História Clube dos poetas - Capítulo 4


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga)
Tags Bangtan, Bts, Gay, Hoseok, J-hope, Jungkook, Suga, Taegi, Taehyung, Yoongi, Yoonkook, Yoonseok
Visualizações 38
Palavras 3.579
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Poesias, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 4 - Come on baby, take a walk with me. tell me, who do you love


Yoongi

Não me queria levantar por nada. Era com certeza uma das manhãs que mais me estava a custar sair da cama, muito provavelmente por ter ficado até de madrugada a rabiscar uma carta estúpida que possivelmente nunca chegaria às mãos do destinatário. Admito que, quando amachuquei o papel pela terceira vez e o atirei para o balde do lixo, pensei mesmo em desistir e ir para a cama, fechar os olhos e dormir até não poder mais. Iria responder para quê? E acima de tudo, para quem? Quando estava prestes a tapar-me com o monte de lençóis desarrumados e enterrar o assunto, algo dentro de mim falou que não podia ser assim tão difícil terminar aquilo. Eram exatamente quatro e meia da manhã quando cheguei ao ponto de dar uma chapada no meu próprio rosto para me manter acordado. Assinei no final da folha e deixei-a em cima da mesa, aterrando finalmente na cama. Que desnecessário.

Onze horas da manhã e dei graças a Deus porque a minha mãe não entende nada dos meus horários escolares (e muito menos quer saber deles). Se assim não fosse, ela saberia que a aula começa às onze e dez e que eu nunca chegaria a tempo. A vontade de sair da cama parecia cada vez mais longe e os meus olhos fechavam-se, implorando por mais um pouquinho que seja de sono. Conhecendo-me a mim mesmo como conheço, "só mais dez minutos" tornar-se-ia uma hora. Abanei preguiçosamente as pernas debaixo dos lençóis, mandando-os para o fundo da cama, e levando com eles todo o quente onde eu estava perfeitamente aconchegado. O teto do meu quarto parecia demasiado interessante naquele momento, mas eu sabia que não podia ficar a olhar para ele por muito mais tempo. 

Segurei o meu telemóvel entre os dedos e abri o facebook, porque conhecia Jeongguk bem demais e sabia que ele estaria ali, provavelmente no grupo da associação, onde ele passa a maior parte do seu tempo. Mordi o lábio inferior assim que desbloqueei o aparelho, tentando habituar-me à luminosidade do ecrã. A simples frase "Jeon Jeongguk está online" deixou-me feliz.

Min Yoongi: vou chegar atrasado. dormi, dormi e dormi

Jeon Jeongguk: hyungggggg :( comunicação intercultural é tão aborrecido sem ti

Min Yoongi: comunicação intercultural é sempre aborrecido, pirralho

Jeon Jeongguk: vem o mais rápido que conseguires. tenho uma coisa IMPORTANTÍSSIMA para te contar! 

Min Yoongi: duvido 

Sentei-me na cama, sentindo a cabeça a andar à roda. Franzi a testa, levantando-me o mais lento que alguma vez me tinha levantado, e então encaminhei-me até à casa de banho, onde tomei um banho demorado e bem quente. O meu reflexo no espelho deixou-me mais triste que o normal. Olheiras profundas e olhos praticamente fechados. Eu podia dizer que nunca mais iria madrugar, mas seria uma grande mentira. Deixei escapar um suspiro longo, afastando-me. É a minha cara e preciso lidar com isso. Vesti o meu uniforme com toda a preguiça e coloquei um casaco verde por cima, sentindo-me um pouco mais quente e confortável.

