História Clé - The 9 Keys - Capítulo 12


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Categorias Stray Kids
Personagens Bang Chan, Han Ji-sung, Hwang Hyun-jin, Kim Seung-min, Kim Woo-jin, Lee Felix, Lee Min-ho, Seo Chang-bin, Yang Jeong-in
Tags 3in, Changlix, Minsung, Woochan
Visualizações 87
Palavras 2.917
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Lemon, LGBT, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Desta vez eu não demorei kska

Capítulo 12 - Entre Fogo e Cinzas


Pov Woojin

Flashback On

Parece que era nos dias atuais quando meus pais me levavam para passear em um parquinho, mas sempre que eu tentava brincar com outras crianças, eu era sempre repreendido. 

Eu lembro bem. Eu sempre usava aqueles terninhos curtos com calças acima do joelho e gravatinha na camisa branca e o blazer com quadriculados estilo escocês. Cabelos divididos no meio, óculos, eu era a típica imagem do filho perfeito para meus pais e toda a minha família. Mas tinha um problema, eles não me deixavam brincar com ninguém.

Eu era sempre sozinho, da janela do meu quarto que ficava logo ao lado da cama, eu ficava de joelhos observando do outro lado da rua os outros garotos brincando no parquinho. Eles pareciam se divertir bastante, rindo uns com os outros, todos sujos, sempre rindo mesmo quando o outro errava. Eu acabava sorrindo também mesmo com aquele sentimento solitário.

Um dia meus pais não estavam em casa e me deixaram com uma babá, ela nunca cuidava bem de mim, me deixava solto e só fazia isso por dinheiro. Eu naquele dia aproveitei para ir no outro lado da rua ver os garotos brincarem. Queria ter tido coragem de brincar com eles, de pedir se eu podia jogar também, mas eu nunca tive.

Até que um deles me ofereceu a mão e naquele dia, eu joguei futebol pela primeira vez com outras crianças da minha idade, uns 6 ou 7 anos. Eu lembro de ter arrebentado meu sapato, de ter deixado meu terno todo sujo e machado e meu rosto cheio de barro, mas aquilo foi divertido, eu me diverti naquele dia.

Mas a minha felicidade durou até a noite, quando meus pais chegaram e viram meu estado. Eles descobriram que eu tinha brincado lá fora, lembro até hoje dos gritos do meu pai.

- O que eu te disse sobre brincar com aqueles ratos Woojin?!

Encolhi meus ombros, odiava quando ele gritava comigo. Por anos, eu apenas ouvi.

- Eu falei para ficar dentro de casa e para ficar estudando e não brincando! Mas que porra será que não pode me obedecer uma vez sequer?!

Eu sempre obecedi ele, essa foi a única vez que eu fiz algo que ele não queria. – M-Mas pai... – eu sentia meus olhos marejarem. – E-Eu só queria brincar... – ele só não me batia porque eu era muito novo, porque eu era uma criança que na visão dele precisava ser “ajustada”. 

Naquele dia que eu vi em seus olhos o desprezo que ele tinha quando eu não fazia o que ele mandava, minha mãe nunca me defendia porque tinha medo de perder o dinheiro que meu pai tinha, porque era isso que importava para ela. Ser a família exemplar daquela era, ninguém sequer se importou comigo alguma vez.

Depois daquele dia, meu pai ficou mais rígido comigo, sempre me trancando no quarto e as vezes, até a janela. Era eu naquele cubo, sozinho com meus livros que eu não queria mais ler sequer uma palavra. Aos poucos o sentimento de solidão foi tomando conta de mim, eu não queria mais ficar trancado, sozinho e vendo tudo lá fora passar longe dos meus olhos.

Então eu fugi quando peguei a chave escondido do meu pai. Saí de casa e corri pelo quarteirão tentando encontrar alguma criança para brincar comigo, mas por onde eu passava, todas fechavam as portas ou ficavam longe de mim. Sempre acabava comigo sozinho no meio da rua até tarde, como eu não queria voltar para casa, eu fiquei na calçada, parecendo um sem teto com roupas bonitas esperando alguém que viria falar comigo, mas foi naquela noite que... eu me perdi.

Acabei dormindo de cabeça contra o poste da rua e só acordei quando senti um homem me pegar no colo. Quando eu acordei, tentei me soltar dele, mas eu vi que não estava mais no meu bairro.

