História Cold Heart - TAEGI - Capítulo 2


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Homofobia, Jikook, Jimin!bottom, Jungkook!top, Preconceito, Relaçao Abusiva, Taegi, Taehyung!top, Yoongi!bottom
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Palavras 8.773
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção, LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 2 - Um


Fanfic / Fanfiction Cold Heart - TAEGI - Capítulo 2 - Um

- O que você acha que é, seu moleque miserável? Aparece na minha casa usando ela como hotel e ainda vem dando ordens é isso?! 

- Eu não estou dando ordens, foi apenas uma sugestão, mas o problema não é meu se você não quer ouvir. 

- E ainda se acha no direito de ser petulante comigo! Eu não quero a droga das suas sugestões, seu merdinha inútil, a casa é minha e eu faço o que eu bem entender com ela! Eu deveria ter te deixando naquele chiqueiro onde você vivia, ter te deixado com seus pais que nem te queria pra ver se agora você tinha virado gente! - ela gritou alto como uma descontrolada vendo como o garoto parecia dar a mínima para isso, faltava pouco para as oito da manhã e Yoongi estava atrasada para a aula que ele nem sabia se iria de fato, era um dos professores mais chatos e ele nem marcava a falta, então provavelmente ele iria para o trabalho mais cedo fazer um turno extra para conseguir mais dinheiro, ele precisava de uma boa grana se quisesse sair daquele inferno que teimava em chamar de casa. Sua mãe tinha lhe visto assim que ele acordou e não poupou seus ouvidos gritando feito uma descontrolada só porque ele sugeriu em mandar pintar a frente da casa que estava feia, parecia uma coisa boba, mas isso pareceu despertar o mostro interno que aquela mulher tinha dentro de si e já estava ela grudada no seu cigarro gritando aquelas coisas cedo pela manhã. Yoongi estava cansado e só queria que ela calasse sua maldita boca – Se você soubesse o quanto eu tenho ódio de olhar pra essa sua cara, Min Yoongi, você não atravessava mais meu caminho! Você faz minha casa de hotel trazendo seus casos pra debaixo do meu teto, fazendo isso aqui de antro pra suas vadiagens e depois quer ditar ordens sobre como eu deixo minha casa! Eu não mereço ter toda a sua petulância, moleque, eu quem te tirei daquele lixão onde você morava e te dei tudo do bom e do melhor, me respeite! 

- Tudo bem, quer respeito? Não está mais aqui quem falou, como você bem disse, a casa é sua você faz o que quer, só não precisa bancar a louca desesperada por conta de algo tão pequeno. - assim ele deu as costas para a mulher na clara intenção de ir embora, ela já tinha estragado seu dia o suficiente com todo aquele discurso de ódio pra cima dele e sinceramente Yoongi não estava com saco sequer para rebater, desde muito novo aprendeu a lidar com aquele tipo de coisa.  

- Eu não sou louca, Min Yoongi! - a voz da mulher saiu tão gritada que perdeu força no final da frase e se tornou mais agudo. Antes dele chegar a sala da casa e assim ir embora, a mão larga da mulher chegou ao braço dele em um aperto violento, puxando o corpo pequeno para junto do seu em um ato doloroso que fez Min choramingar ao sentir as unhas compridas da mulher começar a romper a fina camada de pele em seu braço, apertando contra sua carne ao ponto de começar a formar uma pequena mancha de sangue. - Escuta aqui, seu garoto nojento, acho melhor começar a me tratar direito, porque sem mim você não seria nada, seu bostinha. Você vive sobre o meu teto porque eu tenho pena de você, porque não acha que algum dos seus casinhos vão ficar do teu lado, eu não te deu tudo do bom para você agora se comportar como uma vadiazinha desclassificada e petulante, que se acha no direito de me chamar de louca... Fale isso outra vez e eu piso na sua garganta como o verme nojento que é.  

Quando a mulher soltou enfim o braço dele, o impacto fora tanto que o corpo de Yoongi caiu para o lado, seu ombro batendo contra a parede de um jeito tão forte que o fez estralar. Shin Naeun, a mulher que até onde sua certidão de nascença dizia ser sua mãe, era conhecida por perder o controle fácil, ela podia está rindo e brincando com todos ao redor e no segundo seguinte, bastasse algo não ir como queria, para Naeun agir como uma descontrolada violenta. Yoongi sabia disso como ninguém e seu corpo tinha marcas do descontrole da mulher. Aquele tipo de confronto entre eles não era novo, tinha dias que eles conseguiam ficar no mesmo ambiente sem que ela o atacasse e sequer parecesse notar sua presença, mas tinha outros que bastava uma troca de olhar para que o clima ficasse tenso e tudo se resumir a gritos e Yoongi machucado de uma forma ou de outra.  

