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História Cláudio - Kiribaku - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


OI GENTE, COMO VOCÊS ESTÃO?
Desculpa a caixa alta, é que estou animada, afinal, hoje o capítulo vai ser na visão do Bakugou!
EU OUVI UM AMÉM?
Quem deu umas olhadas nas tags de shipp talvez vá querer me matar ao ler esse capítulo, mas, por favor, peço pra que não encomendem meu assassinato até terminarem de ler o capítulo hahahahahaha (sério🤐).
Sem mais delongas, boa leitura!

Capítulo 5 - Cinco, Bakugou


Fanfic / Fanfiction Cláudio - Kiribaku - Capítulo 5 - Cinco, Bakugou

09 de dezembro, terça-feira

 

- Sério, Bakugou, você está obcecado por esse garoto.

Ochaco se encontra deitada no meu sofá, com a cabeça apoiada nas minhas coxas. Enquanto ela fala, vou deslizando os dedos entre os seus fios castanhos, sentindo o calor de sua respiração em meu rosto.

- Você está exagerando, mocinha - dou um peteleco em seu nariz. 

- Ah, não estou não! - Ela me responde.

- Você sempre aumenta as coisas. Lembra daquela vez que cê tava sozinha na sua casa e me chamou por causa de um bicho?

- Ahn... não?

- Pois eu me lembro bem. Eram duas da manhã, cê tava toda escandalosa no celular e quando cheguei não era nem uma barata. Era um lagartixinha.

- Ata, eu lembro disso, mas nem vem. Lagartixas são tipo dragões do mal, mas em tamanho reduzido - ela tenta se justificar. Tenho certeza de que a associação com dragões foi para me irritar, já que eu havia acabado de lhe contar uma piada que o Kirishima fez para mim que os envolvia.

- E inofensivas - complemento. Ela revira tanto os olhos que não sei como não caem.

- Ai Bakugou, você é muito chato e eu sei bem o que você tá fazendo. 

- Sabe nada, idiota.

É claro que ela já notou que estou tentando mudar de assunto, mas eu não vou admitir tão fácil. A intuição de Ochaco é uma chave mestra. Ela sempre consegue destrancar o que as pessoas pensam e as lê como se fossem um livro aberto. 

- Vai, me conta logo. O que é que tá rolando entre você e esse tal Kirishima?

- Nada - respondo-lhe.

- Nada? Nadica de nada? - Ochaco insiste e eu já estou ficando nervoso.

- Ele é só a porra do cara que tá me pagando pra deixar ele menos gordo - resmungo.

- Katsuki, você não me engana. Faz vinte minutos que você não tira o nome dele da sua boca.

- E daí? Tá com ciúmes? - Rebato, infelizmente mais rude do que gostaria, mas a garota não liga ou, pelo menos, finge que não.

Ela continua a me provocar:

- E daí que parece que você queria que a boca dele que estivesse na sua - sinto meu estômago dar um nó e o ácido imediatamente subir pela minha garganta.

- Agora você vai ver só!

Ochaco não tem passaporte liberado para invadir minha fronteira pessoal só porque é minha melhor amiga. Então corro os olhos pela sala, tentando encontrar uma arma para o meu plano de vingança. Eu agarro uma almofada e, nisso, minha oponente capta minha estratégia, pois se levanta para pegar uma colcha depositada na outra poltrona. A guerra se inicia!

Passamos alguns minutos correndo pela sala e fazendo os móveis de trincheira, enquanto a trilha sonora de ação é marcada pelo metralhar dos funkeiros dando grau de moto na rua. Ochaco é uma oponente difícil, mas ela tropeça na mesinha de centro, dando-me tempo para me aproximar e dar-lhe umas boas almofadadas:

- Pode parar, Bakugou, já me rendi! - Minha oponente declara.

- Perfeito, agora você é minha prisioneira de guerra. Sua primeira ordem é não tocar mais naquele assunto - imponho, referindo-me ao fato de que não há nada rolando entre eu e Kirishima.  

- Senão o quê, bebê? Vai chorar? - Ela me cutuca e faz uma voz manhosa.

- Senão as suas últimas palavras serão sobre um idiota que você nem conhece.

- Então você podia nos apresentar, né?

- Não - estou resoluto.

