História Climbing The Walls - Jikook - Capítulo 10


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys (BTS), Boyxboy, Chanbaek, Exo, Got7, Jhope, Jikook, Jimin, Jin, Junghoseok, Jungkook, Markson, Minyoongi, Namjin, Namjoon, Seokjin, Suga, Yoonseok
Visualizações 111
Palavras 9.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 10 - Capítulo 10


Fanfic / Fanfiction Climbing The Walls - Jikook - Capítulo 10 - Capítulo 10

Estava sentado em meu escritório, olhando fixamente pela janela. Diante de mim, uma lista de coisas para fazer – e não era pequena. Precisava passar na casa dos Nicholson. A reforma estava quase completa; o banheiro e o quarto tinham sido concluídos, e restavam apenas alguns detalhes. Precisava pegar novas amostras no centro de design. Tinha uma reunião com um novo cliente a quem Baekhyun me indicara. E, mais importante, tinha que encarar uma pasta cheia de faturas. Enquanto olhava pela janela, Jungkook monopolizava minha mente. E com razão. Com a explosão dos canos, as batidas com a cabeça na parede e as constantes mensagens me pedindo mais pão de abobrinha, meu cérebro simplesmente não conseguia se livrar dele. E, para completar, ontem à noite, Jungkook lançou mão de artilharia pesada: colocou Bruno mars para tocar. Até bateu na parede para ter certeza de que eu estava escutando. Naquela noite, tinha ido direto do trabalho para a ioga; estava subindo a escada rumo ao meu apartamento, quando ouvi uma porta se abrir.

– Jimin? – ele chamou. Sorri e continuei subindo.

– Sim, Jungkook?

– Você está chegando tarde.

– O quê? Deu pra vigiar minha porta agora? – Eu ri e contornei o último patamar. Dei de cara com ele encostado no corrimão, cabelo no rosto.

– Isso mesmo. Estou aqui pelo pão. Quero abobrinha, homem!

– Você é doido. Sabe disso, não sabe? – Subi o último degrau e parei à sua frente.

– Já me disseram. Hum, você está cheiroso! – ele falou, inclinando-se.

– Você acabou de me farejar? – perguntei, incrédulo, enquanto abria a porta.

– Uhum-mmm, muito bom. Está vindo da ginástica? – Ele entrou atrás de mim e fechou a porta.

– Ioga, por quê?

– Você tem um cheiro maravilhoso quando está toda malhadinho – falou, erguendo sobrancelhas diabólicas em minha direção.

– Sério que você pega homem com cantadas desse nível? – Me afastei para tirar o casaco e apertar uma coxa contra a outra maniacamente.

– Não é uma cantada. Você tem um cheiro maravilhoso mesmo – ouvi-o dizer e fechei os olhos para bloquear a magia de Jungkook, que fazia o Pequeno Jimin se contorcer.

BamBam veio saltitando do quarto quando ouviu minha voz e parou de repente ao ver Jungkook. Infelizmente, o assoalho de madeira não oferecia muita tração, e ele patinou um tanto desgraciosamente sob a mesa de jantar. Tentando recuperar a dignidade, executou um complicado salto sobre quatro patas em direção à estante de livros e acenou para mim. Queria que eu fosse até ele – típico. Joguei a sacola de ginástica no chão e obedeci.

– Oi, meu garotão! Como foi seu dia? Hein? Brincou bastante? Tirou uma soneca? Hein? – Cocei a parte de trás da sua orelha. Ele ronronou alto e me fitou com seus olhos sonhadores de gato. Então, mirou Jungkook e, juro, deu um sorrisinho afetado.

– Pão de abobrinha, né? Presumo que você queira mais? – perguntei, jogando meu casaco no encosto de uma cadeira.

– Eu sei que você tem mais. Passa tudo! – ele brincou, apontando o dedo como uma arma.

– Você é meio excêntrico quando se trata de pão, né? Está frequentando algum grupo de apoio pra pessoas assim? – falei e entrei na cozinha para localizar o último pedaço de pão. Talvez eu estivesse guardando para ele.

– Sim, o P. A., Padeiros Anônimos. Nós nos reunimos na padaria da rua Pine – Jungkook respondeu, sentando na banqueta do balcão.

– Bom grupo?

– Muito bom. Existe um melhor no mercado, mas não posso mais frequentá-lo – ele disse tristemente enquanto balançava a cabeça.

– Foi expulso? – perguntei, me virando em sua direção.

– Pior que sim. – Fez um sinal com o dedo para que me aproximasse e sussurrou:

– Me pegaram acariciando umas roscas.

Dei risada e um peteleco em seu queixo.

– Acariciando roscas – suspirei enquanto ele afastava minha mão.

– Apenas passe o pão, e ninguém sairá ferido.

Ergui as mãos em rendição e peguei uma taça no armário sobre sua cabeça. Arqueei uma sobrancelha; ele fez que sim. Entreguei-lhe uma garrafa de Merlot e o saca-rolha e peguei um cacho de uvas na geladeira. Ele serviu o vinho, brindamos, e, sem mais uma palavra, comecei a fazer o jantar para nós. O resto da noite transcorreu naturalmente, sem que eu me desse conta de nada. Uma hora, estávamos conversando sobre as novas taças que eu havia com-prado na Williams Sonoma e, meia hora depois, comendo massa na mesa de jantar. Eu, com minha roupa de malhação, e Jungkook, de jeans, camiseta e meia, sem tênis. Ele tinha tirado seu moletom de Stanford para escorrer o macarrão, algo que nem precisei pedir que fizesse. Simplesmente ficou andando atrás de mim na cozinha, escorreu o macarrão e o devolveu à panela enquanto eu terminava o molho. Falamos sobre a cidade, seu trabalho, meu trabalho, a viagem para Tahoe e sentamos no sofá com o café. Me recostei nas almofadas, com as pernas dobradas sob mim. Jungkook me contava sobre uma viagem que fizera ao Vietnã, cinco anos atrás.

– É diferente de tudo que você já viu: as aldeias nas montanhas, as praias, a comida. Ah, Jimin, a comida! – Jungkook suspirou e jogou os braços ao longo do encosto do sofá. Sorri e tentei ignorar as borboletas em meu estômago quando ele pronunciou o meu nome daquela maneira, com um “ah” na frente… Ai, ai.

– Parece maravilhoso, mas eu odeio comida vietnamita. Não suporto. Posso levar manteiga de amendoim?

– Conheço um cara, ele faz o melhor macarrão que existe. Fica numa casa flutuante, no meio da baía. Uma mordida, e você vai jogar sua manteiga de amendoim longe.

– Como eu queria poder viajar como você. Você não cansa?

– Hum, sim e não. É sempre ótimo voltar pra casa. Amo San Francisco. Mas, se fico em casa por tempo demais, sinto uma coceira pra voltar à estrada. E nada de comentários sobre a coceira. Estou começando a entender como a sua mente funciona, Garoto do pijama. – Ele deu um tapinha carinhoso em meu braço.

Tentei simular indignação, mas a verdade é que eu ia fazer uma piada sobre a coceira. Ele continuou com a mão em meu braço, distraidamente desenhando círculos com a ponta dos dedos. Minha cabeça foi a mil. Fazia tanto tempo assim que eu não deixava um homem desenhar aqueles círculos em mim? Ou a questão era que esse homem estava fazendo aquilo? Ai, meu Deus, seus dedos. O que quer que fosse, estava mexendo comigo. Se fechasse os olhos, praticamente podia imaginar “O” acenando para mim – ainda distante, mas não tão distante como antes.