Ele não gostava daquela vida, não gostava da relação com a mãe porque era tóxica demais até para ele aguentar, mas sinceramente era uma realidade que ele ainda não podia mudar. Incomodar não estava no vocabulário de Yoongi, e bem saiba que ele sentia-se um incomodo o tempo todo, então sempre que alguém lhe oferecia ajuda ele apenas negava por sentir que isso atrapalhava todos ao seu redor. Jin já tinha lhe dado a escolha de ir morar com ele um tempo, seus pais não iriam ligar de ter mais um membro na família e era bem verdade que eles gostavam de Yoongi o suficiente para abrigá-lo em sua casa o tempo que precisasse. Mas Min negou na primeira vez – e nas outras milhares – que Kim adentrou tal assunto. Jimin já tinha oferecido dinheiro, tipo um empréstimo, uma quantia suficiente para ele sair da casa da mãe e depois lhe pagaria, fora o próprio pai do Jimin que chamou o garoto certa vez e lhe sugeriu tal coisa, porém, por mais tentadora que pudesse ser, ele também negou. Yoongi estava cansado de ser um estorvo na vida das pessoas ao seu redor e ele não queria parecer assim para as únicas pessoas que ficaram efetivamente em sua vida, Park Jimin e Kim Seokjin. Ele não queria dar motivos concretos para que nenhum dos dois fossem embora da sua vida.  

Min também não entendia porque o destino tinha lhe preparado uma vida tão cruel quanto a que tinha, ele estava cansado de ser machucado, cansado de não ser desejado, cansado de não ter amor. Se perguntava se na vida passada ele tinha sido uma pessoa ruim, um daqueles homens maus que causa destruição ao seu redor, se ele tinha cometido alguma atrocidade na vida passada e estava pagando nessa, pois essa era a única explicação que teria para justificar seus dias tão miseráveis. E olha que aquela manha nem tinha começado tão ruim.  

Shin Naeun sempre fora terrível para consigo, nunca lhe desejou coisas boas e nunca teve palavras boas para lhe direcionar. Ela nunca foi uma mãe como jurou um dia ser em frente ao juiz. Vendo o comportamento da mulher, Yoongi conseguia sentir um tantinho de inveja dos amigos, porque a mãe de Seokjin era a mulher mais incrível de todo o universo, ela acordava o filho com beijinhos e tinha sempre uma caneca de café com leite quentinha esperando por ele na mesa. Ela ajudava Jin nos seus problemas pessoas e até cantava para ele dormir quando Seok estava muito cansado ou doente. Min uma vez presenciou uma cena dela lhe aconchegando no colo e lhe ninando mesmo que seus braços já não coubessem mais o rapaz, Seokjin e seu irmano eram tratados como dois príncipes e Yoongi tinha inveja disso.  

E também tinha a senhora Park que não era lá um doce de pessoa, mas defendia o filho como uma leoa. Certa vez uns garotos se juntaram para insultar Jimin, eles frequentavam a igreja e a faculdade e isso gerava alguns comentários sobre o comportamento peculiar dele com um certo garoto, assim os rapazes se sentiram no direito de insultá-lo depois do culto e a senhora Park não se intimidou ao defender o filho de todos os insultos, ela nem se importou com o lugar e se os pais dos ditos cujos estavam por perto, ela apenas defendeu o seu pequeno bebê que estava prestes a cair no choro ao seu chamando de "viadinho chupador de rola". Ela até aleaçou eles com um guarda-chuva. Jimin não era assumido, ele não contava as pessoas sobre quem era e quando lhe perguntava ele sempre dava um jeito de sair do assunto sem de fato responder, era bem verdade que Park tinha medo de abrir o jogo, mas também não era como seus pais não soubesse, ou pelo menos suspeitassem. Como disse Elton John "se um rumor não vai embora, não é um rumor".  

A senhora Park era o tipo de mãe que não se envergonhava em falar alto com os filhos, de chamar atenção e brigar, Jimin vez ou outra levava uns tapas desavisados e até puxões de orelhas que ardiam como o inferno quando ele agia de um modo ruim, mas ela também dava amor, apoio e defendia seus meninos com unhas e dentes. E era inevitável Yoongi se sentir um tanto deprimido em ver que nunca teve isso. Ele só deve o lado ruim da vida e estava cansado disso.  

