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História CLOSED EYES - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Um


Fanfic / Fanfiction CLOSED EYES - Capítulo 1 - Um

Love it's hard, I know

All your lights are red, but I'm green to go

(BLUE - Troye Sivan)

 

Amor.

É muito louco pensar em como uma palavra tão pequena carrega um significado tão grande. O amor move as pessoas.

A sua vida inteira, Jungkook foi movido pela esperança de um dia encontrar o seu amor e a pela certeza de que, quando encontrasse, ficaria com ele para sempre. A sua vida inteira, Jungkook ouviu histórias de pessoas que fizeram de tudo, o possível e o impossível para encontrarem suas almas gêmeas, a pessoa com quem estavam destinados a ficar. A sua vida inteira, Jungkook esteve em busca do amor e conheceu a sua força. E essa força o levava a fazer o que estava prestes a fazer.

A atmosfera da sala de espera o deixava assustado. Os desenhos e fotos espalhados pelas paredes do cômodo pouco iluminado começavam a deixá-lo nervoso. Mas foi quando se atentou ao barulho que vinha das pequenas máquinas, que começou a entrar em pânico. Estava prestes a marcar a sua pele para sempre. Com agulha e tinta. Pensou na dor que sentiria e sofreu por antecipação - como costumava fazer.

Sentado sozinho no enorme sofá de couro negro, Jungkook mantinha a postura ereta. Ele sentiu um filete de suor escorrer por suas costas e batucava sem parar com os dedos nos joelhos, os olhos grandes e arregalados vasculhando o ambiente ao seu redor. Ouviu o barulho da máquina cessar e, pouco depois, viu uma garota de cabelos loiros sair da  sala ao lado com um plástico cobrindo parte do pulso e com um sorriso no rosto. Sabia que estavam ali pelo mesmo motivo, deixando em si uma marca permanente  para que tivessem mais chances de encontrar o amor.

Perdido em seus pensamentos, Jungkook se lembra da história que já ouviu tantas vezes. A história de como seus pais se conheceram. Sua mãe sempre conta que, próximo ao seu aniversário de 18 anos - quando receberia a Visão - começou a se preparar para quando acontecesse. Espalhou pela casa diversas fotos suas e, em seu quarto, tinha um quadro branco, onde escreveu seu nome, endereço e o número do telefone de sua casa. Ela conta sobre como foi quando recebeu a Visão pela primeira vez, estava nervosa e eufórica então não se lembra de muita coisa, mas lembra de olhar pra baixo e ver os braços fortes de Jiwoon, o garoto de 18 anos que tinha tatuado no pulso seu próprio nome e endereço.

As tatuagens se tornaram um hábito bastante comum. As pessoas se agarravam a qualquer possibilidade que tivessem de encontrar suas almas gêmeas de maneira mais rápida e fácil. E o método se provou efetivo, muitos tatuavam apenas o número de telefone e, às vezes, o único minuto que tinham durante a primeira Visão era suficiente para vê-lo, memorizá-lo e entrar em contato.

Jungkook sempre sonhou com esse momento. Sempre imaginou como seria quando, pela primeira vez, recebesse a Visão e pudesse enxergar através dos olhos da pessoa com quem estava destinado a passar o resto de sua vida.

Por isso estava ali, com medo e suando frio caminhando até a sala do tatuador após escutar seu nome ser chamado.

- Boa tarde, Jungkook.  Acredito que esteja aqui por causa da Visão, certo? Meu nome é Minho. - Falou com um sorriso amigável estendendo a mão para cumprimentar o garoto apreensivo.

- Prazer, Minho. E, sim. Eu vim por causa da Visão sim. - O garoto apertou a mão do tatuador tentando passar firmeza, mas a voz trêmula entregou o seu nervosismo.

- Bom, você é bem novo. Tem certeza de que quer fazer isso? - Perguntou e Jungkook apenas acenou positivamente com a cabeça. - Então tudo bem, vamos lá. Você vai querer algo além do número do telefone?

