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História Coisas Que Aprendi - Capítulo 1


Escrita por: e Kunoichi_Org


Notas do Autor


Oi Vocês!
Como boa parceira de um projeto que eu vou enaltecer muito, vulgo @Kunoichi_Org, venho por meio desta - não me perguntem porque essa formalidade - explanar uma one-shot focada nos sentimentos internos e externos da Kushina. Desde a saída da Vila natal dela até "os dias atuais". Então meus amados agradecimentos para a @Lana_Yuki por ter me ajudado, como sempre ela que lute. - Capa por @ahros

Espero muito que gostem, porque eu fiquei super boiola 😄

Capítulo 1 - Capítulo Único


Eu sei o que aprendi durante todos esses anos. 

Meu crescimento pessoal começou quando precisei sair da Vila do Redemoinho para ser uma kunoichi em Konohagakure. Não apenas isso. Precisaria assumir a responsabilidade de ser a segunda jinchuriki da Kyuubi, a besta de nove caldas. 

Mito Uzumaki era o atual receptáculo naquela época e quando eu cheguei aos domínios da vila da folha, ela fez o que pode para me tranquilizar. Mito era uma mulher esplêndida, contudo a tenra idade chega para qualquer um e o medo de que o mundo saísse do controle aumentava a cada segundo que se passava. 

A tal besta... Diziam ser a que mais tinha ódio dentro de si. A mais poderosa das armas. Apenas não contavam que eu poderia ser pior, pois quando estava sozinha em meus pensamentos, o dito "monstro" sequer demonstrava sua ira, não por estar em uma pequena garota, mas por ser uma que sabia bem como deixá-la acuada. Quando a raposa foi selada em mim, as mudanças foram poucas, mas imediatas. 

Entretanto, de uma simples garotinha, passei a ser uma ameaça contida; àquela que não podia passar por grandes emoções. Mas eu sempre me perguntei o por que de tanta hostilidade, eu era apenas uma criança, afinal. Não entendia os trâmites que estava envolvida, sem ter a plena ciência do que se passava ao meu redor. Tudo o que me ensinaram, antes de virar um jinchuriki, foi sobre não perder a cabeça. Manter o controle.

Como se fosse algo possível, principalmente quando comecei a frequentar a academia ninja para tornar-me gennin. Inesperadamente eu fiquei conhecida como Pimenta Vermelha de Konoha, mas eu não pertencia àquele lugar. Pelo menos, ainda não conseguia me sentir em casa. Até aquele cara se tornar meu amigo. 

Minato Namikaze se infiltrou em minha vida como um colega de turma qualquer, porém em uma tentativa de sequestro dos ninjas de Kumogakure, ele foi o único que se importou o suficiente para seguir os míseros fios de cabelo vermelho que eu deixei para trás, na vã esperança de alguém notar. 

Para mim, naquele passado agora tão distante, foi o suficiente. Meus cabelos não eram mais apenas fios característicos e tornaram-se os fios que nos ligariam por uma vida inteira, porque eu me apaixonei e, de alguma forma inexplicável, sabia que era correspondida. 

Me permitir abraçar aquele sentimento era como um aconchego e foi quando eu realmente me senti em casa; essa foi minha primeira lição: Não esperar demais, deixar a vida tomar seu curso e aos poucos conquistar meu lugar. Demorei para entender meu propósito e definir meus sonhos, mas quando aconteceu, ninguém mais me parou. 

Alguns anos depois, já na adolescência, eu estava rodeada de amigos leais, de cuidados ternos daqueles que me acolheram e evolui a cada dia mais como uma kunoichi experiente. O exame chunnin, por exemplo, foi o auge do progresso... E também a primeira vez que me deixei levar pela conversa fiada da raposa e usei o seu chakra para me livrar de alguns perigos iminentes. 

Talvez eu tenha sido a causa das atrocidades que se sucedeu após um pequeno incidente, se é que podia ser chamado de pequeno. Praticamente deixei cinco equipes inconscientes, sozinha, e não sentia o menor orgulho por isso. A culpa foi o que me consumiu por dias, enquanto as notícias corriam e se espalhavam e eu me tornei novamente uma ameaça. 

Entendi que isso seria um ciclo e tudo o que eu podia fazer era tentar contorná-lo; sair pela tangente do grande globo que era a minha situação. O Nidaime Hokage, Tobirama Senju, se tornou meu principal protetor, além de sua sobrinha, Tsunade. Outra mulher amável que me acolheu e que tem os mesmos selos que Mito possuía. 

As duas, em épocas diferentes, até tentaram me ajudar a desenvolver o tão notável Byakugō no In, mas minha aptidão para ninjutsu médico era a mesma coisa que pedir que eu mantivesse a calma em situações que acertavam meu nervosismo. Não existia essa possibilidade. 