Desci as escadas já com o telemóvel no bolso do casaco e a mochila vazia às costas. Na mesa da cozinha tinha um bocado de papel rasgado com um "Tem um bom dia xx" e reconheci como a letra da minha mãe. Do lado tinha um prato com pequenos bolinhos de chocolate, e tratei de enrolar alguns num guardanapo e colocar na minha mochila, para partilhar com Jeongguk mais tarde. Provavelmente guardaria para comer na aula de História da Tradução, já que aquele professor era tão aborrecido e tinha um tom de voz tão monótono que em todas as suas aulas eu e Jeongguk adormecíamos juntos. Hoje dormiríamos de barriga cheia. 

Comi uma tigela de cereais sem pressas. A aula demoraria uma hora e meia, e uma hora já se tinha passado desde que eu tinha deixado a minha cama. Deixei a tigela em cima da mesa e, ao reunir todas as minhas forças, abri a porta da rua. Encolhi-me dentro do casaco ao sentir o frio que me abraçava, e então comecei o meu caminho até à escola, que demoraria meia hora - exatamente aquilo que faltava para a aula de Comunicação Intercultural terminar.

O meu telemóvel estava farto de vibrar e quando arranjei coragem para retirar a mão do bolso, desbloqueei-o. Enruguei a testa ao ver duas mensagem de Jeongguk e uma de Hoseok no meu telemóvel.

Jeon Jeongguk: chegas a tempo da hora de almoço????

Jeon Jeongguk: TENS MESMO DE SABER O QUE ACONTECEU!

Min Yoongi: já estou a ir, jeongguk! o que aconteceu que é tão importante?

**

Jung Hoseok: que saudades de te ver, docinho D:

Min Yoongi: cala-te

E então, depois de responder a Hoseok e de guardar o telemóvel, o dia de ontem passou-me pela cabeça: Taehyung no shopping preocupado porque Hoseok tinha desaparecido e, horas depois, ambos apareceram no chat de grupo como se nada fosse. Talvez ele apenas não quis ir à aula? Mas se assim fosse, ele avisaria Taehyung... Será que alguma coisa lhe aconteceu? Não que me interesse, mas...

Min Yoongi: e para que saibas o taehyung estava à tua procura ontem no shopping, desapareceste

Min Yoongi: mas depois mais tarde respondeste no grupo, então ele já sabe que estás vivo

Jung Hoseok: se queres saber, estou bem agora. não foi nada de importante

Min Yoongi: não quero saber

Jung Hoseok: se não quisesses saber não tinhas falado sobre isso

Grunhi pelo facto de ele ter razão. Hoseok parecia ter resposta para tudo - uma das razões que me faz odiá-lo tanto. Ia esconder as mãos nos bolsos quando o telemóvel voltou a vibrar.

Jung Hoseok: obrigado pela preocupação, yoongi

Preparei-me para responder algo do tipo "não estava preocupado", "não me interessa", ou até mesmo um simples"para de me mandar mensagens", mas ao perceber que apenas coisas rudes me passaram pela cabeça, apenas marquei a sua mensagens como lida e fechei o chat. Jeongguk costuma repreender-me bastante quando o tema de conversa é o Hoseok, pelo facto de eu só conseguir dizer palavrões ou coisas rudes sobre ele. Não tenho culpa, ele é irritante!

Quando faltavam poucos metros para alcançar o portão da escola, já alguns alunos estavam a caminhar na direção contrária da minha, o que me deu a certeza de que era exatamente hora de almoço. Continuei a andar, mas parei quando vi Jeongguk a correr na minha direção - cabelo para trás por conta do vento, mochila nas mãos e voz estridente, gritando palavras que eu não compreendia. Saltou para cima de mim quando se aproximou o suficiente para isso, chamando a atenção das pessoas à nossa volta, e então gritou mesmo no meu rosto.

-Hyung! Finalmente!

-Jeongguk... - chamei-o meio embaraçado com toda a situação: o meu melhor amigo no meu colo, com as pernas enroladas na minha cintura e braços à volta do meu pescoço. Abanava-se parecendo uma criança, e o sorriso não lhe saía dos lábios. 

