História CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 17


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 17 - Como é possível que me afete tanto?


Fanfic / Fanfiction CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 17 - Como é possível que me afete tanto?

— É... tão... doce. — Ela murmura entrecortadamente. O elevador se detém, abre-se a porta e em um abrir e fechar de olhos ela me solta se separando de mim. Três homens trajados de ternos nos olham e entram sorridentes. Meu coração pulsa a toda pressa. Sinto-me como se tivesse subido, correndo, um grande morro. Quero me inclinar e me sujeitar aos sorrisos, mas seria muito óbvio. 

Eu a olho. Parece absolutamente tranquila, como se estivesse fazendo as palavras cruzadas do Seattle Time. Que injusto. Não a afeta o mínimo a minha presença? Olha-me de canto e deixa escapar um ligeiro suspiro. Valeu, afeta-a, e a pequena deusa que levo dentro de mim, sacode os quadris e dança um SAMBA para celebrar a vitória. Os homens de negócios descem no primeiro andar.

— Você escovou os dentes. — Ela fala me olhando fixamente.

— Usei sua escova.

Seus lábios esboçam um meio sorriso.

— Ah, Camila Cabello, o que vou fazer com você?

As portas se abrem no vestíbulo, agarra-me a mão e sai comigo.

— O que têm nos elevadores? — Ela murmura para si mesma, cruzando o vestíbulo em grandes pernadas. Luto para manter seu passo, porque todo meu raciocínio ficou esparramado pelo chão e pelas paredes do elevador número 3 do hotel Heathman.

Lauren abriu a porta do passageiro do seu Audi SUV preto e eu subi. É um carro legal. Ela não mencionou a explosão de paixão que eclodiu no elevador. Devo fazer isso? Deveríamos falar sobre o assunto ou fingir que não aconteceu? Não pareceu real, meu adequado primeiro beijo sem restrição. Com o passar do tempo, atribuí um caráter mítico como a lenda do rei Artur ou a Cidade Perdida de Atlantis. Nunca aconteceu, nunca existiu. Talvez eu tenha imaginado tudo.

Não.

Eu toquei meus lábios, estavam inchados de seu beijo. Definitivamente aconteceu. Sou uma mulher mudada. Eu quero esta mulher, desesperadamente, e ela me quer. Olho para ela. Lauren está como de costume: correta, educada e um pouco distante.

Tão confusa.

Ela liga o motor e abandona sua vaga no estacionamento. Liga o leitor de MP3. O interior do carro foi preenchido pela mais doce e mágica música que duas mulheres cantavam. Uau... todos os meus sentidos estão em desordem, por isso estou duplamente afetada. Enviou arrepios deliciosos a minha coluna vertebral. Lauren se dirigiu para SW Park Avenue e guiou com uma fácil e preguiçosa confiança.

— O que estamos ouvindo?

— É o Dueto das Flores de Delibes, da ópera Lakmé. Você gostou?

— Lauren, é maravilhoso.

— É mesmo,  não é?

Ela sorriu enquanto olhava para mim. E por um momento aparentou ter sua idade, jovem, despreocupada e bonita até perder o sentido. É esta a chave para chegar a ela? A música? Sento-me e ouço as vozes angelicais, sussurrantes e sedutoras.

— Pode voltar a tocá-la?

— Claro.

Lauren apertou um botão e a música voltou a me acariciar. Invadiu meus sentidos de forma lenta, suave e doce.

— Você gosta de música clássica? — Perguntei-lhe tentando descobrir algo de suas preferências pessoais.

— Meu gosto é eclético, Camila. De Thomas Talis a Kings of Leon. Depende de meu estado de ânimo. E o seu?

— O meu também. Embora não conheça o Thomas Talis.

Voltou-se em minha direção, me olhou um instante e voltou a fixar os olhos na estrada.

— Algum dia te mostrarei algo dele. É um compositor britânico do século XVI. Música coral eclesiástica da época dos Tudor. — Ela sorriu para mim. — Parece muito esotérico, eu sei, mas é mágico, Camila.

