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História Clima de Suéter - Grandice - Capítulo 4


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Notas do Autor


Oii amores ❤

Me desculpem a demora, espero que gostem 😘

Capítulo 4 - Parte 4


One love, two mouths (um amor, duas bocas)

One love, one house (um amor, uma casa)

No shirt, no blouse (sem camisa, sem blusa)

Just us, you find out (apenas nós, e você vai descobrir)

Nothing that I wouldn't wanna tell you about (nada que eu já não queira contar a você) - Sweater Weather - The Neighbourhood.

Grant

- Thomas... - despertei gradativamente ouvindo a voz de Candice me chamar. Havia demorado a pegar no sono exatamente por pensar nela, e agora pelo que parecia ainda era madrugada, não fazia ideia do porquê de estar ali, mas sabia o quanto isso era a cara dela - Thomas...

- Que horas são? - Murmurei me esforçando para abrir os olhos. Ela estava sentada na minha cama, me observando impaciente pra que acordasse logo.

- Três e trinta e oito - acendeu o abajur quase queimando minhas retinas e voltou a me olhar - terminei.

- O quê? - Esfreguei os olhos me esforçando para vê-la. Ela usava uma camisola de cetim preta que eu sabia que seria espetacular se eu conseguisse realmente enxergar com detalhes.

- O livro... - se acomodou ali cruzando as pernas e colocando um travesseiro no colo - eles morrem mesmo, é péssimo!

- Candice... - bocejei - não faço a menor ideia do que está havendo.

- Li o livro, Romeu e Julieta!

- Não estava dormindo? - Me sentei - onde conseguiu o livro? O quê...

- Já ouviu falar em ebooks vovô? - Ela não parecia se importar com o fato de me acordar quase às quatro da manhã e me ofender depois disso - eu quis ler dois capítulos antes de dormir, e quando vi tinha terminado.

- Leu todo o livro em uma noite e é péssimo? - Ri dela - muito contraditório...

- Eu precisava saber o suficiente da história toda o mais rápido possível para poder discutir com você com uma boa base - argumentou confiante de que acreditaria.

- Às três e quarenta madrugada? - Ignorou minha pergunta, ou talvez nem ouviu. Eu não era o único extremamente cansado ali, mas estar acordada parecia ser uma questão pra ela. Queria provar alguma coisa, isso era muito óbvio.

- Shakespeare é incrível escrevendo, me fez ficar um pouco triste pelo casal, foi um péssimo jeito de terminar a história e até entendo como gostam tanto dela, mas odiei - me pegou rindo dela - o que foi?

- Você passa horas da madrugada lendo, bate no meu quarto e me acorda perplexa, mas não assume o quanto o livro mexeu com você! - Não acreditava no quanto ela podia me irritar e me fascinar ao mesmo tempo - pode detestar o clichê num contexto geral, mas gostou do livro. Assuma!

- Não! É péssimo! E agora por sua causa sou mais uma dos decepcionados pelo clássico mais clichê do mundo - revirou os olhos - tantos finais possíveis, e tinha que acabar mesmo em morte? Dava pra manter ao menos ela viva...

- É impressão minha ou a garota que brigou comigo a horas atrás sobre aquele papo de termos que aceitar que nem todo amor será vivido está aqui no meu quarto sofrendo pelo trágico fim de Romeu e Julieta? - Eu não podia deixar de provocar - Kristinna, mas que decepção eu achei que fosse mais consistente!

- Nossa eu odeio você... - jogou o travesseiro em mim e fez mensão a se levantar. Impedi segurando seu braço - odeio esse seu ego de galã de filme de época!

- Eu não tenho ego de galã! - Ria da raiva que lhe causei tão facilmente. Ela era a coisa mais linda do mundo querendo me matar ali mesmo.