-Hyung! - repetiu com a mesma intensidade, remexendo-se depois. - Este papel estava na nossa mesa hoje de manhã. É para ti! - colocou ambas as mãos nos bolsos e depois entregou-me um papel pequenino e rasgado desleixadamente.

"Deixas-me ansioso. Se vais realmente responder, avisa-me no quadro de mensagens da escola, para eu saber se devo esperar por ti."

Olhei para Jeongguk, que ainda tinha um sorriso idiota no rosto, e enruguei a testa.

-Porque dizes que isto é para mim?

O meu melhor amigo lançou-me um olhar chateado, saltando para o chão.

-Tu és idiota? É óbvio que foi o mesmo tipo que escreveu a carta. Ele quer que deixes a resposta no quadro da escola.

-Não vou responder. - falei ao amachucar o papel, atirando-o para um contentor de lixo ali perto. Depois encolhi os ombros. A minha resposta está uma merda, de qualquer forma. 

-Como assim não vais responder? - olhou-me com os olhos semi-cerrados, mostrando que estava ligeiramente chateado. - Vamos indo, então. Falamos quando eu estiver de barriga cheia. 

[...]

-Yoongi, ouve-me com atenção. - Jeongguk deixou o seu prato de massa de lado e pousou ambas as mãos em cima da mesa, olhando-me com uma expressão severa. 

-Hm?

-Eu sei que não és do tipo de pessoa que troca cartas com um anónimo e depois se apaixona por ele. Tu dirias que isso é extremamente cliché e nojento. - Jeongguk revirou os olhos, tentando fazer uma expressão dramática. - Mas o próprio "J" disse que é algo platónico. Se não é o Hoseok, então provavelmente é alguém que nem te conhece pessoalmente. Devias dar uma oportunidade de, pelo menos, conhecer a pessoa. Não precisas ser romântico, só sê tu próprio, como sempre. Até podes acabar por achar interessante. 

Jeongguk estava com um ar bastante sério e gesticulava com as mãos enquanto falava, parecendo um profissional que me dizia os prós e contras de responder àquela carta sem significado nenhum. Quando terminou de falar escondeu as mãos nos bolsos do casaco de cabedal e encostou-se na cadeira, esperando que eu falasse alguma coisa.

-Já acabaste? - a minha resposta sem qualquer tipo de entusiasmado deixou-o boquiaberto. - É vergonhoso a pessoa saber quem eu sou. - admiti ao suspirar fundo, encostando-me igualmente. - E imagina que é mesmo o Hoseok! Vai rir-se da minha cara para sempre.

-Yoongi! - o meu melhor amigo bateu com as mãos na mesa, voltando depois a atacar a massa. - Primeiro: quem és tu, que de repente se importa com o que pensam de ti? - chateou-se, falando ainda com a boca cheia. - Segundo: o Hoseok já se ri de ti todos os dias, e tu já és um bruto rude com ele todos os dias.

Grunhi em sinal de desaprovação. Aquele assunto teimava em aparecer, e eu nunca me conseguia livrar dele. Fechei os olhos, enfiando as mãos no bolso do casaco. Ouvi Jeongguk a limpar a garganta de forma falsa, e abri apenas um olho, querendo saber qual o motivo do seu ato repentino. Foda-se. Senti-me automaticamente cansado quando vi Hoseok a alguns metros, na fila do Mc Donald's, enquanto mexia no seu telemóvel e esperava pelo seu pedido. Agora que parava para o observar de longe, ele não parecia assim tão irritante. E o uniforme até lhe assentava bem. Comprimi os lábios, tentando entrar em consenso com a minha própria mente. Não é suposto eu pensar estas coisas de Hoseok. Não desviei o olhar assim que vi Taehyung aproximar-se, com um grande sorriso nos lábios e uma caixinha de Happy Meal nas mãos. Atirou-se para cima de Hoseok, que logo arrumou o telemóvel e lhe deu atenção. Jeongguk voltou a fingir limpar a garganta, e eu finalmente voltei o olhar para o meu melhor amigo.

