História Clandestino - Capítulo 2


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Categorias Daniel Alves, Francisco "Isco" Suárez, James Rodríguez, Marcelo Vieira, Marco Asensio, Mats Hummels, Neymar, Philippe Coutinho, Robert Lewandowski, Roman Bürki, Thomas Müller
Personagens Francisco Román Alarcón Suárez, James Rodríguez, Marcelo Vieira, Marco Asensio, Mats Hummels, Neymar, Personagens Originais, Philippe Coutinho, Robert Lewandowski, Roman Bürki, Thomas Müller
Tags Clandestino, Comedia, James Rodriguez, Jogador, Romance
Visualizações 54
Palavras 3.990
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Esporte, Famí­lia, Festa, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olha só quem demorou, mas voltou! Capítulo novinho para vocês, espero que gostem.
Boa leitura!


PS: Perdoem qualquer erro, e se possível, avisem-me. Grata ♥

Capítulo 2 - Usted aquí


Tu dulce voz otra vez

Prometiendo volver – RBD (Tu Dulce Voz)

 

 

Ah a Colômbia! Que país lindo e tão parecido com o Brasil em tantas coisas. Havia chegado na terra vizinha há pouco mais de cinco horas, mas sentia como se estivesse aqui há dias. O avião havia feito uma escala em Bogotá antes de aterrissar no aeroporto Internacional José Maria Córdova, em Medellín. O hostel onde eu ficaria hospedada ficava há quarenta minutos do aeroporto. Nada de emocionante havia acontecido no trajeto, até que eu entrasse no quarto que dividiria com Clarice quando ela resolvesse largar o namorado na Alemanha e vir trabalhar.

O lugar era pequeno, bem arrumado, com cores escuras como amarelo, marrom e um tom de areia. Havia três camas de solteiro, uma televisão pequena e um guarda-roupas grande ocupando a parede do fundo do quarto perto da porta de entrada. Banheiro privativo era um sonho de princesa não realizado. Soltei um suspiro alto e me pus a arrumar as coisas, o senhor Niray, proprietário do hostel, me assegurou que seríamos apenas nós duas naquele quarto, já que o lugar estava com vagas em aberto.

Algumas malas de Clarice haviam sido entregues antes de minha chegada, como era exagerada preferiu mandar algumas coisas antes para adiantar a mudança e não esquecer de trazer nada.  Não tive tempo sequer de comer, minhas roupas estavam todas atiradas no chão enquanto eu lutava para fazer caber na parte que seria minha do armário, as de Clari já estavam no lugar, foram as primeiras a serem colocadas, já que isso facilitaria o meu trabalho. Ou era o que eu esperava. Lutei por horas até conseguir organizar tudo e me atirar sobre a cama encostada na janela, meu corpo pedia descanso.
O barulho de meu celular me fez grunhir antes de levantar para atender.

- Oi amiga, chegou bem? Já conheceu a cidade? Como são nossos vizinhos? – Pompeo desatou a falar e eu me permiti suspirar. O que eu havia feito para arranjar uma amiga tão maluca, no fim das contas?

- Clari eu cheguei há cinco horas, tudo o que fiz foi o check in e desfazer as malas, sequer comi alguma coisa. – Respondi a ouvindo bufar. – E só para te lembrar ficaremos em um hostel, não temos vizinhos. – Lembrei-a.

- Você acaba com a minha alegria. – Declarou irritada, eu ri. A voz de Roman soou ao fundo da ligação. – Roman está perguntando se você chegou bem.

- Diga a ele que estou bem, agora vou tomar um banho e procurar algo para comer. – Informei me levantando novamente. – Ah, fale para dona Karin que mandei um beijo. – A sogra de minha amiga era uma verdadeira figura, uma mãe zelosa e preocupada com o bem-estar de todos fez da vida de Clarice um pesadelo num primeiro momento, sua preocupação com o filho era evidente e isso me fez admirá-la ainda mais. Ela lembrava a minha mãe.

Pompeo respondeu algo do outro lado antes de voltar atenção para ligação. – Certo, vou desligar. Nos vemos em alguns dias. – Finalizamos a chamada e eu me apressei em buscar uma roupa descente para sair na rua. Era quinta-feira, eu precisava resolver a documentação do curso na segunda-feira, então aproveitaria o tempo para conhecer a região, procurar um apartamento que coubesse em meu orçamento e no de Clari e organizar minha vida no país.