- Poderia ao menos se solidarizar com minha indignação, e não se sentir vitorioso sabia? - Desistiu de ir se sentando outra vez mais perto de mim - eu juro Thomas, que se o seu Óscar vier de um filme assim eu não... - não gostava de fazê-la parar de falar, na verdade passaria a noite ouvindo ela discursar contra mim, mas dessa vez queria tanto interromper. As palavras dela sumiam, só via seu jeito ansioso de gesticular, sua boca se mexer sem parar falando e falando, a irritação partindo dela e se mostrando não ser nada pelo jeito que me olhava. Eu tinha que zelar minimamente pelo meu pobre coração que poderia ser facilmente dilacerado por ela, mas quem eu queria enganar? Já estava a muito tempo perdido entre as possibilidades, fantasiando um futuro que a faria rir de mim, imaginando um mundo onde eu mostraria a ela que ela é a mulher mais merecedora de um belo romance a moda antiga que eu conhecia. Era um perigo estar tão entregue, mas queria mesmo acreditar poderia fazer dar certo entre nós dois.

- Eu vou beijar você... - avisei como se fosse mesmo necessário e avancei em sua boca a calando de vez.

Segurei seus antebraços a puxando para cima de mim, e ela deixou que seu corpo pesasse sobre o meu. Minhas mãos que antes foram cautelosas em segurá-la dessa vez correram por seu corpo, e a excitação que me tomou, apenas por poder tocá-lo como desejava pela primeira vez foi assustadora. Eu amava aquelas curvas, a pele quente e arrepiada, a forma como seu corpo cedia ao meu, formando o encaixe perfeito. Amava como nossas bocas agiam juntas afobadas e tão precisas, denunciando tanto a tensão acumulada entre nós por todo aquele tempo. Amava seus dedos por meu rosto e meus cabelos, e suas caricias delicadas. Amava como parecia que nossos olhos sabiam a hora exata de se abrirem para nos encararmos, e então tomávamos algum fôlego e retomávamos tudo. Amava como a cada vez que ousava invadir sua camisola em toques mais quentes seus lábios se abriam levemente, e deixavam escapar um pequeno gemido. Eu estava em combustão, não dava para esconder isso, e nem queria, mas sabia que o que desejava fazer com ela não caberia naquele espaço de tempo coberto de sono, e ela com certeza sabia também.

- Sou oficialmente o cara que te fez ler o livro mais clichê do mundo então, não é? - Perguntei ofegante segurando seu rosto entre minhas mãos.

- Numa madrugada de domingo após uma semana insana, e uma noite absurdamente cansativa... - sussurrou me encarando com mais coragem do que nunca havia visto em seu rosto - mas não vai ficar se achando por isso Thomas.

Ela jogou o corpo para o outro lado saindo de cima de mim, se acomodando na cama, aparentemente decretando que dormiria comigo. Me virei me aproximando outra vez e ficamos nos encarando em silêncio frente a frente. Passei meu polegar por seus lábios, me perguntando se realmente era capaz de esperar por mais um segundo sequer por aquilo.

- Prometo tentar...

(...)

Candice

Não achava que havia dormido o suficiente quando despertei. Mas era um desses dias em que descansar se torna extremamente dispensável. Estava ansiosa. Um frio na barriga sem igual me tomou no momento em que me lembrei de onde estava e de todos os acontecimentos do dia anterior. Queria abrir os olhos e vê-lo logo, saber qual seria a primeira coisa a me dizer depois de tanta mudança entre nós, saber qual seria a primeira coisa que faríamos. Porém para minha infelicidade ele não estava ali. Tudo que eu tinha era seu perfume inconfundível por toda parte, a cama vazia, e o silêncio do quarto.

Olhei o relógio ao lado da cama e confirmei minhas suspeitas, eram dez e cinco da manhã, havia dormido pouco mais que seis horas. Me livrei dos cobertores, e peguei meu celular no criado mudo. Caity já havia me mandado mil mensagens, as quais com certeza era melhor não citar o conteúdo. Decidi ligar logo pra ela e explicar que nada do que esperava aconteceu, ou era possível que aparecesse na porta de Grant a qualquer momento em busca de respostas.

- Bom dia Lotz! - Falei quando atendeu. Grant não estava no quarto, mas poderia estar por perto então tentava não falar alto demais.

- Bom dia nada! - Me repreendeu de primeira - como foi? Foi demais? Está exausta? Por isso sumiu não é? - Riu maldosa.

