História Cinquenta Tons de Cinza - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Cinquenta Tons De Cinza, Taekook, Versão Taekook, Vkook, Yoonmin
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Palavras 5.227
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - To'rtta


Fanfic / Fanfiction Cinquenta Tons de Cinza - Capítulo 4 - To'rtta

Beije-me, droga! Imploro a ele, mas não consigo me mexer. Estou paralisado, com uma necessidade estranha e desconhecida, totalmente encantado por ele. Fito a boca de Kim Taehyung, extasiado, e ele está olhando para mim, as pálpebras caídas, os olhos ficando sombrios. Ele respira com mais força que o normal, enquanto eu paro de respirar completamente. Estou em seus braços. Beije-me, por favor. Ele fecha os olhos, respira fundo e balança de leve a cabeça, como se respondesse minha pergunta silenciosa. Quando torna a abrir os olhos, é com uma determinação, um firme propósito.

- Jeongguk, você deve ficar longe de mim. Eu não sou homem para você - Murmura.

O que? Por que ele diz isso? Com certeza quem deve decidir sou eu. Franzo a testa, atordoado com a rejeição.

- Respire, Jeongguk, respire. Vou levantá-lo e soltá-lo - diz ele com calma, e delicadamente me afasta.

A adrenalina percorre meu corpo, seja por ter escapado por um triz do ciclista, seja por estar tão próximo de Taehyung, e fico agitado e fraco. Não!, grita o meu inconsciente enquanto Kim se afasta, deixando-me desconsolado. Ele mantém as mãos em meus ombros, mas esta distante, observando minhas reações com cuidado. E só consigo pensar que queria ser beijado, deixei isso bastante óbvio, e ele não me beijou. Ele não me quer. Ele realmente não me quer. Estraguei nosso encontro de modo magnífico.

- Entendi - respiro, conseguindo falar - Obrigado - murmuro, coberto de humilhação. Como eu pude interpreta tão mal a situação entre nós? Preciso me afastar dele.

- Pelo quê? - Ele franze a testa. Não tirou as mãos de mim.

- Por me salvar - digo em voz baixa.

- Aquele idiota estava na contramão, ainda bem que eu estava aqui. Nem quero pensar no que poderia ter acontecido com você. Quer ir ao hotel e se sentar um pouco? - Ele me solta, deixando as mãos caírem ao lado do corpo, e fico parado na sua frente me sentindo um idiota.

Balançando a cabeça, clareio as idéias. Só quero ir embora. Todas as minhas esperanças vagas e desarticuladas foram destruídas. Ele não me quer. No que eu estava pensando? Eu me repreendo. O que Kim Taehyung ia querer com você? meu consciente zomba de mim. Envolvo-me com as o braços e, ao me virar para a rua, vejo com alívio que o homenzinho verde esta aceso. Atravesso depressa, consciente de que Kim está atrás de mim. Do lado de fora do hotel, viro-me rapidamente para encará-lo, mas não consigo olhar em seus olhos.

- Obrigado pelo chá e por posar para as fotos - murmuro.

- Jeongguk... eu... - Ele para, e, como a angústia em sua voz exige a minha atenção, olho de má vontade para ele. Seus olhos cinzentos estão tristes quando ele passa a mão pelo cabelo, ele parece dividido, frustado, a expressão fria, sem todo aquele cuidadoso controle.

- O quê, Taehyung? - Digo com irritação depois que ele não diz... nada.

Só quero ir embora. Preciso levar o meu frágil orgulho ferido e cuidar para que ele se recupere.

- Boa sorte nas provas - murmura ele.

Hã? É por isso que ele parece tão desolado? Está é a grande despedida? Só me desejar sorte nas provas?

- Obrigado - Não consigo disfarça o sarcasmo na voz - Até logo, Sr. Kim - Dou meia-volta, vagamente espantado por não tropeça, e, sem olhar de novo para ele, sumo na calçada em direção a garagem subterrânea.