Ochaco bufa e vai em direção à cozinha. Deve estar indo lamentar sua derrota longe de mim ou provavelmente só indo tomar uma água. Seu cabelo está todo desgrenhado graças à nossa lutinha, mas, mesmo assim, ela continua linda e radiante. Hoje em dia consigo claramente entender o que Midoriya viu nela, para tê-la escolhido como sua primeira namorada. Por mais que hoje a garota e eu sejamos melhores amigos, lembro que, na época, eu a odiava profundamente.

    A gente se conheceu nos primórdios do nosso Ensino Médio. Midoriya era a pessoa mais gentil e compreensiva do mundo. Eu, no entanto, era um babaca, então é óbvio que vivia implicando com ele. Mas o idiota nunca largava de mim, desde que nós tínhamos oito anos. Ele era carne e eu era unha, mas uma unha encravada que o fazia sentir dor. 

    Ochaco entrou na história quando, um dia, ela me viu prestes a socá-lo na rua atrás da escola. Sabia da minha fama, que eu não ameaçava em falso. Mesmo assim, ela se colocou entre nós e eu cuspi em seu rosto. Ela não deixou barato. Quando senti seu tapa estalar forte na minha bochecha, eu instantaneamente fui tomado pela raiva. Ninguém me desafiava assim. Claro que iria revidar.

Midoriya sabia que eu não tinha limites. Então, assim que percebeu meu movimento, pôs-se à frente do meu alvo e levou o soco por ela. Fique ainda mais puto e meti-lhe outras três ou quatro golpeadas, cada vez mais fortes, até meu punho começar a latejar. Midoriya saiu com duas costelas trincadas e eu com uma tala na mão. Ochaco saiu apaixonada.

Não a julgo. Quem não se apaixonaria pelo herói da turma, sempre disposto a ajudar e a escutar todo mundo, que se destacava tanto nas notas quanto nos esportes? Midoriya era praticamente perfeito, um exemplo de pessoa. E isso me enojava. 

Sempre tive claro na minha cabeça que não queria ser como ele. Contudo, uma hora percebi que o que queria era tê-lo para mim. Foi aí que as coisas desandaram ainda mais e o resto do Ensino Médio virou um caos total. Eu não sabia aturar sua presença e eu me odiava por gostar da pessoa que eu mais desprezava.

Então tivemos que ir para a faculdade. Midoriya foi para outro estado, já eu preferi ficar aqui e cursar física. Tive um acesso de raiva quando descobri que Ochaco e eu faríamos exatamente o mesmo curso e na mesma instituição. Ela havia terminado o namoro um ano antes, mas, mesmo assim, angustiava-me de ter de vê-la todos os dias nas aulas e no ponto de ônibus, já que moramos perto. Queria simplesmente me esquecer de tudo que remetia ao menino que eu dolorosamente gostava.

No entanto, teve uma manhã do primeiro ano de faculdade em que foi impossível continuar ignorando a existência da garota. Estávamos dentro da condução, atipicamente mais lotada devido a um evento que ocorria nas redondezas. Uma senhora subiu num ponto e Ochaco cedeu seu lugar a ela. Quando se levantou e foi para outro canto, um homem de meia idade começou a se aproximar dela. Cada vez mais e mais. 

Eu ainda era um babaca nesse período da minha vida, mas nunca me perdoaria se deixasse aquilo acontecer. Eu seria um cúmplice. Então saí empurrando todo mundo e, antes que ele pudesse assediá-la, prensei o filho da puta contra a janela do ônibus e meti-lhe um socão no estômago. Pois é, eu gosto muito de socar as pessoas, especialmente quando elas merecem.

O homem se afastou e não gritou nem nada, afinal, se ele falasse um pio, estaria bem mais fudido do que eu. Ochaco me agradeceu, baixinho, e eu só resmunguei algo estúpido sobre ela não usar mais aquela roupa. Ela me mandou ir tomar no cu e eu ri, o que foi estranho. O Bakugou de sempre teria xingado de volta e ainda a chamado de ingrata, mas eu havia notado em seu rosto o quanto ela estava com medo daquele homem. Aquilo me tocou em uma ferida que eu fingia não ter.

Várias vezes já haviam olhado daquela forma para mim. Com medo. Quantos garotos não tinham ficado paralisados diante da minha presença, segundos antes de começarem a chorar de dor? Eu me senti um merda, eu era quase igual àquele estuprador. Na verdade, eu sempre soube que no fundo era um merda, mas reconhecer isso fez com que eu me achasse o próprio sistema de esgoto.

