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História Cidade do Sol - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


Hello,
Aqui estou trazendo um capítulo bem mais rápido que o comum, então espero que gostem.
Boa leitura~

Capítulo 8 - Cartas jogadas a mesa em um momento de certeza


Se existia algo que gostava de fazer era ver o nascer do sol, desde quando morava em Seul era como se fosse um ritual acordar mais cedo apenas para ver esse belo acontecimento, e agora, morando na Cidade do Sol, parecia ainda mais deslumbrante ver a mistura de cores sobre o céu azul. Terei que ser sincera, ficar presa em casa ou apenas saindo sem rumo estava se tornando monótono, por mais que amasse cada centímetro da cidade não podia continuar vivendo apenas ao seu favor, até cogitei começar a trabalhar com meus pais ou procurar emprego em alguma loja, porém o universo pareceu conspirar ao meu favor e comecei a ocupar meu tempo, além de conseguir um dinheiro a mais, fazendo o que amava.

As noites de insônia geradas pelas altas doses de café tinham seus motivos, comecei a trabalhar como fotógrafa, o Instagram começou a fazer seus efeitos e já havia conseguido alguns trabalhos, geralmente eram ou ensaio fotográfico de casamento/lua de mel ou de jovens que queriam guardar as paisagens da ilha, no entanto não reclamaria por existir noites mal dormidas por estar editando as fotos, podia ser cansativo, mas era um bom negócio, conhecia novos lugares e pessoas, enfim, eu estava feliz, então valia a pena.

Depois de uma semana presa em ensaios e edições, decidi tirar o domingo para não pensar em nada, mesmo sabendo que a Ha, uma hora ou outra, apareceria em meios aos meus devaneios. Já até me acostumei com esse fato, apenas deixava que acontecesse naturalmente, e nesse momento, apenas com o som da maré fazendo presente, além de alguns pássaros voando a procura de algum alimento, era ela quem cintilava.

Nesses últimos dias não havíamos nos encontrado, contudo as trocas de mensagens eram frequentes, dizia estar ocupada com um evento que aconteceria nas próximas semanas, então seu nervosismo era certo por sempre querer fazer o melhor show de sua vida, sem erros e coisas do tipo. Realmente, era verdade, Jinsoul também não conseguia falar sobre outra coisa. Eu estava feliz por elas, era o primeiro show relativamente grande, elas só queriam que tudo desse certo. Mas também sentia que exista algo a mais, Kahei, nada fora confirmado, minha intuição não era de falhar, portanto continuava a levar esse ponto em consideração.

Diante tudo o que já sabia, diariamente eu resistia à vontade, mesmo que pequena, de confrontar a Ha. Dizer tudo o que estava guardado dentro de mim, despejar meus questionamentos que esse saber trouxe, porém, como colocar as cartas sobre a mesa quando não foi ela quem me contou? Ainda mais tendo em mente que existia a possibilidade dela não reagir muito bem, sem falar que a confiança de Sooyoung sobre Jinsoul e Hyunjin também poderia ser ameaçada, assim como nossa relação. Não entendia os motivos para tais ações, entretanto se não queria me contar era porque algum existia, então deveria respeitar. Tão complicado.

Todavia Sooyoung dava indícios de que procurava a minha presença porque queria, em partes precisava? Seus agradecimentos sem motivos aparentes era o que me fazia pensar assim. Então, se ela aparentava estar contente com essa relação, eu também estava, mesmo com a pulga atrás da orelha.

Não voltamos no assunto sobre ela ter que “parar de deixar as coisas como estão apenas por comodismo”, para ser sincera, penso que não tenho coragem de voltar a ele, principalmente por não saber do que se tratava. Muitas vezes ao tiramos conclusões precipitadas nos afundamos em indagações que não nos levar a nenhum lugar ou que nos fazem agir de uma forma que inadequada. Apesar de não ser somente isso... Com todas essas certezas de sentimentos sinto uma constante insegurança do que está por vim.

Eu já estava mergulhando profundamente, sentindo as ondas do mar, o ar fresco bater no meu rosto, porém e Sooyoung? Caso tudo ocorra da melhor maneira que poderia ser, ela teria medo de encarar os dois lados do amor? Ela nadaria ao meu lado ou sequer molharia os pés no mar?

Somente o tempo seria capaz de me responder.