Uma vez sob o concreto escuro e frio da garagem com uma triste luz florescente, encosto na parede e ponho as mãos na parede. No que eu estava pensando? Lágrimas espontâneas e inoportunas se acumulam em meus olhos. Por que estou chorando? Vou afundando no chão, irritado comigo mesmo por essa reação insensata. Levantando os joelhos, encolho-me todo. Quero me torna o menor possível. Talvez a dor absurda fique menor se eu diminuir. Encostando a cabeça nos joelhos, deixo as lágrimas caírem a vontade. Estou chorando pela perda de algo que nunca tive. Que ridículo. Chorar por algo que nunca existiu - minhas esperanças perdidas, meus sonhos perdidos e minhas espectativas destruídas.  

Nunca fui rejeitado. Tudo bem... sempre fui um dos últimos a serem escolhidos para o basquete ou o vôlei, mas eu entendia isso - correr fazendo outra coisa ao mesmo tempo, como pular ou jogar uma bola, não é a minha praia. Sou um sério estorvo em qualquer campo esportivo.

Romanticamente, porém, eu jamais me expus. Uma vida de insegurança - sou muito pálido, muito desleixado, muito descoordenado, minha linha de defeitos é longa. Sempre fui eu a repelir quaisquer possíveis admiradores. Houve aquela garota na aula de química que gostava de mim, mais ninguém jamais despertou meu interesse - ninguém exceto o filho da mãe do Kim Taehyung. Talvez eu devesse ser mais simpático com os homens, como Jisung Clayton e Seo Hyeon, embora tenha certeza que nenhum deles deles foi encontrado soluçando sozinho em um lugar escuro. Talvez eu só precise de uma boa choradeira.

Pare! Pare agora!, meu consciente parece gritar para mim de braços cruzados e batendo o pé de frustração. Entre no carro, vá para casa, estude. Esqueça-o... Agora! E chega essa porcaria de autopiedade lamuriosa.

Respiro fundo para me acalmar e me levanto. Controle-se, Jeon. Encaminho-me para o carro de Jimin, enxugando as lágrimas. Não vou pensar nele de novo. Posso simplesmente assumir este incidente como uma experiência positiva e me concentrar nas provas.


◉ ◊ ◉


Jimin está sentando à mesa de jantar diante do seu laptop quando chego. Seu sorriso acolhedor murcha quando ele me ver.

- Dongsaeng, o que houve?

Ah, não... sem inquisição de Park Jimin. Balanço a cabeça à maneira Park de pedir para ser deixado em paz. Mas é como se eu tivesse lidando com um cego, surdo e mudo.

- Você andou chorando - Ele tem um talento excepcional para afirmar o óbvio, as vezes - O que aquele filho da mãe fez com você? - Resmunga ele, com uma cara que, nossa, assusta.

- Nada, Jimin.

Na verdade o problema é esse. A idéia me faz ter um sorriso irônico.

- Então por que andou chorando? Você nunca chora - diz ele, num tom mais suave. Ele se levanta, os olhos castanhos cheios de preocupação, e me dá um abraço. Preciso dizer alguma coisa só para que ele me deixe em paz.

- Quase fui atropelado por um ciclista - É o melhor que consigo dizer, mas isso o distraí momentaneamente... dele.

- Nossa, Jeongguk, você está bem? Ficou machucado? - Ele faz um rápido exame visual em mim.

- Não. Taehyung me salvou - murmuro - Mas fiquei muito abalado.

- Imagino. Como foi o encontro? Sei que você odeia café.

- Tomei chá. Foi ótimo, nada para contar, de fato. Não sei por que ele me convidou.

- Ele gosta de você, Dongsaeng - Ele me larga para começar a dar pulinhos.

- Não gosta mais. Não vou encontrá-lo de novo - Sim. Começo a falar em um tom neutro.

- Como assim?

Droga. Ele está intrigado. Vou até a cozinha para ele não poder ver o meu rosto.

- Pois é... ele é muita areia para o meu caminhãozinho, Jimin - digo no tom mais seco que consigo.

- Como assim?

- Ah, Jimin. Isso é evidente - viro-me e o encaro ali parado na entrada da cozinha.

- Não concordo - Diz ele - Tudo bem, ele tem mais dinheiro que você, mas ele tem mais dinheiro que a maioria das pessoas!

- Jimin, ele é... - Dou de ombros.

- Jeongguk, pelo amor de Deus. Quantas vezes preciso repetir? Você é muito inocente - interrompe ele. Ah, não. Lá vem ele de novo com essa historia.

