História CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 19


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 19 - Eu sou o pássaro, ela a luz e eu vou me queimar


Fanfic / Fanfiction CINQUENTA TONS DE CINZA (Adaptação - Camren) - Capítulo 19 - Eu sou o pássaro, ela a luz e eu vou me queimar

A primeira coisa que notei foi o cheiro: couro, madeira e cera com um ligeiro aroma de limão. É muito agradável e a luz é tênue, sutil. Na realidade, não consigo ver de onde sai, provavelmente de algum lugar junto ao teto, que emite um resplendor ambiental. As paredes e o teto são coloridos por um vinho escuro, o que dá à espaçosa sala um efeito uterino. O piso é de madeira envernizada muito velha. Na parede, de frente para a porta, há um grande X de madeira, de mogno muito brilhante, com argolas nos extremos para ficar seguro. Por cima há uma grande grade de ferro suspensa no teto, com no mínimo dois metros quadrados, na qual se penduram todos os tipos de cordas e algemas brilhantes. Perto da porta, dois grandes postes reluzentes e ornados, como balaústres de um parapeito, porém maiores, estão pendurados ao longo da parede como cortinas. A partir deles pendem uma impressionante coleção de varas, chicotes e curiosos instrumentos com plumas.

Junto à porta há um móvel de mogno maciço com gavetas muito estreitas, como se estivessem destinadas a guardar amostras de um velho museu. Por um instante, eu me perguntei o que há dentro.

Quero mesmo saber?

No canto do fundo vejo um banco acolchoado de couro de cor vermelha e junto à parede, uma estante de madeira que parece guardar tacos de bilhar, mas um observador atento descobriria que contêm varas de diversos tamanhos e grossuras. No canto oposto há uma sólida mesa de quase dois metros de largura, de madeira brilhante com pernas talhadas, com dois tamboretes combinando abaixo.

No entanto, o que domina o quarto é uma cama. É maior que as camas de casal com dossel de quatro postes talhados no estilo rococó. Parece com as camas do final do século XIX. Debaixo do dossel, eu vi mais correntes e algemas reluzentes. Não havia roupa de cama… Apenas um colchão coberto com um lençol vermelho e várias almofadas de seda vermelha em um de seus extremos.

A uns metros dos pés da cama há um grande sofá Chesterfield, colocado no meio da sala, em frente à cama. Estranha distribuição… Isso de colocar um sofá de frente para a cama. Sorri comigo mesma. O sofa parece raro, quando na realidade é o móvel mais normal de todo o quarto. Levantei os olhos e observei o teto, está cheio de mosquetões, a intervalos irregulares. Perguntei-me, por um segundo, para que eles serviam. É estranho, mas toda essa madeira, as paredes escuras, a tênue luz e o couro vermelho, faziam com que o quarto parecesse doce e romântico…

É qualquer coisa, menos isso. É o que Lauren entendia por doçura e romantismo.

Girei e ela estava me olhando fixamente, como supunha, com uma expressão impenetrável. Avancei pelo quarto e ela me seguiu. As plumas tinham me intrigado, decidi tocá-las. Era como um pequeno gato de nove rabos, porém mais grosso e com pequenas bolas de plástico nos extremos.

— É um chicote de tiras. — Lauren disse em uma voz baixa e doce.

Um chicote de tiras... Nossa. Acredito que estou em estado de choque. Meu subconsciente sumiu, ficou mudo ou simplesmente morreu. Estou paralisada. Posso observar e assimilar, mas não articular o que sinto diante de tudo isso, porque estou em estado de choque. Qual é a reação adequada quando você descobre que sua possível amante é uma sádica ou uma masoquista total? Medo... sim... essa parece ser a sensação principal. Agora percebo. Mas não tenho medo dela. Não acredito que ela seria capaz de me machucar. Bom, não sem meu consentimento. Várias perguntas estão cercando minha mente.

Por quê?

Como?

Quando?

Com que frequência?

Quem?

Aproximei-me da cama e passei a mão por um dos postes. Eles são muito grossos e o talhe é impressionante.

— Diga algo. — Lauren me pediu com um tom enganosamente doce.

— Você faz com as pessoas ou elas fazem com você? — Franziu a boca, não sabia se divertida ou aliviada.

— Pessoas? — Piscou um par de vezes, como se estivesse pensando no que responder. — Faço com mulheres que querem que eu o faça.

Não entendo.

— Se tem voluntárias dispostas a aceitá-la, o que eu estou fazendo aqui?

— Porque quero fazer isso com você, desejo isso.

— Oh.

Fiquei com a boca aberta. Por quê?

Fui para o outro canto do quarto, passei a mão pelo banco acolchoado e deslizei os dedos pelo couro. Ela gosta de machucar as mulheres. A ideia me deprime.

