História Cidade Estrelada - Capítulo 8


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Categorias Girls' Generation, Neo Culture Technology (NCT), Red Velvet
Personagens Irene, Joy, Lucas, Mark, Seulgi, Sunny, Tiffany, Wendy, Yeri
Tags Ansiedade, Arte, Depressão, Drama, Fotografia, Irene, Joohyun, Musica, Rede Velvet, Seulgi, Seulrene, Superação, Toc, Wendy
Visualizações 149
Palavras 4.219
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi rsrsrs

Capítulo 8 - VIII - "Todo amor é amor próprio"


Fanfic / Fanfiction Cidade Estrelada - Capítulo 8 - VIII - "Todo amor é amor próprio"

Joohyun. 

     Pela primeira vez em anos, não sabia o que fazer. Sentia-se perdida nos fatos prematuros que rodeavam sua cabeça. Perguntava-se o porquê, mas em resposta, mais pontos de interrogações lhe apertava os pensamentos. Tentou falar com algum dos policiais e tudo que recebeu em troca foi o tão torturador silêncio. Seu peito doía por ver o pânico estampado nos olhos daquela de quem tinha grandes e puros sentimentos, queria apenas a abraçar até toda a dor ser transferida para o seu peito, pois sabia que seria capaz de suportar um pouco mais do seu limite de dor interna suportava.

      Saiu da casa dos Kang o mais rápido que pôde com uma bicicleta, que achou esquecida no quintal da residência, seu maior objetivo era ir à direção da delegacia mais próxima e tentar entender um pouco do que estava acontecendo. Mas não foi isso que fez.

     Nos últimos anos, vinha lutando para construir uma ponte ao invés de um simples e aterrorizante murro, mas sentia que a qualquer momento as rachaduras adquiridas no decorrer do tempo iam cada vez se tornando mais propensa a desabar. Embora sempre parecesse ser uma jovem alegre e animada, assim como todo ser humano Joohyun sofria com seus demônios, que insistiam em lhe aterrorizar.

      Assim que conheceu a mais nova, viu uma luz que poderia ser o suficiente para afastar toda a escuridão que existia desconhecida aos olhos das pessoas, dentro de si. Mesmo sendo duas jovens com dores semelhantes, ainda conseguiam fazer uma á outra feliz. Poderia se considerar uma pessoa feliz ao lado da Kang. Nada era passageiro, tudo era duradouro até o último momento, no momento da despedida, mas tudo voltava ao normal ao se lembrar de que no outro dia iriam se vê.

       Mesmo sendo uma menina inteligente e muitas vezes desenrolada, Joohyun desistiu de passar na delegacia, não iria se precipitar, iria com calma. Como sempre dizia: uma obra só era considerada perfeita ao ser produzida com calma e paciência. O caminho até sua casa parecia ser sem fim, á lanchonete parecia distante, a pracinha que as crianças e muitos adultos passavam as tardes parecia que não existia, já que nunca parecia passar por ela. Tudo estava confuso e embaraçoso.

     Quando avistou o carro do seu irmão parado frente a sua casa, pôde, finalmente, respirar um pouco mais aliviada. Estava com pressa para ter uma conversa com o novo advogado da família, mesmo sendo seu irmão mais velho, ainda poderia arrumar um trabalho de meio período e poderia pagar o moço só para defender a garota de cabelos ruivos, faria de tudo por ela, sabia que ela era sua fonte de sorrisos sinceros e a cura para seus dias difíceis e por saber que Seulgi nunca faria mal a ninguém.

     Jogou a bicicleta em um lugar qualquer do gramado esverdeado e correu até a porta, abrindo-a e jogando a mochila em algum lugar no chão próximo ao sofá. Encontrou o Bae mais velho com um semblante preocupado ao celular. Andava de um lado para o outro esperando a ligação ser encerrada, pois sabia que o irmão tinha lutado para está onde estava e sabia que aquela ligação era importante, sem contar que para si, interromper a conversa, era falta de educação, então permaneceu calada até a ligação ser encerrada.

     - Ok Senhora Kim – Joohyuk pegou o paletó em cima da mesinha de centro e caminhou até a porta, procurando a chave em um chaveiro amontoado – em cinco minutos chego ai.

     - Oppa – Joohyun correu até o irmão, ficando frente á porta, estava nervosa, sentindo suas mãos soarem em contato com a madeira – eu preciso da sua ajuda como advogado.