Olhei de relance para Jungkook e percebi que ele observava as próprias mãos, como se estivesse curioso sobre seus dedos em minha pele. Respirei fundo, o que atraiu seus olhos para os meus. Nos olhamos. O Pequeno Jimin reagia, é claro, e agora Coração também passara a bater um tanto descontroladamente.

Aí, BamBam pulou no encosto do sofá, colocou a bunda na cara de Jungkook e acabou com tudo. Eu e Jungkook caímos na risada, e ele se afastou de mim enquanto eu explicava a BamBam que não era nada bonito fazer aquilo com visitas. BamBam parecia estranhamente satisfeito consigo mesmo; eu soube que ele estava tramando alguma coisa.

– Puxa, são quase dez! Tomei sua noite inteira! Espero que você não tivesse planos – disse Jungkook, ficando em pé e se alongando. Quando ele se esticou, sua camiseta subiu um pouco, e eu precisei morder a língua para não lamber o pedaço de pele que apareceu acima de seu jeans.

– Bem, eu tinha planejado uma excitante noite em frente ao Food Channel. Por isso, vai se ferrar, Jungkook! – Brandi o punho diante de seu rosto depois de me levantar.

– E você até cozinhou pra mim, que estava ótima, por sinal – ele falou, procurando seu moletom.

– Não foi nada. Foi legal cozinhar pra alguém além de mim. É o que faço pra qualquer cara que aparece exigindo pão. – Finalmente lhe entreguei o pedaço de pão que tinha deixado separado. Ele abriu um sorriso enquanto pegava sua blusa no chão.

– Bem, da próxima vez, eu que vou cozinhar pra você. Farei um fantástico… Hum, que estranho – ele se interrompeu e fez uma careta.

– O quê? – perguntei, vendo-o desdobrar o moletom.

– Parece que está úmido. Na verdade, está mais do que úmido, está… molhado? – ele disse, confuso. Meu olhar passou do moletom para BamBam, que se achava inocentemente sentado no encosto do sofá.

– Oh, não… – murmurei, o sangue se esvaindo do meu rosto.

– BamBam, seu bostinha!

Ele pulou do sofá e passou correndo por entre minhas pernas, em direção ao banheiro. Tinha descoberto que eu não conseguia alcançá-lo atrás do armário e era para lá que ia quando fazia algo feio, muito feio. BamBam não se escondia ali havia um bom tempo.

– Jungkook, por favor, deixe o moletom aqui. Vou lavar, secar, limpar, tudo. Desculpa, desculpa! – falei, horrivelmente constrangida.

– Oh, ele fez…? Putz, ele fez, não fez? – Seu rosto se contraiu enquanto eu tirava a blusa de suas mãos.

– Sim, ele fez. Sinto muito, Jungkook. Ele tem essa coisa de marcar território. Quando um cara deixa a roupa no chão… ai, Deus… ele eventualmente faz xixi em cima. Me desc…

– Jimin, tudo bem. Quer dizer, é nojento, mas tudo bem. Já passei por coisa pior. Está tudo bem, juro. – Ele ameaçou colocar a mão em meu ombro, mas reconsiderou, provavelmente tendo se lembrado da última coisa que havia tocado.

– Desculpa… – recomecei enquanto ele se dirigia à porta.

– Para com isso. Se você pedir desculpa mais uma vez, vou fazer xixi em alguma roupa sua. Estou falando sério.

– Ok, isso é nojento. – Gargalhei.

– Mas nossa noite foi tão legal e acabou em xixi de gato! – choraminguei, abrindo a porta para ele.

– Foi uma noite legal, mesmo com o mijo. E haverá outras. Não se preocupe, Garoto do pijama. – Ele piscou para mim e atravessou o corredor.

– Toque algo bom para mim esta noite, tá? – pedi, observando-o abrir sua porta.

– Conte com isso. Durma bem – ele disse, e fechamos as portas ao mesmo tempo. Encostei na porta fechada, abraçando o moletom. Tenho certeza de que tinha o sorriso mais bobo do mundo no rosto ao lembrar o toque de seus dedos. Então, lembrei que estava abraçando um moletom cheio de mijo.

– BamBam, seu idiota! – berrei e corri para o quarto. Dedos, mãos, pele quente pressionada contra a minha num esforço para chegar mais perto. Senti seu hálito tépido, sua voz como sexo úmido em meu ouvido:

– Hum, Jimin, você é tão gostoso… Gemi e rolei, trançando braço com braço e perna com perna, enfiando minha língua na sua boca sedenta. Chupei seu lábio inferior, sugando menta e calor e a promessa do que viria, e ele entrou em mim pela primeira vez. Gemi, ele suspirou; num piscar de olhos, eu estava preso sob seu corpo. Seus lábios deslizaram da minha boca para o meu pescoço, lambendo e chupando e encontrando o ponto certo – aquele ponto debaixo do queixo que me fazia explodir por dentro e meus olhos revirarem. Uma risada devassa contra minha clavícula, e eu sabia que era todo seu. Rolei para cima dele e senti o seu peso ceder, mas agora as minhas pernas prendiam cada lado do seu corpo, que se contraía e pulsava, no exato lugar em que eu queria que estivesse. Ele afastou o cabelo do meu rosto e me fitou com aqueles olhos – olhos capazes de me fazer esquecer meu próprio nome e gritar o seu:

– Jungkook! – exclamei, sentindo as suas mãos agarrarem meus quadris e me puxarem. Sentei na cama, o coração disparado, as últimas imagens do sonho se dissipando em minha mente. Pensei ter escutado uma risadinha do outro lado da parede, junto com um música maluma.

Deitei de novo e tentei encontrar um ponto fresco no travesseiro; minha pele ardia. Minha cabeça foi tomada pelo que havia do outro lado da parede, a poucos centímetros de distância. Eu estava ferrado.

●●●

No fim daquele manhã, em meu escritório, eu me preparava para uma reunião com um novo cliente – um cliente que solicitara especificamente a mim. Ainda um designer em início de carreira, muito do meu trabalho vinha de indicações, e, quem quer que houvesse me indicado desta vez, eu estava lhe devendo. Redesign de todos os ambientes de um apartamento de alto padrão – praticamente do zero, um projeto dos sonhos. Ao me preparar para um novo cliente, eu sempre separava fotos de projetos antigos e deixava o caderno de esboços à mão; hoje, fiz isso com especial cuidado. Se deixasse minha mente vagar por um segundo, Cérebro regressaria imediatamente ao sonho da noite anterior. Eu corava cada vez que pensava no que deixara o Jungkook do Sonho fazer comigo e no que o Jimin do Sonho fizera com ele… O Jungkook do Sonho e o Jimin do Sonho eram crianças bem sapecas.

– Hum-hum – alguém pigarreou atrás de mim, e me virei. Ashley se achava parada no vão da porta.

– Jimin, o sr. Oh Sehun chegou.

– Excelente, estou indo. – Assenti com a cabeça, levantei e alisei a roupa. Minhas mãos pressionaram minhas bochechas; torci para que eles não estivessem muito vermelhas.

– E ele é uma graça! – Ashley murmurou enquanto percorria o corredor ao meu lado.

– Sério? Deve ser meu dia de sorte. – Eu ri e me dirigi à recepção para cumprimentar o cliente. Ele era uma graça mesmo. Eu sabia bem: era meu ex-namorado.

●●●

– Meu Deus! Quais são as chances? – Jillian falou durante o almoço, duas horas mais tarde.

