História Clara e Patrick - Capítulo 6


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Categorias O Outro Lado do Paraíso
Personagens Clara Tavares, Patrick de Sá Junqueira
Tags Clara, Clarick, O Outro Lado Do Paraíso, Patrick, Walcyr Carrasco
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Palavras 9.543
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Ficção, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Insinuação de sexo, Nudez
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Tomaz melhorou e a história vai ser aprofundada de vez. O capítulo gigante apenas traduz a confusão e o sofrimento amoroso pelo qual Clara, Patrick e Gael estão passando. Espero que gostem e que toda a demora tenha valido a pena.

Capítulo 6 - Traquinagens amorosas


Doutor Aguiar estava tenso. O suor no seu rosto demonstrava o tanto de trabalho que ele estava tendo no hospital. Clara, Patrick e Gael, que esperavam ansiosamente pelo que o médico tinha a dizer, assustaram-se com semblante sombrio daquele homem.

- Pelo amor de Deus, Doutor Aguiar, o que houve com meu filho? – Clara tomou a iniciativa de perguntar com rapidez.

- O Tomaz piorou, Doutor? – Patrick tentou facilitar as coisas para o médico.

- Calma – Doutor Aguiar tentou acalmá-los.

- Como “calma”, Doutor? Sua cara diz que quer nos dar uma notícia ruim. Anda... desembucha logo o que é.... – Gael falou com rispidez.

- Tenham calma, por favor – Doutor Aguiar falou incisivamente – O Tomaz está muito bem e seus exames estão cada vez melhores. Logo, ele vai receber alta.

- Graças a Deus! – Aliviada, Clara olhou e abraçou Patrick.

- Mas Doutor, seu rosto não nega que há algo preocupante acontecendo – Patrick não se deu por convencido.

- Sim, Patrick, é verdade – Aguiar limpou o suor da testa e baixou os olhos – Muitas crianças deram entrada no hospital de ontem para hoje com suspeita de H1N1 ou de pneumonia. Alguns casos são bem graves, preocupantes, o que tem deixando muitos pais desesperados.

- Meu Deus! Eu imagino o sofrimento desses pais... – Clara falou num tom compreensivo.

- Inclusive – Aguiar continuou – estávamos achando que o Tomaz pudesse ter contraído o vírus H1N1, mas felizmente foi uma pneumonia leve. Muito leve, por sinal.

- Que bom! – Patrick suspirou aliviado – E esse surto, Doutor? Pode ser prejudicial ao Tomaz? Essas crianças estão isoladas dele? Como isso está sendo feito?

- Isoladas? A priori, não. O Tomaz está sendo medicado e bem acompanhado. Seu sistema imunológico está cada vez mais forte. Eu não creio em recaída do filho de vocês...

- Meu filho... – Gael falou rapidamente – Com a Clara.

- Sim, Gael, eu sei – Aguiar deu de ombros e continuou respondendo Patrick – Então, eu não creio em recaída, mesmo com muitas outras crianças próximas com H1N1 e pneumonia.

- Ah, isso é muito bom – Clara falava mais calmamente, aliviada com as boas notícias do filho – E quando vamos vê-lo?

- Daqui a pouco eu autorizo vocês a subirem para o quarto. Os enfermeiros já estão levando seu filho para lá.

- Obrigada, Doutor.

Clara olhou sorridente para Patrick. O alívio com a boa situação de Tomaz lhe trazia uma leveza e também um cansaço corporal por conta da tensão vivida nos últimos dias. Ela se aprumou para abraçar seu marido quando Doutor Aguiar virou-se para ela de novo para um último recado.

- Ah, Clara, como não estamos em horário de visita, só podem ficar duas pessoas com o Tomaz, ok?

- Eu e a Clara ficaremos com ele, Doutor. Pode deixar. Somos pai e mãe do Tomaz – Gael respondeu de bate-pronto, com um pequeno sorriso de satisfação no rosto.

- Ok, boa noite para vocês.

A atitude repentina de Gael deixou Clara surpresa e desconfortável, sobretudo porque Patrick não engoliu bem a situação. O advogado demonstrou isso com uma cara de poucos amigos, olhando para frente, acompanhando o Doutor Aguiar se distanciar e ignorando a presença de Gael. Como sempre, Clara reconhecia facilmente essas crises de ciúmes do seu marido. Por isso, ela o abraçou forte, dando-lhe beijos na altura do ombro, por cima da roupa. Ela queria que, naquele momento, ele não tivesse dúvidas de quem ela realmente amava.

Só que Patrick tinha ficado revoltado com a iniciativa de Gael e pior, sem poder fazer nada, pois eles eram os pais de Tomaz. Fazia todo sentido que ambos ficassem no quarto com o menino. Essa constatação quase deixou o advogado num beco sem saída, mas cansado das traquinagens amorosas de Gael, ele resolveu revidar, mesmo que sutilmente.

- Meu amor, acho que você deveria avisar a Lívia. Pelo que você me disse mais cedo, ela te pediu isso – Patrick falou baixinho, apenas para Clara escutar, como se uma ideia tivesse passado pela sua mente num estalar de dedos.

- É verdade. Vou fazer isso agora...

Clara pegou o celular na bolsa e saiu andando para um local mais reservado para ligar para a outra mãe de Tomaz. Enquanto saía, Gael perguntou e recebeu uma resposta que certamente atrapalharia seus planos de ficar sozinho com sua amada ex-mulher.

- Onde você vai, Clara? Está tudo bem?

- Tudo bem sim, Gael. Só vou avisar a Lívia sobre o Tomaz...

***

Lívia entrou apressada na recepção do hospital e ficou aliviada ao ver Gael, Clara e Patrick aguardando a liberação para ver o pequeno Tomaz. Ansiosa, ela nem mesmo deu boa noite para já perguntar como estava o seu filho.

- Cadê o Tomaz? Por que vocês estão aqui?

- Nós estamos aguardando ainda.

Clara respondeu e abraçou a mulher com quem disputava até pouco tempo o coração de Tomaz. A vingativa sabia que não poderia mudar o passado, então restava aceitar e conviver com a realidade de que o coração do filho tinha espaço para duas mães. Pelo menos Clara aliviava-se ao saber que depois de tanto sofrimento, agora ela também era mãe do menino no coração dele.

- Mas ele está bem, não é? – Lívia fitou os olhos de Clara para ter certeza da resposta dela.

- Está sim. O Doutor Aguiar nos garantiu isso.

- Ele está bem sim, Lívia – Patrick também respondeu colocando a mão no ombro dela – Agora a situação do hospital é que anda um pouco caótica.

- Por que? Está aconteceu algo?

- Está havendo um surto de H1N1. Muitas crianças estão no hospital. Os pais estão desesperados... – Clara olhou preocupada para Patrick.

- É... – Patrick tentou demonstrar confiança – Mas o Doutor Aguiar nos garantiu que a situação do Tomaz é segura. Ele está se recuperando bem.

- Graças a Deus – Lívia juntou as mãos como se tivesse rezando – Não vejo a hora de vê-lo. Será que vai demorar? Eu vim para passar a noite com ele também.

- Você não tem que ficar com o Lucas? – Gael enfim falou algo.

- O Lucas dorme bem a noite toda, Gael.

- Mesmo assim, ele é seu filho e precisa muito de você.

- O Mariano vai ficar com ele. A melhor hora para eu ficar com o Tomaz é agora. Não vejo a hora de ver meu filho.

