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História Cinza - Capítulo 9


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Notas do Autor


Oi, tudo bom? Nem demorei, não foi? Quero agradecer aos comentários anteriores e logo logo vou responder. Perdão pela demora. Boa leitura e espero que gostem.
PS: Esse capítulo é em homenagem à Diana e Thaline que só sabem comer meu c* no Whatsapp kkkkkk sofroooooo

Capítulo 9 - Covarde


Cinza

TaoziLee

 

Horas antes... 

 

-Mina, fique quieta. - O ômega reclamou. A agitação da sua filha estava o atrapalhando de ajeitar os seus fios cinzas rebeldes longos, algo que já estava o irritando, ainda mais porque estava um poço de estresse por conta do cio ocorrido em poucas semanas. O efeito do mesmo demorava um pouco para passar, deixando o emocional de qualquer ômega bastante bagunçado. -Está pensando que é fácil pentear seu cabelo, garota? - Em resposta, a pequena alfa riu, fazendo o Kim revirar os olhos. 

 

-Faz uma trança, papai! - A voz levemente infantil, porém firme por ela ser alfa, disse. 

 

-Farei se você ficar quieta! - Prometeu, fazendo um sorriso muito semelhante ao seu surgir no rosto alheio, com direito à parte de sua gengiva mostrando no processo. 

 

A garota ficou sentada e imóvel à sua frente, apenas observando as ações do pai através do espelho. Minseok estava bem concentrado, fazendo-a ficar admirada com o quão lindo ele era. Seus pais eram muito bonitos e faziam um casal tão belo que ela, mesmo sendo nova e não tendo tanto entendimento sobre, desejava ter uma família igual, com um ômega que a amasse tanto quanto amasse à ele. 

 

-Onde vocês estão, meus amores? - Tanto o ômega quanto a alfa viraram o rosto para trás, ambos sorrindo daquele jeito que fazia o coração do ferreiro bater de forma apaixonada. Aqueles dois eram a razão pela qual vivia e morria.

 

Minseok fitou a expressão cansada de seu alfa e estreitou os olhos em sua direção, pois mesmo o dia de trabalho sendo bem puxado, ele não chegava daquela forma, então certamente algo tinha tirado seu sossego, só não sabia o que era ainda. 

 

-Aconteceu algo, meu amor? - Indagou, ao mesmo tempo que assistia Jongdae se ajoelhando a sua frente e depositando um selar demorado na sua testa e na de sua filha. 

 

-Não, só estou cansado mesmo. - Jongdae tentou sorrir para passar confiança, mas, por serem tão ligados, o ômega sentiu, sentiu a mentira exalando de todos os poros daquele alfa e o atingindo como um incômodo que o deixou inquieto. Odiava quando ele mentia para si, mesmo sendo algo extremamente raro, mas ele estava tentando ocultar algo que Minseok temeu ser grave demais.  

 

-Tem certeza? 

 

-Tenho, meu amor. Não se preocupe. 

 

Como resposta, Minseok suspirou. Era óbvio que não ia esquecer daquilo e faria questão de lembrar em algum outro momento, mas agora iria terminar de ajeitar a garota que voltava a ficar inquieta por conta da presença do mais velho no quarto.

 

-Já estão prontos? 

 

-Sim! - Os dois responderam juntos, fazendo o Kim mais velho sorrir.

 

-Só vou tomar um banho e já volto. - E sumiu das vistas do homem de olhos felinos. O quarto ficou silencioso por algum tempo, levando o Kim mais novo a pensar em muitas coisas. Odiava ficar preocupado, e Jongdae sabia muito bem disso. Caso ele ficasse doente por conta disso, faria questão de puxar as orelhas daquele alfa teimoso. 

 

Fitou novamente Mina e percebeu a garota inquieta brincando com os dedos e vez ou outra olhando na sua direção, como se estivesse tomando coragem para perguntar algo, por isso, tocou em seus ombros e sorriu sem mostrar os dedos, algo que sempre fazia quando queria que a filha soubesse que estava ali para ajudá-la no que fosse preciso. 

 

A mais nova ponderou algum tempo antes de lhe chamar, mas logo iniciou, trazendo alívio ao ômega. 

 

-Papai...

 

-Oi, meu anjinho. - Acariciou os fios recentemente penteados, ato que a fez inclinar a cabeça para o lado como um filhote dengoso.

 

-Por que o papai alfa está estranho...? - A pergunta inocente da garota fez Minseok se assustar por um momento. Até tinha esquecido que a filha deles era extremamente inteligente. Mina, desde pequena, sempre teve facilidade para aprender os ensinamentos básicos do treinamento de alfa ou até mesmo aprender a falar, algo que ela fez bem cedo. Ela era seu orgulho, por mais que o deixasse de cabelos em pé. 

 

-N-não, filha. E-ele não está estranho. - Respondeu rapidamente, fazendo a garota fitar bem no fundo de seus olhos. Aquilo o fez se arrepiar, afinal, alfas, mesmo sendo pequenos, exerciam um poder enorme de coerção sobre ômegas.  

 

-Tem certeza, papai? - Observou seu pai abaixar o olhar, se negando a olhar em seus olhos, levando-a a crer que sim, seu pai Jongdae não estava tão bem assim.

 

-S-sim. 

 

Agora quem suspirou foi Mina, não gostando nadinha de ver seus pais estranhos daquela forma. 

 

Pouco tempo depois do breve diálogo, Jongdae voltava ao quarto, trajando roupas escuras e pesadas, como forma de se proteger do frio. 

 

-Vamos? 

 

A família composta por três pessoas saiu porta a fora recebendo a brisa extremamente fria daquela noite, combinação perfeita com o céu estrelado e a lua que tinha um brilho especial naquele dia, quase como se estivesse feliz, mas apenas ela, já que no final da noite haveriam pessoas decepcionadas.

 

Os passos lentos dos três iam sendo impressos na neve, algo que era uma diversão para a única garota presente, que vez ou outra se abaixava para fazer uma bolinha com a neve e sendo repreendida pelo ômega que alegava que ela ficaria resfriada daquela forma, algo que era improvável dado ao fato de que eram lobos e o frio malmente os afetava. 

