História Cliffs Of Moher - Capítulo 5


Escrita por: e Yvex

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS), EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Jimin, Jin, Jungkook, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Rap Monster, Sehun, Suga, Suho, V
Tags Agua, Amizade, Chanbaek, Crescimento, Dois Lados, Dominação De Elementos, Elemental, Escolhas, Fogo, Haru_hh, Hunhan, Infância, Menção De Outros Grupos, Mpreg, Namjin, Rebeldes, Romance, Sacrifício, Shipps, Sulay, Taekook, Terra, Vkook
Visualizações 57
Palavras 4.225
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Idades

* Jungkook: 10
* Taehyung: 10
* Baekhyun: 12
* Suho: 12
* Chanyeol : 17
* Jongup: 17

Capítulo 5 - Melhor...


Fanfic / Fanfiction Cliffs Of Moher - Capítulo 5 - Melhor...

Mesmo com todos os riscos, eu faltei ao treino e fui para casa do Taehyung mais uma vez, duas semanas depois. Ele estava radiante, bem mais do que o normal, e sorria o tempo todo como se estivesse ganho o maior prêmio da sua vida. Quando perguntei, me contou ainda mais feliz que ganharia um irmão. Fiquei meio perdido quando o menino rebelde me puxou até seu omma que estava sentado na cama, descansando.

— Não dá para sentir ainda, Tae. —  SeokJin sorriu de forma doce para nós, enquanto seu filho acariciava sua barriga sem nenhuma elevação.

Eu me perguntei enquanto olhava para o hoe de olhos mel se eu era o único que estava notando que ele não parecia muito bem, sua pele estava molhada de suor e ele parecia pálido. SeokJin notou que eu o encarava de longe e chamou para que eu me aproximasse.

— É só uma febre, Jungkook... — ele crispou os lábios e desviou o olhar do meu. — Porque não vão brincar? Se eu estiver doente não quero passar para vocês...

Claro que nós acreditamos, com aquela idade não tínhamos ideia do que realmente estava acontecendo.

Naquele dia tive mais uma aula, também de algumas horas, mas quando eu estava indo, Taehyung me entregou duas folhas dobradas e um lápis apontado para que eu conseguisse treinar em casa.

Apesar de adorar aquele presente simples, precisei os usar dentro do banheiro para não chamar atenção de alguém. Logo chegou ao ponto em que a folha não tinha mais espaço e precisei pensar numa outra maneira de continuar treinando, por isso havia uma parte do chão embaixo da minha cama que estava quase completamente riscado. Consegui passar alguns dias escrevendo ali durante a tarde até que Chanyeol foi limpar o quarto e descobriu tudo.

Não era errado escrever, mas ele achava que eu havia roubado aquele lápis de alguém e passou em torno de uma hora me encarando, ele na sua cama e eu na minha, me esperando "confessar o roubo". Claro que não o fiz, então ele apenas desistiu, mas não me devolveu o lápis e fiquei realmente frustrado por aquilo.

Só voltei a rever o Taehyung um ano depois da cena do lápis e não sei dizer ao certo o motivo para isso, imagino que eu estava meio confuso sobre todas as coisas envolta do meu treinamento e da minha doença, mas não posso afirmar.

Foi num dia em que eu deveria treinar, mas praticamente todos os treinadores estavam sendo perturbados pelo tio Younghyun que procurava desesperadamente por Luhan. Meu primo que adorava se esconder por... birra? Eu não fazia ideia, mas aquilo me ajudou a fugir do centro de treinamento e ficar do lado de fora, sentado a alguns metros do portão, observando floquinhos de neve caindo por cima de mim e dando uma sensação boa de conforto ao brincar de soprar e ver a fumaça resultante do frio.

Fiquei ali por alguns minutos até ouvir vozes não muito longe e deixar a curiosidade me guiar.

Eu nunca esqueci o que vi ali.

Jongup, o garoto que frequentava minha casa quase todo dia por ser melhor amigo do meu irmão mais velho, estava chutando uma pessoa completamente encolhida no chão. Do seu lado um garoto alto, magro e de cabelos raspados, cutucava com o pé um hwal que não deveria ter mais que treze anos. Sangue saia da boca do garoto no chão e seus olhos estavam assustadoramente abertos, me encarando.