– Bem, considerando que a minha vida inteira parece ser governada por coincidências bizarras, não vejo nada de estranho. – Rasguei um pedaço de pão e mastiguei resolutamente.

– Não, sério! As chances de uma coisa dessas acontecer são muito pequenas – ela insistiu, abastecendo-nos de San Pellegrino.

– Não tem nada de coincidência. Não há coincidência com esse cara. Ele sabia perfeitamente o que estava fazendo quando falou com você, no mês passado.

– Não! – ela disse.

– Sim. Ele me contou. Ele me viu e, quando descobriu que eu trabalhava pra você, pronto! Precisava de um designer de interiores. – Sorri ao pensar em como ele sempre dava um jeito de fazer as coisas acontecerem exatamente como queria. Bem, nem todas as coisas.

– Não se preocupe, Jimin. Vou passá-lo a outro designer, ou cuidar dele eu mesma. Você não precisa trabalhar com ele – ela falou, colocando sua mão sobre a minha.

– Ah, de jeito nenhum! Já aceitei. Vou fazer isso. – Cruzei os braços sobre o peito.

– Tem certeza?

– Tenho. Sem problemas. A gente não terminou de um jeito ruim. Na verdade, perto do que costuma acontecer, até que foi tranquilo. Ele não queria aceitar que eu estava terminando, mas foi obrigado. Não achou que eu tinha coragem, mas, olha, o rapaz se surpreendeu. – Brinquei com meu guardanapo. Namorara Sehun durante quase todo meu último ano em Berkeley. Ele já cursava a faculdade de direito, seguindo resolutamente seu caminho rumo a um futuro perfeito. Jesus, ele era bonito – atlético e elegante e bastante charmoso. Nos conhecemos na biblioteca, tomamos café algumas vezes, e a coisa evoluiu para uma relação sólida.

O sexo? Fantástico. Foi meu primeiro namorado de verdade, e eu sabia que ele queria casar comigo no futuro. Sehun tinha ideias bem específicas sobre o que desejava para sua vida, e isso certamente me incluía como marido. E ele era tudo o que eu pensava que queria em um marido. O noivado era inevitável. Então, comecei a reparar em certas coisas, pequenas a princípio, mas que aos poucos revelaram um cenário completo. Sempre jantávamos onde ele queria. Eu nunca escolhia. Certa vez, ouvi-o dizer a alguém que achava que minha fase “decorador” não duraria muito, mas que seria legal ter um marido capaz de montar uma casa bonita. O sexo ainda era ótimo, porém eu estava cada vez mais irritado e comecei a pensar em mim.

Percebi que ele já não era o que eu queria para o meu futuro, e as coisas ficaram tensas. Passamos a brigar constantemente, e, quando decidi terminar, ele tentou me convencer de que era a escolha errada. Eu sabia que não, e Sehun finalmente aceitou que era para valer – e não um “capricho”, como gostava de dizer. Não mantivemos contato, mas ele foi uma parte importante da minha vida, e eu estimava as lembranças do nosso tempo juntos. Estimava o que ele me ensinou sobre mim. Não demos certo amorosamente, mas isso não significava que não podíamos dar certo profissionalmente, não é mesmo?

– Tem certeza? Quer mesmo trabalhar com ele? – Jillian perguntou mais uma vez, e eu percebi que ela não se oporia. Refleti mais um pouco; a lembrança dele parado na recepção cruzou minha mente. Cabelo loiro-claro, olhos penetrantes, sorriso encantador: fui engolfado por uma onda de nostalgia e abri um largo sorriso quando ele veio em minha direção.

– Oi, estranho – Sehun falou e estendeu a mão.

– Sehun! – arquejei, mas me recompus rapidamente.

– Você está ótimo! – Nos abraçamos, para a surpresa de uma estupefata Ashley.

– Sim, tenho certeza – respondi a Jillian.

– Vai ser bom pra mim. Uma experiência de amadurecimento, digamos assim. Além disso, não quero abrir mão da comissão. Veremos o que acontece hoje à noite.

Ela levantou os olhos do cardápio. – Hoje à noite?

– Ah, não falei? Vamos sair para tomar algo e pôr a conversa em dia.

●●●

Diante do espelho, arrumei o cabelo. O restante do dia de trabalho tinha voado, e agora eu me encontrava em casa e me preparava para a noite. Havíamos combinado de tomar um drinque apenas, embora eu não descartasse a opção de jantar. Ainda assim, uma calça skinny, uma blusa preta de gola alta e uma jaquetinha de couro cinza era o mais chique a que eu chegaria. O tempo que passamos no escritório tinha sido agradável e quando Sehun me convidou para tomar algo e colocar a conversa em dia, aceitei imediatamente. Estava ansioso para saber o que ele andava fazendo e também para me certificar de que podíamos trabalhar juntos.

Sehun tinha sido uma parte muito importante da minha vida, e a ideia de ser capaz de trabalhar com alguém que fora tão íntimo me pareceu boa. Pareceu maduro. Ponto final na relação? Não sabia bem como definir, mas parecia ser a coisa natural a fazer.

Ele me buscaria às sete, e eu pretendia esperá-lo na rua. Estacionar ali era bem difícil. Uma espiada no relógio me mostrou que era hora de ir andando; dei um beijinho de despedida em BamBam, cujo comportamento desde o incidente do xixi era o melhor possível, e abri a porta do apartamento. E dei de cara com Jungkook.

– Ok, é oficial: você está me perseguindo! Acabou o pão de abobrinha, senhor. Espero que tenha feito valer aquele último pedaço, porque não tem mais nada pra você – adverti, empurrando-o com o indicador.

– Eu sei, eu sei. Na verdade, estou aqui em uma missão oficial. – Ele riu e lançou os braços em rendição.

– Me acompanha? – perguntei, acenando em direção à escada.

– Também vou sair. Vou alugar um filme – ele disse conforme começamos a descer.

– As pessoas ainda alugam filmes? – brinquei, contornando o patamar.

– Sim, as pessoas ainda alugam filmes. Só por isso, você vai ser obrigado a assistir ao que eu escolher – Jungkook respondeu e levantou uma sobrancelha.

– Hoje?

– Claro, por que não? Eu ia perguntar se você não queria fazer algo. Te devo uma pelo jantar e estou louco pra ver algum filme assustador… – Ele assobiou o tema de Além da imaginação. Não pude deixar de rir de suas mãos em forma de garra e dos olhos vesgos.

– Da última vez que alguém me chamou pra alugar um filme, era um código para dar uns amassos no sofá. Posso confiar em você?

– Ah, por favor! Temos a trégua, lembra? Sou completamente pró-trégua. E então?

– Eu bem que queria, mas tenho planos para hoje. Amanhã à noite? – Descemos o último lance de escada e chegamos à entrada do prédio.

– Beleza, amanhã. Aparece em casa depois do trabalho. Mas eu escolho o filme. E vou preparar o jantar. É o mínimo que posso fazer pelo meu pequeno Empatafoda. – Ele deu aquele sorrisinho, e eu, um soquinho em seu braço.

– Para de me chamar assim. Ou eu não levo a sobremesa – falei baixando a voz e batendo os cílios como uma retardado.

– Sobremesa? – Jungkook abriu a porta para mim, e eu saí para a noite.

– Aham. Comprei maçãs ontem. Estou salivando por uma torta desde o começo da semana. Que tal? – perguntei, olhando ao redor à procura de Sehun.

– Torta de maçã? Caseira? Cruzes, homem, você está querendo me matar? Hummmm… – Ele estalou os lábios e olhou para mim com voracidade.

