História Classic Romeo and Juliet - Capítulo 8


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Categorias Code Geass: Hangyaku no Lelouch
Personagens Arthur, C.C., Charles Zi Britannia, Cornelia Li Britannia, Euphemia Li Britannia, Gino Weinberg, Kallen Stadtfeld, Kururugi Suzaku, Lelouch Lamperouge, Marianne Vi Britannia, Nina Einstein, Nunnally Lamperouge, Rivalz Cardemonde, Rollo Lamperouge, Schneizel El Britannia, Shirley Fenette, Suzaku Kururugi
Tags Code Geass, Julieta, Lobisomens, Lycans, Romeu, Shortfic, Suzaku X Lelouch, Vampiros, Yaoi
Visualizações 62
Palavras 6.803
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Lemon, Luta, Romance e Novela, Sobrenatural, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Cheguei atrasadaaaaaa
Não sei oq tá acontecendo agora q só me atraso com os caps, mas eu tô tentando de vdd postar semana sim e semana não, tá?

Este cap é o maior até agora e provavelmente é definitivo, já q o próximo não deve passar de 4k e o último muito improvável q passe dos 2k, por isso aproveitem este aqui ;)
Mas acho q vcs vão gostar um pouquinho + desse em comparação aos outros, pq... bom, além de estar frenético, eu foquei em vários personagens antes não focados TANTOOOOOO assim

Boa leitura ^^

Capítulo 8 - VIII- Primeira vez, última noite em paz


Fanfic / Fanfiction Classic Romeo and Juliet - Capítulo 8 - VIII- Primeira vez, última noite em paz

VIII- Primeira vez, última noite em paz


Depois do grito de Charles, nem Rollo, Marianne, Euphemia ou qualquer outro vampiro teve coragem de abrir a boca durante o caminho, fazendo daquela uma incômoda e silenciosa viagem.

Lelouch pensava a todo momento no que aconteceria quando chegasse no castelo e ficasse a sós com o pai, e sinceramente? Isso o fazia estremecer antecipadamente de medo.

– Lelou? – chamou Rollo, se aproximando do irmão e assim correndo lado a lado deste – Tudo bem?

– Ótimo. – sorriu forçado.

Droga! Rollo havia o chamado carinhosamente de Lelou, apelido que havia inventado em certa ocasião que ele estava mal. Isso era sinal de que o irmão havia percebido algo em seu comportamento.

– Não parece. – disse preocupado – É o pai não é? Ele vai... puni-lo...

Aquilo era um mau sinal.

Deveria controlar seus sentimentos. Se seu pai soubesse o quanto mexia com seus pensamentos e sentimentos, certeza que faria questão de piorar ao máximo sua punição – afinal, ele costuma atacar o psicológico ao invés do físico.

– Vou ficar bem. – sorriu forçado.

Ao menos era o que esperava.

A princípio os cidadãos foram para suas casas, os soldados para o campo de treinamento do exército e, para encerrar, a família real vampirica foi-se para o castelo – para a infelicidade do jovem rei, não tardando a acontecer –. Quando cruzaram os muros do castelo já era manhã, Lelouch imediatamente engoliu em seco e tentou conter a tremedeira que aos poucos se apossava de seu corpo. Estava nervoso e dava muito na cara.

Maldição! O que estava acontecendo com seu corpo?

– Acalme-se Lelou. – sussurrou rente a sua orelha, o assustando internamente por um momento – Isso não é típico de você.

– É, não é? – riu nervoso – É só que... tenho um mau pressentimento quanto a isso. – sussurrou, parecendo transmitir todo seu medo para o irmão, este que imediatamente arregalou os olhos, apavorado.

Rollo nunca havia visto o irmão tão assustado e isso o deixava com um pressentimento quase tão ruim quanto a da própria vítima de Charles.

– Lelouch. – chamou o pai, autoritário – Me acompanhe.

O jovem rei afirmou com a cabeça e olhou uma última vez para cada um de seus familiares – até mesmo Euphemia – antes de se despedir com um aceno de mão e um sorriso que não pôde esconder por completo o quão abalado estava. Logo adentrou o castelo atrás do pai.

– Mãe... ! – Rollo se virou para Marianne, o pânico refletido em suas íris.

Queria pedir a mãe que fizesse alguma coisa, sei lá, conversar com o marido, qualquer coisa servia para tomar um pouco do tempo de Charles! Só alguns minutinhos... somente isso seria suficiente para pegar o irmão pela mão e fugir as pressas, não importando se deixariam os pertences para trás.

Algo lhe dizia que Lelouch podia deixar de ser o mesmo depois daquele dia.

– Não tem nada ao meu alcance. – suspirou, cansada.

– Mas-...

– R-Rollo não é? Podemos conversar a sós um minuto? – perguntou a rosada, interrompendo a fala do jovem que já lhe causou suspeita de uma resposta mal-educada.

Faltou pouco para rebater um grosseiro "não", mas depois da resposta despreocupada da mãe, já não sabia mais se aguentaria ficar perto dela sem que falasse palavras feias e nem um pouco educadas.

– Sim... – respondeu, olhando fixamente o semblante neutro de Marianne que o encarava de volta.

Euphemia pegou a mão do vampiro e o arrastou rapidamente dali, para dentro do castelo.

– Falta pouco meu amor... – sussurrou a rainha, olhando para o céu que havia acordado nublado – Falta muito pouco para ficarmos juntos outra vez.



-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

– Se divertiu meu filho? – perguntou a rainha lycan, como sempre de repouso em seu quarto.

– Sim, encontrei uma pessoa no vilarejo. – sorriu, alisando a mão da mãe que repousava sobre o colo desta – A princípio não foi muito alegre o reencontro, mas tudo se resolveu apenas por estarmos ali, os dois.