- É, mas apenas duas pessoas podem ficar com o Tomaz, já que estamos fora do horário de visita. Eu já avisei ao Doutor Aguiar que eu e Clara ficaremos como ele.

Ao lado de Clara, Patrick bufou levemente demonstrando irritação com essa ideia de Gael. O advogado pensava numa forma de tocar nesse assunto com a esposa, de que não tinha gostado disso, mas não encontrava brecha e nem clima para tal. E ele irritava-se por ter que aceitar essa situação passivamente, pois tudo o que mais importava naquele momento para Clara era a recuperação do seu filho. E estava claro para Patrick que Gael se aproveitava da tensão da sua mulher para tentar reconquistá-la.

- Como é que é? – Lívia falou demonstrando irritação – Eu, a mãe dele, não vou poder passar a noite com meu filho?

- Tia, você quer dizer...

- Eu sou a mãe dele, Gael. Foi eu quem criou e cuidou desse menino. Você está sendo injusta comigo.

- Criou depois que armou com nossa mãe para internar a Clara no hospício.

- Eu não sabia que a Sophia, SUA mãe, ia fazer isso. Ela me envolveu nessa trama assim como te envolveu também.

- Eu jamais compactuei com o que minha mãe fez.

- Pode não ter compactuado por querer, mas ajudou a contribuir. Ou você esqueceu das surras que dava na Clara?

- Eu... eu... – Gael engasgou.

Patrick e Clara, constrangidos com a discussão dos irmãos, não ousaram dizer qualquer palavra. Embora não tivessem compartilhado entre si o que pensavam, estava claro que ambos queriam fugir dali.

- Você nem ligava para o menino, Gael. Não trocou as fraldas dele, não dava comida, não levava ao médico e quase nunca participava do dia dos pais na escola. Muitas vezes, você nem lembrava que tinha filho. E sua ausência foi tanta que até o Renato era chamado de pai...

- Não me fale desse traste.

- Falo sim, porque é a realidade. Você sempre foi ausente e agora finge querer se importar com o filho só porque a Clara voltou. Você só está fazendo esse showzinho por causa dela...

- Que que tem a ver? Ele é meu filho e eu sou o pai dele. Eu mereço muito mais do que você que é apenas a tia dele.

- Pai? Não brinca, Gael. Você não tem nem a guarda do menino. Abriu mão pela Clara. Tudo por ela.  

- Você pode ir com a Lívia, Gael – Clara falou repentinamente – Eu vejo o Tomaz amanhã. Não tem problema para mim.

Patrick olhou assustado para Clara. Essa demonstração de compaixão da esposa pelo ex-marido fez brotar dentro de si uma intuição ruim. Ainda mais porque Clara sempre demonstrou que Tomaz era a coisa mais importante da sua vida e agora abria mão de ficar com o menino por causa do Gael. Patrick fechou a cara, algo que Clara percebeu e tentou se justificar aos sussurros para o seu marido.

- Deixa... Ele é o pai. Ele vê pouco o menino. Deixa que ele fique com o Tomaz hoje. Amanhã a gente volta. É bom que ficamos eu e você com ele, Patrick. O que acha?

- Você tem certeza, meu amor?

- Tenho sim.

A compaixão de Clara deixou Gael corado e envergonhado. Ele não esperava essa atitude dela e era algo que atrapalhava seu plano de passar a madrugada inteira com eles. Era o seu desejo mostrar o quanto tinha mudado e o quanto ele seria um bom pai e chefe de família.

- Não, Clara – Gael adotou um tom compreensivo – Tudo bem. Você precisa ficar com o Tomaz.

- Não, Gael, você pode ficar com o Tomaz. Já fiquei boa parte da tarde com meu filho. Eu falo de coração – Clara falou percebendo os olhos do ex-marido marejados de vergonha.

- Não. Vão vocês duas mesmo – Gael olhou para Lívia – Desculpem qualquer coisa. Eu vou pegar um ar lá fora...

Clara sentiu pena de Gael e teve vontade de ir atrás dele, para confortá-lo, mas logo percebeu Patrick com cara de poucos amigos, de braços cruzados demonstrando inquietação com o que estava acontecendo. Ela também sentiu compaixão pelos sentimentos do advogado. Ela também o entendia e sabia que não deveria ser fácil para ele ver um ex-marido cortejando e querendo provar a todo custo que mudou. Então, Clara se aproximou de Patrick, do homem que inegavelmente amava, pôs a mão em seu rosto e o olhou com carinho, como se quisesse acalmar aquele coração enciumado com um olhar que valesse mais que mil palavras.

- Você vai atrás dele? – Patrick perguntou.

- Não – Clara riu com um pouco de surpresa pela pergunta – Por que eu iria?

- Por que você pareceu chateada.

- Eu só queria acabar essa discussão desnecessária e nada mais.

- E você conseguiu.

Clara deu outro sorriso cativante e abraçou fortemente seu marido. Ela quis transparecer leveza naquele momento e pela reação de Patrick, parece que funcionou pois ele ficou bem carinhoso com ela também. Porém, a mente de Clara estava um turbilhão de sentimentos dúbios rodopiando e se confrontando no meio de uma terrível tempestade. Sentimentos por Patrick e por Gael. “Por que mesmo amando completamente o Patrick, eu ainda me sinto confusa pelo Gael? O que há de errado comigo? Eu não posso mais estar dividida nessa altura da vida, ainda mais estando casada”, Clara pensou pouco antes de um enfermeiro avisar a ela e a Lívia que já podiam ir para o quarto do Tomaz.

***

Com as mãos no queixo, Patrick estava sentado sozinho na recepção do hospital. Já fazia um bom tempo que Clara e Lívia tinham subido para o quarto. Provavelmente, elas já estavam paparicando o filho. Felizmente, Tomaz se recuperava bem e agora estava recebendo todo o afeto e carinho das duas mulheres que mais o amavam nessa vida. “Que sorte do menino”, pensou Patrick.

Sorte não parecia a palavra que pudesse ser associada a Patrick naquele momento. A presença de Gael estava incomodando bastante. Ele refletia sobre seus sentimentos amorosos, que estavam fervilhando depois da discussão de Gael com a irmã. Uma intuição ruim estava lhe atormentando também, algo que o deixava mais inquieto ainda. O bom senso lhe dizia para ir para casa, para descansar e voltar pela manhã para buscar a sua mulher. Porém, ele temia sair e deixar Clara e Gael naquele hospital. Naquele exato momento, eles estavam distantes, é verdade, mas nada impedia de Gael, por exemplo, pedir para Clara vir ao ser encontro para conversarem. E essas hipóteses deixavam o advogado temeroso.

“Não”, foi a resposta que Patrick se deu mentalmente. Ele não iria arredar o pé do hospital porque seu amor por Clara era incondicional e superava tudo que já houvera sentido antes. Ela lhe dava uma completude nunca vivida e nem experimentada. Perdê-la não era uma opção para Patrick. E sim, ele concluiu que lutaria por ela até o fim, se assim fosse preciso. Sua ordem era proteger o amor que existia com ela.