A fina manta abaixo de mim protegia dos finos grãos de areia, dessa vez vim preparada para não ter que ficar um bom tempo limpando minhas roupas, um copo térmico continha minha primeira quantidade de café do dia. O sabor amargo descia por minha garganta trazendo um tipo incerto de conforto, as nuvens brancas proporcionavam um espetáculo ao espelhar os raios do sol, algumas pessoas caminhavam pela praia aproveitando o clima, era calmo e eu estava precisando disso.

Como no primeiro dia que cheguei a ilha, encarava o mar calmo sem saber ao certo quanto tempo havia se passado, o café estava prestes a acabar, apesar disso não queria sair dali tão cedo.

Pendi meu corpo para trás depois de ajeitar a manta, deitei sobre me sentindo mais confortável, a tensão acumulada pareceu dar lugar a uma paz calorosa, a impressão que eu tinha era que meus batimentos seguiam o som da ondas se quebrando, assim fiquei, de olhos fechados, por um período indefinido até sentir uma sombra estranha em meu rosto. Lentamente fui levantando minhas pálpebras e, nessa mesma velocidade, agraciei-me com a visão de Sooyoung me olhando.

Seu rosto estava pouco acima do meu fazendo com que sentisse sua respiração, os cabelos caiam por causa de sua posição e o sorriso tão quente quanto as faíscas da estrela central do Sistema Sol. — Bom dia, moça do sorriso bonito.

— Bom dia, Soo. — Ainda deitada observei todo o movimento até a Ha se sentar ao meu lado, mais uma coisa que havia me acostumado era com essa maneira que me chamava, bom, em partes, fisicamente não existia mais nenhuma alteração, porém por dentro meu coração continuava a bater loucamente.

— Não estou te atrapalhando, ou estou? — Jamais, no entanto ela não precisaria saber disso, ao menos por enquanto.

— Não se preocupe. Acordando cedo? O que aconteceu? — Ainda era cedo demais para Sooyoung estar acordada, visto que em uma de nossas primeiras conversas contou sobre praticamente madrugar, o que a fazia acordar, quase sempre, depois do almoço. Então, tê-la acordada e visivelmente disposta a essas horas era definitivamente estranho.

— Por alguma razão dormi bem cedo ontem, então também acordei cedo, mais cedo que meus pais, foi tão bom não ter que lidar com eles. Aproveitei para dar uma volta, precisava me espairecer. — Levantou os braços se espreguiçando. — Passava passando por aqui e decidi parar, foi uma boa decisão.

— Por que? — Questionei a fitando, esse meu movimento foi recíproco e com um elevar dos cantos dos lábios, mostrando os seus dentes, fez que eu também sorrisse.

— Porque você está aqui oras, gosto de sua presença e ela é de grande importância em um momento como esse. — Olhando o seu rosto com mais cuidado percebi que estava mais inchado que o normal, até mesmo para quem supostamente tinha acabado de acordar, como se tivesse chorado por muito tempo ou até dormir, algo assim.

— Posso te fazer uma pergunta? — Concordou com um balançar de cabeça. — Está tudo bem? — Antes que pudesse responder, voltei a falar — Seja sincera, me diga o que está te afligindo.

— Como assim?

Sentei-me, procurando ficar de frente para ela, puxei seu rosto levemente para facilitar o processo e assim poder observar cada detalhe, passei minha visão por cada milímetro da região ao mesmo tempo que tentava me concentrar no que estava fazendo, já que a sensação de sua pele quente sobre a palma de minha mão fazia as borboletas do meu estomago dançarem sem controle. — Seus olhos estão vermelhos, talvez um pouco inchados, assim como o seu rosto, você provavelmente ficou mordendo os lábios, olha só, estão todos machucados. — Tirei minhas mãos dali e descansei sobre minhas coxas. — Você realmente não está bem, né?

— Nem um pouco. — Suspirou em meio a um pequeno sorriso ao balançar a cabeça. — Você é bem observadora. — Socou o meu ombro de leve.

— Sim, sou, mas não fuja do assunto. — Apertei meus olhos e cruzei meus braços querendo colocar um pouco de intimidação, possivelmente não deu certo, porque o sorriso ainda presente nos lábios de Sooyoung crescia ainda mais. Que vontade de morder essas bochechas! Foco, Jiwoo, foco. — O que está acontecendo? Parece que você acabou dormindo enquanto chorava, foi isso? — Suavizei meu tom de voz e amansei minha postura. Vê-la concordar me fez morder o lábio inferior, novamente as sensações do dia que fomos para a Ponte da Pedra se fizeram presentas, mas dessa vez não contive a vontade de abraçá-la.

