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História Cinco não é um número ímpar - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Parabéns aos fãs da nossa grande Umbrella Acadeym. A segunda temporada tá bombando!

Agora, sinto muito pela demora, mas aqui está o segundo capítulo! Espero que aproveitem tanto quanto eu gostei ao escrever esse lado de Cinco que cada vez torna-se mais canon.

Me digam, você estão gostando dos dimons deles? Ainda estou um pouco insegura sobres XD

Capítulo 2 - Oito é legal, mas Onze sempre foi mais engraçado


Fanfic / Fanfiction Cinco não é um número ímpar - Capítulo 2 - Oito é legal, mas Onze sempre foi mais engraçado

   Oito chega, trazendo consigo cálculos imprecisos e ideias impraticáveis. Pentagon, absolutamente, adora cada instante. Ela só não entendia como eles sempre terminavam assim.

 

—Os cálculos estavam errados —Ela cochichou no seu ouvido, agitando as penas brancas e negras.

 

   Five deu de ombros, desalojando ela, pois mesmo sem os cálculos corretos o pulo foi mais preciso do que seria se ele tivesse usado uma frase ou pensamento. A matemática, como está começando a descobrir, é lógica e precisa e consegue estabelecer uma ordem no mundo caótico que é o espaço. Com o conjunto de números certos ele pode pular distâncias maiores e em um tempo menor. Um bairro, uma cidade, um país. Ele poderá ir a qualquer lugar em questões de segundos! Tudo que ele precisava era…

 

—Não hesitar. Essa é a chave. Está ouvindo, Número Seis? Um de seus irmãos poderia ter morrido hoje por sua causa e tudo porque você estava recusando-se a usar O Horror —Seu pai falou por trás da mesa de seu escritório, como sempre. Seus olhos eram como chamas, queimando com algum tipo de raiva secreta que Pentagon não conseguia decifrar —não que ela se importe com o que o velho pense. "Humpf, pelo menos seu dimon era mais honesto que ele" —Para controlar esse poder você precisa ser forte, precisa forçá-lo para fora. Se você quiser que ninguém morra você precisa forçar todo o seu poder para fora e precisa fazer isso sem medo.

 

   Número Cinco não precisou olhar para Seis para saber que o garoto estaria tremendo, os ferimentos da missão ainda abertos e ainda jorrando sangue no piso aos seus pés. Os olhos úmidos e escuros, como se estivesse lutando contra o choro ou aterrando alguma coisa dentro dele. Algo pior e mais assustador. Pelo jeito que seu braço estava apertando o tecido sobre sua barriga —e também porque Hexagon não estava à vista, tendo se escondido no bolso do uniforme — Five podia apostar na segunda opção.

 

   Agora, em qualquer outro dia, como qualquer outro dia; eles deixariam a sala de seu pai com essa frase delicadamente pairando no ar, como se fosse um fato histórico que precisavam aprender para não falhar no próximo teste de história. Todos ficariam em silêncio até chegarem ao corredor que levava ao seus quartos e, depois de alguns segundos de exaustão constrangedora, Número Um lançaria mais um de seus comentários sem graça e cortante para Seis e Cinco voltaria para terminar seus cálculos imprecisos.

 

   Entretanto, esse não era qualquer dia normal, pois aquele sentimento sufocante estava de volta, pesando e arrastando-o para baixo. Fincando seus pés até que ele não tivesse energia para recuar para fora da sala com seus irmãos. Apenas para frente. Apenas para frente, Apenas para frente. Curvou seu corpo para que os olhos fitassem os de seu pai, alimentou suas veias com uma força invisível e jogou palavras afiadas em sua língua.

 

—Como você sabe? 

 

—Hã?

 

    Todos pararam imediatamente, os corpos tencionando como uma mola enquanto olhavam surpresos para ele. Francamente, até o próprio Cinco não tinha notado que Pentagon havia aberto o bico até que sua voz suave e dolorosamente doce retumbou pela sala pequena. Infelizmente, ele estava muito preso em seu estupor para impedir que ela continuasse.

 

     Felizmente, ele não queria impedi-la de continuar.

 

—Como você sabe o que Seis tem que fazer? Horror não é seu poder, você nem tem um poder para começar e vive nos dizendo o que devemos ou não fazer, como devemos ou não treinar. Faz parecer que você sabe mais do que qualquer um de nós, mas você é igual a Sete e mesmo assim continua sendo um de nós. Isso não é justo! Sete é tão importante quanto você! Seis deveria escolher se deveria usar seu poder! —A voz quebrou e rachou em alguns cantos, subiu demais em outros e terminou com um sussurro de desabafo —Se morremos não vai ser por causa de Seis. A culpa vai ser sua!

 

—…

 

     O silêncio baixou e Cinco ergueu a postura, combativo. De onde estava, no meio da sala, ele podia ver bem as expressões de horror de Um e Três; a admiração nos olhos de Dois, Quatro e Seis e a raiva na carranca fechada de Reginald Hargreeves. O único dali que não tinha número. O único que não se encaixava.

