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História Código Errado! (Reescrita) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa Leitura <3

Capítulo 2 - É um desprazer te conhecer.


Fanfic / Fanfiction Código Errado! (Reescrita) - Capítulo 2 - É um desprazer te conhecer.

Jeongguk estacionou a moto em sua vaga, logo retirou o capacete sacudindo o cabelo mediano, em breve teria que cortar as pontas que começaram a ganhar ondulações de tão comprido que estava. 

Momentaneamente manteve-se sentado olhando o estacionamento completamente vazio. 

Ajeitou a jaqueta em cima da camisa social amarrotada e, praticamente se arrastando, adentrou a delegacia. 

O local cheirava a rosquinhas gordurosas, café e desespero para acabar o quanto antes aquela odiosa segunda-feira. 

 Caminhou até sua mesa largando sua mochila sobre ela, jogou-se sem humor algum na cadeira e bufou coçando os olhos. 

Ele não queria estar ali tão cedo, a investigação do corpo encontrado na noite anterior havia seguido madrugada adentro. Jeon só teve tempo de deitar-se por míseros minutos antes que uma mensagem o retirasse dos braços de Morfeu, e o fizesse retornar correndo para a delegacia.

Seu chefe era odioso, muitas vezes, outras vezes só fazia o papel de carrasco mesmo, toda aquela unidade estava sobre ele afinal.

 O homem na casa dos cinquenta ao qual se dirigia apenas como Roger, o encarava sentado na mesa ao lado com uma cara tão desanimada quanto a do jovem. O homem sentava-se próximo ao Jeon e, tinha uma personalidade péssima quando queria. Jeongguk lembrava-se claramente o quanto ele homem, assim como os demais veteranos do local, fizeram de seus primeiros meses na delegacia um completo inferno, ao menos isso lhe deu fibra para continuar e, agora uns poucos anos depois ele era um dos melhores.  

— Moleque, eu que fiquei com a parte pesada do trabalho ontem e é você que parece traumatizado. Ânimo Jeon, pense que hoje é um dia a menos na semana. Foque na sexta, sempre foque na sexta-feira — Roger coçou a enorme barba, e cruzou os braços tatuados. 

— Eu não estou com ânimo nem pra sobreviver a essa manhã de bosta, muito menos para pensar em qualquer outra coisa — Abriu a mochila retirando uma pasta dela.

 — Estressadinho, então me diz aquele rolha do seu parceiro ficou doente de novo? Não vejo o cara desde a semana passada — Indagou ao pegar a xícara de café em cima da mesa.

Jeongguk olhou para Roger com desgosto. Não queria se lembrar de seu parceiro, ou melhor, ex-parceiro. O garoto que mal se lembrava do primeiro nome havia ficado ao seu lado por milagrosos dez meses, e nesse período lhe dado uma enorme dor de cabeça. E, talvez, só talvez, quase lhe matado umas duas vezes. Poxa ele era um moleque com uma péssima mira.  Ele não fazia os relatórios corretamente , não sabia lidar com estresse, muito menos como segurar a merda arma de forma certa. 

O cúmulo aconteceu durante o final de semana anterior, quando o rapaz passou mal durante uma perseguição e vomitou em cima do coreano que estava ao volante. O asiático não gostava de pessoas desastradas, muitos menos, as que nem sequer tentavam fazer as coisas direito. 

— Ele pediu transferência — Mentiu colocando uma caneta nos lábios e levantando-se com algumas folhas em mãos.

 — Você mente muito mal. — Encarou-o com desdém.

 — E você é um velho intrometido, estamos quites coroa 

 Roger ia replicar quando viu a porta da chefia ser aberta, e um homem com quase dois metros, careca e com pinta de coveiro sair de lá.

 — Jeon, na minha sala, agora.

 Engoliu em seco quando o delegado bateu a porta com força, olhou de relance para Roger que apenas sibilou "boa sorte".

 Guiou-se até a sala onde Patrick, o homem a frente de seu departamento o aguardava tamborilando os dedos nervosamente sobre a mesa.  

— Eu não tenho o dia todo, sente-se. 

Ele o fez.

 — Sabe o porquê de estar aqui, não sabe?

 — Com certeza não é para tomar um café e falar sobre o corpo achado ontem... — Cruzou os braços.

 — Jeon… Sabe bem que não vai pegar um caso. Não até resolvermos certas pendências que você e o seu comportamento mesquinho resultaram — Massageou as têmporas, cansado.