Depois da catarse desse dia, finalmente entendi o porquê de Midoriya continuar me seguindo. Mesmo depois de tê-lo humilhado e socado tantas vezes, ele sabia que quem precisava de ajuda era eu. Ele sentia pena de mim e enxergava a minha verdadeira forma podre. Eu era alguém fraco que, para parecer forte, causava dor nos outros, afinal, enquanto eles gritassem mais alto do que eu, estaria tudo bem. 

Mas não estava. Eu precisava mudar.

Nunca disse isso diretamente a Ochaco, mas ela me foi crucial nesse momento. Por desencargo de consciência, passei a me sentar perto dela todas as vezes no ônibus. Nunca trocávamos uma só palavra, muito menos nas aulas. Mas uma hora Ochaco começou a puxar assunto comigo no ônibus, um primeiro passo que eu não estava apto a dar. O mesmo aconteceu no dia seguinte, no próximo e no próximo do próximo... Enfim, como era de se esperar, Uraraka era insuportável.

Eu queria explodir e mandá-la calar a boca toda vez que ela abria a matraca, porém decidi encarar como um exercício para meu autocontrole. Aprendi que, quanto mais eu escutasse e menos falasse, mais fácil as coisas se saíam. Com o tempo, acabei me acostumando a conversar com ela e atualmente tenho uma amizade que nunca sonhei em ter. 

Como moramos bem perto um do outro e quase sempre meus pais me deixam só, Ochaco passa várias tarde aqui comigo. Contudo, ela nunca fez questão de decorar a minha rotina e às vezes isso me atrapalha quando preciso sair sem ninguém enchendo meu saco.

Agora mesmo tenho que me aprontar para ir dar mais um treino a Kirishima. Ochaco acabou de voltar da cozinha e confesso que estou com um pouco de vergonha de mandá-la se retirar da minha casa. Afinal, ela vai perguntar o porquê e isso vai engatar de novo no assunto Kirishima. Mas quer saber? Foda-se, a casa é minha:

- Ochaco, daqui a pouco você vai ter que ir embora.

- Ué, por quê? O vizinho ainda nem reclamou do barulho.

- Tenho um compromisso - meu lábio inferior se contrai um pouquinho. Droga.

- Pela cara que você fez, é com o seu crush! - Ochaco simula beijinhos ridículos no ar.    

- Vai tomar no cu, mano, como você sempre sabe? - Estou indignado. Não posso ser tão óbvio assim...

- Katsuki, meu parça, eu te conheço igual à palma da minha mão - enquanto ela fala, seu dedo faz círculos sobre sua palma direita. - Falaí, que horas vai ser seu encontrinho?

- Eu tenho meia hora pra tá lá e é só um treino, que fique bem entendido! Mesmo se eu quisesse, não seria um encontro.

- Acabou de admitir que quer sair com ele! - O rosto de Ochaco se materializa perto demais do meu, com as sobrancelhas erguidas e uma cara de danada. Estou quase perdendo paciência.

- Não admiti porra nenhuma. Ele não me vê dessa forma - respondo-lhe, a contragosto. Verdadeiramente não quero mais falar sobre o assunto.

- E como é que você sabe? - A persistência da Ochaco é irritante demais.

- Sabendo.

- Ahan, claro... Se eu for contigo, eu consigo te contar depois se ele gosta de você de volta - ela seria capaz disso, de fato. Contudo, se eu aceitar, é como se eu confessasse para ela e para mim mesmo que eu possuo um certo interesse naquele otário. 

E é claro que eu não possuo. Que porra, viu.

- Não tem esse lance de “de volta”. Eu não gosto dele - esclareço.

- Que bom, porque aí não tem risco de eu ficar de vela. E eu sei que você vai deixar eu te acompanhar - ela volta com sua mania de me cutucar na barriga. - Deixa, vai...

