História Cinquenta Tons de Esdeath - Capítulo 113


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Categorias Akame ga Kill!
Personagens Esdeath
Tags Akame, Esdeath, Tatsumi
Visualizações 28
Palavras 3.645
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Ecchi, Fantasia, Harem, Hentai, Luta, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 113 - Assassinatos na Capital


-Você parece incomodada com alguma coisa, minha senhora.

Esdeath olhou de soslaio para uma mulher que se aproximava com um cesto de frutas, era a mesma que outrora havia lhe entregado a carta de Craster, e era bom ver um rosto conhecido naquele momento conturbado.

-Está assim tão óbvio?- perguntou Esdeath.

-Eu consigo ver em seus olhos.

Esdeath fingiu sorrir, então olhou para a mulher, havia alguma coisa estranha nela, algo que não se encaixava. A postura dela era diferente, e havia algo de nobre no brilho de seus olhos.

-Diga-me, Olga. O que andou fazendo aqui na minha ausência?

A mulher pareceu surpresa pela pergunta.

-Perdão?

A pergunta tinha um tom inquisitório, mas o rosto de Esdeath transmitia certo divertimento, entretanto, a pergunta não fez sentido algum para Olga.

-Você está diferente- disse a general- Mais... Orgulhosa de si mesma. Sua postura está diferente também, você costumava andar mais curvada, mas agora sua postura está... Perfeita.

-Alguma hora todos temos que mudar- disse Olga.

-É claro. Eu lhe diria para andar direito qualquer hora, afinal, isso pode machucar sua coluna.

-Se importa assim comigo?

Esdeath sorriu.

-Me importo com todos aqueles que estão ao meu lado, você serve ao seu propósito, e nunca tive nenhuma reclamação de você- riu baixinho- Isso é mais do que eu posso dizer de maioria dos meus soldados, e da totalidade dos senhores da Capital.

-E aí está a irritação que disse que havia em você- Olga percebeu que o olhar de Esdeath baixou lentamente, enquanto seus dedos criavam uma fina película de gelo sobre a mesa- É frustração.

-Sim. É- Esdeath moveu o rosto na direção da cadeira vazia ao seu lado- Mas agora não é tempo para lamentações. Sente-se comigo e coma de minha mesa... Não quero comer sozinha. Ultimamente tenho estado tão sozinha...

-Poderia chamar Run- disse Olga, e Esdeath percebeu a mudança sutil no tom da voz da mulher ao pronunciar aquele nome, no geral, Esdeath era experiente em perceber coisas como aquela. Então lembrou-se de Run, confessando o amor que tinha por uma revolucionária. Eram amores impossíveis demais para o gosto da general, mas não podia culpar nenhum deles. Talvez o loiro houvesse afogado suas mágoas nos seios de Olga, e isso explicaria a mudança abrupta naquela mulher, mas Esdeath não conseguia imaginar Run se entregando aos seus desejos carnais daquela forma, e também não era felicidade o que ela identificava nos olhos de Olga, e sim uma tristeza profunda.

-Se eu chamasse Run aqui para cada momento em que preciso de companhia, ele não sairia do meu lado. Antes eu tinha Kurome, Liver, Wave, Seryu, Stylish, Violet, Tatsumi... Até mesmo Najenda. Agora, todos eles se foram. Não tenho família, nem laços com essa terra além daqueles que me prendem aos meus guerreiros- Esdeath olhou para Olga, percebendo o semblante confuso da mulher com a aparente confissão- Desculpe-me se estou a deixando entediada com esse meu monólogo banal, é só que, penso no que todas as pessoas já me disseram, Tatsumi, Craster... Penso no caminho que muitos dos meus aliados escolheram, Kurome, Wave... E apesar de ter tudo o que eu sempre desejei, e estar perto de uma guerra que não podia imaginar nem em meus sonhos, eu me sinto vazia e sozinha- Esdeath ergueu a palma da mão, e evocou o gelo de forma que ele se transformasse em uma pequena figura. Uma mulher sobre o dorso de um cavalo, empunhando uma espada. O cavalo de gelo se movia, como se fosse vivo, assim como os longos cabelos cristalizados, e Olga se impressionou com tamanho controle sobre suas habilidades- Imagino a mim mesma, essa Senhora da Guerra, a general suprema dos exércitos imperiais e me sinto confusa. Isso é o que eu sempre quis fazer, é o auge de minha ambição. Tornar-me a guerreira mais forte, me tornar a general mais bem sucedida do mundo. Nunca perdoei Najenda por ter traído o meu sonho enquanto ainda estava em ascensão... E penso sempre que deveria ter me certificado de sua morte no dia em que nos confrontamos... Teria sido mais humano do que deixa-la aleijada como ela está.

