História CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 15


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Palavras 2.004
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 15 - Porque eu posso


Saio da ducha e pego duas toalhas. Com uma envolvo o cabelo ao estilo Carmen Miranda e com a outra me seco a toda pressa evitando a prazerosa sensação da toalha esfregando minha pele hipersensível. Abro a bolsa. Jeffrey me comprou não só um jeans, mas também uma camisa azul céu, meias três quartos e roupas íntimas. Minha Nossa! Sutiã e calcinha limpos... Descrevê-los de maneira mundana não lhes faz justiça. São de uma marca de lingerie europeia de luxo, com desenho delicioso. Renda e seda azul celeste. Uau. Fico impressionada e um pouco intimidada. E, além disso, é exatamente do meu tamanho. Com certeza. Ruborizo-me pensando no rapaz, em uma loja de lingerie, comprando estes objetos. Pergunto-me a que outras coisas ele se dedica em suas horas de trabalho. Visto-me rapidamente. O resto da roupa também fica perfeito. Seco o cabelo com a toalha e tento desesperadamente controlá-lo, mas, como sempre, nega-se a colaborar. Minha única opção é fazer um acréscimo, mas não tenho secador de cabelo. Devo ter algo na bolsa, mas onde está?

Respiro fundo. 

Chegou o momento de enfrentar a senhora perturbadora. Alivia-me encontrar o quarto vazio. Procuro rapidamente minha bolsa, mas não está por aqui. Volto a respirar fundo e vou à sala de estar da suíte. É enorme. Há uma luxuosa zona para sentar-se, cheia de sofás e grandes almofadas, uma sofisticada mesinha com uma pilha grande de livros ilustrados, uma zona de estudo com o último modelo de computador e uma enorme televisão de plasma na parede. Lauen está sentada à mesa de jantar, no outro extremo da sala, lendo o jornal. A sala é mais ou menos do tamanho de uma quadra de tênis. Não que eu jogue tênis, mas fui ver Dinah jogar várias vezes. 

DINAH!

— Merda, Dinah! — Digo com voz rouca. Lauren eleva os olhos para mim.

— Ela sabe que está aqui e que está viva. Mandei uma mensagem para meu irmão. — Ela diz com certa ironia. Oh, não. Recordo de sua ardente dança ontem, tirando proveito de todos os seus movimentos, exclusivamente, para seduzir o irmão de Lauren Jauregui, nada menos. O que vai pensar sobre eu estar aqui? Nunca passei uma noite fora de casa. Está ainda com o outro Jauregui. Ela só fez algo assim duas vezes e nas duas vezes foi meio doido para mim, tive que aguentar o espantoso pijama cor de rosa durante uma semana, depois que terminaram. Ela vai pensar que eu também me enrolei com Lauren.

Ela está me olhando impaciente. Veste uma camisa branca de linho, com o peito e os punhos desabotoados.  

— Sente-se. — Ordena, assinalando para a mesa. Cruzo a sala e me sento na frente dela, como me indicou. A mesa está cheia de comida.

— Não sabia do que você gosta, assim pedi um pouco de tudo.

Dedica-me um meio sorriso, como desculpa.

— É uma esbanjadora. — Murmuro atrapalhada pela quantidade de pratos, embora tenha fome.

— Eu sou. — Diz em tom culpado.

Opto por panquecas, xarope de arce, ovos mexidos e bacon. Lauren tenta ocultar um sorriso, enquanto volta o olhar a sua panqueca. A comida está deliciosa.

— Chá? — Ela pergunta-me.

— Sim, por favor.

Estende um pequeno bule cheio de água quente, na xícara há uma saquinho do Twinings English Breakfast. Ela lembrou-se do chá que eu gosto.

— Seu cabelo está muito molhado.

— Não encontrei o secador. — Sussurro incômoda. Não o procurei. Lauren aperta os lábios, mas não diz nada.

— Obrigada pela roupa.

— É um prazer, Camila. Esta cor te cai muito bem.

Ruborizo e olho fixamente para meus dedos.

— Sabe? Deveria aprender a receber elogios  — Ela me diz em tom fustigante.

— Deveria te dar um pouco de dinheiro pela roupa.

Ela me olha como se estivesse ofendendo-a. Sigo falando.

— Já me deste os livros, que não posso aceitar, é obvio. Mas a roupa... Por favor, me deixe que lhe pague isso. — Digo tentando convencê-la com um sorriso.

— Camila, eu posso fazer isso, acredite.

