História CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 18


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Palavras 3.321
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Eu não faço amor


Fanfic / Fanfiction CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 18 - Eu não faço amor

Apenas tocou uma pequena parte de meu corpo e meus hormônios dispararam.

O heliporto estava perto, assim, antes que me desse conta, já havíamos chegado. Perguntei-me onde estaria o lendário helicóptero. Estamos em uma zona da cidade repleta de edifícios e até eu sei que os helicópteros necessitam de espaço para decolar e aterrissar. Jeffrey estacionou, saiu e abriu minha porta. Em um segundo, Lauren estava ao meu lado e pegou minha mão novamente.

— Preparada? — Perguntou-me.

Assenti. Queria lhe dizer: "Para tudo", mas estava muito nervosa para articular qualquer palavra.

— Jeffrey.

Fiz um gesto para o chofer, entramos no edifício e nos dirigimos para os elevadores. 

Um elevador! 

A lembrança do beijo daquela manhã voltou a me perturbar. Mesmo na Hemsworth eu não pude tirar tudo da cabeça. O Sr. Hemsworth precisou gritar comigo duas vezes para que eu voltasse para a Terra. Dizer que estive distraída era pouco. Lauren me olhou com um ligeiro sorriso nos lábios. Ah! Ela também estava pensando no beijo.

— São apenas três andares. — Disse-me com olhos divertidos. Tenho certeza que tem telepatia. É horripilante. Pretendi manter o rosto impassível quando entramos no elevador. As portas se fecharam e aí está a estranha atração elétrica, crepitando entre nós, apoderando-se de mim. Fechei os olhos em uma vã intenção de dissipá-la. Ela apertou minha mão com força e cinco segundos depois as portas se abriram no terraço do edifício. E lá estava, um helicóptero branco com as palavras JAUREGUI ENTERPRISES HOLDINGS, Inc. em cor azul e o logotipo da empresa de outro lado. Isto é certamente esbanjar dos recursos da empresa. Ela me levou a um pequeno escritório onde um velho estava sentado atrás da mesa.

— Aqui está seu plano de vôo, Sra. Jauregui. Revisamos tudo. Está preparado, apenas lhe esperando, senhora. Pode decolar quando quiser.

— Obrigado, Joe. — Respondeu Lauren com um sorriso quente. Ora, alguém que merece que Lauren o trate com educação. Possivelmente não trabalhava para ela. Observei o ancião assombrada.

— Vamos. — Disse-me Lauren.

E nos dirigimos ao helicóptero. De perto era muito maior do que pensava. Eu imaginei que seria um modelo pequeno, para duas pessoas, mas contava com, no mínimo, sete assentos. Lauren abriu a porta e me indicou um assento na frente.

— Sente-se. E não toque em nada. — Ordenou-me e subiu por trás de mim.

Fechou a porta. Alegrei-me que toda a zona ao redor estivesse iluminada, porque do contrário, nada se veria na cabine. Acomodei-me no assento que me indicou e ela se inclinou para mim para me atar o cinto de segurança. É um cinto de quatro pontos com todas as tiras se conectando a um fecho central. Apertou tanto as duas tiras superiores, que eu não podia me mover.

Ela estava tão próxima de mim, muito concentrada no que fazia. Se pudesse me inclinar um pouco para frente, afundaria o nariz em seu cabelo. Cheirava a limpo, fresco, divino, mas eu estava firmemente atada ao assento e não podia me mover. Levantou o olhar para mim e sorriu, como se lhe divertisse essa brincadeira que apenas ela entendesse. Seus olhos brilharam. Estava tentadoramente perto. Contive a respiração enquanto me aperta uma das tiras superiores.

— Está segura. Não pode escapar. — Sussurrou para mim. — Respira, Camila. — Acrescentou em um tom doce.   Aproximou-se, acariciou meu rosto, correndo os dedos longos até meu queixo, que pegou entre o polegar e o indicador. Inclinou-se para frente e me deu um rápido e casto beijo. Fiquei impactada, me revolvendo por dentro ante o excitante e inesperado contato de seus lábios.

— Eu gosto deste cinto. — Sussurrou-me.

O quê?

Acomodou-se ao meu lado, atou-se ao seu assento e em seguida começou um processo de verificar medidores, virar interruptores e apertar botões do enorme gama de marcadores, luzes e botões na minha frente. Pequenas esferas piscaram luzinhas e todo o painel de comando estava iluminado.