– Fico feliz por isso, ter um outro amigo sem ser aquele Gino. – riu, mas logo aquele clima ficou pouco incômodo quando a rainha voltou seu olhar para a parede ao lado, completamente pensativa. 

– Aconteceu algo? – perguntou, preocupado com a atitude incomum da loira que sempre se mostrava alguém feliz apesar da doença que tinha.

– Acho que seu pai ainda não lhe contou e imagino que sequer tentaria conversar com você sobre isso, mas agora que estamos tão perto da guerra, quero ser eu a lhe contar.

– Contar o quê?

– Sobre sua infância sofrida. – sorriu, triste por se lembrar do quanto o filho havia chorado naquela época – Você ainda se lembra não é?

– Não.

Era mentira, Suzaku se lembrava de quase tudo que sofreu quando pequeno, quando os boatos da traição da mãe se espalharam pelo reino e o pequeno foi visto como não-merecedor da coroa. Muita coisa havia mudado desde então. O pai passou a olha-lo com desprezo, as serventes sempre murmuravam entre si quando o viam e até mesmo o tratavam como alguém abaixo dos camponeses, o maltratando fisicamente, como normalmente um criminoso é tratado dentro da prisão. E por muito tempo não soube o porquê daquilo, já que ainda era uma criança, mas com o tempo ele soube e se sentiu estranhamente machucado com aquilo.

Seus olhos verdes eram da mãe, porém o cabelo castanho era do verdadeiro pai, um camponês.

As vezes pensava que foi melhor ter puxado o cabelo do verdadeiro pai ao invés do rei, sempre chamativo com os fios de cor cerceta, mas sabia que esse era somente um pensamento de consolo para não se chatear demais em descobrir que seu pai não era realmente seu pai de sangue.

– Entendo. – murmurou, porém sabia muito bem que o filho estava mentindo – Se passaram muitas décadas não é?

– Sim. – pigarreou – Mas era sobre isso que queria falar?

– Tem relação com isso. – suspirou – Se já se esqueceu daquela época de infância, suponho que não se lembre de quando você e seu pai começaram a sair todas as manhãs para sabe-se Deus onde.

– L-lembro sim, claro.

O contrário era impossível! Aqueles dias jamais seriam esquecidos, justamente por serem os quais ia-se encontrar com Lelouch no campo de lírios.

– Estranho você se lembrar desses dias. – comentou, sorrindo mínimo para o filho que imediatamente desviou o olhar para baixo, nervoso.

– De alguma coisa eu tinha que me lembrar, não?

A loira deu uma curta risada antes de tossir, fazendo com que tirasse uma das mãos do colo para cobrir a boca.

– Se sente mal? Quer que eu pegue seu remédio para dor? – perguntou o lycan, preocupado, parando com o carinho na mão da mãe.

– Estou bem, obrigada. – respondeu mentirosa, apertando a mão em uma tentativa de esconder o próprio sangue que tossiu.

– Por que mente para mim? – perguntou em um murmúrio, se inclinando sobre a poltrona e deitando a cabeça no colo da mulher – Eu tenho um ótimo olfato, sinto cheiro de sangue em você.

– Ah meu filho... – suspirou cansada, começando a alisar o cabelo de Suzaku com a mão limpa – Você sabe que eu estou destruída e só me destruo mais a cada dia. Queria que não me visse piorar de saúde, mas você é realmente muito bom filho por sempre vir me ver toda manhã e noite apenas para me desejar "boa" e ver como estou.

– Isso não é nada. – murmurou, fechando os olhos para aproveitar mais do carinho – Sou seu filho e a amo muito para deixar de fazer essas pequenas coisas por você.

– Acredite querido, para mim essas "pequenas coisas" valem muito e a qualquer momento podem vir a serem as últimas.

Odiava quando a mãe falava daquele jeito, como se sua doença e imprevisível morte não fosse nada, porém entendia que ela lutou por muitas décadas para vê-lo crescer e ele valorizava cada dor sentida pela bela e frágil mulher. Ainda sim era doloroso ver que os remédios mal surtiam efeito e mais doloroso ainda saber que, como a mãe disse: a qualquer momento poderiam vir a serem as últimas demonstrações de amor que sentia pela loira.

– Mas não vamos voltar a focar nisso, sim? Já conversamos várias vezes sobre esse assunto desagradável. – disse em um forçado tom brincalhão.

– Sim senhora... – murmurou, descontente.

Suzaku tinha plena consciência do quanto aquele assunto mexia com seu emocional e a mãe sempre tentava contornar a conversa, apenas para distrair o filho. Odiava ver o castanhado cabisbaixo, ainda mais por sua causa.

– Voltando ao assunto de antes, sobre sua infância sofrida...

– Diga. – revirou os olhos, desinteressado.

– Certamente sabe que seu pai é um camponês.

– Todo mundo sabe. – replicou, se remexendo incomodado.

– Pois bem, o que quero lhe contar é sobre o que seu pai fez que tanto me magoou no passado. Deve se lembrar também, não demorou muito tempo para vocês dois deixarem de sair do castelo depois que os boatos começaram a circular. 

Os olhos esmeraldinos do lycan imediatamente se abriram, arregalados por se lembrar abruptamente dos dias que se sucederam aquele, dias em que não pôde ver Lelouch por um longo tempo.

– Recebi uma carta ontem que me fez sentir mexida com o que ele me fez e achei que seria bom você saber sobre isso, já que eu nunca abri a boca exceto para minha mãe. Por isso, preste atenção no que vou lhe contar...



-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

– NÃO TEM COMO FICAR AQUI PARADO ENQUANTO ELE ESTÁ SENDO TORTURADO LÁ EM BAIXO!

– Acalme-se Rollo.

O príncipe andava de um lado para o outro, puxando os fios em puro nervosismo. Estava entrando em desespero, e com razão.