-Poderia tê-la seguido?- perguntou Olga.

-Não é uma pergunta que se faça a uma general de Honest, Olga.

-Hemi e Nakido o fizeram- disse Olga.

Porque Hemi e Nakido eram covardes, pensou a general.

-O que está feito não pode ser mudado, Olga- disse Esdeath- Não adianta nada conjecturar sobre o passado... O passado pertence aos mortos, e eu tenho que pensar no futuro. Eu consegui o que eu queria, e enquanto os meus companheiros eram levados pelo turbilhão de tragédias que nos atingiram como folhas durante uma ventania, ainda assim eu estou aqui, em pé... Mas me diga, Olga... Porque eu não estou satisfeita com tudo isso?

-Não sei o que dizer, minha senhora.

-É claro que não sabe- sorriu, fechando a mão lentamente, enquanto a figura de gelo se convertia em pó- Nem eu mesmo saberia dizer.

-E quanto ao rapaz?- perguntou Olga- Tatsumi?

-Você chegou a conhecê-lo?- perguntou Esdeath.

-Ouvi falar.

-O rapaz não tem jeito- Esdeath tocou o peito- É um rebelde, e pelo que houve naquela luta, é um rebelde cheio de ódio por todos nós. Não acho que exista muito que possa ser feito ao seu respeito. Mas não é tempo de se lamentar... - repetiu- Nada do que houve pode ser mudado, lhe dou o conselho de sair da Capital antes da guerra se iniciar, minha querida- as duas ultimas palavras fizeram Olga se eriçar- Antes da guerra se iniciar.

-Você o ama?

-Acho que amei um dia. Senti tantas coisas por aquele rapaz que nunca imaginei que seria capaz de sentir. Mas eu acho que tudo que éramos já se foi, se é que algum dia tivemos alguma coisa. Ele era o meu refém, eu o moldei, tentei torna-lo o guerreiro que sempre imaginei em meus sonhos, mas ele me traiu e fugiu com Mine- as palavras de Esdeath soaram com certo respeito velado ao pronunciar o nome da atiradora- Isso significa que ele nunca deve ter me amado de verdade. Ele só se agarrou em mim por um instante de sua vida, quando não tinha mais ninguém para se apoiar. Mas você pode tirar um homem da rebelião, mas não pode tirar a rebelião de dentro dele. Pelo menos é isso o que eu acho. Ele nunca me amou de verdade... Como alguém poderia amar uma criatura como eu?- de súbito, Esdeath se recordou na noite em que Wave a deixou.

‘’Você era a minha comandante, e minha amiga. Eu amei você... ’’

Wave era o mais fiel e o mais poderoso de seus guerreiros, Wave era bom, justo, honrado e devotado a ela de uma forma que poucas pessoas poderiam ser, as estradas dos dois haviam se encontrado de uma forma que Esdeath soube de imediato que ele deveria estar ao seu lado, e havia um contraste divertido entre ele e os outros companheiros, porque não havia de forma alguma maldade em seu coração. Até mesmo Run tinha um lado obscuro, obcecado pela morte daquele que destruiu sua antiga classe, mas Wave não. Wave era simplesmente quem era, e não havia nada escondido na sombra dos seus olhos cor de mar.