 

     De repente, Cinco não sentiu mais nenhuma culpa pelo que tinha feito e aceitou de bom grado as picadas das garras de coruja Taito, a forma que Penny mais tem usado hoje em dia.

 

—SAÍAM! AGORA! 

 

    O grito espalhou seus irmãos da mesma forma que o vento sopra as folhas empilhadas no quintal. Em menos de um minuto seus irmãos saíram silenciosamente, alguns poucos até lhe lançaram olhares preocupados antes que um aceno de asas de Pentagon os fizesse sair. Nenhum deles ficou. Estava tudo bem, porque Cinco não os queria aqui.

 

     Ele era melhor que eles. Ele pode lidar com seja lá o que for que seu pai esteja preparando para ele, mas seus irmãos eram frágeis. Ele pode quebrá-los. Ele vai machucá-los.

 

  Nenhum dos seus irmãos pode fazer o que é preciso, então ele fará, porque ele é melhor que seus irmãos. Melhor.

 

   Então, quando a porta se fechou com um barulho alto, puxando o garoto de volta a realidade, de volta ao pesadelo, ele estava rindo

 

◎━━━━━━◎.◈.◎━━━━━━◎

 

Onze é a idade que as descobertas começam a acontecer. O mundo se colore com a racionalidade e se estende com a imaginação. Nessa idade não há preocupações além de testar seus próprios limites e descobrir como as coisas ao seu redor podem ser afetadas por você. Cinco, por exemplo, estava agradavelmente surpreso ao descobrir que ele não era o único da família a ter algumas células celebrais. Dois parecia ter uma boa cabeça sobre os ombros e algumas ideias que eram, no mínimo, interessantes. Agora, como ele também estava começando a descobrir, o resto da sua família não era só cega, mas surda também para a infelicidade de sua sanidade.

 

    Um era muito denso, muito obtuso e leal —e Cinco tinha certeza que ele se fixará como um cachorro feio —ao seu velho pai. Três estava extremamente focada nela e no seu próprio dimon, Triangle, para prestar atenção em mais alguma coisa que não fosse sua própria voz. Cinco nunca conseguiu entender porque ela achava que as câmeras e toda aquela falsa atenção fosse tão boa. Era muito melhor quando eles não te vinham chegar, quando não te notavam, porque ai você poderia lutar ou escapar por baixo de suas pernas antes que pudessem sequer te notar. Era uma tática lógica. Sete deveria aproveitar, pois ser ignorada por seu velho e tolo pai era melhor do que passar horas sendo torturado e esmagado sobre seu olhar… bem, talvez tudo isso faça sentido para alguém e Cinco apenas não entenda suas irmãs… Ou melhor, talvez ele não entenda mulheres. Tudo bem, talvez ele só não entenda as pessoas em geral. Números são mais fáceis que sentimentos, afinal.

 

    Para finalizar seu irmão Quatro estava cada vez mais distante deles, seu dimon parecendo esconder algo sombrio e assustado em seus movimentos tensos e agressivos. Até parecia que estava ferido, embora isso também não fizesse sentido. Ferido de quê? Pelo menos Seis era previsível com seu medo do Horror, a pressão de controlá-lo subjugando-o diariamente. Não importa o quanto o menino mais novo tentasse consolá-lo depois de pesadelos, saltando para o quarto "acidentalmente", Seis nunca se acalmava, nunca o notava lá e, se alguma coisa, parecia que Hexagon ficava ainda mais agitada quando Pentagon se aproximava. Ela nunca vai admitir, mas Cinco sabe que ela a feriu assim. Não existe nada que machuque mais Pentagon que ser rejeitada por suas irmãs.

 

   Enfim, era frustrante e irritante que apenas cinco conseguia ouvir as sugestões gaguejantes de seu irmão. Cinco podia ser muitas coisas: cínico, egoísta, gênio, pragmático, insensível e teimoso, mas não paciente. Ninguém nunca o chamou de paciente e Cinco estava preste a demonstrar o porquê.

 

—Vocês já sabem o que fazer —Seu pai terminou em tom ativo, batendo a bengala no chão como um sinal de que eles deveriam se mexer. Número Cinco, entretanto, permaneceu em pé, do lado de fora do hotel em que os reféns estavam sendo mantidos.

 

—Eu acho…

 

—Agora não, Cinco.

 

—Eu acho... —Repetiu-se, como se não tivesse ouvido a advertência do velho —...que o Dois tem algo a dizer.

 

    O dito número, para seu crédito, apenas olhou com olhos arregalados para ele como se fosse um servo preso nos faróis. Pentagon, sendo a parte mais dócil dele, claro, deu um empurrão duro e encorajador na raposa vermelha que Cross havia escolhido para ser naquela manhã. A raposa trocou um olhar silencioso com o garoto latino antes de dar um passo à frente e orgulhosamente falar:

 

—Nós achamos que…

 

—Se o Número Dois tem algo a dizer então é ele que tem que falar, caso contrário estamos perdendo tempo —O velho bateu a bengala no chão mais uma vez e o réptil aos seus pés se agitou com raiva. A raposa calou-se assim que foi interrompida, seu pelo inchando de aborrecimento mal reprimido.