— Jongup? — chamei com os olhos arregalados e ele virou de uma vez na minha direção. Foi quando vi que a pessoa que ele batia era um hyuhoe, ele olhou para mim e notei que tentava falar algo, mas provavelmente a dor foi mais forte.

— Jungkook! — o amigo do meu irmão olhou para o hoe no chão e coçou a cabeça, me lançando um sorriso nervoso. — Não é nada demais, são só uns rebeldes sujos que entraram na nossa área.

Ainda chocado e de olhos arregalados, me aproximei do homem no chão com minhas pernas rígidas, mas não pelo frio, posso assegurar.

— Quer nos ajudar? — o hwal de cabelos raspados perguntou num tom meio risonho e despojado. Eu o ignorei e me ajoelhei ali, encarando o hoe que olhou profundamente nos meus olhos, segurando minha mão com força, mesmo estando trêmula e meio fria.

O hoe realmente parecia querer dizer algo, mas sempre que tentava apenas cuspia sangue, o qual sujou minhas mãos e a manga do meu casaco, para logo em seguida fechar os olhos e afrouxar o aperto. Ele morreu na minha frente e em seguida fui puxado por Jongup, que ainda o chutou mais uma vez com tanta força que jogou o corpo um pouco para o lado.

— Droga Jungkook, não deve deixa-los te tocar! São sujos! — Jongup falou tirando um lenço do bolso. — Tome, tente limpar essa sujeira enquanto nos livramos deles. — disse sorrindo e apontou para os dois corpos.

Eu me afastei devagar, assustado, apavorado. E foi ao notar minha expressão que o sorriso do amigo do meu irmão murchou.

— Ei Jungkook, o que...

Comecei a correr quando minhas pernas destravaram e fui numa direção que podia até parecer aleatória para quem me viu sair correndo, mas eu sabia para onde estava indo.

Daquela vez eu tinha certeza que havia descoberto quais eram os maus e me senti estúpido por não ter notado antes.

Foi quando cheguei na casa do Taehyung, seguindo pelo caminho do lago, com meu peito chiando e a sensação ruim de falta de ar.

Ao abrir a porta de vez depois de batidas desesperadas minhas, meu amigo arregalou os olhos para mim.

— Jung... — antes que terminasse de falar, eu desmaiei.

Acordei cerca de uma hora depois, com SeokJin acariciando minha mão e esbanjando um sorriso acolhedor quando notou meus olhos abrindo-se. NamJoon também estava ali, me encarando com um olhar que eu não consegui entender. Mas meu foco saiu deles quando senti um peso na cama e vi que Taehyung estava engatinhando na minha direção com um olhar preocupado.

— Porque estava sujo de sangue? — Taehyung perguntou sentado com as pernas cruzadas do meu lado. Ergui meu tronco rapidamente, ficando desajeitadamente sentado. Tudo que havia visto voltava num baque intenso demais para mim. — Alguém te machucou?

Passei meu olhar mais uma vez por todos, com minhas mãos tremendo e ao notar isso, SeokJin voltou a acariciá-las. Olhei para aquela região e só então lembrei que antes estavam sujas de sangue e percebi que também haviam trocado minhas roupas por outras do Tae.

— Pode nos contar, Jungkook. — SeokJin se pronunciou.

— Eles... — comecei e engasguei, enjoado ao ter que explicar aquilo. — JongUp matou os rebeldes...

Notei quando o rosto do SeokJin perdeu a cor da pele e seus olhos se arregalaram.

— Quem? — NamJoon finalmente se pronunciou, afastando o esposo com delicadeza, mandando-o tirar o Taehyung dali também. Logo estávamos sós, eu e o outro hwal de pose imponente. — Quem os matou?

— Jongup matou um hwal e um hoe. — respondi com a garganta seca. NamJoon não sabia quem era JongUp, mas eu não pensei naquilo ali. — Eu não quero voltar para lá... Eles são maus, vão me machucar.

