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História CLOSED EYES - Capítulo 5


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Capítulo 5 - Cinco


Fanfic / Fanfiction CLOSED EYES - Capítulo 5 - Cinco

But i become consumed with doubt

Carrying the burdens of the world upon my shoulders

Looking for the answers, maybe i'll know once i'm older

But please hang on, please hang with me

I'll be back soon. I'll be back time for me to go

I need some room to grow. 

I feel so alone

No one even knows

I just wanna disappear

Take me far away from here

I don't wanna face my fears

I just wanna disappear

(Disappear - Eli)

 

Com olhos bem apertados, Jimin ainda mantinha um dedo sobre os lábios grossos, enquanto sua outra mão acariciava o próprio peito, tentando controlar as batidas frenéticas de seu coração.

Instantes atrás, quando se deu conta do que estava acontecendo, entrou em desespero. Por alguns segundos, seu cérebro pareceu parar totalmente de funcionar e ele não soube o que fazer. Até que, para se esconder, fez a primeira coisa que veio à sua cabeça.

Jimin fechou os olhos.

Em sua mente, um turbilhão de pensamentos se embaralhava. Seu coração batia tão rápido que conseguia ouvir os batimentos em seus ouvidos. A garganta estava seca e ele só conseguia implorar para todas as divindades que conhecia para que, seja lá quem estivesse vendo o que ele via, não enxergasse nada que o fizesse reconhecê-lo quando tudo isso passasse.

Hoseok ficou preocupado com o amigo que, subitamente, havia ficado imóvel e em silêncio. Deu a volta no pequeno balcão e parou em frente ao mais novo, tocando em seus ombros para chamar sua atenção. Quando ia voltar a falar, Jimin foi mais rápido e apertou ainda mais o dedo indicador sobre os lábios como em uma súplica para que ele ficasse calado. Hoseok não entendeu, mas respeitou o pedido e esperou.

Alguns segundos depois o aperto dos lábios sob a mão pequena foi diminuindo e Jimin, lentamente, abriu os olhos.

Sua visão estava embaçada e ele não sabia se era por ter apertado muito forte os olhos ou se era por conta do que havia acabado de acontecer.

Porque, sim, ele sabia muito bem o que tinha acontecido. Foi a primeira vez e ele não entende como pode ter tanta certeza de que aconteceu e de que já acabou, mas ele tem. Ele sente.

Contrariando todos os seus instintos racionais, ele sente seu coração aquecido e uma parte de sua mente - uma parte bem pequena - é preenchida por muitos "e se".

Jimin se esforça para ignorar tudo de positivo que estiver sentindo em relação à esse momento, sabendo que não pode se entregar à isso de maneira nenhuma. Ele não pode se dar o luxo de ter esperança.

Os braços e mãos completamente livres de tatuagem são uma exceção à regra em que vive imersa a sociedade. Todos estão em buscas de suas metades, mas Jimin não. Ele sabe que acabou de vivenciar a primeira Visão de sua suposta alma gêmea e tudo o que sente depois disso é uma completa confusão.

- Hobi... acabou de acontecer.- falou ofegante, levantando o olhar para o rosto preocupado e confuso de Hoseok, que estava com as sobrancelhas franzidas e a boca entreaberta - A Visão. Não a minha, a dele. Eu senti.

- Meu Deus. - Hoseok exclamou, sem saber como reagir ao que acabara de ouvir - Meu Deus, Jimin. E como foi? Você tá bem? Tá sentindo alguma coisa? Tá com algu... - ele bombardeava o menor com vária perguntas de uma só vez mas deixou suas palavras morrerem no ar quando pareceu se dar conta de algo - Pera aí, Jimin, você fechou os olhos?

O mais novo permaneceu em silêncio, só desviou o olhar e voltou o rosto para o outro lado do cômodo.

- Jimin! No que estava pensando? É só um garoto de 18 anos! Hoje é o aniversário dele, imagina o quanto ele devia estar ansioso por isso.

- Eu não sei, hyung! Não estava pensando, fiquei com medo. - começou, falando alto alto e abaixando gradativamente o tom de voz, envergonhado. - Vai ver ele nem estava ansioso e, além do mais, eu só o poupei de uma Visão bem decepcionante.

