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História Coffees n Allergies - Capítulo 10


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Capítulo 10 - Eu não tô bêbado


— Como foi com o Wooyoung? — Jongho questionou. 

Os dois estavam jogados na sala de ensaio naquele sábado quente demais. Hongjoong estava se aprontando para ir para casa e os colegas estavam criando forças para irem tomar um banho e se arrumar para a tal festa. — Você não me contou o que aconteceu quinta.

— Hm. — San respondeu, com preguiça de se explicar melhor. — Eu assisti o ensaio e meio que foi isso. Ele me deixou em casa depois.

— Só isso?

— É.

— Uau.

 

San se virou para Jongho.

 

— Por que a surpresa?

— Não sei. Achei que vocês iriam se beijar pelo menos.

— Huh?!

— Vocês parecem ser atraídos um pelo outro, já tiveram esses encontrinhos umas três, quatro vezes. Não vejo porquê não. — Jongho deu de ombros enquanto explicava.

— Ele não é atraído por mim, Jongho. Se não teria tomado alguma atitude. Já deixei claro meu interesse.

— Deixou mesmo? — O mais jovem ergueu uma sobrancelha. — San, hyung, eu sou amigo dele. — Jongho revirou os olhos. — Eu sei que ele quer te beijar. O Wooyoung só é… Bom, ele não é tímido, mas na situação de vocês ele é.

— Ele quer me beijar? — San questionou esganiçado.

— Presta atenção! O Wooyoung não tem problemas em beijar um desconhecido em uma festa, por isso que ele tentou te beijar. Ele te achou bonitinho e quis partir pra cima por que ficou bêbado.

— Jongho, isso não ajuda.

— Cala a boca. Me deixa continuar?

 

San bufou e assentiu, meio magoado com o que havia escutado.

 

— Mas ele tá gostando mesmo de você. Acredita em mim, eu sei.

— Não é difícil de acreditar. Eu só gosto de me sabotar e acreditar que não, pelo visto.

 

Jongho deu um sorrisinho reconfortante.

 

— Relaxa. A gente vai na festa do Hwa hyung e tenho certeza que vai sair um beijinho, nem que eu mesmo tenha que empurrar os dois pro beijo.

— Você é ótimo Jongho, obrigado.

— Relaxa. Vocês parecem se dar bem então que mal faz ajudar?

 

--

 

San se sentia muito deslocado por ali. Jongho encontrou alguns colegas de sabe-lá-onde e começou a puxar assunto. Não que San fosse completamente introvertido, ele conseguia muito bem se incluir no assunto e arrancar risadas de vez em quando, principalmente quando começaram a discutir algo relacionado a pizzas gigantes. Ele mesmo se divertia também, mas por que gostava de um bom papo.

O que San não gostava era da música alta, de um monte de gente se empurrando para dançar, suor, álcool e… Droga, ele não era um puritano. Sabia aproveitar aquilo tudo, mas detestava estar naquele tipo de ambiente onde tudo era exagerado, onde um bando de adultos agia como adolescentes tentando se esquecer dos pais.

 

— San-ssi, você veio com o Jongho? — Uma garota questionou. Ela era bonita, San ainda não era cego.

— Oh, sim. A namorada dele não pôde vir hoje.

— Heejin adoeceu. — Jongho explicou brevemente. — Mas por que a pergunta, noona?

— Você não quer dançar comigo?

— Eu não danço. — San recusou com toda delicadeza que encontrou. Não estava afim de passar vergonha na frente daquele amontoado de gente. Estava muito bem ali, obrigado! A garota fez uma expressão de decepção e se aproximou.

— Eu te ensino.

— Não, acho que vou ter mesmo que passar. Mas sei que vai encontrar alguém interessante pra dançar com você.

— Se mudar de ideia, me procura por ai. — A amiga de Jongho sinalizou. San sorriu educadamente e a viu desaparecer no meio de um mais um montão de gente.

 

San respirou fundo e ouviu Jongho soltar uma risada, apesar da barulheira no ambiente. O mais novo bateu em suas costas duas vezes.

 

— Achei que tivesse vindo pra se divertir.

— Sem dançar pelo visto é meio difícil.

— Você deveria pedir ajuda pro Wooyoung. Eu vi ele lá perto da sala antes de te encontrar aqui e achar o pessoal também.

— Devo ir atrás do príncipe encantado e implorar que ele me faça parecer menos com um bambu? — Jongho revirou os olhos.

— Deveria ir atrás dele pra resolver seja lá  que tá’ rolando entre os dois. Vai lá, na pior das hipóteses ele arrumou alguém interessante pra dançar, e se você não tomar iniciativa, outra pessoa toma.

