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História Coffee Paper - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Oláaaaaa, chegamos aqui para a segunda fanfic do Projeto XiuLove! Dessa vez, o couple é com o Chanyeol e eu gostei bastante de escrever.

Gostaria também de me desculpar pela lerdeza, porque era pra essa história ser postada ontem, mas eu achei que tinha definido dia 29 pras postagens (sendo que era 28 e eu esqueci). Muita coisa na cabeça e eu acabei arrumando o cronograma todinho pros dias 29 de todo mês, então vamos deixar assim para as postagens futuras jdisijsd

Essa capa lindíssima foi feita pela Ray, @RK, e a betagem foi feita pela Dulce Veiga. Obrigada meus amores!
Espero que gostem ♥
Boa leitura!

Capítulo 1 - Espresso Yourself


Existia alguma magia nas cafeterias pequenas de luzes amareladas. Poderia ser por conta das xícaras quentes ou dos bolinhos gostosos, das janelas grandes que deixavam tudo iluminado antes do sol se pôr, ou do aconchego simplista que as cadeiras acolchoadas e mesas de madeira passavam. Park Chanyeol tentava reunir todos os motivos para as pessoas estarem ali todos os dias enquanto as observava detrás do balcão.

Depois de alguns anos naquela função, o rapaz jovem fazia um dos melhores cafés caseiros do bairro, talvez do distrito. Guiando o negócio dos pais, geralmente ocupados com os quitutes e docinhos que serviam de acompanhamento, Chanyeol gostava de trabalhar com os grãos e com o leite. Moer o café na hora, coá-lo fresco, misturar com cuidado e sentir o cheiro característico. Ele amava a atmosfera. E nem precisava beber.

Era especialista em cafés com chocolate, porque tinha muito apreço pelo gosto doce e testava nas máquinas os melhores jeitos de misturar os sabores, até encher o cardápio da cafeteria com diferentes preparos. Ninguém sabia fazer um mocha como ele e alguma coisa borbulhava em seu interior quando alguém pedia uma das suas criações secretas em dias aleatórios.

Nunca foi um rapaz muito extrovertido, mas era comunicativo e tinha uma mente fértil. Recebia dos clientes a mesma gentileza que passava ao lado da irmã, Yoora, a segunda atendente do lugar. O negócio era mesmo de família.

Chanyeol, como um bom amante dos mundos imaginários, gostava de criar histórias para as pessoas que passavam por sua vida na cafeteria. Às vezes montava um cenário para uma mulher solitária escrevendo em um caderno enquanto apreciava uma xícara de macchiato, ou para um grupo de amigos que conversava animado ocupando a mesa por horas, abrilhantando o lugar, ou para o homem de terno e gravata que mal dizia duas palavras além de Bom dia e Obrigado antes de sair com seu copo para viagem, ou um casal que dava as mãos sobre a mesa, tímidos, dois garotos tentando se esconder da maldade do mundo. 

Gostava muito de pensar o que os levou até ali, porque escolhiam aquelas bebidas, porque gastavam o tempo dentro daquele lugar aconchegantemente apertado. Era assim que encontrava distração pelas horas que passava trabalhando, enchendo xícaras de líquido quente ou copos largos de cremes gelados, beliscando pãezinhos de frutas que a mãe tirava do forno ou almoçando macarrão no calor da cozinha, rindo com o pai que tinha as mãos sujas de massa fina. Tudo isso sem parar de pensar nas histórias de todos aqueles que encarava por poucos minutos, sorrindo sozinho ao imaginar um beijo do casal, entristecendo-se ao pensar na solidão do homem apressado.

Foi em um desses mergulhos na imaginação que Chanyeol conheceu aquele rapaz. O mesmo que estava em sua frente, carregando um livro em um dos braços e um casaco pesado no outro, pedindo pelo mesmo café expresso de sempre. Provavelmente iria sentar em uma das mesas afastadas, perto da janela. Era Yoora quem servia as mesas, então Chanyeol só o olhava de perto quando ele chegava no balcão para pedir e para pagar.

Assim como todas as vezes, o homem de estatura média sentou com as pernas cruzadas elegantemente, abrindo o livro com as mãos graciosas, agradecendo a Yoora com um acenar de cabeça antes de distrair-se entre as páginas e os goles. Ele não falava muito, mas pedia uma nova xícara em pouco menos de trinta minutos, permanecendo na cafeteria por uma ou duas horas enquanto lia, vez ou outra pedindo pãezinhos para acompanhar a leitura.

A primeira vez que Chanyeol viu Kim Minseok fora na primavera. Ficou imediatamente curioso pela presença nova e intrigante, o vendo aparecer de novo e de novo durante pouco mais de um mês, tempo em que o viu entrar e sair com um livro diferente, de idiomas desconhecidos pelo Park, até que ele simplesmente parasse de aparecer.

Não esperava vê-lo de novo, parado ali, o rosto límpido, os óculos redondos e de armação dourada presos na ponte do nariz. Ele piscou na direção de Chanyeol, parecendo confuso, e o beliscão suave que Yoora deu na coxa do irmão foi o que o fez perceber que tinha parado de funcionar quando o homem quase desconhecido parou em sua frente.

— Perdão? D-Desculpe, eu não escutei você. — Chanyeol murmurou rapidamente, vendo a sombra de um sorriso no rosto que antes parecia tão impenetrável.

— Eu disse boa tarde — o rapaz repetiu — gostaria de um expresso puro, por favor.

— Ah, sim. Claro… — Chanyeol por pouco não disse que deveria saber. Não queria parecer invasivo ou mostrar que gravou todas as feições dele mesmo depois de meses. Tentou, inclusive, desconversar. — Pra aqui ou pra levar, senhor…?

— Hm? Aqui mesmo. Minseok. — As sobrancelhas dele eram bonitas até formando aquela expressão séria, uma delas erguida. Chanyeol não entendeu as feições mais duras.

— Tudo bem, pode se sentar que será servido em sua mesa. — Chanyeol lhe entregou a nota de troco, achando engraçado o fato de ele pedir no balcão toda vez mesmo tendo que pagar de novo por precisar de mais café ou acompanhamentos. — Obrigado e tenha uma boa tarde.

Chanyeol o observou se afastar e sentar exatamente onde tinha previsto, escondendo um sorriso para não ser muito esquisito, atendendo a pessoa que aguardava na fila. Ficou tão imerso nos próprios pensamentos que demorou para despachar Minseok ao ponto de uma nova pessoa precisar aguardar. Não era uma coisa que acontecia com frequências nas tardes, as manhãs eram comumente mais aglomeradas.

Afastou-se do balcão para fazer o cappuccino pedido pelo rapaz seguido de Minseok, já que Yoora já tinha dado jeito no expresso e já estava até mesmo levando a xícara simples para ele. Suspirou quando entregou a bebida para o outro cliente, agradecendo pela preferência como era instruído a fazer. Espiou Yoora voltando para seu lado, deixando o campo de visão livre e lhe permitindo enxergar Minseok e o costumeiro livro na mão, a xícara na outra.