– O senhor está com cara de quem viu algo que gostaria de comer.

– Se levar torta de maçã amanhã, é possível que eu nunca mais deixe você sair – ele disse, as bochechas rosadas e o cabelo esvoaçando ao vento frio.

– Isso seria terrível – murmurei. Uau.

– Tudo bem, vai alugar seu filme. – Empurrei a delícia de um metro e oitenta que se achava diante de mim. Lembre-se do harém!, gritei dentro da minha cabeça.

– Jimin? – disse uma voz preocupada às minhas costas, e me virei para ver Sehun caminhando em nossa direção.

– Oi, Sehun – falei, me afastando de Jungkook com uma risadinha.

– Pronto para ir? – Sehun perguntou, examinando Jungkook cuidadosamente. Jungkook se endireitou e também o examinou.

– Pronto para ir. Jungkook, este é Sehun. Sehun, este é Jungkook. – Eles apertaram as mãos, e eu reparei que ambos aplicaram uma força extra; nenhum queria ser o primeiro a soltar. Revirei os olhos. Não tenho tempo para uma queda de braços, rapazes.

– Prazer em conhecê-lo, Sehun. É Sehun, certo? Meu nome é Jungkook. Jeon Jungkook.

– Isso mesmo. Sehun. Oh Sehun.

Vi o princípio de uma risada no rosto de Jungkook.

– Sehun, é melhor irmos andando. Jungkook, falo com você depois – eu disse, encerrando o aperto de mão do século. Sehun se virou em direção ao seu carro – estacionado em fila dupla –, e Jungkook me lançou um olhar.

– Sehun? Oh Sehun? – cochichou. Foi a minha vez de sufocar uma risada.

– Prazer em conhecê-lo, Jungkook. A gente se vê por aí – Sehun se despediu e me conduziu até o carro com a mão em minhas costas. Não dei bola para isso, pois sempre andávamos assim, mas os olhos de Jungkook se arregalaram um pouco diante da cena. Hum… Sehun abriu a porta para mim e se dirigiu ao seu lado do carro. Jungkook ainda estava na entrada do prédio quando partimos. Esfreguei as mãos diante do aquecedor e sorri para Sehun, que se embrenhava no trânsito.

– E aí, pra onde a gente vai?

Nos acomodamos confortavelmente no pretensioso bar que ele escolheu. Era muito Sehun: chique e sofisticado, com uma sensualidade oculta. Os bancos de couro escarlate, finamente almofadados, nos acolheram, e demos início ao processo de nos conhecermos depois de tantos anos afastados. Enquanto esperávamos que um garçom nos atendesse, estudei seu rosto. Era o mesmo: cabelo loiro-claro cortado bem curto, olhos intensos e uma estrutura pungente que se recolhia em si mesma, como a de um gato. A idade só tinha melhorado sua aparência, e o jeans cuidadosamente rasgado e a malha de caxemira aderiam a um corpo visivelmente em forma. Sehun fora um alpinista implacável. Encarava cada rocha, cada montanha como um obstáculo a ser ultrapassado, algo a ser conquistado. Mesmo tendo crescido com algum medo de altura, acompanhei-o em algumas escaladas, já no fim de nosso relecionamento. Vê-lo escalar, ver aqueles músculos vigorosos se retesarem e conduzirem seu corpo a posições que não pareciam naturais era uma experiência arrebatadora, e, à noite, na barraca, eu pulava sobre Sehun como um homem possuído.

– O que você está pensando? – Sehun perguntou, interrompendo minhas divagações.

– Estava lembrando que você escalava bastante. Continua?

– Sim, mas já não tenho tanto tempo livre. A firma me consome. Tento fugir para uma montanha sempre que posso – ele respondeu e sorriu. A garçonete se aproximou.

– Querem pedir algo? – ela perguntou, posicionando os guardanapos.

– Ele vai beber um vodca martíni puro com três azeitonas. Para mim, três dedos de Macallan – ele pediu. A garçonete anuiu e se afastou. Tornei a estudá-lo quando se recostou; então, Sehun se virou para mim e me encarou.

– Oh, Jimin, desculpe. Essa ainda é a sua bebida favorita?

Espremi os olhos para ele.

– Por acaso, é. Mas e se eu quisesse outra coisa hoje? – falei meio afetado.

– Erro meu. Claro, o que você quer beber? – Com um aceno, ele pediu à garçonete que voltasse. – Quero um vodca martíni puro com três azeitonas, por favor – falei e pisquei para ela. Ela pareceu confusa. Sehun riu alto, e a garçonete se retirou, balançando a cabeça.

– Touché, Jimin. Touché – ele disse, me examinando novamente.

– Então, me conta o que você tem feito nos últimos anos. – Pousei o cotovelo na mesa e apoiei o queixo nas mãos.

– Hum, como resumir alguns anos em poucas palavras? Terminei a faculdade de direito, associei-me a uma empresa e me matei de trabalhar durante dois anos. Consegui diminuir o ritmo um pouco, só umas sessenta e cinco horas por semana, e, devo admitir, é bom voltar a ver a luz do dia. – Ele sorriu, e eu não pude evitar sorrir também.

– E, claro, trabalhando tanto assim, sobra muito pouco tempo para a vida social. Foi pura sorte te ver no evento beneficente, no mês passado – Sehun concluiu, apoiandose nos cotovelos, como eu. Jillian comparecia a muitos eventos sociais na cidade, e, de vez em quando, eu a acompanhava. Era bom para os negócios. Deveria saber que eventualmente toparia com Sehun em uma dessas festas.

– Quer dizer que o senhor me viu e não falou comigo? E agora está aqui, depois de semanas, me pedindo pra trabalhar no seu apartamento. Por quê, exatamente? – Minha bebida chegou; tomei um longo gole.

– Eu queria falar com você, acredite. Mas não consegui. Passou tanto tempo… Então, soube que você trabalha para Jillian, que um amigo me indicou, e pensei: “Perfeito!”. – Ele inclinou seu copo na direção do meu para um brinde. Fiquei parado por um momento; toquei meu copo no seu.

– É pra valer essa história de trabalhar comigo? Não é um pretexto pra me levar pra cama, é? Ele me fitou calmamente.

– Direto como sempre, hein? Mas não. É totalmente profissional. Não gostei do modo como as coisas terminaram entre nós, você sabe, mas aceitei sua decisão. E cá estamos. Eu preciso de um decorador. Você é um decorador. Parece certo, não?

– Designer – falei tranquilamente.

– Como?

– Designer – repeti, desta vez mais alto.

– Sou um designer de interiores, não um decorador. Existe uma diferença, sr. Advogado. – Dei outro gole em minha bebida.

– Claro, claro – ele respondeu, fazendo um sinal para a garçonete. Surpreso, olhei para baixo e vi meu copo vazio.

Durante a conversa que continuou pela hora seguinte, falamos, entre outras coisas, sobre o que ele precisava em seu novo lar. Jillian estava certa. Sehun desejava refazer o lugar, dos tapetes à iluminação. A comissão seria enorme, e ele até me autorizou a tirar fotos para uma revista de design com a qual Jillian queria que eu colaborasse. Sehun vinha de uma família muito abastada – os Oh da Filadélfia –, e eu sabia que a conta iria para eles. Advogados jovens não ganham o bastante para bancar aquele tipo de apartamento, sobretudo numa das cidades mais caras dos Estados Unidos. Mas fundos de investimento perduram, e Sehun possuía um bem grande. Uma das vantagens de namorá-lo durante a faculdade era poder ter encontros de verdade, e não apenas sair para lugares baratos. Eu desfrutara bastante esse aspecto de nossa relação, não vou mentir. E desfrutaria o mesmo aspecto naquele projeto. Um orçamento praticamente ilimitado? Eu mal podia esperar para começar.

