História Clã dos Dragões - A princesa perdida - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Agua, Cavaleiros, Clã, Dragões, Fantasia, Fogo, Magia, Princesa, Reino, Terra
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Palavras 2.093
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Violência
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Inspirações: J.K. Rowling, Tolkien, C.S. Lewis, Rick Riordan, George Martin.

Todos os direitos reservados. Lembre - se, plágio é crime!

Capítulo 1 - Confusão no Mercado Velho


Fanfic / Fanfiction Clã dos Dragões - A princesa perdida - Capítulo 1 - Confusão no Mercado Velho

Era o meu último dia no Orfanato Paravel, o lugar que vivi por 10 anos, mas agora que havia atingido maioridade, eu não poderia mais continuar a viver lá. Enquanto a inspetora do orfanato tagarelava sem parar sobre as recomendações ao sair dali, eu fitava o dia lá fora, frio e distante. Frio, como o frio em minha barriga e distante, como meus pensamentos naquele momento. Eu ficava me perguntando se conseguiria sobreviver longe do orfanato, pois eu nunca tinha saído de lá. Afinal, quase ninguém sabia da existência desse casarão abandonado localizado no pontal de Irídia. Por esses lados não havia muitos atrativos. Das terras do Sul, o local mais visitado era Kendal.

- Entendeu tudo, garota? Espero que sim, pois eu não vou falar de novo. - disse a inspetora.

- Entendi sim, senhora Debussy. - disse, embora eu não tenha ouvido nada do que ela havia falado. A inspetora nunca dizia nada que importasse mesmo, apenas deboches e ironias.



Enquanto me dirigia à porta do dormitório com uma sacola nas costas, algumas colegas me seguiam desanimadas. Passei pelo corredor e havia alguns garotos encostados nas paredes e na porta do dormitório masculino estava Ned, apoiado à porta. Um dos maiores amigos que fiz no orfanato. Ele aproximou - se de mim e falou:

- Lily, me diga, agora quem vai me ganhar na queda de braço, ein?!

Eu ri e respondi:

- Pense pelo lado positivo, agora você vai ganhar todas.

O garoto sorriu cabisbaixo. Ele era um ano mais novo que eu. Eu estava completando 18 e ele tinha 17 anos. Era um garoto bem alto, cabelos castanhos e costas encurvadas, devido à altura. Não era um garoto musculoso, mas ele era o maior e mais forte dos garotos. Até hoje eu não entendia porque conseguia ganhar dele e dos outros garotos também, o desafio de queda de braço. Aliás, foi assim que nos tornamos amigos. Pensei que talvez, em breve, poderia voltar a vê-lo. E algumas das garotas também.

- Anda logo, garota. Você terá um dia longo pela frente. - falou a inspetora, apressando - me.

Um misto de saudades e medo apertava-me o peito. Levei a mão até o colar que tinha, pendurado em meu pescoço. Era um colar de prata envelhecida, com uma pedra de esmeralda pendurada. Eu o tinha desde que cheguei ao orfanato. De alguma maneira, a presença desse colar me deixava mais tranquila. Tinha quase certeza que aquele amuleto, que era como eu o denominava, tinha algo a ver com o meu passado. E era isso que me dava uma esperança. Mesmo me afastando do casarão velho que era o orfanato, ainda escutava o voz irritante da inspetora.

- E vê se pare de sonhar acordada, menina. - ela disse fechando o grande portão de ferro. Debochando, pra variar.

- E vê se pare de sonhar acordada, blá,blá,blá... - eu disse imitando-a. Nisso, me dei conta de que estava sozinha, sem nada ao redor, além de algumas árvores cobertas de neve e muita neve no chão, que se eu não estivesse com o casaco comprido de um dos órfãos e botas, eu estaria congelando. Em Paravel era como uma grande família, o que não servia para o "filho mais velho" servia para o "filho do meio" ou para o "filho caçula", o que era o meu caso, pois o casaco me engolia. Mas era bem quentinho. Segundo a senhora Debussy, eu estava parecendo um garoto com aqueles trajes. Não era de costume moças usarem calças, normalmente usava-se vestidos ou saias longas rodadas, mas no orfanato usávamos o que tinha, ou seja, qualquer tipo de roupa. E naquele momento eu estava de calças compridas de cor marrom, botas de cano alto pretas e um casaco marrom de botões, bem fechado, para proteger do frio. E cachecol que tornara-se um acessório popular no Inverno das Terras do Sul. Os cabelos, compridos num tom avermelhado, a maior parte do tempo ficavam presos a um coque frouxo e sobre a cabeça, uma boina, que escondia parte do cabelo ruivo. Diferentemente do cachecol, o cabelo ruivo não era algo muito visto por aquelas terras. Sempre ouvia a inspetora dizer isso.