 

Depois de algum tempo andando, Minseok virou-se para o marido, vendo este levemente incomodado, e um suspirou seu foi capaz de atrair a sua atenção. 

 

-Seu pai já informou qual o motivo de nossa ida à casa do Junmyeon? - Indagou enquanto ainda andava, tentando focar-se na paisagem bela que eram as árvores cobertas pela água em estado sólido. O Oeste ficava tão lindo todo pintado de branco que Minseok sentia seu coração ficando aquecido. O inverno era realmente sua estação favorita, mesmo sendo um período que era difícil arranjar alimento para os cidadãos, levando aos sentinelas, irem buscar comida no perímetro da matilha ou até mesmo um pouco além, mas nunca invadindo território de outras pessoas. 

 

-Ele vai se casar... - A frase saiu com pesar, algo que chamou a atenção do Kim mais novo, que fitou seu alfa.

 

-E o que isso tem a ver com você? - Não tinha sido rude, apenas não entendia o que os pais de Jongdae e ele tinha a ver com aquilo. Junmyeon ia casar? Legal, eram conhecidos e adoraria ir até o seu casamento, mas comparecer à um jantar que deve ocorrer unicamente entre as famílias já era demais. A cada instante que se passava, aquilo ficava ainda mais esquisito. 

 

Jongdae demorou muito tempo para responder, e aquele silêncio não estava ajudando ômega em sua tentativa de ficar calmo. Realmente temia pelo motivo de tudo aquilo. 

 

-Não é comigo... - Por mais que fosse óbvio, ouvir aquilo fez o lobo de Minseok ficar calmo, pois certamente ele odiaria ao menos pensar em Jongdae com outro alguém. -É com o meu irmão.

 

Minseok parou no meio do caminho, fitando brevemente as costas de Jongdae, sem entender o que aquilo significava. Desde quando, exatamente, Kim Jongdae tinha um irmão? Se conheciam há anos, eram melhores amigos, amantes e interligados. Como passou tantos anos sem saber de algo tão importante como aquilo...? Por que Jongdae tinha mentido?

 

Sem que quisesse, seu coração doeu, talvez por ter sentido tamanha decepção por estar sabendo daquilo agora, mas ainda não podia julgar o alfa sem que ele se explicasse. 

 

-Como assim seu irmão? - Sua voz soou baixa, ao mesmo tempo que o mais velho se virava em sua direção. -Por que eu nunca fiquei sabendo disso?

 

-É complicado, Minseok... é um assunto de família. - Novamente seu coração doeu. O que era aquilo agora? Seu marido tinha se dado conta do absurdo que tinha falado? Encarou as orbes negras do homem à sua frente enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro, sem acreditar no que tinha acabado de escutar. Pedia aos deuses que ele estivesse apenas fazendo alguma brincadeira de mal gosto, mas duvidava muito. Ele não iria brincar com algo tão sério. 

 

A frase tinha soado como uma traição. 

 

-E eu não sou sua família, Jongdae? - A voz embargada de seu ômega fez seu lobo interior se desesperar só de pensar na possibilidade do homem que amava decepcionado ou chorando. Odiava ver Minseok triste, doía mais em si do que nele.  -Lembra de quando nos casamos? Prometemos nos amar e nos apoiar. Não há espaços para mentira em uma união. - Uma lágrima solitária desceu pelo rosto alvo, fazendo até mesmo Mina ficar preocupada e ir abraçar as pernas do pai, como se tentasse o acalmar. 

 

-Não chore, papai. - Pediu, apertando ainda mais o abraço. -Se papai Min ficar triste, Mina também fica. 

 

E foi então que Minseok chorou ainda mais, não aguentando segurar as lágrimas e se ajoelhou no chão puxando o corpo da garota para junto do seu. O cheiro dela lembrava do pai alfa, algo que lhe trouxe uma leve calmaria, mas não o suficiente. 

 

-Peça desculpas à ele. Agora! - O seu alfa interior rosnou dentro de si, totalmente irritado com a sua conduta, mas em momento algum Jongdae quis machucar o outro. Seu erro foi ter se expressado de uma forma errada, forma essa que magoou a pessoa que mais amava no mundo, juntamente com a pequena alfa, claro. 

 

Aproximou-se do mais novo e envolveu seu corpo, compartilhando do abraço que ele e sua filha trocavam. Não ousou falar algo durante algum tempo, ficando apenas aproveitando o cheiro dos outros dois ali, criando o melhor aroma que já tinha sentido.  

 

-Meu amor... olha, me desculpe, okay? - Segurou o rosto do ômega entre as suas mãos, acariciando as bochechas cheias e vendo o homem praticamente derreter com o contato, fitando-lhe bem nos olhos e procurando a sinceridade que sabia que o alfa tinha. -Porém é mais complicado do que parece. 

 

-Tenho todo o tempo do mundo para ouvir a explicação. Somos companheiros. Eu preciso saber dos problemas do meu marido, afinal, são meus problemas também. Essa marca nos liga. - Abaixou o manto por um breve momento e a deixou exposta para o marido, que a beijou delicadamente observando o no mesmo instante ofegar e se arrepiar. 

 

-Sabe quem é Taewoo? - Fitou o rosto bonito do de olhos felinos e se perdeu em cada curvinha perfeita que o marido tinha, desde as bochechas cheias até os cabelos maiores que o seu. Algo que amava, principalmente, em Minseok, era o seu sorriso... ele era capaz de deixar qualquer dia de merda, bom novamente. 

 

-Taewoo? - O Kim mais novo arregalou os olhos, fazendo Jongdae arquear a sobrancelha e lhe questionar de onde o conhecia. -O vi uma vez procurando pelo Baekhyun...

 

-São melhores amigos, então acho que é normal. - O alfa falou, fazendo Minseok morder os lábios em nervosismo, já que sabia mais do que devia. -Enfim... somos irmãos porque ele é filho do meu pai. - O outro homem ficou um bom tempo tentando entender o que o marido tinha dito, e quando finalmente conseguiu, arregalou os olhos. 