— É uma sádica?

— Sou uma Dominadora.

Seus olhos verdes ficaram abrasadores, intensos.

— O que significa isso? — Perguntei com um sussurro.

— Significa que quero que se renda a mim, em tudo, voluntariamente.

Olhei com o cenho franzido, tentando assimilar a ideia.

— Porque faria algo assim?

— Para me satisfazer. — Murmurou inclinando a cabeça. Vejo que esboçou um sorriso.

Me satisfazer! Quer que eu a satisfaça! Acho que fiquei com a boca aberta. Satisfazer Lauren Jauregui. 

E nesse momento percebo que sim, que é exatamente o que quero fazer. Quero que ela desfrute comigo. É uma revelação.

— Digamos, em termos muito simples, que quero que queira me satisfazer. — Disse em uma voz baixa e hipnótica.

— Como eu devo fazer?

Senti minha boca seca. Queria que tivesse mais vinho. Certo, entendo a parte de satisfazê-la, mas o quarto de tortura isabelino me deixou desconcertada. Quero saber a resposta?

— Tenho normas e quero que as aceite. São normas que te beneficiam e me proporcionam prazer. Se cumprir essas normas para me satisfazer, te recompensarei. Se não, te castigarei para que você aprenda. — Ela sussurra. Enquanto fala comigo, olho para a estante de varas.

— E em que momento entra em jogo tudo isso? — Pergunto apontando com a mão ao redor do quarto.

— É parte do pacote de incentivos. Tanto da recompensa, quanto do castigo.

— Então desfrutará exercendo sua vontade sobre mim.

— Se trata de ganhar sua confiança e seu respeito para que me permita exercer minha vontade sobre você. Obterei um grande prazer, inclusive uma grande alegria, caso você se submeta. Quanto mais se submeter, maior será minha alegria. A equação é muito simples.

— Certo, e o que eu ganho com tudo isso?

Encolheu os ombros no que pareceu um gesto de desculpa.

— A mim. — Limitou-se a responder.

Deus meu… 

Lauren me observava passar a mão pela vara.

— Camila, não tem maneira de saber o que pensa. — Murmurou nervosa. – Vamos voltar lá para baixo, assim poderei me concentrar melhor. Desconcentro-me muito com você aqui.

Estendeu-me sua mão, mas eu não sabia se agora queria segurá-la.

Dinah disse que ela era perigosa e tinha muita razão. Como ela sabia? É perigosa para minha saúde, porque eu sei que direi sim. E uma parte de mim quer gritar e sair correndo, por este quarto e por tudo o que ele representa. Sinto-me muito desorientada.

— Não vou te machucar, Camila. — Eu sei que não está mentindo. Segurei sua mão e saí com ela do quarto. — Quero lhe mostrar algo, se por acaso aceitar.

No lugar de descer as escadas, girou à direita do quarto de jogos, como ela chama, e avançou pelo corredor. Passamos junto a várias portas até chegarmos à última. Do outro lado havia um dormitório com uma cama de casal. Tudo é branco… TUDO: os móveis, as paredes, até a roupa de cama. É limpa e fria, mas com uma vista preciosa de Seattle desde a janela de cristal. 

— Este será seu quarto. Pode decorá-lo a seu gosto e ter aqui o que quiser. 

— Meu quarto? Espera que eu venha viver aqui? — Pergunto sem poder disfarçar meu tom horrorizado.

— Viver não. Apenas, digamos, de sexta à noite até a noite do domingo. Temos que conversar sobre o assunto e negociar. — Acrescentou com uma voz baixa e duvidosa.

— Eu dormirei aqui?

— Sim.

— Mas não com você.

— Não. Eu já disse, não durmo com ninguém. Apenas dormi com você, porque se embebedou até perder o sentido. — Disse em tom de reprimenda.

Aperto meus lábios. Há algo que não se encaixa. A amável e cuidadosa Lauren, que me resgata quando estou bêbada e me segura amavelmente enquanto vomito e o monstro que tem um quarto especial cheio de chicotes e algemas são a mesma pessoa?

— Onde você dorme?

— Meu quarto é lá embaixo. Vamos, você deve estar com fome.

— É estranho, mas acho que perdi a fome. — Murmurei sem vontade.

— Você tem que comer, Camila. — Chamou minha atenção. Segurou minha mão e voltamos para o andar de baixo.

De volta para o salão incrivelmente grande, me senti inquieta. Estou à borda de um precipício e tenho que decidir se quero saltar ou não.