A neve não era nenhuma novidade nas Terras do Sul e pelo que sei, também era muito frequente nas Terras do Norte, no entanto, pelo que via nos livros, havia um território a oeste no mapa, denominado de Terras Quentes, devido a um grande vulcão. E era quase inabitável, justamente por ser muito quente. Não há visitantes e por isso pouco se sabe sobre a existência de habitantes nessas terras. Mas alguns garotos diziam que lá era para onde levavam os prisioneiros pegos pela guarda real nortista e lá eles ficavam aprisionados e esquecidos.

Caminhei na neve por algum tempo, pois o orfanato ficava um pouco distante da Vila Leenor. Precisava chegar até o mercado velho da vila, talvez eu conseguisse um trabalho por lá.

Ao chegar na parte central da vila, já era possível observar uma maior movimentação, até mesmo por causa do mercado que não era uma área muito grande, mas era o local perfeito para comprar coisas antigas e quinquilharias. Chamávamos de mercado, mas era mais como uma pequena feira ao ar livre, com um corredor para os compradores e barracas dos lados direito e esquerdo. Estava uma aglomeração de pessoas naquele corredor, tagarelando de um lado a outro. Não sei se era a aglomeração de pessoas que fez o clima ficar menos frio ou era o pontal de Irídia que era um lugar mais frio, pois, pude até desamarrar o cachecol do pescoço e manter o pescoço livre.

Caminhava devagar entre as barracas, observando as mercadorias, como frutas e peixes nas bancadas e carnes de sol penduradas nas hastes das barracas. Uma comerciante mostrava tecidos a uma senhora; ao lado, uma barraca de objetos esculpidos de madeira, carrancas, colares com penas e pedras, o que me chamou a atenção. Parei para olhar se havia algum colar parecido com o meu. Nada parecido.

- Belo colar que você tem aí, mocinha. - disse o comerciante olhando para o colar em meu pescoço. Era um homem baixinho, pardo e com um cavanhaque e não pude deixar de notar que lhe faltava um dente da frente.

- Obrigada. - eu disse já me afastando, quando o homem deu a volta na barraca e aparatou em minha frente.

- Posso dar uma olhada mais de perto na peça? - ele disse, enquanto eu olhei desconfiada. - Ajuda na melhor identificação, mocinha. - Embora eu estivesse meio com o "pé atrás", ao mesmo tempo, pensei que o comerciante podia me dar outras informações sobre o amuleto. Eu tirei do pescoço e mostrei ao homem. Ele pegou uma lente de aumento para observar. - Uma pedra de Esmeralda. Sim. Muito bonita.- o comerciante olhava hipnotizado para a pedra e naquele momento, me arrependi de ter dado o meu colar na mão daquele estranho.

- Obrigada. Pode me devolver agora? - eu perguntei já tentando pegar o colar das mãos do homem, porém ele se esquivou do meu movimento. - Pode me devolver? Isto é meu! - eu disse já perdendo a paciência. Pensei no que poderia fazer para distraí-lo. - Olha, um dragão! - gritei apontando para o céu. Disse a primeira coisa que veio em minha mente. Quem acreditaria que teria uma criatura dessas voando no céu? Logo dragões, que há muito tempo foram extintos. Mas consegui, por um rápido momento, que ele se distraísse e eu pudesse puxar à força o colar das mãos do homem e embrenhar-me no meio do corredor de compradores e sumir das vistas do comerciante. Porém, não contava que ele começasse a gritar:

- Pega ladrão! A trombadinha me roubou!

As pessoas me fitavam incrédulas, mas ninguém tentara me deter, nem por isso, deixei de apressar o passo pra sair logo daquela aglomeração e pudesse fugir para outro canto, que não aquele. Enquanto corria, dava olhadinhas para trás pra ver se o comerciante ou alguém estava me seguindo, quando, na pressa, bati de cara no lombo de um cavalo negro e com o choque, caí no chão e fiquei ali por um tempo, massageando a cabeça que ficara dolorida instantaneamente com o baque. Estava um pouco atordoada, assustada e com fome, que meu estômago chegava a roncar. Lembrei que não havia comido o suficiente antes de sair do orfanato. Passei as últimas horas em Paravel, devaneando sobre a minha vida depois dali e de nervosismo não me alimentei direito.