      - Podemos conversar assim que eu chegar? – perguntou um pouco triste, odiava deixar sua irmã na mão, mas Joohyun conseguia entender a vida corrida que o advogado tinha – ou se você quiser pode me enviar mensagens, estou indo resolver um problema com a filha de uma cliente, eu posso ler em um momento mais livre.

     Apenas confirmou com a cabeça a sugestão que tinha sido proposta, não adiantaria muito discutir e nem insistir para que o mais velho cedesse um pouco do seu tempo, conhecia o irmão á tempo suficiente para saber que ele não desmarcaria com uma cliente para tirar duvidas da irmã, como já tinha feito muitas vezes. Pensou que poderia mandar mensagens mesmo, porque não? Estavam na era digital, afinal.

     Passou as mãos nos fios roxos e respirou fundo como se estivesse tentando acalmar os nervos aflorados. Era muita coisa acontecendo inesperadamente para uma cabeça só. Sabia que o momento ali não estava sendo um dos melhores, mas clamava por um banho demorado e de preferencia de água fria, onde poderia sentir seus músculos relaxarem um pouco.

     Olhou escada acima e sentiu seu peito doer vendo uma foto da família reunida na parede, muitas vezes se pegava imaginando como seria ter uma família completa, com almoços alegres dia de domingo e uma mãe reclamando da toalha molhada jogada em cima da cama. Sentia-se culpada por descarregas todas as energias do Joohyuk, mesmo fazendo de tudo para ajuda-lo como, por exemplo: ajudando nas despesas da casa, ajudando-o a cozinhar ou arrumar toda a bagunça que seu pai insistia em fazer, principalmente quando chegava bêbado em casa.

     Mesmo ainda estando claro lá fora, o corredor de cima encontrava-se escuro devido á janela e cortina fechadas, toda aquela escuridão acabou lhe trazendo uma sensação ruim que deveria ignorar, mas, infelizmente, acabava a consumindo ainda mais.

     Antes de adentrar o seu quarto, ouviu algum resmungo vindo de um dos quartos, mas especificamente do quarto frente ao seu e, por um momento, nem se importou. Poderia ser a televisão ligada em um dorama qualquer, mas acabou por rever seus pensamentos quando os resmungos e fungadas passaram a ficarem mais altos. Largou a maçaneta e virou-se para a porta da frente, era o quarto do seu irmão, normalmente seu primo mais novo passava horas trancado lá dentro, mas tinha a absoluta certeza de quem estava ali dentro não era o garoto. Encarou a porta com receio, no fundo tinha medo do que poderia ver, mas gostava de imaginar que fosse seu primo chorando por ter perdido o jogo, como já tinha visto diversas vezes.

     Sem ao menos perceber o que fazia, caminhou em passos curtos até a porta, tocando na madeira com cuidado, empurrando aos poucos e sem perceber, apertava os olhinhos enquanto o seu peito enchia de medo. Quando a porta foi aberta silenciosamente, seus olhos caíram sobre um homem magro e calvo, parecia vivo por fora, porém morto por dento. O cômodo estava bagunçado com fotos e folhas com lembranças antigas espalhadas pelo chão de madeira. Por um momento sentiu como se estivesse esquecido como se respirava ao ver o homem tão conhecido por si ajoelhado no chão frio, abraçado a algo que mais parecia um porta retrato. Não moveu um dedo, a cena a sua frente a fez congelar e vários porquês rodeavam a sua mente, que até alguns momentos atrás, estava tentando descobrir um jeito para se organizar. Sentiu seu peito doer ao encontrar com os olhos vermelhos e inchados do pai. Conseguia absorver o mínimo da dor que aqueles olhos sofridos expeliam. O homem estava ofegante ao observar a imagem congelada da filha, que tentava não deixar as lágrimas darem as caras naquele momento tão confuso.

      - Papai?    

     Sua voz tinha saído falha e sofrida, era difícil processar o que via a sua frente. Era difícil reconhecer a angustia que envolvia seu peito e rodeava o local, naquele momento. Nunca tinha visto algo daquele jeito, embora sempre cuidasse do mais velho quando o mesmo chegava a casa embriagado e gritando o nome da mulher que tinha amado por toda a sua vida. Joohyun sabia que seu pai amava sua mãe com toda a sua alma e tinha a absoluta certeza que seu pai sofria com a ausência da esposa todos os dias. Assim como ela mesmo sofria.