— Ponha os fones de ouvido. — Disse-me apontando uns fones à minha frente. Coloquei-os e o motor começou a girar. Era ensurdecedor. Ela também colocou os fones e seguiu movendo as alavancas.

— Estou fazendo todas as comprovações prévias ao vôo.

Ouvi a imaterial voz de Lauren pelos fones. Virou-se para mim e sorriu.

— Sabe o que está fazendo? — Perguntei-lhe.

Voltou-se para mim e sorriu.

— Fui piloto por quatro anos, Camila. Está a salvo comigo. — Disse-me sorrindo de orelha a orelha. — Bom, ao menos enquanto estivermos voando. — Acrescentou com uma piscadela. Piscando... Lauren!

— Pronta?

Concordei com os olhos muito abertos.

— De acordo, torre de controle. Aeroporto de Portland, aqui é Charlie Tango Golfe. Golf Echo Hotel, preparado para decolar. Espero confirmação, câmbio.

— Charlie Tango, adiante. Aqui é aeroporto de Portland, avance por um-quatro-mil, direção zero-um-zero, câmbio.

— Entendido, torre, aqui Charlie Tango. Câmbio e desligo. Em marcha. — Acrescentou dirigindo-se a mim. O helicóptero se elevou pelos ares lenta e brandamente. Portland desapareceu enquanto adentrávamos ao espaço aéreo, embora meu estômago ficasse ancorado no Óregon. Uau! As luzes se reduziram até converterem-se em uma ligeira piscada aos nossos pés. É como olhar para o exterior de um aquário. Uma vez no alto, a verdade é que não se vê nada. Está tudo muito escuro. Nem sequer a lua iluminava um pouco nosso trajeto. Como poderia ver por onde vamos?

— Inquietante, não é? — Lauren disse-me pelos fones.

— Como sabe que vai na direção correta?

— Aqui. — Respondeu-me assinalando com seu comprido dedo um indicador com uma bússola eletrônica. — É um Eurocopter EC135. Um dos mais seguros. Está equipado para voar à noite. — Olhou para mim e sorriu.— Em meu edifício há um heliporto. Estamos nos dirigindo para lá. 

Óbvio que em seu edifício havia um heliporto. Senti-me totalmente por fora. As luzes do painel de controle lhe iluminavam ligeiramente o rosto. Estava muito concentrada e não deixava de controlar os diversos mostradores situados em frente a ela. Observo seus traços com todos os detalhes. Tem um perfil muito bonito, o nariz reto e a mandíbula quadrada. Eu gostaria de deslizar a língua por sua mandíbula... Por seu pescoço, seu abdômen e por todo seu...

— Quando se voa à noite, não se vê nada. Temos que confiar nos aparelhos. — Disse interrompendo minha fantasia erótica.

— Quanto durará o voo? — Consegui dizer, quase sem fôlego. Não estava pensando em sexo, de jeito nenhum...

— Menos de uma hora... Temos o vento a favor.

Menos de uma hora para Seattle... Nada mal. Claro, estávamos voando. Eu tenho menos de uma hora antes da grande revelação. Sinto todos os músculos da barriga contraídos. Tenho um grave problema com as mariposas. Reproduzem-se em meu estômago. O que me terá preparado?

— Está bem, Camila?

— Sim.

Respondi-lhe com a máxima brevidade porque os nervos me oprimiam. Acredito que sorriu, mas é difícil ter certeza na escuridão. Lauren acionou outro botão.

— Aeroporto de Portland, aqui Charlie Tango, em um-quatro-mil, câmbio.

Trocava informação com o controle de tráfego aéreo. Soou-me tudo muito profissional. Acredito que estamos passando do espaço aéreo de Portland para o do aeroporto de Seattle.

— Entendido, Seattle, preparado, câmbio e desligo.

Apontou um pequeno ponto de luz à distância e disse:

— Olhe. Aquilo ali é Seattle.

— Sempre impressiona assim às mulheres? "Venha dar uma volta em meu helicóptero"? — Perguntei-lhe realmente interessada.

— Nunca trouxe uma mulher ao Charlie Tango, Camila. Isto também é uma novidade. — Respondeu-me em um tom tranquilo, embora sério. Ora, não esperava esta resposta. Também uma novidade? Ah, referia-se a dormir com uma mulher?

— Está impressionada?

— Sinto-me sobressaltada, Lauren.

Sorriu.

— Sobressaltada?

Por um instante demonstrou ter sua idade. Assenti.

— Você faz tudo... tão bem.