No fim, foi uma noite agradável. Como sempre acontece com velhas chamas, houve um sentimento de cumplicidade, uma nostalgia que você só pode partilhar com alguém que o conheceu na intimidade – especialmente naquela idade em que ainda está se formando como pessoa. Foi ótimo revê-lo. Sehun tinha uma personalidade muito forte, intensa e confiante, e eu me lembrei do motivo por que um dia me atraí por ele. Nós rimos e contamos histórias de coisas que havíamos feito juntos, e fiquei aliviado ao perceber que seu charme continuava lá. Podíamos nos dar muito bem dentro de uma relação social. Não houve nenhum daqueles constrangimentos que poderiam ter existido. Depois que a noite terminou e ele me levou para casa, Sehun fez a pergunta que, eu sabia, estava morrendo de vontade de fazer. Estacionou o carro em frente ao meu prédio e se virou para mim:

– Então, você está saindo com alguém? – falou em voz baixa.

– Não, não estou. E essa não é uma pergunta que um cliente faria – alfinetei e olhei para minha janela. Avistei BamBam sentado em seu posto habitual e sorri. Era gostoso ter alguém à minha espera. E não pude evitar relancear a janela ao lado para verificar se havia luz no apartamento de Jungkook – tampouco pude evitar que minha barriga desse uma pequena pirueta quando vi sua sombra na parede e a luz azul de sua TV.

– Bem, como cliente, não farei mais perguntas desse tipo no futuro, senhor Park. – Sehun deu uma risada. Me virei para encará-lo.

– Tudo bem, Sehun. Já passamos da fase designer-cliente há muito tempo. – Me senti triunfante ao perceber o rubor que abriu uma fissura em sua fachada meticulosa.

– Acho que vai ser divertido.

Foi minha vez de rir.

– Ok, me liga amanhã no escritório, e a gente começa tudo. Vou meter a faca em você, cara. Prepare-se para usar o cartão de crédito – brinquei enquanto saía do carro.

– Estou contando com isso! – Ele piscou e fez tchau com a mão. Sehun esperou que eu entrasse; acenei novamente e fechei a porta. Fiquei contente por saber que era capaz de me controlar em sua companhia. Subindo as escadas, girei a chave na fechadura e pensei ter ouvido algo. Olhei por cima do ombro, mas não havia nada. BamBam me chamou de dentro do apartamento; sorri, entrei e o peguei no colo, sussurrando em sua orelhinha. Com suas patas em volta do meu pescoço, ele me deu um minúsculo abraço de gato.

Na noite seguinte, estava abrindo a massa da torta com o rolo, quando chegou a mensagem de Jungkook.

Jungkook: Vem a hora que quiser. Começo a fazer o jantar assim que você chegar.

Jimin: Ainda estou fazendo a torta, mas já, já está pronta.

Jungkook: Precisa de ajuda?

Jimin: Você é bom em descascar maçã?

A próxima coisa que ouvi foi a batida na porta. Fui até ele, as mãos cobertas de farinha, e a abri com o cotovelo.

– Ei! Tudo bem? – falei enquanto segurava a porta aberta com um pé.

– Este lugar está parecendo o final de Scarface – Jungkook observou, tocando meu nariz com a ponta do indicador e depois me mostrando a farinha.

– Eu tendo a perder o controle quando há massa de torta envolvida – eu disse, e ele fechou a porta.

– Anotado. Essa informação pode ser muito útil no futuro. – Jungkook afastou minha mão quando tentei lhe dar um tapinha. Depois, me lançou um olhar demorado, os seus olhos percorrendo meu rosto e então meu corpo.

– Hum, você não estava brincando sobre o avental. Não sei quanto tempo vou aguentar sem tentar dar uma passadinha de mão em sua bunda.

– Vem, você pode apalpar uma maçã – falei e rumei à cozinha, acrescentando um requebrado extra ao caminhar. Ouvi-o suspirar pesadamente. Dei uma espiada em minha roupa: regatinha colada, calça jeans surrada, pés descalços e avental que dizia: “Você deveria provar o meu bolo”…

– Hum, quando você disse “descascar”, a que estava se referindo exatamente? – ele perguntou, já na cozinha, e começou a tirar sua malha.

Sacudi a cabeça diante da visão de Jungkook com camiseta preta e jeans desbotado. Ele estava só de meias outra vez, e me admirei com o quão à vontade parecia ficar em minha cozinha. Peguei o rolo de massa.

– Saiba que eu não hesitarei em te castigar com isso se você insistir nesse assédio sexual – ameacei, sugestivamente passando a mão para cima e para baixo no rolo.

– Serei obrigado a pedir que não faça isso se estava falando sério sobre eu descascar maçãs – ele disse, arregalando os olhos.

– Quando o assunto é torta, eu nunca brinco, Jungkook. – Espalhei mais um pouco de farinha sobre o balcão de mármore. Ele ficou em silêncio e respirou pela boca enquanto me observava abrir a massa.

– O que você vai fazer com isso? – perguntou em voz baixa.

– Com isso? – Me inclinei sobre o balcão. Pode ser que eu tenha arqueado as costas só um pouquinho ao fazer isso.

– Aham.

– Vou desenrolar a crosta. Assim, vê? – provoquei de novo, passando o rolo sobre a massa, deliberadamente empinando o bumbum ao fazer o movimento para trás.

– Uau – ele murmurou, e eu abri um sorriso sacana.

– Você vai ficar bem, gostosão? Isso é só a cobertura; ainda preciso trabalhar a parte de baixo.

Suas mãos apertaram a borda do balcão.

– Maçãs. Maçãs. Vamos descascar maçãs – Jungkook falou para si mesmo e se dirigiu até a pia, onde uma tigela cheia deles o esperava.

– Vou pegar o descascador pra você. – Passei roçando peles suas costas e me pressionei contra ele para alcançar o descascador, na outra pia. Aquilo era divertido.

– Descascar maçãs, nada além de descascar maçãs. Nem senti seu peito nas minhas costas. Jamais! – ele entoou, e eu gargalhei.

– Aqui, descasca isto. – Fiquei com pena de Jungkook e me afastei. Talvez tenha farejado sua camiseta no caminho.

– Você me cheirou? – ele perguntou, ainda virado para o outro lado.

– É bem possível – admiti ao retornar ao meu rolo, que apertei energicamente.

– Foi o que pensei.

– Ei, se você pode me cheirar, eu posso fazer o mesmo com você – repliquei, descontando minha frustração sexual na massa indefesa.

– O que é justo é justo. E que tal meu cheiro?

– Bom. Muito bom, na verdade. Downy?

– Bounce. Perdi meu Downy Ball.

Eu ri, e continuamos amassando e descascando. Quinze minutos depois, tínhamos uma tigela cheia de maçãs descascadas e fatiadas, uma massa de torta perfeitamente esticada e duas taças de vinho vazias.

– Ok, e agora? – Jungkook perguntou.

– Agora, adicionamos tempero e um pouco de acidez – respondi, posicionando sobre o balcão canela, noz-moscada, o açucareiro e um limão.

– Ok, e onde eu entro nisso? – Ele me mostrou suas mãos, cobertas de farinha. Visões passaram pela minha cabeça, e eu precisei engolir a tentação de mostrar onde exatamente queria que ele entrasse.