Tinha ficado tão bobo que nem mesmo pôde apreciá-lo como devia. Não tinha reparado, até aquele momento, que ele estava usando uma boina escura e bonita, o deixando com uma aparência ainda mais… marcante. As roupas de tecido social, ainda que não fossem paletó e gravata, o relógio no pulso e o óculos que ajustava às vezes. Ele era tão alinhado. Requintado, se assim pudesse dizer. Nem mesmo fazia sentido para Chanyeol que um homem como Minseok estivesse ali, por horas, sentado em sua cafeteria pequena de família, bebendo do café que ele moía com devoção e cuidado.

Mas, contrariando qualquer coisa que a imaginação de Chanyeol pudesse montar — pensou que ele fosse algum escritor procurando inspiração, ou um jornalista do bairro que parava por ali e iria embora logo — Minseok continuou indo. Uma segunda, terceira vez. Pedindo o mesmo café expresso que precisaria ser reposto e sentando na mesma mesa de frente para a janela. 

O livro, porém, era diferente, e Chanyeol se pegou mais uma vez tentando ler o nome na capa ao longe, usando dos olhos livres de miopia ou astigmatismo para identificar as formas, mas sendo incapaz de compreender os escritos em língua ocidental. Parecia fascinante que Minseok pudesse ler, na verdade, era só mais uma das coisas que despertavam em Chanyeol a vontade de ir até ele e saber mais sobre a história dos olhos castanhos.

Não o imaginou nem mesmo voltando naquele outono, muito menos tantas vezes, com todos os suéteres de tons terrosos e boinas de cores neutras. E a curiosidade que morava em Park Chanyeol não conseguiria o manter quieto atrás daquele balcão por muito mais tempo.

***

Kim Minseok não era um homem de muitas raízes. Mesmo que nunca deixasse de valorizar a família que o criou ou a cultura onde cresceu, vivia entre aeroportos e ruas internacionais contribuindo para o mercado da arte com suas críticas bem estruturadas. O olhar sensível para toda e qualquer pincelada era parte de seu trabalho e era o que o guiava pelo mundo, conhecendo novos artistas em diferentes países.

Especializado na área das pinturas,  costuma passar meses fora da Coreia acompanhando exposições e escrevendo resenhas e críticas sobre os quadros que admirava com precisão, além de manter os estudos em dia com um currículo impressionante. Nunca parou muito. Então tinha alguns conhecimentos acumulados, seja nos diversos livros que leu ou nas diversas línguas que aprendeu. Com a graduação coreana, a pós na Inglaterra e o mestrado na França, ele podia dizer que explorou muito bem o que o mundo acadêmico pôde entregar a ele. O doutorado, ainda não sabia onde iria finalizar.

A aventura de se meter onde pudesse foi o que o levou a tantos patamares, porque ele nunca teve medo de se arriscar. O apoio que recebeu dos pais quando a proposta de intercâmbio em Londres chegou também foi um bom incentivo. O resto veio enquanto ele percorria o caminho, tornando-se um nome conhecido e curioso no meio da Arte, sempre tendo uma palavra diferente para trazer às críticas e às obras, fato que o fazia ser bastante requisitado.

Quando ele podia voltar à Seul, o fazia. E a decisão de retornar ao país de origem veio assim que a tese do mestrado foi aprovada e ele ficou momentaneamente livre. Era o momento de respirar, depois de escrever folhas e folhas de conteúdo acadêmico e prestigiar dezenas de exposições impecáveis ou não tão fabulosas assim — ele sempre encontrava um diamante escondido, de qualquer maneira.

Decidido a descansar, pegou um vôo para casa no início do outono, deixando a capital francesa para trás com mais um belíssimo título na carreira. Gostava muito dos pais, que já tinham entrado na terceira idade e ficavam cada vez mais entrosados com as simplicidades da vida, vendo graça em coisas cotidianas. Minseok precisava de um pouco disso, percebeu no primeiro dia em que pisou na casa tradicional e viu os dois trocando altas gargalhadas por conta de um programa de variedades.

Foi nessa calmaria que ele escolheu ficar por mais tempo. Talvez não voltasse para a Europa até a virada do ano. Seriam férias merecidas, afinal.

— Mãe. — Minseok cutucou a cintura da mulher, que estava distraída misturando a massa de um bolo enquanto escutava as músicas de Lee Sunhee que o filho colocou para tocar na caixa moderna de som. — Estou indo para o apartamento, tudo bem? Volto amanhã.

— Certo querido, venha almoçar, vou fazer seu prato favorito.

— Combinado. — O homem deixou um beijo na bochecha da mãe, afastando-se com um sorriso. — Diga ao papai pra não ficar o tempo todo mexendo em coisas na garagem. Quase não o vi hoje.

— Ah, esse daí… não escuta é ninguém. — O tom de reclamação foi engraçado, então Minseok riu breve. — Como é mesmo que desliga a música? Aperta no botão vermelho?

— Isso, pra ligar também. — Explicou apenas mais uma vez antes de se despedir, passando na garagem para falar com o pai.

Era filho único, então não gostava de pensar que deixou de dar atenção para um dos progenitores. Eles já passavam tempo demais sozinhos.

Quando voltava para a Coreia, não ficava na casa dos pais porque achava melhor ter um lugar próprio para qualquer eventualidade, apesar de passar bastante tempo na casa onde cresceu. Tinha um apartamento mediano alugado há poucos quarteirões, e até mesmo preferia ir até lá andando.

Naquela manhã, deixou todas as malas na sala antes de sair, surpreendendo os pais com a presença ilustre e inesperada, porque ele não avisou que estava vindo — motivo para a insistência da mãe em preparar um almoço especial no dia seguinte. Se arrependeu da escolha assim que se pôs a caminhar de volta para o apartamento e lembrou que teria que arrumar toda a bagunça.

Foi no meio dessa lamentação pessoal que ele avistou a cafeteria pequena de letreiro clássico, um dos lugares mais frequentados no bairro pacato de seus pais. Era rústico e aquecido, pelo que Minseok lembrava. Já havia provado do café e, num lapso de memória, recordou-se da razão para ele saber tão bem como era o gosto da bebida ou a temperatura do ambiente.

Visitou a cafeteria diversas vezes. E o motivo para tais visitas era a pessoa que ficava atrás do balcão.

Minseok não era de dar muita importância a interesses momentâneos, justamente por ser uma pessoa de idas e vindas, então nunca chegou a tomar qualquer iniciativa. Gostou do café e do lugar simples e confortável, por isso continuou retornando e, ao mesmo tempo, inconscientemente deixando aquela pequena admiração pelo barista crescer, espiando-o trabalhar nas pausas da leitura que colocava em dia dentro da cafeteria.

Apenas para passar o tempo e engrandecer a beleza que capturava com as vistas, nada intenso demais e nada que o impedisse de ir embora outra vez. Claro que, com a viagem que fez durante os meses, acabou esquecendo do rapaz. Tinha muitas coisas para fazer e outros interesses momentâneos que vez ou outra lhe chamavam atenção entre as vielas francesas e os museus e galerias de arte, completamente normal.

No entanto, ao se ver na frente da cafeteria singela novamente, sorriu breve ao recordar-se do rapaz alto que via de longe. Não tinha compromissos, pela primeira vez em semanas, então achou que não seria de todo mal observar a tarde de outono coreana enquanto aproveitava de um café quentinho. Checou os bolsos do sobretudo só para ter certeza que levou um livro consigo — sempre tinha um, amava livros de bolso — e entrou no estabelecimento, o cheiro do café e do açúcar tomando conta do olfato quase na mesma hora.