- Exausta de quê? - Rolei para o outro lado da cama onde ele dormiu agarrando seu travesseiro e aspirando um pouco mais do seu perfume. Não era possível estar com tanta saudade de alguém que dormiu do meu lado e estava apenas a alguns metros de mim.

- Transar a noite toda? - Não entendi se foi ou não uma pergunta.

- Não transei a noite toda...

- Ah ele não deu conta? - Pareceu decepcionada - deve ser nervosismo, não precisa ficar...

- Não aconteceu nada - contei logo - só dormimos juntos, da forma literal.

- Eu sabia! Sabia que ia peder a chance! - Se revoltou do outro lado - qual o seu problema em?! 

- Caity, não precisa surtar - tentei me defender do falatório - estamos nos aproximando de outro jeito. Trocamos alguns beijos, eu dormi na cama dele. É um grande passo.

- Vestida? Acho que não - debochou - o que houve afinal?

- Bem, não segui seus conselhos - murmurou algo que preferi ignorar - tivemos uma conversa estranha, e eu acho que quase coloquei tudo a perder.

- Claro que colocou...

- Mas depois tudo foi tomando outro rumo, e... - suspirei só de pensar - meu Deus Caity, eu gosto muito dele, bem mais do que eu pensava, eu acho até que... - parei de falar.

- Candice?

- Eu não vou dizer!

- Ainda não - enfatizou rindo.

- Ele é demais entende? Um desses caras que a gente acha que nunca vai conhecer. Mas daí você conhece, e pra mulheres como eu isso é preocupante.

- Por quê?

- Conhece meu histórico, eu não sou a maior fã de relações sérias. E se eu machucar ele? E se eu estragar tudo?

- E se você não machucar ele? E se você não estragar tudo? - Me fez rir, ela era péssima argumentando - eu vivo te dizendo pra tirar esses pés do chão ao menos uma vez.

- Vive me dizendo que lilás é minha cor também - murmurei.

- Você fica fofa! - Riu - Kristinna, é sério, eu juro que vai ficar trancada do lado de fora do apartamento se voltar sem terminar isso - eu não duvidava - mas agora preciso ir, Dylan vem me buscar.

- Gosto do Dylan...

- É eu também, por isso não vou perder tempo como você - tinha certeza que não iria mesmo - aquela casa vai ficar pequena pra nós hoje, eu juro que...

- Caity Marie Lotz, estou implorando pra que pare agora mesmo! - Interrompi. Ela riu frustrada. Sabia que teria detalhes daquilo, mas era melhor adiar enquanto pudesse.

- Tudo bem, eu te amo!

- Eu também amo você, tchau!

Deixei a cama no momento seguinte decidindo ir atrás de Grant já que não apareceu, mas fui pega, antes mesmo de cruzar a porta, por uma preocupação boba de parecer apresentável então corri para o espelho mais próximo conferindo se estava bonita e aparentemente despreocupada o suficiente. Já fazia algum tempo desde que acordei com alguém, e se tratando dele que nem sequer me esperou despertar era um pouco mais preocupante. Andei em seguida até a cozinha de onde vinham os sinais de vida no apartamento, e o encontrei em meio a uma bagunça preparando ovos mechidos, ou tentando.

- O cheiro está ótimo! - Me revelei ali, ele se virou surpreso.

- Não era para estar acordada...

- Não? - Peguei uma uva na mesa e coloquei na boca.

- Não, ainda estou fazendo café da manhã - parecia tenso, como se não soubesse exatamente como se comportar perto de mim - não gosto de platéia quando estou cozinhando porquê... - nem deixei que terminasse e me sentei na bancada ao seu lado - vai ficar ai assistindo não é?

- Cada segundo - assenti e ele deu de ombros sem esperanças - aliás bom dia!

- Bom dia! - Deixou de lado a frigideira e veio me beijar a testa. Segurei seu rosto o encarando. Não queria beijá-lo, queria um minuto pra ver seu rosto com calma antes de qualquer coisa.

- Adorei nosso começo de viagem... - quebrou o silêncio sem jeito. Suas mãos pousaram em minhas coxas acariciando a pele exposta - e também foi bom, muito bom dormir com você, mas tem algo que preciso te dizer...