Os pensamentos do advogado foram parcialmente interrompidos pela volta de Gael, que se sentou próximo, mas sem dizer qualquer palavra. O pai de Tomaz cruzou os braços e ficou olhando a esmo, totalmente envolvido nos seus próprios pensamentos. Patrick tinha o dom de ler as pessoas e sabia perfeitamente o que se passava na cabeça de Gael. Eles eram, de fato, dois homens que amavam perdidamente a mesma mulher. E ali, Gael também sofria por amor. Mas para Patrick, por mais que tivesse mudado, Gael já teve sua chance e a jogou fora depois de irresponsavelmente não proteger a mulher que dizia amar de ser internada naquele hospício.

Muitos minutos ainda se passaram com Patrick também imerso em seus próprios pensamentos até que o telefone de Clara, que estava com o advogado, tocou. Era Clara ligando a partir do telefone de Lívia. Ele se levantou e atendeu o celular caminhando para o lado de fora do hospital (ou para qualquer outro local distante de Gael).

- Patrick?! Sou eu, Clara. Tudo bem?

- Tudo bem, meu amor. E por aí, tudo bem? Como está o Tomaz?

- Só te liguei para avisar que está tudo bem com o Tomaz. Ele está falante... sorridente, com um aspecto ótimo. Eu estou muito aliviada.

- Que bom, Clara. Como eu tinha previsto, Tomaz vai voltar logo para casa.

- Vai sim. Eu não vejo a hora disso acontecer. Você está no hospital?

- Estou sim, por que?

- Por nada. Eu pensei... pensei que talvez você quisesse ir para casa descansar.

- Não. Vou ficar aqui te esperando como te prometi.

- Eu fico preocupada, Patrick. Você não está dormindo nada. Quando não está comigo, você está nesse processo...

- Está tudo bem, Clara. Não se preocupe. O importante é você e o Tomaz. Vou ficar aqui para o que você precisar. Não vou para casa não.

- Obrigada. Eu te amo. Já já eu desço para ficar um pouquinho contigo, bom? – Clara falou com extrema meiguice.

Patrick riu com satisfação do jeito carinhoso com que sua mulher falou.

- Você já está me deixando na vontade...

- E é?

- Sim. Claro que sim. Vem quando puder, ? Vou estar te esperando...

- bom. E o Gael? Ainda está aí?

- Ah... – Patrick não negou o desanimo ao falar de Gael – Está ali, sentado, com cara de poucos amigos...

- Ele queria estar aqui, Patrick... com o filho. Ele também sofreu pelo que aconteceu com o Tomaz.

- Hum...

- Pois é...

- Enfim... – Patrick deu um suspiro mais desanimado ainda.

- Você pode avisar a ele que o Tomaz está bem?

- Olha Clara, ele não está muito para conversa. Eu prefiro que você mesma fale com ele...

- O problema é só esse, Patrick?

- Não há problema nenhum, Clara. Ele deve estar chateado com a Lívia e agora quer ficar um pouco sozinho, deve ser isso.

- Então bom. Eu ligo para ele depois. Eu vou desligar agora e ficar com o Tomaz. Eu te aviso pelo contato da Lívia no WhatsApp quando tiver descendo, ok?

- Certo.

- Te amo!

- Te amo também.

Tão logo desligou o telefone, Patrick se arrependeu de ter recusado avisar a Gael sobre as novidades do Tomaz. Isto porque obrigaria a própria Clara entrar em contato com o ex-marido. Lívia não ligaria, obviamente, pois ambos estavam chateados um com outro. Patrick percebeu que não teve uma atitude estrategicamente correta para quem minutos antes se disse que lutaria com todas as forças para manter o amor de Clara. E pior, fez com que ela e Gael tivessem o que conversar em breve, e reservadamente.

Como um adolescente inconsequente, Patrick apressou o passo para onde Gael estava afim de contar-lhe sobre Tomaz e em seguida, avisar sobre isso para Clara na esperança de evitar o contato dela com o ex-marido. Mas ao chegar lá, Gael tinha sumido. Desesperado, o advogado lamentou com um suspiro desanimado que a situação tenha fugido completamente do seu controle.

***

(Leia escutando Vou Te Encontrar, de Paulo Miklos)

De coração partido, Gael dirigia-se rumo a sua antiga casa, que um dia foi de sua mãe, mas que naquele momento era de Lívia, de Mariano e do pequeno Lucas. Seus olhos estavam marejados e seu semblante denotava uma inegável tristeza. Ele não queria ficar no hospital com esse aspecto, não na companhia de Patrick, justo do homem que tinha se casado com Clara.

A ligação da ex-mulher para o advogado foi como se um tiro tivesse atravessado todo seu corpo e dilacerado tudo por dentro. Ele sentiu-se desprezado por não ter tido, em primeira mão, as informações do estado de saúde do próprio filho. A mulher que amava era de outro homem, mas a ficha teimava em não cair. E não caía naquela hora porque ele não admitia isso. E se culpava em igual intensidade por toda essa situação.

Parado num sinal vermelho, Gael baixou a cabeça e refletiu sobre sua própria história de dor e de sofrimento. Suas lágrimas se tornaram mais fortes e acabaram caindo sobre sua calça, deixando-as bem manchadas. Foi preciso um buzinaço intenso nos carros atrás para que ele arranjasse forças para levantar a cabeça e seguir no trajeto.

Já em casa, ele caminhava devagar, praticamente sem forças para dar um ínfimo passo rumo ao seu antigo quarto. A caminhada estava sendo um tormento de proporções incomensuráveis. Seu corpo aparentava doer em todos os lugares, mas quando ele procurava onde doía, não encontrava lugar nenhum. Ao passar em frente a cozinha, Mariano percebeu aquela forma cadavérica e correu ao seu encontro.

- tudo bem, Gael? – Mariano o segurou.

- sim, Mariano. Pode deixar. Estou indo para o meu quarto – Gael falou fraquejando, mas se livrando de Mariano.

- Pensei que fosse ficar no hospital, rapaz. Aconteceu algo com Tomaz?

- Não. Ele está muito bem. Lívia e Clara estão com ele.

- Ah, Gael, quanto a isso, quero te pedir desculpa pela Lívia. Ela me contou da briga. sabe... ela é louca por esse menino...

- Tudo bem. Deixa pra lá. Estou indo pro meu quarto. Boa noite!

- Boa noite!

Sem tirar roupa e sapato, Gael se jogou na cama e ficou deitado olhando para o teto com as mãos em cima da barriga. Com a porta entreaberta, ele não percebeu que Mariano tinha-o seguido para garantir que conseguiria chegar bem ao próprio quarto. Vendo que Gael aparentava estar bem, pois não se mexia, mas respirava normalmente, o marido de Lívia foi para o próprio quarto, onde estava o seu filho Lucas.

Horas se passaram e o Gael não tinha pregado o olho, sequer tinha mudado de posição. O teto parecia uma tela de cinema no qual o filme de sua vida passava repetidas vezes, como se fosse uma punição eterna para não esquecer e não se perdoar por todo mal que causou a sua ex-mulher. A sua Clara. A mulher que amava absurdamente.

As lembranças das agressões gratuitas, do ciúme doentio e do estupro covarde na noite de núpcia lhe deixaram tão nauseados que ele parecia sentir toda a dor, medo e desamparo que Clara teve ao seu lado. Ele só teve tempo de se virar e vomitar tudo o que tinha comido no chão. Saiu tudo e mesmo com sua barriga completamente vazia, o mal-estar continuava junto com uma sensação de embrulhamento no estômago.