Mentiria se dissesse que não ficou desapontado em não ser reconhecido, mas não poderia culpar Chanyeol, nome que leu no crachá. Se tinha esquecido o nome do rapaz, ele tinha o direito de esquecer o seu. Provavelmente atendia dezenas de pessoas por dia e Minseok tinha desaparecido por meses. Não fazia mal, então ele não se importou, indo sentar no mesmo lugar que gostava e abrindo o livro para distrair a mente.

Isso se seguiu por mais três ou quatro dias. Não seguidos, porque ele prometeu a si mesmo que iria parar com o café em excesso, mas dava uma passada na cafeteria quando saía da casa dos pais, voltando a alimentar o breve interesse no barista de olhos escuros. Ele era alto e bonito, simples e gentil. Minseok gostava de pessoas assim, que o deixavam curioso para saber mais.

Com a vida de passaporte cheio e contato com muita gente livre, já tinha se encontrado e se envolvido com diversas pessoas exuberantes, desde pintores excêntricos até modelos bem pagas. Talvez por isso se encantasse tanto com gente que via pelas ruas e trens e atrás de balcões de cafeterias. Eram pessoas… comuns, tão cheias de história quanto quaisquer outras, mas que deixavam tudo escondido no meio da rotina. Era o tipo de gente que Minseok gostava de conhecer.

E tudo naquele barista o deixava curioso. Queria ouvir um pouco mais da voz dele, por isso sempre tentava alcançá-la duas vezes, queria talvez tentar se aproximar, mesmo que achasse melhor não estender os laços na Coreia ou em qualquer lugar, motivo para não ser uma pessoa de muitos amigos ou comprometida. Por essa razão, mantinha-se afastado, apenas observando e, intimamente, desejando que Chanyeol o enxergasse por ali também.

Enquanto os dias passavam e ficavam mais frios, Minseok continuava indo até a cafeteria aconchegante. Como estava praticamente de férias e não tinha nada melhor para fazer além de visitar os pais e passar um tempo com as bobagens caseiras deles, não via problema em manter aquela rotina simples, gostando muito de ter um lugar para ler com calma e com a companhia das bebidas quentes.

Geralmente, ficava pouco mais de uma hora, o tempo de ler um capítulo ou um tanto mais dos livros que levava consigo, e planejava fazer o mesmo quando entrou no lugar naquela tarde úmida. Não se surpreendeu, porém, ao ver a chuva começar a cair enquanto folheava as páginas ilustradas do seu exemplar de Bauhaus, que achava fascinante.

Despreocupado, soube que passaria mais tempo por ali, decidindo pedir alguns pães doces para não ficar com o estômago vazio. A garota alta que servia os cafés se aproximou assim que ele chamou. Yoora, como dizia o crachá, era tão bonita quanto o rapaz, pareciam ser irmãos, fato que brincava um pouco com a bissexualidade de Minseok. No entanto, Chanyeol tinha alguma coisa diferente nos desvios de olhar e no sorriso contido na curva pequena dos lábios.

A garota parecia ser mais nova que ele, também, e no auge dos vinte e nove anos, Minseok não buscava se envolver com quem tinha menos de duas décadas de vida ou estivesse próximo disso. Se interessar por Chanyeol foi natural e pretendia se manter daquela forma.

— Pode trazer dois pães doces de canela, por favor? — Educado, sorriu quando ela confirmou. 

A viu se afastar ao tempo em que o celular vibrava no bolso da calça, marcando a página do livro antes de pegar o aparelho para atender. Viu o nome de contato de um dos colegas de trabalho, dono de uma galeria renomada. Ergueu as sobrancelhas, sem ter certeza de que o avisou que não estava mais nos arredores de Paris. Atendeu a chamada, o francês fluindo fácil na ponta da língua.

— Levi, diga. — Bebericou o fim do café, deixando a xícara de lado. Os olhos foram em direção à janela grande e fechada, observando a chuva escorrer pelo vidro.

— Meu querido! Está sabendo da exposição que organizei na galeria para semana que vem, não está? Não sei se Elisa te disse, deixei com ela o recado.

— Ah, sei sim, mas avisei a ela que não poderia comparecer, acho que ela falhou em te dar a resposta. — Sorriu breve, já sabendo que Levi tentaria convencê-lo a ir prestigiar. Queria sempre críticas suas para exibir em encontros sociais. — Estou na Coreia, não voltarei por agora.

— Ora, tem certeza? Poderia tentar aparecer no próximo sábado, não deve fazer mal.

— Estou descansando em casa, não poderei ir desta vez, sinto muito. — Relaxou as costas na cadeira, descruzando as pernas e cruzando novamente para o outro lado. — Mas vou acompanhar as fotos que postar no site, fique tranquilo. Escreverei algo se desejar.

— Ah, tudo bem então. Mas repense, quem sabe não muda de ideia? Conhece o lugar, se aparecer ficarei muito grato.

— Certo, vou pensar. — Mentiu, apenas para encerrar o assunto. Não queria falar de trabalho enquanto estava longe, porque voltou para casa justamente para afastar-se um pouco de tudo isso. — Boa sorte de qualquer maneira, escrevo uma nota em sua página.

— Obrigado, querido. Bom descanso. — Levi já parecia estar desistindo. Minseok agradeceu internamente.

— Não há de quê. — Olhou para o relógio, calculando facilmente que horas deveriam ser em Paris. — Um bom dia pra você.

Despediu-se formalmente, muito habituado em falar francês para notar que ninguém ao seu redor compreendia qualquer coisa do que ele estava falando. Por essa razão não entendeu os olhos um pouco arregalados de Park Chanyeol, parado ao lado de sua mesa com uma bandeja nas mãos.

Então se deu conta, guardando o celular com um sorriso no rosto, naturalmente voltando ao coreano. Às vezes a mente dava voltas com os diversos idiomas que sabia falar, esquecendo uma palavra ou outra entre eles, mas em situações assim, era fácil. Escutava outras pessoas falando coreano e adaptava-se em pouco tempo.

— Oh, obrigado. Te assustei com alguma coisa? — Perguntou, aceitando os pães que foram colocados em sua mesa, seguidos da nova xícara de café que ele até esqueceu de pedir. Chanyeol negou com a cabeça.

— Desculpe, é que você estava falando... Era tipo, francês? — Ele colocou as mãos atrás do corpo. Minseok o olhou por um momento, tentando ser discreto. Ele parecia muito mais alto sem estar atrás do balcão.

— Era sim, mas fica tranquilo, não estava falando mal de ninguém ou de nada — brincou, gostando de ver o início de um sorriso nos lábios dele. — Apenas trabalho.

Minseok não seria falso, aquela pequena conversa era a maior que já teve com o rapaz e isso o deixava um pouco alegre. Achou que nunca o escutaria dizer nada além de “o que deseja?”, então estava no lucro.

— Ah… nossa, parece difícil. Não entendi nada do que você disse. Não que eu estivesse prestando atenção na sua conversa — espalmou as mãos no ar, adorável na visão do crítico. — Só não deu pra não escutar. Certo… tenho que voltar agora, desculpe.