 

·○·

 

Depois de um banho revigorante e algumas informações sobre lugares em que pudesse comer fui para rua. O clima estava quente, como deveria esperar de um país com clima tropical. Alguns comércios se apresentavam ao longo da calçada, uma padaria charmosa atraiu minha atenção, mas eu deixaria para manhã seguinte. Andei sem rumo apreciando a paisagem e as pessoas que passavam ao meu lado conversando, rindo ou analisando algo que lhes parecia atraente. Um som latino parecia rondar o ar, era incrível estar tão perto e tão longe de casa ao mesmo tempo.

Parei em frente a um restaurante de porte pequeno e aparência aconchegante, adentrei o estabelecimento e me encaminhei para uma mesa mais afastada. Uma moça com idade semelhante à minha se aproximou para anotar o pedido; enquanto aguardava voltei minha atenção para uma televisão pequena que jazia apoiada em um suporte atrás do balcão, na tela um jornal qualquer informava sobre o clima e a previsão do tempo, aparentemente teríamos Sol nos próximos dias, tudo certo, eu precisava mesmo andar pela cidade e chovendo seria complicado. Enquanto comia meu ají* a programação foi alterada para um programa de esportes.

- O jogador James Rodríguez deve chegar à Medellín nos próximos dias, onde aproveitará alguns dias de folga antes da entrevista oficial de convocação para Copa do Mundo. – O jornalista falava enquanto uma imagem de James correndo durante um jogo do Bayern servia de fundo, a atenção de todos parecia ter se prendido aquele pequeno aparelho com a aparição da imagem do ídolo. Balancei a cabeça e sorri ao me lembrar do breve encontro que tivera com ele na Grécia, uma coincidência e tanto, eu precisava dizer. Assim que terminei de comer me dirigi para o balcão onde fiz o pagamento e comprei um chocolate, deixei o restaurante e continuei meu breve tour pela vizinhança.

Já passava das dez da noite quando retornei ao hostel, após mais um banho rápido segui para meu quarto. Liguei e televisão e enquanto digitava uma mensagem para minha mãe imaginei qual seria a reação dela ao ver a mesma no dia seguinte. Com certeza me mataria por ter demorado tanto para dar notícias.

- Certo, vamos deixar na novela. – Murmurei me ajeitando melhor sobre a cama. Os momentos que se seguiram em companhia do som baixo da televisão me fizeram pegar no sono.

 

·○·

 

O dia havia amanhecido mais agitado do que o previsto, acordei com um som alto que por muito pouco não me fez cair da cama. Era uma moça que estava no quarto ao lado, ela não se limitou a ouvir a música, precisou cantar. Me vi obrigada a ir tomar banho e despertar para o dia; depois de tudo arrumado chequei as mensagens e sorri com os áudios de minha mãe. Ela estava brava e com saudade, então sim, dona Maria estava bem. Decidi que tomar café naquela padaria charmosa que vira no dia anterior seria a melhor opção, então deixei o quarto e rumei para lá.

Com apenas uma quadra de distância cheguei feliz por sequer ter me cansado, hoje era o dia de colocar as coisas em ordem. Pedi almojabanas, ovos pericos e uma xícara do famoso café colombiano. Ocupei uma mesa próxima da janela e me distraí com o celular enquanto aguardava o pedido vir.

Três notificações de Clarice chegaram assim que abri o Instagram, ela postara fotos da paisagem, do Roman, dos dois e até do presente que ganhara, uma bota preta de cano longo, que combinava perfeitamente com um sobretudo que ela comprara ainda no Brasil. Ri de seu entusiasmo.

No momento em que beberiquei o café e afastei a xícara por causa do calor, ela me ligava.

- Oi gata, como estamos na Colômbia? – Balancei a cabeça ainda que ela não pudesse ver.

- Estamos bem, tomando café, e na Suíça estamos como? – Devolvi a pergunta e ouvi a voz de alguém ao fundo da ligação.

- Acabamos de tomar um chá da tarde, Roman quer assistir um filme, eu quero passear. – Declarou minha amiga, mordi um pedaço do pãozinho e ronronei de felicidade. Era incrível. – Por que tu ta gemendo, Marilia? Arrumou um namorado aí e eu não sei disso?