Pressionou um botão e começou a soar os Kings of Leon. Este eu conheço. "Sex on Fire." Muito oportuno. Repentinamente, o som de um celular interrompeu a música. Lauren apertou um botão do volante.

— Jauregui. — Respondeu bruscamente.

— Sra. Jauregui, sou Paul. Tenho a informação que pediu.

Uma voz áspera e imaterial chegou através dos alto-falantes.

— Bom. Mande-me por e-mail. Algo mais?

— Nada mais, senhora.

Apertou o botão, a chamada encerrou e voltou a tocar a música. Nem adeus, nem obrigado. Estou tão feliz que eu nunca seriamente considerei trabalhar para ela. Estremeço sozinha só de pensar. É muito controladora e fria com seus empregados. O telefone voltou a interromper a música.

— Jauregui.

— Paul mandou-lhe por e-mail uma informação confidencial, Sra. Jauregui.

Era uma voz de mulher.

— Bom. Isso é tudo, Alexa.

— Tenha um bom dia, senhora.

Lauren desligou ao pressionar um botão do volante. Logo que a música recomeçou, o telefone voltou a tocar. Nisto consistia sua vida? Em constantes telefonemas irritantes?

— Jauregui. — Disse bruscamente.

— Olá, Lauren. Relaxou?

— Olá, Chris... Estou no viva voz e não estou sozinha no carro.

Lauren suspirou.

— Quem está com você?

Ela balançou a cabeça.

— Camila Cabello.

— Olá, Mila!

— Olá, Chris.

— Falaram-me muito de ti. — Chris murmurou com a voz rouca. Lauren franziu o cenho.

— Não acredite em uma palavra do que Dinah te contou. — Eu disse. Ele riu.

— Estou levando Camila para casa. — Lauren disse usando meu nome completo. — Quer que te pegue aí?

— Claro.

— Vejo você mais tarde.

Lauren desligou o telefone e a música voltou a tocar.

— Por que você insiste em me chamar  de Camila?

— Porque é o seu nome.

— Prefiro Mila. — Eu disse. — Na verdade, prefiro quando você me chama de Camz. — Falei a última parte sussurrando, quase inaudível, mas ainda assim vi um pequeno sorriso se formar no seu lindo rosto. 

— De verdade?

Estamos quase na minha casa. Não demoramos muito.

— Camila... — Disse-me pensativa. Olhei para ela com uma expressão má, mas ela não se importou. — O que aconteceu no elevador... não voltará a acontecer. Bom, a menos que seja premeditado. — Ela disse. Parou o carro em frente à minha casa. Dei-me conta, de repente, que não me perguntou onde eu morava. Já sabia. Claro que sabia onde moro, pois me enviou os livros. Como não o faria uma caçadora, com um rastreador de celular e proprietária de um helicóptero?  

Por que não vai voltar a me beijar?

 Faço um gesto de desgosto ao pensar nisso. Não a entendo. Honestamente, seu sobrenome deveria ser Enigmática, não Jauregui. Ela saiu do carro, andando com facilidade, suas pernas longas deram a volta com graça ao redor do carro para o meu lado a fim de abrir a porta. Sempre é um perfeita dama, exceto, possivelmente, em estranhos e preciosos momentos nos elevadores. Ruborizo e o pensamento que eu tinha sido incapaz de tocar adentrou na minha mente.

Queria deslizar meus dedos por seu cabelo alvoroçado, mas não podia mover as mãos. Senti-me frustrada ao lembrar.  

— Gostei do que aconteceu no elevador. — Murmurei ao sair do carro.

Não estou segura se ouvi um ofegar afogado, mas escolhi fazer caso omisso e subir os degraus da entrada. Dinah e Chris estavam sentados à mesa. Os livros de quatorze mil dólares não estavam ali, felizmente. Tenho planos para eles. Dinah mostrou um sorriso ridículo e pouco habitual, sua juba despenteada lhe dava um ar muito sexy. Lauren me seguiu até a sala de estar, e embora Dinah sorrisse com uma expressão de ter passado por uma grande noite, a olhou com desconfiança.