     Era tão normal e difícil ao mesmo tempo para si sair do quarto correndo preocupada deixando todos os seus materiais de estudo para trás quando ouvia a porta principal da casa ser aberta com violência e logo em seguida ouvir os chamados de ajuda do seu irmão. Mesmo quase sem forças, ela jogava o velho pai sobre suas costas e com muita dificuldade, o levava escada acima, em direção ao banheiro, onde o banhava com água fria na tentativa da embriaguez sair um pouco, o esquentava com leite quente e chá e até tentava usar palavras doces, como forma de conforto. Estava tão cansada de tudo aquilo, estava tão cansada de perder as pessoas que amava que não se importava em se perder um pouco em troca de poder salva-las.

     Foi com um alto fungado, acompanhado de um choro de desespero vindos do senhor seu pai, que acabou entrando definitivamente no quarto bagunçado e o abraçando, sentindo logo em seguida o mais velho envolver o seu corpo com os braços e as lágrimas molhando sua blusa de flanela. Não se importava muito com a posição ajoelhada que se encontrava e de como suas costas curvadas doíam, apenas abraçava o pai e ouvia todo o desabafo em forma de um choro sufocante e angustiado. Depois de uns longos tempos abraçados, o mais velho se soltou da filha e enxugou os olhos cansados com a manga longa da camisa social amassada, e foi com aquele ato repentino, que Joohyun percebeu a foto em família no porta retrato do vidro rachado que seu pai estava agarrado.

     Pegou a foto com cautela e observou os rostos familiares gravados ali. A foto antiga parecia ter sido tirada em um momento feliz já que a sua mãe olhava com os olhos brilhando para o pequeno pacotinho em seus braços e o seu velho pai - que naquele tempo era tão bonito quanto agora, a diferença era a fase madura que tinha lhe pegado de jeito -, acompanhava a sua mãe com um grande sorriso estampado no rosto. Voltou o seu olhar para o seu pai, que mantinha os olhos para baixo enquanto lágrimas silenciosas escorriam pelo rosto maduro, dessa vez, chorou sem os braços da filha que lhe trazia conforto.

     Com as mãos trêmulas, Joohyun virou o porta retrato, destacando a parte de traz e trazendo a tona a foto. Atrás da fotografia viu algo que lhe pegou de surpreso: 1988. No começo, achava que a criança nos braças da falecida mãe não passava do seu irmão mais velho, mas ao observar novamente a data, percebeu que o ano de nascimento do Joohyuk era um ano mais tarde, em 1989.

     - O nome dela era Bae Soohyun – a voz do seu pai se fez presente depois de um tempo em silêncio – ela morreu depois de um pouco mais de um mês de nascida. Sua mãe que tinha escolhido o nome dela – Joohyun até tentou falar algo, mas foi interrompida logo em seguida – eu imagino que esteja curiosa para saber o que aconteceu.

     Seu pai deixou uma lágrima escorrer pelo rosto já marcado por lágrimas antigas, o corpo velho e cansado tinha cheiro de derrota e uísque barato. Pela primeira vez no dia, a filha apoiou sua mão no ombro do pai como se fosse um conforto e deu um sorriso quebrado.

    - Tudo bem, pai – disse serena, porque no fundo realmente estava com medo de ouvir a verdade, porque a verdade sempre tinha que ser tão dura? – tudo bem em não contar se não quiser. Vamos tomar um banho para aliviar um pouco.

     Joohyun chegou a se levantar e esticar o braço para o Bae mais velho, que aceitou, mas invés de se levantar, apenas puxou a filha novamente para o chão, pegando o mais novo de surpresa.  

     - Eu preciso lhe contar toda a verdade.

     - E a Joohyuk Oppa? – perguntou preocupada – você não vai conta-lo?

     - Ele já sabe de uma parte e tenho certeza que ele vai compreender mais tarde – o homem disse confiante e cansado vendo a filha concordar com a cabeça. Pegou a foto e sorriu triste, como se olhando a velha recordação, a saudade invadisse ainda mais o peito, junto com lembranças felizes – Nós nos casamos em 1985 e o sonho da sua mãe, assim como o meu, sempre foi ter filhos e poder formar uma família grande e feliz. Nós lutamos durante anos e até um momento não pensávamos em desistir, mas com o tempo as tentativas foram diminuindo, assim como a esperança. Depois de quase três anos, recebemos a noticia de que seriamos pais, então foi uma festa, eu nunca tinha visto ela tão feliz em toda a minha vida! Ela não parava de falar o quanto o bebê iria ser bem recebido e muito amado. - o senhor Bae sorriu com as lembranças – quando a Soohyun nasceu não tínhamos nenhum tipo de experiência com crianças e conforme os dias iam passando, nós íamos adquirindo alguma experiência, o mínimo que fosse.

