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História ClaNNN - Capítulo 13


Escrita por: Cojiro_

Notas do Autor


Mais um capítulo. Acho que esse dá algumas respostas e lança novas perguntas. Espero que gostem.
Desculpem, estou muito cansado pra escrever uma nota digna.

Capítulo 13 - Caminho de lugar nenhum


Fanfic / Fanfiction ClaNNN - Capítulo 13 - Caminho de lugar nenhum

Hinata ficou na sala que antecedia a câmara onde seus parentes haviam entrado com Danzou, o Santo. Os outros, guardas de Vossa Santidade, também estavam por ali, longe da moça, mais próximos da janela faustuosa que dava visão de toda a Cidade da Areia. Ela observava com acuidade os quatro e seus mantos brancos esvoaçantes. Não podia falar com nenhum, ao menos que eles a requisitassem. Eram todos figuras únicas, de fato, mas ainda assim, humanos. Não eram tão enigmáticos quanto Danzou e sua auréola flutuando sobre a cabeça.

A garota do grupo tinha sempre um sorriso inocente no rosto, como se tivesse nascido com ele. O de cabelos escuros estava constantemente emburrado e desconfiado. Jamais tirava os olhos das portas; quando o fazia, era para olhar para ela. O grisalho parecia mais interessado em observar as construções e pessoas logo abaixo da janela, embora seu olhar não fosse de fato de alguém que tinha interesse em algo.

Minato, o de cabelo dourado, era o que mais a chamava atenção. Era o mais velho e tudo sobre si parecia um epígono daquilo que um santo representa. Suas feições transmitiam autoridade, mas ao mesmo tempo havia paz e segurança. Ele fora ao único a falar com os Hyuuga. Ele ordenara e o autômato havia se trancado na nave. Falava e os outros obedeciam, como se fossem seus subordinados e não do Santo.

Era como se Hinata já tivesse o visto antes. Era como se soubesse que poderia contar-lhe segredos e ele jamais falaria sobre eles para ninguém. Qualquer um capaz de carregar tamanha simpatia deve ser temido. Minato. Que espécie de homem perigoso era aquele?

A porta atrás dela foi aberta e ela viu os olhos antigos de sua vó. Ela a convocava.

Hinata entrou. A sala do pai era coberta por tapetes em todas as paredes e, dessa vez, até os dois grandes espelhos, posicionados no norte e sul da sala, estavam cobertos. O teto era uma abóboda fustigada por claraboias azuis. Havia uma mesa longa de rocha natural, a qual fora esculpida no formato de lua cheia. O Santo estava sentado na cadeira atrás dessa mesa, o lugar onde somente seu pai deveria se sentar.

— Essa é a garota — disse o pai, sem se virar para ver a filha.

— A Domadora que fracassou — Danzou disse. — Qual é o seu nome, garota?

— Hinata Hyuuga, senhor — disse ela. Ele sabia seu nome e mesmo assim a fez dizer. Hinata tinha essa ciência. Então os Santos também faziam joguinhos com o poder dos nomes? 

— Aproxime-se, Hinata Hyuuga.

Ela obedeceu, seu vestido longo se arrastando pelo tapete velho no chão.

Hinata parou ao lado de seu progenitor.

— Seu pai me contou seu relato sobre os acontecimentos no alto deserto. É verdade que Hashirama Senju matou todos os incursores, com exceção de você?

— Eu não o vi matando minha irmã, mas os outros, sim.

— Portanto ele deixou as duas princesas Hyuuga vivas?

— Não tenho como afirmar que minha irmã ainda está viva.

O Santo fez silêncio. Seu único olho aberto era muito pequeno, tanto que Hinata não sabia dizer exatamente o que ele estava olhando.

— Pode afirmar com certeza que Neji, seu primo, foi morto?

— Sim, senhor.

— Apesar disso, ele veio andando até aqui?

— Sim, senhor.

O Santo virou a cabeça para o patriarca Hyuuga, depois para o irmão dele; para a mãe de ambos e por fim voltou a olhar Hinata.

— Desde que cheguei aqui tenho ouvido absurdos. Coisas impossíveis.

— Mas é verdade — Hinata falou, quase que por cima dele. —, senhor...

— É claro que é. Se estivessem mentindo, eu já saberia. O que você acha que fez uma coisa impossível dessas acontecer, Hiashi?

— Acredito que os Uchiha e os Senju estão trabalhando juntos de alguma forma. O sharingan...

— O sharingan não possui o poder de trazer mortos de volta à vida.

— Já vimos o sharingan fazer coisas que...