-Começo a achar que é ele. Sabes a teoria do "por falar no diabo..."?

-Cala-te, Jeongguk. - rapidamente o cortei. - Ele quem? Estão ali os dois. 

-Achas que o Taehyung é sequer uma opção? - logo questionou, intercalando o seu olhar curioso entre mim e os dois rapazes na fila. - Não tinha pensado na possibilidade.

-Eu também não. Ele nem tem um "J" no nome. E não deve ser o Taehyung, visto que só nos conhecemos há três dias. - descartei logo essa opção, mas Jeongguk não pareceu convencido. Debruçou-se sobre a mesa com a testa franzida e a mão no queixo.

-E se ele assinou como "J" de propósito para não desconfiares dele?

-Isso seria infantil. - neguei com a cabeça. - Estás a pensar demais nisso, e na tua cabeça todas as pessoas são possíveis escritoras da carta.

-Claro! Não posso deixar ninguém de fora... Não pode ser assim tão difícil. - apoiou a cabeça na palma da mão, mordendo o lábio inferior. Ficou alguns segundos em silêncio, arqueando uma das sobrancelhas de seguida. - Acho que tenho uma ideia. 

Suspirei, passando a mão pelo rosto e de seguida pelo cabelo. As ideias de Jeongguk assustavam-me e, acima de tudo, deixavam-me cansado. Continuei a fitá-lo, à espera que ele torna-se o seu grande plano do meu conhecimento, porém, ele permaneceu calado, não parecendo ter a mínima intenção de o partilhar comigo.

-Escusas de estar à espera. - tirou as minhas dúvidas ao falar, num tom chateado. - Apenas responde à carta e deixa onde ele pediu. Vou tratar disto sozinho.

-Não confio em ti. Mas tudo bem. - depois de pensar, acabei por ceder. Era verdade que, se eu quisesse parar com aquela palhaçada, bastava não escrever mais respostas até que ele (quem quer que seja ele), se fartasse de esperar. Encolhi os ombros ao meu próprio pensamento, concordando com a cabeça. - Admito que escrevi uma resposta ontem à noite.

Jeongguk sorriu, mostrando-me uma expressão extremamente convencida, que dizia claramente "eu sempre soube". Não deixei de olhar em volta, querendo saber onde Hoseok e Taehyung estavam, e vi-os um ao lado do outro, sorridentes, enquanto desciam as escadas. Não entendia ao certo o porquê de procurar tanto por Hoseok nos últimos dias, e isso estava a deixar-me irritado comigo mesmo. Eu odeio o Hoseok. Quero acreditar que toda essa obsessão é porque ele, por mais estranho que pareça, é o candidato número um como culpado de todo este crime de me enviar uma carta romântica. Sim, deve ser isso.

Eu e Jeongguk terminamos de almoçar pouco depois de terminarmos a nossa conversa sobre a carta, e dirigimo-nos de novo à escola, a um passo preguiçoso e em meio a histórias que nos lembramos de contar um ao outro. A verdade é a ideia de ter duas horas e meia de História da Tradução aterrorizava a ambos, visto que aquele professor barrigudo falava sempre no mesmo tom e, além disso, os alunos nunca se sentavam nas primeiras cadeiras, ou estavam sujeitos a tomarem um belo banho de saliva.

Por estarmos a andar tão devagar e entretidos a conversar, quando entramos na sala já haviam passado dez minutos desde o início da aula. Tentamos não chamar muito a atenção, entrando pela porta de trás da sala, e fomos rápidos a chegar à nossa mesa, sentando-nos um ao lado do outro. Ouvi uma tosse falsa algumas mesas atrás de mim, e virei o rosto, encontrando Hoseok e Taehyung, um ao lado do outro, a olhar fixamente para mim e para o meu melhor amigo. Elevei as sobrancelhas, como quem pergunta "o que queres?", e Hoseok não tardou a negar com a cabeça, respondendo-me com um "nada, nada" irónico, apenas com a sua expressão. 