     Todas aquelas palavras traziam um grande efeito para a filha, mas Joohyun compreendia o pai. Sabia o quanto era difícil para o mais velho conviver com a ausência, e se ele não havia falado nada, simplesmente era porque sentia que a hora não tinha chegado. Imaginou seu irmão ouvindo o que o seu pai lhe contava, não pode deixar de pensar na fúria nos olhos do irmão, não sabia qual tinha sido a reação do mais velho, mas tinha uma noção da explosão de sentimentos.

      - Por quase não termos experiências, sempre era uma luta a hora de amamentar a criança e tudo o que mais temíamos aconteceu – o homem limpou as lágrimas que insistiam em molhar a face enrugada e suspirou – ela acabou se sufocando com o leite e acabou por morrer nos braços da mãe. Ela sempre se culpava, todos os dias.

     Joohyun não sabia o que fazer e muito menos se deveria falar alguma coisa. Sua cabeça estava responsável por absorver todas as informações, mas parecia que ela tinha parado e tudo o que vinha absorvendo era apenas uma loucura irreal. Sentia-se paralisada ao ouvir as palavras que saia da boca do pai. Sem reação, optou por apenas ouvir e tentar absorver todas as informações necessárias.

     - Um ano depois, o Joohyuk nasceu e sua mãe entrou em uma depressão e demorou uns bons cinco anos para se considerar uma pessoa que superou esse grande mal. E nesse período de depressão ela meio que largou o seu irmão e eu me virei sozinho para cria-lo, no começo o Joohyuk não entendia o porquê de ter sido largado pela mãe, mas seu irmão é um homem inteligente. – comentou sorrindo, mesmo não havendo graça alguma - Mas graças ao nosso bom Deus, sua mãe acolheu o Joohyuk em seus braços. Depois de três anos do acolhimento, você nasceu e ela recaiu novamente. – não pode deixar de sentir a culpa lhe invadir, sabia que não deveria ser precipitada, mas era inevitável não se sentir triste perante a frase incompleta do pai, e o mesmo pareceu perceber o semblante caído da filha - Por favor, Joohyun, compreenda o que eu quero dizer e não pense prematuro.

     Aquilo lhe corroeu o peito, na sua cabeça sentia-se a maior culpada pelo óbito da mãe e se pegou chorando pela primeira vez no dia, e as lágrimas lhe traziam sensação de leveza, estava ouvindo as respostas para anos de perguntas. Seu pai a abraçou e fazia carinho em seus fios. Um abraço forte e sincero, um abraço aconchegante, abraço que nunca mais receberia vindo de uma mãe.

      - Ela te amava mais que tudo nessa vida, minha filha. Mas o fato de ser menina a fazia se lembrar da nossa pequena SooHyun – o homem soltou a filho para lhe entregar um pedaço de um papel muito conhecido pelo mais nova – a carta que sua mãe lhe deixou.

     - Eu sei - disse pegando o papel – estava nas minhas coisas.

     - Desculpe invadir sua privacidade, Joohyun, mas eu precisava reler aquelas palavras.

     Joohyun estava compreendendo tudo e de forma calma, mesmo que sua cabeça estivesse em uma extrema confusão. Abriu o papel e percorreu com os olhos a caligrafia bem feita da mãe, depois de respirar fundo, tomou coragem para reler as tão conhecida palavras.  

 

  Coréia do Sul, 29 de setembro.  

     Querida Joohyunie.

      Aqui é a mamãe, antes de qualquer coisa, saiba que eu te amei, eu te amei mais do que eu poderia me amar. Você ainda é tão jovem, com um grande futuro. Você é tão linda, filha, tanto por fora, quanto por dentro. Vejo o quanto é criativa, como consegue desenhar prédios e casas, sei do seu potencial para criação. Você é uma ótima pintora, gosto de ver o que sente transmitido através da arte. Adoro-te ver criando castelos de areia ou com bloquinhos de plástico. Você é o meu grande orgulho. Sei que vai conseguir criar uma grande família e sei que vai ser amada pela pessoa que você escolher passar o resto da vida junto. Eu gostaria de ver o seu crescimento de pertinho, mas prometo que daqui do céu, junto com papai do céu, eu irei acompanhar seus passos e torcer pela sua conquista. Desculpa por isso filha. Desculpa por te deixar crescer sozinha, sem o calor de uma mãe. Mas estarei em seu peito, dentro do seu coração. Quando estiver com medo, toque piano. Pinte. Ouça uma música. Eu estarei com você, sempre.