 

-Um meio irmão... - Sussurrou. -Um bastardo!

 

-Sim, meu pai acabou traindo minha mãe já que eles não eram marcamos até mesmo depois do meu nascimento. - Suspirou, um pouco incomodado com o assunto que trazia tanta dor à sua mãe. -Acontece que ele perdeu o controle e passou o cio com uma outra ômega, o que meses mais tarde trouxe uma surpresa, um filho, Taewoo. - Bagunçou os cabelos perfeitamente alinhados e algumas mexas pousaram sobre o seu rosto. -Minha mãe não gostou nadinha e claro que quase se separou dele, mas ela amava o meu pai demais para fazer isso, então o deu uma segunda chance, porém, o assunto Taewoo foi proibido até mesmo de ser citado dentro de casa.

 

Minseok estava estático diante o que foi dito. Ele nunca imaginaria que aquilo tudo tivesse ocorrido, mas também não poderia julgar o marido agora. A família dele sempre foi reclusa, mas nunca chegou a pensar que o motivo para isso tivesse sido uma traição do senhor Kim e que gerou um fruto que eles renegavam. Porém, o que mais lhe surpreendia naquilo tudo era o fato de que, mesmo Taewoo sendo um alfa que deitou com o ômega do líder, ele não tenha sido recusado pela família de Junmyeon, afinal, todos sabiam o quanto a senhora Kim gostava de dizer que o filho dela era o ômega mais certinho da matilha. 

 

Qual era a lógica de juntá-lo com um alfa como Taewoo que desonrou o ômega do líder? 

 

Resolveu deixar tudo aquilo de lado e apenas se limitou a se desculpar com o seu alfa, este que disse que ele não precisava se desculpar, que o erro tinha sido dele. 

 

Seguiram por mais algumas casas até finalmente avistar a casa de Junmyeon. O lugar estava bem silencioso, porém iluminado e cheirando a cozido de carne e verduras, algo que animou Minseok, já que ele adorava o prato. Jongdae deu algumas batidas na porta e logo o pai de Junmyeon aparecia sorrindo, sorriso que o ômega interpretou como sendo da mais completa falsidade. 

 

-Boa noite, senhores Kim. 

 

-Boa noite. - Jongdae e Minseok responderam, sorrindo tão falso quanto o mais velho. Ele pediu para que se sentassem e eles foram, ficando extremamente incomodados com toda a situação que se meteram, mas não tiveram ao menos tempo para puxar assunto e dissipar o breve silêncio, já que logo o pai de Jongdae chegava, porém sem a sua mãe e sem Taewoo.

 

-Cadê ele? - Jongdae questionou, recebendo como resposta um suspiro do pai, já que nem ele sabia onde o mais novo tinha se metido, porém o mesmo sabia que logo tinha que estar ali. Era muita falta de educação deixar os outros esperando, ainda mais levando em conta que sua família gostava de passar uma boa impressão e era muito próxima da família Park. Tinham que ser perfeitos em tudo. 

 

-Não sei. - Sussurrou, apenas para que o filho ouvisse, se bem que o pai de Junmyeon não parecia muito interessado em dar atenção a quem quer que fosse. -Taewoo é um irresponsável!

 

O alfa de cabelo no meio das costas suspirou. Amava o seu pai, mas ele ainda não parecia entender o próprio filho mais novo. Não que Jongdae quisesse proteger o irmão do fato de que ele vivia aprontando, mas Taewoo ainda era uma criança... uma criança que foi privada de viver com a presença do pai porque o mesmo foi um irresponsável de ter lhe trazido ao mundo junto com a sua mãe, mas não era responsável o suficiente para lhe dar o amparo necessário. Um filho precisa do pai e da mãe, não só de um dos dois, mas Jongdae também entendia a complexidade daquilo tudo.  

 

-Não deve culpá-lo por seus erros, pai.

 

-Quais erros? - A forma despreocupada que Dongyul fez a pergunta deixou Jongdae extremamente irritado, mas antes que ele fizesse alguma besteira, sentiu a mão quentinha do seu ômega, já que ele tinha sentido sua agitação. 

 

-Você deixou o menino sem um pai... como queria que ele fosse mais responsável? - Sussurrou a pergunta. -Um filho alfa precisa do pai alfa o ensinando o que é certo e o que é errado. Uma criança precisa do amor dos pais para se sentir querido... nem você e nem a mãe dele foram capazes disso. - Quase rosnou. Odiava injustiças. -Talvez ele não fosse um irresponsável se você tivesse sido um pai presente para ele.

 

-Eu estava cuidando da minha família! De você!

 

-Ele também é a sua família. - Aumentou a voz, chamando a atenção do pai de Junmyeon, que encarou os dois alfas de forma confusa. Não estava prestando atenção neles, já que estava ocupado demais com o livro velho em mãos. Adorava leitura, e estava lendo mais uma vez sobre seus ancestrais, sobre os primeiros líderes do Leste, sobre toda a descendência dos Parks. -Você que é o irresponsável da história. 

 

-Jongdae, já chega! - Respondeu sério. Não tinha gostado da atitude do filho. Viu aquilo como um grande desrespeito. E antes que novamente o filho rebatesse algo, avistou o filho de Jieun e Jiyong aparecer na sala. A expressão assustada e abatida feriu o seu coração. Odiava toda aquela tradição que as matilhas tinham de casar os filhos ômegas com um alfa de sua preferência. Aquilo era tirar a liberdade deles, de submetê-los a alguém que não gostavam, mas não era como se aquilo fosse mudar de uma hora para a outra. 

 

-Boa noite... mas o que vocês estão fazendo aqui? - Indagou, a expressão ainda mais confusa do que antes, mas não o julgaria, certamente se tivesse no lugar dele teria a mesma reação. -Vocês já não são casados? Por que estão aqui? 

 

-Junmyeon, olhe os seus modos! - A mãe do Kim o repreendeu, mas apenas riu baixinho, juntamente com o seu marido. Junmyeon era um ômega adorável. 