‘’Eu amei você’’

Wave havia sido o mais próximo que Esdeath chamara de amigo depois de Najenda. Kurome havia sido sua guerreira mais cruel, sua assassina, e ela também a amava. Seryu havia sido com a filha que Esdeath nunca poderia ter. Todos eles haviam a deixado, seja pela brutalidade da guerra ou por escolhas próprias.

‘’Eu amei você’’

As palavras de Wave ecoavam em sua mente desde o dia em que foram ditas, e Esdeath jamais poderia esquecê-las.

-Eu não quero estar aqui- disse Esdeath- Mas eu já fui tão longe... É tarde demais para todos nós. No final do dia seremos todos inimigos...

Alguém bateu a porta no instante seguinte, era Run. Olga pareceu se encolher ao vê-lo entrar pela porta. O Jaeger se vestia todo de branco, e os cabelos cor de ouro estavam soltos, caindo sob os ombros, ele não usava nenhum adorno além dos anéis de Mastema brilhando como ouro pálido em suas costas, e aquilo lhe dava uma aparência pura e angelical. Run parou por um momento e olhou para Olga, mas não disse coisa alguma. Esdeath se perguntou se havia algo entre os dois, mas não era capaz de imaginar alguém como Run fazendo amor escondido em seus aposentos. Kurome até poderia tê-lo feito com Wave, mas Run não.

-Minha senhora- ele se curvou, as asas de Mastema estavam recolhidas dentro dos discos.

-Run- Esdeath sorriu- Há quanto tempo. Voltei apenas agora de minha viagem frustrada.

-Ouvi o que aconteceu na sala do Imperador- disse de uma forma abrupta, ele se levantou- Você matou um daqueles lordes...

-Matei- disse Esdeath, sem preocupação em sua voz- Mas não foi a primeira vez que fiz uma coisa dessas- ela riu baixinho- Teve uma vez que...

Run ergueu o indicador, e Esdeath parou de falar. Olga estranhou aquele movimento, mas Run era a única pessoa com quem Esdeath permitia aquele tipo de postura, muitos o consideravam o braço direito da senhora do gelo.

-Não é uma brincadeira, minha senhora... Muito pelo contrário. Os lordes estão querendo uma retratação.

-E Honest está vindo atrás de mim? Ele disse que viria. Disse que me puniria- Esdeath balançou a cabeça com escárnio- Como se ele pudesse.

-Ele não irá fazer nada- garantiu Run- Ainda não. Me garanti que os ânimos das pessoas se acalmassem.

-Agradeço seus esforços, mas eu sou a ultima luz de resistência que ainda brilha no Império. Honest não fará nada contra mim, ele não pode, nem tem poder para isso.

Run imaginou que, mesmo sem o poder do Sangue Demoníaco, Esdeath ainda era uma guerreira do mais alto nível.

-Não devia brincar com o humor de um homem como ele- disse Run.

-É um conselho válido- disse Esdeath- Poderia me fazer um favor e chamar Dousen? Precisava lhe dar um recado.

A expressão de Run era sombria.

-É sobre isso que eu vim falar, minha senhora.

-Sobre ele?

-Ele morreu, general.

 

Dousen era um homem corpulento, de aparência oriental e vestia-se sempre com um kimono. Agora seu corpo estava esparramado pelo piso de madeira, os membros torcidos de uma forma bizarra. Os olhos estavam arregalados demais, e parecia a Esdeath que o globo ocular poderia saltar da cavidade a qualquer momento, e os olhos, outrora negros, estavam amarelados, doentes. A pele estava pálida, e veias negras saltavam a vista, a boca aberta em uma expressão de pânico. Dousen estava caído em uma poça formada por sangue e vômito, e todos os orifícios de seu rosto estavam manchados por sangue seco.

-Quem poderia matar Dousen dessa forma?- disse a general.