- Jimin, por favor. Preciso estudar - digo, cortando a conversa. Ele franze a testa.

- Quer ver o artigo? Está pronto. Hyeon fez fotos ótimas.

Será que preciso de um lembrete visual do lindo Kim Não Te Quero Taehyung?

- Claro.

Consigo a mágica de estampar um sorriso no rosto e vou até o laptop. E lá está ele, me olhando em preto e branco, encarando à mim e a meus defeitos.

Finjo ler o artigo, o tempo todo examinando aquele firme olhar cinzento, tentando encontrar na foto alguma pista que indique por que ele não é homem para mim - suas próprias palavras. E de repente está na cara. Ele é bonito demais. Somos diametralmente opostos e de dois mundos muito diferentes. Eu me imagino como Ícaro se aproximando demais do Sol e caindo na terra todo queimado em consequência disso. As palavras dele fazem sentido. Ele não é homem para mim. Foi o que ele quis dizer, e isso torna sua rejeição mais fácil de aceitar... um pouco. Não vou morrer por causa disso. Entendo.

- Muito bom, Jimin - consigo dizer - Vou estudar.

Prometo a mim mesmo que não vou pensar nele por ora e, abrindo minhas anotações de aula, começo a ler.


◉ ◊ ◉


Só quando estou na cama, tentando dormi, que deixo meus pensamentos irem à deriva por aquela manhã estranha. Fico me lembrando da frase não quero saber de namorada, e fico com raiva por já ter pescado essa informação antes de estar nos braços dele implorando mentalmente com todas as fibras do meu ser para que ele me beijasse. Ele disse isso com todas as letras. Não me quer como namorado. Viro-me de lado. Quase dormindo, me pergunto se ele é celibatário. Fecho os olhos e começo a adormecer. Talvez ele esteja se guardando. Bem, não para você. Meu inconsciente sonolento tenta me dar um golpe final antes de se soltar nos meus sonhos.

Nessa noite, sonho com olhos cinzentos e folhas desenhadas no leite, e que estou correndo por lugares escuros com uma iluminação assustadora, não sei se estou indo a algum lugar ou fugindo de alguma coisa... não está claro.

◉ ◊ ◉

Largo a caneta. Terminei. Minha prova final acabou. Um sorriso do gato de Alice se abre em meu rosto. Deve ser o primeiro sorriso que dou a semana toda. É sexta-feira e hoje à noite vai ter uma comemoração de verdade. Talvez eu até tome um porre! Nunca tomei um porre na vida. Olho para Jimin que está do outro lado da sala, e ele ainda está escrevendo furiosamente, faltando cinco minutos para o tempo acabar. Acabou, encerrei minha carreira acadêmica. Nunca mais vou me sentar de novo em fileiras de alunos aflitos. Dentro de mim, estou dando cambalhotas, sabendo muito bem que é só na minha cabeça que consigo dar cambalhotas graciosas. Jimin para de escrever larga a caneta. Olha pra mim, e vejo também nele o sorriso do gato de Alice.

Voltamos para casa na Mercedes, recusando-nos a discutir sobre a prova final. Jimin está mais preocupado com a roupa que vai vestir para ir ao bar hoje à noite. E eu procuro a chave na bolsa.

- Dongsaeng, tem um embrulho para você aqui.

Parado na escada que dá acesso à porta de entrada, Jimin segura um pacote embrulhado em papel pardo. Estranho. Não encomendei nada na Amazon nos últimos dias. Jimin me dá o embrulho e pega as minhas chaves para abrir a porta. O pacote está endereçado ao Sr. Jeon Jeongguk. Não tem endereço nem nome do remetente. Talvez seja da minha mãe ou do Ray.

- Deve ser dos meus pais.

- Abra!

Jimin entra na cozinha empolgado para comemorarmos com champanhe o fim das provas.

Abro o embrulho e encontro uma caixa de couro contendo três livros antigos aparentemente idênticos, encadernados com tecido e em perfeito estado, e um cartão branco simples. De um dos lados, em tinta preta numa bela letra cursiva, está escrito:

Por que não me disse que havia perigo? Por que não me avisou? As senhoras sabem do que se proteger, por que lêem romances que lhes ensinam sobre esses truques...