NamJoon suspirou quando terminei, me observando enquanto chorava baixinho, para depois me abraçar de leve e afagar meus cabelos.

— Jungkook, não podemos ficar com você. — falou e o afastei um pouco.

— Mas...

— Escute Jungkook, você já está grande então posso lhe explicar melhor. — NamJoon começou sem desviar seu olhar do meu. — Nem todos os elementais são maus, tudo bem? Nós dizemos que são, mas sei que seus pais devem cuidar bem de você e que se preocupam, por isso não podemos te tirar deles, entendeu?

Imagino que aquilo deveria ser doloroso de dizer, já que NamJoon estava meio que se contradizendo apenas para não fazer o que meus pais já faziam: dizer que o outro lado estava errado, sem me mostrar as exceções. NamJoon queria que eu escolhesse sabendo que o lugar que eu estava também podia ser bom.

— Será que se eles souberem que vou morrer, eles tem pena de mim? —perguntei o olhando. Hoje em dia eu odiaria que sentissem pena de mim, mas na época eu só queria sobreviver por mais tempo do que o médico havia estipulado.

— Não diga isso, os jovens de hoje em dia estão até vivendo mais do que nós. — disse dando um sorriso labial.

— Não vou, o médico falou que vou morrer com quinze. — falei e o fiz perder o sorriso, finalmente notando que eu não estava exagerando.

— Vai ficar tudo bem... —  NamJoon falou voltando a me abraçar, daquela vez com um pouco mais de carinho. Era normal receber aquilo do SeokJin, mas era minha primeira vez recebendo aquilo do hwal. — Vou chamar o Tae para brincar com você.

Não foi difícil esquecer tudo tendo o Taehyung e sua energia brilhante por perto. Nunca entendi como ele conseguia fazer as pessoas mais leves e felizes sem se esforçar... Ou talvez aquilo fosse somente comigo, realmente não sei dizer.

De qualquer jeito, passamos um bom tempo brincando com uns bonecos que seu tio fez para ele (Taehyung era mais criativo do que eu para usar aquilo) e ainda arranjamos um tempinho para treinarmos a escrita depois que contei para o Tae sobre a confusão com o lápis.

— Jungkook... — me chamou enquanto mexia seu boneco. — Você vai voltar? — perguntou olhando para mim.

O encarei de volta, pensando se deveria ou não voltar. NamJoon foi claro em dizer que não poderia ficar comigo, então no fim eu não tinha muita escolha além de voltar somente para visitá-lo escondido. Concordei com a cabeça e ele olhou para os bonecos com uma expressão um pouco menos animada.

— Quando você for, não demore tanto para voltar. — disse com a voz baixa. — Sabe o irmãozinho que omma ia ter? Ele não nasceu... Não sei por que, mas ele-

— Não vou demorar. — assegurei.

— Promete? — perguntou e não respondi. Talvez por isso consegui voltar, parece que tudo conspira para que as promessas não sejam cumpridas. — Você tem um irmão não é? Ele é legal? Brinca com você? — mudou de assunto, ficando mais animado.

— Ele não é legal. — respondi e Taehyung fez uma careta.

— Que chato. — fez bico. — E primos? Eu tenho um, ele também é um hwal e sempre brinca muito comigo quando vem nos visitar. Vou te apresentar quando ele vier... omma disse que estavam chegando.

 

Eu só soube quem era o primo do Taehyung quando voltei no dia seguinte e NamJoon organizava um funeral simples, mesmo não encontrando os corpos.

Sim, o primo do Taehyung, o garoto legal que brincava com ele, era o mesmo que Jongup e seu colega mataram. E o hoe que apertou minha mão era tio do Tae, irmão mais novo do SeokJin.

Eles estavam no Distrito do Fogo pois o outro tio do Tae ( marido do que morreu) os enviou devido a falta de alimento no Distrito da Terra. Aquilo estava até se tornando comum, mas poucos conseguiam maneiras de se locomoverem por causa do alto custo.