— Fomos nós que criamos o sharingan, assim como criamos o seu byakugan e o poder dos Senju. Nós os demos a vocês para cumprir determinadas missões.

— Sabemos disso, meu senhor.

— Uma das missões que lhes atribuímos foi cuidar para que as populações dos vilarejos tivessem uma escapatória da doença. Por isso vocês devem capturar anjos e não Bestas de Caudas. Ainda assim, há vinte anos, você nos pediu a permissão para caçá-las.

— Só um deles, meu senhor. Shukaku é reverenciado por nosso povo como um Deus. Nós só...

— Vocês o reverenciam como um deus e ainda assim tentaram o capturar. Não se pode enjaular uma divindade, homem. Por acaso acha que seria capaz de prender em uma garrafa a mim ou a um de meus irmãos?

— De forma alguma! — disse ele, um tanto quanto exaltado e amedrontado.

— As Bestas de Caudas são seres livres, que vão e vêm quando querem e para onde querem. São almas libertas que devem continuar assim.

— Os Hyuuga entendem...

Agora vocês entendem.

— Os Uchiha também possuem um Domador — Hinata falou entrecortando os dois.

Danzou olhou para ela. Dessa vez, a garota conseguiu perceber um pequeno semblante de surpresa no olho do Santo.

— Quando me conectei com a mente do Shukaku, senti que já havia alguém fazendo a conexão. Como me encontrei com Sasuke Uchiha antes, sei que era ele.

— O poder de Domação só pode ser atribuído por Nós. Os Uchiha não têm esse poder.

— Com todo respeito, Vossa Santidade, mas não acha que há um grande número de coisas ditas “impossíveis” ocorrendo? — Hinata perguntou.

— É esse tipo de desequilíbrio que acontece quando os planos são feitos de maneira equivocada — ele respondeu. — É por isso que vocês deveriam somente cumprir o papel que lhes foi designado e nada mais.

— Ainda assim, estávamos agindo conforme nos foi permitido pelos senhores, há vinte anos.

— Os Santos jamais erram, Hiashi. Havia um motivo para lhes conceder tal poder naquela época. No entanto, você escolheu o recipiente errado dele — disse olhando para Hinata.

— Não estou sugerindo que nossos mantedores erraram. Perdoe-me por ter feito parecer tal coisa — o homem curvou a cabeça em reverência. — Estou justamente dizendo que, se agimos conforme fomos permitidos, quer dizer que tudo isso teve um motivo para acontecer. Se não tivéssemos fracassado, não teríamos descoberto que os Uchiha e Senju conspiram algo juntos, nem que há outro Domador.

Danzou ponderou, considerando a observação feita pelo homem. A auréola dourado cintilando em sua cabeça. 

— E nem que eles tinham o poder de reanimar mortos — o irmão do patriarca completou, falando de seu lugar no fundo da sala.

— Nós estamos o mantendo na prisão, meu senhor — Hyori falou. — Vossa santidade deseja vê-lo?

— Não iremos nos aproximar dele — disse o homem. — Os outros e eu tomaremos uma decisão a esse respeito e logo os comunicaremos.

Todos os Hyuuga entenderam, em simultâneo, que aquilo significava que o Santo acreditara em tudo, pois, se os Senju haviam mesmo revivido alguém e o mandado para aquele lugar, é porque sabiam que os Santos seriam chamados. Assim, a possibilidade de Neji ser uma armadilha para eles e não para os Hyuuga era grande.

— O nosso pedido é que, em nome de toda a fidelidade que esse clã sempre teve aos Santos, os Senju e Uchiha sejam punidos por suas atrocidades não só contra nós, mas também contra vossas santidades.

Danzou ficou de pé e andou pela sala com as mãos juntas, atrás do corpo, como se julgasse o pedido do patriarca Hyuuga.

— O julgamento dos Santos será justo. Os que merecerem castigo, o terão — disse ele. — Saiam todos e mandem minha comitiva entrar — ele parou de frente para um espelho encoberto. — Aguardem a nossa decisão.

Todos foram esvaziando a sala. De costas, o Santo não viu uma pequena aranha escorregar por uma teia da mão da velha e correr para se esconder próxima à mesa da lua.

Momentos depois, os outros do Zimbório vieram ter com Danzou.

Quando todos encontravam-se ao redor da mesa, o Santo começou a falar, ainda olhando para o pano sobre o espelho:

— A experiência Hyuuga foi um fracasso. Eles não conseguiram criar um Domador que fosse ao menos forte o suficiente para conquistar a mais fraca das bestas.