- Me solta! – ele me segurava em cima do ombro, prendendo meus braços enquanto me levava por aquele corredor branco esquisito. Lembro de ter me debatido muito para que me soltasse, mas quando eu tive noção de onde eu estava, era um quarto vazio com paredes de estofamentos brancos, parecido com alas de loucos no manicômio, mas por que eu estava sendo mantido como um louco? – Me tira daqui!

- Calma criança – o homem me disse, estava de capuz e máscara então não pude ver seu rosto, mas ele tinha alguma coisa na mão, uma pasta cheia de seringas e uma delas tinha um líquido estranho, um que eu não consegui dizer o que era. Eu achei estar vivendo um pesadelo, porque quando eu senti aquela agulha me picar, tudo ardeu. Não apenas isso, por cima da picada, eles colocaram alguma coisa em cima do meu braço, uma coisa que fez arder ainda mais. 

Eles tinham me marcado com um “9” como se eu fosse um boi marcado com ferro quente, aquele número não saía da minha pele, eu mesmo tentei arrancar, mas só arrancando a pele junto para ele sair. Depois disso eu desmaiei de tanto dor e acordei na minha cama, com meu pai me olhando com raiva.

- Saiu de noite sozinho...? Preciso te endireitar de uma forma mais bruta então – ele tinha uma cinta com fivela de ferro e caminhava na minha direção. A porta estava trancada e minha mãe berrava do lado de fora para ele: “deixe meu filho em paz”, mas de nada adiantava. Eu me levantei, me encolhi contra o canto da parede do quarto, mas nada mudou o que aconteceu depois dali. Eu nunca senti tanta dor na minha vida.

Flashback off

Mesmo com tudo isso, mesmo apesar de tudo, eu ainda mantive contatos com meus pais. Ficava na casa deles nos fins de semana do Internato, mesmo meu pai nunca me olhando nos olhos, aquele velho se arrepende de ter me batido tanto quando eu era criança. Embora ele se preocupasse comigo, eu não posso dizer que sinto o mesmo.

Minha vida de verdade começou quando me enturmei com os meninos, eles se tornaram minha fonte de companhia, Chan? Para mim ele tem algo muito especial que eu quero proteger nele independente do que aconteça. Assim como ele disse, são nossos meninos que estão perdidos, eu também estou, mas ao menos estejamos perdidos juntos.

Era uma nostalgia ruim ver esse corredor hospitalar branco e escuro, me lembrava do Distrito, me lembrava de muita coisa. Tudo vazio e silêncio... parecia o Internato também, tudo estava sendo parecido com o passado, mas será possível que mesmo um caminho diferente nos trouxe para o ponto de partida?

- Lix? Bin? – chamei um pouco mais baixo enquanto descia, ou até meu corpo ser arremessado. As portas da cozinha foram arrebentadas dos engates e arremessadas na minha direção, por pouco nenhuma me acertou. O calor que veio em cima de mim me queimou, meu braço tinha ficado debaixo da porta quente e eu senti a mesma queimar meu braço. Foi um sufoco sair dali, meu braço estava doendo horrores e eu mal conseguia mexer ele direito. A única coisa que eu consegui ver em meio a minha visão manchada e doendo por causa dos sons de zunidos, foi uma imensidão laranja e quente de labaredas que vinham daquela cozinha.

A ficha só caiu quando eu consegui racionar direito. – FELIX! BIN! – me levantei, ignorando todas as dores do meu corpo e entrei no meio daquilo. O fogo estava quente demais, a fumaça subia e eu tive que rasgar uma parte da minha camisa para amarrar na altura do nariz e conseguir respirar. Eu sentia minha pele arder, mas por sorte minha jaqueta era grossa e me protegeria por um tempo. 

Tirei as luvas dos bolsos e vesti para pegar o extintor de incêndio da parede. Olhava para frente, tentando ver eles, mas nada. – FELIX?! CHANGBIN?! ONDE VOCÊS ESTÃO?! – eu gritava no meio do fogo, tentando encontrar eles, então lembrei das paredes de inox da cozinha e foi ver. Não toquei na maçaneta, eu chutei a porta com a força que eu tinha e lá dentro no meio daquele escuro, eu vi eles. – FELIX! BIN!

- E-Estamos aqui... – Felix me respondeu meio fraco, o calor estava forte demais. Caminhei até eles e consegui ver mais de perto que Changbin estava com metade do corpo preso debaixo de uma estante de metal que caiu em cima dele, estava conduzindo calor do fogo que entrava pela abertura da parede. – Me ajuda aqui... eu não tenho força sozinho... – Felix estava ofegante.

Arranquei mais um pedaço da minha blusa e amarrei no rosto dele, olhando em seus olhos e dizendo para que ele ficasse calmo. – Vamos tirar o Bin daqui, segura ele que eu levanto a estante.