 

-Está tudo bem, Jieun, ele só está confuso. - Dongyul se pronunciou, fazendo no mesmo instante a expressão de Jongdae se fechar. O mais velho fez uma reverência para o Kim mais novo e observou ele repetir o ato. -Você não irá casar com o Jongdae, fique tranquilo. Ele já tem um ômega e é marcado. - Sorriu.

 

Minseok naquele instante só queria abraçar o mais novo e dizer que tudo ficaria bem, mas ele sabia que nada ficaria bem, não quando o outro estava sendo obrigado a se casar. E ainda mais levando em conta que seu futuro marido seria Taewoo. Realmente não sabia como tinham arranjado aquele casamento, já que Jieun e Jiyong jamais aceitariam um alfa que tinha aquele tipo de idole. Talvez eles nem soubessem ainda daquilo. 

 

-Com quem irei me casar, então? - O ômega mais novo presente questionou, mas antes mesmo que qualquer uma das pessoas respondessem, a porta foi aberta, fazendo Minseok prender a respiração e fechar os olhos, não querendo ver a expressão de Junmyeon. Certamente ele não gostaria de saber que seu futuro marido já tinha um filho, afinal, Junmyeon era médico e atendeu Baekhyun.  

 

-Boa noite. - Taewoo falou, entrando de forma tímida na casa e sorrindo minimamente, fazendo apenas Jieun retribuir, já que até mesmo Jiyong parecia desgostoso. 

 

-Taewoo? - Junmyeon jurou que iria desmaiar naquele momento. O que diabos estava acontecendo ali mesmo? Era algum tipo de piada com a sua cara, certo? Aquilo não podia estar acontecendo... talvez estivesse sonhando, sim, um sonho enviado pelos deuses apenas para lhe dar um susto, mas a cada segundo que tudo se passava no mais completo silêncio, mais seu coração batia de forma dolorosa e agoniada.  -O que ele está fazendo aqui, papai? - Fitou Jiyong, que mantinha uma expressão séria. -O que está acontecendo aqui? - Gritou, recebendo um olhar reprovador da mãe. 

 

-Não grite na frente de seu noivo!

 

-Meu noivo? Vocês realmente querem me casar com ele? - Estava chocado. Não... aquilo ele jamais iria admitir! 

 

-Qual o problema nisso? - A ômega indagou, movendo seus fios cinzas e longos para trás, os lábios avermelhados e finos como o do filhos estavam curvados numa expressão que demonstrava todo o seu desagrado diante sua conduta, mas ele estava pouco se fodendo para aquilo. 

 

-Vocês sabem o que ele fez? - Todos olharam para Junmyeon curiosos, menos Minseok e Dongyul, estes que estavam apreensivos com o que o ômega diria. A verdade era que apenas os dois sabiam. Minseok, por viver entre o casal Park e Byun, e Dongyul por ter sido chamado para uma reunião com o Conselho sobre o futuro do filho. O senhor Kim tinha implorado pela vida de Taewoo, este que só foi salvo porque os pais de Chanyeol acabaram cedendo, mas seus avós odiaram aquela ideia. 

 

-O que você está pensando, Junmyeon? - Taewoo se pronunciou, atraindo novamente o olhar do ômega para si, este que lhe fitou como se fosse o mais terrível monstro que via. 

 

-Então ninguém ainda sabe? 

 

-Jun... fique calmo... - Minseok pediu.

 

-Calmo? - Indagou retoricamente e rindo em puro deboche. -Fala isso porque não é a porra de seu futuro em jogo!

 

-Junmyeon! Não foram esses modos que lhe dei.

 

-Mãe... cala a boca! - Gritou, expressando toda a sua raiva, mas a verdade era que estava se segurando para não chorar em frente a todos. Seu coração ainda doía, chamando pelo único alfa que amava, pela única pessoa que de fato se importava consigo. Queria correr até Yixing e lhe implorar para que fugissem, mas não podia ser tão imprudente. 

 

-Como ousa falar assim comigo? - Jieun estava surpresa. Nunca seu filho tinha agido daquela forma. Estava realmente chocada com toda aquela situação. 

 

O Kim mais novo suspirou. Aquilo não ia acabar bem. 

 

-Eu não vou me casar com Taewoo... ele não é quem vocês pensam que ele é. 

 

-E quem ele é? - Jiyong questionou.

 

-O alfa que desonrou o ômega do líder. - Respondeu normalmente, mesmo sabendo que tinha acabado de causar um caos na sua casa. Tanto seu pai quanto a sua mãe olharam para Taewoo e logo depois para Dongyul, sem saber como reagir diante daquilo. Era claro que sabiam sobre Baekhyun ter se deitado com outro, mas este outro não teve o nome divagado pelo vento. Só o ômega que sofria das calúnias que alguns inventavam para completar a desgraça do mesmo. 

 

-Dongyul? - Jieun chamou, olhando para o senhor Kim como se ele fosse um inimigo. -Como ousou propor este alfa para o meu filho? Um ômega puro!

 

Junmyeon quis rir daquilo, mas estava tão nervoso e triste que ao menos conseguiu. Qual era a droga do problema de seus pais? Ou melhor, qual era a droga do problema da sociedade em aceitar um ômega que se deita com outros antes de se unir ao companheiro que passaria o restante da vida? Por que para alfas era algo facilmente aceito e para ômegas era o mais terrível pecado? Junmyeon só queria mandar cada uma das pessoas que pensavam daquela forma para o inferno.

 

Dongyul se manteve calado, talvez chocado demais com o rumo que tudo tinha tomado. Nunca imaginou que Junmyeon soubesse daquilo. Pensava que só o Conselho tivesse aquela informação, mas estava enganado. Agora suas chances tinham ido por água abaixo.

 

-O noivado está cancelado. - Jieun disse, fazendo um sorriso surgir nos lábios rosados de Junmyeon. Aquela era sua chance de fazer tudo dar certo, de fazer Yixing ser aceito por seus pais. 