– Primeiro, se limpa, daí a gente começa. Você pode ser meu ajudante.

Ele olhou ao redor em busca de um pano de prato, e eu me virei para procurar o que estava usando antes. Quando comecei a me dirigir ao balcão, senti duas mãos muito fortes e muito certeiras na minha bunda.

– Mas… Oi? – falei, congelando no lugar.

– Oi – ele disse alegremente, sem retirar as mãos.

– Explique-se, por favor – exigi, tentando ignorar o fato de que meu coração estava querendo sair pela boca.

– Você me mandou limpar as mãos – Jungkook gaguejou, mordendo cada uma de suas bochechas para não cair na risada.

– E você achou que seria apropriado limpar na minha bunda? – Eu ri e me virei para encará-lo, retirando suas mãos com as minhas.

– Ah, o que posso dizer? Eu gosto de tomar liberdades com meus vizinhos. – Seus olhos agora iam e voltavam dos meus lábios para os meus olhos.

– Temos uma torta para acabar, senhor. Lembre-se das boas maneiras. Ninguém põe a mão na minha bunda sem ser convidado. – Dei uma risadinha, ainda segurando suas mãos. Senti seu polegar traçar pequenos círculos em minha mão, e minha cabeça ficou zonza. Aquele cara ia acabar comigo.

– Pra lá, mão-boba, e se comporte!

Jungkook sorriu e se afastou, uma oportunidade para eu murmurar “Ai, meu Deus” para ninguém em particular antes de me juntar a ele e à tigele de maçãs.

– Muito bem, você faz o que eu mandar, certo? – falei, salpicando açúcar nas frutas.

– Certo!

Comecei misturando as maçãs com as mãos, e Jungkook seguiu minhas instruções ao pé da letra. Pedi mais açúcar, ele deu. Pedi mais canela, ele deu. Pedi para espremer o limão, ele espremeu tão bem que eu tive dificuldade para manter minha língua dentro da minha boca e fora da sua.

Mexi e experimentei e, quando achei que as maçãs estavam boas, levei um tantinho à boca de Jungkook.

– Abra – falei, e ele se inclinou. Coloquei o recheio em sua língua, e Jungkook fechou a boca antes que eu pudesse remover meus dedos. Deixou seus lábios os abocanharem, e eu os tirei devagar, sentindo sua língua se enrolar neles delicada e deliberadamente.

– Uma delícia – falou suavemente.

– Ah… – murmurei, e meus olhos envesgaram um pouco diante do sexo sobre duas pernas à minha frente. Ele mastigou.

– Doce. Doce, Jimin.

– Ah… – murmurei de novo. Cérebro sabia que a coisa estava preta; Coração galopava dentro do peito.

– Está bom para você? – Jungkook perguntou, com um sorriso perspicaz perigosamente próximo da insolência.

– Bom para mim – respondi. Trégua, harém, bláblá-blá. Quem se importava se não havia O? Eu precisava estar em contato com aquele homem da maneira mais profunda possível. Minha fortaleza sexual tinha sido atingida; eu estava preparado para rasgar suas roupas, jogá-lo no chão e cavalgá-lo entre uma pilha de maçãs e canela, com somente um rolo de massa para nos orientar, e o telefone tocou. Obrigado, Jesus. Olhei para o demônio de olhos castanhos e me lancei à sala, para longe daquele vodu maldito. Vislumbrei seu rosto enquanto corria; parecia um pouco desapontado.

– Garoto, o que você vai fazer esta noite? – Baekhyun guinchou do outro lado da linha. Afastei o telefone da orelha antes que começasse a sangrar. Baekhyun possuía três níveis de som: alto-normal, alto-empolgado e alto-bêbado. Ele estava no caminho de empolgado para bêbado.

– Estou preparando o jantar. Onde você está? – perguntei, anuindo com a cabeça para Jungkook, que começara a colocar as fatias de maçã na assadeira.

– Saí pra tomar uns drinques com Mark. O que você está fazendo? – ele berrou.

– Acabei de falar, preparando o jantar. – Dei risada. Jungkook entrou na sala com a torta nas mãos.

– Coloco no forno?

– Um instante, Baekhyun. Ainda não. Preciso pincelar com um pouco de manteiga – respondi, e ele voltou à cozinha.

– Jimin, isso era um homem! Quem é? Com quem você vai jantar? Quem você vai pincelar com manteiga? – Baekhyun disparou, a voz ainda mais alta.

– Relaxa. Nossa, como você grita! Vou jantar com Jungkook. Estamos fazendo uma torta de maçã – expliquei, e ele imediatamente relatou-berrou a informação a Mark.

– Merda – resmunguei ao ouvir o telefone sendo arrancado da mão de Baekhyun.

– Park, o que você pensa que está fazendo? Assando tortas com seu vizinho? Você está pelado? – Mark gritou; era a sua vez de me atormentar.

– Ok, não, e vocês precisam muito se acalmar – gritei por cima dos gritos dos dois. Escutei Baekhyun guinchando as coisas mais sórdidas sobre tortas e manteiga. Mark estava me ameaçando caso eu desligasse o telefone na cara dele quando fiz exatamente isso. Suspirei e fui até Jungkook, cujas mãos estavam cheias de torta. Suspirei com pena de mim mesmo.

●●●

– Hum, isso é tão bom – gemi, fechando meus olhos e me abandonando às sensações.

– Sabia que você ia gostar, mas não tanto assim – ele sussurrou, me fitando com uma atenção extasiado.

– Para de falar, você vai estragar o momento – murmurei, me esticando e sentindo meu corpo responder a tudo que eu recebia.

– Mais uma? – Ele se apoiou em seus cotovelos.

– Se eu disser sim, não vou conseguir andar amanhã.

– Ah, vai, você é um menino mal, você merece. Eu sei que você quer, Jimin – ele provocou, chegando mais perto.

– Ok – foi o que consegui dizer e me abri a boca mais uma vez. Fechei os olhos e o escutei se ajeitar antes de colocar algo dentro. Suspirando, meus lábios se fecharam ao redor do que ele me oferecia.

– Nunca conheci uma pessoa que aguentasse tanto de uma só vez – ele se admirou ao me ver entregue novamente.

– É porque você nunca conheceu uma pessoa que gostasse tanto de almôndega quanto eu – grunhi com a boca cheia, me sentindo empanturrado mas desejando que a comida não terminasse nunca. Jungkook fez o melhor jantar de todos os tempos, atingindo cada nota de sabor que precisava ser atingido. Ele aprendera a fazer almôndegas com uma senhora de Nápoles e me jurara que seriam as mais deliciosas que eu jamais comeria. Fui obrigado a concordar que aqueles bolas – de carne – eram as melhores que eu já havia colocado na boca. Ainda devorei quase meio quilo de macarrão sozinho, além de todas as minhas almôndegas e metade das dele. Insisti para que Jungkook comesse a última, mas ele se recusou e a levou à minha boca sedenta. Jungkook era um excelente anfitrião; teimou para que eu ficasse sentado, bebesse vinho e só observasse. Contou histórias de suas viagens enquanto preparava tudo, e, embora fosse simples, a comida estava divina.

– Nonna me fez prometer que eu só serviria sua polpetta junto com seu molho especial. Se eu ousar servir com um frasco de Pomarola, ela atravessa o oceano e dá com a colher de pau na minha bunda.