Tobirama entendeu bem minhas raras limitações e me ajudava no que conseguia e tão bem me protegia, que fui uma das poucas sobreviventes do meu clã quando inimigos invadiram Uzushiogakure. Acharam que escravizando nosso povo, teriam controle sobre nossas habilidades em Fūijutsu e quando não conseguiram, riscar a vila do mapa foi a escolha apropriada. 

Para quem exatamente? Dattebane! 

Então vieram as novas lições: As pessoas nem sempre estarão ao seu lado por amizade; interesses existem e eles serão cobrados. E nunca, em hipótese alguma, desperdice conhecimento, mesmo que não possua a habilidade necessária para tal. Foi o que aconteceu, em meio a guerra ninja. Uma garota do meu antigo time, a quem eu confiei minha vida várias vezes, tentou ceifá-la quando a oportunidade chegou e não contente, preferiu ferir nossos companheiros. 

Como uma Uzumaki as propriedades curativas do nosso corpo são diferenciadas, devido a abundante reserva de chakra. Sem qualquer habilidade útil para medicina, entreguei meus punhos para que meus amigos mordessem e se recuperassem o suficiente para sairmos do fogo cruzado. Decidi naquela madrugada explosiva que me dedicaria a aprimorar minhas habilidades para liberá-las em toda e qualquer situação perigosa, que foram muitas durante a guerra. 

E algumas marcas ainda existem, mas é uma questão de tempo até todas, de fato, sumirem. Isso perdurou por quase dois anos até o fim definitivo daqueles conflitos. Na época nós sabíamos que nada seria mesmo encerrado, mas como shinobis, devemos seguir as linhas da vida. 

Quando Minato e eu atingimos a idade em que os hormônios falam bem mais alto que qualquer pensamento racional, aquela paquera inocente não era mais suficiente. O namoro ficou fortalecido, os encontros se tornaram frequentes, os treinos ficaram mais quentes... Causando pegadas nada recatadas. Os beijos também não eram mais castos, as carícias eram insinuantes e, claro, a vontade do fogo realmente nos consumiu. 

As primeiras vezes com ele foram calmas, carinhosas, sensíveis, mas com a maioridade, a necessidade e os sonhos compartilhados, nossas entregas passaram a ser fervorosas. A noite mais marcante, com certeza, foi a posterior ao nosso casamento. Minato me tomou com tanto desejo e paixão que eu soube... Nosso amor ultrapassaria as barreiras do tempo e das vidas, se isso existir. Quando declarou seus votos a mim, disse que nossas almas se ligaram anos antes e nosso fio da vida permaneceria firme e inquebrável. 

Como não me entregar de corpo e alma a esse homem? Alguém tão gentil, mas poderoso o bastante para ser temido por muitos. Várias vezes isso me causou medo, hoje eu entendo que não deveria. Não tanto, afinal o medo de perdê-lo vive à espreita até agora; contudo não sou indefesa. Nunca fui. 

Na mesma noite concebemos Naruto, mas não sabíamos disso, o que foi uma surpresa depois. Minato seria Hokage, eu era uma ninja de elite, como lidaremos com uma criança? Foi uma pergunta e tanto, mas não corremos do desafio.  

Minha calmaria foi não ser a única passando pelo mesmo dilema. Mikoto também estava grávida, dessa vez de Sasuke, e por escolha resolveu se aposentar. Ela, como minha melhor amiga, não media palavras para me aconselhar – mesmo que eu mais rebatesse as coisas do que de fato escutava – e me acalmar sobre a real preocupação, o selo da raposa enfraqueceria durante o parto. 

Meses mais tarde, quando o momento chegou, um novo aprendizado me atingiu: Ser mãe era uma novidade mais do que bem vinda e nossas prioridades tornaram-se outras. Não larguei a vida de ninja por completo, porém a regrava de uma forma consciente. As missões não eram mais de níveis tão altos, apenas em extrema necessidade, e meu marido acompanhava da melhor forma o desenvolvimento do nosso primogênito. 

Concordamos em dividir as tarefas e quando digo tarefas, me refiro a todas elas. Naruto cresceu com os pais presentes, mesmo que ainda ativos como ninjas. Obviamente tínhamos nosso momento exclusivo, sagrado e prazeroso. 

Seu irmão tinha cinco anos quando engravidei de você. 

 

– Você e o otousan são dois pervertidos. 

 

– Culpe o padrinho do seu irmão por escrever coisas eróticas demais, Lisa. – Ela riu enquanto me ajudava a podar as flores no jardim. – Ler aqueles contos aparentemente foi um péssimo hábito que seu pai compartilhou com seu irmão. 

 

– Como se o Jiraiya ojiisan não o ensinasse sobre isso também. Sem mencionar o sensei tarado dele. – Minha gargalhada chamou a atenção de Minato e Naruto, que treinavam um pouco afastados do meu canteiro. 