— A Akatsuki não poderia confiar tal poder aos Uchiha e muito menos aos Senju — disse Kakashi — Só sobrou o mais fraco dos clãs como subordinado leal nessas terras.

— Você já está falando como se os Uchiha realmente tivessem nos traído — Obito disse fazendo uma carranca para o homem de seu lado.

— E não traíram?

— Não todos — Danzou falou. — Porém, Madara Uchiha está se fortalecendo a cada dia. Nosso poder sobre eles tem diminuído.

— Eles não reportaram a captura de nenhum novo Anjo Branco conforme exigido, certo? — Rin questionou. Ela parecia encantada com os desenhos cinzelados na mesa de mineral negro.

— Não, mas há uma explicação para isso — Danzou se virou e olhou para Minato. — Pelo que os Hyuuga contaram, Itachi e Sasuke Uchiha encontraram aquele que procuramos, mas não conseguiram o capturar. Houve algum tipo de conflito e o herdeiro mais novo dos Uchiha acabou nas mãos do Senju junto com o anjo.

— Como tal coisa pôde acontecer? — Rin questionou, intrigada.

— Não fiz perguntas relacionadas a isso à garota Hyuuga. Ela poderia desconfiar de nossos interesses no anjo. O importante é que os Uchiha, de alguma maneira, também possuem um Domador

— Nós saberíamos se isso fosse verdade — Obito interpôs.

— De fato. Você deveria saber se algo assim estivesse acontecendo, Obito, afinal, são necessários anos para se preparar um Domador, mas pelo jeito é verdade e aconteceu debaixo do seu nariz. Era seu dever ter notado esse segredo nas litanias inúteis que ensinavam àquele moleque. O líder não ficará contente em saber que algo tão importante não foi notado.

Obito abriu a boca e fechou. Não havia mais nada que pudesse dizer. Kakashi lhe alçou um olhar de canto, porém também não fez qualquer comentário.

— Além de termos perdido o Segundo N, não fazemos ideia de onde o terceiro está. Os Uchiha estão se rebelando, e pelo jeito conseguiram pegar uma das bestas de caudas. Os Hyuuga não serão páreos para eles e os Senju unidos, serão? — a garota brincava com a aranha entre os dedos, sem deixá-la escapar.

— Eles ainda têm alguma utilidade. Quando os mortos vierem, ou os próprios clãs desertores, precisaremos de uma linha de frente — Danzou falou.

— Falando em mortos... eu senti um deles aqui. Nesse castelo — Minato respondeu.

— Essa é outra coisa que está errada. — disse o Santo dando um tom pontual para essa explanação — Pelo jeito há alguém capaz de controlar os mortos do lado de fora dos muros e está sob o poder dos Senju. Eles mandaram um aqui como armadilha.

— Seria ele? — perguntou a garota.

— Impossível. Orochimaru está morto. — Obito afirmou.

— Não temos como ter certeza disso também. Aqueles três saíram de nosso radar há muito tempo — Minato respondeu. — Devemos nos preocupar com uma coisa de cada vez.

— Antes de pensarmos no anjo e nos mortos, primeiro precisamos nos livrar dos Domadores. Eles são perigosos demais — Danzou falou. — Também devemos dar cabo daqueles que sabem como os criar.

— Jamais destituímos uma família do poder. Isso será perigoso — Rin colocou a aranha no chão e o animal saiu correndo de perto dela, rumo à porta.

— Não existe nada perigoso para os Santos, sua tola.

Quando a aranha escapava do tapete e passava correndo para sair da sala, Kakashi a esmagou com uma pisada discreta.

 

Em outra sala, Hyori abriu os olhos, aturdida. Ela estava embutida num canto escuro, de maneira que somente seus olhos podiam se ver na escuridão.

A velha ficou alguns momentos pensando no que havia ouvido, através do aracnídeo, naquela sala. Depois, virou-se e sumiu por uma porta secreta na parede atrás de si.

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Quando a noite caiu e nuvens tão pesadas que fustigaram o brilho da lua e da supernova cobriram os céus, Hinata encontrou-se com sua avó em uma das câmaras secretas do palácio. A velha havia lhe dito para a esperar ali e, quando apareceu, estava na companhia de Neji. Hinata se assustou ao ver o homem livre e ao lado da velha, mas percebeu que fora ela quem o libertara.

— Princesa, você sabe o que é uma família? — Hyori perguntou enquanto a ajudava a vestir um traje destilador.

— É uma corrente. As obrigações são os laços que unem uma família.