Taehyung quase não falou comigo naquele dia, sempre olhando para o chão e com lágrimas silenciosas descendo pelo seu rosto. Aquela foi a primeira vez que senti vontade de não ser eu, mas sim alguém simpático ou radiante que o faria se sentir bem novamente.

Mas eu não era assim e naquele dia eu apenas o deixei chorar enquanto exercitava minha escrita com seu material de estudo.

Um dia depois do funeral, JongUp foi visitar meu irmão na nossa casa.

Aqueles dias eu me fechei ainda mais, passando o dia inteiro trancado no quarto, o que despertou a desconfiança do Baekhyun. E para piorar, tio Yixing contou para o papai que eu estava faltando aos treinos também, então ele foi me perguntar o motivo.

Como não respondi, papai desistiu depois de um tempo e pude continuar no meu isolamento. Até que resolvi sair um dia no meio da tarde, para procurar algo para comer.

Foi quando encontrei JongUp sentado na sala de jantar, conversando de forma descontraída com o Chanyeol, até mesmo riam. Eu me senti nervoso ao ver meu irmão com aquele assassino.

Fiquei o encarando até que notou e virou para mim, ainda sorrindo.

— Ei Jungkook! — Jongup acenou para mim e engoli em seco. — Como anda o treino?

Ao invés de responder, voltei devagar para o corredor dos quartos, olhando para a escada como se JongUp fosse subir correndo para me matar.

— O que está fazendo, Jungkook? — Baekhyun perguntou tocando no meu ombro.

Não virei na sua direção, sabia que ele iria facilmente notar meu medo se visse meus olhos, então bati a porta do quarto quando entrei e segurei a maçaneta até que parasse de forçá-la para abrir. Me afastei e fiquei olhando a porta, achando que estava em paz. Mas menos de um segundo depois, Baekhyun empurrou a porta com mais força e a abriu.

— Se tentar fugir eu te derrubo no chão! — ameaçou com o rosto vermelho, provavelmente de raiva. Mas bastou uma olhada para mim que sua expressão suavizou. — O que está acontecendo com você? Eu posso ver nos seus olhos...

— Não quero falar com você. — resmunguei me soltando com brutalidade. — Não quero falar com ninguém! — aumentei meu tom de voz e me afastei.

— O que fizemos para você? Pare de ser idiota! — disse agarrando minha blusa.

Virei o rosto e não lhe respondi, mas ele continuou ali me encarando até Chanyeol abrir a porta do quarto. Ele franziu a testa e olhou para nós, logo atrás estava Jongup.

— O que está fazendo no nosso quarto Baekhyun? Já falei que é só de hwals. — Chanyeol cruzou os braços.

— Só estou conversando com o Jungkook. — respondeu e acho que ele notou meu olhar meio incomodado para o Jongup, pois meu irmão lhe lançou um olhar ameaçador. — O que você fez pro meu irmão? — pergunto diretamente para o amigo do Chanyeol e todos arregalaram os olhos.

— Do que está falando, Baekhyun? — Chanyeol perguntou confuso.

— Cala a boca! Jungkook, me diz agora o que ele fez para você! — disse num rosnado de raiva.

— Eu não fiz nada! — Jongup finalmente se pronunciou e foi ali que vi as mãos do Baekhyun ficarem em chamas. — Ei, se controla! Vai queimar tudo!

— Você machucou meu irmão? Responda! — Baekhyun se aproximou dele ainda com as chamas.

— Ele... — comecei e eles olharam para mim. — Jongup e outro hwal mataram dois rebeldes. — falei e pude ver o olhar que recebi do amigo do Chanyeol, ele provavelmente teria me matado se eu estivesse sozinho.

As chamas do Baekhyun se apagaram e Chanyeol o afastou de Jongup.

— Isso é verdade? — Chanyeol perguntou olhando para o loiro. — Você matou dois rebeldes? Está louco Jongup?!

— Cara, eram só dois rebeldes imundos, não vai fazer diferença. — Jongup falou.

— Claro que vai! — Chanyeol disse. — São pessoas Jongup! Você sabe que isso pode causar problemas pro meu pai! Além de uma guerra entre os rebeldes e os elementais!

— Escondi os corpos, eles não podem dizer que fomos nós.