— Obrigado, Srta. Cabello — Disse-me educadamente. Acredito que gostou de meu comentário, mas não estou segura. Durante um momento atravessamos a escura noite em silêncio. O ponto de luz de Seattle ficava cada vez maior.

— Torre de Seattle ao Charlie Tango. Plano de voo ao Escala em ordem. Adiante, por favor. Preparado. Câmbio.

— Aqui Charlie Tango, entendido, Seattle. Preparado, câmbio e desligo.

— Está claro que você se diverte. — Murmurei.

— O quê?

Encarou-me. A tênue luz dos instrumentos parecia zombadora.

— Voar. — Respondi-lhe.

— Exige controle e concentração... como não iria me encantar? Embora o que mais gosto é planejar.

— Planejar?

— Sim. Voo sem motor, para que me entenda. Planadores e helicópteros. Piloto as duas coisas.

— Ah!

Passatempos caros. Lembrei-me que me disse isso na entrevista. Eu gosto de ler e de vez em quando vou ao cinema. Nada de mais.

— Charlie Tango, adiante, por favor, câmbio.

A voz imaterial do controle de tráfego aéreo interrompeu minhas fantasias. Lauren respondia em um tom seguro de si mesmo. Seattle estava cada vez mais perto. Agora estamos nos subúrbios. Uau! Era absolutamente impressionante. Seattle de noite, do céu...

— É bonito, não é verdade? — Perguntou-me Lauren em um murmúrio.

Concordei entusiasmada. Parecia de outro mundo, irreal, e sinto como se estivesse em um gigante estúdio de cinema, possivelmente no filme favorito de Shawn, Blade Runner. A lembrança de Shawn tentando me beijar me incomodava. Mas começo a me sentir um pouco cruel por não ter respondido a suas chamadas. Tenho certeza que pode esperar até a manhã.

— Chegaremos em alguns minutos. — Lauren murmurou. E de repente senti meus ouvidos zumbirem, o coração disparar e a adrenalina percorrer meu corpo. Ela recomeçou a falar com o controle de tráfego aéreo, mas já não a escutava. Acreditava que iria desmaiar. Meu destino estava em suas mãos.

Voamos entre edifícios e em frente a nós vi um arranha céu com um heliporto no terraço. A palavra “Escala” estava pintada em branco no topo do edifício. Estava cada vez mais perto, o edifício ia aumentando... assim como minha ansiedade. Deus, eu esperava não decepcioná-la. Ela vai me achar desprovida de alguma forma. Gostaria que tivesse atendido à Dinah e tivesse posto um de seus vestidos, mas eu gostava de meu jeans negro e vestia uma camisa verde e uma jaqueta negra da CheeChee. Estava bastante elegante. Agarrei-me à borda de meu assento cada vez com mais força. Eu posso fazer isso, eu posso fazer isso, eu repetia para mim mesma como um mantra enquanto nos aproximávamos do arranha céu. O helicóptero reduziu a velocidade e ficou suspenso no ar. Lauren aterrissou na pista do terraço do edifício. Tinha um nó no estômago. Não saberia dizer se eram nervos pelo que iria acontecer, alívio por termos chegado vivos ou medo que as coisa não acontecessem bem. Desligou o motor, o movimento e o ruído do motor diminuíram até que só o que se ouvia era o som da minha respiração entrecortada. Lauren retirou os fones e se inclinou para tirar os meus.

— Chegamos. — Disse-me em voz baixa.   Seu olhar era intenso, a metade na escuridão e a outra metade iluminada pelas luzes brancas de aterrissagem. Uma metáfora muito adequada para Lauren: a dama da escuridão e a dama da luz. Parecia tensa. Cerrou a mandíbula e entrecerrou os olhos. Abriu seu cinto de segurança e se inclinou para abrir o meu. Seu rosto estava a centímetros do meu.

— Não tem que fazer nada que não queira fazer. Você sabe, não é?

Seu tom era muito sério, inclusive angustiado, e seus olhos ardentes. Ela me pegou de surpresa.

— Nunca faria nada que não quisesse fazer, Lauren.

E enquanto lhe dizia, sentia que não estava de todo modo convencida, porque nestes momentos certamente faria algo pela mulher que estava sentado ao meu lado. Mas minhas palavras funcionaram e Lauren se acalmou. Encarou-me um instante com cautela e logo, apesar de ser tão alto, moveu-se com elegância até a porta do helicóptero e a abriu. Pulou, esperou-me e agarrou minha mão para me ajudar a descer até à pista. No terraço do edifício havia muito vento e me punha nervosa ao fato de estar em um espaço aberto a uns trinta andares de altura. Lauren passou o braço pela minha cintura e me puxou firmemente contra ela.