– Ela te fez chamá-la de Nonna? – Eu ri e me recostei na cadeira, desabotoando o primeiro botão da minha calça jeans. Não tive qualquer pudor. Havia comido uma quantidade obscena.

– Você sabe o que significa Nonna? – Jungkook perguntou, surpreso.

– Tive uma bisavó italiana. Ela insistia para que todo mundo a chamasse de Nonna. – Dei outra risada quando seus olhos pousaram em minhas mãos, que massageavam meu estômago.

– Você está bem? – Ele arqueou uma sobrancelha e se levantou para tirar a mesa.

– Aham, só preciso respirar um pouco – gemi e me levantei também.

– Não, não! Não precisa ajudar! – Jungkook correu até mim e pegou meu prato.

– Eu não ia ajudar mesmo. Só ia passar o prato e desmaiar naquele sofá – respondi acenando em direção à sala.

– Vai relaxar. Um homem tão guloso merece um descanso – ele alfinetou, e dei um peteleco em sua orelha.

– Com licença, vou morrer um pouquinho agora. – Me arrastei até a sala. Tinha comido como um porco, fato, mas tudo estava tão bom. Me acomodei e abri outro botão do jeans, relegando nas almofadas e relembrando os melhores momentos da noite. Ver Jungkook cozinhando era, numa palavra, sexy. Ele se sentia à vontade na cozinha – sem contar a sujeira com a torta de maçã.

Até mesmo sua salada – folhas verdes com limão, azeite, sal, pimenta e um bom parmesão – era simples e perfeita.

– Obrigado, sal rosa do Himalaia – ele falara orgulhosamente ao pegar um saquinho em sua despensa. Tinha trazido de uma das suas muitas viagens e me fez provar um pouco antes de salpicá-lo na salada. Poderia ter sido algo pretensioso, mas combinava com ele. As muitas facetas daquele homem eram assombrosas. Minhas primeiras suposições sobre ele estavam se provando completamente erradas. Como costuma acontecer com suposições… Eu podia ouvi-lo lidando com a louça do jantar e, embora a boa educação me mandasse ajudá-lo, simplesmente não consegui sair do sofá. Deitei de lado e passei os olhos pela sala novamente; e de novo fui atraído pelas pequenas garrafas que continham areia do mundo inteiro. Me admirava o quanto ele viajava e o quanto continuava gostando disso. Fitei as fotografias do homem em Bora Bora – sua pele escura e bele e o relevo suave de seu corpo – e pensei no quão diferentes eram os três homens do harém. Perdão, os dois – já que Lucas/Castigado tinha um novo homem agora. De súbito, senti o cheiro da torta de maçã e ouvi o clique da porta do forno sendo fechada. Eu tinha colocado a torta para assar assim que chegáramos ao apartamento de Jungkook, para que ficasse pronta logo depois do jantar.

– Não ouse me dar torta agora. Estou explodindo, juro! – gritei.

– Calma, só está esfriando. – Jungkook surgiu da cozinha.

– Você vai ter que mover essa bunda, homem. É hora de ver filme – ele ordenou e me empurrou com o dedão do pé; lutei para conseguir me sentar.

– O que vamos assistir?

– O exorcista – ele sussurrou, apagando o abajur que ficava na mesinha ao lado do sofá, o que deixou a sala ao breu.

– Você está me zoando? – guinchei, me debruçando sobre ele para acender a luz.

– Deixa de ser medroso. Você vai assistir – Jungkook insistiu e apagou a luz novamente.

– Não sou medroso, só que existe burrice e não burrice, e burrice é ver um filme como O exorcista com a luz apagada. É pedir pra dar merda!

– Liguei a luz. O lugar já estava começando a parecer uma discoteca…

– Ok, vamos fazer um acordo. Luz apagada, mas… – Ele me calou com o indicador quando fiz menção de interromper.

– Se você ficar com muito medo, a gente acende. Combinado?

Ainda me encontrava debruçado sobre ele para acender a luz e notei como estava perto de seu rosto. E que, naquele posição, eu parecia um garoto à espera de receber umas palmadas. E Jungkook dava palmadas…

– Ok – resmunguei, e os créditos do filme despontaram. Retornei a uma posição normal, sentado. Ele sorriu triunfalmente e levantou um polegar.

– Se você mostrar esse polegar mais uma vez, eu mordo fora! – ameacei, tirando uma manta afegã do encosto do sofá e me enrolando nela. Um minuto de filme, e já me assustei. Fiquei tenso daí em diante, e, se algum dia achei ridículo o jeito como algumas garotos se comportam perto dos caras ao verem filmes de terror, mudei de ideia quando Regan mijou nas calças durante o jantar. E, quando o padre chegou para uma visitinha, eu já me achava praticamente no colo de Jungkook, com minha mão direita enterrada em sua coxa, e assistia ao filme através dos buracos da manta, a esta altura totalmente envolta na minha cara.

– Juro que te odeio por me fazer ver esse filme – murmurei em seu ouvido, colado em mim, já que eu me recusava a deixar qualquer espaço entre nós. Inclusive o acompanhara ao banheiro antes, quando fizemos um pequeno intervalo. Jungkook insistiu que eu ficasse no corredor, e eu fiquei – mas junto à porta, relenceando furtivamente em volta, ainda com a manta na cabeça.

– Quer que eu pare? Não quero que você tenha pesadelos – ele murmurou de volta, seus olhos na tela da TV.

– Só não bata na parede por algumas noites, por favor. Não vou sobreviver – falei, fitando-o através de um dos buracos da manta.

– Você tem escutado alguma batida ultimamente? – ele perguntou e revirou os olhos, gesto que repetiu todas

as vezes que me viu com aquele ridículo pano na cabeça.

– Não, na verdade não. E por que, hein?

Ele respirou fundo.

– Bem, eu… – E então os barulhos mais alucinadamente assustadores saíram da TV, e ambos pulamos no

lugar.

– Ok, talvez esse filme seja um pouco assustador. Quer sentar mais perto? – Jungkook perguntou, apertando o botão de pausa.

– Pensei que você nunca ia perguntar – choraminguei, saltando sobre seu colo e me acomodando entre suas coxas.

– Vai uma mantinha aí? – perguntei, e ele riu.

– Não, vou encarar. Mas você continua aí embaixo – provocou.

Estreitei meus olhos para ele através dos buracos da manta e introduzi um dedo em um deles.

– Adivinha que dedo é.

– Psiu, o filme! – Jungkook passou os braços à minha volta e me puxou ao encontro de seu peito.

Ele era quente e forte e vigoroso, mas não era páreo para o terror de O exorcista. Do que estávamos falando antes? Eu não conseguia pensar em ninguém batendo na parede a não ser a despirocada da Regan – que ainda

por cima vomitava uma sopa de ervilha. Assistimos ao restante daquele filme maldito enredados um no outro como pretzels, e Jungkook finalmente sucumbiu à falsa segurança proporcionada pela manta afegã.

●●●

Clic. Clic. Clic.

Que merda é essa?

Clic. Clic. Clic.

Ah, não.

Fiquei paralisado na cama, cada luz do meu apartamento acesa.

Clic. Clic. Clic.

Puxei as cobertas mais para cima, cobrindo o rosto até os olhos, que se mantiveram vigilantes. Cérebro sabia que estávamos sãos e salvos, mas continuava repetindo cenas daquele filme horroroso, não me deixando apagar

as luzes e dormir. Meus nervos estavam travados, e um rastro inflamável de adrenalina atravessava meu corpo.

Odiei Jungkook com cada fibra do meu ser.

Clic. Clic. Clic.