— Está errada e certa ao mesmo tempo. As obrigações, às vezes, são correntes que nos sufocam. Não devemos ver a família como uma prisão — ela disse isso apertando as chaves da cela onde outrora estava o morto-vivo. Na outra mão, algo escondido por um lenço marrom. — Você deve procurar um novo motivo para se importar com essa família, pois és nossa salvação e sinto que seu coração já não está mais conosco.

— Vovó... — ela murmurou e se aproximou da mais velha. — Eu não sei o que fazer. Por favor me diga qual o significado de tudo isso!

— Eu achava saber o significado de tudo, mas agora não sei nem o significado de mim mesma, querida. Há algo de muito errado com esse mundo e nosso clã será o primeiro a ruir se não agirmos.

— Ruir...?

— Toth está vivo. Seu pai quis matá-lo, mas eu intervi.

— O que...? Por que está me dizendo isso só agora?

— Chame por ele, princesa — a velha se aproximou e colocou em suas mãos o objeto escondido.

Hinata o segurou e retirou o pano que o cobria, revelando um cilindro transparente. Ela levou um susto ao ver uma serpente viva lá dentro.

— Ela lhe mostrará o caminho para seguir no deserto — a mulher velha se virou para a porta. — Andem logo. Tem alguém vindo!

Hinata sentiu o coração tamborilar. Neji se apressou e a pegou pela mão lhe dando mais um susto. Ela se afastou imediatamente o encarando com fúria e medo.

— Eu ainda conheço todos os caminhos, senhorita Hinata. Venha comigo — disse ele estendendo a mão.

À frente deles, um labirinto obscuro.

Hinata olhou uma última vez para a avó e então deu um longo suspiro, decidindo segurar a mão do primo e fugir por entre os caminhos cavernosos daquele lugar.

Hyori ainda ficou parada na porta por um tempo, mas depois chegou-se a uma parede e suas formas começaram a se desfazer em milhares de aranhas pequenas que foram sumindo na escuridão aos poucos, em várias direções.

No momento seguinte, Minato apareceu na porta como se tivesse simplesmente surgido do nada. Antes de entrar no lugar, ele observou bem seu interior. Não havia nenhuma luz ou corrente de ar, mas sabia que a sensação vinha dali. Antes de entrar, o loiro fechou seu capacete que fazia a cabeça ficar invisível e disse:

— Obito, preciso de você aqui.

Sem esperar resposta, ele desfez o capacete e entrou no lugar. Viu aranhas andando nas paredes, pequenas e grandes, escuras e claras; um zumbido de garras roçando umas nas outras e pernas peludas se entrelaçando.

Então, um rugido animalesco vindo de algum lugar.

Minato retirou uma lâmina de três pontas de debaixo de sua capa. Ao seu lado, num redemoinho dimensional, Obito apareceu, seus olhos de sharingan brilhando como faróis escarlate em meio ao breu.

— Por que você desapareceu? — o mais novo questionou olhando ao redor e, por fim, parando numa direção específica. — Que diabos é aquilo?! — perguntou.

— Acredito que a garota fugiu com o edo tensei — Minato respondeu olhando para a perna de uma aranha gigante que se desenhava na pouquíssima luz que vinha da sala antes daquela. — E essa coisa ficou para dar cobertura. Não posso perder tempo aqui — ele jogou a faca que passou perto da aranha por um lugar longe na escuridão. — Resolva isso.

— Mas você sabe que eu—

Minato já havia desaparecido.

— ...tenho medo de aranhas... — Obito murmurou vendo o aracnídeo maior movendo as garras em sua direção. Vista sob a ótica do sharingan ativado, a criatura parecia ainda mais assustadora e repulsiva, cheia de protuberâncias que se moviam em fluxo irregular.

Ela pulou em sua direção.

 

Neji e Hinata corriam pelos corredores estreitos, pulando pedras pontudas e se esquivando com habilidade das rochas que se precipitavam finas e mortais do teto. A garota sentia que estavam sendo seguidos, mas não conseguia acreditar que alguém que não fosse um Hyuuga pudesse desvendar aquele labirinto tão rapidamente. Que tipo de poderes possuíam o Santo e seus subordinados?

— Devemos pular, senhorita — Neji avisou. — é o caminho mais rápido.

— Eu sei — ela falou.

Eles fizeram uma curva para a direta e então saltaram num buraco escuro. O abismo era feito de uma estranha pedra lisa, livre de poeira e umidade a qual os fez deslizar por dezenas de metros. As curvas não eram gentis e Hinata se chocou com Neji algumas vezes, um passando por cima do outro, se enroscando pelo escorrego natural.

Por fim, eles caíram numa câmara aberta, onde só havia areia do deserto. O primo se levantou primeiro e voltou a lhe oferecer a mão. Dessa vez, ela não aceitou.