-Ele tinha muitos inimigos- disse Run- Talvez algum deles tenha resolvido agir.

Havia uma grande marca no pescoço do homem, como uma picada de inseto.

-Ele foi envenenado- disse Esdeath- Mas que veneno cruel é esse o que usaram?

Run olhou para o cadáver, então balançou a cabeça negativamente.

-Nunca viu um cadáver antes, Run?- perguntou Esdeath.

-Não é isso minha senhora.

-Então o que está o deixando tão aflito?- ela o olhou- Você sabe a procedência desse veneno, não?

-Eu...

-Não minta para mim, Run.

-Não, minha senhora.

-Run... Sei quando você está mentindo, e ouço pelo tom de sua voz que está mentindo para mim nesse momento.

Run mordeu o lábio inferior.

-Merda!- resmungou- Minha senhora...

-Não estou acostumada a vê-lo usar um vocabulário tão rude- Esdeath se levantou- Fale-me a verdade.

Run suspirou.

-Bolic... Morreu pelo mesmo veneno que ele.

-E porque você estaria tão ávido em esconder essa informação de mim? Isso significa que temos um assassino na Capital. Um assassino rebelde- de súbito, os olhos de Esdeath se arregalaram- Não me diga que...

Run nada disse, mas as asas de Mastema se moviam de uma forma desordenada, indicando que o portador estava nervoso.

-Não é um assassino, então- continuou a general- É uma assassina. E é a mulher mais linda que você já viu em sua vida.

Run arregalou os olhos ao ouvir Esdeath proferir as mesmas palavras que ele usou para descrevê-la quando contou a general de seu amor impossível por Chelsea.

-Como você sabe?

-Não sabia, mas você acaba de confirmar- disse ela- Não se preocupe, isso não é sua culpa.

-Não, Esdeath, eu...

Esdeath o calou com um movimento de mão.

-Uma assassina profissional, capaz de se esconder em plena vista, que usou a confusão para eliminar Bolic. Ela estava com Tatsumi e Lubbock- Esdeath ainda se recordava do nome do homem que estava junto a Tatsumi- Mas diferente deles ela não foi identificada. Uma profissional de infiltrações, que mata de uma forma tão rápida e precisa que o alvo nem mesmo chance de revidar- o corpo de Dousen não tinha sinais de luta, Esdeath sorriu- Você sabe escolher bem as pessoas com quem se relacionar, Run.

Run nada disse, Esdeath deu de ombros.

-Então qual é a habilidade da minha empregada tem?- perguntou- Por acaso ela é uma guerreira de nível alto e eu desconheço essa informação?

-Olga?- franziu o cenho- O que tem ela?

-Ora, vocês dois não estão juntos?- disse Esdeath- Senti algo entre vocês dois, e ela está diferente do habitual.

-Não tenho nada com ela- garantiu Run- Nunca falei com ela, também.

-Poderia tentar- disse a general, enquanto se afastavam da cena do crime- Você precisa se afogar em alguma paixão de vez em quando.

-Por que diz isso?

-Porque você sempre esta com essa mesma expressão cansada, triste e desolada- ela o olhou- Como se o seu coração desejasse alguma coisa, mas que ele também soubesse que essa coisa é inalcançável. Começo a pensar que os dilemas do coração são sempre os mesmos, e que sempre desejamos tudo aquilo que não somos capazes de ter.

Run sorriu.

-Eu gostava mais da Esdeath que mandava os inimigos lamberem suas botas- disse- Essa Esdeath introspectiva, que sabe exatamente o que estou pensando apenas pelo brilho de meus olhos me dá arrepios.

 

Run vagou lentamente pelos aposentos da general enquanto ela dormia, sentia uma inquietação crescente em seu coração. Dousen havia sido morto, assim como mais dois senhores do outro lado da Capital. Haviam sido mortos da mesma forma, com a mesma habilidade e sutileza, e obviamente havia sido o mesmo assassino a fazê-lo. Run conhecia quem era o agente infiltrado no Império.