Primeiro foram seus pais que fizeram de tudo para lhe perder, que foram negligentes e nunca foram lhe procurar – sabia o nome, mas nunca viu nenhum dos dois – eles nunca o amaram como filho e pensar nisso doía pra porra. Imaginar que seus pais, as pessoas que lhe geraram e que deveria lhe amar incondicionalmente, não tinham nenhum sentimento bom para consigo. E tinha as mães que ganhou por conveniência que, vamos ser sinceros, não valia de nada.  

Não entendia o que tinha feito a vida para ser recompensado daquela forma, era um garoto bom, tentava fazer tudo certo e ser bom para todos. Ele costumava ajudar pedintes nas ruas, carregava sacolas de velinhas e alimentava os animais desabrigados, céus, ele até fazia doação de sangue regular mesmo morrendo de medo de agulhas. Não tratava ninguém mal, respeitava seus hyung e noona, cumpria todas as leis e tentava ser o ser humano mais empático e passivo possível. Nunca cometeu nenhuma maldade. Ele era bom. Mas por que os deuses não viam isso e o livrava da vida miserável que tinha? Yoongi conhecia pessoas bem complicadas de lidas, veja bem, tinha Park JiHyun, o irmão mais novo do Jimin, ele não era uma pessoa agradável de conviver, normalmente fazia comentários preconceituosos, falava de modo desrespeitoso com os mais velhos e Min até viu uma vez ele chutando o gato do irmão. Era um rapaz deveras desagradável e poucas pessoas conseguiam ficar perto de si, no entanto, ele tinha uma boa vida. Tinha um lar em paz, um irmão incrível, uma mãe protetora e cuidadosa e um pai que constantemente tentava fazer o filho se tornar um bom ser humano.  

Jihyun tinha tudo que Min Yoongi não tinha. E não era como se esse estivesse dizendo que o rapaz de alguma forma não merecia ter uma boa vida, longe disso, ele só achava injusto pessoas ruins terem uma vida boa enquanto pessoas boas tinham que sofrer. Cadê aquela história de que a gente só colhe o que planta? Que merda de solo infértil era aquele em que Yoongi teimava em plantar suas boas ações? 

De todo modo, não era como se Yoongi vivesse remoendo aquelas coisas, ele não era o tipo de pessoa que sentia pena de si mesmo e não queria que as pessoas sentissem. Era independente, forte e conseguiria tudo mesmo com toda as adversidades, passaria por todos os percalços da vida de queixo erguido e quando fosse a sua ver de se dar bem, assim seria. Aprendeu que não tinha tempo para lamentações, que chorar não ia adiantar patavina alguma e o tempo que perdia remoendo sobre as coisas ruins, ele podia usar lutando por coisas boas, assim ele aprendeu que toda vez que surgia um modo problema na sua frente, em vez de recuar, ele bateria de frente e iria enfrentar. A vida não está aqui pra gente deixar passar por medo de viver, ela esta aqui para pudermos enfrentar os desafios, quebrar nossos limites.  

Era como aquele frase remota que todo mundo já tinha decorado: matando um leão por dia. Yoongi era assim, matando um leão por dia e as vezes tinha até uma cobra pra ele atravessar também. Nada era fácil, desde que nascera foi assim, mas isso não significava que ele iria desistir. Sinceramente? Essa palavra nem existia em seu vocabulário. Desistir não era a primeira opção, nem a segundas e muito menos a terceira, apenas não existia e enquanto ele acreditasse naquilo, tudo ficaria bem.  

Foi naquele tipo de pensamento que ele se perdeu ao ir trabalhar, no meio do caminho tinha mandado uma mensagem desavisada para o seu chefe perguntando se não podia fazer hora extra já que não ia para a aula, e o homem não viu problemas em ceder tal coisa, claro, depois de ter feito um texto sobre a importância de ir bem nos estudos e que ele não deveria faltar tanto se queria um futuro bem sucedido. Uma das funcionárias da manhã estava doente e tinha um desfalque na equipe, então Yoongi foi substitui-la, sendo assim largaria 2h mais cedo e partiria direto para o ginásio onde ele poderia ficar até fechar. Livre de tudo aquilo que lhe afligia. 