Quase engasguei com o pão, precisei largar o celular e beber o café quente mesmo para ajudar. Agora eu estava com a língua queimada, os olhos cheios de água e recebendo olhares estranhos.

- Clarice eu vou te matar, claro que não arrumei ninguém, eu não estava gemendo. – Pigarreei para tentar soar mais tranquila. – Estava comendo um pãozinho incrível, mas agora vou ter que me retirar da padaria depois de quase morrer engasgada. – Sua risada explodiu do outro lado da linha e a vontade de matá-la só aumentou.

- Me desculpe, mas não pude evitar a risada. – Ela parecia tentar se acalmar. – Mas me fala, você vai ver o curso hoje e o apartamento? – Mudou de assunto, estreitei os olhos. Clari sempre fazia isso quando eu prometia alguma coisa gentil com ela, tipo cometer homicídio.

- Sim para as duas coisas, terminando aqui vou só confirmar a matrícula e depois vou ver nos meus e-mails o que o corretor mandou. – Terminei de comer e fiz sinal para que a garçonete me trouxesse mais uma xícara, era triste admitir, mas o café colombiano era realmente bom.

Ela concordou e pediu que eu ligasse ou mandasse mensagem se tivesse algo novo, concordei e desliguei. Tomei meu café com tranquilidade, e depois, reunindo toda a dignidade que eu tinha, me levantei e paguei a conta. Não precisava olhar para a cara dos presentes, sabia que eles duvidavam seriamente de minha sanidade mental. Eu não os culpava.

Segui para o ponto de ônibus mais próximo e pedi informação para uma moça, ela explicou onde eu deveria descer e qual ônibus tomar. Aparentemente eu acabaria perdida em Medellín, mas era o preço a ser pago, certo? Certo.

 

·○·

 

 

O avião pousou em Medellín as oito e dez da manhã, eu havia dormido mais do que o normal para uma viagem de avião. O cansaço da viagem misturada as perguntas da noite passada que ainda rondavam minha mente privaram-me do descanso que acabei por descontar nas horas de voo.

Mats resolveu adiantar um dia na viagem, pois a esposa estava voltando antes e ele queria revê-la, sendo assim fizemos o mesmo. Eu queria vir para Colômbia rever minha família e matar as saudades de Salomé, que com certeza me perguntaria sobre a viagem e o motivo da minha demora. Deixei o aeroporto com o auxílio de Paollo, o segurança me levou direto para casa, minha mãe e Juana já haviam mandado mensagens perguntando onde eu estava.

Quando o carro parou na garagem pude respirar aliviado, apesar de ser uma casa de férias, estar naquele lugar era ouvir a palavra lar sussurrada pelo vento. Eu amava a Alemanha, o time, o lugar, os amigos, mas o cheiro da terra natal a gente nunca esquece, então poder passar as férias ali seria incrível. Assim que despontei na sala senti os braços de minha mãe cercando-me em um abraço apertado, sorri com o carinho demonstrado e retribuí o gesto.

- Mamá solte-o, ele vai morrer sufocado. – A voz de minha irmã soou divertida, encarei-a depois de me afastar dos braços de minha mãe e ri de sua expressão sonolenta. – Não ria de mim, acordei só pra te ver.

- Isso deveria ser uma honra? – Questionei de implicância, ela me empurrou com o ombro antes de me abraçar.

- Você quer alguma coisa, querido? – Ouvi mamá perguntar e neguei. – Então vá descansar, Salo deve chegar amanhã de manhã. – Avisou ao me ver abrir a boca, franzi a tez com a nova informação. – Daniela avisou que o voo foi cancelado e por isso o atraso, podemos busca-la no aeroporto se quiser. – Sugeriu, concordei.

Me encaminhei, ainda abraçado à Juana, para o andar de cima. Tudo o que eu precisava era de mais algumas horas de descanso.

·○·

 

 

 

Demorei cerca de vinte minutos para chegar até o curso, a recepcionista fora extremamente gentil e me explicou a grade, atividades que eu precisaria cumprir e mais algumas curiosidades. No fim eu teria aula duas vezes por semana com duração de duas horas, precisaria entregar três trabalhos e apresentar uma espécie de trabalho de conclusão do curso que duraria os dois meses. Assinei os papeis e deixei tudo certo para o início das aulas, e agora me encontrava completamente perdida no centro de Medellín em busca do tal apartamento que o corretor me enviou para ver.