Circulei meus braços em seu corpo, a posição que estávamos não era a mais adequada ou cômoda, mas ao ter sua cabeça apoiada sobre meus ombros enquanto suas digitais apertavam o tecido da blusa que eu utilizava demonstravam que era o melhor para o momento. Com a destra fazia desenhos abstratos por suas costas, ficaria assim até Sooyoung achar o necessário. Percebi um peso para o lado da areia, como se a Ha quisesse que deitássemos, segui o movimento, ao completarmos meu peito foi tomado por sua cabeça que ali passou a descansar. Por favor, que ela não escute minhas batidas descompassadas. E se escutou, simbolizou não importar, soltei o ar aliviada.

— Você já sabe sobre a Kahei, né? — Pegou uma de minhas mãos e ficou brincando com meus dedos. Não tive tempo de questionar, Sooyoung continuo a falar. — Jinsoul me contou, sabe, ela não consegue ficar com a boca fechada por muito tempo. — Arregalei meus olhos, será que a Jung havia contado sobre meus sentimentos também? Não, a Jung não iria fazer uma coisa dessas. — Ela contou sobre as conversas que tiveram, não deu muito detalhes, mas o bastante para te admirar muito. Bem, não é todo mundo que em meio a tantos questionamentos os restingue por não saber do ocorrido a partir da a pessoa envolvida e sim por terceiros. — De uma forma um pouco desengonçada, Sooyoung procurou por meus olhos, sua feição era serena contra a tempestade que existia dentro de mim. — Em nenhum momento me confrontou, apenas esperou o momento que me abrisse e isso é incrível, obrigada. — Voltou a posição anterior antes de me destinar mais um dos calorosos sorrisos.

— Bom, não tenho muito o que falar nesse momento, você me resumiu muito bem. — Segurei um suspiro aliviado por Sooyoung mostrar não saber do que existia dentro de mim, do que causava.

— Conheci Kahei a uns três anos, não sei bem ao certo, ela era nova na cidade e naquela época eu ainda era a filha perfeita, então fui destinada a apresentar a escola para ela, acabamos nos aproximando bem depois disso e não demorou muito para começarmos a namorar.  — Eu e meu coração agradecemos. — De certa forma Kahei foi bem importante no meu processo de aceitação, aceitar quem realmente sou, ela me ajudou a me entender, me descobrir e notar que nada disso é apenas um processo de rebeldia, como meus pais ainda dizem. Eu apenas sou assim, gosto de me vestir dessa maneira, das amizades com as meninas, de tocar guitarra e de sair pela noite, coisas que podem parecer simples, mas que por muito tempo guardei a mais de sete chaves por medo de desapontar meus pais. — Soltou uma risada sem humor. — Eu simplesmente estava cansada de ser a coadjuvante, a segunda opção, em tudo o que fazia e decidia, e Kahei estava ao meu lado dando apoio e me ajudando no que fosse necessário.

Ouvir Sooyoung falando dessa forma sobre Kahei me partia aos poucos, mesmo não demonstrando, percebi que não estava completamente preparada para encarar um tormento. Saber sobre sua história com Kahei fazia parte do processo para enfim entende-la, entretanto não era uma tarefa fácil quando o seu tom de voz demonstrava, minimamente, um contentamento. Nessas poucas palavras entendi o porquê de Hyunjin falar, quando me contou sobre o assunto, que não era tão fácil assim, toda a situação era mais complicada do que parecia, visto que não era um simples relacionamento, Sooyoung passou a ser ela mesma a partir dele, conseguiu se soltar das correntes que seus pais criaram.

— Eu era feliz, bem feliz. — Murmurou olhando para o céu divagando como se falasse para si mesma e o fato de eu estar ali fosse uma simples consciência. — A sensação de ser amada pelo que realmente sou me deu forças para encarar todos esses medos. Às vezes me questionava como podia gostar tanto dela assim. Mas a vida não é um conto de fadas, certo? — Preferi não responder, apenas deixá-la desabafar da maneira que achar conveniente. No entanto, passei a fazer um carinho por seus cabelos espalhados como uma forma de apoio. — Kahei sempre quis algo da vida, algo grande, e ilha de CheonGuk não era capaz de proporcionar isso. No final do ensino médio ela passou para uma grande faculdade de Busan, em nenhum momento queria ser a namorada que a impedia de viver sua vida, ainda mais quando relacionava aos seus sonhos, então ela se mudou.

