História Coat, music and drugs - Capítulo 2


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Categorias Neo Culture Technology (NCT)
Personagens Doyoung, Haechan, Jaehyun, Jisung, Johnny, Jungwoo, Mark, RenJun, Taeil, Taeyong, XiaoJun
Tags Markhyuck, Nct
Visualizações 43
Palavras 1.901
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OI, apenas queria dizer que as idades de >>vários<< personagens foram alteradas, ok? só pra não haver confusão na leitura

Capítulo 2 - Sobre tênis perdidos e mesadas atrasadas


Fanfic / Fanfiction Coat, music and drugs - Capítulo 2 - Sobre tênis perdidos e mesadas atrasadas

— Jisung! 

Assim que o grito de Mark foi ouvido por seus pequenos ouvidos, o garoto de 6 anos tratou de correr até a sala, dando a volta no sofá velho e repleto de rasgos onde sempre escondia alguns de seus "bens" mais preciosos toda vez que ficava de castigo. Dessa forma, não teria o risco de perdê-los junto com alguns privilégios como por exemplo, assistir televisão ou ouvir músicas no celular do irmão.


Ah, sim. O irmão


Jisung era o caçula, o menor, o mais novo, mesmo que não se visse assim. Em sua cabeça já era um "homenzinho", por mais que suas ações demonstrassem exatamente o contrário, como agora. Havia entrado no quarto de Mark enquanto este tomava banho. Decidira lhe pregar uma peça: usurparia o tênis favorito do universitário.

   Na realidade, "favorito“ era apenas uma maneira diferente de chamar o tênis all star surrado que ele sempre usava para sair. As condições financeiras da família não lhe permitiam comprar outro, fazendo com que eles ficassem gastos e velhos rápido demais.



— Onde você se meteu, garoto? Pelo amor de Deus, eu vou me atrasar pra faculdade!



   Mark abriu a porta do quarto totalmente atrapalhado, a toalha que antes estava em seus cabelos caiu no meio do corredor, os pés molhados deixavam pegadas no chão. O rapaz levou as mãos até a calça que ainda estava no meio das coxas magras e cobertas apenas parcialmente pela cueca e ergueu a vestimenta por completo, fechando o botão para finalmente chegar à sala. Tinha certeza que o irmão estava escondido ali, como sempre fazia.



— Jisung? Aparece, vai. Por favor, maninho, eu 'tô te implorando!



Atrás do sofá, o garotinho cobriu a boca com as mãos para evitar a risada. Ele se rendia tão rápido, nem sequer parecia ter 18 anos.



— É sério. Só tenho vinte minutos 'pra chegar a tempo 'pra primeira aula e é o meu primeiro teste também! – a voz do jovem adulto tornou-se chorosa, não podia perder algo tão importante por causa de uma brincadeira desnecessária do irmão – Jisung…


Oh não, não, não, não!

"Abortar missão! O inimigo está chorando!"


   Sem nem ao menos pensar em mais alguma coisa, o menor saiu detrás do móvel com as mãos atrás do corpo, que seguravam firmemente um dos tênis "roubados". O pequeno olhou para o loiro de forma curiosa, sentiu-se péssimo ao notar as bochechas molhadas do irmão e aquilo não era pela água do banho. Mark havia sentado no chão e fitava o teto como forma de forçar as lágrimas a voltarem para seu lugar de origem. Era extremamente chorão, um dos inúmeros defeitos que via em si. "Você é sentimental demais, nem parece um homem". Ora, não conseguia lembrar-se de quantas vezes ouvira isto sair da boca dos veteranos na faculdade, os mesmos que implicavam consigo apenas para aumentar o próprio ego. Mark era, sim um homem e nenhuma piadinha mal intencionada de alguns poucos otários mudaria isso. Respirou fundo ao ouvir o barulho adorável que os pezinhos descalços do irmão mais novo fazia ao entrar em contato com o chão.



— Hyung? Não chora… – Jisung ajoelhou-se em frente ao outro, apoiando o queixo em cima de seus joelhos cobertos pela calça desbotada.