Reconheço a citação de Tess. Estou estarrecido com a coincidência, já que acabei de passar três horas escrevendo sobre os romances de Thomas Hardy na minha prova final. Talvez não seja coincidência... talvez seja intencional. Examino os livros com atenção, Três volumes de Tess of the d'Urbervilles. Abro um dos livros. Na folha de rosto, em tipologia antiga, está escrito:

ʟօռɖʀɛs: ʝaċҡ ʀ. օʟɢօօɖ, ʍċɛʟօaɨռɛ aռɖ ċօ., 1891.

Puta merda - são as primeiras edições. Devem valer uma fortuna, e imediatamente sei quem os enviou. Jimin está ao meu lado olhando os livros. Pega o cartão.

- Primeiras edições - murmuro.

- Não! - Jimin arregala os olhos, incrédulo - Kim? - Concordo com a cabeça.

- Não consigo pensar em mais ninguém.

- O que esse cartão significa?

- Não tenho ideia. Acho que é um aviso. Francamente, ele continua me advertindo para ficar longe dele. Não sei por quê. Não é como se eu estivesse arrombando a porta dele - franzo a testa.

- Sei que você não quer falar dele, Jeongguk, mas ele está muito afim de você. Com ou sem advertências.

Não me permiti pensar em Kim Taehyung nessa última semana. Tudo bem... seus olhos cinzentos continuam me perseguindo em meus sonhos, e eu sei que vou levar um eternidade para expurgar do meu cérebro a sensação de seus braços me envolvendo e do seu perfume maravilhoso. Por que ele me mandou esses livros? Ele me disse que eu não era para ele.

- Encontrei uma primeira edição de Tess á venda em Nova York por quatorze mil dólares. Mas a sua está muito mais conservada. Deve ter custado bem mais - Jimin está consultando o seu grande amigo Google.

- Essa edição, Tess diz essas palavras para sua mãe depois que Alec d'Urberville tira a virgindade dela.

- Eu sei - reflete Jimin - O que ele está tentando dizer?

- Não sei e nem quero saber. Não posso aceitar esses livros. Vou devolver com outra citação desconcertante de alguma outra parte obscura do livro.

- O trecho em que Angel Clare diz: vá para a puta que pariu? - Pergunta Jimin com uma expressão totalmente impassível.

- É, esse trecho - Dou uma risada. Adoro Jimin. Ele é fiel e sempre me apoia. Torno a embalagem os livros e os deixo sobre a mesa de jantar. Jimin me entrega uma taça de champanhe.

- Ao fim das nossas provas e à vida nova em Seattle - ele brinca.

- Ao fim das nossas provas, à vida nova em Seattle e as excelentes resultados - Brindamos com nossas taças e bebemos.


◉ ◊ ◉


O bar está barulhento e agitado, e cheio de formados querendo ficar bêbados. Hyeon se junta a nós. Ainda falta um ano para ele se formar, mas está no clima de festa e nos ajuda a comemorar nossa liberdade recém-adquirida pagando uma jarra de margarita para todo mundo. No quinto copo, percebo que não é uma boa ideia depois do champanhe.

- E agora, Jeongguk? - Hyeon grita mais alto que o barulho.

- Jimin e eu vamos nos mudar para Seattle. Os pais dela compraram um apartamento lá para ela.

- Dios mío, vai levar uma vida de pobreza, então? - brinca ele - Mas você vai voltar para a minha exposição?

- Claro, Hyeon, eu não perderia isso por nada nesse mundo - Sorrio, e ele passa o braço em volta da minha cintura e me puxa mais para perto.

- É muito importante para mim que você esteja presente, Jeongguk - murmura ele no meu ouvido - Outra margarita?

- Seo Hyeon! Está tentando me embebedar? Porque está conseguindo - Eu rio - Acho melhor eu tomar uma cerveja. Vou buscar para a gente.

- Mas bebida, Jeongguk! - grita Jimin.

Jimin tem a resistência de um touro. Está pendurado em Doyun, um dos nossos colegas de inglês e seu fotógrafo a embriaguez que o cerca. Só tem olhos para Jimin. Eu faço mais o estilo All Star e camiseta, mas eu estou usando a calça jeans que mais me favorece. Desvencilho-me do abraço de Hyeon e me levanto da mesa.