Estavam no quarto de Lelouch há um bom tempo, aguardando que o rei mais novo fosse até o aposento para enfim descansar de todo o tormento que o pai lhe causou naquele mesmo porão escuro, o qual foi usado para seu castigo quando criança e que continuava sendo usado bem raramente por Charles e algumas criminosas vítimas de suas torturas.

– É fácil para você falar isso, não é seu irmão quem está sendo torturado!

– Mas é importante manter a calma nessas horas.

– Mas qual é o seu problema? – a olhou, embasbacado pela calma com que falava e se expressava, deitada de barriga para cima na cama e completamente distraída – Não está preocupada? Ele é seu noivo!

– Bom...

– Eu não acredito nisso... – murmurou incrédulo, cobrindo a boca com a mão e se distanciando para a sacada – Vocês futuros reis e rainhas realmente não se importam uns com os outros não é?

Euphemia ficou calada perante a pergunta do garoto. Não tinha o que responder afinal, não era próxima o suficiente de Lelouch para se importar àquele nível com ele. Se fosse Suzaku porém...

– Tsc! Já deveria saber. Você é mesmo uma-...

– Rollo! – chamou Shirley, desesperada, abrindo a porta abruptamente – L-Lelouch...

– O que tem meu irmão? – perguntou assustado, se aproximando da humana.

– E-eu não sei, passei perto de uma s-sala e ouvi gritos e-e barulhos estranhos. Pareciam c-chicotadas! – disse, o pânico estampado na face.

Naquele momento parecia que o chão havia caído para o príncipe.

Como? Seu irmão estava sendo punido fisicamente? Charles estava o açoitando? Por que? Por que mudara o jeito de punir os outros? O que Lelouch havia feito de tão ruim? Por que-...

– ROLLO! – gritou mais alto, assustando o rapaz – Temos que fazer alguma coisa!

– S-sim, você está certa, vamos. – concordou, se apressando a juntar-se a garota.

– Esperem! – impediu a rosada, se sentando imediatamente na cama – Vocês sabem que Charles ainda está com ele, não sabem?

– Cala a boca. – disse Rollo grosseiro, assustando ambas as jovens – Eu a achei bastante atraente a princípio, mas agora vejo que não passa de uma pedra.

Novamente as garotas arregalaram os olhos com aquele xingamento claramente preconceituoso quanto aos vampiros não terem coração quando se trata de apunhalar o outro.

– Rollo... – tentou convencê-lo a desistir.

– Vamos Shirley. – a interrompeu outra vez com grosseria, saindo rapidamente do quarto, a humana em seu encalço.

Euphemia suspirou com a atitude pirracenta do vampiro mas decidiu por relevar, afinal, não imaginava exatamente que tipo de reação teria se fosse seu lycan no lugar do noivo, porém sabia que faria de tudo para ver Suzaku bem e seguro.

– Meu lycan... – sussurrou, fazendo com que um sorriso se abrisse imediatamente – O que será que está fazendo agora? Pensando em mim assim como penso em você, talvez? – riu, sonhadora – Espero que sim.



-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

– É por ali. – indicou a ruiva com o indicador, andando apressada ao lado do vampiro.

O silêncio de Rollo predominou por um longo tempo durante o caminho, devido seus pensamentos que o rondavam o tempo todo.

Não restava dúvidas que depois daquilo o príncipe vampiro iria fugir com o irmão, mas para onde iriam? Realmente iriam embora sem Marianne que cuidou tão bem deles? Ela era insensível, não é? Deixou que Charles levasse Lelouch sem nenhum problema e Rollo estava a odiando por isso, quase ao ponto de querer ele mesmo ir até seu quarto e tortura-la até a morte.

Se tem uma coisa que Rollo odeia mais que tudo, é quando machucam seu irmão. Seja fisicamente ou psicologicamente, saía do controle quando tentavam fazer algum mal a Lelouch. Se ainda não havia matado Charles, agora sim ele o faria.

– É aqui.

Os dois pararam em frente a porta fechada, mas que mesmo assim emitia sons de gritos e gemidos sôfregos de dor, juntamente ao que pareciam serem chicotadas de encontro com alguma superfície. Como Shirley disse...

Rollo engoliu em seco, mas não hesitou em abrir a porta abruptamente e descer as escadas com óbvia raiva, causando um som alto das solas se chocando com os degraus.

– P-príncipe, espere!

Não tinha tempo para ouvir a ruiva, ignorou a fala da humana e prosseguiu confiante pelo corredor parcialmente iluminado por tochas, cheio de celas vazias. A cada passo, os sons ficavam mais altos e mais seu coração se apertava.

Ao chegarem na última cela do corredor, deram de cara com a cena mais inesquecível de suas vidas. Aquilo, definitivamente, jamais sairia de suas mentes agora horrorizadas com tamanha violência que presenciavam.

O cheiro de sangue estava tão forte que fez Shirley cobrir a boca numa tentativa de não vomitar. O chão se encontrava em puro carmesim, assim como as paredes que pareciam terem ganhado respingos do líquido vermelho. Com as mãos algemadas acima da cabeça, Lelouch estava nu, dependurado contra a parede, se remexendo e gritando de dor a cada vez que o chicote ia encontrar-se de com força com sua pele, esta que estava em carne viva, marcada pelas agressões do próprio pai; aquele que continuava a lhe bater mesmo com a percebida presença dos dois jovens ali.

– Le... Lelou...

Os olhos de Rollo escorriam lágrimas sofridas, como se fosse ele mesmo sofrendo ali. Suas íris foram de lilases para o puro vermelho em segundos, mas não por causa do cheiro de sangue, e sim pela raiva crescente e gritante que se apossava do próprio corpo.

– CHARLES!

Shirley assustou-se quando o príncipe avançou tão rápido como um vulto na direção do homem, este que já estava preparado para uma investida do garoto raivoso que foi com tudo para cima de si, como um animal.