— Vamos. — Gritou-me por cima do ruído do vento. Arrastou-me até um elevador, digitou um número em um painel e a porta se abriu. No elevador, completamente revestido de espelhos, fazia calor. Podia ver Lauren em quantidade, para onde quer que eu olhasse, e a coisa boa era que ela também podia ver várias de mim. Digitou outro código e as portas se fecharam e o elevador começou a descer. Em poucos momentos estávamos em um vestíbulo totalmente branco. No meio havia uma mesa redonda de madeira escura com um enorme buquê de flores brancas. As paredes estavam cheias de quadros.

Abriu uma porta dupla e o branco se prolongou por um amplo corredor que nos levou até a entrada de uma sala palaciana. É o salão principal, de teto muito alto. Qualificá-lo de "enorme" seria pouco. A parede do fundo era de cristal e dava em uma sacada com uma magnífica vista da cidade. À direita havia um imponente sofá em forma de “U” que permitiam sentar-se comodamente dez pessoas. Frente a ele, uma lareira ultramoderna de aço inoxidável... ou, possivelmente, de platina. O fogo aceso iluminava brandamente. À esquerda, junto à entrada, estava a área da cozinha. Toda branca, com as bancadas de madeira escura e um bar em que podiam sentar-se seis pessoas. Junto à área da cozinha, em frente à parede de cristal, havia uma mesa de jantar rodeada de dezesseis cadeiras. E no fundo havia um enorme piano negro e resplandecente. Claro... certamente também tocava piano. Em todas as paredes havia quadros de todos os tipos e tamanhos. Na realidade, o apartamento parecia mais uma galeria que uma moradia.

— Dê-me a jaqueta? — Lauren  me perguntou. Nego com a cabeça. Ainda estava com frio da pista do helicóptero. — Quer tomar uma taça de vinho? — Perguntou-me.

Pisquei. Depois do que se passou ontem? Está de brincadeira ou o quê? Por um segundo pensei em lhe pedir uma marguerita, mas não me atrevi.

— Eu tomarei uma taça de vinho branco. Você quer uma?

— Sim, obrigada. — Murmurei.

Sentia-me incômoda neste enorme salão. Aproximei-me da parede de cristal e me dei conta de que a parte inferior do painel se abria a sacada em forma de acordeão. Abaixo se via Seattle, iluminada e animada. Volto para a área da cozinha, demorei uns segundos, porque estava muito longe da parede de cristal, onde Lauren abria um vinho. Retirou sua jaqueta.

— Acha que está bem um Pouily Fumei?

— Não tenho o menor entendimento sobre vinhos, Lauren. Estou certa de que será perfeito.

Falei em voz baixa e entrecortada. Meu coração batia muito depressa. Queria sair correndo. Isto era luxo de verdade, de uma riqueza exagerada, tipo Bill Gates.

O que eu estou fazendo aqui? 

Sabe muito bem o que está fazendo aqui, logrou meu subconsciente.

Sim, quero ir para cama com Lauren Jauregui.

— Toma. — Disse ao me estender uma taça de vinho. Até as taças são luxuosas, de cristais grossos e muito modernos. Tomei um gole. O vinho era ligeiro, fresco e delicioso.

— Você está muito quieta e nem mesmo está corada. A verdade é que acredito que nunca te vi tão pálida, Camila. — Murmurou. — Está com fome?

Neguei com a cabeça. Não de comida.

— Que casa tão grande.

— Grande?

— Grande.

— É grande. — Admitiu com um olhar divertido. Tomei outro gole do vinho.

— Sabe tocar? — Perguntei-lhe apontando para o piano.

— Sim.

— Bem?

— Sim.

— Claro, como não?! Há algo que não faça bem?

— Sim... umas duas ou três coisas.

Tomou um gole de vinho sem tirar os olhos de cima de mim. Sinto que seu olhar me seguia quando me virei e olhei o imenso salão. Mas não deveria chamar de "salão". Não é um salão, a não ser que considere uma declaração de princípios.

— Quer se sentar?

Concordei com a cabeça. Agarrou minha mão e me levou ao grande sofá de cor nata. Enquanto me sentava, assaltava-me a ideia de que pareço Tess Durbeyfield observando a nova casa do notário Alec d'Urbervile. A ideia me fez sorrir.