Uau. Minha cabeça roda.

Tenho que agarrar o encosto da cadeira. Coquetéis á base de tequila não são uma boa ideia.

No caminho para o bar resolvo ir ao banheiro enquanto ainda estou em pé. Boa ideia, Jeongguk. Ando trôpego no meio da multidão. Claro, tem fila, mas pelo menos está calmo e fresco no corredor. Pego o celular para aliviar o tédio de espera. Humm... para quem eu liguei por último? Foi para Hyeon? Antes dele tem um numero que não reconheço. Ah, sim. Kim, acho que esse número é dele. Sorrio. Não sei que horas são, talvez eu o acorde. Talvez ele possa me dizer por que me mandou aqueles livros com a mensagem enigmática. Desmancho o sorriso embriagado e aperto a tecla "ligar". Ele atende no segundo toque.

- Jeongguk? - Está supreso com a minha lição. Bem, francamente, eu estou surpreso com minha decisão de ligar para ele. Então, meu cérebro atordoado registra... como ele sabe que sou eu?

- Porque me enviou oa livros? - pergunto com a voz enrolada.

- Jeongguk, você está bem? Está falando de um jeito estranho - A voz dele parece preocupada.

- O estranho não sou eu, é você.

Pronto, falei. Minha coragem alimenta pelo álcool.

- Jeongguk, você andou bebendo?

- O que você tem com isso?

- Estou... curioso. Onde você está?

- Num bar.

- Que bar? - Ele parece exasperado.

- Um bar em Portland.

- Como você vai para casa?

- Vou dar um jeito - Essa conversa não esta tomando o rumo que eu esperava.

- Em que bar você está?

- Por que me enviou os livros, Taehyung?

- Jeongguk, onde você está? Diga agora - O tom dele é muito... muito autoritário, aquela mania de controla de sempre. Imaginando-o como um diretor de cinema dos velhos tempos, usando calças de montaria, segurando um megafone antiquado e um chicote. A imagem me faz rir.

- Você é muito... Dominador - Dou uma risadinha.

- Guk, por favor, onde você está, porra? - Kim Taehyung falando um palavrão. Torno a rir.

- Estou em Portland... bem longe de Seattle.

- Onde em Portland?

- Boa noite, Taehyung.

- Guk!

Desligo. Rá! Se bem que ele não me falou dos livros. Franzo a testa. Missão não cumprida. Estou muito bêbado mesmo - minha cabeça gira enquanto me arrasto com a fila. Bem, o objetivo era tomar um porre. Consegui. Provavelmente uma experiência a não ser repetida. A fila andou, e agora é a minha vez. Olho inexpressivo para o cartaz atrás da porta do banheiro que exalta as virtudes do sexo seguro. Que droga, acabei de ligar para Kim Taehyung? Merda. Meu telefone toca e me assusta. Solto um grito de surpresa.

- Oi - Atendo timidamente. Não contava com isso.

- Estou indo buscar você - diz ele, e desliga. Só Kim Taehyung poderia soar tão calmo e ameaçador ao mesmo tempo.

- Cacete - Puxo as calças. Meu coração acelera. Vindo me buscar? Ah, não. Vou vomitar... não... estou bem. Aguente firme. Ele só quer te confundir. Eu não disse onde estava. Ele não pode me encontrar. Além do mais, levaria horas para vir de Seattle até aqui, e a essa altura já vamos ter ido embora há muito tempo. Lavo as mãos e me olho no espelho. Estou vermelho e ligeiramente fora foco. Humm... tequila.

Espero no bar pelo que parece uma eternidade pela caneca de cerveja e acabo voltando para a mesa.

- Você demorou muito - Jimin me repreende - Onde estava?

- Na fila do banheiro.

Hyeon e Doyun estão tendo uma de

discussão acalorada sobre o time local de beisebol. Hyeon para de falar a fim de servir cerveja para todo mundo, e eu bebo um bom gole

- Jimin, acho melhor ir lá pra fora tomar um pouco de ar.

- Dongsaeng, você é muito fraquinho.

- Volto em cinco minutos.

