e indefesa. Ele retornava para ela, enojado e cheirando a morte. Como ela mesma. Como todos e isto a causava náuseas.  

Os gritos. As mortes. Todas elas cobrariam por seu erro. Todos eles a devoravam. Marinette havia sido escrava de seu país, e ele a pisoteou ao menor ato de humanidade. Ao menor. 

 

Esteve aguardando, por longo tempo, a normalidade de um momento como aquele. O que ela queria, incondicionalmente, havia sido dado a ela. Conforto. Ali, o vendo com os seus lábios manchados de vinho e as mãos sujas de cascas de nozes, mantivera sua essência. Sua vontade de viver. O caótico de sua vida havia a tornado insaciável. Incessantemente a sua busca, ao dia em que poderia sentir horror ao seu ato. Ao invés dela mesma. Adrien cantarolava exatamente como em seus sonhos; estava sereno. Ele era como lembrava-se: amável. Contaria a Alya, aos risos, que o herói havia vindo para casa. Ouvir os sons de suas risadas, de todos eles. E, no meio dos seus devaneios, esmaeceram suas vontades. Cruelmente notara que nenhum deles permanecera o mesmo.    

-Adrien? -Ele a encarou. Com o seu sorriso gentil, a incentivou a continuar. -Você, alguma vez, se questionou sobre os outros? -Nos seus ombros pesaram a dúvida. A sombra que os devorava. Se curvou a ela, cansada em demasia. Marinette estava somente cansada. 

-Poucas vezes, creio eu. -Omitiu as incontáveis vezes em que havia pensado sobre. Permanecer imóvel em um passado fantasioso o mantinha preso, extremamente atado ao que eram. E temia a isto. Temia os ver livres daquilo que o assombrava. Daquilo que ainda amava, como seus anos dourados. Belíssimos inesquecíveis anos.  

Adrien amava como Ladybug imediatamente havia sido associada a sua nostalgia, aos seus anos memoráveis. Ela ainda habitava em seu centro; um dos pilares que o sustentavam. Ele a admirou, constatando que Ladybug residia pouco ou nada realmente dentro daquela que se parecia com ela. Para onde ela foi? Obviamente ele soube. Presa naquele erro. A heroína. radiante em seus sonhos, existia somente entre o limiar de sua realidade e pensamentos.  

-Penso neles a todo momento. Se sentem este medo.-Marinette sentiu as pernas dormentes, os dedos doendo ao apertar a camisa como se quisesse o demonstrar. -Penso que idealizando suas vidas dentro da minha estou os mantendo aqui. -Admirou o recinto, os tendo ali em suas fantasias uma maneira de estar conectada com algo.  

Ela sabia que o herói mentia. Nos seus lábios saiam somente melodias encantadoras, mas dos seus quereres ele não pudera correr. Eram os mesmos que os seus. Nas suas farsas habitava um homem exaurido dos mesmos males. E ela sabia que ele buscava por socorro. Adrien sabia que a heroína necessitava ser salva.  

-E quando penso neles aqui, vejo através do silêncio este vazio. Este devorador que nunca parece satisfeito. E me dou conta de que eu sou este ser faminto. -Marinette abandonou tuas memórias, a dor de ouvir sua voz clamando por si. Abstraiu o frenesi, o tremor em seus dedos amarelos. Somente para o encontrar em meio ao caos, aos seus delírios. Ele era demasiado belo, ela pensara. Ele deveria ir, deveria.  

Quando sua íris esverdeada cruzou o íntimo dos seus pecados, ela quis ir para casa. Quis ir ao seu encontro. 

-Sinto muito. -E Adrien realmente sentia. 

A atmosfera leve havia pairado sobre eles novamente. O cheiro adocicado vindo da panela a mantinha presa em um sonho. O Sol nas suas costas e o som de sua voz sendo cravados em suas memórias. Distantes, assim como toda a sua história. E sua vida preenchida de sóis e calor mais uma vez zombava de si. A heroína de dezesseis anos, altiva e amada por um povo, zombava de si. Ela era o seu medo, material e existente.  

O som de sua voz como em um de seus delírios a acalmava. O seu mundo haveria de ser somente este, e era bom desta maneira. Quieto e com ele. Os cinco meses. Jamais viveria daquela maneira outra vez. Jamais. A azulada, contra os seus avisos, desceu a solavancos da bancada de mármore, pisando no piso de um negrume fúnebre. E ele estava ali; como um vislumbre. Seus dedos curiosos tocaram aos ombros másculos com sutileza, suaves. A tez sendo acariciada, com o mesmo louvor. O conhecia bem, assim como conhecia a si mesma. Eram um maldito reflexo. Um emaranhado de pavores e reconhecimentos tolos.  

Tantas e tantas noites somente pensando em seu cheiro, em seus cabelos sedosos e o som de sua voz. Tantas e tantas noites choramingando de saudade. E ele estava em seu alcance. Estava vivo e ali. O amor era real e permanecia o mesmo, era apavorante e sua mente a mandava calar suas necessidades. Do conforto de sua pele familiar, do calor. Esteve cansada de tanto desamor que o exílio a trouxera. No entanto, uma vida sem esta solidão cabia somente em seus devaneios. Ela merecia cada minuto deste sofrimento. Merecia sobreviver da maneira mais miserável possível.  