 

Cinza

 

O frio estava congelante naquela noite, levando o pequeno ômega grávido a buscar lenha na floresta. Queria acender a lareira que tinha na sala da casa do Park, já que estar grávido o fazia ficar mais sensível ao frio ou ao calor. As noites estavam severas, fazendo com que o seu corpo tremesse sempre, ansiando pelos braços quentes do marido, mas estes nunca vinham. Chanyeol não estava mais disposto a lhe abraçar como fazia antes... não que quisesse aquilo, mas precisava, porém sabia que o outro não o ajudaria. Não mais. 

 

Aquela droga de sensação o deixava confuso. Ele queria se manter longe, mas seu lobo não deixava. Já estava ficando cansado de toda aquela droga. Não desejava Chanyeol, apenas o seu lobo que sim, apenas ele tinha esperanças de dar certo com um alfa rude como o Park, mas o lado humano de Baekhyun queria distância dele. Só queria viver sua vida normalmente, em completa paz, mas sabia que não seria possível. 

 

À partir do momento que seu destino foi cruzado com o do Park, sua vida já estava marcada.

 

Baekhyun respirou fundo, fechando os olhos enquanto se sentava no chão. Sua respiração ficava mais calma a cada segundo, deixando seu corpo relaxado e a sensação forte tomando conta de seu corpo. Sentia seu interior agitado e suas unhas ficando um pouco mais crescidas, combinando com os caninos que saltaram para fora de sua boca. Quando abriu os olhos, era tudo escuro, seus olhos estavam no mais profundo preto da escuridão, mostrando que seu lobo estava presente ali. 

 

-Eu não aguento mais viver dessa forma... - O lado humano disse, fazendo seu lado lupino sorrir, achando graça do quão fraco ele era. 

 

-Você causou isso a si mesmo quando sabia que eu desaprovava qualquer envolvimento com aquele alfinha fraco. Tudo isso está acontecendo por conta de sua teimosia e irresponsabilidade.

 

-Eu não mando no meu coração, lobo.

 

-Mas você, mandando ou não em seu coração, ainda é um ser racional, capaz de decidir o que é certo ou errado, humano.

 

-Naquele momento, me entregar para Taewoo pareceu certo.

 

-Pobre criança... tão ingênua em confiar nele... parece certo agora ter se entregado a ele? - Baekhyun viu a si mesmo em sua mente com as expressões de seu lobo, e ele sorria, parecendo se divertir com a sua desgraça.

 

A frase machucou Baekhyun. Ele a sentiu como um tapa na cara, daqueles que deixam os dedos impressos em seu rosto, assim como a avó de Chanyeol tinha dado em si. 

 

-Não, não parece. - A voz soou embargada. Seu lobo não precisava ser tão duro consigo. -Mas em quem devo confiar, então? No Chanyeol? - Quase riu. Realmente não estava acreditando que seu lado lupino fosse tão idiota assim.

 

-Sim.

 

Baekhyun suspirou. Ter entrado em contato com seu lado lobo não ajudou em nada. 

 

-Isso só pode ser uma piada... o que você viu demais nele, lobo? 

 

-Você ainda não entende, Baekhyun... ainda é ingênuo. - Praticamente cuspiu aquilo em Baekhyun, este que sentiu algo estranho vibrar em si. Não sabia o que aquilo queria significar, mas por um momento, teve medo. Medo de saber o que realmente Chanyeol significava para si. Ou melhor, para o seu lobo. Aquilo não devia acontecer. -De qualquer forma, eu não posso mudar as merdas que fez. No futuro você vai entender, só não tente ser um grande idiota até lá, já que Chanyeol é importante para a gente. - E então se desligou do ômega, fazendo-o recobrar o corpo por completo, enquanto respirava com dificuldade. 

 

Chanyeol é importante para a gente...

 

Aquela frase arrepiou o corpo do Byun de uma forma que ele não gostou. Aquela conversa com o seu lobo foi bem esquisita levando em conta de que ele falou coisas confusas, coisas estas que o deixou pensativo demais. Realmente queria saber os motivos do seu lobo, mas agora tinha que buscar a lenha. Deixaria para pensar naquilo mais tarde. 

 

Vestiu uma manta pesada de pele de algum animal que ele não fez questão de saber e seguiu para fora da casa, recebendo o vento extremamente gelado no rosto e bagunçando os seus fios. Agradecia por estar sozinho em casa e não precisar dar satisfações sobre para onde ia. Chanyeol tinha saído de manhã, dizendo que ia para o treino dos sentinelas e que a caçada seria naquela noite, afinal, o povo precisava se alimentar, e até agora não tinha voltado, deixando o Byun sentindo-se livre da presença forte.

 

Abraçou a própria barriga redondinha que crescia de forma lenta e passou a andar pela neve, não afetando seus pés por estar calçado. Observava o ar sair de suas narinas e condensar no ar, por conta do choque térmico. Vez ou outra acabava se assustando com algum barulho, mas sabia que era apenas o vento balançando as árvores ou até mesmo algum animal que se arriscava sair em meio àquele frio. Como o lugar não era tão longe, então daria para ir à pé e voltar em poucos minutos, por isso, tentou andar mais rápido, ainda mais quando passou por alguns cidadãos da matilha e eles lhe fitaram de forma estranha. Não entendeu bem o motivo daquilo, ou simplesmente tentou fingir que não tinha entendido e seguiu seu caminho, logo avistando alguns tocos de árvores já mortas por conta do frio ou até mesmo alguém que tivesse derrubado antes. 

 

Pegou o máximo que sua força permitiu, chegando a carregar bastante pedaços, afinal, ele era bem forte, e voltou a caminhar para a casa do líder e tentando ignorar cada um dos olhares que o fazia sentir-se péssimo, e assim que avistou a casa iluminada pelas velas, adentrou o lugar rapidamente e depositou a lenha no chão, as ajeitando na lareira. 

 

Estava tão distraído que não ouviu os passos próximo a entrada da sala, apenas sentiu um arrepio cruzar seu corpo e o cheiro tão característico que rondava sempre aquela casa o atingir. O aroma extremamente forte de Chanyeol deixou seu corpo queimando em brasa no mesmo instante, quase o levando à beira da loucura enquanto seus olhos oscilavam no tom normal para o tom de seu lobo interior. 