- Você é inacreditável! - falou incrédulo, pousando as mãos na cintura fina - Você não percebe? Não entende que o que fez foi pior ainda? Você nem o deu a chance de ver nada! Ele poderia não se decepcionar com o que viu mas com certeza se decepcionou quando não viu absolutamente nada. - Hoseok agora falava exacerbado, movendo as mãos pelo ar em um ato de desespero - Você tirou isso dele, Jimin. Pra sempre a primeira Visão dele vai ser isso: um grande nada.

Jimin se envolveu com os próprios braços e caminhou devagar até a sala de estar escura, se sentou no sofá e trouxe suas pernas para perto de si. Hoseok olhou para o mais novo, encolhido e parecendo perdido e se sentiu mal pela forma ríspida com a qual lhe despejou as palavras. Mas não se arrependeu das palavras em si.

- Jiminie, - falou agora com um tom mais brando, se aproximando e sentando ao lado dele - Eu não tô falando isso pra te fazer sentir mal. Desculpa pelo jeito que eu falei. Mas você precisa entender que, não é porque você nunca quis sua Visão, que as outras pessoas são assim também. A maior parte de nós passa muito tempo sonhando com isso, esperando o dia que isso vai acontecer. E, pra esse garoto, provavelmente foi assim também. Ele devia estar ansioso e você deu uma experiência péssima pra ele.

Jimin suspirou e abraçou seus joelhos, trazendo-os de encontro ao seu peito. Ele apoiou as bochechas fartas em suas pernas e, com os olhos marejados, olhou para Hoseok.

- Eu sei, hyung. - falou, o rosto inteiro se convertendo em uma expressão de tristeza - E eu me sinto péssimo. Mas, por favor, me entende também. Eu não quero isso, nada disso. Não quero conhecer ele e não quero que ele me conheça. Não quero dar esperanças de que ele pode vir e me encontrar quando eu não quero encontrar com ele. Assim eu não crio nenhuma expectativa. Assim é melhor.

- Então você vai deixar que ele viva como um Partido? Vai deixar que ele fique sempre sozinho e, literalmente, no escuro em relação a tudo?

- Eu não tenho escolha, Hoseok. - falou amuado.

- Você tem sim, Jimin. Você sabe que tem. - Hoseok falou se levantando e voltando para a cozinha para terminar de preparar o jantar - Você pode encontrar com ele ou deixar ele vir até você. Você pode conversar com ele. Pelo menos isso. Acho que você deve isso ao garoto que é a sua alma gêmea.

Jimin ficou de pé, esticando os braços só para cruzá-los de novo. Olhou para Hoseok com mágoa estampada no rosto e cerrou os olhos.

- Eu sempre tento te entender, hyung. Sempre. - disse voltando à cozinha também. - Nunca tentei te fazer mudar o jeito que você pensa. Mas você não respeita isso em mim. Você não tenta entender. Isso está fora de questão. Eu não vou vê-lo, não quero conhecer ele e, por favor, peço pra que você pare de insistir nesse assunto.

Ele apenas deu as costas ao mais velho e voltou para o seu lado do balcão, onde cortava cenouras com certa dificuldade.

O resto do jantar seguiu em silêncio.

A escuridão do quarto nunca o incomodou tanto. As paredes azuis, os pôsteres, a estante, os livros e todo o resto - inclusive ele mesmo - desapareciam, engolidos pela noite. Jungkook não conseguia ver nada.

Lentamente, ele se levantou da cama. Cambaleou pelo quarto até chegar ao outro lado do cômodo e acendeu a luminária que ficava em sua escrivaninha. Um brilho roxo preencheu o ambiente e, assim, ele voltou a se deitar.

Ainda não sabia como reagir. Na verdade, ele se sentia dormente. Não se lembra quando parou de chorar, como voltou para casa, se falou com seus pais e nem quando trocou a calça jeans e a camiseta que usou na escola por calças de moletom confortáveis e uma blusa velha.

Seus pensamentos não pararam de repassar os poucos segundos em que enxergou através de outros olhos antes de tudo dar errado. Ele não entendia o que tinha acontecido e isso é o que o frustrava mais. Ele se sentia perdido. E triste.

Jungkook estava triste.