Era a Assassina de Mil Rostos, tinha que ser. Só ela conseguia se mover tão rapidamente e cometer assassinatos a plena vista, pois a mesma havia se infiltrado no Império alguns anos antes sobre o disfarce de uma mulher que ficou próxima demais de todos eles. Run havia tomado cuidado de não contar a Esdeath mais do que ela deveria saber, e em como Chelsea era capaz de se transformar em qualquer um, mas sentia-se mal por mentir para ela. Olga ainda estava lá, sentada em uma das cadeiras, e ela o olhava de uma forma sinistra. Chelsea não havia conseguido manter a postura diante de Esdeath na Cidadela, enquanto estava na forma de um dos servos de Bolic, entretanto, como ele poderia suspeitar que Chelsea estivesse ali agora? Abaixo do mesmo teto da general?

Mas aquele era o melhor lugar para ela estar. Com a patrulha da Companhia Vermelha ameaçando a todos, as áreas mais próximas ao palácio estavam livres de investigações muito incursivas, e a residência da general estava totalmente livre que qualquer tipo de suspeita. O melhor lugar para se esconder, como também o mais perigoso. Mas Chelsea não apostava na própria sorte, e se ela estivesse ali, com certeza teria um plano.

Não- pensou. Não podia ser ela, não tinha como ser ela. Franziu o cenho, e Olga desviou o olhar.

-Olga- disse ele, quando percebeu a intenção dela de se levantar.

-Sim, meu senhor- disse ela.

-Não sou seu senhor, pode me chamar pelo meu nome- disse Run, em um tom calmo- Pode vir comigo por um instante?

Olga o seguiu com certa timidez- ou seria medo?- pelos corredores.

-Lhe fiz alguma coisa, meu s... digo, Run?

-Você está tentando me enganar- disse ele- Só isso.

Olga fez uma cara de surpresa.

-Eu?

Entraram em um dos quartos, mas Olga pareceu relutante em segui-lo. Run a confortou com um sorriso e a pediu para confiar nele, então a porta se fechou as costas dos dois.

-Porque me trouxe aqui?- ela perguntou.

Run se sentou a frente dela.

-Bem... Isso vai parecer uma loucura se tudo isso não for o que eu penso que é- disse Run- Mas eu preciso lhe fazer algumas perguntas...

Olga arregalou os olhos.

-Perguntas? O que aconteceu?

Run a encarou diretamente nos olhos de uma forma desconfortável, como se tentasse vasculhar cada pensamento dela.

-Não acho que você seja quem diz que é. Você está diferente, e até Esdeath percebeu isso... Mas ela não sabia ao certo o motivo, eu sei... Eu acho que sei.

-Não estou lhe entendendo, Run...

Run suspirou, então as asas de Mastema se expandiram, indicando o nervosismo dele.

-Chelsea- disse- Pare de mentir para mim.

Olga arregalou os olhos, mas logo a expressão em seu rosto se tornou calma e serena. Os olhos castanhos aos poucos se tornaram vermelhos, enquanto toda a sala era tomada por uma onda de vapor. E Chelsea estava ali, sentada, as pernas cruzadas e com um olhar curioso, vermelho como fogo. Os cabelos ruivos caiam soltos sobre os ombros, enquanto as roupas de Ofélia se mostravam maiores do que o corpo original da assassina.

-Run, sinceramente. Você precisa parar de estragar os meus disfarces- ela baixou o olhar, da mão, uma agulha se projetava- E agora?

Run arregalou os olhos.

-Parece surpreso- disse a ruiva.

-Eu não esperava que fosse você- disse ele- Achei que eu estivesse ficando louco- baixou o olhar- Eu penso em você o tempo todo, vejo seu rosto em outros rostos... Nunca sei onde você está, e não tive noticias suas por meses- ele se inclinou na direção dela- Achei que estivesse... Morta.