De pouco em pouco o tom de sua voz se tornava trêmulo, toda essa história ainda lhe causava dor, isso era totalmente perceptível. Lembrei-me da situação com seus pais, as consequências estavam visíveis e guardar tudo para si era uma delas, proporcionando uma bola de neve que, ocasionalmente, ficava pesada demais para suportar. Sooyoung não se abria para ninguém, desviava dos assuntos que lhe provocavam algum tipo de sofrimento ou incomodo. Eu não deixaria que isso continuasse a acontecer, consequentemente, passei meus braços pelo seu tronco para que ficasse mais próxima de mim, queria que ela soubesse da minha presença e que estava disposta a ser o sustento que ela precisasse.   

Eu estava amando, eu estava definidamente a amando e isso era o bastante para querer que suas dores também fossem minhas. Naquele momento percebi que era, verdadeiramente, a primeira vez que estava vivenciando essa emoção e não poderia estar mais contente de ser com Sooyoung.

Assim, e de maneira inesperada, não me sentia mais mal por estar ouvindo sobre Kahei.

Havia entendido que a presença da garota foi significativa para Ha e seria idiotice minha querer apaga-la, eu apenas gostaria de ajudá-la a passar por todas essas desordens, pois isso é amar; é abrir mão e deixar de ser a prioridade, nem que seja por breves instantes, para ver a pessoa amada feliz. E esse era totalmente o meu foco, ter uma Ha Sooyoung forte e confiante, tanto por fora quanto por dentro.

Não precisava me forçar a nada, muito menos sufocar os meus sentimentos, apenas faria aquilo que me sentisse capaz de fazer.

— Pouco tempo depois da mudança senti que ela estava diferente, seu comportamento era mais frio e distante, culpava a faculdade e nós duas sabíamos que não era esse o motivo. — Minha blusa molhava com as lágrimas que desciam sobre seu delicado rosto, assim a apertei ainda mais meus braços em meio à baixas palavras acolhimento. — Eu considerava o pensamento de que a distância era apenas números, ainda mais com tantas formas de se manter uma relação, mas para que isso aconteça ambas as partes precisam querer e Kahei não fazia a sua parte. Continuei levando esse relacionamento, mesmo doendo, até que ontem explodi e falei tudo, desabei de uma forma que jamais pensaria ocorrer, Jiwoo. Desde o dia do parque de diversões venho pensando em toda essa situação, procurando as melhores maneira de me abrir, no entanto quando chegou a hora.. só aconteceu. — Dessa vez foi a Sooyoung que aproximou ainda mais, se fosse possível, o seu corpo do meu. — Nem consigo te dizer o que aconteceu, acho que não tenho forças e nem cabeça para, contudo, definitivamente terminamos e, diferentemente do que estava, estou bem. É um pouco estranho me acostumar com essa sensação de compreender o que acontecia, estava claro para qualquer um que não daria mais certo, e eu, provavelmente, só continuava a enrolar por causa da nossa história e ela já tinha chegado ao seu fim a muito tempo.

Fiquei em silêncio processando as informações, era muita coisa para capitar de uma vez. Saber de sua história com Kahei, dos sentimentos, da importância, do término. Todavia o calor do corpo de Sooyoung me auxiliava a me apaziguar, apenas curtindo a sensação de tê-la aqui.

“Não quero saber

Nem me importo mais

E eu atribuo a você a minha paz

Te chamei de céu

Que é pra ensolarar

Toda assombração que possa me assolar”

— Acabou que realmente chorei até cair no sono, é complicado, porém quando acordei estava bem mais disposta. Com certeza seria um término diferente se ela ainda estivesse morando aqui, mas estava longe de qualquer forma, tanto literalmente quando figuradamente falando. — Deu de ombros depois de se acalmar. — Obrigada por ter me ouvido e respeitado o meu tempo.

Desci meus olhos para encontrar os seus, pendi minha cabeça para o lado sorrindo com a língua entre os dentes. — É o meu jeitinho. — A mão livre de Sooyoung, pois a outra continuava a brincar com meus dedos, bateu em minha coxa. — Que agressiva. — Passei a alisar o local a vendo colocar língua para mim.

— É meu jeitinho. — Disse como se estivesse imitando a minha voz o que ocasionou em uma alta risada por minha parte.

— Eu não falo assim! — Exclamei ainda rindo.

— Eu não falo assim! — Foi minha vez de a bater e assim ficamos nessa brincadeira por um tempo até nos aquietarmos, a carícia que Sooyoung fazia em minha mão era gostosa demais fazendo com que minhas pálpebras se abaixassem inconscientemente, sentia-se especial e única por saber que tinha desabafado comigo, Hyunjin estava certa no final das contas.

