História Cidade dos ossos(vauseman) - Capítulo 5


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Categorias Orange Is the New Black
Personagens Alex Vause, Personagens Originais, Piper Chapman
Tags Ação, Alex Vause, Caçadores De Sombras!, Cidade Dos Ossos, Demonios, Drama, Fadas, Instrumentos Mortais, Lésbica, Lobisomens, Luta, Nicky Nichols, Orange Black, Piper Chapman, Romance Lésbico, Suspense, Vampiros
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Palavras 2.518
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Romance e Novela, Saga, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Ravener


A noite havia se tornado ainda mais quente, e correr para casa soava como nadar o mais rápido possível em sopa fervente. Na esquina de seu quarteirão, Piper ficou presa por um sinal vermelho para pedestres. Ela saltitou impacientemente enquanto o tráfego de carros passava em um borrão de faróis. Tentou ligar para casa outra vez, mas Alex  não havia mentido; o telefone dela não era um telefone. Pelo menos não parecia com nenhum telefone que Piper  já tivesse visto. Os botões do sensor não tinham números; só alguns daqueles símbolos estranhos, e não havia tela.

Correndo pela rua em direção à casa, ela viu que as janelas do segundo andar estavam acesas, o que, em geral, significava que a mãe estava em casa. Tudo bem, ela disse a si mesma. Está tudo bem. Mas o estômago embrulhou assim que ela pisou na entrada.

 A luz do teto havia queimado, e o saguão estava escuro. As sombras pareciam cheias de movimentos secretos. Tremendo, ela começou a subir.

— Aonde você pensa que vai? — disse uma voz.

Clary girou.

— O que...

Ela parou no meio da frase. Seus olhos estavam se ajustando à pouca luz, e ela podia  enxergar o formato de uma poltrona grande, na frente da porta fechada da casa de Madame Suzanne. A mulher estava encaixada nela, como uma almofada enorme. 

Com a falta de luz, Piper  só pôde ver o formato redondo do rosto da mulher, o leque branco em sua mão, o buraco escuro da boca enquanto ela falava.

— Sua mãe — disse Suzanne— está fazendo um barulho horroroso ali em cima. O que ela está fazendo? Arrastando móveis?

— Acho que não...

— E a luz da escada queimou, você percebeu? — suzanne passou o leque no braço da cadeira. — Será que sua mãe pode pedir para o namorado dela trocar?

— Bill  não é...

— A claraboia também precisa ser lavada. Está imunda. Não é à toa que está tudo preto ali dentro.

Bill NÃO é o zelador, Piper queria dizer, mas não o fez. Isso era típico da vizinha mais velha. Quando ela conseguisse que Bill viesse trocar uma lâmpada, pediria para ele fazer centenas de outras coisas,carregar as compras, consertar o chuveiro. 

Uma vez ela o fizera cortar um sofá ao meio com um machado para que ela conseguisse retirá-lo do apartamento sem remover a porta das dobradiças.

Piper  suspirou.

— Vou pedir.

— É bom mesmo. — Suzanne fechou o leque com um rápido movimento de pulso.

A sensação de Piper de que alguma coisa estava errada só aumentou ao chegar à porta do apartamento. Estava destrancada, entreaberta, deixando vazar um feixe de luz no chão. Com um sentimento crescente de pânico, ela empurrou a porta.

Dentro do apartamento, as luzes estavam acesas, todas as lâmpadas, tudo completamente claro. O brilho agrediu seus olhos.

As chaves e a bolsa cor-de-rosa da mãe estavam na prateleira moldada de metal ao lado da porta, onde ela sempre as deixava.

— Mãe? — gritou Piper . — Mãe, estou em casa. 

Não houve resposta. Ela foi até a sala. Ambas as janelas estavam abertas, metros de  cortinas brancas e leves esvoaçavam com a brisa como fantasmas inquietos. Só quando o vento parou e as cortinas sossegaram Piper conseguiu ver que as almofadas tinham sido arrancadas do sofá e espalhadas pela sala. 