— Não se trata disso. Por que teria que comprar esta roupa?

— Porque posso.

Seus olhos despedem um sorriso malicioso.

— O fato de que possa não implica que deva. — Respondo tranquilamente. Ela me olha elevando uma sobrancelha, com olhos brilhantes, e de repente me dá a sensação de que estamos falando de outra coisa, mas não sei do que se trata. E isso me recorda...

— Por que me mandou os livros, Lauren? — Pergunto-lhe em tom suave. Deixa os talheres e me olha fixamente, com uma insondável emoção ardendo em seus olhos. Maldita seja... Ela me seca a boca.

— Bom, quando o ciclista quase te atropelou... e eu te segurava em meus braços, você me olhava dizendo-me: "me beije, me beije, Lauren..." — Ela encolhe os ombros.  — Bom, acreditei que te devia uma desculpa e uma advertência. — Passou uma mão pelo cabelo. — Camila, eu não sou uma mulher de flores e corações. Não me interessam as histórias de amor. Meus gostos são muito peculiares. Deveria te manter afastada de mim. — Fecha os olhos, como se negasse a aceitar. — Mas há algo em ti que me impede de me afastar. Suponho que já o tinha imaginado.

De repente, já não sinto fome. 

Não pode afastar-se de mim!

— Pois não se afaste. — Eu sussurro. Ela ficou boquiaberta e com os olhos nos pratos.

— Não sabe o que diz.

— Então me explique isso.

Olhamo-nos fixamente. Nenhuma das duas toca na comida.

— Então, sei que sai com mulheres... — Digo-lhe.

Seus olhos brilham divertidos.

— Sim, Camila, saio com mulheres. — Ela faz uma pausa para que assimile a informação e de novo ruborizo. Tornou-se a romper o filtro que separa meu cérebro da boca. Não posso acreditar que disse algo assim em voz alta. — Que planos tem para os próximos dias? — Ela me pergunta em um tom suave.

— Hoje trabalho a partir do meio-dia. Que horas são? — Exclamo assustada.

— Pouco mais de dez horas. Tem tempo de sobra. E amanhã?

Colocou os cotovelos sobre a mesa e apoiou o queixo em seus compridos e finos dedos.

— Dinah e eu vamos começar a empacotar nossas coisas. Mudamos para Seattle no próximo fim de semana e eu trabalho na Hemsworth toda esta semana.

— Vocês já têm casa em Seattle?

— Sim.

— Onde?

— Não recordo o endereço. No distrito de Pike Market.

— Não é longe de minha casa. — Diz sorrindo. — E no que vais trabalhar em Seattle?

Onde quer chegar com todas estas perguntas? A santa inquisidora Lauren Jauregui é quase tão pesada como a Santa inquisidora Dinah Jane.

— Mandei meu currículo para vários lugares para fazer estágio. Ainda espero resposta.

— E a minha empresa, como te comentei?

Ruborizo-me... Claro que não.

— Bom... não.

— O que tem de ruim com minha empresa?

— Sua empresa ou sua "companhia"? — Pergunto-lhe com uma risada maliciosa.

— Está rindo de mim, senhorita Cabello?

Inclina a cabeça e acredito que parece divertida, mas é difícil saber. Ruborizo e desvio meu olhar para meu café da manhã. Não posso olhá-la nos olhos quando fala nesse tom.

— Eu gostaria de morder esse lábio. — Sussurra perturbadoramente. Não estou consciente de que estou mordendo meu lábio inferior. Depois de um leve susto, fico boquiaberta. É a coisa mais sexy que me disse. Meu coração pulsa a toda velocidade e acredito que estou ofegando. 

Meu Deus!

Estou tremendo, totalmente perdida e meio doida. Mexo-me na cadeira e procuro seu impenetrável olhar.

— Por que não o faz? — A desafio em voz baixa.

— Porque não vou te tocar, Camila... não até que tenha seu consentimento por escrito — Diz-me esboçando um ligeiro sorriso.

O quê?

— O que quer dizer?

— Exatamente o que falei. — Sussurra e move a cabeça divertida, mas também impaciente.

— Tenho que lhe mostrar isso, Camila. A que horas sai do trabalho hoje?

— Às 8h.

— Bem, poderíamos ir jantar na minha casa em Seattle, esta noite ou no sábado que vem, onde eu lhe explicaria isso. Você decide.

— Por que não pode me dizer agora?

— Porque estou desfrutando do meu café da manhã e de sua companhia. Quando você souber, certamente, não vai querer voltar a me ver.