- Na verdade, algumas coisas a mais. - Falou enquanto pegava no bolso traseiro um pequeno papel dobrado e meio amassado. Desdobrou com cuidado e mostrou a Minho o desenho que ele mesmo havia feito. - Eu tinha pensando em tatuar meu nome e número mas não só isso. Eu queria adicionar mais uns detalhes ao redor. Vai ficar em mim para sempre, sabe? Queria que fosse ao menos um pouco minha cara.

O tatuador pegou o papel da mão de Jungkook e o analisou com cuidado, mantendo no rosto um leve sorriso.

- Eu acho que vai ficar muito legal. - Finalmente falou, fazendo Jungkook sorrir e suspirar aliviado. - Eu vou passar o desenho pro papel e fazer alguns ajustes. Já volto e a gente pode começar, ok? Pode esperar aqui. - Minho apontou para a poltrona no canto da sala antes de virar de costas e caminhar até o fundo do cômodo, sentar frente à mesa de desenho e começar a trabalhar.

Antes de mostrar ao tatuador o seu desenho, Jungkook não estava muito confiante de que tinha ficado realmente bom. Para as letras e números escolheu uma fonte bem simples. As letras do seu nome ficavam um pouco afastadas umas das outras e os números ficavam logo abaixo, separados por pequenos pontinhos. Ao lado de seu nome, desenhou uma flor. O lírio tigre, desenhado com traços delicados, era a flor designada para o dia de seu nascimento. Jungkook sempre gostou de flores, sempre foi atraído por elas e por sua beleza mas, mais do que isso, amava conhecer os seus significados. Gostava de imaginar que cada flor tinha um propósito, uma mensagem a passar.

Por isso, quando se deparou com o significado do lírio tigre, da flor do seu nascimento, Jungkook soube que eles tinham em comum mais do que o dia 01 de setembro, a mensagem que passavam era a mesma. "Por favor me ame", ela dizia. E ali estava o garoto, quase que desesperadamente tentando ajudar o destino a uni-lo com a sua alma gêmea, com a pessoa que o amaria.

Alguns minutos depois, Minho voltou ao centro de seu estúdio, trazendo o desenho já pronto para o decalque, que colocou no pulso do garoto após a preparação necessária. Jungkook analisou a tinta azulada que desenhava em sua pele o que ele havia desenhado no papel. Girava o pulso para todos os lados, encantado, analisando de todos os ângulos as linhas que seriam marcadas em sua pele para sempre.

- Gostou? - Minho perguntou rindo quando viu o fascínio do garoto.

- Muito. - Jungkook respondeu apertando os olhos tentando conter um sorriso.

- Ótimo. Podemos começar, então?

Jungkook engoliu em seco. De repente voltou à realidade e se lembrou de como aquele desenho de que gostou tanto seria marcado em si.

- P-podemos. - respondeu nervoso.  - Vai doer muito?

Minho mirou o garoto com um olhar compreensivo e o ofereceu um sorriso. Levantou as mangas de sua blusa preta, revelando à Jungkook seus braços completamente cobertos de tatuagem, o fazendo deixar escapar um suspiro surpreso. O garoto sequer havia reparado que o outro era completamente coberto por tatuagens, desde o pescoço até os nós dos dedos. Jungkook achou aquilo bem legal.

- Algumas doem mais do que outras. Depende do tamanho, do lugar em que está sendo tatuada e depende da pessoa também. Todas doem um pouquinho, mas é uma dor suportável. - Sorriu gentil para o garoto que agora tinha os olhos arregalados analisando seus braços. - E é por uma boa causa, certo? Vai valer a pena no final.

- Certo... É por uma boa causa.- Jungkook repetiu, ainda incerto, mas um pouco mais confiante. - Vamos começar, então.

Minho o guiou até a maca onde a tatuagem seria feita e começou a preparar a bancada com os materiais que precisaria. Trocou as luvas descartáveis pretas por novas, ajustou a agulha recém colocada na máquina e então começou a marcar a pele de Jungkook.

 



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