— Não precisa se preocupar. E não é tão difícil quando se mora por lá, aprendi a maior parte convivendo. — Tentando parecer gentil e receptivo, porque não queria perder aquele início de contato, Minseok não o deixou ir antes de dizer. — Qualquer dia podemos falar sobre isso… Chanyeol.

Fingiu ler o nome que já sabia no crachá, para não ser tão óbvio. E foi divertido ver o Park piscar graciosamente. Sorriu na direção dele, gostando do corar leve das bochechas e na ponta das orelhas. Não esperava isso, de nenhuma maneira. Não era o tipo de pessoa que pensava causar qualquer timidez.

— Tudo… tudo bem. Espero que goste dos pães — curvou-se levemente, voltando para trás do balcão em passos largos.

Momentaneamente feliz por razões tão simples, como aquela cafeteria e aquele rapaz, Minseok voltou a abrir o livro, observando a chuva enfraquecer no fim de tarde.

***

Munido de uma coragem estranha depois de conversar com Chanyeol pela primeira vez, Minseok decidiu tomar um rumo diferente quando entrou na cafeteria naquela quarta-feira nublada. Não pediu um expresso e sentou-se em uma mesa, avistando os bancos individuais na lateral do balcão assim que caminhou para mais perto.

Surpreso com a própria ousadia, sentou ali pela primeira vez, a um assento de distância de um rapaz que tomava um copo grande de uma bebida gelada. Ajeitou-se confortavelmente, pousando o livro na madeira escura disponível para os clientes deixarem seus pedidos. A aproximação de Chanyeol foi silenciosa e um pouco tímida, mas Minseok sorriu ao ouvir a voz dele.

— Boa tarde, Minseok — saudou. — Vai querer um expresso?

Ele usava uma camisa larga atrás do avental preto, os cabelos escuros arrumados sobre a testa. Bonito, enquanto o esperava responder.

— Hoje não. Tem alguma recomendação pra mim? — Minseok entrelaçou os dedos sobre a bancada, os olhos grandes e belos de Chanyeol piscando na direção dele.

Curioso e instigado, o Park admirou o homem por um momento. Usava uma boina escura que combinava com o casaco social pesado que cobria o tronco, os olhos naturalmente delineados atrás dos óculos elegantes. Nunca tinha visto Minseok tão de perto por mais de um minuto. Prendeu a vontade de suspirar.

— Mochas. Tem de três tipos, recomendo o com chocolate amargo. — Era o que ele mais gostava, tanto de fazer como de beber. — Com creme.

— Que seja isso, então. Parece bom. — O sorriso ladino dele era bonito, o Park reparou. — Obrigado pela recomendação, Chanyeol. Posso te chamar assim, certo?

— Claro… — Não resistiu, respondendo ao sorriso. Afastou-se para preparar a bebida, pensando imediatamente em fazer o melhor café com chocolate já servido naquele lugar.

Minseok nunca pedira nada diferente do expresso e aquela era a chance de Chanyeol mostrar para ele sua especialidade. Se ele gostasse, ficaria nas nuvens, e com certeza era onde queria estar. Não ia mentir, porém, dizendo que a presença tão vívida não o intimidava, então fez o possível para abstrair do quão perto do homem bonito estava, quieto e distraído na leitura.

Até tentou espiar o que ele lia, pelo menos identificar se era coreano, mas não quis parecer enxerido, então preferiu prestar atenção na xícara que manuseava, escutando Yoora atendendo outros clientes e lhe passando os pedidos anotados.

Do outro lado da bancada, o crítico apenas fingia ler as páginas impressas em inglês, levantando os olhos vez ou outra para observar Park Chanyeol trabalhando. O viu moer e coar o café, misturar ao chocolate e ao leite, reparando nas mãos grandes que pareciam muito mais delicadas do que poderia imaginar enquanto usava o mixer pequeno.

Ele era caprichoso, decorando uma taça bonita e elegante com calda de chocolate, despejando a bebida, finalizando com o creme de chantilly. Concentrado em fazer algo gostoso. Minseok não segurou o sorriso quando foi servido, admirando o chocolate em pó que decorava o topo da taça cheia.

— Espero que goste. — Chanyeol se afastou, as mãos atrás do corpo como já havia feito antes. — É o meu favorito.

— Parece ótimo. — Tocou cuidadosamente no cristal aquecido da taça com uma das mãos, a alça quase inutilizada por ele em qualquer ocasião. Estava habituado a beber cafés e chás daquela maneira.

Esperou o suficiente para esfriar, experimentando mesclar o creme ao líquido com a colher oferecida. Não era muito doce, coisa que o agradou bastante, e o sabor do chocolate era tão presente quanto o do café. Era bem gostoso, na verdade. Até mesmo considerou pedir outras vezes, mesmo que apenas um bom café expresso fosse forte o bastante para o deixar acordado ou concentrado.

Quando levantou a cabeça, encontrou os olhos curiosos de Chanyeol, a expectativa cintilando nas íris castanhas. Minseok quis rir, porque ele era adorável. Com certeza estava esperando aprovação.

— É muito bom. — Sorriu, sendo agraciado pela felicidade óbvia no rosto do Park. — Sabe mesmo como fazer isso, não é? Parece ser bastante fácil pra você.

— Ah, tô acostumado. Que bom que gostou, espero que aproveite o restante da bebida. — Chanyeol olhou para trás, vendo três pedidos o esperando. — Preciso fazer outros, mas se precisar de mais alguma coisa você chama.

— Sem problemas.

Voltando a fingir que lia, Minseok deixou Chanyeol retornar às máquinas e grãos. Sendo honesto, não lembrava da última vez que teve a atenção tomada por uma pessoa ao ponto de fazê-lo ignorar as palavras e imagens que sempre possuíram sua total dedicação. Mas ali estava aquele rapaz, arrancando um pouquinho da seriedade do Kim.

O crítico não sabia dizer onde tudo isso iria terminar, mas não estava arrependido de ter dado aquele passo, apoiado na bancada por trinta minutos antes de ter Chanyeol livre para se aproximar outra vez. Seria um falso se dissesse que não estava esperando por isso.

O café doce estava no fim e Minseok até mesmo passou algumas páginas do livro, mas levantou o olhar para o Park assim que ele se aproximou, visivelmente curioso.

— Então você também fala inglês? — O barista perguntou, a frase saindo rápida porque ele ainda estava nervoso mesmo que tentasse esconder. Não era lá todo dia que ele tinha a atenção de Minseok sobre si. Quando ele assentiu, Chanyeol não segurou a feição surpresa, fazendo o outro rir breve. — Como você consegue?

— É prática. Falo inglês por ter morado na Inglaterra, Francês por conta do tempo que passei por lá. E japonês apenas por ser fã de mangás e animes. — Deu de ombros, achando muita graça do quanto o Park estava chocado. Espalmou uma das mãos no ar. — Eu sei que parece difícil, mas não é como se eu fosse muito especialista. Me comunico, aprendi vocabulários. Não fique tão surpreso, ainda prefiro falar coreano.

— Caramba, você deve ser muito inteligente. Como não fica falando em um monte de língua diferente em pensamento? Não é confuso?

— Às vezes — riu. — Mas tento focar no lugar e nas pessoas com as quais converso, não é um bicho de sete cabeças.

Parecendo casual, Minseok mexeu o resto da bebida com a colher, apenas para usar a mão e não ter tanto da postura intimidadora que costumava sustentar. Chanyeol tinha o cantinho do lábio inferior entre os dentes enquanto tentava se controlar falando com seu… crush de cafeteria.