 — Por favor, senhor. Eu praticamente já fazia tudo sozinho antes dele sair. Se esse for o ponto, eu já sei — Encarou Patrick como se fosse à coisa mais óbvia do mundo — E agora que ele saiu, posso me vestir de mexicano e comemorar dançando em volta de um sombreiro? —  Zombou.

 — Eu tenho uma linda caixa de papelão esperando pra você guardar suas coisas, então guarde seus comentários para alguém que se importe — Puxou um arquivo da gaveta — Nosso departamento não forma investigadores à granel, moleque. Então para o seu bem, espero que esteja ciente disso ou a caixa reservada para suas coisas vai ser usada muito em breve. 

— É um ultimato? — Pegou o arquivo levantando-se.

 — Você já está avisado, pode ir — Patrick fez sinal sem olhá-lo para que saísse.

 — Quando vai empurrar um outro novato pra mim? — Jeongguk indagou ao abrir a porta.

 — Eu consegui algumas pessoas para o departamento, eles chegam em breve.

 Saiu revirando os olhos com o olhar que Patrick lhe lançou antes de deixar a sala. Ia sentar-se para ver o arquivo de seu novo parceiro, quando de repente um vulto fardado passou pela entrada do local de forma exasperada. Esse povo deveria diminuir a quantidade de cafeína.

 — Ei cara, a terceira guerra mundial começou? — Roger indaga alto.

 — A joalheria da rua 17… Caralho. Fizeram reféns, e essa merda vai feder. A porra ficou séria lá.

 •••

— Se existir uma divindade ela olhou pra mim lá de cima, e pensou nossa que dia lindo pra colocar o Roger no meio de um assalto em que pegaram a filha do prefeito — O idoso resmungava desde que havia chegado com Jeongguk, e ouviam sobre a situação atual dentro do prédio.

 —  Roger sossega esse maldito rabo — Vociferou Jeon enquanto arrumava a arma no coldre olhando fixamente na direção do prédio, estava impaciente.

Sabiam que toda aquela comoção era apenas causada por um pessoa em específico estando presa no prédio. Caralho, precisa mesmo terem alarmado todas as unidades das redondezas, só porque a filha do prefeito fora pega? Sim, precisava. E eles não podiam demorar, não se a situação continuasse do jeito que estava.

Roger saiu de perto da barricada, e Jeongguk engoliu em seco quando — sem cerimônia alguma —, viu alguém do outro lado passar sem problemas pelos guardas e entrar no prédio pela lateral.

 •••

O homem com madeixas loiras deu uma última tragada no cigarro antes de jogá-lo no chão, o esfregou no piso e seguiu pela escadaria com as mãos nos bolsos. Aquele teatro lá fora estava matando-o de vergonha alheia.  

As barricadas, a polícia, a equipe de filmagem que estava começando a gravar e todo resto de lhe dava náusea, mas conseguiu passar sem ser notado por muitas pessoas. O teatro armado com o “sequestro” da pobre garota rica, por favor, qualquer idiota com mais de um neurônio funcional podia encaixar as coisas. 

As campanhas políticas logo mais estaria batendo na porta, e quem não gostaria de votar num homem que mobilizaria a guarda nacional se pudesse, só para ter a filhinha em segurança. 

Aparência é tudo nessa droga de sistema. E a família tradicional parece adorar esse tipo de fachada de merda. 

Deparou-se com dois homens arrastando uma mulher pelo corredor, e pigarreou chamando a atenção deles. 

Gritaram xingamentos entre si, mas o homem abriu o blazer que trajava fazendo-os arregalar os olhos.

 — Se vocês tem amor a essa vida. Sejam bons meninos ou... — Mostrou a bomba em sua barriga — Seus planos já eram.

 — Fica aí seu merdinha, ou as paredes vão ficar lindas com seu sangue nelas — Um deles soltou a mulher que carregavam, e mirou no homem.

 — Que crianças mal educadas, não se diz isso para uma pessoa que acabara de conhecer — Tirou um cigarro do paletó o acendendo enquanto caminhava tranquilamente na direção da dupla — Agora abaixem as armas, e vamos conversar como homens civilizados.

 Eles riram, e no segundo seguinte voltaram-se para o rapaz de terno.

 

— Vai pra pu... — Um deles recebeu uma voadora no estômago desequilibrando-se, e tombando sobre a janela. O movimento fora rápido, rápido demais, e o rapaz sem ar tentava tatear o vidro atrás de si.