Torno a atravessar a multidão. Começo a ficar enjoado, a cabeça rodando, e estou um pouco desastrado. Um pouco mais que o normal. Beber no estacionamento, no ar frio da noite, dá a dimensão do quanto estou bêbado. Minha visão foi afetada, e estou realmente vendo tudo duplicado, como nos desenhos antigos de Tom e Jerry. Acho que vou vomitar. Por que me permiti ficar desse jeito?

- Jeongguk - Hyeon veio atrás de mim - Você está bem?

- Acho que bebi além da conta - Dou um sorriso sem graça para ele.

- Eu também - murmura ele, e me lança um olhar profundo com seus olhos escuros - Precisa de ajuda? - ele pergunta e chega mais perto, passando o braço em volta de mim.

- Hyeon, estou bem. Esta tudo sob controle - Tentei afastá-lo com delicadeza.

- Jeongguk, por favor - murmura, e agora está me abraçando e me puxando para ele.

- Hyeon, o que você está fazendo?

- Você sabe que gosto de você, Jeon, por favor - Ele tem uma das mãos na altura da minha cintura, segurando-me contra ele, e a outra no meu queixo, inclinando a cabeça pra trás. Puta merda... ele vai me beijar.

- Não, Hyeon, pare. Não - Dou um empurrão nele, mas ele é um muro de musculos, e não consigo movê-lo. Sua mão deslizou para o meu cabelo e ele está segurando minha cabeça.

- Por favor, Jeon, carino - sussura ele próximo aos meus labis. Seu hálito é suave e muito doce - cheira margarita e cerveja. Ele me beija delicadamente do queixo até o canto da boca. Estou apavorado, bêbado e sem controle. A sensação é sufocante.

- Hyeon, não - imploro.

Eu não quero isso. Você é meu amigo e eu acho que vou vomitar.

- Acho que o senhor disse não - uma voz baixa surge na escuridão.

Puta merda! Kim Taehyung está aqui. Como? Hyeon me larga.

- Kim - diz ele secamente. Olho aflito para Taehyung. Ele fuzila Hyeon com os olhos, e está furioso. Merda. Estou enjoado, e me encolho, meu corpo não consegue mais tolerar o álcool, e então vomito espetacularmente no chão.

- Uh. Dios mío, Jeongguk - Hyeon dá um pulo para trás, enojado. Kim passa a mão nas minhas costas e delicadamente me conduz até um canteiro elevado no limite do estacionamento. Vejo, com profunda gratidão, que o canteiro está relativamente no escuro.

- Se for vomitar de novo, vomite aqui. Eu seguro você - Ele está com um braço em volta dos meus ombros - o outro tira a franja dos meus olhos. Tento afastá-lo de modo desajeitado, mas vomito de novo... e de novo. Ai, merda... quanto tempo isso vai durar? Mesmo quando meu estômago está vazio e nada sai, continuo sentido ânsias terríveis. Prometo a mim mesmo que nunca mais vou beber. Isso é simplesmente horrível demais para descrever. Finalmente, para.

Minhas mãos estão pousadas na parede de tijolos do canteiro, e eu mal consigo me manter de pé. Vomitar profusamente é exaustivo. Kim me solta e me entrega um lenço. Só ele teria um lenço de linho recém-lavado com um monograma. KTH. Eu não sabia que ainda havia desses lenços á venda. Limpo a boca. Não consigo olhar para ele. Estou morto de vergonha, com nojo de mim. Quero ser engolindo pelas azaléias do canteiro e estar em qualquer lugar, menos aqui.

Hyeon continua rondando na entrada do bar, nos observando. Gemo e seguro a cabeça com as mãos. Este tem que ser o pior momento da minha vida. Minha cabeça ainda roda enquanto tento me lembrar de algo pior, e só consigo pensar na rejeição de Taehyung, o que foi muito pior em termos de humilhação. Arrisco olha para ele. Ele está me observando, o rosto sereno, sem dizer nada. Quando me viro, vejo Hyeon, que parece bastante envergonhado e, como eu, intimidado com Kim. Olho furioso para ele. Tenho algumas palavras adequadas para o meu pseudoamigo, nenhuma das quais posso repitir na frente de Kim Taehyung, CEO. Jeongguk, quem você acha que engana? Ela acabou de ver você vomitar por todo o chão e por toda a flora local. Não dá para fingir que você se comporta como uma "dama".