O que é isso?

Clic. Clic.

Nada.

Então, Bambam pulou na cama, e eu berrei com toda a força. Ele espessou o rabo e bufou para mim, certamente querendo saber por que papai estava gritando. O tal clic-clic-clic eram suas malditas unhas sendo afiadas.

Meu celular vibrou um segundo depois, fazendo balançar o criado-mudo e provocando outro berro meu. Era

Jungkook.

– O que está acontecendo aí? O que são esses gritos? Você está bem? – ele gritou; eu conseguia ouvi-lo pelo

telefone e pela parede.

– Vem já para cá, seu exibidor de filme de terror desgraçado – falei e desliguei. Bati na parede e corri para destrancar a porta. Disparei de volta para o quarto e, exatamente do mesmo jeito que subia correndo os últimos degraus do porão quando era criança, saltei os últimos metros antes da cama e aterrissei no meio dela. Me enrolei

nas cobertas e espiei. Ele bateu na porta, e eu a ouvi sendo aberta.

– Jimin?

– Aqui atrás – gritei. Estava contente em vê-lo.

– Eu trouxe a torta – Jungkook falou, com um sorriso envergonhado. – E isto – acrescentou, revelando a manta afegã.

– Obrigado! – Sorri para ele detrás do meu escudo de travesseiro.

Poucos minutos mais tarde, nos achávamos em minha cama, cada um equilibrando um copo de leite e um prato. Havíamos estado empanturrados demais e, depois, aterrorizados demais para comer a torta mais cedo.

Bambam e sua fantasmagórica afiação de unha se retiraram do cômodo depois que ele revirou os olhos para Jungkook e

chicoteou o rabo.

– Quantos anos você tem? – perguntei, cortando um pedaço da torta.

– Vinte e oito. E você?

– Vinte e seis. Vinte e oito e vinte e seis anos e morrendo de medo de um filme. – Dei uma garfada. A torta estava boa.

– Eu não diria morrendo de medo. Assustado? Sim. Mas só vim pra você parar de gritar.

– E para provar o doce do Jimin – falei e dei uma piscadinha.

– Nem começa – Jungkook alertou. Ele comeu um pedaço da torta.

– Nossa, que delícia! – murmurou, os olhos fechados enquanto saboreava.

– Eu sei. Maçã e massa de torta caseira, existe coisa melhor?

– Se a gente estivesse comendo isso sem roupa, seria melhor! – Ele abriu um olho.

– Ninguém vai tirar a roupa, amigo. Limite-se a comer sua torta. – Apontei para seu prato com meu garfo.

Mastigamos.

– Já me sinto melhor – falei alguns minutos depois, bebendo meu leite.

– Eu também. Não estou mais tão assustado. – Ele sorriu.

Coloquei seu prato no criado-mudo. Suspirei e me recostei nos travesseiros, saciada e menos amedrontada.

– Eu preciso perguntar… Oh Sehun? Sério, Oh Sehun? – Jungkook gargalhou, e eu o cutuquei com o pé quando ele se esticou ao meu lado. Ficamos de lado, um de frente para o outro, os braços sob os travesseiros.

– Eu sei, eu sei. Não acredito que você aguentou se segurar por tanto tempo! Sei que está doido para me zoar desde ontem à noite.

– Falando sério, quem é aquele cara?

– Um novo cliente.

– Ah, entendi – ele disse; parecia contente.

– E um ex-namorado – acrescentei, atenta à sua reação.

– Sei. Cliente novo, namorado antigo… Peraí, o advogado? – Jungkook tentou manter a expressão neutra,

porém falhou.

– Aham. Fazia uns anos que não o via.

– Como vai ser isso?

– Não sei direito. Veremos.

De fato, eu não sabia como seriam as coisas com Sehun. Estava feliz por voltar a vê-lo, mas seria duro

manter as coisas num nível profissional se ele quisesse algo mais. E cada um dos meus instintos me alertava que

ele queria algo mais. No passado, Sehun tivera mais controle sobre mim do que eu gostaria. Havia sido sugado pela força gravitacional que era Oh sehun.

– Enfim, só vamos trabalhar juntos. É um trabalho irrecusável. Ele quer refazer seu apartamento inteiro. –

Suspirei, já imaginando a paleta de cores. Rolei sobre minhas costas e me estiquei. Eu tinha abusado do meu estômago naquela noite, e o sono começava a bater.

– Não vou com a cara dele – Jungkook disse após uma longa pausa.

Eu me virei e notei que sua testa estava franzida.

– Você nem o conhece! Como pode não ir com a cara dele? – Dei risada.

– Não indo. – Ele virou seu olhar para o meu e soltou o poder de seus olhos.

– Ah, vá! Você não passa de um moleque fedido. – Gargalhei e baguncei seu cabelo. Ops, fiz besteira. Como

seu cabelo era macio…

– Não sou fedido! Você mesmo disse que eu tinha o frescor da primavera! – ele protestou, erguendo o braço

e cheirando o sovaco.

– Sim, Jungkook, você cheira deliciosamente

– falei inexpressivamente, inalando o ar ao meu redor.

Ele permaneceu com o braço no alto do travesseiro; eu sabia que bastava virar só um pouquinho para me aninhar a ele. Jungkook olhou para mim e ergueu ligeiramente as sobrancelhas. Estava pensando o que eu estava pensando?

Queria ficar de conchinha? Eu queria ficar de conchinha?

Ah, que se dane…

– Conchinha! – anunciei e me aconcheguei todo, mas as pernas, deixei onde estavam; não fui tão tolo assim.

– Opa! – ele disse, surpreso, e imediatamente se enrolou em mim. Suspirei de novo, envolta em meu vodu masculino.

– Como isso aconteceu, amigo? – Jungkook sussurrou em meu cabelo, e eu estremeci.

– Efeito colateral de Linda Blair. Preciso de um pouco de conchinha. Amigos podem fazer conchinha, não podem?

– Claro, mas nós podemos fazer conchinha? – Traçou círculos em minhas costas. Ele e seu dedo diabólico.

– Eu aguento. Você?

– Eu aguento quase qualquer coisa, mas… – Jungkook começou, porém se deteve.

– O quê? O que você ia falar? – perguntei, levantando a cabeça para fitá-lo. Uma mecha do meu cabelo caiu no meu rosto. Devagar, e com muito cuidado, ele a prendeu atrás da minha orelha.

– Digamos que, se você estivesse usando aquele pijama, teríamos muitos problemas.

– Bem, ainda bem que somos apenas amigos, certo? – me forcei a dizer.

– Amigos, sim.

Ele me olhou profundamente nos olhos. Eu inspirei, Jungkook expirou. Trocamos o mesmo ar.

– Só me abraça, Jungkook – falei baixinho, e ele sorriu.

– Vem cá – ele disse e me aconchegou em seu peito. Deslizei para baixo e repousei sobre a batida de seu coração. Jungkook estendeu a manta, e notei novamente como era macia. Tinha me servido bem, o tal pano.

– Amei esta manta, mas tenho que dizer que ela não combina com a decoração “solteirão descolado” do seu apartamento – provoquei. Ela era laranja e verde e bastante retrô. Ele permaneceu calado, e pensei que talvez houvesse adormecido.

– Era da minha mãe – sussurrou, e seu abraço se tornou imperceptivelmente mais apertado.

Não havia nada a dizer depois daquilo.

Jungkook e eu dormimos juntos naquela noite, com todas as luzes do apartamento acesas.

Bambam e suas unhas ficaram de fora.



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