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História Close to you - Jikook version - Capítulo 6


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Capítulo 6 - Capítulo VI


Dizem que o tempo ameniza

Isto é faltar com a verdade

Dor real se fortalece

Como os músculos, com a idade

 

É um teste no sofrimento

Mas não o debelaria

Se o tempo fosse remédio

Nenhum mal existiria

Emily Dickinson

 

Estava frio, muito frio. Eu estava morto? Mortos sentem frio? Eu estava perdido e mal conseguia abrir os olhos. Qualquer parte do corpo que eu tentava mexer doía muito e eu estava começando a me desesperar. Só fiquei mais calmo quando uma mão quente apertou a minha, que antes eu jurava nem mesmo sentir de tão gelada que estava.

Eu estava vivo, era o que eu repetia a mim mesmo. Tentei me lembrar do que tinha acontecido, mas tudo era um borrão.

Vomito, frio, dor.

Jungkook.

Gemi de desgosto quando a dor no peito voltou, mesmo que em menor intensidade do que antes. Tentei abrir meus lábios, mas eles estavam tão secos que eu não consegui emitir nenhum som. Senti um copo ser colocado junto a minha boca e eu consegui engolir um pouco de água, respirando o mais fundo que eu conseguia por conta da dor e forçando os olhos, os obrigando a abrirem por mais preguiçosos que estivessem.

- Finalmente. – uma voz rouca falou perto do meu rosto.

- Tae... – tentei falar, mas minhas cordas vocais resolveram aderir à greve do meu corpo e me deixaram na mão.

- Não se esforce, está tudo bem agora ok? – falou meu amigo apertando mais forte a minha mão.  Tentei responder, mas apenas um resmungo saiu de minha garganta. Tae riu da minha pseudo-resposta e saiu do quarto, voltando em seguida com Yoongi.

- Como está se sentindo? – perguntou o alfa analisando meus olhos com uma lanterninha. Tentei responder, mas novamente apenas um resmungo foi ouvido. – Ok, isso é normal já que dormiu por quase três dias.

Me assustei com a informação. Três dias era muito tempo! Olhando bem ao redor eu percebi estar no quarto bem organizado do mais velho. Vários cobertores tentavam me aquecer e eu tinha uma agulha em meu braço, onde eu podia ver o soro entrando em minhas veias e tentando recuperar o estrago que tanto tempo dormindo poderia ter causado.

- Est... Está... – tentei falar.

- O que? Você ficará bem sim. – falou o moreno tentando me entender. Balancei a cabeça negativamente.

- Está... – eu não conseguia terminar, minha garganta doía muito com as tentativas.

- Eu não acredito que você está aí deitado numa cama parecendo literalmente uma múmia e está preocupado com a droga do estágio. – brigou Taehyung. – A droga do seu estágio está lá te esperando, então trate de melhorar logo! Você está tão branco que parece as faixas que usam para enrolar as múmias Minnie, não estou brincando. – terminou ele chateado. Eu queria rir de sua comparação, mas apenas outro som estranho foi ouvindo.

 - Durma mais um pouco, quando acordar se sentirá melhor. – falou Yoongi bagunçando levemente meu cabelo e me fazendo sorrir brevemente. Ele era um cara legal, mesmo que ficasse quieto e com uma cara assustadora a maior parte do tempo. Segui seu conselho e voltei a dormir.

 

...

 

- Hyung, está ainda dormindo? – ouvi uma voz suave se aproximando. Notei que já conseguia mover os braços e virei meu corpo em direção à porta, onde um Jungkook confuso e pálido me encarava assustado. – Você? O que você está fazendo aqui?

Eu não queria responder e por sorte a minha voz voltou a falhar quando tentei lhe mandar embora. Eu não queria olhá-lo, não queria ouvi-lo e não queria nem mesmo lembrar que ele existia. Voltei a me virar contra a porta e fiz de tudo para dormir novamente, ignorando o nervosismo que me fazia tremer e sua presença que me fazia ficar cada vez menos sonolento.

Droga, porque era tão difícil ignorar ele?

- O que diabos aconteceu com você? – perguntou ele se aproximando da cama e colocando sua mão quente em minha testa que estava gelada.

- Você aconteceu na vida dele, seu idiota! – exclamou Taehyung entrando no quarto de forma furiosa. – Você não tem nenhum outro ômega para ajudar no cio não? Quem sabe na próxima vez o Jimin morre e você fica livre dessa merda de ligação que odeia tanto. – as palavras do meu amigo estavam carregadas de tanta raiva que eu me assustei, me encolhendo mais ainda nos cobertores.