— Seu idiota! — Chanyeol falou com raiva, colocou as mãos na cabeça e depois as baixou com força. Como se quisesse socar o amigo. — Você ameaçou a paz que estamos tendo porque não gosta deles? Caralho Jongup!

— Porque está defendendo eles? São rebeldes! Eles querem tomar nosso território, nossa comida e se bobear até pegar nossas crianças! — Jongup falou alto, quase gritando e me perguntei se omma iria escutar do quarto dele á poucos metros de distância do nosso.

— Não pode simplesmente matá-los Jongup! — Chanyeol disse sem gritar. — Se os odeia tanto, basta evita-los, até onde sei, ainda não fizeram nada contra você!

— Tá, da próxima vez contenho meu nojo! — Jongup disse fazendo uma careta. Então passou a mão nos cabelos e olhou para meu irmão. — Vai contar para seu pai? — Jongup perguntou com a voz baixa.

— Não... — Chanyeol respondeu e respirou fundo. — Mas não quero ver você perto dos meus irmãos novamente.

— Eu não os machucaria. — Jongup resmungou, mas concordou. — Te vejo amanhã, Chanyeol. — continuou e saiu do quarto.

— Ainda vai ser amigo dele? — Baekhyun perguntou indignado.

— Vou. — Chanyeol respondeu e Baekhyun lhe deu um chute na canela. — Baekhyun! Porque me chutou?

— Porque você é idiota e fica de amizade com assassinos! — respondeu com raiva.

— Não me chame de idiota!

— Chamo do que eu...

— Não deveríamos... — comecei, eles param de brigar e olharam para mim. — Não deveríamos devolver os corpos?

— Não vamos encontrar corpo nenhum, Jongup provavelmente os queimou. — Chanyeol falou e crispei os lábios. — Da próxima vez Jungkook, conte diretamente ao papai algo assim.

— Não vai contar agora? — perguntei o encarando.

— Não faria diferença agora, os corpos não serão encontrados e papai vai querer contar ao líder dos rebeldes, e isso vai acabar gerando mais insegurança e intriga. — respondeu olhando para mim e o Baek, como se quisesse dizer que não era para ele dizer também.

— Não acredito nisso. — Baekhyun disse antes de sair do quarto, batendo a porta com tanta força que poderia ter quebrado. Chanyeol o seguiu logo depois, provavelmente para acalmá-lo sobre o assunto.

 

No dia seguinte tive que treinar, treino qual se tornava cada vez mais leve desde a descoberta de que meu problema respiratório era mais grave do que todos podiam imaginar. Tio Yixing parecia ter medo que eu simplesmente morresse na sua frente. Era deveras constrangedor ser tão protegido, mas não reclamei, assim eu não precisava treinar junto aos outros garotos.

— Jungkook, fique aqui enquanto vou preparar as duplas para um exercício. — tio Yixing disse e se afastou de mim, me deixando sentado perto da porta de saída da sala.

— Ei Jungkook. — escutei uma voz baixa do meu lado e quando virei, vi Suho encolhido e de bochechas coradas, com apenas metade do corpo e rosto dentro da sala.

Fiquei o encarando, esperando ele perceber que o estava escutando.

— Er... Pode perguntar se Yixing vai nos levar para casa? Se não for, irei esperar papai até tarde. — falou de maneira tímida.

— Porque vai com ele? Porque não vai sozinho? — perguntei sem mostrar nenhuma reação. Desde meu aniversário de oito anos, eu me perguntava se ele gostava mesmo do meu tio.

— Papai disse que Luhan está de castigo por ter sumido. Então nada de ficar sozinho até o castigo acabar, para evitar que o Lu suma novamente. —Suho explicou.

— É melhor você perguntar, eu não vou sair daqui. — falei e abracei meus joelhos.

Suho ficou uns minutos escondido ali, com uma expressão chateada, até que criou coragem e foi até onde o tio Yixing estava. Vi meu primo tropeçar uma vez nos próprios pés antes de finalmente chegar lá.