Depois de um tempo em completo silencio, apenas aproveitando a companhia e o som proporcionado pelos diversos elementos da praia, Sooyoung voltou a falar. — Sei que pode passar a ser chato de tanto que estou agradecendo, mas é que essas palavras são as únicas que encontro para expressar tudo o que está fazendo por mim, por muitas vezes pensei que estava te atrapalhando, de verdade.  — Seus ombros descansaram como se estivesse tirado um peso dali. Se ela soubesse que era totalmente o contrário jamais se sentia dessa forma, no entanto, assim como ela, não sabia como expor completamente o que sentia.

— Nada disso, me importo com você, te ver mal me quebra, então fico feliz em saber que posso te ajudar de alguma forma, mesmo sabendo que concelhos não é comigo. — Beijei o topo de sua cabeça para enfatizar minha fala.

Era como se fogos de artifícios explodissem dentro de mim, mesmo mordendo o lábio inferior uma parábola se formava ao mesmo tempo que um formigamento gostoso se fazia presente. A tempestade que existia dentro de mim tinha enfim se acalmado, na realidade me sentia como se estivesse feito o gol nos últimos minutos de acréscimos de algum jogo importante, aquela euforia, a sensação de tocar o olimpo, indescritível. Então era assim os efeitos de estar apaixonada? Não ter motivos para sorrir, mas mesmo assim fazer?

— Quando Hyunjin me contou, mais ou menos, sobre a situação, comentou da possibilidade de você tentar suprir falta de Kahei em mim, algum momento isso aconteceu? — Questionei depois de nos sentarmos e começarmos a observar a maior movimentação da praia, precisava tirar essa dúvida e parecia ser a melhor oportunidade para, uma vez que não sei quando terei ânimo suficiente para voltar nesse assunto. 

— Não a julgo ou fico com raiva por ter esse tipo de pensamento, se você pensar bem até faz sentindo, ainda mais para ela que sabe da situação. — Poderei por um instante concordando com um som nasal. — Mas não se preocupe, isso em nenhum momento passou por minha cabeça. — Suas mãos buscaram sustento na areia em uma postura tranquila como se estivesse aproveitando o calor do sol sobre seu corpo. — Para ser sincera, eu te procurava, ou melhor, eu te procuro porque você faz com que minha realidade se transforme, como se não existisse esse meu lado que impede que eu desabafe, de uma maneira incerta você está me ajudando a mudar. Por isso digo que minha intenção não é sanar e sim fugir de tudo o que me lembra dela, dos meus pais, ou seja, dos meus problemas e é até um pouco engraçado, antes o que parecia ser a solução se tornou aquilo que mais me gera dor de cabeça. — Riu levemente tirando alguns fios que caiam sobre o rosto. — Sabe, você faz com que tudo isso deixe de existir, mesmo que por poucas horas, você me faz querer ser uma pessoa melhor em todos os sentimentos e para todos, pois tenho a total certeza de que essa situação também afeta as meninas. Não sei como que você faz isso, se é sua presença, sua energia, seu jeitinho. — Bateu seus ombros no meus rindo ainda mais. — Realmente não sei, porém eu gosto. — E então, ela sorriu.

“— [...] Apenas seja você, isso bastará.”

— Desde quando saímos e compramos as pelúcias tem algo que não sai de minha cabeça, na verdade é mais um pedido que gostaria de fazer. — Estralei os lábios rapidamente procurando uma súbita coragem, não queria que ela entendesse mal. — Você vem fazendo coisas por mim que vão além do imaginado, lembro do que falou sobre o que te dou não é material e sei que te dei a Yves, mas quero fazer algo a mais. — Respirei fundo mais uma vez, precisava ficar calma para não me enrolar nas palavras e nos sentimentos. Vamos Jiwoo, é agora ou nunca. — Enfim, abriu um restaurante na região norte, meus pais já foram lá e falaram que ele é muito bom, então... — Suas íris pareciam mais escuras que o normal me fazendo abaixar a cabeça por não conseguir encará-las por muito tempo, estava intrigada, eu diria, assim passei a mão pelo pescoço antes de voltar a falar antes que travasse por completo. — Gostaria de ir lá comigo um dia desses? Apenas para fugir ainda mais de sua realidade.

Um largo sorriso iluminou o meu dia, essa simples ação em conjunto com o brilho de seus olhos foram o suficiente para obter minha resposta, ela havia aceitado.


Notas Finais


O trecho de hoje foi tirado da música "De verdade - Fresno"
Até a próxima <3


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