— Você trabalha em outro país? É que naquele dia você disse… sabe, na ligação. Que era trabalho — pigarreou, se achando intrometido, mas tentando relaxar. Ele não parecia incomodado.

— Sim, estou acompanhando algumas coisas européias ainda. — Sorriu ladino, um pouco decepcionado por ver uma pessoa se aproximar do balcão. Talvez quisesse muito continuar conversando com o Park. — Mas estou de férias. Vim passar o fim de ano em casa. 

— Ah, agora entendi. — Chanyeol disse, mais para si que para o outro, arregalando os olhos em seguida. Quase deixou óbvio como notou o sumiço e o aparecimento repentino do Kim. — Só um… momento.

Minseok conseguiu captar o que o Park deixou escapar, porém, uma satisfação estranha crescendo dentro dele. Oh, então ele havia o notado ali sim, desde a primavera. E tão desconcertado quanto si próprio, fingiu não o reconhecer nem saber seu nome. A vontade de rir que tomou conta do crítico foi expressa em uma risada abafada e curta, muito bem controlada.

Se permitiu, então, dar mais voz que o comum para aquele interesse excêntrico. Espiou Chanyeol trabalhando outra vez, adicionando mentalmente uma lista de coisas que queria saber sobre ele. A idade — essa parte era importante —, o que ele gostava de fazer fora do trabalho, quem ele gostava de beijar, talvez. Ou ter um pouco mais de intimidade, quem sabe, Minseok pensou enquanto os olhos espertos desciam pelo corpo alto de ombros largos.

Balançou a cabeça levemente, repreendendo os próprios pensamentos. Ainda precisava conhecer mais dele para, finalmente, tomar uma iniciativa ainda mais direta. Agora que chegara até aquele ponto, já não sentia mais receio de testar caso visse a oportunidade. Por essa razão, nem mesmo se preocupou em olhar o relógio, pedindo uma fatia de bolo e aguardando pela companhia de Park Chanyeol por mais algumas adoráveis e atípicas horas.

***

Chanyeol não podia dizer que se arrependia de ter lutado contra a própria timidez e dado continuação à conversa informal com Minseok naquela tarde. Porque foi isso que lhe deu abertura para continuar sentando ao lado do balcão, cada vez menos silencioso.

Até mesmo tinha recebido uma tradução da sinopse do romance que ele estava lendo em outra língua. Ele geralmente lia obras didáticas ou relacionadas ao trabalho, que inclusive deixou Chanyeol muito impressionado, mas estava tentando se dar um tempo de verdade das obrigações profissionais e abranger a literatura fictícia.

Saber tudo aquilo sobre o homem fazia o Park vibrar por dentro, porque sentia-se cada vez mais próximo de Minseok, no sentido figurado, não físico — já que ele se mantinha sempre a uma bancada de distância. Conversar com ele nas horas vagas do trabalho estava sendo ótimo, sim. Mas Chanyeol não negava o quanto queria poder encontrá-lo fora da cafeteria familiar.

Não que quisesse apressar qualquer contato ou se jogar em cima do rapaz bonito, claro. Talvez quisesse um pouco, mas o motivo não era aquele. Apenas queria ter um pouco mais de privacidade para descobrir se os pequenos flertes que recebia eram reais, ou se os olhares que sentia queimar sua pele estavam mesmo ali porque Minseok estava interessado em si de volta.

E não era o tipo de coisa que ele poderia perguntar no meio dos clientes e ao lado da irmã mais nova. Seria apenas bom ter como ver o crítico a sós. Na verdade, aquele cenário aparecia cada vez mais nos sonhos conscientes do Park, sempre que a mente viajava para os olhos de Minseok ou para o sorriso bonitinho dele.

Não demorou muito para que Chanyeol soubesse que o desejo do momento sozinhos era tão recíproco quanto o interesse sutil que tomava cada vez mais conta dos dois. E a coragem de propor aquele convite veio no início de noite de uma sexta-feira, quando Minseok apareceu com o cabelo livre de boinas e o corpo protegido por um sobretudo escuro.

Foi na hora de perguntar-lhe o que gostaria de tomar que a surpresa deixou Chanyeol de sobrancelhas erguidas e bochechas coradas.

— Estava pensando em outro tipo de bebida hoje. — Minseok riu breve, sentando-se no banco alto. Já sabia que Chanyeol era apenas quatro anos mais novo e não via mais impedimento para fazer o que pretendia. — Achei que poderia te chamar pra dividir uma cerveja comigo mais tarde, se você quiser.

— C-Como? — Ele piscou, o pano de prato que usava para secar uma xícara bem seguro na mão. — Eu?

— Mais alguém se chama Park Chanyeol por aqui? — Minseok levantou uma sobrancelha, o sorriso galanteador no rosto. — Não precisa aceitar se não quiser ou puder. Apenas achei que poderíamos mudar um pouco de ambiente.

    Ele deu de ombros e Chanyeol sentiu como tudo dependia de si. E Minseok não fazia ideia do quanto o Park estava esperando por aquilo.

— Parece ótimo. — Escondeu a animação colocando o pano no lugar, o arrumando discretamente. — Se quiser esperar um pouco, meu turno já termina.

Eles fechavam a cozinha às seis e meia, então os pais de Chanyeol e Yoora assumiam o turno da noite. Yoora estudava pela manhã e Chanyeol não tinha encontrado interesse em alguma faculdade por enquanto, então não se importava em ficar responsável pela cafeteria pela maior parte do dia. Pediria folga naquele sábado, porém.

Se iria beber, talvez precisasse descansar no dia seguinte.

— Tudo bem. 

Minseok não se importou em esperar. Chanyeol, que não ia mesmo sair com o cara que estava interessado sem tomar um banho, pediu um pouco mais de tempo para ir até a própria casa e se arrumar. Morava ao lado da cafeteria com a família, então se banhou rapidamente e trocou de roupa, passando um perfume cheiroso e arrumando os cabelos escuros.

Se sentiu inevitavelmente melhor sem o avental e as roupas simples, ainda que continuasse com peças casuais. Quando Minseok o encontrou na calçada, escondeu um riso nervoso com um pigarro, lhe perguntando para onde iriam e ignorando o quanto a diferença de altura entre eles ficava mais aparente daquela forma.

Ficou surpreso ao entrar em um táxi que os levou até um dos bairros noturnos da capital coreana, mas a escolha de Minseok fez sentido quando passaram da porta discreta de um dos bares populares para o público LGBTQIA+. Ele era direto e não queria problemas com interações mais íntimas. 

Certo. Chanyeol conseguia tranquilamente lidar com aquilo, sentando no assento acolchoado atrás de uma das mesas e sorrindo quando ele sentou à sua frente.

— Olha, não estou querendo dizer nada com esse lugar. — Minseok cuidou em falar quando dispensou o garçom, para quem pediu duas cervejas geladas. — Só queria mesmo não precisar esconder nada e tal, acho meio chato conversar em lugares conservadores.

— Eu entendo, não tem problema. Prefiro assim também — sorriu, sentindo-se mais tranquilo ainda. Estava bem confortável, para ser sincero. Poderia inclusive esquecer formalidades e partir para o beijo se fosse dar ouvidos ao que pensava em fazer o tempo inteiro, mas entendeu que o crítico não estava apressando nada.