- Eu, hã... vejo você lá dentro - murmura Hyeon, mas ambos o ignoramos, e ele volta para o bar com o rabo entre as pernas. Estou sozinho com Kim Taehyung. Puta que pariu. O que devo dizer a ele? Pedir desculpas pelo telefonema.

- Desculpe - digo baixinho, olhando para o lenço, que torço furiosamente entre os dedos. É muito macio.

- Por que está pedindo desculpas, Jeongguk? - Droga! Ele quer a porra de um reconhecimento.

- Pelo telefonema, principalmente. Por vomitar. Ah, a lista não tem fim - murmuro, sentindo que estou corando.

Por favor, por favor, posso morrer agora?

- Todos já passamos por isso. Talvez não de forma tão dramática como você - diz ele secamente - Tem a ver com conhecer os seus limites, Jeongguk. Na verdade, sou favorável a ultrapassar os limites, mas realmente isso é intolerável. Você tem esse tipo de comportamento habitualmente?

Minha cabeça zumbe como o excesso de álcool e irritação. Que diabo isso tem a ver com ele? Eu não o convidei para vir aqui. Ele parece um homem de meia idade me repreendendo como se eu fosse uma criança insolente. Parte de mim quer dizer que se eu quiser tomar um porre assim toda noite, a decisão é minha e ele não tem nada haver com isso. Mas não sou corajoso o bastante. Não agora que vomitei na frente dele. Porque ele continua parado ali?

- Não - digo arrependido - Eu nunca tinha tomado um porre antes, e não tenho a minima vontade de fazer isso de novo.

Simplesmente não estendo por que ele está aqui. Começo a me sentir fraco. Ele percebe a minha tontura e me agarra antes que eu caia, e me abraça para me levantar, segurando-me junto ao peito como se eu fosse uma criança.

- Vamos, vou levar você para casa - murmura ele.

- Preciso avisar a Jimin - Estou nos braços dele de novo.

- Meu irmão pode avisar a ele.

- O quê?

- Meu irmão, Yoongi, está falando com o Sr. Park.

- Hã? - Não entendo.

- Ele estava comigo quando você ligou.

- Em Seattle? - Estou confuso.

- Não, estou hospedado no Heathman.

Ainda? Por que?

- Como me encontrou?

- Rastreeie seu telefone celular, Jeongguk.

Ah, claro que rastreou. Como isso é possível? É legal? Espião, murmura meu inconsciente através da nuvem de tequila que ainda flutua no meu cérebro, mas de alguma forma, por ser ele, eu não me importo.

- Você veio com jaqueta ou bolsa?

- Hã... sim. Vim com as duas coisas. Taehyung, por favor, preciso avisar o Jimin. Ele vai ficar preocupado - Sua boca se contrai e ele suspira forte.

- Se é necessário.

Ele me solta e, pegando minha mão, me conduz para dentro do bar. Sinto-me fraco, ainda bêbado, envergonhado, exausto, mortificado, e, em algum nivel estranho, absolutamente elétrico. Ele está apertando a minha mão - que leque confuso de emoções. Vou precisar de pelo menos uma semana para assimilar tudo isso.

O bar está barulhento, lotado e, como a música começou a tocar, tem uma multidão na pista de dança. Jimin não está na mesa, e Hyeon desapareceu. Doyun parece perdido e abandonado.

- Cadê o Jimin? - grito para Doyun mais alto que a barulheira. Minha cabeça começa a latejar no ritmo das batidas da música.

- Dançando - grita Doyun, e posso dizer que ele está furioso.

Ele olha desconfiado para Taehyung. Visto a jaqueta preta e passo a alça da bolsinha a tiracolo pela cabeça, e ela ficou na altura dos meus quadris. Estou pronta para ir, depois que encontrae Jimin. Encosto no braço de Taehyung e meu estico para gritar em seu ouvido:

- Ele está na pista de dança - meu nariz roça o cabelo dele, e sinto o seu cheiro de limpeza. Todos os sentimentos proibidos e desconhecidos que tentei afastar vem a tona e correm desordenadamente pelo meu corpo esgotado. Enrubesço e bem, bem lá no fundo de mim, meus músculos se contraem deliciosamente.