Gael se sentou na cama e com a respiração ofegante, se perguntou diversas vezes porque tinha feito tudo aquilo e o que mais ele poderia fazer para reparar todo o mal que tinha causado. Se perguntou porque entre o certo e o errado, ele tinha escolhido o errado. Ele continuava a se arrepender, dia após dia. E mesmo colecionando dias de arrependimentos, ele não conseguia se livrar da terrível sensação de que isso ainda era muito pouco. E para ele, não adiantava admitir para as pessoas que errou, que o certo era de outra forma, ou mesmo ajudar as pessoas e ser o homem mais generoso desse mundo. Isso ele já tinha feito muitas vezes, até mesmo num tribunal, para defender Clara. Mas não adiantava. Se mundo inteiro lhe perdoasse, pensou, talvez Clara lhe desse uma chance de provar todo o amor mais puro e sincero que ele nutre por ela. Ou talvez não. Essa dúvida lhe corroía por dentro.

As respostas não apareciam e seu coração não conseguia ficar calmo. Ele queria cruzar o mundo, as estrelas, o universo, fazer o inimaginável para voltar a ser merecedor do amor daquela mulher. Ele pensava em planos e formas para se tornar capaz de ter sua ex-mulher nos seus braços de uma forma que nunca teve antes, para tratá-la como ela merecia ser tratada, para cuidar dela, para amá-la em toda sua plenitude, para fazê-la feliz, para servi-la de todas as formas que um homem pode servir. Para ser o que deveria ter sido no passado. E ele voltava a se questionar e se culpava por ter sido um inútil, um covarde, um estúpido que perdeu a mulher mais maravilhosa que conheceu.

Ainda dilacerado, Gael caminhou fraquejando para a cozinha. De repente, ele sentia sede e pensou que um pouco de água pudesse abafar a sucessão de sentimentos ruins que brotavam dentro da sua tempestuosa alma. No caminho, ele viu um crucifixo e lembrou-se que nunca tinha dado cabimento a religião até aquele dia em que a Dona Mercedes iniciou o seu processo de cura. Ele olhou para aquela imagem sagrada, parecendo ser feita de ouro verdadeiro, com Jesus Cristo sofrendo e sentiu vontade de falar o que sentia. Desamparado e sem esperanças, como Clara no passado, ele se despiu de toda vaidade, baixou a cabeça e falou em voz alta aos prantos.

- Senhor, me perdoa? Do fundo da minha alma, me perdoa? Eu fiz tanto mal, tanto mal, que não consigo me libertar disso. Estou tão arrependido. Tão arrependido, meu senhor. Eu fiz tanto mal pra Clara. Por que fiz isso? Tem algum significado nisso tudo? Eu sou um estúpido. Eu sou um monstro? Eu a amo tanto. Eu queria voltar atrás e refazer tudo, ser diferente, ser melhor. Eu queria começar do zero. Queria reescrever minha história com ela. Eu não consigo viver sem o amor dela. Eu não queria perdê-la. Me dá esperança, senha? Me ajuda?

E Gael caiu de joelhos no chão, soluçando e chorando copiosamente. Ele estava frustrado porque as palavras proferidas simplesmente não traduziam nem metade do que ele verdadeiramente sentia. O momento de fraqueza tinha lhe consumido por completo. Havia dentro dele uma forte sensação de fracasso e de derrota, e pela primeira vez, brotava em seu coração a ideia de aceitar que perdeu Clara para sempre. Ele sentia que o restinho do amor que ela ainda nutria por ele estava se esvaindo cada vez mais rápido e nem mesmo acreditar nesse pouquinho de amor parecia lhe dá esperança de conseguir reatar e recuperar o amor dela. Ele sentia isso de uma forma bastante dolorosa. E ele sabia que a culpa foi toda dele. E mais uma vez, ele percebeu que não tinha mais o que fazer. Era como andar em círculos: ter esperanças, se frustrar, procurar entender, se arrepender, chorar, pedir perdão e perceber que a perdeu para sempre.

Gael limpou seu rosto na pia da cozinha, bebeu sua água e depois sentou-se um pouco no sofá da gigantesca sala de estar. Mais calmo, ele se permitiu sonhar no intuito de fugir da realidade, onde a vida seria perfeita. E então ele imaginou andando de mãos dadas com Clara e Tomaz no capim dourado. Os três estavam rindo, felizes, correndo, brincando, pulando, se abraçando e se beijando. Ele levantava Tomaz e rodopiava. E Tomaz ria sem parar. Depois ele fez o mesmo com Clara, que também ria sem parar. E eles continuavam a rir felizes e todo o mundo era lindo, leve, florido e brilhante. E Clara e Tomaz olhavam para ele e diziam ao mesmo tempo: “nós te amamos mais que tudo”. E ele respondia: “eu amo vocês além da minha vida”. Eles eram felizes como uma família. E não havia agressões, nem medo, nem dor, nem nada de ruim. Ele era o homem mais feliz do mundo por ter a mulher mais maravilhosa de todas e o filho mais incrível de todos. O seu mundo perfeito.

E então Gael sentiu-se um pouco melhor. Ele lembrou de um documentário que viu certa vez na TV que dizia que existiam mundos paralelos e outras realidades, e que nossa imaginação era real nesses lugares desconhecidos. Então ele deu um sorriso triste e pensou: “em algum desses mundos quem sabe nós três somos realmente felizes”.

Havia um espelho próximo e Gael foi até lá se olhar. Seu rosto estava inchado após o choro profundo que teve, mas não era isso o que ele queria ver. Gael procurava o monstro agressor e estuprador que um dia habitou aquele corpo. Por um momento ele imaginou aquela imagem refletida no espelho como sendo o monstro que um dia foi e perguntou a ele em voz alta: “Por que você estava dentro de mim? Por que você fez isso? Por que você me usou?” Gael ficou em silêncio e esperou. E esperou mais um tempo, mas logo desistiu. Ele deu um suspiro desanimado pois sabia que não teria qualquer resposta.

Não demorou muito e ele voltou para o quarto. Apesar de tudo, sua passada já era mais firme, a fraqueza estava desaparecendo e agora ele lembrava quem era: Gael, ex-marido de Clara, pai de Tomaz e namorado de Taís. Sua nova namorada era o seu futuro e mais uma vez ele botou na cabeça que, dali em diante, todo o foco seria na sua Taís. E ele lembrou dela com carinho e teve a ideia de lhe fazer uma ligação para dizer que a amava. Ok, pode não ser o mesmo amor que sente pela Clara, mas já havia algum sentimento sim. Era a hora de iniciar, de verdade, sua nova história. Era hora de seguir em frente, ele pensou mais uma vez. Ele tinha certeza que Taís amaria a surpresa, logo ela que estava tão preocupada com a viagem dele para Palmas por conta da enfermidade do filho.

Ao entrar no quarto, já ansioso para ligar para Taís, de repente seu celular tocou. Gael se assustou pois não esperava receber ligação àquela hora, mesmo que estivesse amanhecendo. Ele deu uma corridinha para pegar o seu aparelho telefônico e viu quem era. Seu coração bateu extremamente forte. Talvez fosse uma ligação normal, básica, que não proporcionasse efeito nenhum nas decisões que acabara de tomar, mas mesmo assim seu coração estava saltitando de alegria. Ele atendeu o celular.

- Oi, Clara!