— Então… não esperei que você fosse aceitar meu convite, na verdade — riu. — O adiei por um tempo.

As cervejas chegaram enquanto Chanyeol processava as palavras, e os dois agradeceram. Minseok achou graça no silêncio do mais novo ao abrir e provar da bebida, repetindo os atos dele com um sorriso pequeno e contido nos lábios.

— Não tinha motivo para negar. — O Park deu de ombros. — Também queria conversar mais abertamente com você. É uma boa companhia.

— Ah, ainda bem… — Minseok passou os olhos pelo rosto de Chanyeol, descendo para os ombros largos e peitoral avantajado. Umedeceu os lábios, ciente de que estava sendo flagrado enquanto o secava. — Também te acho ótimo.

O clima era bom. Um pouco tenso, se Chanyeol fosse falar a verdade, porque Minseok era muito charmoso e o intimidava um pouquinho, mas estava sendo bem interessante ter os olhares dele mais diretos sobre si. Não havia sombra de nenhuma dúvida, o crítico estava querendo um pouco mais do Park e vice-versa.

Então Chanyeol entraria na onda, soltando-se ao tempo em que tomava mais da cerveja, os braços descansando na mesa porque ele queria se sentir mais próximo do Kim. Não poupou os detalhes, também, porque queria mostrar que era tudo recíproco por ali, entre as risadas breves que trocavam e a intensidade do quanto se olhavam.

— Eu ainda não aceito que você saiba tantos idiomas. — Chanyeol brincou com a garrafa de cerveja, cogitando a ideia de pedir soju para a próxima rodada. A bebida tradicional o deixava bem quente e por alguma razão ele sentiu aquela vontade. Talvez fosse a companhia.

— Eu juro que não é coisa de outro mundo. — Minseok riu, passando a mão nos cabelos um pouco mais claros que os do Park. Chanyeol não pôde deixar de notar como ele ficava bonito de qualquer jeito, com ou sem acessório. — Posso te ensinar um dia, se você quiser. O que sente vontade de aprender?

— Ah, sei lá. Inglês é legal, eu sei algumas coisas por causa dos jogos… japonês também um pouco — riu, porque era péssimo em tudo o que não fosse coreano. — Francês parece muito complicado.

— Prometo que não. Se quiser aprender, ajudo. — Propôs, despreocupado. Era a primeira vez em tempos que tinha condições de pensar em relacionar-se com uma pessoa por mais de duas semanas, mesmo que de maneira amigável ou como um tutor de um idioma.

Um grande avanço, ainda mais por estar na Coreia. A ideia até lhe pareceu meio esquisita quando falou a primeira vez, mas foi natural depois. Ele estava mesmo disposto a passar meses no país natal.

— Fala alguma coisa em francês, então. — Desavisado da reflexão interna de Minseok, Chanyeol disse, bebendo um gole da cerveja em seguida.

O mais velho levantou as sobrancelhas, encarando Chanyeol por longos segundos. Sorriu ladino, pensando no que dizer e encontrando ali a oportunidade perfeita de, finalmente, flertar com ele de forma direta.

— Certo… — Umedeceu os lábios, deixando a garrafa vazia de lado. Curvou-se um pouco sobre a mesa, chegando mais perto de Chanyeol para que ele pudesse ver seus lábios com clareza, já que a atenção do mais novo foi para aquela parte específica de seu corpo. — Tu es très beau.

Chanyeol prendeu a respiração e nem soube explicar o motivo. Talvez fosse um pouquinho de álcool, ou os lábios que se moviam à sua frente ou porque o idioma soava muito sexy na voz de Minseok. Mesmo que ele não tenha entendido uma palavra do que foi dito.

— M-Muito bom. Nem parece que tem sotaque ou sei lá… — piscou, sem conseguir desviar o olhar. — O que significa?

Minseok riu contido, lhe pedindo para se aproximar com um gesto simples de dedos. Chanyeol engoliu em seco, mas não tinha nada a perder. Por isso, fez o que lhe foi pedido.

Se aproximou do Kim, tomando cuidado para não fazer nada de forma abrupta e acabar causando algum constrangimento. Fingiu que não se arrepiou quando ele deixou os lábios próximos à sua orelha, a respiração batendo contra sua pele. E então tudo dentro de Chanyeol desmoronou e voltou ao lugar, a confirmação de que estava ali com um homem que o queria atingindo diretamente o barista.

— Você é muito bonito.

Chanyeol sentiu todos os pelinhos se arrepiarem e nem mesmo conseguiu controlar, olhando para Minseok de soslaio. Numa súbita coragem, virou a cabeça um pouquinho mais, descendo os olhos pelo rosto dele, parando na boca por tempo demais para passar despercebido. Precisou de muita força de vontade quando ele sorriu ladino.

— Obrigado… — conseguiu murmurar em resposta, ainda sentindo-se fora de órbita quando o Kim se afastou para voltar ao lugar. Fez a mesma coisa, agradecendo à iluminação do bar para disfarçar as bochechas coradas. 

Por Deus, tinha vinte e cinco anos, não tinha que ficar por aí com a cara vermelha por conta de outro cara só porque ele era lindo. E bem instigante, só para não dizer nada mais explícito.

Teve que suportar aquele maldito clima por todo o tempo em que conversaram, sustentando os olhares e, por fim, pedindo soju para aquecer ainda mais o sangue e colocar a culpa no álcool em seguida. Não era alguém que ficava bêbado com facilidade porque costumava jogar partidas e partidas de baralho com o pai e os amigos, e tinha que manter a concentração independente do quanto bebia, então nem mesmo poderia fingir que estava fora das faculdades mentais.

Quando decidiram sair do bar, no meio daquela atmosfera perigosa que os fazia caminhar com os braços se tocando a cada passo, escolhendo o meio de transporte que usariam para voltar para casa, Chanyeol soube que não tinha mais para onde fugir. E nem queria.

— Foi realmente muito bom passar esse tempo com você. — Minseok disse, dando passos preguiçosos. Ele era tão mais baixo que Chanyeol nem deveria se sentir tão pequeno ao lado dele, andando na calçada que refletia as luzes coloridas de algumas boates. — Quer que eu te deixe em casa?

Chanyeol mordiscou o lábio inferior, olhando algumas vezes para as fachadas das baladas cheias de jovens e ponderando se deveria dizer o que tinha em mente. Não era como se tivesse desgostado do quanto Minseok era mais sério visualmente, com aquelas roupas elegantes e a notável bagagem cultural que possuía, mas talvez sentisse vontade de mostrar a ele um pouco mais do seu jeitinho de se divertir.

Visitava alguma daquelas baladas com os amigos do colegial às vezes, ainda que não fosse o mais extrovertido deles. Se divertia bastante com as músicas populares e a liberdade de dançar sem medo de ser muito ruim no que fazia. Minseok parecia tão contido para Chanyeol, ainda que sem vergonha, então não sabia como propor aquilo. Além de tudo, também não queria abrir mão da companhia.

— Já foi em algum desses lugares? — O Park começou devagar, vendo a reação indiferente no rosto de Minseok quando ele assentiu. — Pensei em irmos um pouco, ver como estão as coisas… pode ser legal terminar a noite assim.