– MAS O QUE DIABOS VOCÊ ESTÁ FAZENDO COM ELE?! RESPONDA! – gritou, balançando o homem que tinha o colarinho agarrado com extrema força pelo filho adotivo.

– Não lhe devo satisfações. – respondeu irritado, tirando bruscamente as mãos que antes o segurava com raiva – Mas por acaso você é cego ou se faz de besta como o maldito do seu irmão?

– O quê? – o olhou, incrédulo, praticamente espumando de ódio – Escute, eu aguento qualquer coisa que diga sobre mim... MAS COM LELOUCH É MUITO DIFERENTE! ELE NÃO É UM MALDITO COMO DIZ SER, E SIM BONDOSO, MUITO DIFERENTE DA ESCÓRIA QUE O SENHOR É!

– É você quem deve escutar, garoto. – disse ameaçador, segurando o braço do vampiro com tanta força que com certeza deixaria marca depois – Pois eu sou seu rei e é você a escória deste castelo, órfão de uma vadia qualquer.

Rollo arregalou os olhos, apavorado pelo novo e mais cruel comentário sobre si e pela primeira vez sobre sua mãe.

– Ele está muito ferido!

O vampiro mais novo piscou confuso com o comentário de Shirley, mas rapidamente lembrou-se do irmão que ainda estava dependurado contra a parede, a cabeça tombada para frente e o corpo agora imóvel.

– Você vai pagar por isso. – falou por fim, lançando um olhar homicida para o rei que pouco se importou com a ameaça, apenas saiu da cela com uma tranquilidade absurda.

Rollo rapidamente se pôs ao lado do irmão e partiu as algemas com os próprios dedos, antes de se abaixar até ficar cara a cara com o quase-inconsciente Lelouch.

– Lelou! Lelou por favor, fique acordado. Você não vai morrer, okay? Somos quase imortais. – dizia, não sabendo se para confortar o irmão ou a si próprio – Vamos cuidar dos seus machucados, sim?

– S-sim, aguente firme. – complementou Shirley, quase chorando.

Lelouch piscou os olhos lentamente e inspirou uma última vez ainda consciente, por fim desmaiou e fora fortemente abraçado pelo caçula, este que derramou mais algumas lágrimas e o pegou no colo.

O destino depois daquela cela: o quarto do príncipe, onde seria devidamente tratado após tanta tortura.



-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

– Concentre-se!

A espada de madeira acertou o tornozelo do lycan, fazendo que se assustasse e se desequilibrasse, consequentemente caiu para trás, assim sendo colocado contra a ponta da espada logo depois.

– Mas o que há com você hoje Suzaku? – perguntou Gino mal humorado, recolhendo a espada.

– Estava pensando, desculpe. – pediu, se levantando e tirando a poeira da calça.

– Ah sim, porquê o rei Lelouch com certeza vai te deixar pensar enquanto ele espera calmamente você voltar a atenção na batalha. – riu debochado.

Lelouch... droga! Estava pensando na conversa com a mãe outra vez.

– Será que podemos dar uma pausa?

– Sério? – levantou uma sobrancelha.

– Só por dez minutos, por favor. – pediu, praticamente colocando a palavra "por favor" nos olhos.

O loiro encarou o castanhado por alguns segundos antes de suspirar e ceder ao desejo do rei.

– Dez minutos, não passa disso. – avisou.

Suzaku concordou com a cabeça e esperou que o amigo saísse da sala de treinamento, para só então suspirar aliviado e se sentar no chão, com as costas apoiadas na parede.

– Tudo relacionado a família Britannia só complica minha vida e meus pensamentos. – disse a si mesmo, bagunçando os fios castanhos – Primeiro Lelouch, depois Charles e agora Marianne, a santa nem tão santa assim.




– Recebi uma carta ontem que me fez sentir mexida com o que ele me fez e achei que seria bom você saber sobre isso, já que eu nunca abri a boca exceto para minha mãe. Por isso preste atenção no que vou lhe contar...

– Você está falando do pai? – perguntou o lycan, ainda com a cabeça deitada sobre o colo da mãe.

– Sim. Sabe, ainda que noivos por conta de um casamento arranjado, eu e seu pai gostávamos muito um do outro, ao ponto de nos amarmos. Teria sido um casamento feliz e sua criação não seria daquele... jeito. Você sequer existiria se eu...

– Se você... ?

– Se eu não tivesse traído seu pai um dia antes do casamento.

Suzaku ergueu a cabeça no mesmo segundo, incrédulo com as palavras da mulher que se mostrava deveras envergonhada pela atenção que agora recebia do filho.

– Eu tinha um outro amor, de infância. Com ele era mais verdadeiro e intenso. Com certeza eu me casaria com ele se não tivesse responsabilidades, mas eu tinha. – disse, triste – Prometemos que teríamos nossa primeira vez um dia antes do meu casamento com seu "pai", e então aconteceu. Nós fizemos amor e eu engravidei de você.

Aquela altura, Suzaku já havia se distanciado e se sentado ereto na poltrona, completamente focado na história que a mãe contava.

– Obviamente não foi difícil perceberem que o rei não era seu pai. Jeremiah sofreu muito ao saber o que fiz e passou a ser bem mais grosso e ausente comigo. Foi quando ele começou a sair com você, uma desculpa para se encontrar com outra mulher.

– Ele... ele te traiu? – perguntou, perplexo.

– Irônico não é? – riu fraco – Para piorar, ele escolheu Marianne vi Britannia como sua amante. Eu odeio vampiros, todos eles, justamente por meu pai ter sido morto por um. – explicou, tão amarga que surpreendera o filho que nunca a viu fora de sua costumeira docura – Talvez meu estresse havia sido o estopim para a minha doença desprovida de cura ou tratamento. Jeremiah começou a se culpar e me pediu sinceras desculpas, afirmando que apesar de tudo ainda me amava e que só fez o que fez porquê estava cego de raiva. Agora ele voltou a ser o amor de sempre, porém continua a se culpar por meu estado de saúde.