- E o que é? - Desci as mãos por seus ombros.

- Você mentiu... - se aproximou o suficiente para sussurrar em meu ouvido como se fosse contar algo secreto - dorme de boca aberta sim!

- Idiota! - O empurrei incrédula - não manda embora o clima! - Ele gargalhou voltando para perto e me apertando num abraço.

- Não é essa a intenção... - sua risada em meus ouvidos junto aquela respiração quente era meu fim, ele parecia saber então deixou um beijo em meu pescoço que terminou de me arrepiar. Continuou beijando até estar decendo por meu colo. Voltei a segurar seu rosto e mordi seu lábio com força.

- Qual é a intenção? - Perguntei baixinho. Ele sorriu pretencioso, e quando ia me beijar por algum motivo fora da minha compreensão e até da dele colocou a mão de volta no fogão, gritando alto pela queimadura instantânea ao encostar na frigideira - Grant, ai meu Deus!

- Merda! - Se sacudia desesperadamente sem saber o que fazer, eu era a pior pessoa do mundo por isso, mas queria muito rir.

- Você está bem? Me deixa ver isso... - peguei sua mão. Não era grande coisa. O puxei até a pia e liguei a torneira pra que a água corrente trouxesse algum alívio.

- Como isso pode doer tanto? - Se contorcia feito uma criança - meu Deus! Eu preciso de um médico!

- Não exagera Thomas...

- É, sério, acho que foi de segundo grau! Isso dói tanto! Meu Deus, isso é insuportável!

- Já sei o que fazer quando precisarmos de mais drama na série, é só te causar uma queimadura - desliguei a água e alcancei algumas toalhas de papel para secar sua mão.

- Você quer rir de mim - acusou chocado.

- Eu não quero, seria cruel... - fingi analisar o machucado evitando olhar seu rosto.

- Você quer sim! - Insistiu. Perdi todo controle que achava ter e gargalhei de sua cara arrasada por uma simples queimadura - para de rir não tem graça! - Me repreendeu - parece que vou perder a minha mão... - pensei ter rido o suficiente, mas voltei a olhá-lo e lá estava de volta gargalhando sem saber exatamente o que era tão engraçado naquela situação embaraçosa, ele me acompanhou dessa vez levemente constrangido - isso sim leva o clima embora...

- Eu sei desculpa! - Respirei fundo - sabe que tenho crises nos piores momentos.

- Eu sei... - me olhou fixamente por um segundo. Parecia sempre estar notando algo em mim que só ele era capaz de ver. Isso gelava a minha barriga - vem logo tomar café da manhã antes que algo pior aconteça - fomos para mesa.

- Eu duvido que alguma coisa possa ser pior que isso...

(...)

Grant

- Estou pronta! - Candice avisou depois de minutos presa no quarto. Eu não entendia o que fazia alguém demorar a se arrumar para ir a praia, mas decidi esperar calado - será que deveríamos mesmo ir? Está bem nublado lá fora - andou até a varanda observando o céu - e frio para praia na verdade.

Eu não poderia definir meu ódio por Los Angeles. Tantos dias para me decepcionar, e escolheu logo aquele. O vexame com o café da manhã havia bastado como frustração pra mim. Precisa fazer o resto dos planos para nosso dia correrem bem, afinal, só tínhamos ele. Cada mínima hora estava estrategicamente pensada e repensada por mim, e era exatamente por isso que estava entrando em pânico pela possibilidade de chuva.

- Não vem com esse papo Kristinna, o sol se esconde por dois minutos e quer desistir? - Abracei seus ombros nos encaminhando ao lado de fora - vai ser um dia ensolarado, eu prometo. É o tempo de chegarmos a praia e isso passa - não sabia se era saudável estar em estado de negação esperando que o universo colaborasse comigo e fizesse o sol aparecer.

- Não sei não, tenho a sensação que... - interrompi.

- Nem venha com o pessimismo - as portas do elevador abriram, deixei que fosse na frente - confia em mim!

- A última vez que disse isso quase morri num avião...

- Essa não é a história verdadeira! - Me defendi incrédulo por ainda estar remoendo isso.

- Mas é a que eu vou contar pra todo mundo!