Sentia que, em algum lugar, alguém ria dele por ter sido tão ingênuo ao ponto de achar que tudo seria perfeito como queria que fosse. Deitado no colchão macio, sob a luz roxa, ele tinha o braço erguido e analisava seu pulso marcado.

"Por favor me ame".

Ele chegou a rir daquilo, de si mesmo. A risada amarga que escapou deu lugar a um soluço e, rápido assim, ele voltou a chorar. Chorou como se tivesse perdido alguém que amava muito. Porque ele sentia que era isso o que tinha acontecido.

Sentia que tinha perdido o seu amor antes mesmo de tê-lo.

O seu peito doía tanto que ele achou que fosse sufocar a qualquer momento. Os olhos, inchados e vermelhos, ardiam, mas as lágrimas não paravam de cair. Grossas, pesadas e carregadas de sentimento.

Sentia-se bobo por estar tão mal. Era só a sua primeira Visão, pode ter sido só um engano. Ele tentava repetir isso para si mesmo. "Está tudo bem. Da próxima vez tudo vai ficar bem", ele pensava. Mas ele sabia que não era esse o caso.

Ele sentia, dentro de si, de alguma forma, que algo estava errado.

E ter consciência desse sentimento o deixava completamente sem esperanças.

O garoto, antes tão cheio de expectativas, estava com o coração em pedaços e se perguntava onde, no caminho até aqui, tinha errado para que isso tivesse acontecido.

Com a cabeça doendo por conta do choro, Jungkook rolou na cama, virando de frente para sua janela e olhando o céu noturno. Ele puxou um dos travesseiros da cama espaçosa e o abraçou apertado, procurando encontrar nesse abraço ao menos algum tipo de conforto.

Confuso, triste e sozinho, Jungkook chorou até pegar no sono.

Jimin não estava diferente. Encolhido contra a parede, ele passava os olhos por todo o quarto. Analisava cada detalhe mas não prestava atenção em nada de verdade. Sua mente estava longe dali, longe de si e do quarto pequeno. O garoto não conseguia deixar de pensar no que havia acontecido.

Seus pensamentos eram invadidos por lembranças das imagens que já tinha visto em suas Visões. As mãos que traçavam no papel uma cópia do jardim bonito, o cachorrinho deitado no chão que tinha a barriga acariciada ao som de uma risadinha tímida e quase infantil, o jogo que se desenrolava na tela grande de um computador e, finalmente, o pulso estendido sendo marcado pela agulha de um tatuador.

A última Visão que teve vinha se apossando dos pensamentos de Jimin constantemente. Ele se lembra de como se sentiu quando se deu conta do que estava vendo. Tudo dentro de si pareceu se revirar, sentiu um frio na barriga e uma vontade enorme de chorar.

Ali, sentado em estúdio de tatuagem, estava um garoto ansioso por encontrar a sua alma gêmea. A pele avermelhada e os pequenos resmungos que ouvia eram indicadores de que ele estava sentindo dor. E ele estava suportando aquela dor na esperança de que aquilo fosse o levar a algum lugar.

Mas não ia.

Jimin sabia disso e, talvez por saber, se sentia tão mal. A culpa o consumia mais a cada segundo, mais a cada vez que pensava sobre isso. E estava pensando de novo. Pensou no garoto com uma flor bonita tatuada no pulso, pensou no pequeno "J" que começava a ser tatuado do lado e pensou no quanto ficou grato pela Visão ter acabado antes que visse mais alguma coisa.

Ele imaginou esse garoto ansioso pela sua primeira Visão no dia de seu aniversário e as palavras de Hoseok o atingiram com força.

"Você tirou isso dele, Jimin. Pra sempre a primeira Visão dele vai ser isso: um grande nada."

Então ele fechou os olhos com força e a primeira lágrima escapou.

Jimin havia evitado isso a sua vida inteira, mas não sabia por mais quanto tempo ele ainda suportaria. Não sabia por quanto tempo ainda aguentaria fugir.

Os corredores da escola estavam abarrotados de pessoas indo de um lado para o outro tentando chegar em suas salas a tempo da aula. Todos pareciam ter pressa, mas Jungkook se movia lentamente. Os olhos pesados e a postura curvada não deixavam passar despercebido o quão cansado ele estava por conta da noite que passou em claro.