- Tá bom, madame, conseguiu, pode ir. Parabéns por prever o futuro, eba - chacoalho as mãos no alto, fingindo animação. A garota me abraça e diz que eu não vou me arrepender.

~~~~~

Eu já me arrependi.

Estamos na entrada do parque, só que não somente isso. Ochaco e eu estamos de mãos dadas. Eu não quis ficar assim, pois está me deixando desconfortável, mas ela jurou que era algo extremamente necessário. Estou suando mais do que o normal e o meu normal já é suar muito, o que é uma bosta, principalmente porque tenho alergia a desodorante. 

    -  Socorro, não é ele ali? - Ochaco aponta com a mão livre para uma figura que vem se aproximando no fim da rua. Como não quero que Kirishima veja essa ceninha ridícula, sinto vontade de pedir a Deus para que ela esteja enganada e que ele falte no treino de hoje.

Foda é que sou ateu e azarado, então é claro que é ele. Cabelos pretos compridos, mais ou menos minha altura, acima do peso, mãos nos bolsos.

- É ele sim. Vê se não faz nada estranho ou eu te mato, tá me entendendo? - Ordeno à minha amiga.

- Ah, poxa, não posso nem te dar um beijinho?

- Não ouse… - grunho para ela.

- E apertar sua bundinha? - Bundinha? Isso me ofendeu. Eu tenho é um lindo porta malas sedan, isso, sim.

- Não. Cala a boca que ele tá chegando.

Ochaco mexe os lábios para falar algo, mas desiste. Ainda bem. Kirishima está a apenas alguns passos de distância e, olhando para sua cara, ele parece ter cheirado um gambá. Droga de alergia. Será que meu suvaco está fedendo tanto assim?

- Oi - o garoto nos diz.

- Então você que é o famoso Kirishima! O Bakugou vive falando de ti! - Preciso urgentemente de uma ambulância porque estou morrendo de vergonha. Para quê ter inimigos quando se tem uma naja fofoqueira de melhor amiga?

- Nossa, estou me sentindo uma celebridade agora - ele não pareceu muito feliz ao dizer isso.

Minha amiga olha para mim e me dá uma cotovelada. Não faço ideia do que ela quer que eu entenda com o gesto. Suponho que seja para eu falar algo, então solto qualquer coisa:

- Beleza, idiota, agora vamos logo pro treino que você está quinze minutos atrasado - digo-lhe, ríspido. 

- Claro, faço tudo pelos meus fãs - Kirishima dá um sorrisinho. Não sorrio de volta.

- Acho que essa é a minha deixa. Tchau Katsuki! Tchau Kirishima! Prazer ter te conhecido!

- Tchau… - Ele responde.

Mal os espero terminarem de se despedir e já começo a andar na frente, entrando no parque. Não quero que ele veja o quão vermelho e sem graça estou. Contudo, o filho da puta corre e passa a ficar lado a lado comigo. Tento me controlar. Ainda estou corado de vergonha, mas vou fingir que é de raiva.

- Bakugou, posso te chamar de Katsuki também? 

- Não - respondo em um tom afavelmente ameaçador.

- Okay, Katsuki, eu não vou te chamar de Katsuki.

- Você vai pagar caro por isso… - Olho para ele, estreitando os olhos. Vamos ver se ele aguenta um treininho tão intenso quanto a sua encheção de saco.

- Tranquilo. Eu ganhei mesada extra esse mês.

E eu nunca vou confessar isso, mas ganhou outra coisa também.



 


Notas Finais


AAAAAAAAAAAAAAAAA eu tava tão ansiosa pra postar esse capítulo!
Como é na visão do Bakugou, eu mudei um pouquinho o jeito de escrever e deixei a narrativa mais enxuta, já que ele é do tipo "curto e grosso". O que vcs acharam? Ainda vou trazer mais capítulos no ponto de vista dele, então a opinião de vcs vai contar muito pra mim :)
Ai gente, pq vcs acham q o Kirishima ficou com cara de bunda quando viu o bakugou de mãos dadas com a uraraka?quem acertar vai ganhar um biscoito hahahahha
Enfim, um imenso obrigada pelos quase 50 favoritos e pelos inúmeros comentários carinhosos. Sério, vocês são demais <3333 muito obrigada do fundo do meu coraçãozinho a todos que leem essa fic, tanto àqueles que estão sempre comentando quanto aos fantasminhas (oi!).
Caso tenha qualquer dúvida, sugestão, crítica ou elogio a dar, não precisa ter vergonha, viu? Eu adoro ler o que vcs estão achando, pq além de me sentir motivada a continuar, vcs me ajudam a melhorar como escritora.

Último avisozinho: eu pretendo escrever algumas outras fanfics, então caso vc goste da minha escrita e queira saber quando eu vou postar novas histórias, não se esqueça de me seguir :)


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