— Sung, quantas vezes já disse 'pra não fazer coisas assim?  A mamãe ficaria muito brava – Acariciou os cabelos negros e extremamente lisos do menor que baixou o olhar e ergueu a mão que segurava o tênis.


— Seu tênis 'tá aqui. Desculpa. – entristeceu-se com a menção da mãe.



Sempre terminava assim. Apenas queria brincar mas o final não era como o esperado. Bem, talvez podemos mudar o "sempre" para "na maioria das vezes".



— Está desculpado, pirralho.


— Ei! Não sou pirralho! – o garotinho ofendeu-se e imediatamente sorriu travesso quando surrupiou o calçado do mais velho, levantando-se no mesmo momento e correndo de volta para o corredor em direção ao quarto. Mark revirou os olhos, batendo a palma da mão com força contra a própria testa.



— De novo não, Jisung!



                            ••••




— O velho atrasou a merda da mesada de novo. Não tenho dinheiro nem pra um chiclete.


— Não exagera, Donghyuck – Renjun disse despreocupado do outro lado da linha – Por que você chama o tio Jae de velho? Ele só tem 35 anos.


— 'Pra mim ele é velho. E o certo é Youngjae, para de tratar esse ancião como se fosse teu parente, caralho.


— Não me xinga, porra.



   Eu e ele rimos. Em momentos assim sinto que posso falar abertamente dos meus próprios problemas que, aliás, são muitos. Hoje tenho 17 anos e apesar da pouca idade, sou seguro para dizer que já vivi e sofri tanto quanto um adulto em seus quarenta e tantos. Três vezes 365, 1095 dias desde que fumei pela primeira vez, 1095 dias desde que estive "apaixonado" por um médico pediatra que desapareceu tão rápido quanto surgiu na minha vida. Graças a ele fui capaz de entender coisas que estavam claras em mim mas que também fui terrivelmente cego para enxergar. Precisei de um amor platônico e impossível para me tocar de quem sou.

Não deixei de fumar como havia prometido a John. Depois da primeira vez se tornou insuportável a ausência de nicotina e a falta do prazer que ela me traz. No início, tive uma dificuldade tremenda 'pra me acostumar com isso, e mais outra para comprar cigarros sem que meus pais soubessem. Até hoje não descobriram. Mas também, como haveriam de descobrir se mal nos vemos mesmo que estejamos dentro da mesma casa? Sou um completo estranho para eles. Entre nós nunca houve e nunca haverá uma relação de pais e filho.



— Hyuck? Morreu, desmaiou, a língua caiu ou o quê? Foi esses teus fumos, não é? Eu sabia que isso iria acontecer, nem estou surpreso.


—  Cala a porra da boca – me assustei com minha voz que saíra mais embargada do que eu desejei.


— Você 'tá chorando? O que aconteceu, cara?


— Não 'tô chorando, caralho. Eu não choro.


Renjun riu de maneira nem um pouco humorada e eu tive que respirar fundo para poder me conter – Você e essa mania de sempre bancar o fortão. Donghyuck, se liga, te conheço tem mais de 10 anos, acha mesmo que vou cair nessa? Por acaso não confia em mim?



Suspirei cansado, mesmo que eu não quisesse esconder, acho que não cabia ao momento derramar lágrimas e jogar nos ouvidos dele as mágoas que guardo comigo há anos. Não quero estragar a alegria de mais ninguém.



— Odeio meus pais – foi a única coisa que eu consegui dizer. Apoiei o braço sobre os olhos, me esparramando na cama pouco me importando se ela ficaria totalmente desarrumada. Não era problema meu.


— Entendi. Quer um tempo sozinho? Digo, a gente pode se falar mais tarde no colégio – acabei concordando com a cabeça, esquecendo que Renjun não poderia ver. Mesmo assim ele pareceu adivinhar meu movimento – Certo. Nos vemos depois então.


— Espera! – gritei antes que o outro finalizasse a ligação – Vai pagar meu lanche hoje, né? Por favor, lembra das fodas que eu já te arranjei, está na hora de me retribuir.


— Vai se foder, doente do caralho.