- Só pode ser piada. – Resmunguei, o endereço estava correto, mas não havia apartamento para alugar ali, o que me levava a crer que o corretor estava maluco ou havia se enganado. Atravessei a rua e entrei em um dos muitos prédios residenciais da rua, o porteiro me recebeu com um sorriso desconfiado e dei-me conta que devia estar parecendo uma louca. Cumprimentei o senhor e perguntei se ele sabia de algum lugar para alugar naquele prédio ou região, para minha sorte um apartamento estava vago.

 

Subimos três lances de escada, já que o elevador estava em manutenção, quando entramos no apartamento tive vontade de correr como se não houvesse amanhã. O lugar era pequeno dividido entre sala e um quarto, a cozinha era separada por um balcão de madeira. Havia manchas pelo teto e na parte superior de algumas paredes, o cheiro de mofo se mostrava sem que eu precisasse passar do pequeno hall de entrada. O porteiro me olhava esperançoso.

- A senhorita poderia arrumar alguns defeitinhos e o valor seria abatido do aluguel. – Ele tentou negociar, o fitei sem expressão. – Olha, esse lugar está fechado há muito tempo, desde que a última dona foi encontrada, por isso está assim, mas o lugar é bom e...

- Espera, a última dona foi encontrada aqui? – Questionei para ter certeza de que havia escutado certo. – Isso quer dizer que ela... – O senhor me olhou envergonhado e eu arregalei os olhos. – Agradeço a oferta, mas preciso ir. Tenha um ótimo dia.

Para ser sincera, nunca corri tanto de um lugar como corri daquele prédio. Eu ia acabar com o corretor imobiliário.

 

Clarice me ligou quando estava saindo do quinto apartamento, já passava das três da tarde e o corretor imobiliário havia dado o ar da graça. Depois de andar como se não houvesse amanhã, conhecer lugares realmente questionáveis e pegar o responsável pelas casas me olhando torto decidi que era hora de parar, precisava comer algo e descansar, o dia seguinte eu usaria apenas para busca de um lugar para ficar. Me informei como chegar ao centro comercial mais próximo e depois de dispensar os serviços do senhor Ramirez segui para o que conhecemos como shopping.

Dizer que o lugar era grande seria um eufemismo, tudo era muito colorido e cheio de informação. Haviam pistas com brinquedos e bolinhas no meio do lugar, lojas famosas e desconhecidas espalhadas por todos os lados e muito movimento. Procurei primeiro pela praça de alimentação.

- Se você atendesse o telefone eu agradeceria. Me manda notícias. – O áudio de minha mãe me fez rir alto o bastante para passar vergonha pela segunda vez em um restaurante. Enquanto aguardava que o Ajiaco fosse servido resolvi ligar para minha mãe, que a esta hora deveria estar uma arara.

- Finalmente lembrou que tem mãe. – Essa foi sua saudação, prendi o riso. – Não pode viajar que esquece de dar notícias, você acha isso bonito, Marilia? – Sua voz tipicamente alta parecia mais aguda.

- Não mãe, eu não esqueci da senhora, mas saí cedo e só parei de andar agora. Me desculpe. – Fui sincera, ela pareceu desarmar com essa declaração. – Como estão todos aí? – Indaguei e sorri para o atendente que acabara de deixar a bandeja com o Ajiaco acompanhado do Arepa e um suco natural em minha frente, a sopa estava quente então preferi mordicar o pequeno pão enquanto escutava a dona Maria narrar as aventuras da família. Acabei rindo e concordando com alguns tópicos, por fim, desligamos com a promessa de um novo telefonema em breve.

Comi mais rápido do que o recomendado e quando acabei depositei a bandeja sobre um suporte que havia próximo, decidida a conhecer um pouco mais do lugar antes de partir para última tarefa do dia me encaminhei para algumas lojas.