***

Já amanhecia em Palmas e com algum sacrifício, Patrick mantinha-se acordado, sentado, esperando por Clara. Ele a deixava bem à vontade, pois não cobrava e nem perguntava até quando ela iria ficar com Tomaz. Mesmo cansado, seu amor foi massageado nas duas vezes em que ela saiu do quarto para ficar um pouquinho com ele. Da segunda vez, ela levou o celular porque queria mostrar umas fotos para Lívia e Tomaz. Quando o sono já estava derrotando o nosso advogado preferido, eis que Clara desceu com sua bolsa e pronta para ir embora. Ela estava mais séria que das outras vezes.

- Vamos indo? – Clara falou.

- Vamos, mas... e o Tomaz? – Patrick levantou-se rapidamente.

- A Lívia vai ficar com ele. Eu volto no começo da tarde

De mãos dadas, ambos continuaram a conversar enquanto iam em direção ao carro de Patrick, que estava estacionado a cerca de um quarteirão do hospital.

- E o Tomaz vai ficar sozinho com a Lívia?

- Eu liguei para o Gael e pedi para ele voltar para cá e ficar no meu lugar.

- Ah, o Gael...

Clara percebeu a ironia na voz do seu marido, mas preferiu não dá trela e seguiu em silêncio rumo ao carro. Patrick, por sua vez, ficou desconcertado e aquela intuição ruim voltou a ficar forte. Ele não soube como perguntar o que acontecia, já que o semblante da sua mulher estava fechado, num misto de cansaço com vontade de simplesmente ficar em silêncio. E em silêncio, eles entraram no carro e assim ficaram por um tempo até que advogado enfim falou algo que o incomodava.

- É estranho que você tenha tomado a iniciativa de ir para casa, sem que ninguém te aconselhasse a fazer isso.

- Eu estou cansada, Patrick – Clara irritou-se – Agora que o Tomaz está bem, eu preciso descansar um pouco, dormir...

- Ou então...

- O que?

- Nada, deixa para lá.

- Fala logo.

Patrick suspirou fundo com o jeito incisivo ao qual Clara lhe respondia. Ela tinha se irritado e talvez fosse por causa do cansaço e do sono. Ou porque ela já sabia do que ele iria falar.

- Anda, fala logo... – Clara insistiu.

- Você sentiu pena do Gael e abriu mão de ficar no quarto o tempo todo com seu filho para que ele pudesse ficar.

- Eu não preciso sentir pena não, Patrick. O Gael é o pai, o sangue dele corre nas veias do Tomaz. Ele tem todo direito de ficar com meu filho.

Patrick suspirou de novo e percebeu que sua intuição não costumava falhar. A fala dela lhe dava a prova cabal do quão ela ficava diferente quando Gael estava por perto. Havia algo de errado e ele, como advogado, sabia que precisava descobrir antes que fosse tarde demais.

- Olha, Clara, sinceramente, eu não gosto quando o Gael está por perto. Você fica diferente. E ele ficou tempos emburrado antes de sumir porque não poderia ficar no quarto do Tomaz com você. E olha só nós, brigando por causa disso.

- Mas eu não estou brigando. Muito pelo contrário, você que está com um ciúme bobo e sem necessidade.

- Não é ciúmes, Clara!

- É o que, então?

- Está claro que ele quer te reconquistar e isso me incomoda.

- Por que incomoda? Você mesmo disse que não se importava com o que ele pensava ou desejava.

- Porque...

Patrick não teve coragem de dizer o que realmente o incomodava, a sua intuição ruim. Ele não quis arriscar a possibilidade de piorar os sentimentos da sua esposa contando algo sobre isso. Não era assim que ele protegeria o seu amor. Pelo contrário, ele preferiu amenizar a situação.

- Clara, desculpa, ?

- O Gael só ficou chateado porque não pôde ficar com o filho. E eu o entendo. Não teve nada mais além disso, Patrick. O Gael é o pai do meu filho e um amigo querido, nada mais que isso.

- Tudo bem. Me desculpe.

- Ei, você não precisa se preocupar, ?

- bom.

- Sabe por que? Porque eu te amo.

- Também te amo, mas me desculpe.

- Eu desculpo.

Clara deu um sorriso leve e cansado para Patrick. Ela colocou sua mão esquerda no ombro dele e ficou acariciando. Aquilo talvez tenha acalmado o advogado, a não ser que ele soubesse o que passava na mente dela, que ainda estava processando a ligação que fez a Gael.

***

Já fazia algumas horas que Clara dormia tranquilamente enrolada no seu edredom rosa. Ela, que chegara bastante cansada do hospital, só teve tempo de tomar uma ducha rápida e capotar na cama. Quando Patrick foi se deitar, Clara já suspirava dentro de um sono profundo. Ela era terrivelmente linda e apaixonante, uma força e um significado irresistível para o advogado, que passou muitos minutos admirando-a antes de tentar dormir.

E ele bem que tentou dormir, visto que só teria reunião a tarde com o promotor, mas mal conseguiu entrar num sono levíssimo e seu descanso acabou sendo interrompido por Janete batendo na porta do quarto, para informar que Bruno estava ao telefone. O delegado provavelmente tentou ligar para o celular de Patrick, mas este estava sem funcionar. Então para Bruno ter ligado diretamente para o telefone fixo é porque algo muito sério provavelmente teria acontecido.

Patrick desceu ainda com roupa de dormir e atendeu seu amigo Bruno. Era mais ou menos 10 horas da manhã e a empolgação do delegado ao telefone contrastou com o tom desanimado na voz do advogado, que só queria ficar deitado ao lado de Clara. Bruno falou sobre novas provas encontradas no caso da Chacina do Vereador, provas estas que seriam decisivas para ganhar a causa e que Patrick deveria ir o quanto antes a delegacia tomar nota do que foi descoberto.

Não havia outro jeito a não ser ir ao encontro de Bruno. Para Patrick, infelizmente ele tinha que ir, justo no dia que queria passar a maior parte do tempo com Clara, principalmente por conta da tal da intuição ruim que teve durante a madrugada. O advogado se arrumou rapidamente e sentou na cama para avisar a sua mulher a mudança de planos.

- Amor? Clara? – Patrick falou aos sussurros.

Clara mal conseguia abrir os olhos e balbuciou alguma coisa totalmente inaudível. Patrick continuou sussurrando perto dela.

- Vou ter que sair agora. Vou dar um pulinho na delegacia. O Bruno tem novidades para mim sobre o processo. Depois vou dá um jeito no meu celular. Deve ser rápido. Eu volto para almoçar contigo, está bem?

Se Clara escutou, nunca saberemos. Ela continuou num sono profundo e aparentemente bem revigorante. Patrick não insistiu e preferiu ficar acariciando os cabelos dela por um tempinho. Ele amava incondicionalmente aquela mulher e acima de tudo, desejava o bem para ela. Clara lhe dava forças em dias assim, pois se ele estava naquela cidade, interagindo com aquele povo, tudo isso era, no fim das contas, por causa dela. E sem tomar café da manhã, Patrick foi, mas não sem antes pedir para Janete avisar do seu destino a Clara quando ela acordasse.

***

As provas mostradas por Bruno eram realmente consistentes e davam uma grande reviravolta no caso. O acusado era apenas a ponta do iceberg de um crime organizado que imperava em Palmas e em todo estado de Tocantins. Todos na delegacia estavam eufóricos por saber que o vereador Altamiro Viana seria facilmente condenado, menos Patrick. Porém, a realidade era essa e não dava para fugir. Patrick sabia desde quando Bruno ligou que aquele dia seria bastante longo. Ele, que só teria uma reunião rápida no período da tarde com promotor, agora provavelmente passaria o dia debruçado naquelas provas e sem hora para sair do Ministério Público do Tocantins.