     Joohyun, chega um momento na vida de algumas pessoas, na qual a única saída é aquela que proporciona alivio e desconforto. Imagino o desconforto dentro do seu peito, perdoa a Omma, sei que fui egoísta, mas eu precisava. Sei que você vai conseguir. Você é forte, não é? Você é a minha grande Heroína, não é? Mas é como Thomas Hobbes dizia: o homem é o lobo do próprio lobo.

     Agora, que tem uma noção do meu egoísmo, eu quero que saiba que penso, ou melhor, pensava em você, no seu bem-estar. Diferente de mim, eu quero que aprenda a sentir; quero que sinta o cheiro do mar, a textura do gelo, o sabor azedo do morango, o barulho do trânsito movimentado ou do campo vazio. Quero que sinta o prazer da felicidade e quero que sinta o sabor da tristeza também. O ser humano só consegue chegar á felicidade depois que aprende a passar pela tristeza. Quero que sinta de tudo um pouco. Não sentir nada é sinônimo de inexistência. E foi a ausência do sentir que eu partir. No meu último momento de vida, eu sentir medo, culpa, felicidade, dor, falta de ar, liberdade, euforia, prazer. Tudo que eu pouco sentir em tantos anos de vida. Dizem que é melhor sentir tudo do que não sentir nada, mas Joohyun, vai por mim, deixar para sentir tudo no último momento de vida não chega a ser tão prazeroso. Eu só quero que seja feliz.

     Eu não vou ser hipócrita, dizer que nunca sentir felicidade e que nunca sorrir sincero. Eu já fui feliz, eu já sorri sincero. Sorri sincero quando eu ouvir o primeiro: mamãe. Sentir-me a mulher mais feliz do mundo ao saber que tenho os melhores filhos do mundo. Eu era feliz por ter vocês. Eu sempre fui feliz ao lado dos três. E então, pode se perguntar: se você me amava tanto, porque partiu? Eu parti porque estaria mentindo pra mim mesma, Joohyun. Vocês era minha fonte de felicidade, mas, infelizmente, não era a razão pra permanecer viva. E as duas coisas acabam sendo diferentes uma da outra. Vocês tem a vida de vocês e iria chegar um momento na qual iriam partir. Todos os pássaros, quando aprendem a voar, deixam o ninho. E é como eu disse: eu era egoísta. Eu partir, mas continuo ao seu lado. Todos tem sua dor, e tem os motivos para ter essa dor, e tem a intensidade dessa dor. Eu tinha minha dor, tinha os motivos para ter essa dor, e tinha a intensidade dessa maldita dor!

     Ah Joohyunie, perdoa a mamãe e promete que vai crescer saudável. Promete que nunca vai desistir dos seus sonhos e que sempre vai correr atrás deles. Prometa que será feliz. Prometa que nunca vai desistir. Prometa cuidar do seu irmão. Cuide do seu pai também. Cuide de si mesmo. Ame a si mesmo.

     Estarei nas estrelas cuidando de você na terra. Joohyun, eu amo cada pedacinho seu. Eu amo todas as suas manias e seus defeitos. Amo cada detalhe seu. Eu te amo tanto. Eu amo você, Joohyunie.

Com amor,

Mamãe.

     Assim que terminou de ler, dobrou novamente o papel e guardou no bolso, assim que estava pronta para se levantar novamente, algo lhe chamou a atenção: outro pedaço de papel, dessa vez melado de sangue seco e antigo, perto de um dos diários de sua mãe. Esticou o braço e pegou o caderninho preto, abrindo onde o papel aparte estava. Reconheceu as palavras de uma aula de filosofia. As palavras de Friedrich Nietzsche escritas em um papel pela letra da mãe.

“Jamais alguém fez algo totalmente para os outros. Todo amor é amor próprio. Pense naqueles que você ama: cave profundamente e verá que não ama a eles; ama as sensações agradáveis que esse amor produz em você! Você ama o desejo, não o desejado.”