Ele revira os olhos, torna a pegar minha mão e me conduz para o bar. Imediatamente é atendido. Ninguém deixa o Sr. Maníaco por controle Kim esperando. Será que tudo é sempre tão fácil para ele? Não consigo ouvir o que ele pede. Ele me entrega um copo bem grande de água com gelo.

- Beba - Ele grita essa ordem para mim.

O movimento das luzes segue o ritmo da música, lançando no bar e na clientela uma iluminação colorida estranha, alternada com sombras. Taehyung está ora verde, ora azul, ora branco, ora num tom vermelho demoníaco. Ele me observa atentamente. Dou um gole hesitante.

- Beba tudo - grita.

Ele é muito autoritário. Passa a mão pelo cabelo revolto. Parece frustado, irritado. Qual o problema desse cara? Além do fato de um garoto bobo de porre ligar para ele no meio da noite e ele achar que ele precisa ser acudido. E no fim ainda precisa se livrar do amigo excessivamente amoroso dele. Depois, vê-lo passar muito mal aos seus pés. Ah, Jeongguk... você algum dia vai esquecer isso? Meu inconsciente me encara furioso por cima dos óculos de leitura. Cambaleio um pouco, e Kim põe a mão no meu ombro para me equilibrar. Obedeço e bebo tudo, o que faz meu estômago embrulhar. Pegando o copo da minha mão, ele o coloca no bar. Reparo nebulosamente em como está vestido: camisa de linho branca folgada, calça jeans justa, tênis All Star preto e um paletó escuro de risca de giz. A camisa está desabotoada no colarinho, e dá pra ver uns pelos esparsos na abertura. Em meu estado de espirito meio grogue, Kim Taehyung parece apetitoso.

Ele torna a pegar minha mão. Que droga, está me levando para a pista de dança. Merda. Eu não danço. Ele pode sentir minha relutância, e, embaixo das luzes coloridas, vejo seu sorriso divertido e sarcástico. Ele dá um puxão firme na minha mão, e estou de novo em seus braços, e ele começa a se movimentar, conduzindo-me. Caramba, ele sabe dançar, e eu não consigo acreditar que o estou seguindo passa a passo. Talvez seja pelo fato de estar bêbado que eu consiga acompanhar. Ele está me segurando colado a si, o corpo contra o meu... se não tivesse me apertado tanto, tenho certeza de que eu iria desmaiar a seus pés. Lá no meu íntimo, lembro o aviso que minha mãe sempre dá: Nunca confie em um homem que saiba dançar.

Ele avança comigo até o outro extremo da pista de danca repleta de gente, e nos aproximamos de Jimin e Yoongi, o irmão de Taehyung. A música está martelando, barulhenta, retumbando fora e dentro da minha cabeça. Ah, não. Jimin está dançando daquele jeito. Está se rebolando todo, e só faz isso quando está afim de alguém. Isso significa que seremos três amanhã no café da manhã. Jimin!

Taehyung se estica e grita no ouvido de Yoongi. Não consigo ouvir o que ele diz. Yoongi é baixo e tem ombros largos, cabelos negros e lisos, olhos escuros e pequenos com um brilho malicioso. Yoongi ri e puxa Jimin para seus braços, onde ele parece felicíssimo de estar... Jimin! Mesmo com a minha embriaguez fico chocado. Ele acabou de conhecê-lo. Confirma com a cabeça o que quer que Yoongi tenha dito, ri para mim e acena. Taehyung nos leva para fora da pista de dança num passo rápido.

Mas não consegui falar com ele. Ele está bem? Vejo para onde as coisas se encaminham. Preciso fazer o sermão sexo seguro. Na minha cabeça, torço para ele ler um dos cartazes na porta do banheiro. Meus pensamentos invadem meu cérebro, lutando contra a sensação confusa de embriaguez. Está tudo quente, muito barulhento, muito colorido - muito claro. Minha cabeça começa a rodar, ah, não... e sinto o chão subido de encontro ao meu rosto, ou pelo menos é o que parece. A última coisa que ouço antes de desmaiar nos braços de Kim Taehyung é o seu rude epíteto.

- Merda.



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