Min se dava bem com o pessoal do café, era impossível não gostar dele mesmo com o seu jeitinho quieto e sério. As meninas tinham certo apresso por ele, como era um dos mais novos, suas noona sempre lhe enchia de paparicos e o tratavam como um filhotinho fofo – o que ele era, de certo modo. Enquanto os hyung o tratavam como se fossem o irmão mais novo deles, sabiam pouco sobre a vida dele, e sinceramente não eram curiosos a respeito, mas sabia que ele era um menino que mesmo muito novo já tinha passado por momentos difíceis e todos se empenhavam para vê-lo bem e sempre confortável na presença deles. 

Quando ele enfim chegou no trabalho, ele pode constatar o movimento constante da cafeteria e o fluxo grande dela. O estabelecimento ficava em um lugar estratégico bem de frente para uma empresa que treinavam jovens para virarem famosos e assim o fluxo era sempre grande de adolescentes em grupos e até de funcionários e pessoas importantes iam ali, certo dia Yoongi até atendeu a atriz Jang Na-ra, ela fazia o papel principal de um dos doramas favoritos na vida e ele precisou de muito sangre frio para não dar um de fã desequilibrado, mas isso não o impediu de dizer a ela gentilmente que amava a sua personagem e mesmo que fizesse um tempinho desde que fora exibido, Fated To Love You sempre seria seu dorama estaria em seu coração.  

- Oh, saeng, levante os pés e nos ajude, isso aqui está um caus. - Huan, um chinês que vivia na Coréia desde os 3 anos lhe apressou assim que ele chegou perto do balcão. Yoongi gostava dele, de verdade, Huan era sempre muito alegre e divertido e Min conseguia dar boas gargalhadas em sua companhia, até nos dias mais difíceis. - Ande, ande, vá logo. 

- Estou indo, hyung, estou indo. 

No vestiário ele encontrou as garotas conversando coisas bobas possivelmente se escondendo do trabalho duro que estava rolando fora dali, o lugar era badalado, mas o movimento parecia aumentar duas vezes mais nas terças e Yoongi nem entendia bem o porquê, aquele lugar ficava simplesmente infestado de adolescentes que faziam sempre muito barulho e gastavam todo o seu dinheiro em tudo que existia ali. A clientela da terça-feira era bem generosa e apesar de todo o trabalho, Yoongi ficava agradecido por seu patrão ter todo aquele dinheiro e consequentemente meios de lhe pagar o salário.  

Rapidamente ele cumprimentou suas noonas, guardou suas coisas no armário disponível para si e foi para o trabalho. Era bom para lhe distrair, para fazer com que seus pensamentos se concentrassem em outras coisas que não fosse o embate terrível com a mãe mais cedo, e o modo como seu braço estava ganhando um arroxeado ao redor dos pequenos ferimentos que as unhas da mulher causaram em seu braço.  

*   *    * 

Taehyung estava prostrado naquele sofá desde que acordou, ocupado demais com sua garrafa de cerveja já quente e o jogo que passava na tv a sua frente. Em dias normais ele não faria tal coisa, ele certamente levantaria, tomaria um banho demorado e depois faria seus exercícios regulares devido o joelho machucado, após isso prepararia qualquer coisa para comer e quando desse a hora necessária ele iria até a loja da mãe lhe ajudar.  

Kim não trabalhava efetivamente, ele apenas ajudava a sua mãe em troca do que fazer, porque era melhor do que ficar em casa sozinho. Porém, isso não significava que ele tivesse na miséria, os frutos de anos do trabalho dele ainda estava sendo colhido e ele tinha uma boa - põe boa nisso – quantia de dinheiro em sua conta, os pertences que ele tinha no outro continente ainda lhe rendiam muito e toda vez que o nome de Kim era mencionando, aparentemente, uma quantia de dinheiro era depositado em sua conta. Ainda tinha o fato do seu antigo conhecido estava tentando fazê-lo aceitar a ofertar sobre narrar a seme final do campeonato, mas Taehyung estava bem relutante a respeito porque tudo ainda era muito recente e ele não sabia se tinha condições de pisar dentro de um ginásio e não está dentro do rinque lutando pelo título.  