E desligou. Não pude evitar de rir. Tão explosivo…




••••




Assim que desci para a cozinha tive o desprazer de encontrar Hyejin sentada à mesa ocupada, como sempre, com o celular. A tigela cheia de salada de frutas à sua frente estava intocada, o que me leva a crer que ela acabara de chegar para o café, estranhei que o velho não estava sentado junto dela como era o costume mas, quem liga? Estava prestes a dar meia volta porém fui impedido por sua voz irritante me chamando.



— Não deveria estar no colégio, mocinho? Quer dizer então que pago uma fortuna na sua educação em vão? – me observou por cima das lentes de seu óculos de grau.


— Paga porque é trouxa – apoiei-me na parede enquanto apontava para a mochila em meu ombro direito – e não viu a mochila? Acho que seus óculos precisam ser trocados – ela forçou um riso, negando com a cabeça – Eu já estaria naquela merda há muito tempo se não tivesse me atrapalhado.



   Hyejin apenas suspirou. Ela é minha mãe, apesar de em 97% do tempo não agir como tal. São raras as vezes em que nos falamos e se tenho o azar de encontrá-la pelos aposentos, sempre acabamos discutindo. Sinto que sou um mero intruso dentro da minha própria casa e ela faz questão de me provocar pois sabe disso.



— Tão grosso… – estalou a língua no céu da boca enquanto deixava o celular sobre a mesa somente para cruzar os braços e me encarar, agora, através das lentes – por que você é assim, garoto?


Ri desacreditado – por que você é tão cínica?


— Me respeite, eu sou sua mãe.


— Não tenho mãe – sorri ladino para sua expressão contorcida – nunca tive, na verdade. A mulher que me pariu simplesmente cagou 'pra mim a vida toda. Acredito que nem minhas fraldas foi capaz de trocar. Talvez devesse chamar ela de… burra?


— Onde aprende esse linguajar? – tentou desconversar.


— No inferno.


Me aproximei da fruteira para pegar uma maçã, dando as costas em seguida, mas não sem antes lembrá-la de algo importante.


— Minha mesada 'tá atrasada tem dois dias. Convença o velho a me dar meu dinheiro ou pode dar adeus ao corno milionário do meu pai e toda a sua fortuna.


— Você só me ameaça. Acho que na realidade não teria coragem de contar nada à ele – pude notar em seu olhar que não estava segura do que falava. Era justamente isso que eu queria.


— Então me testa 'pra ver. É bom que a grana esteja em cima da minha cama quando eu voltar.



   Finalmente saí do cômodo me sentindo leve como nunca. Em outro momento, brigar com ela me deixaria pior do que já vivo, aumentaria ainda mais a sensação de que sou rejeitado, indesejado. Por isso prefiro passar grande parte do dia fora de casa, me divertindo com Renjun – mesmo que essa "diversão" envolva cerveja, drogas e um chinês totalmente puto com a minha cara – ou simplesmente andando por ruas aleatórias, chutando pedras e tampas de garrafas. São os únicos momentos da minha vida em que eu esqueço que sou inútil e insuportável, focando apenas no presente.



— Acordou de mau humor, Hyuck? – Doyoung, o motorista da casa, indagou assim que me viu atravessar o jardim mordendo a maçã que havia pegado com tanta violência que até mesmo pensei ter deixado alguns dos meus dentes cravados nela. Doyoung é o tipo de pessoa boa pinta, charmoso e bom de conversa. Gosto dele. Não como homem, é claro. Não pense que tenho tara por caras mais velhos, afinal, ele é apenas 4 anos mais velho do que eu.


— Não fumei nada hoje. Meus neurônios estão famintos e não é das lições pé no saco que os professores passam naquela bosta de escola – respondi simples enquanto fazia sinal para que abrisse a porta do carro para mim.


— E seus pulmões estão tão manchados quanto esses seus tênis. Aliás, deveria pedir aos empregados para os lavarem, não acha? Parece que você foi enterrado com eles e depois retirado do túmulo.


— Cala a boca e dirige, cabeção. – Doyoung riu enquanto me olhava pelo reflexo do espelho retrovisor dentro do automóvel – Me leva 'pra merda do colégio logo de uma vez, não enrola. 








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