 

—E-e-eu, q-quero d-i-i-zer —Dois encontrou os olhos de Cinco que cruzou os braços e acenou com confiança —A-a-acho q-que Cin-co d-e-e-e-v-i-a…

 

—Fale de uma forma que todos nós entendamos ou não fale, Número Dois. Você só está nos fazendo perder tempo. Eu pensei que tinha ensinado você melhor do que isso, mas vejo que continua sendo um fracasso se não consegue ao menos falar.

 

    Oh, e ali estava. O garoto tinha até esquecido como era esquentar de dentro para fora, mãos apertando o tecido do antebraço, os dentes rangendo. Ele sabe que a próxima vez que abrir a boca será para falar alguma besteira, para fazer algo que não vai ter volta.

 

    Ele também sabe que não se arrependerá.

 

    Um é cego, Três é egoísta, Quatro está distante, Seis tem medo e Sete é ignorada. Cinco, porém, é melhor que eles. Melhor que todos eles, pois não é fraco, não pode se machucar como o resto. Apenas Cinco pode fazer o que tem que fazer.

 

    Ele não se arrependerá, porque é melhor.

 

—Talvez se o senhor o ouvisse ele poderia falar —Cinco disse, a voz fria como gelo —Dois observou muito sabiamente que é um desperdício mandar todos nós entrar. Peça que o resto vá guardar as possíveis rotas de fuga e deixe Dois e eu entrar. Eu posso saltar para coletar informação o suficiente para que Número Dois possa deformar a lâmina e acertar os alvos.

  

     Os três se entreolham depois da explosão enquanto que o resto mal parecia ter coragem para respirar. As penas de Penny incharam sob a atenção e ela bateu as asas de beija-flor para deixar a tensão escoar, pois, pela primeira vez em muito tempo, estava nervoso. Cinco arrastou seu irmão para essa conversa, colocou atenção desnecessária sobre eles, condenou-o ao castigo. Se acabar mal será sua culpa. Culpa dele. Culpa dele se seu irmão sofrer.

 

—Você tem razão —A voz áspera da fêmea de crocodilo cortou o ar, evitando efetivamente que o menino menor estragasse ainda mais. Penny nunca gostou tanto dela quanto gostava agora, embora ela, mesmo assim, ainda sinta a vontade costumeira de cravar suas garras —É um desperdiço e chamará muita atenção mandar Três, Dois e Seis. Dessa forma será um serviço mais simples e limpo. 

 

—Tudo bem —O velho grunhiu —Você ouviram, então se mexam. Número Cinco, espero encontrá-lo no meu escritório depois para sua punição. Eu não tolero insolência de nenhum tipo na minha casa! —A ansiedade substituiu toda a raiva e a adrenalina restante, deixando-o frio, entretanto toda a reação que o jovem expressou foi um aceno duro de cabeça e um sorriso fino —E Número Dois... —"Oh droga, droga, droga" —...muito bem.

 

  "Dro… es-espere… oquê?!"

 

      Nenhum dos irmãos pareciam acreditar no que estavam ouvindo, sobretudo o Um que parecia ter acabado de ser forçado a comer uma barata ou a meia favorita do Quatro.

 

     Quando seu pai se retirou para que começassem a se preparar para entrar, Cinco se viu trocando sorrisos com o latino-americano, totalmente esquecido da punição que o esperava em casa.

 

     Cross saltou sobre Pentagon como uma raposa, lambendo carinhosamente as penas coloridas, e imediatamente, um calor agradável estourou em seu vínculo.

 

     Cinco sorriu porque Dois estava contente. Orgulhoso. Alto.

 

     Um era cego, Três egoísta, Quatro distante, Seis medroso e Sete ignorado, mas Cinco era o gênio ambicioso; aquele que não se importava. Ninguém nunca o chamou de bom e gentil, porque ele não era.

 

     No entanto...

 

     No entanto foi Cinco que ouviu o Dois. Era Cinco quem se sentia quente. Era Cinco quem se sentia grande e tonto de alegria ao olhar para seu irmão mais velho/ mais novo. Era Cinco quem se sentia um herói pela primeira vez em um longo tempo.

 

     Era Cinco quem estava rindo, mas dessa vez ele não estava sozinho.


Notas Finais


Line = Linha
Cross = Cruz
Triangle = Triangulo
Square = Quadrado
Pentagon = Pentágono
Hexágono = Hexagon
Heptagon = Heptágono

O nome dos dimons listados. Eu decidi que eles seriam formas geométricas para combinar com os números, já que seu pai não daria um nome para eles até que estivessem maior —eu até pensei em colocar dias da semana, mas não existe mais dias além de sete e imaginei que Reginald, pelo menos no começo, ainda tinha a esperança de conseguir mais crianças.

Velho nojento :D


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