— Olá, Chancho.

Levantou-se para me abraçar e no momento que me separou um pouco, me olhou de cima a baixo. Franziu o cenho e se voltou para Lauren.

— Bom dia, Lauren! — Disse-lhe em um tom ligeiramente hostil.

— Senhorita Hansen. — Respondeu em seu endurecido tom formal.

— Lauren, o nome dela é Dinah. — Chris resmungou.

— Dinah.

Lauren assentiu com educação e encarou Chris, que riu e se levantou para também me abraçar.

— Olá, Mila.

Sorri e seus olhos castanhos brilharam. Fiquei bem imediatamente. É óbvio que tinha muita coisa parecida com Lauren, mas são irmãos adotivos.

— Olá, Chris.

Sorri para ele e me dei conta de que mordia meus lábios.

— Chris, temos que ir. — Lauren disse em um tom suave.

— Claro.

Virou-se para Dinah, a abraçou e lhe deu um interminável beijo. Jesus... Arrumem um quarto! Olhei para meus pés, incômoda. Levantei a visão para Lauren, que me olhava fixamente. Sustentei-lhe o olhar. Por que não me beija assim? Chris continuou beijando Dinah, empurrou-a para trás e a fez dobrar-se de forma tão teatral que o cabelo dela quase toca o chão.

— Até mais, querida! — Disse-lhe sorridente. Dinah se derreteu. Nunca antes a tinha visto derretendo-se assim. Veio-me à cabeça as palavras "formosa" e "complacente". Dinah complacente. Chris deve ser muito bom. Lauren revirou os olhos e me olhou com sua expressão impenetrável, embora possivelmente a situação a divertisse um pouco. Apanhou uma mecha de meu cabelo que escapou do meu rabo de cavalo e a colocou atrás da orelha. Minha respiração entrecortou e ela inclinou minha cabeça com seus dedos. Seus olhos se suavizaram e passou o polegar por meu lábio inferior. O sangue queimou através das minhas veias. E imediatamente retirou a mão.

— Até mais, querida. — Murmurou.

Não pude evitar rir, porque a frase não combinava com ela. Mas embora saiba que está esquivando-se, aquelas palavras ficaram cravadas dentro de mim.

— Passarei para te buscar às oito.

Deu meia volta, abriu a porta da frente e saiu para a varanda. Chris o seguiu até o carro, mas se voltou e lançou outro beijo para Dinah. Senti uma inesperada pontada de ciúmes.

— E então? — Dinah perguntou-me com evidente curiosidade, enquanto os observávamos subir no carro e se afastarem.

— Nada. — Respondi bruscamente, com a esperança de que isso a impedisse de continuar com as perguntas. 

Entramos em casa.

— Mas é evidente que sim! — Disse-me. Não posso disfarçar a inveja. Dinah sempre consegue enredar as pessoas. É irresistível, bonita, sexy, divertida, atrevida... Justamente o contrário de mim. Mas o sorriso com o qual me respondeu é contagioso.

— Vou vê-la novamente esta noite.

Aplaudiu e pulou como uma menina pequena. Não pode reprimir seu entusiasmo e sua alegria e eu não pude evitar me alegrar. Era interessante ver Dinah contente.

— Esta noite ela vai me levar a Seattle.

— A Seattle?

— Sim.

— E possivelmente ali...?

— Assim espero.

— Então você gosta dela, não é?

— Sim.

— Você gosta o suficiente para...?

— Sim.

Ergueu as sobrancelhas.

— Uau. Por fim Camila Cabello se apaixona por alguém e é Lauren Jauregui, a bonita e sexy multimilionária.

— Claro, claro, é apenas pelo dinheiro.

Sorri afetadamente até que ao final tivemos, ambas, um ataque de riso.