Algumas estavam completamente rasgadas, com os forros de algodão transbordando para o chão. As estantes de livros haviam sido derrubadas, e o conteúdo, disperso. O banco do piano estava caído de lado, aberto como uma ferida, os

amados livros de música de Carol, cuspidos para fora. Ainda mais aterrorizantes eram as pinturas. Todas elas haviam sido cortadas da moldura e rasgadas em tiras, que estavam espalhadas pelo chão. O trabalho deveria ter sido feito com uma faca, lona de tela era quase impossível rasgar simplesmente usando as mãos. As molduras vazias pareciam ossos limpos. Piper sentiu um berro subindo pelo peito.

— Mãe! — ela gritou. — Cadê você? Mamãe!

Ela não chamava Carol de “mamãe” desde os 8 anos.

Com o coração disparado, ela correu para a cozinha. Estava vazia, as portas dos armários abertas, um vidro de molho de pimenta quebrado estava derrubando um líquido vermelho e no linóleo. Os joelhos de Piper pareciam de gelatina. Ela sabia que deveria correr para fora do apartamento, arrumar um telefone e chamar a polícia. Mas tudo isso parecia muito distante.

Primeiro ela precisava encontrar a mãe, precisava saber que ela estava bem. E se tivessem entrado ladrões e Carol  tivesse reagido...?

Que espécie de ladrão não levaria a carteira, a televisão, o aparelho de DVD ou os laptops caros?

Ela estava à porta do quarto da mãe agora. Por um instante, parecia que pelo menos esse cômodo permanecera intocado. A colcha de flores feita à mão de carol  estava cuidadosamente dobrada. O rosto de Piper  sorria para ela mesma do alto da mesa de cabeceira, 5 anos, sorriso banguela, e cabelos cor do sol . 

Um choro se formou no peito de Piper. Mãe, ela chorou por dentro, o que aconteceu com você?

O silêncio respondeu. Não, não o silêncio , um barulho ecoou no apartamento, arrepiando os pelos da nuca de Piper . Como alguma coisa sendo derrubada , um objeto pesado atingindo o chão com uma batida forte. A batida foi seguida por um barulho arrastado e vinha em direção ao quarto. Com o estômago contraindo de pavor, Piper  se levantou e virou-se de costas lentamente.

Por um instante, ela pensou que a entrada estava vazia, e sentiu uma onda de alívio. Em seguida olhou para baixo.

Estava agachada no chão, uma criatura longa e escamada com um conjunto de olhos pretos vazios no centro do crânio. Alguma coisa entre um cruzamento de jacaré com centopeia, com um focinho grosso e liso e uma cauda peluda que balançava perigosamente de um lado para o outro. Pernas múltiplas se ajeitavam sob o corpo enquanto este se preparava para saltar.

Um berro partiu da garganta de Piper.  Ela cambaleou para trás, escorregou e caiu, bem na hora em que a criatura atacou-a. Ela rolou para o lado, e não foi atingida por poucos centímetros, deslizando pelo chão de madeira, suas garras escavando estrias profundas no piso. Um rosnado baixo partiu da garganta da criatura.

Ela se levantou de qualquer jeito e saiu correndo para o corredor, mas a coisa era rápida demais para ela. Pulou mais uma vez, aterrissando exatamente acima da porta, onde ficou pendurada como uma aranha maligna gigante, encarando-a com um conjunto de olhos. 

A mandíbula se abria lentamente, exibindo uma fileira de dentes afiados dos quais pingava saliva esverdeada. Uma longa língua preta tremeluzia enquanto murmurava e sibilava. Para seu verdadeiro horror, Piper  percebeu que os ruídos que emitia eram palavras.

— Menina — sibilou. — Carne. Sangue. Comer, ah, comer.

Começou a deslizar lentamente pela parede. Uma parte de Piper havia ultrapassado o terror e chegado a um estado de paralisação congelada. A coisa estava de pé agora, arrastando-se em direção a ela. 

Chegando para trás, ela pegou um porta-retrato na escrivaninha ao lado dela , ela, a mãe e Bill,  em Coney Island, prestes a entrar nos carrinhos bate-bate, e atirou contra o monstro.

A foto atingiu o centro da criatura e depois caiu no chão, com o barulho de vidro quebrando. O bicho não pareceu notar. Veio em direção a ela, com os pedaços de vidro quebrado sob os pés.