-O que quer? -O riso anasalado do loiro sustentou seu mundo. Adrien quis ver o seu rosto, quis sentir que aqueles orbes azuis eram, de fato, os que conhecera. E, como queria que fossem. Tristes e nostálgicos orbes azuis. Ela era exatamente a mesma. Os mesmos cabelos escuros e lábios bonitos. A face, antes de bochechas fartas, era que havia mudado pouco. Pálida e demarcada pela insônia, pelo descaso e a dor. Ela era somente metade da adolescente cheia de vida que havia sido um dia, e isto estava claro para ambos.  

-Estar com você. -Sentiu que poderia tudo no instante em que sentira em seus dedos o toque suave dos dele. E a maneira como ambos pareciam satisfeitos era natural, era deles. A crueldade deste momento transbordava e inundava seu ser. 

Ela era metade da menina que havia sido um dia, era metade do que sonhara ser um dia. E, em seu íntimo, sabia que ele era a causa de seus medos. Era a causa de sua derrota. Era, de maneira clara, o início. Quis encontrar um lar no seu carinho. Mas nele havia somente o anseio de ambos, o medo desta fome insaciável. Desta vez, a paixão adolescente estava desbotada. Nas suas costas, uma palma afetuosa. E bastara isto. Era como ter dezesseis anos novamente, e pavor somente do mundo imenso. Conhecia o mundo, e tinha mais temor por ela mesma. Conhecia cada minucioso caminho pelo qual suas mãos nervosas percorreram, desde as costelas até os ombros onde descansaram. Ali, no meio de seu cantarolar, soube que Adrien estava perdido. Assim como ela.  

O breve valsar a maltratou, revivendo todo o horror dos dias. Jamais poderia ter novamente tamanha felicidade, gana pela vida. Jamais poderia o ter novamente quando ao menos era dela. E ele a torturava, cada vez que seus troncos se aproximavam. Cada vez que sentia o deslizar de seus dígitos por sua cintura. Cada vez que seu riso ecoava pelo ambiente; ela poderia ouvir o herói. Ela poderia vê-los novamente sobre o mesmo céu iluminado. O mesmo vento nos seus cabelos. O mesmo “eu te amo” que encantava a noite.  

Sentiu que desabava diante das belas esmeraldas, expondo cada mísero pensamento. Cada ida e vinda que a machucara, estava nos seus orbes. Ali, desmanchada. Ambos do mesmo material; falso e defeituoso. Ambos covardes, correndo do inevitável.  

Adrien descansou os cabelos loiros nos seus ombros, cansado demais para lutar contra a sua vontade. Queria a heroína que ainda residia em seus ideais, que ele amava. Amava a menina de dezesseis anos, elegante e bondosa com um charme cativante. Vê-la neste espectro, nesta decadente e acomodada vida, o revirava o estômago. Ladybug havia ido com os escombros daquele maldito prédio. A heroína estava no passado, soterrada como os alvos de seu erro. Como ele mesmo. Ela permanecia sendo o que amara um dia, e nada do que havia sido. Este tudo e nada era, sem dúvida, o que mais dilacerava ambos.  

Este era o valor para o manter ali; o retorno de seus medos. A escória deles. Valor este que custara sua vida, e pouco lamentava sobre isto. Adrien estava vivo e distante, bastava.  

Labybug, o que você fez?” Ignorou, como a dor de pressionar os dedos em sua camisa e sentir que ele era real. Jamais em seus sonhos pudera sentir a textura de sua derme ou recriar a luminosidade dos seus cabelos. Era real demais para sua mente, ilusório o bastante para a satisfazer. 

-Adrien, sobre o que aconteceu no banheiro. -Atraiu seus orbes e deixara de sentir as bochechas quentes contra os ombros. -Eu não seria capaz. Nunca. -Sabiam do que diziam, os seus lábios procuravam palavras, e o pavor de morrer histérica daquela maneira a corroeu.  

-Eu sei. -O loiro tornou a acariciar a sua face, coberta de desordem. -E entendo. - Com a ponta dos seus dedos a incentivou a admirar o sinuoso abismo que ainda os aproximava. Ambos loucos para o que viria, loucos pela queda. Ambos covardes, almejando somente. Nas suas esmeraldas, a mesma e incessante tormenta. Procuravam por silêncio, e ela as daria.  

-Eu sei. -Pousou os pulsos acima de sua clavícula, encantada. O controle que ele ainda exercia sobre si era intenso, incalculável. Atados ao agora. O embalo que os tomava, sem melodia ou precedentes, os mantinha afastados do mundo. Juntos, retomando o mundo deles. E unicamente deles.                                                                          


Notas Finais


o macarrão queimou no final dessa gororoba e eles comeram assim mesmo


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