Minseok olhou para a entrada luminosa, ponderando. Não via problema, apesar de não frequentar boates coreanas há anos. Vez ou outra, geralmente em festas pós-trabalhos, ele ia naquele tipo de lugar com os artistas que conhecia.

— Vamos, então.

O sorriso surpreso iluminou o rosto de Chanyeol, que não tinha muita esperança naquela resposta. Ficou animado enquanto entravam, assistindo quando Minseok tirou o sobretudo quente para deixar no guarda-volumes, natural como se soubesse muito bem como o calor incomodava naqueles lugares.

Ficou um pouco boquiaberto ao espiar as roupas que estavam cobertas antes, a calça de lavagem escura e a camisa cinza de mangas longas. Ele era bem bonito sem a camada extra de peças e Chanyeol teve que disfarçar aquela secada, a música alta já tomando conta dos pensamentos ao tempo em que os dois seguiram para dentro da casa noturna.

— Realmente faz muito tempo que não venho aqui. — Minseok murmurou, rindo da expressão confusa de Chanyeol por não ter escutado nada. Apoiou-se no ombro largo dele, sentindo mais daquele perfume gostoso quando chegou perto para repetir no pé do ouvido. Amou fazer aquilo pela segunda vez na noite. — Disse que tem tempo mesmo que não venho. É que não sei o que está tocando.

— Não acompanha as músicas coreanas? É Ghost, de um cantor solo. Baekhyun. — Chanyeol respondeu, alto, no ouvido do Kim. Escutar aquela voz grossa tão próxima fez Minseok querer suspirar só pela satisfação.

Se deixou ser levado para a pista. Não estava nada muito lotado, então conseguiam se movimentar por ali, mesmo que contidos. Chanyeol não queria passar vergonha e Minseok não estava familiarizado com a música o suficiente. Mas era boa e o deixava com vontade de juntar mais os corpos, então o fez, surpreendendo um pouco o Park.

— Tenho que admitir que não planejei vir parar aqui. — Minseok murmurou, gostando da obrigação de ter que falar quase grudado na orelha de Chanyeol. — Mas está me lembrando de uns velhos tempos, então estou gostando.

— Que bom… — Chanyeol tentou começar a se movimentar, nervoso com o quanto estavam próximos. Nem mesmo parecia aquele mesmo Minseok que observava de longe na cafeteria.

Eles começaram a dançar discretamente, mas Chanyeol descobriu que o Kim não tinha exatamente muitos problemas em se soltar, com os braços apoiados em seus ombros e os quadris em movimento junto às batidas da música.

Chanyeol não conseguia pensar em nada além do quanto queria beijar aquele cara. Quanto mais descobria sobre ele, mais a vontade crescia, e naquela noite ele estava tendo um vislumbre de tantos lados de Minseok que sentia-se sobrecarregado com as vontades. Se ninguém o parasse, não teria mais jeito.

— Nunca te imaginei em uma balada, Chanyeol. — O Kim disse, os dedos discretamente tocando no início dos cabelos do mais alto. — Parecia muito quieto atrás daquele balcão.

— Eu sou quieto, mas não tô morto. — A resposta rápida fez Minseok levantar as sobrancelhas, gostando ainda mais do Park. — Também não pensei que curtia essas coisas.

— Às vezes é bom mudar os ares. Vivo em exposições e museus silenciosos. — Riu. — Estou acostumado com coisas calmas, mas não é só disso que eu gosto.

— Entendi…

Chanyeol engoliu em seco por sentir o carinho sutil nos fios ondulados do cabelo, tentando retribuir ao segurar o Kim pela cintura. A música que passou a tocar era um pop internacional que ele não conhecia, mais rápida, os obrigando a acelerar os movimentos para entrar no ritmo.

Minseok o guiava discretamente, o pressionando nos ombros, sem vergonha de estar quase colado nele, e Chanyeol apreciou aquele jeito do mais velho. Não lembrava a última vez em que esteve em situação parecida e estava curtindo aqueles toques mais do que deveria, provavelmente, sentindo que perdeu a batalha quando a voz do Kim tomou conta de sua mente outra vez.

— Espero que não seja muito estranho se eu te beijar agora. — A risada ao fim da frase foi curta e rouquenha, arranhando Chanyeol por dentro.

Minseok afastou o rosto para conseguir ficar cara a cara com o Park, tentando ler a reação dele, desde os olhos mais abertos até os lábios separados. Esperou, paciente, pela permissão. Não faria nada sem isso, independente do quanto sentisse vontade.

Também tinha certeza de que seria muito mais gostoso poder escutar Chanyeol dizer que sim, confirmando sua teoria quando o Park chegou pertinho, inclinando-se por conta da diferença de altura, encostando o nariz no dele.

Não escutou por conta da música alta, mas conseguiu ler os lábios volumosos quando ele disse:

— Por favor.

Sorriu, não sendo bobo de perder mais nenhum segundo, acabando com a distância para tomar a boca de Chanyeol com a própria. O segurou mais firme pela nuca, não dando a mínima para a diferença de altura ou para o lugar onde estavam.

Seja na cafeteria ou dentro de uma balada colorida, Minseok tinha plena certeza de que podia ser a melhor versão de si mesmo enquanto possuía a atenção e os beijos de Chanyeol, pessoa que não saiu dos seus pensamentos desde que voltou para o país de origem.

Não soube decifrar em que momento se entregou para aquele início de romance que ainda não tinha nenhum rumo definido, mas enquanto sentia as mãos grandes de Chanyeol em seu corpo e podia encaixar os lábios nos dele, não via nada que o desagradasse naquele novo caminho.

***

Depois de beijos longos e toques quentes dentro daquela boate cheia, não foi exatamente difícil para Minseok convidar Chanyeol para sair novamente. Voltaram para casa naquela noite com os contatos trocados no celular e um formigamento engraçado nos lábios. O Kim gostou muito de como se divertiu com o rapaz da cafeteria por todas as horas que passaram juntos.

É claro que não deixaram de se comunicar, ainda que Minseok não fosse mais todos os dias visitar Chanyeol no trabalho, passando as tardes com os pais enquanto trocava mensagens com o Park o quanto podia, já que os intervalos dele não eram longos e Minseok não queria atrapalhar, usando de um ou outro dia na semana para passar horas sentado no novo lugar preferido enquanto o via trabalhar.

Quando o chamou para sair outra vez, em uma tarde de sábado, quis mostrar para ele um pouco mais do seu lado sério. Não que seu trabalho fosse aversivo à diversão, mas a maioria das pessoas achava chato e talvez, apenas talvez, Minseok quisesse saber a reação de Chanyeol ao caminhar com ele por um dos museus coreanos, O Museu Nacional de Arte Moderna e Contemporânea. Entre pinturas e esculturas inovadoras e criativas, o silêncio dos corredores largos e claros era um contraste direto com o barulho e a escuridão da balada que visitaram outrora.

A animação e o brilho nos olhos de Chanyeol enquanto caminhavam e Minseok falava sobre suas impressões profissionais fizeram o crítico balançar. Ele parecia genuinamente interessado e Minseok percebeu que o laço que criava com o barista estava começando a lhe envolver de verdade. Porque se sentiu muito feliz ao ser acompanhado por ele, com as mãos se esbarrando, sendo escutado com atenção. Chanyeol era quase uma peça rara na vida de Minseok.