 — N-Não se mexa! — Berrou o outro para o loiro que se levantava, o engravatado chutou novamente o outro bandido no estilo trezentos, fazendo-o partir o vidro e despencar caindo prédio abaixo até o solo.

 — Vocês não são nada divertidos — Jogou o cigarro pelo buraco da janela quebrada, e voltou-se para o outro criminoso — Seu amiguinho já foi, agora é sua vez de voar meu anjo.

 — Fica paradinho aí, ou eu meto uma bala na sua cabeça — Tentou parecer calmo, mas suas mãos tremiam sob o gatilho. A postura, o tom de voz, a feição e todo o conjunto pareciam casar perfeitamente com aquele jovem desperado. Eles estavam encenando um assalto, tinham a garantia que todos sairiam vivos daquele prédio. O loiro sorriu com escárnio evidente, já havia matado pessoas por muito menos.

 — Não neném, você não tem coragem... — Aproximou-se colocando a testa no cano da arma, e sorriu — Vamos, atira então — O rapaz engoliu em seco — Eu já esperava por isso... Até nunca mais gracinha — Tirou a arma da cintura disparando-o contra o peito e depois cabeça do garoto a sua frente.

Se eles haviam sido enganados pelo circo do prefeito a culpa não era do loiro, ele só estava ali para silenciar algumas bocas.

 •••

Jeongguk ouvia atentamente as ordens tentando não socar Roger que resmungava a todo instante, sua atenção só foi capturada quando viu o colega assustado olhar para o prédio e o som de vidro sendo estilhaçado ser audível. Algo estava acontecendo nos fundos do prédio, então um grupo adentrou finalmente o local 

O moreno pouco depois soube que um corpo havia sido arremessado de cabeça pela janela e foi de encontro ao concreto. Houve um fragmento de silêncio quebrado pelo som de mais disparos no interior da construção, e pelo visto eles não demoraram tanto para agir afinal. 

•••

Patrick encarou o homem que saía carregando uma mulher desmaiada nos braços, ao qual logo identificou, suspirando aliviado.

Ao vê-lo aproximando-se cruzou os braços arqueando grosseiramente uma sobrancelha, e o encarou fazendo-o os presentes seguirem com a atenção até o jovem trajando um terno cinza e uma tenebrosa camisa colorida.

— Patrick! — O chamou sorrindo.

 — Que merda você tem na cabeça Park? — O puxou pela gola afastando-se dos demais.

 — Deixa eu ver... Hun, eu tinha um plano prático, informações que sua equipe ignorou completamente e muitos anos de teatro — Ergueu a camisa mostrando o que parecia ser uma bomba caseira presa em si — E antes que pergunte, não, eu não fiquei a últimas dez horas na Deep Web procurando como fazer isso. Comprei numa loja de fantasias, e não queira saber onde é.

 — Park… Nós tínhamos um plano, você sabia disso seu grande imbecil — Massageou as têmporas irritado.

 — Olha, não vem brigar comigo só porque eu sou um homem de atitude. — Desmunhecou a mão devolvendo no mesmo tom ao homem parado à sua frente — Vocês sabiam que aqueles filhos da puta não estavam nem com armas de verdade, só queriam bancar os heróis salvando a mulher-branca-rica, que por acaso é filha do prefeito — Aproximou-se dizendo a última parte em tom mais baixo possível.

 — Você é um irresponsável.

 — E vocês lerdos — Passou a ajustar o terno dando de ombros, e o careca encarou-lhe preocupado.

 — O cara se jogou pela janela com medo da "bomba" — Fez aspas  —, ou você o jogou?

 — Patrick, Patrick. Um mágico nunca revela seus truques.

 •••

A delegacia parecia uma feira em seus últimos minutos quando a maior parte da equipe retornou no final daquela tarde. 

Patrick estava afoito com o prefeito em seu encalço no telefone querendo detalhes do ocorrido, como se não bastasse a guerra de elásticos dos investigadores terem lhe acertado a careca assim que entrou na delegacia.

 Os olhares arregalados suavizaram quando Patrick mostrou o dedo e seguiu para sua sala, os ares curiosos caíram para o ser um tanto mais baixo que o delegado, que passava distribuindo acenos atrás do apressado homem careca.