 

– Não sei porque tanto alarde, querida. Você sabe exatamente a sensação de ser possuída de um jeito feroz, que te esquenta e te consome; te leva até- 

 

– Tudo bem, okaasan, já entendi! Conte-me mais sobre o que descobriu de você, depois do meu nascimento. – Ri mais uma vez do beicinho que Lisa fez ao tentar se afastar do meu olhar, com as bochechas coradas. 

 

Lembrar de 17 anos atrás me trazia memórias maravilhosas, mas algumas perdas também. Afinal outra guerra aconteceu e quase me vi sem duas das pessoas mais importantes da minha vida. Foi então que eu realmente decidi me aposentar da vida ninja para me dedicar aos meus filhos, ao meu marido e principalmente a mim. No começo era difícil desapegar de uma rotina tão corriqueira, todavia com o passar do tempo passei a me acostumar mais facilmente. 

Devia essa tranquilidade à nova geração de shinobis, maravilhosamente treinados. Quer dizer, mais ou menos. Se há um time que se mete em problemas constantemente, é o de Naruto. Nem parece que ele e os amigos já estão no auge dos 22 anos e que Kakashi um dia já foi um garotinho adoravelmente cético. Todo esse apego a eles refletia no quanto os sentia como parte da família, o que acostumou Lisa a tê-los por perto. 

Eu os adorava e esse aconchego tornou-se maior quando depois de anos tentando manter uma relação amigável com a besta – que agora sei chamar-se Kurama –, a mesma queria voltar à ativa e, sinceramente, eu estava cansada de ter a raposa reclamando em meu subconsciente. Então Naruto insistiu que ele fosse o novo jinchuriki; à princípio, fui terminantemente contra, mas ele é meu filho e seu temperamento é tão espalhafatoso quanto o meu. 

Ou seja, contrariá-lo não foi suficiente e com todas as precauções possíveis, fizemos a transferência em um lugar afastado de Konoha. Seus amigos e os antigos alunos de Minato vinham nos visitar sempre que podiam, deixando a casa cheia de carinho e alívio. Lisa acabou sendo a maior beneficiada com tudo isso, tendo sempre um ninja desocupado para ensiná-la uma ou outra coisa nova. 

Tais mudanças vieram um pouco antes dela formar-se gennin, então eu aproveitei cada minuto até ela não estar em casa o tempo inteiro. E quando aconteceu, as pessoas esperavam que eu me afundasse. Quer dizer, uma mulher sozinha em casa ou precisa se assumir solitária ou agir como uma controladora. Eu? Voltei a trabalhar. Com os filhos crescidos, porque me privaria de algo? 

Pareceu oportuno que novas turmas de ninjas iniciantes abrissem e eu prontamente me candidatei para ser uma sensei. Aulas matinais e treinos vespertinos, porém abertamente disponível para minha família quando voltavam de suas obrigações, ao fim do dia. Me sentia bem com o retorno de uma rotina que sempre fez parte de mim. Me sentia completa com tudo o que conquistei. E me sentia muito mais mulher, kunoichi, amiga, esposa e mãe. 

Depois da conversa com Lisa no jardim, ela e o irmão foram solicitados por seus respectivos capitães para missões distintas, deixando-me sozinha com meu marido. Ah esses momentos... Não tinha como não ansiar por eles. 

 

– Enfim sós. – Minato abraçou-me por trás quando fechei a porta. 

 

– Saudades de sua tsuma, Hokage? – Um sorriso sacana despontou nos lábios dele e nos meus quando o abraço se tornou mais insinuante. 

 

– Estou com saudades das suas visitas secretas ao meu escritório. Aquela poltrona não é a  mesma coisa sem seu cheiro. 

 

– Seu conselheiro sabe as coisas que você faz naquela sala? – Nossos corpos balançavam em um ritmo lento e completamente imaginário. 

 

– Deveria saber? – Riu. – Mas quero mesmo saber do que você sentiu falta. 

 

– De ter o Yondaime aos meus pés. – Meus lábios chegaram aos dele ansiosamente e não demorou até chegarmos ao nosso quarto e nos amarmos do jeito que só nós dois sabíamos. 

 

Sempre fui grata pelo modo como minha vida se encaminhou e não poderia estar mais feliz pelas conquistas que presenciava e proporcionava. Eu sei o quão longe cheguei, mas isso é apenas o começo. 

Sempre será o início de algo e esse é o aprendizado mais recente: Nunca é longe o bastante. O mundo é imenso e as possibilidades são infinitas. Não posso desejar que entendam como me sinto, mas posso dizer que minha vida tomou os trilhos que me trariam aqui. À plena felicidade que mereço.


Notas Finais


Vejos vocês mais tarde, porque sim HAHAHAH Mas antes: Mini curso de japonês? Temos.

Kumogakure: Vila Oculta da Nuvem
Byakugō no In: Técnica da força de uma centena
Uzushiogakure: Vila Oculta do Redemoinho
Fūijutsu: Técnicas de Selamento
Otousan: Pai
Ojiisan: Tio
Okaasan: Mãe
Tsuma: Esposa


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