Ele pegou as provas e antes de ir ao encontro do promotor, passou numa loja de telefonia para ajeitar seu aparelho telefônico. Felizmente, o problema foi facilmente resolvido, já que o seu carregador não funcionava mais. O advogado comprou outro e aproveitou a estrutura da loja para carregar seu celular. Tão logo carregou o suficiente de bateria para poder ligá-lo, ele telefonou para Clara, mas ela não atendeu, pois provavelmente continuava dormindo. Patrick ficou mais desanimado ainda. Então, ele informou por mensagem no WhatsApp que não daria tempo para voltar para o almoço, que o Bruno tinha encontrado novas provas e que estava indo ao encontro do promotor, sem hora para voltar.

“É o jeito”, pensou Patrick enquanto partia com seu Jeep para o Ministério Público. Ele e o promotor teriam muito trabalho, mas em vez de pensar em como integrar as novas provas no processo, Patrick pensava em Clara e mais precisamente em saber que ela estaria sozinha com Gael. E isso lhe dava um profundo mal-estar. Sem conseguir desligar os pensamentos e cansado por isso, Patrick se permitiu refletir o que tentava evitar por receio de chegar a conclusões óbvias que lhe fizessem ter medo de perder a mulher que amava.

Era óbvio para Patrick que Clara ficava mexida com a presença de Gael, principalmente quando algo envolvia o próprio filho. Tomaz, a coisa mais importante para ela, era uma ligação eterna com o ex-marido e disso ele não poderia fugir. Por diversas vezes ele já tinha pensado numa forma de amenizar essa situação e mais uma vez isso não seria diferente. Porém, não havia muito o que fazer, pois Gael é o pai e ele teria que aceitar essa realidade.

Todavia, Patrick sabia o que Gael queria. Não que o desejo de Gael fosse importante para o advogado. Ele estava farto de saber que o sonho da vida do irmão de Lívia era reconquistar a ex-mulher. Na realidade, o que preocupava Patrick era sua falta de confiança nos sentimentos de Clara. Ele a achava muito susceptíveis aos galanteios do novo Gael. E sua intuição ruim apitava toda hora indicando que algo de errado estava em curso, como se Clara passasse a se questionar se fez certo em se casar com ele.

Clara já tinha lhe confessado que amava Gael, mas que ele era uma espécie de amor do passado. Essa explicação nunca tinha sido inteiramente convincente para Patrick, mas ela poderia ter ficado com ex-marido, não é? Em vez disso, ela aceitou se casar com o advogado. E isso lhe fez engolir essa história de amor do passado e esquecê-la até então.

Por outro lado, tinha a danada da intuição ruim surgida na noite anterior. Algo bem sutil, mas com incrível coerência e que estranhamente tinha passado despercebido ao sempre tão atento advogado Patrick, acostumado a analisar pessoas e perfis. Só que ele preferiu não enveredar por esse lado. Ele preferiu não acreditar que essa intuição pudesse ter algum fundo de verdade, porque se tivesse, ela mudaria tudo, absolutamente tudo. E não faria qualquer sentido continuar com Clara. Seria fazer as malas e voltar definitivamente para o Rio de Janeiro, para iniciar uma nova vida.

Patrick tremeu e suou frio. Sua sorte foi ter chegado no Ministério Público e facilmente ter encontrado um local para estacionar. O advogado ainda passou um tempo no carro antes de descer. Ele definitivamente não estava bem, sua respiração estava ofegante, sua mão direita trêmula e sua visão um pouco embaçada. O local onde levara um tiro passou a doer dilacerantemente. Com a mão esquerda, ele tentou acariciar esse local para amenizar a dor, mas sem sucesso. Patrick arrumou forças para inclinar um pouco o banco para trás e em seguida encostou a cabeça, olhando para teto do carro, na tentativa de respirar melhor. Ele tentava acreditar que tudo aquilo era psicológico e fruto do sofrimento pelo qual estava passando. Muitos minutos se passaram até que a dor começasse a ceder e ele voltasse a pensar com mais clareza.

Aos poucos a dor foi cessando e ele conseguiu acalmar seu corpo e sua mente. Respirando melhor, ele fechou os olhos e viajou cada vez mais para dentro do seu eu interior. Nas profundezas da alma, Patrick tinha tudo aquilo que lhe fazia seguir em frente. O sofrimento não era novidade na vida dele e isso era o seu mantra sempre que tudo parecia desabar ao redor. Sua respiração foi se normalizando e sua mão direita já estava normalmente ágil. A possibilidade de perder o amor de Clara era o seu problema. “Mas isso não aconteceu, certo? Pode vir a acontecer, ou não, mas no momento ela me ama e estamos casados”. Uma vez ele perdeu um amor e nunca teve a certeza se tinha lutado o suficiente para evitar isso. Agora, se realmente tivesse perdendo outro amor, ele concluiu que lutaria por esse amor com todas as forças do seu ser, custasse o que custasse.

Já bem melhor, Patrick ajeitou o banco na posição original, desligou o carro e saiu. Agora ele caminhava confiante, firme, decidido e disposto a fazer o que fosse certo e melhor para ele e para sua esposa. Em nada ele lembrava a pessoa sofrida e cheia de dores físicas e mentais de minutos atrás. Se a intuição da madrugada ainda era negativa, deteriorante e transformava o seu amor em sofrimento, uma nova intuição brotou naquele começo de tarde indicando que o amor venceria, e vencerá, no final. Com passos decididos, livre do lapso e da fraqueza ao qual fora acometido, o maior advogado criminalista do país estava de volta ao jogo.

***

(Leia escutando I Don’t Want To Talk About It, de Fernanda Takai)

Clara acordou mais tarde que o normal. Facilmente já passava da hora do almoço e sua barriga roncava de fome. Ela procurou por Patrick, falou seu nome em voz alta, mas não o encontrou em canto nenhum. Um pouco atordoada pelas horas, ela levantou-se da cama, tomou uma ducha caprichada e desceu para almoçar, quando foi informada por Janete que Patrick tinha saído sem horas para voltar.

A vingativa almoçou rapidamente e em completo silêncio. Sua mente andava para lá de atordoada para ter qualquer tipo de papo com sua empregada. Janete, por sua vez, olhando aquela mulher bastante compenetrada pensou que “algo não está bem com a Dona Clara”.

Já de volta ao quarto, enquanto dava os últimos retoques na sua maquiagem, Clara ligou para Patrick, assim que soube via WhatsApp que ele tinha ajeitado o seu celular.

- Você realmente não sabe que horas vai voltar?

- Infelizmente, não – Patrick respondeu apressado, como se a hora tivesse sido péssima para sua mulher ter ligado.

- Eu estava pensando em te esperar, mas... – Clara gaguejou, como se faltasse forças para falar – Vou sozinha para o hospital.

Patrick suspirou profunda e demoradamente. Clara percebeu o incômodo do marido e ela acabou por se sentir ansiosa e com coração acelerado. O silêncio que se sucedeu e pareceu uma eternidade deixou a vingativa numa expectativa angustiante, e inesperada, sobre o que o advogado falaria a seguir.

- Eu te ligo avisando quando tiver livre.

- bom. Toma cuidado, por favor. Toma todo cuidado do mundo, Patrick. Eu te amo!