Quando voltou, ele estava com as bochechas ainda mais vermelhas e os olhos brilhando. Suho realmente parecia gostar do meu tio, e ele era só uma criança, quais as chances daquilo dar certo? Parei de pensar nisso quando notei que estava me preocupando demais com algo que não me envolvia.

Bem, naquele dia eu só treinei a respiração de sempre com alguns movimentos de defesa, mas no resto do ano eu nem mesmo fui. Faltei todas para visitar o Taehyung, que aos poucos foi voltando a ser o garoto sorridente e continuou a brincar comigo e me ensinar a escrever e ler.

Como eu ia todo dia, pouco antes do final do ano eu já estava lendo uns livros que o tio Seunghyun do Taehyung lhe deu, eram do seu falecido primo.

— São histórias de mentira. — comentei depois de ler algumas páginas. — Esses lugares não existem. — falei apontando para uma imagem amarelada, provavelmente pelo tempo que aquele livro tinha, do que para mim era um prédio estranho. Mas na verdade era uma torre, tinha um nome bem pequeno, mas eu não sabia ler aquela palavra. Era algo como Eiff ou Eiffel, não lembro direito.

— Mas seria legal se existissem. — Taehyung falou passando a ponta do indicador na cicatriz do queixo. Ele tinha essa mania desde que lembro. — Olhe quanta água! Nunca vi o mar, deve ser legal! — falou apontando para uma foto do mar, havia muita areia e enfeites coloridos também.

Ficamos olhando mais fotos daquele livro, parando vez ou outra para apreciar e nos perguntar como seria estar ali.

— Qual desses lugares você acha mais legal? — Taehyung perguntou olhando para mim. — Eu escolho aquele com um monte de água e areia!

Voltei algumas folhas, até chegar á paisagem de uma caverna escura com água azul cristalina e apontei para ela.

— Não acha muito escuro? — perguntou franzindo a testa e dei de ombros. — Já sei! — falou e sentou, quase batendo o joelho no meu rosto.

— O que foi? — perguntei confuso, sentando também e o encarando.

— Um dia, iremos nesses lugares! — Taehyung falou apontando para as imagens que nós escolhemos.

— Como? — perguntei apoiando o rosto da mão.

— Andando! — respondeu sorridente.

— Não podemos ir andando. — resmunguei e ele levantou uma sobrancelha.

— Por quê?

— Porque é longe!

— Como sabe que é longe? — Taehyung cruzou os braços e fez um bico.

— Eu nunca fui, você nunca foi, então deve ser longe. — falei como se fosse óbvio e peguei outro livro. O abri e me deitei com a barriga para baixo, as pernas para cima e folheei algumas páginas.

— Eu vou. — Taehyung disse determinado e se deitou no meu lado, também olhando o livro. — Se quiser ir... Ei o que é isso? — perguntou apontando para uma das figuras do livro, esse não era velho como o outro.

— Pumao. — li lentamente e inseguro.

— Pulmão. — Taehyung me corrigiu, mas parecia satisfeito com minha leitura.

— Pulmão. — repeti e dei uma olhada no que havia ali. Era um assunto que me interessava, afinal, eu tinha um problema ali.

— É estranho isso estar dentro da gente né? — Taehyung comentou dando um sorriso. — Passa, vamos ver o que tem mais.

Não passei a página, pois estava tentando ler o que havia ali. Mas depois de alguns minutos Taehyung se cansou de esperar e se jogou em cima de mim.

— O que está procurando? — perguntou olhando o que havia escrito ali. — Me diz que eu procuro.

— Doenças no pulmão. — falei empurrando o livro para o lado e ele saiu de cima de mim, deitado do meu lado.

— Por quê? — perguntou já lendo.

— Porque eu tenho uma doença no pulmão. — expliquei e ele desviou os olhos do livro para me olhar.

— Que tipo? — perguntou e parecia preocupado.

— Do tipo ruim. — respondi e Taehyung me encarou em silêncio por um bom tempo. Era estranho ficar perto dele e não ouvi-lo falar.

— Você vai ficar bom? — perguntou e seus olhos brilharam, parecia prestes a chorar somente de me imaginar doente.