 

Segurou a madeira de forma firme e prendeu por alguns segundos a respiração, tentando se acalmar, ou acabaria fazendo algo de errado.

 

Virou a cabeça para trás e pôde observar o rosto bonito do alfa, que lhe encarava com uma expressão indecifrável, mas que o Byun ignorou.

 

-Boa noite. - O ômega arregalou os olhos encarando o mais velho, afinal, ele sempre lhe ignorava, então por que tinha lhe desejado uma boa noite? Não estava entendo o que estava acontecendo ali, mas sabia que algo estava errado.

 

-Boa noite... a comida já está pronta. - Levantou-se e fitou o marido, notando que talvez tivesse algo de diferente nele, só não sabia dizer o que.

 

-Tudo bem. Obrigado. - E sumiu do seu campo de visão indo até seu quarto. Baekhyun sabia que ele tinha ido tomar banho. Chanyeol tinha mania de se lavar toda vez que saía de casa e voltava. 

 

Depois daquela noite na casa dos seus pais, há uma semana, Baekhyun e Chanyeol estavam num clima mais... leve. Porém, nem tanto. Só não viviam mais brigando a todo momento. Talvez pelo fato de terem enjoado de se tratarem como crianças, mas era um bom começo. Eles precisavam amadurecer muito ainda.

 

Toda vez que o ômega lembrava da forma cujo foi protegido por Chanyeol, seu lobo interior se agitava dentro de si feliz pela proteção, e por mais que Baekhyun estivesse feliz por ele ter lhe ajudado também, ao menos sabia como agradecer ao marido. Chanyeol estava lhe salvando mais vezes do que podia contar, e sabia que estava sendo muito egoísta em ainda não ter dito um simples "obrigado", levando em conta de que ele tinha já tinha lhe poupado da morte. 

 

Ainda não entendia porque Chanyeol fazia aquelas coisas. Por mais que ele fosse o seu marido, ainda parecia sem... razão. Ou melhor, ele parecia ter uma razão para tudo aquilo. Acreditava que se estivesse no lugar dele, jamais teria misericórdia, afinal, Baekhyun sabia que errou bastante, mas ainda era difícil dar o braço à torcer. 

 

Observou o outro voltar para a sala e ir para a cozinha após lançar-lhe um olhar como quem o chama para jantar, e ele foi, já que a tradição mandava o casal comer juntos. Sentou-se de frente ao alfa e ficou observando-o colocar a comida em seu prato, para logo depois repetir o ato totalmente em silêncio e incomodado. E Chanyeol percebeu sua inquietude, mas preferiu ficar quieto até que decidisse falar por si só. 

 

A convivência deles ia de mal a pior a cada dia, e Chanyeol já estava ficando exausto de tudo aquilo. Queria paz... por que os deuses estavam fazendo aquilo consigo? Por que tudo não ocorreu como deveria ocorrer? Seria muito mais fácil se Baekhyun nunca tivesse conhecido Taewoo e tivesse se casado consigo e os dois fossem felizes. Tinha certeza que o motivo para o casamento deles estar daquela forma fosse culpa de Taewoo, mas a verdade era que Chanyeol e Baekhyun era uma complicação sem tamanho. Eram duas crianças em corpo de adultos, incapazes de entender um ao outro, quando, uma simples conversa, já resolveria metade de seus problemas. 

 

Mas, toda vez em que conversavam, só sabiam se tratar mal... brigavam. Faltava maturidade neles dois. 

 

Iniciaram o jantar também em silêncio. Chanyeol mantinha a cabeça baixa e saboreava a comida que o marido tinha feito, estando muito satisfeito com o sabor, já que o Byun cozinhava muito bem. Apesar dele ser um ômega imprudente, sabia como agradar um alfa naquele quesito. Quase se arriscou a elogiar a comida dele, mas prendeu a frase na garganta, se proibindo de puxar assunto com ele enquanto ele não dissesse o que queria. 

 

Seu rosto era tão bonito mergulhado em confusão que o que mais queria era sorrir para ele e dizer o quanto ele era belo, mas tinha certeza que o Byun o trataria de forma rude, assim como sempre fazia. Ele era um mal agradecido. 

 

Observou o ômega movimentar os lábios e prestou atenção nele, observando-o travar uma batalha consigo mesmo sobre falar o que o incomodava, por isso, aguardou novamente. 

 

-Chanyeol... - A voz quase que soou baixinha e quebradiça, fazendo seu lobo se agitar em sinal de alerta. Por um momento, teve medo de que algo tivesse acontecido, mas tentou fingir indiferença, por mais que estivesse a beira de enlouquecer. 

 

-Oi, Baekhyun. - Suspirou antes de responder, fazendo o ômega quase vacilar e voltar a se calar. Os olhos negros dele estavam banhados em uma infinidade de sentimentos que fazia Chanyeol ficar atônito, já que a marca quase que apagada o fazia sentir toda aquela bagunça que era o interior do Byun.

 

-E-eu... queria agradecer. 

 

Ao final da frase, Chanyeol realmente achou que estivesse louco, pois, era Byun Baekhyun, seu marido teimoso e irresponsável falando aquilo. Nunca, em seus sonhos, imaginaria o dia que ele o agradeceria chegando. Talvez aquilo fosse um delírio de sua mente. Não tinha outra explicação. 

 

-Pelo quê?

 

-Por todas as vezes que me ajudou. Posso não ter agradecido antes, mas é que eu não sabia ao certo como falar isso. - O olhar intenso do alfa para si fazia com que desejasse sair correndo dali, com medo. 

 

-Não se preocupe. Não foi nada. 

 

A resposta do outro doeu em seu coração, pois Chanyeol tinha feito tanto por si que mal podia calcular o quanto que devia a ele, mas ele estava tentando tratar aquilo como banal, mesmo Baekhyun sabendo que aquela era a forma dele de ser teimoso ou até mesmo de brincar com a sua cara. 

 

Já estava cansado de tudo. Que droga aquele alfa queria de si? Não seria mais fácil ele deixá-lo no meio da floresta sem amparo algum? O deixar à mercê da morte e da própria sorte? Preferia que o Park acabasse logo com aquilo do que mantê-lo naquele sofrimento mental que era aguentar aquele casamento sem surtar, e sem que percebesse, lágrimas grossas rolavam por seus olhos, talvez causadas também por conta da sensibilidade da gravidez, mas parte dela era pelo estresse e raiva. 