- Vai ficar tudo bem, Clara. Vou ter que desligar agora. Beijos!

- Beijos!

Sentada na cama, Clara ficou pensativa sobre a frieza de Patrick ao telefone. Ela se sentiu culpada pelos acontecimentos da madrugada, de tê-lo tratado tão mal no carro e da ligação, a ligação, que teve com Gael. A ligação que ela preferia nem se lembrar agora e se possível que fosse completamente esquecida. Seu marido não merecia ser magoado novamente e ela sabia disso. E ali, com lágrimas escorrendo pelo rosto, o coração dela praticamente implorou que não queria MESMO magoá-lo novamente.

Ela se levantou e andou pelo quarto, refletindo, raciocinando, dando uma chance a si mesma para entender de uma vez por todas os seus sentimentos, mas não veio conclusão nenhuma, o que a deixou frustrada. E mais uma vez ela foi trancando essas dúvidas lá no fundo do seu coração e dizendo a si mesma que “sou uma mulher casada”. Isto, teoricamente, resolveria qualquer questão amorosa. Ela queria acreditar que essa confusão passaria mais cedo ou mais tarde, como se fosse um fluxo natural das coisas. Então ela deixou o pensamento ir e focou no filho, na ansiedade de vê-lo e foi terminar de se arrumar na penteadeira.

O espelho do quarto denunciava o quanto Clara estava mais bonita e mais bem arrumada que o normal. Talvez fosse o relaxamento natural pela recuperação de Tomaz ou um simples ato de vaidade que ficou esquecido nos últimos dias por conta da tensão da internação do filho. Um pensamento sorrateiro veio a sua mente lembrando que muito provavelmente passaria a tarde com Gael e o filho. Apenas com os dois. Um friozinho na barriga seguido de uma pequena tremedeira fez Clara ficar assustada e temerosa. E de repente, um medo muito forte lhe acometeu, um medo que não soube explicar de onde vinha, um medo que não fazia sentido porque a única coisa que lhe veio à mente associada a isso foi uma imagem de Patrick, o seu amor, o homem que amava, aquele que lhe completava de todas as formas possíveis e imagináveis.

Clara ficou de pé e começou a respirar fundo procurando se acalmar dessa profusão de sentimentos conflitantes. Ela já tinha feito sua escolha no passado e não havia para ela um mundo que não fosse com Patrick ao seu lado. E continuou repetindo isso por um bom tempo como se quisesse forçar essa verdade dentro do seu coração, como se isso fosse realmente necessário para resolver toda questão.

No auge da sua batalha mental, a primeira que se permitiu ter, ela saiu do transe ao escutar o toque estridente do seu celular. Ela caminhou até o aparelho, viu quem era e mesmo desnorteada, só lhe restou atender. Ela sabia que era preciso atender por vários motivos, o que incluía seu próprio filho, a coisa mais importante da sua vida. E atendeu.

- Oi, Gael.

***

Tomaz dormia fazia algum tempo e Gael estava tendo o momento que desejou desde quando seu filho fora internado. Agora, ele e Clara podiam conversar reservadamente e pôr a prova toda a esperança que fora energizada novamente após ligação dela durante a madrugada. Gael estava feliz de estar ali com sua ex-mulher (que nos seus sonhos poderia voltar a ser sua mulher) e seu filho. A família dele.

- Eu preciso te dizer uma coisa – Gael respirou fundo como se quisesse tomar coragem para dizer algo importante – Eu esperei o Tomaz dormir para te dizer.

- O que? – Clara fez cara de surpresa.

- Você está mais linda do que nunca hoje.

Clara riu e fez um gesto como se quisesse dizer algo como “esse Gael não toma jeito”. Diferente de ontem, quando ele tinha feito o mesmo elogio, desta vez Clara não achou fora de propósito. Ela realmente estava se sentindo bem vestida e maquiada e o elogio era a prova de que tinha acertado na sua produção.

- Obrigada!

Eles riram envergonhados, cada qual com seu motivo para ter rido assim, e ficaram sem saber o que dizer ou mesmo para onde olhar. Clara aproveitou para ficar acariciando o filho que dormia totalmente impassível ao que se passava naquele quarto.

- Nosso filho é tão lindo, Gael.

- É sim. Ele puxou minha beleza, pode admitir.

Clara riu novamente, com leveza, e não deixou de concordar, pelo menos mentalmente, com a afirmação de Gael, porque era verdade mesmo. Ela, obviamente, não falou isso para não nutrir o rapaz com mais esperanças do que já tinha. A vingativa estava complacente e dando abertura até demais para o ex-marido, mas internamente ela confrontava ferozmente seus sentimentos confusos.

Por sua vez, Gael estava visivelmente nervoso, sua linguagem corporal estava totalmente inquieta. Ele parecia um típico adolescente que estava diante do seu primeiro amor. Para completar, Clara começou a se deixar levar pelo papo de Gael. Após alguns minutos calados, onde ele apenas admirava a ex-mulher fazendo carinho no filho, Gael enfim falou algo.

- Clara, desculpa pela discussão que tive com a Lívia ontem à noite.

- Tudo bem, Gael. Eu te entendo.

- Lívia insinuou coisas que não são verdades, como se eu tivesse fazendo de tudo para chamar tua atenção, essas coisas...

- Eu acredito em você, Gael. Pode ficar tranquilo quanto a isso.

- Óbvio que estou preocupado com o Tomaz. Muito. Demais e além da conta. Eu fiquei constrangido.

- Não fique pensando mais nisso. Já passou. Importante que agora estamos aqui... – Clara olhou e riu para Gael – Com nosso filho.

- É... – Gael também riu – É sim. Com o nosso filho.

Gael estava feliz como a muito tempo não se via. Do jeito dele, mas ali estavam as duas pessoas que ele mais amava nessa vida. E ele queria que ela soubesse disso.

- Se estou aqui hoje, se estou esse tempo todo no hospital, é por vocês dois. Faço tudo por vocês. Quero que vocês estejam bem. Sempre!

- Eu sei – Clara fitou novamente o ex-marido – Eu agradeço, viu?

Gael via resquícios daquele brilho nos olhos de Clara, aquele brilho que o encantou por completo cerca de onze anos atrás. Havia um pouco desse brilho ainda no olhar de Clara, tinha horas que era maior, horas que era menor, mas sempre tinha. E isso mantinha a esperança de Gael acessa. E ele se sentia compelido a tentar que esse brilho aumentasse. Ele sentia que ali era sua chance. Vê-la depois de cinco meses reacendeu toda sua vontade de tentar reconquistá-la. Ali, no quarto, ele aceitou se sentir assim, mas logo em seguida, Clara deu-lhe um choque de realidade.

- Como está a Taís?

- Ah – Gael baixou a cabeça envergonhado – Ela está bem. Conversamos mais cedo. Ela estava preocupada com o Tomaz, mas ficou aliviada ao saber que ele se recuperou bem.

Clara deu um sorriso tímido e não respondeu. Ela continuou acariciando o filho enquanto Gael sentia um pouco de remorso por Taís. Nisso, ele até ficou orgulhoso porque percebeu que estava tendo compaixão pelos sentimentos da namorada e perguntou-se se estava sendo justo com ela. Ele realmente se sentia um novo homem.

- Você a ama, Gael?