Quando percebi isso, não quis dizer a verdade. Taehyung iria chorar se eu lhe dissesse que poderia morrer a qualquer instante de uma crise respiratória.

— Papai vai arrumar um remédio. — tentei tranquilizá-lo e duas lágrimas desceram por cada um dos seus olhos quando ele sorriu.

— Que bom. — falou e voltou a ler o livro.

— Por quê? — perguntei sentando.

— Porque você é meu melhor amigo, e melhores amigos devem morrer juntos. — explicou e fiquei confuso com aquilo.

— O que quer dizer?

— Ouvi um amigo do papai dizer isso, que para não ter tristeza, amigos precisam morrer juntos. — Taehyung explicou olhando para o livro. — Ele disse que é uma dor tão grande que não tem outra maneira de se livrar dela.

— Isso não faz sentido. — comentei e Taehyung deu de ombros.

— Eu teria que morrer também se você fosse. — falou e não liguei para suas palavras naquele momento.

Suicídio era algo que não existia nos elementais fogo, pois era uma demonstração de fraqueza. Então eu nem sequer conhecia a palavra. Mas realmente era um costume de alguns outros distritos, principalmente no da terra, já que os nativos tinham maior facilidade de entrarem em depressão.

Seokjin era um exilado da Tribo da Terra, o que quer dizer que ele não possuía o dom de dominar o elemento. Lá eles eram muito próximos uns dos outros, por lá, quando a amizade era muito grande e um deles morria, a tristeza era tanta que o outro se matava. Não é como se eles quisessem fazer isso, mas pessoas da Tribo da Terra - no caso Distrito da Terra - eram muito mais sensíveis e ficavam tristes facilmente.

Até hoje me pergunto como Seokjin não cometeu suicídio depois que o irmão morreu. Talvez eles não fossem tão próximos assim.

Voltei para casa meia hora depois e encontrei Chanyeol na sala, ele me encarou com os braços cruzados e uma cara de quem queria brigar.

— Onde você estava? — perguntou sério.

— Andando. — respondi e já estava com a mão no corrimão quando ele segurou meu braço com força.

— Não vire as costas para mim Jungkook! — Chanyeol disse e senti meu pulso esquentar, ele estava fazendo aquilo. — Você está agindo muito estranho...

— Me solte. — falei me aproximando tão rápido que ele se assustou, olhei nos seus olhos. — Você não é meu pai, nem mesmo tem nosso sangue!

Chanyeol me soltou naquele momento, olhando para mim com uma expressão surpresa.

— Como sabe? — perguntou me encarando.

— Se olhe no espelho. — respondi com a voz baixa, mas ainda com um tom de raiva. — E não encoste em mim!

Ele me olhou subir as escadas e depois sumir ao entrar no quarto. Me perguntei porque fiz aquilo e a resposta veio pouco depois: Eu não me incomodei por ele me segurar, mas sim por quase ter usado a dominação do fogo e me queimar.

— Taehyung está certo, eles são maus. — sussurrei para mim mesmo e fui tomar um banho.


Notas Finais


HEY

Dessa vez demorou não foi? A culpa foi da minha alergia TT. Fiquei mais de uma semana só espirrando e meio cega porque meus olhos já são sensíveis naturalmente, aí com alergia só piora tudo. O cap já havia sido revisado e tudo mais, mas a pessoa aqui tava sensível ao extremo.

Enfim, capítulo novo tá aí, espero que gostem ;D

Eu não quero falar muito para vocês terem o que falar, mas vou só pontuar uma coisa que tenho certeza que vocês vão deixar passar:

SeokJin estava doente... e provavelmente por isso ele perdeu o bebê certo? Não! Foi por outro motivo, mas como o Taehyung não sabia disso e o Jungkook ainda era pequeno e também não sabia, vocês também não vão saber XD. Mas mais na frente vão descobrir.

Eu sempre esqueço o que tenho que falar quando venho postar o cap TT, vou começar a anotar pra ver se não esqueço.

Bem, obrigada pelos comentários e por todo o carinho :3 <3

PS: Qualquer dúvida podem perguntar, sabem disso :)


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