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História Círculo de Vidro - Capítulo 3


Escrita por: Katsukibottom2020

Notas do Autor


Gente, só pra avisar que no começo o relacionamento Bakudeku vai ser meio unilateral, tá?
Até porque é difícil esquecer alguém assim, do nada. E eu adoro um desenvolvimento lento 🤧
Desculpe pelos erros
Boa leitura!

Capítulo 3 - Capítulo III- Memórias 1


  Já teve a sensação de estar sendo obrigado a rir de uma piada sem graça? Katsuki tinha essa sensação, mas mesmo assim ele não riu. Como tudo podia ter desmoronado tão rápido? E como Deku... podia ser tão diferente daquilo que lembrava? Encarando os olhos verdes sem o brilho que ele sempre admirou, Bakugou sentiu como se a ficha tivesse caído.

  Aquilo não era um passeio de escola.

  O Galpão era um refúgio criado pelos poucos sobreviventes de um vírus mortal que ninguém sabia ao certo como havia se manifestado. A única coisa que sabiam era que o mundo todo havia sido dividido em três partes. Distrito, zumbis e o Galpão.

  O vírus mortal infectou centenas, centenas que infectaram milhares, milhares que acabaram com a superpopulação no mundo. No começo era uma doença, depois se tornou uma epidemia, depois uma pandemia e logo um apocalipse. Porque a palavra apocalipse definia bem o que estavam vivendo, mas não pelos zumbis. Aquilo era uma obra obscura, escatológico, aterrorizante. O verdadeiro sinônimo de caos.

  Há trinta anos, as mais novas três raças vinham batalhando entre si. Os zumbis sempre eram os vencedores. Eles continuavam a ser.

                        

 

  Izuku se lembrava de um antigo provérbio de casualidades que sua mãe sempre contava para si. O provérbio sofreu suas mutações literárias durante os séculos, mas dizia mais ou menos assim:

 

Por falta de um prego a ferradura foi perdida,

por falta de uma ferradura o cavalo foi

perdido,

por falta de um cavalo o cavaleiro foi

perdido,

por falta de um cavaleiro a batalha estava

perdida,

por falta de uma batalha, o reino foi perdido.

Então, um reino se perdeu, tudo por falta de

um prego.

 

  Ele sentiu que havia ignorado o prego por tempo demais. Ele sentiu que todos ignoravam o prego por tempo demais.

  Fazia trinta anos que a vida de todos se tornou apenas parte de uma casualidade. Fazia trinta anos que aquele inferno havia começado. Quando Izuku nasceu, o mundo já fazia parte daquele caos. Mas ele sentia que não conseguiria se acostumar.

 

  Correr.

  É isso que vai nos salvar.

  Procurar abrigo e ignorar todo o medo.

  É isso que vai salvar a nossa sanidade

  Isso era o que todos diziam.

 

  Mas… e se ele não quisesse mais correr? E se ele não quisesse ignorar o medo e sim enfrentá-lo? 

  Ele não queria sanidade. Ele queria liberdade.

  Aquele mundo não era deles, afinal?

  O garoto de vinte anos nasceu no Galpão. Ele cresceu e viu mais sangue do que gostaria, mais sangue do que podia carregar. Aos doze anos já havia perdido sua mãe, que morreu em seu parto. Sua irmã gêmea desapareceu e seu pai se tornou só mais um daqueles que imfectavam seu lar.

  Izuku fez questão de matá-lo com as próprias mãos.

  Naquele dia, ele prometeu a si mesmo que nunca choraria.

  Mas aí ele conheceu Bakugou Katsuki e Todoroki Shouto. E mais uma vez sua vida virou de cabeça pra baixo.

                         [...]

             Há sete anos atrás…

 

  O céu azul estava repleto de nuvens alvas. Boa parte dele estava alaranjado, o que dava um contraste bonito com o sol poente. A brisa balançava de leve os cachos esverdeados do garoto de treze anos, que apreciava o momento únicos de paz. Céus, fazia tanto tempo que ele não sentia paz…

  -- Então você está aí, nerd. -- abriu seus olhos surpreso com a voz conhecida, encontrando as iris vermelhas do amigo loiro. -- O que está fazendo aí sozinho? O velho satânico não mandou você limpar os estábulos como castigo?