— Essa blusa é nova? — Perguntou-me. Deixei que ela soubesse todos os detalhes desinteressantes sobre a minha noite.

— Ela já te beijou? — Perguntou-me enquanto preparava um café.

Ruborizei.

— Uma vez.

— Uma vez! — Exclamou. Assenti bastante envergonhada. 

— Ela é muito reservada.

Dinah franziu o cenho.

— Que estranho.

— Não acredito, na verdade, que a palavra seja "estranho".

— Temos que nos assegurar de que esta noite você esteja irresistível. — Ela disse muito decidida. Oh, não... Já vejo que vai ser tempo perdido, humilhante e doloroso.

— Tenho que estar no trabalho em uma hora.

— Podemos trabalhar nesse tempo. Vamos.

Dinah segurou em minha mão e me levou para dentro de casa. 

...

Embora houvesse muito trabalho na Hemsworth, as horas passaram-se lentamente. Como estamos em plena temporada do verão, tenho que passar duas horas repondo as estantes depois de ter fechado a loja. É um trabalho mecânico que não me deixava tempo para pensar. A verdade é que o dia todo eu não pude fazê-lo.

Seguindo os conselhos incansáveis e francamente impertinentes da Chee, depilei minhas pernas, axilas e sobrancelhas, assim fiquei com a pele toda irritada. Era uma experiência muito desagradável, mas Dinah me assegurou que era o que as pessoas gostavam e esperavam nestas circunstâncias. O que mais Lauren está esperando? Tenho que convencer Dinah de que quero fazer isso.

Por alguma estranha razão, ela não confia na Lauren, possivelmente porque é tão tensa e formal. Avisei-a que não saberia dizer como, mas prometi que lhe enviaria uma mensagem assim que chegasse a Seattle. Não falei nada sobre o helicóptero para que não enlouquecesse. Também havia a questão sobre Shawn. Havia três mensagens e sete chamadas perdidas suas no meu celular. Também ligou para casa, duas vezes. Dinah tem sido muito vaga a respeito de onde eu estou. Ele deve saber que ela me encobre. Dinah sempre foi muito franca. Mas decidi deixá-lo sofrer um pouco. Ainda estou zangada com ele.

Lauren comentou algo sobre uns papéis e não sei se estava brincando ou se eu terei realmente que assinar algo. Desesperei-me por ter que andar pressupondo tudo o tempo todo, e para o cúmulo das desgraças, estou muito nervosa. Hoje é o grande dia. Estou preparada por fim? 

Minha deusa interior me observava golpeando impaciente o chão com um pé. Faz anos que está preparada e está preparada para algo com alguém como Lauren Jauregui, embora ainda não entenda o que ela vê em mim... a pacata Camila Cabello... Não faz sentido.

Ela é pontual, é obvio, e quando saio da Hemsworth ela já me esperava, apoiada na parte de trás do carro. Abriu a porta para mim e sorriu cordialmente.

— Boa noite, senhorita Cabello. — Disse-me.

— Sra. Jauregui.

Inclinei a cabeça educadamente e entrei no assento traseiro do carro. Jeffrey estava sentado ao volante.

— Olá, Jeffrey. — Disse-lhe.

— Boa noite, Srta. Cabello. — Respondeu-me em um tom educado e profissional. Lauren entrou pela outra porta e brandamente me apertou a mão. Um calafrio percorreu todo meu corpo.

— Como foi o trabalho? — Perguntou-me.

— Interminável. — Respondi-lhe com voz rouca, muito baixa e cheia de desejo.

— Sim, o meu também, pareceu muito longo.

— O que tem feito? — Consegui perguntar.

— Andei com Chris.

Seu polegar acariciava meus dedos por trás. Meu coração deixou de bater e minha respiração se acelerou. Como é possível que me afete tanto?


Notas Finais


Flowers, minha vida está muito complicada ultimamente, como já havia comentado. Mas estou tentando escrever para vocês. Vou tentar postar três capítulos esse fim de semana. Beijos.
Com amor, J. 🌻❤


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