– Não sabia que Marianne era esse tipo de pessoa...

– Talvez por ser tratada tão mal por Charles, ela se deixou encantar demais pelo meu marido e não viu problema em ficar com um lycan. Seu pai é um covarde que até hoje não contou a Marianne que só concordou em ficarem juntos por causa da raiva que sentia por mim. E agora tem aquela carta. – bufou.

– Que carta? – indagou, confuso.

– A carta que a "outra" me mandou ontem, quando você e o resto dos lycans estavam se divertindo com os humanos do vilarejo. A pobrezinha ainda se mantém iludida. – riu, verdadeiramente humorada – Ela acha que ainda tem chance com meu marido.

– P-posso ler a carta?

– Claro, está na gaveta.

Suzaku mal esperou para se levantar da poltrona e caminhar até o móvel pequeno, o qual abriu a gaveta e tirou um envelope levemente amassado que continha uma carta igualmente amassada. A letra da carta em si era muito bonita, mas não havia sido isso que lhe chamou atenção.




"Jeremiah, meu lycan, meu amor

Faz bastante tempo que não conversamos e nem nos vemos, não é? Depois que Charles descobriu sobre nosso caso, não pude sair sozinha do castelo desde então. Agora que a guerra se aproxima, porém, sinto que enfim poderemos matar a saudade.

Querido, eu quero e com certeza irei fugir junto com você em meio ao caos da guerra. Fugiremos desse lugar para qualquer outro. Não importando qual seja, estaremos juntos e finalmente livres de meu marido e sua esposa.

Devido a data e a urgência que esta carta está sendo enviada, imagino que ela caiu nas suas mãos, querida rainha do Reino Leste dos Lycans, por isso peço que não se surpreenda com o conteúdo desta carta, muito menos com a relação que eu e seu marido mantivemos por tantos anos. Achei que já deveria lhe avisar sobre nosso caso e aqui peço sinceras desculpas pelo o que fiz, mas saiba que nada e nem ninguém poderá segurar esse sentimento que me une ao seu marido.

Por favor não guarde rancor.

Marianne vi Britannia"




– Tenho que contar essa história para Lelouch. – murmurou, completamente decidido.

– Os dez minutos acabaram. – anunciou Gino ao entrar na sala.

– Mas já? – choramingou.

– Já, prepare sua espada porquê o treino será sério agora.

– Não vou pegar leve desta vez. – avisou o rei, se levantando e empunhando a espada de madeira – Pode vir.

Suzaku estava decidido em ir até a cabana na floresta após o reino, para, quem sabe? Se encontrar com seu vampiro e lhe contar a história de ambos os pais. Bom, não importava o assunto que teriam, pois queria apenas capturar aqueles lábios mais uma vez antes de dormir naquela última noite em paz.


[...]



-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

A tarde passou rapidamente para Lelouch, quem havia passado todo o tempo apagado até aquele início de noitinha nublada e friorenta. Abriu os olhos lentamente e deu-se de cara com o teto branco do quarto, porém não demorou-se a perceber que aquele não era seu quarto. Tinha um ar diferente.

– Enfim acordou! – comentou Rollo, a felicidade saindo por sua boca – Fiquei preocupado.

– Sim sim, eu também! – disse Shirley, se jogando para cima do rei e lhe dando um abraço apertado.

– Dói... – murmurou, sua face contorcida em uma careta.

– Oh! Desculpe. – se afastou, envergonhada.

Lelouch se sentou lentamente na cama grande do irmão, apresentando uma expressão tão neutra que imediatamente chamou a atenção do jovem de olhos liláses.

– Está tudo bem? – perguntou, preocupado.

– O que aconteceu? – indagou de volta, em um fio de voz.

– Charles, aquele monstro... – virou o rosto, irritado – Quem mais faria esse tipo de maldade com o próprio filho?




– Você vai aprender Lelouch. Aqueles com maus atos, não importa quem for, será punido da pior maneira para si e melhor para mim. – disse, sorrindo perverso quando agarrou o garoto pelo braço e o levantou sem cuidado do chão, passando a arrastar o filho que tentava acompanhar o andar rápido do homem que o machucava.

– P-pai, isso dói!

– Calado! Este dia meu filho, você jamais se esquecerá.




Se lembrava perfeitamente do dia em que o pai o trancou na última e mais escura cela do corredor de tortura. Havia pegado trauma e acreditava já tê-lo superado, mas estava completamente enganado.





– Eu já lhe disse milhares de vezes que odeio quando mentem para mim, garoto. – dizia o homem, andando de um lado para o outro a frente do rei nu, que tremia levemente por medo.

– Não estou mentindo. – repetiu mais uma vez o que lhe dissera, no mínimo, quatro vezes desde que se distanciaram do resto da família.

– MENTIROSO! – gritou raivoso, descendo pela primeira vez o chicote contra a coxa direita do jovem, este que fechou os olhos com força, se remexeu incomodado com a ardência e a dor que insistia em sair de sua boca – Não estou de brincadeira Lelouch, você cresceu e agora isso me dá o privilégio de puni-lo fisicamente como sempre quis e deveria ter feito.

Os olhos roxeados se abriram lacrimejados, passando a encarar o rosto cruel e impaciente do pai.

– J-já lhe... disse... não estou... mentindo... – disse com dificuldade, se sentindo mais dolorido a cada vez que respirava, devido ao choro que segurava com todas as forças na garganta.

– Ah, e mesmo? – se aproximou, fungando o cheiro de suor e lobisomem que exalava do corpo do filho, este que tremeu por puro reflexo de medo – Pois eu não acredito, escória medrosa.





– Posso ficar um tempo sozinho? – perguntou em sussurro, apertando a vestimenta entre os dedos.

– Mas-...