— Você não consegue ser muito animador por muito tempo, né?

— É um talento, eu sou sincero demais. Vai logo! — Jongho o apressou.

— Choi Jongho, se você estiver me despistando pra fazer o que não deve eu juro por Deus que quebro sua cara.

— Argh, hyung! — O mais novo o olhou genuinamente ofendido e San se sentiu mal. — Eu não faria isso.

— Eu sei, desculpe, foi de mau gosto. Confio em você. Obrigado por me fazer persistir, aliás.

— Tá, tá. Eu te vejo depois?

— Ok. Eu… Acho que já vou. Me deseje sorte.

— Boa sorte!

 

San teve certeza de que o desejo de boa sorte de seu amigo não estava o ajudando muito, pois quando atravessou a sala logo encontrou o único dançarino no meio da multidão com cabelos em tom de lavanda. Não era como se fosse um ambiente muito iluminado, mas podia ver Wooyoung sem muitos problemas. E, uau, como ele estava bonito. Parecia usar maquiagem, como no dia em que se encontraram no Alice, além de uma calça escura e uma camisa de botões colorida.

O ator começou a respirar fundo em uma tentativa de se acalmar. Contou um, dois, três… Até perceber um detalhe muito importante, o detalhe que frisava porque Jongho lhe dar Boa Sorte não o ajudou na prática.

 

Wooyoung não estava sozinho.

 

Havia outro homem dançando com ele, próximo. Vez ou outra trocavam palavras no ouvido um do outro e pareciam estar se dando bem. O coração de San não sabia se caia para o estômago ou se pulava para fora da boca, de tão desconcertado que o pobre coitado ficou com a cena. Não significava nada, eles poderiam ser só amigos, Wooyoung era alguém muito amigável e gostava de contato físico constantemente.

 

Mas San não conseguiu evitar se sentir deixado para trás. Fechou seus olhos e cerrou os punhos. Não queria ter que se esconder, mas já estava sentindo seu corpo ficar gelado e suas pernas tremerem em sinal de ter ficado muito ansioso com a situação que presenciava. Caminhou sem pensar muito, esbarrando em alguns corpos suados que dançavam no meio da sala aqui e alí. Encontrou-se nos degraus de uma escada em espiral e começou a subir também sem colocar muito pensamento em suas ações.

 

Detestava como não conseguia enfrentar seus problemas. Ele poderia só ir lá e perguntar alguma coisa, ter coragem, ser um homem! Mas San tinha medo, pois seus relacionamentos passados o deixaram desse jeitinho: inseguro e com vergonha de dar um primeiro passo. Poderia até ir para casa, desistir de tudo e focar nos testes e papéis que tinha para ler e estudar, mas não conseguia pensar racionalmente. San só queria entender o que estava acontecendo e se foi realmente uma boa escolha ter se aberto tão rápido para o dançarino.

Talvez Mingi estivesse certo. Talvez devesse ter rejeitado o pedido de quarta feira para se divertir com seus amigos, para dar uma chancezinha para Jimin, que coincidentemente tinha os cabelos tingidos da exata mesma cor que Wooyoung. Droga, era só uma dança. Casais que namoravam dançavam com outras pessoas, San sentia que não deveria estar tão pressionado, e… Não estaria se as palavras de Jongho não estivessem ecoando na sua cabeça.

Alguém tomou a iniciativa antes dele? Ele foi realmente tão covarde esperando que Wooyoung desse um próximo passo?

 

Wooyoung parecia se divertir lá em baixo. Dançando, é claro, o rapaz estava na sua praia e San não teria coragem de o interromper, até porque o homem dançando com ele parecia estar tendo um bocado de diversão também. San sentiu seu estômago doer de novo e praguejou sua ansiedade por estar atacando numa hora como aquela. Detestava se sentir assim tão pequenino, tão frágil por causa de outra pessoa. Se Jongho não mentiu, o que San duvidava, e Wooyoung realmente disse que tinha interesse nele, então as coisas estavam indo bem mal. Jongho não deveria ter mentido mesmo, pois conseguia até imaginar Wooyoung empurrando um gole de bebida goela abaixo depois de beijar o loiro bonito.

 

“Wooyoung não tem vergonha de beijar desconhecidos”

 

— Ei!

— Hm? — San se virou para trás e foi surpreendido com a visão.