As mulheres, tão bem vestidas, algumas com trajes coloridos me fizeram perceber o quão básica eu estava. Calça jeans de corte reto com as barras dobradas, uma camiseta preta e tênis branco, nem mesmo maquiagem eu me preocupei em usar. Dei de ombros e entrei em um empório no qual encontrei a coleção de sapatos mais impressionantes que já vira, Clari surtaria com certeza. Me distraí observando alguns modelos, tirei fotos e enviei para Pompeo que de imediato respondeu perguntando onde eu estava e em quanto tempo eu poderia busca-la no aeroporto porque ela estava a caminho desse paraíso, acabei rindo de seu exagero e me assustei quando alguém tocou meu ombro.

Uma moça alta de olhos e cabelos castanhos com porte de modelo me fitava.

- Pois não. – Saudei vendo-a sorrir e me mostrar um par de sapatos vermelhos verniz de bico fino.

- Poderia me dizer o que acha desse modelo? – Perguntou, olhei rapidamente para os lados apenas para confirmar se era comigo que ela falava, e depois de comprovar que sim abri um sorriso sem graça.

- É lindíssimo, dependendo da peça que combine pode usar em muitas ocasiões. – Tentei ser o mais polida possível, a mulher parecia um ícone da moda e eu.... Bem, não sou exatamente um exemplo do mundo fashion.

- Ah obrigada, poderia pegar um número a mais do que esse, por favor? – Pediu gentil, franzi o cenho e olhei ao redor dando-me conta que os uniformes das vendedoras presentes eram semelhantes as peças que eu usava. Senti-me corar e fiz sinal para uma atendente se aproximar, mostrei o par e expliquei o que a moça me dissera.

- Eu não trabalho aqui, mas ela vai te ajudar. – Informei e de imediato a vi corar.

- Me desculpe, confundi...

- Não se preocupe, só percebi agora minha roupa. – Acabamos rindo. – O que posso fazer se o idealizador do uniforme tem bom gosto? – Brinquei, ela assentiu em meio ao riso e me estendeu a mão. – Sou Juana.

- Marilia. – Devolvi o cumprimento. – Preciso ir, foi um prazer conhece-la Juana. – Nos despedimos e segui para fora do shopping.

Pedi informação para um segurança e alguns pedestres que cruzaram meu caminho, graças aos céus havia um supermercado quase ao lado do lugar em que eu estava. Precisava comprar alguns mantimentos e sabão para lavar a roupa, essa história de mudança não era muito prático.

Caminhei pelos extensos corredores em busca de algumas bobagens para comer, enchi uma cesta pequena e entrei no corredor onde os produtos de limpeza estavam.

A verdade precisava ser dita...eu não fazia a menor ideia de que amaciante levar, as marcas me confundiam e pensei seriamente em ligar para minha mãe. Ora, não entenda mal, eu sei lavar roupas, eu só não escolher bons amaciantes. Soltei um suspiro frustrado ao abrir o terceiro frasco e me dar conta que os aromas eram semelhantes, mas eu não conhecia marca alguma.

Ouvi o barulho de um carrinho e em seguida algo caindo, virei rapidamente e encontrei uma das embalagens que olhara a pouco no chão. Me apressei em pegá-la e entregar para senhora que me dirigiu um sorriso de agradecimento.

- Obrigada. – Seu rosto parecia extremamente familiar, o que era muito estranho, já que eu não conhecia quase ninguém daquele país.

- Me perdoe o incômodo, mas a senhora poderia me ajudar com isso. – Apontei para as prateleiras. – Acabei de me mudar e não conheço as marcas. – Meu rosto ficou aquecido quando ela riu baixinho e assentiu.

- Esse aqui é ótimo, compro sempre e serve para qualquer tipo de roupa, desde o material para peças infantis e mais delicadas até o jeans. – Sugeriu me entregando uma embalagem de dois litros.

- Muito obrigada, eu estava mesmo perdida. – Confessei sem graça, ela sorriu e concordou.

- É assim mesmo, quando viajo para ver meu filho sempre me confundo com essas pequenas coisas. – Disse em tom de confissão e foi minha vez de sorrir. – Agora preciso ir, até mais. – Nos despedimos e ela tomou a direção de outro corredor enquanto eu seguia para o caixa.

 

Chegar ao hostel nunca foi tão prazeroso e complicado, tomei dois ônibus errado, andei três quadras a mais do que a certa e quando finalmente avistei o singelo prédio quase chorei de alegria. Cumprimentei o rapaz que era responsável por ajudar o dono e segui para meu quarto; destranquei a porta, joguei as compras sobre a outra cama e me atirei na minha.