-Agora falam por código? - Jeongguk questionou num tom baixo, virando igualmente o seu rosto para o moreno atrás de nós. Hoseok sorriu para ele, e recebeu o dedo do meio do meu melhor amigo como resposta. Taehyung gargalhou com toda a situação, chamando a atenção de algumas pessoas da sala, inclusive a minha. O moreno tentou esconder o sorriso, encolhendo-me na gola do seu casaco, e, apanhando-me de surpresa, olhou para mim. Não percebi se era uma mera coincidência, ou se era um ato desafiador, então também não desviei o olhar, não quebrando o nosso contacto visual. Taehyung então afastou a gola do casaco, mostrando-me o o sorriso que outrora tentara esconder. Foi naquele momento que percebi que o filho do diretor era muito bonito, possivelmente um dos rapazes mais bonitos daquela escola. Elevei os cantos dos meus lábios, sendo contagiado pelo seu sorriso bonito, e então, quando percebi o que estava a acontecer, virei-me para a frente. Tenho de parar de não pensar.

Abri a minha mochila, e a primeira coisa que me saltou à vista foi a suposta carta que tinha escrito na noite anterior. Fiquei a fitá-la, mordendo o lábio inferior. Se eu sair agora para coloca-la no quadro da escola, ninguém me vai ver. Será que devo? Questionei-me a mim mesmo, confuso. Olhei em volta, dando um olhar curioso a cada aluno ali presente. Alguém com um amor platónico em mim está aqui sentado. Foda-se. Eu vou.

-Vou à casa de banho. - não pedi por permissão, apenas puxei a folha para fora da mochila e levantei-me, abandonando a sala a passos apressados. Bastou descer a grande escadaria para ficar de frente para aquele quadro de cortiça, que parecia olhar para mim com uma atitude julgadora. "Põe logo essa merda!" 

Estiquei a mão, agarrando num dos alfinetes azuis ali espalhados e, juntando toda a pouca coragem que tinha naquele momento, afixei a folha de papel A4. Quando tentei reler, percebi que a minha letra estava horrível e, muito provavelmente, ninguém iria compreender. Já para não falar nas minhas palavras sem nexo, nada bonitas ao lado da carta que eu tinha recebido. Fechei os olhos, passando a mão pelo cabelo.

"Querido J,

São quatro da manhã e já tentei escrever esta carta, sem exagero, entre quinze e vinte vezes. Provavelmente nem vou reler esta, vou só desistir e não responder. Estou confuso, e quero saber quem gostaria de mim como tu dizes gostar. Como reparaste tanto em mim, e porque despertei tanto o teu interesse? Eu sou a pessoa mais invisível daqui.

Acho engraçado que digas que eu pareço alguém que gosta de coisas românticas. Normalmente as pessoas vêem-me como um insensível de merda, e foram precisas as tuas palavras para eu olhar de novo para mim mesmo e perceber que sim, talvez eu goste de coisas românticas. Talvez eu tenha parecido chateado e indiferente à tua carta, mas talvez eu até tenha gostado de a receber. Talvez, talvez, talvez.

Dizes que não me queres perguntar se estou interessado em alguém porque tens medo da resposta, mas acho que ela te vai agradar: não estou. Vou ser sincero e dizer que as pessoas não são, de todo, interessantes, e cada vez mais eu tenho a certeza disso. E falo de mim também. Quem me aturaria durante tanto tempo? Não tenho nenhum talento ou hobbie interessante, nem palavras bonitas para te escrever. Não ficarei triste quando ficares farto, não te preocupes. É verdade o que dizes, sou mesmo alguém desligado do mundo que não repara em ninguém. Mas, depois de tanto reler o que me escreveste, tenho alguns pormenores sobre ti guardados. Tens menos de 20 anos, és mais alto do que eu, não gostas de escrever e conheces poetas ingleses. Continuo indeciso entre dizer que me conheces há algum tempo, ou que me conheceste há pouco tempo, não o consegui decifrar. Interessante.