Ele assentiu, se agachou de joelhos atrás do Bin, segurando os ombros dele, e esperando pelo momento certo para puxar. Antes, eu cobri o nariz dele também e me agachei na frente dele, eu vi que Changbin estava sentindo muita dor, que estava queimando, mas eu tive que segurar o ombro dele e lhe acalmar. – Confia em mim, tudo bem? – eu tentei passar conforto para ele atrás do olhar, ele assentiu e eu me alevantei.

Peguei o apoio que eu precisava e levantei a estante. Minhas mãos queimavam e a estante quase mal se movia, ouvia Changbin gritando de dor atrás de mim enquanto o fogo arrebentava os vidros das janelas, com certeza tinha alguma coisa apertando a perna dele, mas eu tive que levantar. O calor me enfraquecia, mas eu tive que empurrar mesmo aos gritos de agonia dele.

Quando foi o suficiente, Felix puxou Changbin para fora e eu soltei a estante, que se quebrou no chão e o fogo se alastrou ainda mais. No desespero não se teve muito o que pensar. Peguei as chaves do carro no bolso do casaco do Bin e dei para o Lix, depois peguei Changbin no colo e gritei: - PARA O CARRO!

Nunca corremos com tanto medo. Aquele fogo tinha nos perseguindo até o caminho do estacionamento. Quando avistamos o Dodge, Felix tirou a lona e entrou no lado do motorista, eu fiquei atrás com Changbin e finalmente pudemos dar um suspiro de alívio, ou quase. – Se acertar o gás, já era! 

Felix ligou o motor do carro e pisou fundo dali, saiu do estacionamento quanto saltando quando passou por cima de um quebra-molas, antes que o fogo chegasse no gás e explodisse com toda aquela parte do hospital.

Foi um alívio sair dali, mas eu queria poder olhar para trás com esse mesmo alívio. Eu olhei as chamas, vi a luz traiçoeira do fogo engolir quase tudo e eu não sabia se os meninos tinham conseguido sair. Por enquanto, não tivemos o que fazer.

- Temos que achar um atendimento médico – disse no meio daquele balanço da picape na estrada. Encava as pernas de Changbin no meu colo, tinha sangue em uma delas, a perna esquerda estava machucada e só Deus sabe se ele não queimou as pernas ou alguma outra parte do corpo. Ele não pareceu ligar muito para isso agora, mas quando eu contei sobre os outros, o olhar deles fez meu peito apertar.

- Hyun, Seung e Innie conseguiram sair...? – Changbin me olhou com um olhar esperançoso na resposta, mas eu não sabia. Tirei o pano que cobria meu rosto e suspirei o ar puro de novo apesar do cheiro de queimado das nossas roupas. 

- Vamos primeiro nos tratar, depois... vamos buscar os outros – eu queria ter esperanças, mesmo não sabendo quais as chances. Para mim eles estavam vivos, haviam saído em segurança porque os dois carros que faltavam, não estavam no estacionamento. Pra mim, eles saíram com vida, mas onde eles estavam? Eu não tinha ideia, teríamos que nos reagrupar, se é que... do jeito que nossas cabeças estavam bagunçadas, eu não fazia ideia se íamos conseguir.

[...]

Eram cerca de 03:15 da manhã, nossos celulares estavam queimados e os chips também. Fritaram e não teve como salvar nada. Soltei um suspiro e joguei os celulares dentro do rio, que não nos achassem nem com rastros. A chuva leve melhorava minha pele ardendo, mas eu ainda sentia que isso não iria sair bons resultados quando a médica me visse. A parte boa? A marca 9 no meu braço se foi com minha pele, me livrei dela depois de muito tempo querendo arrancar.

Conseguimos encontrar uma pequena cabana clínica perto de uma das pontes do rio Han, por sorte estava aberto e a médica que mora aqui, teve a boa vontade de nos atender junto com os assistentes dela que eram seus sobrinhos. Changbin foi primeiro porque o estado dele era pior, depois Felix e por último eu. 

Lembrei de algumas coisas que guardamos no carro, algumas malas com roupas que nos viriam a calhar e seria melhor que essas queimadas. Minha jaqueta já era, tive que tirar porque ela estava fedendo a fumaça. O friozinho da chuva poderia me deixar doente, mas era melhor do que cheirar esse cheiro.

Peguei três malas que estavam no carro e entrei na pequena clínica para ver como tudo estava indo, acho que foi a parte mais dura até aqui, acompanhar um laudo médico. Não era o melhor do mundo, mas era o que tínhamos por enquanto.