     Após reler aquela frase, que lembrava brevemente, se viu perdida e o seu pai tinha notado o olhar da filha.

     - Ela achava que Nietzsche era um cara sem noção, ás vezes – seu pai justificou – mas ela gostava dessas palavras e no fundo se identificava com elas. Eu sempre achei que sua mãe amava a sensação de ser mãe e não de ter filhos. – o homem mais velho apenas se levantou e colocou as mãos nos bolsos, vendo sua filha em choque com as informações - Eu vou tomar um banho, agora.

      Joohyun respirou fundo e olhou mais uma vez para o sorriso da mãe na foto; como sentia saudades daquele sorriso e daquela risada. Ela pouco se lembrava do transtorno, mas o que lembrava lhe atormentava até nos dias atuais. Lembrava-se de seu irmão com seus quinze anos cuidando de si e tentando explicar o que tinha acontecido de uma forma mais simples e menos assustadora, afinal, era apenas uma criança de sete anos que tinha visto a mãe morta no banheiro do quarto de casal.

     Flashback on.

     Joohyun estava ansiosa para o nascimento dos seus tão precisos pintinhos, tinha esperado por vinte e um dias, contados em um pequeno calendário feito a mão. Tinha ficado o dia todo no quintal, agachada próximo á galinha, vendo a ave um pouco incomodada com a aproximação da humana, mas ela nem ligava com as ameaças vindas da ave. Continuava ali esperando os seus mais novos amiguinhos nascerem e quando o primeiro nasceu e teve a oportunidade de pega-los sem ser picado pela galinha, abriu um sorriso de orelha a orelha e saiu correndo por dentro de casa chamando todo mundo para ver o pintinho que tinha nascido. Seu pai mostrava-se interessado e até conversaram sobre o novo amiguinho, dando dicas de como cuidar e até planejando construírem juntos um novo lar para os pintinhos. Embora estivesse entrando na tão insuportável fase da adolescência, Joohyuk deu total atenção á sua irmãzinha.

     - Oppa, você viu a mamãe? – perguntou sorridente, estava tão ansiosa para mostrar o pintinho para sua Omma e pedi ajuda a mulher para escolherem um nome, que até se esquecia de respirar – eu quero mostrar a ela!

       - Eu não sei onde ela está – disse sem tirar os olhos do pintinho adorável nas mãozinhas alvas e pequenas – acho que ela está no quarto.

      Joohyun saiu do quarto do irmão ainda eufórica, correu até o final do corredor e abriu a porta do quarto dos pais de supetão e seu sorriso morreu ao ver que sua mãe não estava ali. Caminhou devagar até o banheiro e abriu a porta, logo em seguida soltando um grito ao ver a mãe pendurada em uma corda com sangues em seus braços e pernas. Naquele dia, Joohyun tinha não só perdido sua tão preciosa mãe, como também o seu amiguinho que tinha caído no chão e batido o papo.

Flashback off.

     Soltou um soluço alto de choro e se encolheu toda, apertando seus joelhos contra o seu peito, sentindo as lágrimas atravessarem o jeans da calça e entrar em contato com seu joelho. Estava tão perdida que achou que poderia enlouquecer a qualquer momento. Seu peito doeu ao relembrar o tão terrível dia e doeu também por saber que a pessoa que gostava estava presa e no fundo, sabia que ela era inocente, por isso iria lutar até o último momento restante.

 

      - Joo, eu vou ajudar a sua amiga – Joohyuk tinha entrado no quarto e a abraçado forte, não sabia como o irmão estava sabendo do que tinha acontecido, mas não rejeitou o abraço, muito pelo contrario, aninhou-se nos braços quentinho, sentindo o seu peito doer e suas lágrimas escorrerem pelas bochechas já vermelhas – ela é inocente, joo! Eu sei que é! Eu vi a sinceridade naquele olhar. Eu vi os sentimentos dela, Joohyunie, eu vi, eu vi! Eu vou tira-la de lá, nem que seja a última coisa que eu faça na vida. Vou tira-la de lá por você e por ela! 


Notas Finais


ai gente pode arrochar o pau eu deixo, podem tacar pedra eu fui muito pau no cu com essa demora, mas o que importa é que eu voltei e eu peço perdão a vocês. e se tiver qualquer errinho, avisem ou ignorem porque eu tô tão desorientada que pôde ter passado alguma coisinha despercebida. é isso amorzinhos, fiquem bem, eu juro voltar logo.

07.01.18.


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