Amava o hóquei no gelo e não sabia se já tinha superado bem aquela separação tão drástica. Mas ele detestava na mesma medida aquela áurea depressiva que lhe assolava desde sua aposentadoria forçada, odiava o marasmo em sua vida e a constância das coisas, Taehyung era um cara que não costumava ficar parado, sempre saindo, sempre se divertindo, sempre curioso pela vida. Porém, naquele um ano, a última coisa que ele tentou foi ir viver do jeito que sempre viveu, ele apenas ficava em casa, procrastinando, e quando não sentia dores no joelho ficava apenas esperando quando voltaria a sentir. Não eram dores fortes, sua cirurgia fora bem sucedida e ele nem precisava mais usar muletas, mas ele mancava um pouco devido a mal movimentação da junta, ele teve uma recuperação surpreendente, mas ainda tinha pinos e parafusos presos no seu osso, sustentando tudo e ele ainda precisava de alguns cuidados, como medicamentos e fisioterapia.  

Com aquele acidente, Kim Taehyung tinha deixado de ser o cara vibrante, feliz e otimista, para se transformar em um Kim Taehyung calado, misterioso e sério. Ele sequer lembrava a última vez que riu verdadeiramente de algo, a última vez que riu porque sentiu vontade, até os músculos da barriga doer e ele ficar sem fôlego como costumava acontecer sempre. Tinha se transformado em um ranzinza de 23 anos e odiava isso também. No entanto, era mais fácil nutrir sentimentos negativos por si mesmo do que fazer algo a respeito.  

Tudo tinha se tornando cinza e a única coisa que o fazia ter um leve deslumbre das cores era o tal patinador misterioso que sempre aparecia no ginásio a noite. Taehyung não sabia quando tinha começado aquele encanto pelo garoto, ele apenas foi lá em uma noite que queria espairecer a mente e encontrou o menino lá na pista de gelo, movendo o corpo de um lado para o outro na pista enquanto escutava música nos fones de ouvido. Seu corpo pequeno se movia com maestria, ele até arriscava alguns movimentos do que Kim logo reconheceu ser da patinação artística, conseguiu executar perfeitamente um Toe Loop, mas caiu de bunda ao tentar um Axel e isso o fez desistir de tentar, juntou suas coisas e foi embora sem nem olhar para trás. Desde então Taehyung vinha sempre o observando, religiosamente.  

Primeiro ele observou as horas em que o garoto chegava ao ginásio, sempre por volta das 19h30 da noite, sozinho na maioria das vezes e saia perto das 22h. Sendo assim, toda vez que seu relógio marcava 19h da noite, Kim assumia seu posto junto a janela até que o visse chegando, saia tranquilo de casa e o observava até ir embora. Não era como se ele estivesse obcecado, longe disso, ele só se sentia intrigado por aquele cara, porque ele era no mínimo intrigante e Taehyung não estaria mentindo se dissesse que também era muito bonito e fofo. Merda, ele chegou a sonhar com o sorriso doce do menino. Mas, definitivamente, ele não estava obcecado. Putz, nunca.  

Contudo, isso não significava que todos achasse o mesmo. Seu pai lhe falou meio superficialmente sobre o quanto aquilo era assustador e que o garoto podia se sentir intimidado com tal coisa, seu amigo o incentivava a tomar uma atitude e para de vez com aquela prática doentia. O taxou como um frouxo idiota que sentia medo de tomar uma atitude diante um adolescente. E sua mãe não mediu as palavras ao dizer que ele acabaria maluco com aquilo e que parasse de vez, que ele agia como uma daquelas pessoas loucas de filmes e que ela não nasceu para ser mãe de um desequilibrado. Sim, ela o amava, com todo o coração, mas isso não impedia de falar umas boas verdades. Todos sabiam sobre aquilo e o mais engraçado era que Taehyung nunca havia dito nada a respeito.  

Falando na senhora Kim, fora ela quem resolveu aparecer bem no meio da partida de hóquei, no momento exato em que o Sault Ste Marie Greyhounds marcava seu quarto ponto no segundo tempo virando o resultado em cima do London Knights que tinha saído do primeiro tempo com 2 pontos a 1. Jack Kopacka, um  winger de 20 anos tinha marcado um belo ponto depois de uma assistência de Barrett Hayton, um center de 1,85m, que tinha 17 anos e assustava todo mundo com o seu tamanho. Fora tão empolgante que Taehyung não se constrangeu em gritar alto e aplaudir o bom desenvolvimento dos dois, se o time continuasse daquela forma, ele tinha a convicção de que segurariam o placar e conseguiriam ganhar.  