Jungkook andava devagar e não se atentava a nada ao seu redor, esbarrava em algumas pessoas e ignorou quando ouviu seu nome ser chamado algumas vezes. Yoongi gritava por ele em meio à multidão e tentava se aproximar, mas o mais novo não fazia sequer menção de procurá-lo ou esperar por ele. Yoongi tentava abrir caminho entre as pessoas enquanto observava Jungkook para não perdê-lo de vista. Olhava atentamente para os cabelos amassados na parte de trás da cabeça do amigo quando viu este esbarrar com alguém que vinha correndo em sua direção e cair.

Jungkook, de repente, se percebeu jogado no chão e assustado. Tentou se situar do que havia acontecido e, lentamente, seu cérebro trabalhou para ajudá-lo a processar a situação. Ele olhou ao redor e viu as pessoas seguindo seu ritmo normalmente, desviando dele para continuar seu caminho. Então olhou para frente e viu um garoto no chão, sentado e com uma expressão confusa no rosto. Ele coçou a cabeça e afastou os cabelos escuros da testa, olhando ao redor parecendo tão perdido quando Jungkook.

O outro garoto, apressado, começou então, a recolher todos os seus cadernos e papéis que haviam caído no chão e, quando tentou se levantar, se apoiando em uma das penas, seu joelho cedeu e ele caiu de volta do chão.

O impacto da queda pareceu fazer Jungkook acordar de seu transe e olhar para o garoto que massageava o joelho com as mãos e tinha uma expressão de dor no rosto.

- Ai, meu Deus! Me desculpa. - se levantou depressa e recolheu os materiais do outro que tinham se espalhado novamente, andando até ele e se abaixando para olhá-lo. - Me desculpa mesmo, eu não vi você. Você se machucou?

- Não tem problema. - ele ofereceu um sorriso fraquinho e olhou para Jungkook - Eu estou bem, só bati o joelho no chão quando caí.

- Você machucou o joelho, desculpa, meu Deus. - Jungkook estava apreensivo e não sabia o que fazer. Suas mãos, que antes seguravam as coisas do menino caído, agora se moviam pelo ar freneticamente. Ele fez menção de tocar o garoto, de pegar as coisas do chão, de se levantar e, por fim, acabou apenas com um braço caído e o outro coçando a nuca. Estava nervoso. - E-eu não sei como... não sei o que fazer pra te ajudar, desculpa.

Ainda sentado no chão, o garoto encarou Jungkook por alguns segundos e, de repente, começou a rir. Soltou uma gargalhada alta e seus olhos se converteram em pequenos risquinhos, acompanhando as bochechas infladas pelo sorriso aberto.

- Você é engraçado. - falou ainda rindo - Mas tá tudo bem. Não precisa se desculpar, não foi culpa sua. Eu vinha correndo apressado e não prestei atenção também.

Jungkook ficou em silêncio e olhou para o joelho do outro que ainda estava envolto em suas mãos pequenas que massageavam para aliviar a dor. Seus ombros caíram e o olhar se entristeceu. O garoto percebeu para onde ele olhava e entendeu sua preocupação.

- Não se preocupa, não machucou mesmo. Foi só o impacto da queda, já passa.

- Tem certeza? Você não quer ir na enfermaria pra garantir?

Jungkook não entendeu, mas quando mencionou a enfermaria jurou ter visto o sorriso do garoto vacilar um pouco.

- Tenho sim, não precisa. - sorriu fraco - Só... me ajuda a levantar? Por favor.

- Claro, claro. - Jungkook se levantou rápido, se atrapalhando com suas pernas e cambaleando um pouco, o que fez o outro garoto rir novamente. De pé, ele segurou os cadernos e papéis alheios com uma mão e a outra estendeu para ajudá-lo a se erguer.

O garoto ainda tinha no rosto vestígios do seu sorriso mas, quando ergueu o braço para segurar na mão de Jungkook, a sua própria mão permaneceu parada no ar. Ele arregalou os olhos e seu rosto ficou pálido, o olhar fixo no pulso que estava estendido e parado à sua frente.

Ele se levantou apressado e sem a ajuda de Jungkook, tomou suas coisas das mãos do outro e saiu correndo.

Sem dizer uma palavra, ele só virou as costas e fugiu

 



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