(...)

- Definitivamente não vamos descer desse carro! - Candice falou assim que chegamos na praia. A chuva ainda não havia começado, mas os raios que caiam lá fora eram asustadores. Não dava pra entender como o tempo mudou tão rápido.

- Não é pra tanto... - um trovão explodiu do lado de fora nos dando um susto - okay, já entendi Los Angeles, você não vai com minha cara! - Gritei.

- O que foi isso? - Ela riu complementamente confusa.

- Só não é justo... - soltei o ar dos pulmões impaciente - não trouxe você aqui pra isso!

- Grant, está tudo bem...

- Não, não está tudo bem - balancei negativamente a cabeça olhando do lado de fora os pingos da chuva começarem a cair - eu queria te dar o fim de semana perfeito, te fazer descansar um pouco daquela loucura. Queria que tomasse sol, banho de mar, e sorvete. Queria saber qual seu melhor biquini - ela riu, não fui capaz de acompanhar estava realmente indignado - eu te trouxe aqui porquê Vancouver não é boa o suficiente pra você. Você merece sol, caminhadas na areia, aquelas batatas fritas incríveis. E essa viagem é minha maior aposta com você, porquê eu te quero tanto, a tanto tempo, e eu nunca tive coragem de tentar até agora, a possibilidade de voltar a Vancouver sem ter feito isso valer a pena é...

- Grant? - Me interrompeu, olhei pra ela - gosto de você em níveis preocupantes - continuei a encará-la sem saber o que dizer, acho que entrei em choque - e pouco me importa praia, não vim por Los Angeles, vim por você - levou uma das mãos a meu rosto me encarando de perto - me leva de volta pro seu apartamento... - entendi o que queria dizer com aquilo, na verdade seu olhar entregou. Um arrepio percorreu minha espinha - agora!

Candice

Grant ligou o carro no mesmo instante pegando o caminho de volta para casa. Não havíamos escolhido uma praia muito longe, mas de repente esperar aqueles poucos minutos se tornou demais pra mim. Queria apenas estar o mais rápido possível em seus braços, terminar o que começamos, fazer valer toda aquela espera. Eu sabia que se sentia da mesma forma, empolgado, nervoso, e um pouco perdido em meio a mudanças tão rápidas entre nós. Mas felizmente não havia nada a ser dito, nenhuma questão suficientemente importante para ser trazida agora. Tudo que importava era a maneira como me olhava, como acelerava meu coração, como sorria e me desarmava totalmente, como vinha me fazendo sentir em menos de vinte quatro horas sentimentos que não experimentava a anos.

Ele era a mais literal definição de problema. Nenhuma outra garota concordaria comigo provavelmente, mas eu duvidava que alguma outra garota entenderia como era preocupante estar tão fissurada por alguém. Sabia que era complicado, e que duas pessoas diferentes como nós já começam uma relação vendo a linha de chegada, mas ele me fazia querer tanto me arriscar, como ninguém mais era capaz.

Estávamos entrando de volta em seu prédio quando a chuva já havia se tornado uma tempestade. Ele desligou o carro e fomos a caminho do elevador ainda mais nervosos que antes.

- Isso vai precisar ser estranho? - Perguntou risonho quando as portas se abriram.

- De jeito nenhum - aquilo era um pouco estranho de algum jeito sim, não dava para negar a pequena parte em mim gritando "o que você está fazendo? Ele é o seu melhor amigo!". Mas ela foi felizmente calada assim que as portas se fecharam, e tudo que pude ter foi um vislumbre do momento em que ele me agarrou e me chocou contra a parede. Estremeci em suas mãos. Ele não me beijou num primeiro instante, apenas olhou fundo em meus olhos segurando meus cabelos na nuca e pressionando meu corpo ali. Tinha um sorriso digno de cafajeste em seu rosto que fazia minhas pernas bambearem. Aquela parte dele eu definitivamente não conhecia, mas estava feliz por estar descobrindo. Passei a lingua pelos lábios olhando para os dele ansiosa, acabando com aquela agonia e o espaço entre eles. Seu beijo soou quase como uma caricia, lentamente invadindo minha boca, tão certo do que fazia, me fitando com tanto desejo. Ele fechou os olhos comigo, e tonou tudo mais intenso apertando o botão para subir, nos tirando do lugar, e segurando a minha perna ao mesmo tempo na altura de sua cintura fazendo com que meu vestido se levantasse um pouco. Senti seu membro se enrrigecer contra minha intimidade a medida que me pressionava ali. Não achava aceitável ficar tão excitada em tão pouco tempo. Estava queimando por dentro, invadindo sua camisa com mãos até que as portas se abriram do nada. Olhamos para o lado levando um susto. Não era seu andar, haviam pessoas ali. Um casal para ser mais exata. Não conseguimos nos mover, nem eles.