-Você não teve noticias minhas por anos- disse ela- Mas nos encontramos em Albion, e eu estava viva. Sua preocupação é irracional. E agora?- voltou a perguntar- Vai se levantar daqui e ir correndo em direção a Esdeath contar o meu segredo?

-E se eu o fizer?- desafiou.

A agulha se moveu um centímetro.

-Você morre aqui- disse Chelsea em um tom duro, sua expressão era fria, e ela não parecia estar feliz com o reencontro- Eu já fui longe demais para deixar qualquer coisa me atrapalhar.

O semblante de Run se entristeceu.

-Achei que se importasse comigo- disse ele.

-Eu me importo- respondeu ela.

-E feriria alguém que se importa?

Chelsea manteve-se calada por alguns instantes.

-Não seria a primeira vez- foi a única coisa que disse.

Run sorriu, então se aprumou a Chelsea e a abraçou. As asas de Mastema envolveram ambos em um aperto caloroso e aconchegante. Chelsea ficou sem reação diante daquela ação inesperada. Mas logo se afastou.

-Run... - disse ela, se levantando, o rosto levemente corado- Saia da capital enquanto ainda é tempo.

-Como você se manteve tão calma perto de Esdeath?

-Porque eu sou melhor do que eu era antes- respondeu.

-Chelsea, espere...

-Aqui não é lugar para conversarmos- disse ela, enquanto se aprumava a porta com uma velocidade que indicava nervosismo- E não sei se posso confiar em você- os olhos de Chelsea transmitiam tristeza naquele momento.

-Deixe-me provar que pode- disse Run- Eu posso...

-Você não pode fazer coisa alguma, Run. Está do lado dela!- disse, com cuidado para não elevar muito a voz.

-Eu posso- Run se levantou e andou até Chelsea, então a segurou pela mão. Sentiu a pele alva marcada por cicatrizes- Não direi nada sobre você, mesmo que isso custe tudo o que eu tenho.

-Está falando sem pensar- disse Chelsea- Você tem tudo aqui, uma posição em meio a essa sociedade, dinheiro e lealdade. Não abandonaria nenhuma dessas coisas por mim.

-Você não sabe disso.

-Eu sei- disse ela, se afastando- Você ainda está aqui, apesar de todos os outros já terem partido.

-É porque eu...

Chelsea balançou a cabeça negativamente.

-Depois que nosso exército arrasar esse mundo, você poderia muito bem não tomar parte de nenhum dos lados e viver da mesma forma- Chelsea passou a mão pela maçã do rosto de Run- Meu querido- disse ela, e aquela palavras arrebataram o coração do Jaeger. Chelsea parecia não se importar com a relação que um dia já tiveram, mas ele podia ver através dos olhos dela e perceber que ela tentava ao máximo esconder o que sentia por ele. Ela era uma mentirosa, uma agente de infiltração e a sua maior especialidade era a enganação, Chelsea era capaz de enganar a si mesma sobre o que sentia, e não deixaria seus sentimentos atrapalharem sua missão- Eu quero que esse mundo queime, mas não quero que você morra...

Run sorriu.

-Eu não morrerei. Não posso mudar o curso dessa guerra, mas eu...

-Eu amo você, Run- disse Chelsea, de uma forma abrupta- Fiquei muito tempo dentro da mente de uma pessoa, mas agora meus pensamentos são apenas meus, e tenho certeza que o amo, mas o amor nos torna fracos e quebradiços como vidro, e eu não preciso disso agora- Chelsea deu de ombros- Fique longe de meu caminho.

-Chelsea!- Run a segurou pelo braço, mas ela o afastou com um movimento rápido.

-Não tente me encontrar, Run- disse ela, e então descobriu o que precisava dizer para se certificar do cumprimento da ordem- Se você sente alguma coisa por mim, não fique entre mim e a minha missão.

A ruiva saiu pela porta, e então desapareceu antes que Run pudesse alcança-la do outro lado do corredor.



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