– Vamos Shirley, ele precisa descansar. – interrompeu, guiando a humana até a porta – Se precisar de alguma coisa...

– Obrigado irmão.

Rollo afirmou com a cabeça e se retirou do cômodo, logo fechando a porta atrás de si.

Sozinho no silencioso quarto, Lelouch suspirou pesado e analisou o peito desnudo, coberto apenas por faixas manchadas de sangue por causa dos cortes profundos que se abriram graças ao chicote. Cada ferimento ardia e olhar para seu corpo marcado lhe doía quase tanto quanto o sentimento desesperador que tomava conta de si.

Sua vida parecia tão mais... sem sentido e miserável agora. Realmente valia a pena continuar com aquilo? Com a guerra, um dos dois novos reis teria que morrer e ele detestaria que fosse Suzaku a falecer. Logo ele, quem tinha uma causa nobre a se realizar.

Não era justo. Sua vida não era justa. A sociedade não era justa, estava cansado dela.

– Suzaku... _quero vê-lo..._

Só o lycan poderia conforta-lo, seu cheiro, sua presença... precisava do belo dono dos olhos esmeraldinos.

Se levantou abruptamente mesmo com todos os protestos de seu corpo ferido, caminhou até o guarda-roupa de Rollo e tirou uma roupa escura, se vestiu rapidamente e calçou um par qualquer antes de se apressar em sair do quarto. 

Os corredores do castelo estavam vazios devido aquele dia em específico, o que não dificultou a escapada do castelo. Ao chegar no jardim, já estava com o costumeiro amigo manto em mãos, o companheiro que mais uma vez iria camufla-lo. E assim, com o capuz cobrindo a maior parte do rosto, Lelouch deu as costas para o castelo e seguiu rumo a pequena cabana no meio da floresta, onde sabia que corria menos perigo de ser pego em flagrante ao invés de invadir o quarto do rapaz.



-*-*-*-*-*-*-*-*-*-*-

– Estou morto! – suspirou, sentando-se de uma vez no chão, completamente cansado e suado.

– Morto vai estar se perder a atenção da batalha, criança. – disse Gino brincalhão, dando um leve soco no ombro do jovem rei lycan – O que acho improvável, você tem talento e ótimos reflexos.

– Obrigado. – sorriu.

– Com licença – pediu Nina, batendo na porta antes de abri-la levemente – Posso entrar?

– Claro, vou deixar o casal a sós. – respondeu educado, sorrindo sugestivo para o lycan que deu um tapa repreendedor em seu braço.

Assim que o loiro saiu da sala, ambos os noivos passaram a encarar o chão, constrangidos com a situação. Afinal, não demoraria para o casamento acontecer – isso, é claro, se nenhum dos dois acabasse morto durante a guerra do dia seguinte.

Suzaku queria ir atrás de seu vampiro o mais rápido possível, mas não podia ignorar a jovem que parecia se esforçar para se aproximar mais de si.

– Trouxe uma toalha. – disse envergonhada, estendendo o tecido branco para o lycan.

– Oh, obrigado. – agradeceu, aceitando o pano no mesmo segundo, esperançoso de poder ir embora logo.

– Então... como foi o treino?

– Normal. – respondeu simples, usando a toalha para tirar o suor do rosto.

– Ah, entendo... bom, então eu já vou. – sorriu mínimo, envergonhada – Nos vemos no jantar?

– Não sei, irei em um lugar agora e não tenho certeza se voltarei a tempo. – explicou – Mas tentarei chegar na hora, pode apostar.

– Eu não me preocupo de verdade se vamos ou não jantarmos juntos, mas confesso querer passar algum tempo com você antes de... sabe? – desviou o olhar, incomodada – Você é legal e quero ter certeza de ter aproveitado bem o meu tempo com um rei como você. Quem sabe, se ainda estivermos vivos depois da guerra, possamos nos esforçar para nosso casamento dar certo? – sorriu, pegando o lycan de surpresa.

– Claro. – concordou, mesmo que internamente preferisse a morte ao invés daquilo. Poxa! Nina havia virado uma boa amiga, seria estranho se ficassem juntos daquele... jeito.

– Que bom! – comemorou sorridente, quase saltitante.

Suzaku se permitiu rir com a reação da garota, mas não ficou muito preso naquilo já que rapidamente ela saiu do cômodo e o deixou novamente sozinho com os pensamentos sobre Lelouch na cabeça.

– Estou indo, meu rei.

O lycan sequer se importou com o resto de suor que estava em seu corpo, correu até o próprio quarto e se trocou rapidamente, como se tivesse um compromisso marcado e estivesse realmente muito atrasado. Passou um perfume qualquer para disfarçar o cheiro de suor e saiu apressado do castelo, camuflado pelo típico manto que tanto lhe ajudou a espiar os arredores da residência real vampirica.

Iria seguir caminho direto para o castelo do Reino Oeste dos vampiros, porém decidiu por dar uma parada na cabana e de quebra alimentar o gato Arthur, o pequeno preguiçoso que chutava estar novamente dormindo em sua cama.

O caminho pela floresta havia sido normalmente tranquilo, seus pensamentos rondavam o tempo todo a conversa com a mãe. Não conseguiria esquecer tão cedo que ele e Lelouch poderiam ter virado irmãos, contudo, não deixava de pensar na relação incestuosa e deveras excitante que teriam se esse fosse o caso.

– Deus, desde quando me tornei pervertido assim? – perguntou, rindo de seu próprio comentário.

Não tardou para avistar a cabana. Apressou-se em chegar na porta e abri-la, desesperado para encerrar logo o que havia ido fazer ali e correr até a parede do castelo vampirico, por onde escalaria até estar na sacada do quarto e, quem sabe? No próprio quarto do amado também?

Ah, já conseguia imaginar como iria cumprimentar o dono dos olhos roxeados. O abraçaria por trás e provavelmente o assustaria por estar novamente no território dele, beijaria sua nuca e iria sussurrar bem rente a sua orelha-...