— Ossos, quebrar, sugar a medula, beber as veias...

Piper bateu com as costas na parede. Não tinha mais para onde recuar. Ela sentiu um movimento no quadril e quase saltou para fora da própria pele. O bolso. Colocando a mão dentro dele, retirou o objeto de plástico que pegara de Alex . 

O Sensor estava tremendo, como um telefone celular programado para vibrar. O material duro chegava a machucar a palma da mão dela de tão quente. Ela fechou a mão em torno do Sensor enquanto a criatura saltou.

O bicho se lançou violentamente contra ela, derrubando-a no chão, e sua cabeça e ombros bateram no chão. Ela girou para o lado, mas a coisa era pesada demais. Estava em cima dela, um peso opressivo e viscoso que fazia com que ela quisesse vomitar.

— Comer, comer — gemia. — Mas não é permitido engolir, saborear.

O hálito quente no rosto de Piper  tinha cheiro de sangue. Ela não conseguia respirar.

Parecia que suas costelas iam quebrar. Ela estava com o braço preso entre o próprio corpo e o do monstro, o Sensor cavando a palma da mão. Ela girou, tentando libertar a mão.

— Kubra nunca vai ficar sabendo. Ele não falou nada sobre nenhuma garota. kubra não ficará irado. — Sua boca sem lábios se movimentava e, enquanto as mandíbulas abriam lentamente, uma onda de mau hálito vinha quente em seu rosto.

Piper libertou a mão. Com um grito, ela bateu na criatura, querendo esmagá-la, cegá-la.

Ela já tinha quase esquecido do Sensor. Enquanto a criatura tentava atacá-la no rosto, com a boca amplamente aberta, ela enfiou o Sensor entre os dentes do monstro e sentiu uma saliva quente e ácida no pulso, e gotas ferventes pingarem na pele exposta do rosto e da garganta de Piper . Como se estivesse distante dali, podia se ouvir gritando.

Parecendo quase surpresa, a criatura recuou, com o Sensor alojado entre dois dentes.

Rugiu, um barulho espesso e raivoso, e jogou a cabeça para trás. Piper a viu engolir, percebeu o movimento da garganta. Sou a próxima, ela pensou, em pânico. Sou...

De repente, a criatura começou a estremecer. Com espasmos incontroláveis, se afastou de Piper e rolou sobre as próprias costas, múltiplas pernas chutando o ar. Líquido preto vazou da boca do monstro.

Quase sem fôlego, Piper  rolou e começou a se afastar da coisa também. Ela já havia praticamente alcançado a porta quando ouviu algo assobiar pelo ar próximo à sua cabeça. 

Ela tentou desviar, mas era tarde demais. Um objeto bateu forte na parte de trás da cabeça, e ela sucumbiu, entregue à escuridão.

A luz agrediu as pálpebras de Piper,  azul, branca e vermelha. Havia um barulho agudo e de lamentação, subindo de tom como o grito de uma criança aterrorizada. Piper engasgou-se e abriu os olhos.

Ela estava deitada sobre o gramado frio e úmido. O céu noturno ondulava-se acima, o brilho metálico das estrelas ofuscado pelas luzes da cidade. Alex estava ajoelhado a seu lado as algemas prateadas nos pulsos dela emitiam faíscas de luz enquanto ela rasgava o pedaço de tecido que segurava.

— Não se mexa.

Os lamentos ameaçavam cortar as orelhas dela ao meio. Piper girou a cabeça para o lado, desobedientemente, e foi recompensada com uma pontada aguda de dor nas costas. Ela estava deitada sobre uma grama atrás da roseira cuidadosamente cultivada de Carol . 

A vegetação escondia parcialmente a vista da rua, onde um carro de polícia, com a sirene azul e branca piscando, estava parado no meio-fio, com a sirene tocando. Um pequeno grupo de vizinhos já havia se aglomerado, encarando enquanto a porta do carro se abria e dois policiais de uniforme azul emergiam.

A polícia. Ela tentou sentar, e não conseguiu, os dedos tremiam na terra úmida.