- Vai precisar usar muletas por um tempo – disse o assistente, Changbin havia aberto um corte na perna esquerda na parte abaixo do joelho e tinha tido queimaduras se segundo grau na perna esquerda e um pouco na direita, nada muito grave, mas ele teria que usar duas muletas para andar.

Vi no rosto dele a expressão chateada, não era mistério que ele estava triste com isso, mas era o que tínhamos que aguentar agora. – Sua vez, Lix.

Changbin disse que queria ficar no carro, mas antes eu lhe ofereci ajuda para trocar as roupas queimadas e cheirando mal que ele estava. Uma calça e blazer pretos e camiseta branca, era simples e faria bem às queimaduras dele. O mais novo preferiu ficar no carro, enquanto eu acompanhei o laudo do Felix desde o começo dele. Por sorte o garoto só teve queimaduras leves e alguns de segundo grau, a médica receitou hidratante e remédios para a dor, já que dissemos a eles que, não tínhamos planos para ficar por muito tempo na cidade.

Não era um lugar seguro para nenhum de nós aqui agora, eu sei que deveríamos procurar pelos outros, mas sei que se forem espertos farão o mesmo que nós. Depois que eu passei pela vistoria e recebi o mesmo diagnóstico que eles, troquei minhas roupas, peguei novamente as chaves do carro e saímos dali, pegando uma das pontes qualquer que nos levasse para fora da cidade. Aquele não era mais um lugar para nós.

- Aonde vamos, hyung? – Felix estava sendo ao meu lado, encarando o caminho da trilha de terra repleta de árvores e pequenas plantas em volta, honestamente? Nem eu sabia para onde ir agora.

- Vamos encontrar um lugar e... quem sabe, rezar para que a gente se recupere dos queimados para que possamos ir atrás dos outros – minha mão tremia no volante, eu não fazia ideia do que viria daqui para frente. Nos separamos e agora estávamos perdidos, não tinha como saber o que ia acontecer. Eu só fiquei dirigindo naquela estrada escura, quase amanhecendo, esperando ver o que encontrava nessa estrada deserta.

[...]

Pov Minho

No tremor do carro nas estradas esburacadas dessa rodovia não pavimentada, eu segurava o volante daquele 150 com força, mas ao mesmo tempo, minha mão estava frouxa. Eu já perdi a conta de quantas vezes eu chorei desde que saí daquele hospital. Depois que Jisung saiu correndo daquela briga com o Hyunjin, eu segui ele, mas quando eu vi, ele tinha sumido. Tentei achar o celular dele, mas ele estava bem longe do meu alcance. Tive que pegar um dos carros e tentar encontrar ele, mas eu não sabia por onde começar.

O Sol já estava nascendo, dando ao céu a coloração alaranjada e azul claro enquanto eu estava parado no meio de um sinal vermelho. Os vidros por sorte eram escuros e estava tudo bem, ninguém ia me ver, mas eu ainda estava explodindo por dentro. Olhava toda a hora o celular, com sono e com olhos secos, já que eu não tinha dormindo por quase 2 dias. Fiquei esperando uma mensagem dele, mas nada acontecia, nada.

- Jisung meu amor... onde você está...? – onde você foi? Eu juro que vou até onde for preciso para te encontrar, eu juro. Prometi no internato nunca te abandonar e não vai ser aqui que minha promessa vai cair.

Mas parecia que as coisas pioravam. Eu desabei assim que ouvi no rádio que um incêndio causado por um grupo de delinquentes, engoliu quase todo o hospital e inclusive a clínica do pai do Seungmin. Eu fiquei petrificado, senti um arrependimento corroer nos meus ossos, me dizendo que eu deveria ter ficado e ajudado eles, que eu deveria voltar, mas o meu outro lado dizia para seguir adiante e encontrar o Jisung. Foi isso que eu fiz.

Saí daquele sinal vermelho com a consciência pesada, sem saber para onde ir e sem ideia de onde Jisung pode ter ido. Não sabia qual cidade, qual vila, qual bairro, se ele saiu e se escondeu em Seoul, eu não sei, mas não vou desistir de procurar. 

É nesses momentos que eu me arrependo por ter me afastado dele nesses últimos dias. 

Se alguma coisa acontecer com o meu Jisung, eu não vou me perdoar.



Notas Finais


Eu nunca contei sobre o Woojin né? Ksks contei agora

Vamoa relembrar de Prision. Só quem leu vai entender hehehe


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