O que significa tudo isto? Trafica meninos de algum recôndido fundão do mundo para prostituí-los? Faz parte de alguma perigosa gangue mafiosa? Isso explicaria porque é tão rica. É profundamente religiosa? É impotente? Seguro que não... poderia me demonstrar isso agora mesmo.

Incomodo-me pensando em todas as possibilidades. Isto não leva a nenhuma parte. Eu gostaria de resolver o enigma de Lauren Jauregui, o quanto antes. Se isso implicar que seu segredo é tão grave que não vou querer voltar ou ter nada com ela, então, a verdade será um alívio. 

Não se engane! Grita o meu subconsciente. Terá que ser algo muito mau para que saia correndo.

— Esta noite.

— Esta noite.

Levanta uma sobrancelha.

— Como Eva, quer provar o quanto antes do fruto da árvore do pecado.

Solta uma risada maliciosa.

— Está rindo de mim, senhora Jauregui? — Pergunto-lhe em tom suave. Olha-me apertando os olhos e saca seu BlackBerry. Tecla um número.

— Jeffrey, vou necessitar do Charlie Tango.

Charlie Tango! Quem é esse?

— Desde Portland. A... digamos às 8h30... Não, fica na escala...Toda a noite.

Toda a noite!

— Sim. Até amanhã pela manhã. Pilotarei de Portland a Seattle.

Pilotará?

— Piloto disponível às 10h30.

Deixa o telefone na mesa. Nem por favor, nem obrigado.

— As pessoas sempre fazem o que você manda?

— Elas devem fazer, se não quiserem perder seus trabalhos. — Ela me responde inexpressiva.

— E se não trabalharem para você?

— Bom, posso ser muito convincente, Camila. Deveria terminar o seu café da manhã. Logo a levarei para casa. Passarei para te buscar pela Hemsworth às oito, quando você sair. Voaremos para Seattle.

— Voaremos?

— Sim. Tenho um helicóptero.

Olho para ela boquiaberta. Segunda entrevista com a misteriosa Lauren Jauregui. De um café a um passeio de helicóptero. 

Uau.

— Iremos a Seattle de helicóptero?

— Sim.

— Por quê?

Ela sorri perversamente.

— Porque posso. Termine o café da manhã.

Como vou comer agora? Vou a Seattle de helicóptero com Lauren Jauregui. E quer me morder o lábio... Estremeço só de pensar.

— Coma. — Ela diz bruscamente. — Camila, não suporto jogar comida fora... Coma.

— Não posso comer tudo isso. — Digo olhando o que ficou na mesa.

— Coma o que há em seu prato. Se ontem tivesse comido, não estaria aqui e eu não teria que mostrar minhas cartas tão cedo.

Aperta os lábios. Parece zangada. Franzo o cenho e miro a comida que há em meu prato, já fria. Estou muito nervosa para comer, Lauren. Você não entende? Explica meu subconsciente. Mas sou muito covarde para dizer isso em voz alta, sobretudo, quando parece tão áspera. Mmm... como um menina pequena. A ideia me parece divertida.

— O que parece tão engraçado? — Pergunta-me. Como não me atrevo a dizer-lhe, não levanto os olhos do prato. Enquanto eu como a última parte da panqueca, elevo o olhar. Observa-me com olhos escrutinadores.

— Boa garota. Vou te levar para casa assim que tenha secado o cabelo. Não quero que fique doente.

Suas palavras têm um pouco de promessa implícita. O que quer dizer? Levanto-me da mesa. Por um segundo me pergunto se deveria lhe pedir permissão, mas descarto a ideia. Parece-me que abriria um precedente perigoso. Dirijo-me a seu quarto, mas uma ideia me detém.

— Onde dormiu?

Viro-me para olhá-la. Está ainda sentada à mesa de jantar. Não vejo mantas, nem lençóis pela sala. Possivelmente já os tenha recolhido.

— Em minha cama. — Responde-me, de novo com seu olhar impassível.

— Oh.

—Sim, para mim também foi uma novidade. — Ela diz sorrindo. — Dormir com uma mulher... sem sexo.

— Sim, sem "sexo". — Digo e ruborizo, é óbvio.

— Não. — Responde-me movendo a cabeça e franzindo o cenho, como se acabasse de recordar algo desagradável. — Sinceramente, só dormir com uma mulher.


Notas Finais


Consegui fazer isso no ônibus. Qualquer erro, me perdoem. Não tive tempo de revisar.
Com amor, J. 🌻


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