— Sou totalmente consciente de que estou indo por um caminho escuro, Camila, e por isso quero de verdade que pense bem. Com certeza têm coisas para me perguntar. — Disse soltando minha mão e dirigindo-se com passo tranquilo para a cozinha. Eu tenho. Mas por onde eu começo? — Assinou um acordo de confidencialidade, desse modo, pode me perguntar o que quiser e eu responderei.

Estou junto à bancada da cozinha e observo como ela abre a geladeira e tira um prato de queijo com dois enormes cachos de uva brancas e vermelhas. Deixa o prato sobre a mesa e começa a cortar o pão.

— Sente-se. — Disse apontando um banco junto à bancada.

Obedeço a sua ordem. Se vou aceitar, terei que me acostumar. Percebo que se mostrou dominante desde que a conheci.

— Falou sobre os papéis.

— Sim.

— A que se refere?

— Bom, além do acordo de confidencialidade, há um contrato que especifica o que faremos e o que não faremos. Tenho que saber quais são seus limites e você tem que saber quais são os meus. Trata-se de um consenso, Camila.

— E se eu não quiser?

— Perfeito. — Responde com segurança.

— Mas não teremos nenhuma relação? — Pergunto.

— Não.

— Por quê?

— É esse o único tipo de relação que me interessa.

— Por quê? — Encolheu os ombros.

— Sou assim.

— E como chegou a ser assim?

— Por que cada um é como é? É muito difícil saber. Por que uns gostam de queijo e outros odeiam? Você gosta de queijo? A senhora Heigl, minha governanta deixou queijo para o jantar.

Tirou dois grandes pratos brancos de um armário e colocou diante de mim. E agora começamos a falar sobre queijo… Maldição…

— Que normas tenho que cumprir?

— Tenho por escrito. Veremos depois do jantar.

Comida… Como vou comer agora?

— De verdade, não tenho fome. — Sussurrei.

— Vai comer — Se limitou a responder.

A Lauren dominadora. Agora está tudo tão claro.

— Quer outra taça de vinho?

— Sim, por favor.

Serviu-me outra taça e sentou ao meu lado. Dei um rápido gole.

— Fará bem comer, Camila.

Peguei um pequeno cacho de uvas. Com isso sim, que eu posso. Ela revirou os olhos.

— Faz muito tempo que está nisso? — Pergunto.

— Sim.

— É fácil encontrar mulheres que aceitem? — Ela olhou e levantou uma sobrancelha.

— Ficaria surpresa. — Respondeu friamente.

— Então, por que eu? De verdade, eu não entendo.

— Camila, eu já te disse. Tem algo. Não posso me afastar de você. — Sorriu ironicamente. — Sou um pássaro atraído pela luz. — Sua voz ficou trêmula. — Te desejo com loucura, especialmente agora, enquanto morde os lábios. — Respirou fundo e engoliu.

O estômago está dando voltas. Deseja-me... de uma maneira rara... é verdade, mas esta mulher bonita, estranha e pervertida me deseja.

— Acho que inverteu esse clichê. — Respondi.

Eu sou o pássaro, ela a luz e eu vou me queimar. Eu sei.

— Coma!

— Não. Ainda não assinei nada, assim, acho que farei o que eu quiser, se não se importa.

Seus olhos se acalmaram e seus lábios esboçaram um sorriso.

— Como quiser, senhorita Cabello.

— Quantas mulheres? — Perguntei de uma vez, com muita curiosidade.

— Quinze.

Nossa, menos do que pensava.

— Durante longos períodos de tempo?

— Algumas sim.

— Alguma vez machucou alguma delas?

— Sim.

Maldição!

— Grave?

— Não.

— Você me machucaria?

— O que quer dizer?

— Se vai me machucar fisicamente.

— Te castigarei quando for necessário e será doloroso.

Acho que estou ficando enjoada. Tomei outro gole de vinho. O álcool me dará coragem.

— Alguma vez te bateram? — Pergunto.

— Sim. — Nossa, essa reposta me surpreendeu. Antes que eu pudesse perguntar por essa última revelação, ela interrompeu o curso dos meus pensamentos. — Vamos conversar no meu escritório. Quero lhe mostrar algo.

Custa muito processar tudo isso. Fui tão inocente ao pensar que passaria uma noite de paixão desenfreada na cama com esta mulher e aqui estamos negociando um estranho acordo.

Segui até o escritório, um amplo cômodo com uma cortina desde o chão até o teto. Sentou-se na mesa e apontou com um gesto para que eu me sentasse em uma cadeira de couro de frente a ela e me estendeu uma folha de papel.

— Estas são as regras. Podemos mudá-las. Formam parte do contrato, que também te darei. Leia e comentaremos.


Notas Finais


Segundo capítulo do fim de semana. 🌻 Estava sem internet, por isso não postei antes.


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