Clara fitou Gael, que levantou a cabeça repentinamente, bastante assustado com a pergunta. O filho de Sophia tentou detectar se essa pergunta poderia ser vista pelo lado positivo (Clara estava com ciúmes) ou negativo (Clara queria saber se Gael estava enganando os sentimentos de Taís), mas frustrou-se ao saber que o semblante da ex-mulher não dava nenhuma dica.

- Eu, eu, eu... eu estou tentando – Gael falou enrolado – Estamos nos conhecendo, sabe? Ela é uma pessoa boa. Eu gosto dela.

- Que bom! – Clara deu outro sorriso bastante tímido e voltou os olhos para Tomaz.

- Eu tento melhorar, Clara. A todo momento eu tento ser melhor do que já fui. Eu tento reparar meus erros e ser cada vez mais uma pessoa honrada. Às vezes me frustra saber que você não percebe ou não acredita 100% nisso.

Voltando a olhar para Gael, Clara percebeu que aquele homem ainda fazia as coisas na esperança dela se sensibilizar e dar uma chance a ele. Ela ficou comovida ao lembrar o tanto de esforço que o ex-marido fez e continuou fazendo por ela.

- Eu percebo sim, Gael. Achei linda sua história de recuperação. Você me provou que mudou e me fez acreditar e confiar em você novamente.

- Eu queria ser assim quando nos conhecemos, sabe?

- Ah, faz tanto tempo – Clara deu de ombros – A vida só segue em frente, não dá para mudar o que passou.

- Eu sei, mas tudo teria sido diferente se eu tivesse naquela época a mentalidade que eu tenho hoje.

- Diferente como? – Clara ficou curiosa.

- Namoraríamos muito.... Casaríamos.... O Seu Josafá me pediria para cuidar de você para sempre...

- Mas isso aconteceu, Gael – Clara riu zombando um pouco e voltando a olhar para Tomaz.

- Mas agora seria diferente. Nós teríamos a noite de lua de mel mais perfeita do mundo. Depois moraríamos só eu e você. Eu teria um emprego, você continuaria seus estudos, eu ia te apoiar sempre, eu ia te ajudar a vencer na vida...

Clara continuou acariciando Tomaz sem responder nada. Seus pensamentos, por outro lado, lembraram com carinho de Patrick e de tudo o que o advogado fez, sem pedir nada em troca, para que ela retomasse sua vida.

- Depois você engravidaria do Tomaz. Ele nasceria bem, num parto tranquilo, tiraríamos fotos para registrar o nascimento. Você olharia mil vezes essa foto e choraria outras mil vezes de emoção – Gael riu envergonhado de si mesmo – E nós criaríamos o nosso filho, veríamos ele crescer e seríamos felizes, muito felizes. Eu, o pai, você, a mãe, e o nosso filho, o nosso maior tesouro nessa terra.

Gael deu um suspiro profundo e tentou segurar lágrimas que tentavam sair dos seus olhos. Clara continuava aparentemente impassível olhando apenas para Tomaz.

- Quando nosso filho crescesse, a gente ia percorrer esse Jalapão inteirinho. Íamos mostrar para o Tomaz todos as paisagens lindas que conhecemos, que namoramos e que fomos felizes. E ele ia correr pelo capim dourado, todo sorridente, numa brincadeira divertida, e nós felizes, correndo atrás dele, brincando, sorrindo, sendo uma família perfeita.

- Seria mesmo uma linda história – Clara respondeu ainda sem olhar para Gael.

- Eu sei. Uma pena que eu não possa reescrever a nossa história e apagar dos nossos corações todo o mal que te fiz, Clara.

- Passou, Gael. Eu te perdoei e nem lembro mais do que aconteceu.

- Mas ainda me sinto como se estivesse em dívida contigo.

- Você não me deve mais nada. Não sofra mais por isso.

- Devo sim – Gael foi firme – Devo sim. Por minha culpa, você perdeu dez anos da sua vida. Isso me corrói por dentro e fico procurando sempre o que mais posso fazer para poder reparar isso. Sempre acho que tudo que fiz é muito pouco. Você merece mais, Clara. A imensidão do amor que sinto por você parece tão pouco diante do que eu preciso te oferecer ainda para quitar minha dívida contigo...

Clara voltou a olhar para Gael, agora um pouco comovida com o quanto aquele homem estava disposto a tentar de tudo para ser merecedor do amor dela. Ela percebeu que Gael queria ele próprio se sentir merecedor de amá-la e não apenas que ela, Clara, sentisse isso também.

- Sabe, Clara, às vezes penso em procurar uma montanha tão alta, tão gigante, que se perde nas nuvens, uma montanha que poucos atravessaram e que cruzá-la seja o maior desafio da vida. Quero uma montanha que me faça sofrer e que me faça aprender a perdoar a mim mesmo por todo mal que te fiz. Uma montanha que apenas os monstros como eu fui possam atravessar, se regenerar e provar que estão livres de todo o mal que tinham. Uma montanha que seja a maior prova de amor que um homem possa fazer por uma mulher. Uma montanha que lá do ponto mais alto me permita gritar o quanto estou arrependido por não ter sabido amar a mulher mais incrível desse planeta. Uma montanha que me cure, me purifique e que permita as pessoas – todas as pessoas – verem que eu mudei, que venci o monstro e que só tenho amor para dar. Um amor para te dar. O maior amor do mundo.

- Nunca te vi falando assim, Gael – Os olhos de Clara tentaram marejar, mas ela segurou.

- É porque só agora eu aprendi a amar e talvez seja tarde demais... – Gael baixou a cabeça tentando disfarçar os olhos cheio de lágrimas.

Algo dentro do coração de Clara vibrava de alegria por Gael e de repente ela sentiu uma vontade genuína de abraçar e de beijar o ex-marido. Ela teve vontade de sentir como seria estar com esse Gael, o “príncipe“ que deveria ter sido no passado, um homem que diante dela era inquestionavelmente encantador, sincero, gentil, respeitador, honesto e amoroso. Um homem com todas as ferramentas para confortá-la e supri-la de tudo.

Clara estava emocionada quando Gael levantou a cabeça e percebeu que o brilho dos olhos dela tinha aumentado consideravelmente. Ali ela parecia a Clara de antigamente, aquela que conheceu toda “simplesinha”, longe do conforto e da sofisticação que mostrava hoje em dia. A Clara que ele amou à primeira vista.

O clima de romance entre o príncipe Gael e a simplesinha Clara foi interrompido repentinamente com uma abertura de porta. Ambos olharam surpresos e envergonhados para aquela figura baixa, entroncada e que vestia uma bata branca. O aspecto dele era tão cansado que não percebeu o clima de romance que tinha se estabelecido ali segundos antes. E que agora não teria como perceber mais, afinal, Clara tinha voltado a ser a pessoa sofisticada que tinha se transformado e Gael o ser sofredor que continuava procurando meios de se sentir merecedor de ter de volta o amor da ex-mulher. Se bem que quem abriu a porta estava pouco interessado nisso. Ele só queria dar um recado.

- Doutor Aguiar, alguma novidade? – Clara sofisticada perguntou

- Precisamos falar da alta do Tomaz. Aguardo vocês na minha sala.


Notas Finais


Eita! A história está chegando na metade e tenho algumas perguntas para vocês, que me dão a honra da leitura: O que estão achando da história? O que vocês acham que se passa no coração de Clara? O que esperam dos próximos 7 capítulos?

No próximo capítulo, Tomaz recebe alta e entra para a torcida #Clael.

#SomosTodosClarick


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