- A gente pega o próximo - o homem lotado de sacolas de compras falou completamente perturbado. Eu gargalharia se pudesse.

- Obrigada - Thomas falou e acho que nem deu o tempo das portas se fecharem para me beijar outra vez. Alguém teria problemas na próxima reunião de condominio. Rimos entre os beijos até chegar em seu andar, o que não demorou nada. Nos apressamos em chegar em sua porta sem nos afastar um do outro, mas quando a chave dele decidiu sumir foi inevitável - só não me diz que eu as deixei no carro... - ele procurava desesperadamente por elas pelos bolsos - aqui! - Comemorou abrindo e pegando de volta minha cintura nos jogando para dentro.

Pulei em seu colo empurrando a porta. Seus braços foram ágeis em me segurar, mas ainda assim acabou se desequilibrando e nos fazendo cair no sofá. Acabei em cima dele. Rimos ainda mais, mas o constragimento não foi o suficiente para nos fazer desacelerar. 

Grant puxou sua camisa e terminei de tirá-la, supostamente deveria ser simples fazer o mesmo com meu vestido em seguida, mas no enrrolamos completamente com a peça que grudou na minha cabeça sabe-se lá como. Aparentemente tudo conspirava contra nossa pressa.

- Calma... - gargalhou tentando me tirar dali - nos sonhos essas coisas não aconteciam...

- Sonhando comigo Thomas? - Perguntei maliciosa finalmente livre do vestido. O arremesei longe de nós. Tive quase certeza de que acertei algo, mas não me virei para saber o que era.

- A tanto tempo... - encarou meu rosto em sua frente, antes de baixar o olhar por meu corpo, acompanhando com as mãos por onde seus olhos passavam parecendo fascinado - quase inaceitável que eu esteja tão nervoso - me fez sorrir mais uma vez. Nenhum dos caras com quem estive em toda minha vida teriam a coragem dele de assumir nervosismo para uma garota assim, prestes a transar com ela.

- Não se preocupe... - beijei todo seu rosto descendo em direção ao pescoço. As mãos dele subiram por minhas pernas e apertaram com vontade a minha bunda - a realidade tende a ser bem melhor.

Me segurou nos tirando do sofá e me levou em seu colo em direção ao quarto, beijando e mordendo do meu pescoço aos seios por todo o caminho até entramos pelo cômodo levemente escurecido agora. Dava para ver lá fora a chuva cada vez mais forte, trazendo aquele cheiro e barulho acolhedores, esfriando o ambiente, mas não a nós dois.

Ele me deixou na cama e deu alguns passos para trás tirando o resto da roupa, sem tirar os olhos de mim. Me arrastei até o meio da cama, me deitando em meio aos travesseiros e desfazendo o laço do biquini que tirei o observando. Quando terminou veio até mim, apoiando o peso de seu corpo em um braço e puxando com a outra mão o laço da calcinha.