— Eu disse para não se mexer — sibilou Alex — Aquele demônio Ravener te acertou na  nuca. Ele já estava semimorto, então não provocou um dano grave, mas temos que levá-la ao Instituto. Fique parada.

— Aquela coisa, o monstro, ele falava. —Piper  se mexia incontrolavelmente.

— Você já ouviu um demônio falar antes. — As mãos de Alex  eram delicadas enquanto ela colocava a tira de pano sob o pescoço de Piper  e amarrava. Estava embebido com alguma coisa que parecia cera, como o material de jardinagem que Carol  utilizava para manter macias as mãos que abusavam de tinta e de aguarrás.

— O demônio no Pandemônio parecia uma pessoa.

— Era um demônio Espectro. Capaz de mudar a forma. Raveners são daquele jeito mesmo. Nada atraentes, mas são burros demais para se importar com isso.

— Ele dizia que ia me comer.

— Mas não comeu. Você o matou. — Alex concluiu o curativo e sentou-se.

Para alívio de Piper,  a dor na nuca havia passado. Ela conseguiu sentar.

— A polícia está aqui — A voz dela soou como o coaxar de um sapo. — Nós deveríamos...

— Não há nada que possam fazer. Alguém deve ter ouvido os seus gritos e os chamou. Aposto que não são policiais de verdade. Os demônios têm uma maneira de esconder os próprios rastros.

— Minha mãe — Piper  disse, forçando as palavras através da garganta inchada.

— Há veneno de Ravener passando por suas veias neste exato instante. Você vai morrer dentro de uma hora se não vier comigo. — Ela se levantou e esticou a mão para piper ,que  aceitou ,e a morena  a levantou com um puxão. — Vamos.

O mundo estremeceu. Alex  pôs a mão nas costas dela, segurando-a firme. Ela cheirava a sujeira, sangue e metal.

— Você consegue andar?

— Acho que sim. — Ela olhou através dos arbustos densos. Conseguia ver a polícia se aproximando. Um dos oficiais, uma mulher loura e magra, trazia uma lanterna em uma das mãos. 

Ao levantá-la, Clary viu que a mão não tinha carne, era uma mão esquelética afiada nas pontas dos dedos. — A mão dela...

— Eu disse que poderiam ser demônios — Alex  olhou para o fundo da casa. — Temos que sair daqui. Dá para ir pelo beco?

Piper  balançou a cabeça.

— É sem saída. Não tem como... — As palavras dela se dissolveram numa tosse. Ela levantou a mão para cobrir a boca. Voltou vermelha. Ela gemeu.

A morena  agarrou o pulso de Piper , girando-o para que a parte branca e vulnerável do antebraço ficasse nua sob a luz da lua. Traços de veias azuladas mapeavam o interior da pele da menina, trazendo sangue envenenado para seu coração e seu cérebro. Piper  sentiu os joelhos curvarem.

Havia algo na mão de Alex , algo afiado e prateado. Ela tentou libertar a própria mão, mas o punho da outra  era forte demais: ela sentiu uma picada forte na pele. Quando Alex  a soltou, ela viu um símbolo preto tatuado, como aqueles que cobriam a pele de alex , logo abaixo da dobra do próprio pulso. Parecia um aglomerado de círculos sobrepostos.

— O que exatamente isso faz?

— Vai esconder. — ela disse. — Temporariamente. — Ela colocou de volta no cinto a coisa que Piper  pensara que era uma faca. Era um cilindro longo e luminoso, da grossura de um dedo indicador, e afunilado na ponta. — Minha estela — ela disse.

Piper não perguntou o que era aquilo. Ela estava ocupada tentando não cair. O chão estava pesando seus joelhos.

— Alex  — ela disse, e caiu sobre a morena . Ela a segurou, como se estivesse acostumado a segurar garotas desmaiando, como se fizesse isso todos os dias. E talvez fosse esse o caso.

El a tomou nos braços, dizendo alguma coisa em seu ouvido que soava como Pacto. Piper  esticou a cabeça para trás para olhar para ela, mas só viu as estrelas espalhadas no céu acima.

Depois a base de tudo caiu, e mesmo os braços de Alex  não bastavam para impedir que ela caísse.


Notas Finais


Bjus de luz
Até o próximo
😘


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