– Lelouch? – interrompeu os pensamentos, soltando o nome da pessoa que o surpreendera por estar ali, na cabana, sentado na cama – O que está fazendo aqui?

– Suzaku... – chamou, sua voz quebrada trazendo a preocupação do lycan imediatamente a tona – Achei que não viria.

– Eu iria até seu quarto depois daqui. – explicou, fechando a porta e se aproximando do rei – Aconteceu alguma coisa?

– Ele me bateu... pela primeira vez... 

– O quê? – perguntou, não entendendo sobre o que Lelouch falava.

Por estar demasiado perto do jovem sentado, não fora difícil para o vampiro esticar os braços e rodea-los no pescoço do lycan, o puxando com cuidado, para logo depois tomar seus lábios em um necessitado beijo. Molhado e rápido, tão bom que Suzaku facilmente prosseguiria com aquilo, se não fosse por sentir algo molhar seu rosto e fazê-lo instantaneamente se separar, surpreso e confuso.

– Você... – arregalou os olhos, dando de cara com o rosto trilhado por lágrimas do amante – O que foi?

– Nada. – fungou, fazendo uma falha tentativa de limpar o rosto com as mãos – Só estava com saudade.

– Não minta para mim, por favor. – pediu, segurando as mãos de Lelouch para impedi-lo de continuar esfregando tão fortemente as mãos contra os olhos – Você disse que alguém te bateu, quem?

– Você me conhece tão bem que assusta. – riu, envergonhado por perceber que novamente não estava conseguindo esconder os sentimentos. _Idiota! Controle-se!_

– Lelouch? – chamou, preocupado.

– Eu quero você. – disse, novamente puxando o lycan para outro beijo urgente, mas que não ganhara nenhum pouco de hesitação para ser recusado.

– Diga Lelouch, se alguém te machucou eu quero saber quem foi! – rosnou, segurando os pulsos do vampiro e o impedindo que avançasse novamente sobre seus lábios.

– Meu pai, Charles.

Os olhos esmeraldinos se arregalaram, seu olhar caiu por todo o corpo de Lelouch e ele fez a coisa mais aguardada por si em toda sua vida, mas não pelo motivo que queria.

A vestimenta do vampiro fora aberta tão bruscamente que alguns botões se soltaram, mas não fora aquilo que atraíra a atenção de Suzaku, mas sim as faixas sujas de sangue que circundavam o tronco do rapaz.

_Mas que merda é essa?_

– Eu senti tanto... medo... – confessou, abraçando o próprio corpo de pura vergonha – Fui estúpido em dar uma desculpa tão mal contada sobre seu cheiro em mim. Ele sabia que eu estava mentindo e me levou aquele lugar horrível. – estremeceu.

– É... é por m-minha causa que você foi a-agredido? E-eu causei esses m-machucados em v-você? – perguntou com a voz trêmula, olhando assustado para o jovem.

Não podia ser verdade... tudo o que queria era o bem do rapaz, que ficassem juntos e felizes. Realmente havia sido indiretamente o responsável por aquilo? Mesmo que o vampiro se regenere rápido, sua dor durante a tortura fora completamente intensa e real. Não conseguia acreditar que-...

– Só consegui pensar em você todo esse tempo... no seu cheiro... – murmurou, se aproximando do pescoço do lycan – Na sua boca, sua companhia... eu a quero.

– Eu estou aqui. – disse sério, puxando o vampiro para um abraço apertado, enquanto que suas íris ganhavam um tom mais escuro graças a raiva e tamanha determinação que surgiu em si. _Ficarei com você o máximo que eu conseguir, para protegê-lo com minha vida e dar tudo de mim para ama-lo mais e mais, a cada dia da minha eternidade._

– Você não entendeu. – disse, interrompendo o abraço para olha-lo nos olhos – Eu quero tudo que você puder me dar. Aqui, agora.

– Tudo... tudo o quê?

Lelouch riria daquela pergunta se não estivesse tão necessitado do lycan e, além disso, desesperado e carente pela quentura do seu corpo. Desta vez, porém, as roupas cobrindo-lhes os corpos não seria suficiente.

Os braços voltaram a circundar o pescoço de Suzaku, o puxando ao ponto de seus narizes se tocarem e a respiração irem mais diretamente de encontro uma a outra.

– Tudo... incluindo sexo. – respondeu em murmúrio, esfregando os lábios sedutoramente aos do outro – Não quer?

– Você está machucado, hmm... – gemeu, se mostrando excitado pelo contato – ou talvez pela idéia de dormir com Lelouch?

– Eu estou bem. – contrariou, sua voz quase manhosa – Desde que seja com você... desde que eu esteja com você.

Os lábios se uniram em um apaixonante e ardente beijo, os corpos caíram na cama e Suzaku ficou colado por cima do outro, quem puxava os fios de sua nuca com certa força, descontando a excitação que surgia em seu baixo ventre.

O clima no quarto pareceu ter ficado mais quente com todo o fervor ao qual ambos os reis se tocavam, com demonstrações de carinho em sua maioria das vezes e mãos bobas aqui e ali.

Suzaku era cuidadoso em cada toque, temendo causar mais dor ao vampiro. Sua mão a princípio alisou a coxa de Lelouch e seguiu-se esfregando na parte inferior dela, antes de apertar a carne com vontade e arrancar um gemido gostoso do vampiro.

Os lábios se desgrudaram por um momento e ambos conseguiram ver com clareza o quão escuras estavam suas íris, refletindo desejo e todo aquele amor que nutriam um pelo outro.

Era verdade, os sentimentos afloravam em suas íris e as deixavam mais vivas.

– Eu te amo. – declarou o lycan no automático, completamente hipnotizado pelos olhos recém-arregalados do amante.