Minha respiração pesou somente por sentí-lo tão perto, ele pareceu notar e se divertir com isso, pela primeira vez me senti intimidada. Tentei beijá-lo e dissipar parte da tensão, mas mordeu minha boca e se afastou descendo por meu pescoço passando a lingua devagar por minha pele. Sentia a agonia percorrer o mesmo caminho que sua boca fazia. Ele parou em meios seios, sugando e apertando cada um deles, me fazendo arfar num esforço absurdo de me controlar. Um sorriso presunçoso se estabeleceu em seu rosto a medida que continuava a descer e notar o efeito que estava causando em mim. Juro que tentei não fazer dele vitorioso demais, mas ao sentir sua boca em minha intimidade me desfiz sobre aquela cama. Levei as mãos a boca tentando abafar meus gemidos, mas aquilo não era uma possibilidade para ele, então segurou ambas ao lado do meu corpo, entrelaçando seus dedos aos meus, continuando a investir. Fechei meus olhos me contorcendo contra seu rosto, cravando forte minhas unhas nas mãos dele, gemendo como ele desejava. Ele se empenhou naquilo cada vez mais até que me contraisse por inteira numa onda mais forte de prazer. Mordi os labios olhando seu rosto, ele foi ainda mais certeiro, me fazendo atingir o ápice, e tomando certa distância somente para me assistir gemer estremendo pelo prazer que me trouxe.

Fechei os olhos enquanto passava e meu corpo se acalmava. Esse foi o tempo em que se livrou da última peça em seu corpo e colocou o preservativo. Me aproximei assim que terminou, beijando seus ombros, acariciando seus braços, seu abodomen, suas costas, notando sua pele arder cada vez mais em minhas mãos. O puxei para o meio da cama, e subi seu colo. Ele segurou meu rosto entre as mãos, olhando pra mim somente pelo gosto de me admirar. Essa magia ao redor da mistura de sexo e sentimentos pra mim nunca soava muito real. Mas a eletricidade que pareceu partir do corpo dele para o meu numa simples troca de olhar era difícil até de explicar.

Grant

- Você é perfeita... - sussurrei. Não sabia se ela entendia o quanto estava sendo sincero nisso. Achava que não - completamente perfeita...

Beijei sua boca outra vez. Apertando com vontade aquele corpo lindo, apreciando cada segundo em que minhas mãos passeavam por ali e faziam dela tão minha. Ela começou rebolar devagar em minha ereção, segurou meus ombros olhando pra mim se deliciando com o meu desespero, até levar uma mão ao meu membro e começar a masturbá-lo, tão lentamente quanto.

Achava que já estava prester a tomar o comando de novo quando finalmente me posicionou em sua entrada, e gemeu baixinho em meu ouvido se encaixando ali. Segurei firme sua cintura, e ela começou a se mover cada vez mais rápido. Em pouco tempo fazíamos mais barulho que a chuva, e não existia nenhum pudor de nossa parte em ralação a isso.

Sentia que podia perder a cabeça a qualquer momento com aquela cena. Seu quadril indo e vindo nas minhas mãos, a boca entreaberta gemendo a medida que me sentia dentro dela. Os cabelos recaindo por seus ombros nus, as unhas cravadas em meus braços, buscando mais proximidade, se é que aquilo era fisicamente possível. Estava hipnotizado, mais louco que nunca por ela. Minha boca queria tocá-la por inteira, ia do pescoço para os ombros, e de lá para os seios, e depois novamente para seus lábios. Seu gosto era doce, sua boca quente, o cheiro entorpecedor. Parecia que havia me esquecido de respirar, seu ritmo frenético em cima de mim me tirava as forças, levava meu controle de uma forma inédita.

Estávamos perto quando tomei o controle e nos virei na cama. O silêncio se instalou por um segundo enquanto fitei seus olhos, sentindo a tensão se estabelecer e os esparmos em nossos corpos exigirem uma continuação. Apoiei minhas mãos nas laterais de seu corpo, e a beijei começando a estocar forte. Saindo quase completamente de dentro dela e indo ainda mais fundo quando voltava. Seus gemidos se tornaram gritos de prazer, me motivando ainda mais, fui mais rápido, e assisti mais uma vez o orgasmo alcançá-la de forma ainda mais intensa, gozando também.

Caí em cima dela, sendo envolto por seus braços enquanto nos recuperávamos. Sua respiração de exaustão em meu ouvido era a melhor som para se ouvir. Eu sabia que mal havíamos terminado, mas queria recomeçar o mais breve possível. Ao final das contas a chuva, que já diminuia lá fora, não havia sido tão cruel assim, estava onde queria estar.


Notas Finais


O próximo infelizmente é o último 💔 até lá ❤


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