Ele geralmente conhecia pessoas extremamente focadas nos trabalhos artísticos que não davam a mínima para qualquer outra diversão que não fossem as telas e as camas. Ou então algumas outras que tinham um processo criativo bagunçado e só queriam saber de festas e farras. Não havia equilíbrio e esse tipo de coisa sempre foi de incomodar o crítico que trabalhava bem sua dualidade e sua gama variada de interesses. 

E então estava Park Chanyeol, tentando analisar uma escultura contemporânea no museu dias depois de ter dançado com ele sob luzes coloridas. O mesmo Chanyeol de bochechas coradas que lhe servia um café gostoso ou dividia uma cerveja gelada consigo. Era bastante coisa para que Minseok não se sentisse inclinado demais a pedir por mais coisa do Park, mais tempo com ele, firmasse mais raízes que estava acostumado.

Durante todo o tempo que passava longe, Minseok não se importava muito com sua vida desprendida. Mas, de repente, se viu querendo ficar. Quem sabe até o fim do inverno. Ou mais. Não só por Chanyeol, mas pelos pais que amavam sua presença e vice-versa, ou pela saudade do país materno que cresceu enquanto ele visitava as ruas artísticas de Seul e sentia o vento gelado do outono junto a todas as tradições coreanas expostas na arquitetura ou na culinária.

Precisaria mesmo pensar sobre seu destino, especialmente depois de, num súbito de confiança, levar Chanyeol ao próprio apartamento, percebendo como o imóvel era impessoal e tinha pouca personalidade assim que o Park pisou ali e, sem saber como foi intenso, disse:

— Achei que teria vários quadros aqui.

Ele não disse por mal, muito menos notou qualquer coisa estranha no rosto afetado de Minseok, mas estava certo. A ficha do crítico caiu ao olhar para as paredes brancas e móveis neutros, como uma casa alugada que era pouco visitada, não um lar. E a vontade de fazer daquele apartamento uma coisa notavelmente sua surgiu na mesma hora.

— Vai ter, em breve. Ainda não tive como decorar — murmurou, andando de meias pelo chão limpo. — Quer alguma coisa? Não sou um barista, mas tenho algumas cápsulas de café por aqui.

— Você me ofende com essa cafeteira subestimada. — Chanyeol levou a mão ao peito. Ele estava muito mais saidinho e confortável ao lado do crítico. — Eu posso fazer chocolate quente… Ou… sei lá. O que quer fazer?

— Nada na sala, pra ser honesto. — Minseok suspirou pesadamente, rindo quando Chanyeol piscou, em silêncio. — Tenho uma televisão no quarto, posso pedir um jantar e vemos algum filme.

— Parece bom.

Com o assentir do Park, Minseok os guiou até o quarto que ainda tinha malas a serem desfeitas, fazendo um pedido comum que já tinha realizado em um restaurante coreano há poucos metros. Chanyeol chegou a comentar, inclusive, como eles moravam próximos, porque conhecia o lugar.

Conversar com o Park enquanto comiam, no chão do quarto com as costas relaxadas na cama box, foi a coisa mais doméstica que Minseok fez com alguém que não era de sua família. Beijá-lo depois de roubar um pedaço de frango apimentado do prato dele foi a mais íntima. Parecia estar se conhecendo de novo por conta do barista, coisa que era gostosa por ser tão simples, ainda que não estivessem fazendo nada demais.

Park Chanyeol definitivamente mexeu em alguma coisa dentro de Minseok. Agora seria bem difícil fazer aquilo voltar para o lugar de sempre, para o quase impenetrável e pouco aberto peito.

Nem mesmo deu início ao filme que nem chegaram a escolher, jogando-se no colchão assim que deixou a louça na pia, sorrindo para a timidez de Chanyeol em fazer o mesmo, esperando que ele se acomodasse ao seu lado, ambos olhando para o teto e pensando exatamente na mesma coisa. No quanto queriam certos beijos e toques.

O desejo era tão mútuo que os guiou à aproximação depois de algumas palavras trocadas, e Minseok se deixou levar tanto quanto Chanyeol, permitindo que o corpo alto se acomodasse abaixo e acima do seu enquanto conheciam aquele novo patamar de contato. Não sabiam, exatamente, até onde iriam, mas as mãos debaixo das roupas e os lábios avermelhados deixando marcas sobre a pele diziam algumas coisas aos dois.

Minseok pediu permissão para despir o tronco de Chanyeol ao tempo em que o sentia apertar-lhe na cintura por dentro da camisa, então acabaram se livrando de ambas as peças na mesma hora. O caminho livre e a nova visão sobre os corpos seminus acenderam os dois enquanto a noite começava a cair em Seul, o outono nublando o céu e os homens esquentando a cama.

As calças pesadas também encontraram o chão do quarto, lhes permitindo vislumbrar o que podiam fazer um com o outro, as peles encostadas e os dedos descobrindo caminhos perigosos. Chanyeol, potencialmente atingido pela segurança de Minseok, o abraçou pelo pescoço assim que as ereções se tocaram e a sensibilidade espalhou muitas sensações por seu corpo. Suspirou perto do ouvido dele, fechando os olhos antes de dizer o que treinou por dias:

Tu es très beau — murmurou, surpreendendo tanto Minseok que o crítico parou de beijá-lo na curva do pescoço ao ombro. Encarou o Park, não controlando o sorriso ao se dar conta do que tinha escutado na voz bonita do mais novo.

Tinha mesmo tirado a sorte grande. E não deixaria Chanyeol escapar, tomando aqueles lábios volumosos em um beijo tão intenso que quase fez o Park derreter, aproveitando ainda mais de toda aquela nova conexão e de todo aquele novo sexo. 

Não se importaram com os lençóis bagunçados e muito menos com o prazer que escapou pelas cordas vocais enquanto suavam juntos. Chanyeol não sentiu vergonha de gemer ou de abrir as pernas, Minseok não se privou de sentir todas as emoções que vinha segurando quando se envolvia com qualquer outra pessoa.

E quando deixou Chanyeol adormecido sobre seu travesseiro, com o corpo grande coberto e tomando conta de parte de sua cama, teve certeza de que não compraria uma passagem de avião tão cedo. Encarando o céu escuro e com quase nenhuma estrela, inclinado no parapeito da janela do apartamento, decidiu que compraria um quadro bonito no dia seguinte.

Iria começar a decorar sua sala de estar.

E provavelmente se desfazer da “cafeteira superestimada” que tinha na cozinha. 

Não precisava mais dela.

 


Notas Finais


E foi isso! Adoro esse Minseok! No dia 29 do mês que vem eu apareço por aqui com a próxima IUSDHIOJSODIJ

Ah! lembrando que em cada one shot, tem uma dicazinha do que o é tema da próxima história do projeto, ainda que os universos sejam diferentes. É só uma brincadeirinha. Na XiuHun tivemos o couple visitando uma cafeteria e aqui estamos com uma coffee shop au, por exemplo! Essa foi fácil. Prometo um beijo pra quem acompanhar todo o projeto e saber me dizer onde está cada "conexão" no final ♥

Meu tt é https://twitter.com/lightweigths e meu ccat é https://curiouscat.me/minseokbaek caso alguém queira falar comigo. Até a próxima!


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