Sacudi a cabeça de modo a voltar a realidade de que estava no meio de uma fuga e quando me preparava para levantar vi um par de botas de couro marrom surgir a minha frente. Conclui que fosse o homem que estava montado no cavalo.

Levantei a cabeça vagarosamente e pude analisar o homem dos pés à cabeça, literalmente. As botas marrom escuro de cano alto, como já mencionadas, calças pretas, e túnica de couro preta bem reforçada, como uma armadura. Pelos trajes, era um cavaleiro. Tive certeza, quando enfim, vi um emblema estampado na túnica. Era um emblema de fundo verde, com detalhes prateados e duas espadas cruzadas à frente de um escudo. Já havia visto aquele emblema antes, mas não me lembrava do que se tratava. Uma capa longa e negra descia pelas suas costas e o rosto, tinha uma barba rala de um tom castanho claro, os cabelos eram castanhos claros, quase loiros, olhos azuis como lagoas, embora nunca tenha visto uma. Parecia um príncipe. Ele aparentava ter entre 25 e 27 anos. Não mais do que isso. Se eu pudesse ver minha cara naquele momento, eu me veria boquiaberta.

A inspetora Debussy talvez tivesse razão em dizer que eu sonhara acordada. Despertei de meus pensamentos, antes que alguém percebesse minha cara de tapada. Nisso, ouvira ao fundo, a voz irritante do comerciante que havia me alcançado e levantei do chão imediatamente, já preparando para afastar-me da confusão.

- Pega ladrão! - ele gritou ofegante. - Senhor, eu fui roubado! - ele falou gesticulando para o homem do cavalo.

- O que está acontecendo aqui? - o cavaleiro perguntou segurando em meu braço.

- Não é preciso me segurar. - eu disse me desvencilhando da mão do rapaz - Eu não roubei nada deste senhor. Pelo contrário, ele foi quem tentou me roubar. - conclui, guardando o colar dentro de um bolso de fora do casaco. Enquanto o rapaz, me observava.

Nisso, apareceram mais dois cavaleiros, portando trajes iguais ao do primeiro cavaleiro, aquele com cara de príncipe. Ambos querendo saber sobre a confusão que se formara ali, enquanto outros camponeses da vila paravam também, para observar. E eu queria desaparecer, ser abduzida daquele lugar. Então eu olhava ao redor, buscando alguma rota de fuga. Observei atrás dos cavaleiros, havia um grupo de camponesas, todas encantadas e alvoroçadas com a presença dos cavaleiros, que na sua maioria eram muito belos. Pude observar todos enquanto traçava a rota de fuga. Pensei em me misturar com o grupo de garotas no momento em que os homens se distraíssem com as falácias do comerciante, porém, um dos rapazes fitava-me, como se estivesse procurando algo em meu rosto. Era um jovem mais alto que o primeiro cavaleiro, e tinha cabelos escuros encaracolados e os olhos castanhos a me observar. Pensei que talvez eu pudesse estar com o rosto sujo por causa do tombo no chão. Porque esse homem está me encarando? pensei. Ele está sendo um empecilho e tanto nos meus planos de fugir.

Finalmente ele desviou a sua atenção a mim e foi até o cavaleiro loiro, provavelmente o "manda-chuva" do grupo, que estava a fazer perguntas ao comerciante. O rapaz de cabelos pretos cochichou algo no ouvido do "manda-chuva" e eu aproveitei o momento para me misturar ao clube de jovens que suspiravam pelos guardas. Sem olhar para trás, corri com dificuldade por causa da neve. Fui para trás de uma das casinhas do vilarejo e atravessando uma e outra casa, até que eu perdesse de vista o tumulto do mercado. Depois de me afastar do mercado, me encostei na parede de uma casa para descansar. Estava ofegante devido à fuga. Apoiei a cabeça na parede e levei minha mão no bolso esquerdo do casaco, onde havia guardado o colar e me assustei. Inspecionei todos os cantos do bolso esquerdo e também do bolso direito e o cordão não estava em nenhum deles. Me desabei ao chão chorando. Não acreditei que depois de tudo que tinha feito, havia perdido o meu amuleto…


 



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