- O que? – exclamou o alfa de forma confusa. – Ele está assim porque eu ajudei a Yura?

- O que você acha? – perguntou o beta. – Yoongi precisou dopar ele para não acontecer algo pior, você sabe o estado que ele ficou? Aaaah claro que não, já que estava lá se divertindo enquanto fodia aquela lá.

– Faz um favor pro Jimin e vai embora, sério. Ele fica nervoso quando você está perto e isso não vai fazer bem para ele agora. – terminou Taehyung com uma voz cansada.

Jungkook pareceu pensar nas palavras do meu amigo e suspirou fundo antes de deixar o quarto. Eu até aquele momento estava apenas ouvindo tudo de costas; quando percebi que o alfa tinha saído eu resolvi me virar novamente e vi Taehyung chorando.

- Tae-ah! – pronunciei preocupado.

- Me desculpe Minnie, eu fiquei furioso! – disse ele correndo para a cama e me abraçando por baixo das cobertas, me esquentando um pouco e mostrando toda a sua preocupação.

- Obrigada. – falei me aconchegando no seu abraço e dormindo novamente, esperando dessa vez acordar realmente melhor.

 

 

Jungkook

Eu não estava pronto para ter uma ligação, eu não estava pronto para assumir um compromisso e muito menos para gostar de alguém, é tão difícil assim entender isso? Confesso que ver o Jimin daquele jeito fez o meu peito doer e meus olhos marejarem, o que estava acontecendo?

Eu sou novo nesse negócio de ligação, nunca procurei informações sobre o assunto e quando senti um elo se formando entre mim e aquele ômega, com uma simples troca de olhares, eu tentei não levar a sério ou me preocupar demais, afinal, nem ele parecia muito preocupado com isso visto que estava sempre evitando os lugares em que eu estava. Assumi que era por raiva dessa ligação estranha e mantive distância, vivendo a minha vida da mesma forma de sempre: ajudando ômegas no cio e flertando por aí.

Eu não sou um filho da puta, não. Eu apenas gostava de me divertir e um cara sem nenhum compromisso não deveria se preocupar em maneirar as saídas, certo? Eu sempre pensei assim, sempre ajudei os ômegas na esperança de um dia achar a ômega perfeita para marcar e iniciar uma família.

Não vou dizer que fiquei triste por eu ter me ligado com um garoto, porque eu sempre fui bissexual e isso realmente não alterava muito os meus planos, mas Jimin realmente era o extremo contrário do ômega que eu imaginava que um dia seria meu. Para começar ele é quieto, muito quieto. Parece estar sempre de mau humor e vive se escondendo em algum canto enquanto eu sou exatamente o oposto. Eu amo sorrir para desconhecidos, ser simpático até mesmo com as plantas e falar com todos sobre tudo.

Como eu me liguei com alguém como ele?

Essa pergunta rondava a minha cabeça desde que o incidente ocorreu e eu admito que por isso as minhas reações perto dele não eram as melhores. Foi uma surpresa encontrá-lo na escolinha de Somin e uma maior ainda ver que minha irmãzinha adorava o ômega com todas as suas forças. Eu não conseguia entender o que ele tinha demais e me irritava a maldita ligação que me fazia adorar o seu cheiro e querer segui-lo por todos os cantos. Obviamente eu lutei contra isso.

Quando eu senti aquele cheiro maravilhoso dele em grande escala no cio eu não pude me controlar. Estar tão perto dele nunca foi um problema tão grande e meu lado alfa não me deixou abandoná-lo em seu apartamento como ele pediu. Me odiei diversas vezes durante aqueles dias por ter gostado tanto de ter passado aquele momento com o mais baixo e no fim do período eu estava prestes a jogar tudo para o alto e tentar algo com ele.

Qual foi a minha surpresa ao ser mandado para fora do jeito que ele fez? Nenhuma. Eu devia esperar algo assim dele desde o início, já que ele também não parecia contente com o que nos ligava. A partir daquele dia então eu resolvi seguir a minha vida como antes, afinal se nenhum dos dois queria seria mais fácil ignorar.

Só que infelizmente as minhas ações seguintes foram terríveis para o ômega e vê-lo naquele estado na casa de Yoongi fez algo em mim quebrar. Nós não nos gostávamos, isso era óbvio, mas eu não podia deixá-lo naquele estado nunca mais, porque se algo acontecesse com ele eu provavelmente sofreria junto e eu não queria experimentar novamente aquele dor ruim no peito que senti ao vê-lo deitado sem conseguir nem ao menos falar.

Eu só não sabia exatamente o que fazer, ainda mais agora que nem Yoongi parecia querer me ajudar. Droga. Eu estava ferrado.

 



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