Lelouch abriu a boca uma, duas, três vezes, sem conseguir pronunciar som algum. Apesar de saber que sentia algo mais forte que paixão pelo castanhado, parecia errado, perigoso dizer aquilo em voz alta.

_São apenas três palavras..._ pensou, engolindo em seco antes de tentar se confessar mais uma vez.

– Eu-...

– Não se force a continuar. – o interrompeu, colocando o indicador em frente a boca do vampiro – Sei que não estaria aqui se não sentisse algo romântico por mim. – explicou, sorrindo gentilmente.

Mentiria se dissesse que aquilo não emocionou seu "coração de pedra".

– Obrigado por me entender. – disse choroso, retribuindo o sorriso com outro ainda menor,porém mais radiante que qualquer outro, o que surpreendeu Suzaku por um segundo.

– Obrigado digo eu, por estar comigo hoje.

Roupas foram removidas e jogadas cada qual em um canto diferente da cabana, os corpos agora nus passaram a se esfregarem sem pudor, necessitados do contato que nunca parecia ser o suficiente. As mãos de Lelouch puxavam cada vez mais o corpo do lycan e este continuava a percorrer a mão por todo o corpo do outro, até chegar em sua virilha, onde usou o dedo para alisa-la em provocação e contorna-la, direto para o orifício que latejava excitado.

– Quero você. – murmurou rouco contra a orelha de Lelouch, o arrepiando por inteiro quando lambeu o lóbulo dela ao mesmo tempo que introduzira um dedo em si – Quero você agora.

– Anh... e o que está... esperando? AAh! – gemeu, tirando Suzaku completamente do sério.

Era incômodo ter aquelas faixas impedindo sua visão do tronco de Lelouch, mas não se deixou chatear por aquilo e beijou carinhosamente cada indício de ferimento não cicatrizado pelo corpo do amante. Desceu os beijos até chegar em sua ereção exposta e deu uma lambida rápida na glande molhada enquanto introduzia mais um dedo e se preparava para abocanhar por completo o membro do vampiro.

– N-não temos tempo, aah! vai rápido.

– Mas-...

– Suzaku. – o chamou com certa firmeza, atraindo a atenção do lycan que imediatamente olhou para cima e se sentiu mais excitado ao vê-lo com os braços abertos, lhe chamando para o que parecia ser um abraço – Por favor...

Não levou sequer dois segundos para o lycan retirar os dedos de dentro do rapaz e impulsionar-se para cima, capturando os lábios com carinho e volúpia.

– Tudo que você quiser, amor, tudo. – afirmou, finalizando o beijo com uma erótica e audível chupada no lábio inferior – Se quiser que eu pare, me fale.

E foi com aquela reconfortante frase que os corpos enfim se uniram. Ambos os reis gemeram alto, um pelo prazer e outro pela leve dor que o atingiu quando penetrado. A sensação era nova para os dois, mas não negavam ser uma coisa incrível estarem fazendo aquilo, em uma cabana, no meio da floresta, um com o outro.

– T-tudo bem? – perguntou o castanhado, ofegante.

– S-sim, pode ir.

Iniciou-se com movimentos lentos e fortes, arrancando gemidos de êxtase do casal. Lelouch abraçou as costas de Suzaku e fincou as unhas curtas ali, aproveitando a proximidade do pescoço alheio para dar uma pequena mordida na região e lamber o pouco de sangue que escorreu dali.

– ANH! – gemeu surpreso, porém excitado com a ação do vampiro.

As estocadas lentamente ganharam intensidade e força, os gemidos passaram a vir mais altos e um atrás do outro, o som dos corpos suados se chocando preenchia a cabana e o clima quente entre os corpos só aumentava. Era um belo contraste a pele fria de Lelouch contra a quente de Suzaku, algo como azul e vermelho, suas raças, ditados... mas eles estavam ali afinal, apesar das diferenças, estavam se amando como nunca puderam antes.

Aquilo não era sexo, era o simples e brega amor.

– E-eu vou...

– S-sim, eu também... Lelouch...

Suzaku fora o primeiro a se desmanchar, mas continuou a investir no vampiro um pouco mais lentamente daquela vez, estimulando seu pênis ainda ereto que não demorou a liberar jatos fortes de esperma contra sua mão.

Ambos estavam trêmulos e exaustos com o orgasmo, acabando-se por apenas se deitarem um ao lado do outro na cama pequena que os obrigara a se abraçarem para couberem ali, mas não que fosse um incômodo, era bom terem aquela proximidade.

O silêncio reinou por longos bons minutos e Suzaku pensou sinceramente que continuaria daquele jeito, mas Lelouch provou o contrário com o murmúrio que saiu de forma hesitante dos lábios:

– Estive pensando na guerra enquanto caminhava até aqui e pensei em um jeito de nós dois conseguirmos o que queremos...

– Sério?! – arregalou os olhos, estes que ganharam um brilho esperançoso no mesmo segundo – Me conta!

– Sim, mas já aviso que você não irá gostar da idéia...




Notas Finais


Esse cap tá uma bosta mas espero q o lemonzinho tenha dado uma aliviada (mesmo q eu não tenha experiência escrevendo esse tipo de coisa, acho q consigo quebrar um galho)
Foi tudo muito corriqueiro, eu sei, é meio q consequência por eu ter corrido pra escrever no final de semana, mas oq tá feito tá feito

Marianne saiu totalmente da personagem do anime? Sim, mas levemos em conta q aqui ela teve experiências completamente diferentes e isso influencia pakas
Charles foi cuzão, Marianne safadona, Suzaku se soltou um pouquinho, Lelouch foi atiradinho e Rollo se mostrou o Rollo preocupado do anime (eu amo esse menino, meodeos)

O PRÓXIMO CAP JÁ É O PENÚLTIMO AAAAAAAH
ALGUÉM ME SEGURAAAAAAA


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