 

·○·

 

Passara o dia aproveitando a companhia de minha mãe e irmã, as duas haviam saído para fazerem compras e voltaram com mais sacolas do que me atreveria a contar.
Era começo de noite quando resolvemos jantar fora; fui o primeiro a subir para me arrumar e aproveitar para falar com Salomé, com quem trocara mensagens durante a tarde.

- ¡Hola! princesa. – Saudei quando a ligação foi atendida, o grito que recebi como resposta me fez rir.

- ¡Hola! papá, estava com saudades. – Disse de imediato e senti o coração apertar, seria bom vê-la no dia seguinte.

- Também estou, mi amor, pronta para vir ver o papá amanhã?

- Sí, e abuela e a tia também. – Ouvi o entusiasmo em sua voz e pude imaginar as expressões que fazia. – Você vai me buscar no aeroporto?

- Sí, estarei lá. – Respondi e pude ouvir as vozes de Juana no corredor. – O papá precisa ir, nos vemos amanhã. – Nos despedimos e finalizei a chamada no momento em que minha irmã abria a porta. – Vamos?

 

 

·○·

 

Dormir era a melhor coisa do mundo, sim, isso soa muito preguiçoso, mas a verdade precisa ser dita. Eu havia tomado banho e dormido pouco tempo depois de chegar ao hostel, sequer me importara em guardar as coisas. Meu corpo estava dolorido e eu estava exausta, pelos céus! Acordei na manhã seguinte com uma mensagem do futuro ex- corretor responsável por me “ajudar” a encontrar uma casa descente anunciando que houve um incidente e por isso ele não foi ao encontro que tínhamos, aproveitei o momento para dispensar seus serviços e agradecer, ainda que o mesmo não tivesse feito nada.

Levantei, ainda sonolenta e separei a roupa que usaria naquele dia; a passos lentos cheguei ao banheiro compartilhado e pelo horário notei que não haviam muitas pessoas acordadas. Tomei um banho rápido e me arrumei, hoje estava disposta a achar pelo menos um apartamento para chamar de habitável.

Retornei ao quarto e peguei minha carteira, guardei o celular e as chaves depois de trancar a porta. Precisava de um bom café para despertar de vez, e imitando o dia anterior segui para cafeteria da próxima quadra, a mesma que passara vergonha no dia anterior.

Segui calmamente pela calçada observando a rua, pouco movimentada devido ao horário, passei pela porta com sino do estabelecimento e segui pelo corredor esquerdo em busca de uma mesa tranquila. Havia poucas pessoas no lugar, apenas um homem sentado próximo a mim e uma moça do outro lado do salão. Fiz sinal para que a garçonete se aproximasse e pedi uma xícara grande de café acompanhado de pães que estava disponível no cardápio.

Mandei mensagem para minha mãe e em seguida para Clari informando o que fizera referente ao corretor, agora precisava encontrar um lugar por conta e risco. Ouvi um zumbido e percebi que era o celular do homem que ocupava uma mesa ao lado da minha, franzi o cenho para suas costas, a única coisa que conseguia ver dada a posição.

- Sí, estoy en camino. – Arregalei os olhos ao ouvir sua voz, mas não poderia ser... Resolvi jogar toda a minha vergonha pelos ares e levantei, sutilmente andei como se estivesse a caminho do balcão e acabei batendo contra a outra mesa. É óbvio que passar vergonha uma vez no mesmo lugar não é suficiente, ouvi quando o homem pareceu prender o riso, voltei meus olhos em sua direção e a gargalhada presa em sua garganta deu lugar a um olhar surpreso, eu não devia estar diferente.

- ¿Usted aqui?

- Você aqui?

Nossas vozes em uníssono perguntaram a mesma coisa em idiomas diferentes, em minha frente estava James Rodríguez, o recém-adquirido jogador do Bayern de Munique, o ídolo do país em que eu agora morava e o cara com o sorriso mais atraente que já vira.


Notas Finais


E então minhas queridas e queridos, o que acharam do capítulo? Por favor, deixem suas opiniões nos comentários. Nos vemos logo.
Xx


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