— Eles vão matar nossos pais — disse ela se pondo de pé e seguindo para um novo túnel.

— Se você conseguir escapar, não.

— Como você pode saber disso?

— Sua avó me disse que eles planejavam isso, mas, se você fugir, precisarão de seu pai para nos encontrar no deserto. Eles serão poupados.

Hinata parou, olhou para ele. Era Neji, mas aquele jeito formal de falar aquelas pontuações precisas a incomodavam como areia nos ouvidos.

— Ela é sua avó também — disse ela.

— Peço perdão.

Os dois chegaram ao que parecia ser o fim do túnel, no entanto, Hinata socou uma camada de areia dura e conseguiu acessar o outro lado. Os dois usaram os pés e as mãos para cavar um buraco e lá estavam: fora da Cidade de Areia. Não havia lua no céu. Tudo estava incrivelmente escuro no alto deserto, além do desfiladeiro.

Não havia como eles andaram sem qualquer luz ou guia. O byakugan não os ajudaria.

Ela se lembrou do que a avó havia dito sobre Toth. Baixou a cabeça e começou a murmurar algo.

 Neji ficou de seu lado, olhando para todas direções, atento como a águia do deserto que sempre fora. Essas coisas a morte não havia ceifado.

— Precisamos continuar — disse ele.

— E nós iremos — Hinata parou de murmurar e olhou para a serpente no vidro transparente. — Vamos confiar na família.

Atrás deles uma criatura alada pousou sem fazer muito barulho, mas fazendo o suficiente para os dois se virarem assustados.

— Toth...? — a garota murmurou ao ver o papagaio gigante.

— Como ele ficou tão grande?

— Velha bruxa! Belha bruxa! — o papagaio falou balançando as asas e a cabeça. “Velha bruxa” era como Neji costumava chamar a avó.

— Toth! — a princesa repetiu se aproximando da ave a qual baixou a cabeça para receber o carinho de sua dona. — Você está incrível — admitiu dando um pequeno sorriso. — Consegue nos tirar daqui?

— Sem gaiola, sem gaiola! — fez o papagaio. Ele sempre odiara ficar preso.

O papagaio se abaixou mais, o suficiente para que ambos conseguissem montar em suas costas. Antes de o fazer, no entanto, Neji pegou o pote que a princesa deixara por ali e depois a seguiu para as costas do pássaro.

Toth deu alguns passos desajeitados na areia e depois começou a bater asas para voar.

Quando o pássaro conseguiu decolar, os dois se seguraram em suas penas finas. Nesse momento uma parte da lua começava a surgir no céu e lançava aquele brilho azul sobre eles, iluminando o caminho. Era um bom presságio.

No entanto.

— Ainda está no seguindo — disse Neji, atrás dela.

Ela se virou e viu:

Minato parecia voar. Jogava aquela lâmina para o alto na direção deles, então desaparecia em faíscas douradas e aparecia com o mesmo efeito no exato lugar onde a lâmina estava. Pegava a lâmina, girava no ar novamente e arremessava para repetir o teleporte. Ele era claramente mais rápido que o papagaio e sua forma brilhosa na noite fazia-o parecer um deus do trovão. Hinata temeu e tremeu.

— Vai nos alcançar — Neji disse, sacando uma sakira escondida em algum lugar do corpo.

— Não vai.

Hinata tomou a adaga dele e ficou de pé no dorso do pássaro, a lua ciclópica iluminando seus contornos. A garota esperou mais um teleporte. No momento em que seus olhos se encontraram com os de Minato e ele girou para lançar mais uma vez aquela arma, a garota jogou sua sakira potencializada com o poder da ventania.

A sakira colidiu com a adaga, criando um som trovejante e a fez mudar de trajetória rumo ao chão em velocidade absurda. Minato ficou estacado no ar, como se flutuasse por uns momentos, parado no tempo, a encarando de maneira desafiadora. Então,

caiu.

Ele se virou para o chão areento. Quando sentiu que a lâmina havia estancado em uma duna, usou o teleporte e apareceu aonde ela estava. A inércia faz seu corpo derrapar sem qualquer suavidade sobre a areia, o obrigando a dar rodopios galantes para se equilibrar; punhados grossos de terra fustigando o ar.

Quando se recompôs, passou uma mão sobre o ombro para tirar o pó, enquanto assistia com um pequeno sorriso sinuoso o pássaro voar na direção da lua cheia.

 

Capítulo 13: caminho de lugar nenhum

Rumo à utopia, ando de costas.



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