 Park Jimin não fez cerimônia ao fechar a porta atrás de si, Patrick não havia lhe direcionado mais nenhum xingamento após o ocorrido dentro do prédio. Afinal, ele havia feito em minutos o que todo o departamento estava levando uma eternidade para fazer, agir no meio daquele circo.

 Ele havia chegado há pouco tempo, mas já tratava o delegado com demasiada liberdade — Ao qual não havia sido oferecida —, causando desconforto no homem a sua frente.

 O careca lhe encarou momentaneamente antes de desligar o celular e o jogar na mesa, cruzou os braços e aguardou-o prosseguir.

 — Não precisa me olhar assim, eu não vou "explodir" sua sala — Sentou-se calmamente rindo da expressão do homem ao se lembrar da bomba falsa.

 — Park não tente bancar o engraçadinho, sua atitude podia ter colocado tudo a perder… Muito dinheiro foi investido nessa situação, e porra eu nem sabia que você estava vivo, não atendeu as chamadas, nem e-mails, nada. Então do nada você me aparece durante uma operação graças aos seus informantes de merda, você é um grande cretino mesmo  — Uniu às mãos a frente do rosto segurando-se para não gritar.

 — Ah, eu cheguei há menos de vinte quatro horas, Chefinho. — Colocou as pernas sobre a mesa — Eu recebi sua proposta a alguns dias, mas fiquei preso com alguns problemas pessoas e não deu para responder… Olha, eu cheguei e é o que importa né. Eu precisava de um emprego para ocupar minha cabeça, e você precisa de um investigador de verdade por aqui.

 — Você demorou demais para me dizer se aceitava o emprego, Park. Eu já arrumei outras pessoas para o departamento.

 — Aham, e algum deles sabia do teatrinho do seu amigo prefeito?  — Sorriu maldoso  — Algum deles sabia que os “sequestradores” não tinham armas de verdade?  — Arqueou a sobrancelha com a resposta que veio em forma de silêncio  — Patrick, minha vida não está na melhor fase, e eu realmente preciso do emprego.

 — Você não vai usar mais fantasias de bomba, entendeu?

 — Não prometo nada.

•••

 

Jeongguk esperou, esperou e esperou, mas Patrick não deixou a sala antes do final do expediente

Finalizou o relatório da noite anterior colocando-o numa pilha aleatória em cima da mesa, e passou as mãos pelo cabelo. Foi um dia longo, e já estava bem tarde. Roger havia acabado de sair, deixando-o com os poucos policiais presentes ali. 

Passou os olhos pelo local, e viu a porta do chefe ser destrancada. O rapaz que viu entrar no prédio mais cedo, se dirigiu até sua mesa, parou e ficou olhando-o com a mão esticada.

 Jeon o ignorou completamente. Park empurrou os relatórios que ele olhava para lixeira como se já fosse de casa, e Jeongguk o olhou incrédulo, mas evitou berrar quando Patrick saiu da sala olhando para ambos com um sorrisinho zombeteiro em sua face.

Aquele careca estava tramando alguma para cima do moreno.

 — Que porra foi essa? — Jeon indagou puxando-o pela gola assim que o delegado deixou o local  — Eu passei muito tempo nisso, pode pegar cada um deles e deixar onde estava. 

— Primeiro ponto — Sentou-se sobre a mesa de Jeon — Eu não recebo ordens de uma pessoa que não consegue colocar em ordem nem a própria mesa — Afastou as mãos do rapaz de sua camisa — E segundo, você me ignorou. Então, só recebeu algo em troca.

 — Vai procurar o que fazer, e sai da minha mesa — Levou a mão até o braço do rapaz para tirá-lo dali, mas o mesmo segurou seu punho e num movimento rápido estava atrás de Jeon enfiando sua cabeça contra a madeira da mesa. 

— Desculpe acabar com suas esperanças de me ver sumir da sua vista "Garoto que não quis saber quem eu sou" — O soltou vendo Jeongguk cair no chão atordoado e com as mãos na cabeça — Começamos com o pé errado — Ajoelhou-se à frente do rapaz sorrindo como se nada tivesse acontecido, e estendeu a mão — Jeon Jeongguk, é um desprazer conhecê-lo. Eu sou Park Jimin, e a partir de agora serei o seu novo parceiro, por favor, cuide bem de mim.

 


Notas Finais


Trailer da fic: https://www.youtube.com/watch?v=q4Tp1JR29YE

Alguma expectativa?


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