 

Chanyeol fitou seu rosto quando um soluço saiu por seus lábios, mas em momento algum o olhar negro demonstrou pena, mas Baekhyun percebeu a pintada de preocupação lá no fundo. 

 

O Park se preocupava consigo, mesmo o ômega não sabendo o motivo. 

 

-Eu não estou mais suportando isso, Chanyeol... para mim já chega. - Murmurou enquanto colocava as mãos em frente ao rosto, proibindo o alfa de ver sua fraqueza. Pensava que provavelmente ele estivesse o julgando internamente com aquele olhar intenso, mal sabendo que Chanyeol estava preocupado. 

 

-Isso o que, Baekhyun? - A calmaria na qual ele perguntava só fazia Baekhyun chorar mais e querer o estapear. Porra! Por que ele não colabora consigo? 

 

-Essa droga de clima pesado entre a gente! - A resposta do ômega fez Chanyeol finalmente parar de comer, fitando a írias negra e se perguntando que merda aquele garoto queria. Uma hora, ele parecia querer distância  de tudo que era ligado a si, e na outra, ele parecia querer o trazer para o seu sofrimento, mal sabendo que Chanyeol já estava nele há muitos anos. Estava cansativo tudo aquilo. 

 

-Devo te lembrar de quem começou tudo isso? - Indagou calmamente enquanto sorvia o suco de frutas que o mais novo tinha feito. Avistou a raiva cruzar no rosto bonito dele e suspirou. 

 

-Como assim? - Indagou indignado. Chanyeol estava querendo jogar toda a droga da culpa em si?  -Você que veio querendo se impor para cima de mim.

 

Chanyeol passou as mãos pelos cabelos totalmente irritado fazendo com que os fios  caíssem pelo seu rosto, o deixando com um ar viril que quase fez o ômega perder o fôlego, mas teve que se segurar. Chanyeol estava o descontrolando demais na última semana, mas não estava entendo que droga estava acontecendo. 

 

-Baekhyun... - Falou o nome com certo pesar, quase como se doesse em si pronunciar aquilo. -Você ainda não percebeu que eu fiz isso para te proteger?

 

-Me proibir é me proteger? - Riu sem humor. Aquilo só podia ser brincadeira. Aquela forma de "proteção" dele na verdade estava o sufocando. 

 

-É sim! E sabe por quê? - Observou o mais novo o encarar firmemente no olho, como se naquele momento não estivesse o temendo, por mais que o Park soubesse que sim, ele estava com medo de si, mas não era isso o que queria. Nunca quis assustar o ômega. -Porque na primeira chance que tirei os olhos de você o babaca do Taewoo tentou te machucar. A merdinha do alfa que você ama! 

 

Baekhyun sentiu a frase como um tapa na cara, o lembrando de toda desgraça que vinha acontecendo nos últimos meses em que estava casado. Não queria lembrar de Taewoo. Não mais. Aquilo fazia seu coração doer... e por mais que tentasse o esquecer, sabia que era difícil. Não era fácil apagar uma paixão de anos, ela vai se manter na sua mente durante muito tempo, por mais que não em seu coração. 

 

Amar doía... e amar Taewoo doía ainda mais, porque sabia que era substituível em sua vida e também porque nunca foi recíproco o amor que sentiu. A paixão o deixou cego, à ponto de se entregar a quem não merecia. Se pudesse voltar no tempo, iria tirar o melhor amigo de seu coração e de sua vida.  

 

Mas quem poderia julgar Baekhyun? Um jovem ingênuo que se deixou levar por belos atos, mas que no fundo nada significava. Taewoo não lhe amava. Talvez ao menos gostasse de si até mesmo como amigo. Como pôde nunca ter percebido? Como se iludiu no dia que passaram o cio juntos? As palavras de carinho, os toques leves... aquilo não significou nada. Talvez fosse uma ilusão de sua mente aquela gentileza que Taewoo teve. Uma forma de poupar-lhe da pura verdade. Uma verdade amarga e dolorosa demais para suportar.

 

-Não vamos mais falar nisso, por favor. - Quase implorou. Aquele assunto ainda era delicado. 

 

-E por que não? Tem medo da verdade? Acha que fugir é mais fácil?

 

Baekhyun suspirou, tentando manter a calma por mais que estivesse sendo difícil. A droga daquele alfa chegava a ser mais teimoso que si. Tinha sérias dúvidas sobre quem era o mais novo naquela relação. 

 

-Eu estou tentando me acertar, mas por que você está dificultando tanto as coisas?

 

-Baekhyun, você me traiu quando se deitou com ele... - O ômega engoliu em seco, temendo o pior e sentindo o peso do que o marido dizia. Ele parecia empenhado em jogar aquilo em sua cara. -Traiu minha confiança quando me desobedeceu e se encontrou com ele. - Praticamente gritou, fazendo sua voz de alfa vir à tona e deixando o ômega assustado, por isso, respirou fundo e tentou manter a calma. Não gostava de usar sua presença daquela forma, era algo baixo demais, porém seus instintos as vezes falavam mais alto que sua parte racional. 

 

-Não foi traição, Chanyeol. Eu nunca pedi nada disso. - Novamente ditou com a voz embargada, segurando as novas lágrimas. Aquilo quase amoleceu o coração do líder, mas ele preferiu fingir que não ligava. 

 

-Como não é traição? - Negou com a cabeça enquanto fitava o menor nos olhos, levando o mesmo a abaixar o rosto. Não suportava aquele peso.

 

-Porque não temos nada, droga! 

 

Chanyeol riu, um riso doloroso que atingiu até mesmo a sua alma. Talvez ela não existisse após tanta mágoa que estava vivendo nos últimos anos amando alguém que lhe odiava. Estava sendo difícil seguir em frente quando o cara que amava o dizia coisas como aquela. Baekhyun realmente não tinha noção de merda alguma. Como ele podia ser tão desatento daquela forma? 