— O que te parece tão divertido?

Estava sentada ao meu lado, me olhando. Descansava a cabeça sobre a mão direita e o cotovelo estava apoiado na parte de trás do sofá.

— Por que me deu de presente precisamente Tess, de D'Urberville? — Perguntei-lhe. Lauren me olhou fixamente um momento. Acredito que minha pergunta lhe surpreendeu.

— Bom, você me disse que gostava de Thomas Hardy.

— Só por isso?

Até eu sou consciente de que minha voz soava decepcionada. Apertou os lábios.

— Pareceu-me apropriado. Eu poderia te empurrar para algum ideal impossível, como Angel Clare, ou te corromper completamente, como Alec d'Urbervile. — Murmurou. Seus olhos brilharam impenetráveis e perigosos.

— Se apenas houver duas possibilidades, escolho a corrupção. — Sussurrei enquanto a encarava. Meu subconsciente me observava assombrada. 

Lauren ficou boquiaberta.

— Camila, pare de morder o lábio, por favor. Desconcentra-me.

Não sabe o que diz.

— Por isso estou aqui.

Franziu o cenho.

— Sim. Desculpa-me por um momento?

Desapareceu por uma grande porta no outro extremo do salão. Voltou em dois minutos com uns papéis nas mãos.

— Isto é um acordo de confidencialidade. — Encolheu os ombros e pareceu ligeiramente incômoda. — Meu advogado insistiu.

Estendeu-me os papéis. Fiquei totalmente perplexa.

— Se escolher a segunda opção, a corrupção, terá que assiná-los.

— E se não quiser assinar nada?

— Então fica com os ideais de Angel Clare, bom, ao menos na maior parte do livro.

— O que implica este acordo?

— Implica que não pode contar nada do que aconteça entre nós. Nada a ninguém.

Observei-a sem dar crédito. Merda. Isso parece ser ruim, ruim de verdade, e agora tenho muita curiosidade por saber do que se trata.

— De acordo, assinarei.

Estendeu-me uma caneta.

— Nem sequer vai ler?

— Não.

Franziu o cenho.

— Camila, você deveria sempre ler tudo que assina. — Arremeteu.

— Lauren, o que não entende é que em nenhum caso eu falaria sobre nós com alguém. Nem mesmo com Dinah. Assim dá no mesmo se eu assinar um acordo ou não. Se for tão importante para você ou para seu advogado... que é óbvio que você falou de mim para ele, estou de acordo. Assinarei.

Observou-me fixamente e assentiu muito séria.

— Boa observação, Srta. Cabello.

Assinei as duas cópias com um grandiloquente gesto e lhe devolvi uma. Dobrei a outra, enfiei-a na minha bolsa e tomei um comprido gole de vinho. Parecia muito mais valente do que em realidade me sentia.

— Quer dizer que com isso você vai fazer amor comigo esta noite, Lauren?

Maldita seja! Acabei de dizer isso? Abri ligeiramente a boca, mas em seguida me recompus.

— Não, Camila, não quer dizer isso. Em primeiro lugar, eu não faço amor. Eu fodo... duro. Em segundo lugar, temos muito mais papelada que ajustar. E em terceiro lugar, ainda não sabe do que se trata. Ainda poderia sair correndo. Venha, quero te mostrar meu quarto de jogos.

Fiquei boquiaberta. Fodo duro! Jesus. Isso soa tão... quente. Mas por que vamos ver um quarto de jogos? Estou perplexa.

— Quer jogar Xbox? — Perguntei-lhe.

Riu a gargalhadas.

— Não, Camila, nem Xbox, nem PlayStation. Venha.

Levantou-se e me estendeu a mão. Deixei que me levasse de volta para o corredor. À direita das portas duplas, de onde viemos havia outra porta que dava a uma escada. Subimos ao andar de cima e viramos à direita. Retirou uma chave do bolsinho, virou a fechadura de outra porta e respirou fundo.

— Pode partir em qualquer momento. O helicóptero está preparado para te levar aonde queira ir. Também pode passar a noite aqui e partir amanhã pela manhã. O que disser para mim, estará bem.

— Abre a maldita porta de uma vez, Lauren.

Abriu a porta e se afastou para o lado, para que eu entrasse primeiro. Voltei a olhá-la. Queria saber o que havia ali dentro. Parei e entrei. E senti como se ela tivesse me transportado ao século XVI, à época da Inquisição espanhola.

Puta merda.


Notas Finais


Primeiro capítulo do fim de semana. 🌻


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