 

Era Wooyoung. Automaticamente teve medo bem lá de dentro das suas entranhas que o dançarino houvesse subido para o quarto com o loiro desconhecido. San não iria conseguir controlar sua frustração se fosse o caso. No entanto, Wooyoung estava sozinho e isso acabou estimulando ainda mais a curiosidade do mais velho. O que diabos ele estava fazendo ali? Foi coincidência ou estava o procurando?

Vê-lo deixou o Choi ainda mais nervoso.

 

— Eu te vi subindo e me preocupei. Você não desce há um tempinho. Na verdade, agora que eu falei em voz alta soou bobo, você podia estar com alguém. — Wooyoung fechou os olhos e espremeu a boca. — Desculpa.

— Tudo bem. Não me dou tão bem em festas na verdade.

— E porque veio? — Wooyoung continuou a andar até parar ao seu lado, igualmente apoiado na varanda.

— Jongho veio e ele me disse que você vinha.

— Oh. Você não me disse que vinha, poderíamos ter vindo juntos.

 

San sorriu de lado, ainda incerto do que as coisas que Wooyoung lhe dizia significavam. O Jung percebeu a estranheza do ator e o cutucou com o cotovelo.

 

— Tá tudo bem?

— É, só quis tomar um ar. Lá pra baixo tá com cheiro de suor e cerveja.

— Huh, se você esperar mais um pouquinho o cheiro fica ainda pior. — San o olhou com curiosidade e Wooyoung fez um movimento com as mãos que se assemelhava a fumar.

— Oh. Você fuma?

— Não. Nem tabaco, nem maconha. Só bebo quando preciso esquecer alguma coisa.

— O que você quer esquecer agora? — O loiro questionou, sabendo que Wooyoung cheirava a álcool.

— Isso não é sobre mim, Sannie. Você quem parece abatido. Me conta, o que aconteceu?

 

San refletiu um pouco se deveria ser honesto. Se antes teve medo de ser covarde, agora não era a hora para ser um.

 

— Sendo sincero, eu tenho ficado confuso. Sobre o que você quer comigo. — San olhou para o mais novo e ele desviou o olhar. O ator riu soprado. — Você parece querer fugir.

— Não é isso. Eu só tenho medo de estragar as coisas.

— Então se eu te beijar agora você não vai fugir?

— Não. Eu gostei de você, San. — Wooyoung ainda olhava para o chão, para a entrada da casa de Seonghwa. — Mas não sou bom com relacionamentos e sempre fico com um pé atrás.

— A decisão é sua, então. Já deixei minhas intenções bem claras.

 

Wooyoung ficou em silêncio. San conseguia sentir que estava suando depois de alguns minutos ali. Os dois ficaram parados em um silêncio consumidor por quase seis minutos, até que o Choi se cansou de esperar uma resposta e resolveu sair dali. Se fosse ficar magoado, que fosse cedo, e só assim não quebraria seu coração no futuro. Mas Wooyoung percebeu sua movimentação e o segurou pela mão, o impedindo de deixar a região da varanda.

San quis lhe questionar. Perguntar o que havia de errado com ele e qual motivo e levava a brincar de empurrar e puxar naquela história. Por que ele era tão doce e gostava de contato, mas de repente estava mudando de assunto e se fazendo de bobo. San queria muito poder colocar todas as dúvidas que estavam em seu peito para fora, porque, convenhamos, ele já estava caidinho.

 

Contudo, San não teve chance de nada.

 

Wooyoung se aproximou e usou a mão livre para tocar seu rosto e auxiliar no seu movimento seguinte. San fechou os olhos quando sentiu a boca do dançarino contra a sua, os corpos unidos e os dedos entrelaçados. Ele se sentiu estúpido pela forma como seu coração bateu forte e como continuou batendo ao perceber que ficou estático demais para corresponder. Wooyoung se afastou enquanto murmurava um pedido de desculpas que San não permitiu que terminasse.

Como se fosse um jogo em que atrapalhavam um ao outro, ele o puxou de volta e lhe beijou de verdade. Descontando toda a vontade que tinha em seu coração e corpo, pressionando o semelhante contra si próprio enquanto os lábios se chocavam e se puxavam de um lado para o outro. Wooyoung moveu a mão que antes estava no rosto de San para sua nuca e o Choi fez o mesmo com ele.

 

— Eu não tô’ bêbado dessa vez, só pra constar. Só bebi um pouquinho.

 

San riu de novo e olhou Wooyoung nos olhos. Ele estava em uma grande enrascada. Ele era tão bonito e tão atraente que San sentia que poderia explodir.

 

— Cala a boca.

— Você disse que depende de mim então tô’ deixando claro. Por mim é sim, San. Pra mim e pra você, é sim.





 


Notas Finais




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