  Velho satânico = Enji.

  Segurou a risada.

  -- Eu já fiz isso, Kacchan. E você não deveria chamar o Enji-sama assim. Se ele escutar, você está ferrado.

  Katsuki deu de ombros. Enji era praticamente o "líder" do pessoal. Ele, Toshinori e Aizawa fundaram juntos o Galpão, mas o garoto parecia não dar a mínima pra isso. Quer dizer, era Kacchan, ele não dava a mínima pra ninguém.

  -- O bastardo meio a meio quer ir até o rio para pescar. A velha me obrigou a ir junto e a te chamar. Vamos.

  Não era uma pergunta.

  Bakugou estendeu uma mão para si e o ajudou a levantar. Izuku aterrissou de pé e começaram a caminhar em direção ao riacho ali perto. As vezes o esverdeado acabava se perguntando o que era para o garoto. Bem, não era como se Katsuki esclarecesse que eles eram amigos. Tudo era tão... confuso.

  -- Ei, Deku. -- Midoryia encarou Bakugou, murmurando um "uh" em resposta. Estavam quase chegando. -- Eu queria falar com…

  -- Ei, pessoal!

  Katsuki foi interrompido pela voz de Todoroki. O garoto acenava para eles há alguns metros, segurando varas de pescar e alguns baldes.

  Assim que se aproximaram, Shoto entregou um balde e uma vara para cada. Seus cabelos bicolores estavam bagunçados por causa do vento, os brancos e vermelhos misturados.

  -- São iscas. -- explicou. -- Tive sorte e achei várias.

  -- Ew. -- Izuku murmurou, já tinha pescado várias vezes, mas não conseguia deixar de achar aqueles bixos nojentos.

  -- Parabéns, pavê. Você é um atrator de minhocas ambulante. Ótima habilidade. E deixa de ser fresco, Deku.

  Midoryia encarou o loiro ultrajado.

  -- Não é frescura! Como você não tem agonia desses bichos estranho?! São todos confusos! Tipo, qual lado é a cabeça dele? O que ele come?

  -- Caralho, você é imbecil assim, ou se faz?

  Todoroki riu de repente, atraindo a atenção dos dois. Nas últimas semanas, o bicolor vinha estando animado demais. Bakugou franziu o cenho com isso, um sentimento estranho em seu peito, enquanto Izuku tentou não corar.

  -- Trouxeram alguma arma? -- perguntou Shoto aos dois. Katsuki tirou de dentro da camisa três facas de caça amarradas a uma cordinha como se fossem um colar e Izuku ergueu um pouco sua camisa para mostrar a pistola em sua cintura.

  Todoroki assobiou.

  -- Vocês são incríveis, crianças. E isso é um silenciador?! De onde tirou isso?

  -- Ganhei do All Migth por ajudar ele com as rotas de fuga e tudo mais.

  -- E ele te deu uma arma? -- Bakugou resmungou, fazendo uma careta. -- Muito responsável.

  -- Não de verdade. -- "Deku" respondeu. -- Ela estava entupida e o gatilho emperrado. Eu consertei e fiz meu próprio silenciador. Legal, né?

  Todoroki passou o braço livre por seu pescoço, sorrindo de lado.

  -- Esse é o meu garoto! Precisa me ensinar a fazer essas coisas. Então, vamos?

  Midoryia assentiu, envergonhado. Os dois observaram confusos Bakugou sair na frente pisando duro e bufando. Às vezes, era difícil entender o garoto.

  Sorrindo de volta para Shoto, Midoryia não pôde prever o quanto, mais tarde, se lembraria de momentos como aqueles com pesar.

  

  

  

 


Notas Finais


Sinto cheiro de ciúmes! Demorei mais atualizei! 🤧
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