 

-E esse é o problema, Byun... - Estava tentando se segurar para não acabar falando de seus sentimentos, mas estava sendo difícil quando aquele ômega exigia muito de si.

 

-O que? - Perguntou ainda sem olhar para o rosto do mais velho. 

 

-Esqueça. - Falou enquanto se levantava da cadeira, mas foi impedido pela mão bonita do mais novo. Sentir aquele calor e o cheiro tão próximo de si o fez fechar os olhos inconscientemente, como uma forma de controlar a agitação do seu lobo interior.

 

-Você começou... por favor, termine. - Ah... talvez, se o Byun soubesse o que iria escutar a seguir, não tivesse impedido Chanyeol de partir. Seria muito mais fácil fingir que nada daquilo estava ocorrendo se nunca soubesse daquilo, mas sua curiosidade foi tanta que agora não soube o que fazer.

 

-É um problema porque eu te amo e você não me ama, Baekhyun. - Aquilo soou como uma facada em seu coração, daquelas que o rasga desde aquele ponto até sair pelo outro lado, devastando seu corpo e sua alma também no processo, fazendo com que sua vida se esvaísse de forma lenta e dolorosa. -Você preferiu se entregar para ele do que para mim. - Baekhyun podia jurar que estava ficando louco, pois a visão dos olhos embaçados do alfa só poderia ser um delírio seu. Aquilo não podia ser real... 

 

-Mas eu o amava... - Quase que ouviu seu lobo interior implorar para que ficasse quieto, mas antes que conseguisse se conter, as palavras saíram por sua boca. 

 

-E eu te amava. - Confessou novamente, sentindo um enorme peso de anos sair de suas costas, mas ainda não estava aliviado. Na verdade, sentia-se ainda pior, afinal, não era correspondido e nunca seria. -Entende agora? Assim como você faria qualquer coisa por ele, eu faria por você. - Baekhyun só queria pedir para Chanyeol calar a boca naquele momento, de parar de lhe torturar dizendo aquelas coisas, porque, para ele, era mais fácil aceitar que Chanyeol o odiava do que o amava. Seria menos doloroso, sentiria menos remorso, mas o alfa parecia não estar disposto. 

 

-Eu te amo há anos... tem noção disso? - Continuou, fazendo novamente o ômega chorar, sentindo todo o pesado daquela confissão. Por que ele estava agindo assim? Por que estava jogando aquela responsabilidade em si.

 

-E por que você nunca me contou? Por que deixou que as coisas chegassem a esse ponto? Já pensou que tudo poderia ter sido diferente? Que eu realmente poderia ter me envolvido com você antes e que agora esse filho que carrego fosse seu? - Praticamente gritou, segurando a vontade que tinha de bater no peito daquele alfa e o machucar, assim como ele estava o machucando agora. Realmente, por um momento, achou que as coisas pudessem ser diferentes se Chanyeol tivesse sido sincero desde o princípio, mas agora uma possível relação entre eles parecia ainda mais distante e irreal. 

 

-Baekhyun...

 

-Por que não me contou? 

 

-Não quero falar disso! - Novamente tentou fugir, tendo o ômega tomando a sua frente. A fragrância do cheiro de Chanyeol novamente o deixou desnorteado, fazendo com que apoiasse uma das mãos na mesa. Que porra estava acontecendo consigo? Tentou ignorar aquelas sensações e se focar novamente no marido, mas estava sendo difícil. 

 

-Não! Agora você vai falar... porque eu não aguento mais isso. Nossa convivência está me sufocando e me fazendo mal, sendo que pode ser facilmente resolvido.

 

-Você acha que é fácil resolver tudo isso?

 

-Mesmo que não seja, Chanyeol... você precisa ser sincero. Você cobra demais de mim mas não me deixa saber mais sobre o que sente! Então me diga... diga porquê escondeu por tanto tempo.

 

-Porque eu tive medo. - Aquilo calou Baekhyun. Não imaginava ouvir logo aquilo dele. Chanyeol tinha uma postura imponente demais para ser alguém que tinha medo de algo, ainda mais de se confessar para si. Parecia surreal... 

 

-Medo? Do quê?

 

-Eu sempre soube que você só tinha olhos para aquele desgraçado... eu sempre soube... por isso decidi fingir que não via, que eu não sabia de nada. Parecia menos doloroso. - Seu coração bateu de forma dolorosa, quase o levando a apoiar a mão sobre o seu peito, mas se repreendeu. 

 

-Parece menos doloroso agora? Nossa relação parece estar bem? - Riu, mas seu riso tinha tanta dor e pesar que logo ficou quieto novamente, só fitando o olhar perdido do mais alto. Não imaginava que aquilo estaria acontecendo. 

 

Seu coração doía tanto agora... uma dor que não estava suportando. Até mesmo seu ventre estava doendo minimamente, e por um momento temeu pela saúde de seu filho, algo que o fez apoiar a mão ali, sendo seguido pelo olhar furioso do Park, mas além de furioso, ele estava triste. Aquilo estava sendo coisa demais para sua mente. Realmente não queria ouvir mais nada. 

 

-E-eu... - Chanyeol não conseguiu dizer, e até mesmo se amaldiçoou por aquilo. Estava sendo um fraco diante o marido, mas não era como se pudesse evitar. Tinha acabado de se confessar da pior forma possível e aquilo ainda era estranho. Nunca se imaginou dizendo para o Byun que o amava, dado as circunstâncias, mas lá estava ele, agindo feito um tolo, afinal, nem ele estava mais aguentando tudo aquilo. E assim como o ômega, ele queria paz. 

 

-Vamos dormir, por favor. Meu filho está cansado. - Ouviu as palavras do ômega e o observou dar às costas, sem força alguma de o impedir, sem forças alguma para pedir que ele ficasse, afinal, era a droga de um covarde. 

 


Notas Finais


Estão todos bem depois desse surto ChanBaek e dessa treta do Junmyeon? Espero que sim. rs'
Grupinho no WPP: https://chat.whatsapp.com/FRgdcr038QQ0b9sL2YN01D


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