Amor à primeira vista parece-me algo tão falso. Mas provavelmente digo isto porque nunca o senti. Não estou a duvidar das tuas palavras, não me entendas mal. Mas amor parece uma palavra tão forte, e dizer que olhaste para mim e conseguiste ver coisas através de apenas um olhar parece... estranho. Eu sou uma pessoa muito introvertida e confusa, não acho que alguém me consiga desvendar apenas com um olhar, muito menos gostar de mim. Não gostam nem quando me conhecem. Ou pelo menos, nunca ninguém se declarou. Ao contrário de ti, não namorei nem na minha adolescência. As pessoas normalmente não têm paciência para mim, e eu não tenho para elas. 

Não me importo que digas que o que sentes por mim é um amor platónico. Esse termo é bonito e dá-me paz. É sempre bom saber que alguém gosta de nós, certo? Não vou mentir e dizer que conheço esse sentimento, porque não conheço, de todo. Também não sei o que é gostar de alguém. Basicamente, sou um zero nesses assuntos. Desculpa se não alcancei as tuas expectativas.

A folha está um pouco amassada, devido aos meus ataques de raiva. Quero tanto mandar isto ao lixo.Tive algumas dúvidas para ler a tua carta, e agora, como vingança, vais ter dúvidas para ler a minha. Parece que somos ambos terríveis com a escrita. Mas para compensar, percebo algumas coisas de música e de poesia. "Na música reside um doce poder persuasivo", palavras de John Milton. Dedico-te o doce poder persuasivo dos The Doors - Who Do You Love?

Come on baby, take a walk with me. Tell me, who do you love?

Com amor e, espero eu, sem arrependimentos,

-Y.

Jeongguk não estava sentado no seu lugar assim que cheguei à sala, e estranhei o seu desaparecimento súbito. Virei-me para trás assim que me sentei novamente, encontrando Hoseok igualmente sozinho. Taehyung também estava desaparecido. Enruguei a testa assim que o moreno me olhou, mostrando toda a minha confusão.

-O Jeongguk disse que foi comprar água. - rapidamente esclareceu,acompanhado de um encolher de ombros, e logo se virou para o professor de novo. - Posso ir ver o Taehyung? Ele não está bem.

-Vocês querem é sair da sala. - o professor resmungou cansado, acenando com a cabeça. - Vai, e não demorem.

Jung, assim que ouviu a resposta, levantou-se num salto e correu para fora da sala, deixando-me completamente à deriva. O que aconteceu nestes cinco minutos em que estive fora? Hoseok, Jeongguk e Taehyung. Os três deixaram a sala e qualquer um deles, a esta hora, já pode ter visto a minha carta e percebido que fui eu que a escrevi. Quis esconder-me e chorar de vergonha com toda a situação. Quando percebi que provavelmente me ia arrepender da escolha que havia feito, e a vontade de me levantar e ir arrancar a carta do quadro, as palavras de Jeongguk soaram na minha mente. "Quem és tu, que de repente se importa com o que pensam de ti?" Sorri, respirando bem fundo, e encostei-me na cadeira.

Sou Min Yoongi, e estou-me a foder para o que pensam de mim.


Notas Finais


e aqui estou eu, depois de muito tempo, para vos deixar a pensar. o yoongi finalmente tomou uma decisão e respondeu à carta. o jeongguk, o hoseok, e o taehyung saíram da sala no mesmo momento. o jeongguk encoraja tanto o yoongi para responder porquê? o taehyung não está mesmo bem? o hoseok usou isso apenas para sair da sala e ver a carta? podem começar as vossas teorias!

muito amor, -L


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