Porém, no meio da sua torcida, sua mãe apareceu de surpresa em sua casa pouco preocupada se o jogo era importante ou qualquer merda do tipo, ela só queria que Taehyung saísse do sofá, tomasse um banho e fosse fazer alguma coisa produtiva, e não que continuasse naquele estado prostrado no sofá se martirizando com aquele entretenimento que mais lhe deixava deprimido do que entretido. Era triste ver como ele tinha se tornando triste depois do acidente. Era triste lembrar de tudo que vinha acontecendo desde aquele fatídico jogo. Ela tinha assistido de perto tudo, foi ela quem o acompanhou até o hospital quando tudo aconteceu e se manteve ao seu lado desde então, ela estava lá quando ele fez a operação, quando recebeu a notícia terrível sobre nunca mais poder voltar ao rinque e principalmente quando a assessoria de empresado time organizou uma coletiva de imprensa e Taehyung deixou todos bem cientes sobre sua aposentadoria.  

Abrigou o filho nos braços tanto quando ele chorou de dor pelos seus machucados, como também quando chorou por não poder fazer mais o que tanto gostava. Acompanhou ele em todas as seções de fisioterapia e cuidou integralmente nos primeiros meses quando era difícil ir no banheiro até para mijar. A senhora Kim esteve sempre ali desejando que ele se recuperasse logo tanto de maneira física quanto mental porque o sofrimento dele era o seu sofrimento também.  

- Eu não acredito que você está jogado nesse sofá, Kim Taehyung. - foi tudo que ela falou assim que adentrou ao pequeno apartamento usando a chave reserva. Ele não tinha lhe dado aquela chave, isso sequer passou pela cabeça dele já pra evitar coisas como aquela, mas a mulher acabou fazendo uma para si com a desculpa de que era sempre bom caso ele precisasse de alguma coisa. Kim no final nem protestou, não valia tanto a pena assim.  

- Omma, sai da frente, eu estou assistindo ao jogo. - protestou tentando ficar rente ao sofá, mas seu joelho acabou reclamando no meio do processo por ele ter se mexido rápido. - A senhora está atrapalhando. 
- E vou continuar atrapalhando, você está bebendo pela manhã, Taehyung! Você tomou seu café da manhã?! Os remédios?! Fez seus exercícios?! - ela simplesmente gritava em meio a sala sem ligar de ainda está com a bolsa pendurada nos ombros e a porta está aberta, ela só queria brigar por ele está sendo tão irresponsável.  

- Eu só quero assistir ao jogo, tudo bem? Eu não estou fazendo nada demais.  

- Nada demais? Só está se afundando nessa porcaria de sofá, tomando cerveja em vez de está comendo coisas saudáveis. 

Como sempre acontecia ela passou a organizar as coisas que via fora de lugar, o apartamento não tinha muita coisa porque Taehyung não necessitava de muita coisa, era tudo bem básico e fácil de organizar. Não tinha nada muito bagunçado, uma louça pequena na pia, a cama desforrada, alguns papéis na mesa e os sapatos dele largado de qualquer forma perto da porta. Também tinha o banheiro sujo que ele prometia limpar toda tarde antes de ir para a loja, mas nunca tinha coragem, algumas roupas no sofá que precisava serem dobradas, os moveis que precisavam de um pouco de cera – mas também não era como se ele ligasse com o pó em cima deles - e o lixo para ser tirado. Num todo, não era nada que pudesse deixar o ambiente sujo ou desorganizado e Taehyung nem se importava muito com aquilo, contando que não estivesse mau cheiroso, a louça limpa e chão passado pano, ele não iria ligar para mais nada. Ele só queria assistir seu jogo em paz, tomar sua cerveja e ficar quietinho no seu canto. No entanto, sua mãe não pensava daquele modo e não foi estranho quando ela passou a organizar tudo enquanto reclamava e atrapalhava dele assistir tv.  

Taehyung entendia que ela se preocupava, entendia que todos se preocupavam e agradecia por isso, em saber que era amado pelas pessoas que amava, era bom se sentir importante e ele se sentia tento todo aquele cuidado para consigo. Mas ele também queria que as pessoas entendessem que ele já era um adulto, era um homem de 23 anos e entendia bem as coisas, não precisavam agir como se ele fosse um adolescente idiota que não sabe nada sobre a vida. Porque ele sabia, e sabia muito. Certo, talvez ele tivesse um pouco deprimido com tudo que aconteceu, era difícil dizer adeus a algo que você tanto ama, mas isso também não significava que ele ia deixar de viver por conta disso, não era como se de alguma forma sua psique tivesse sido afetada e sua vida estagnado. Não, Taehyung considerava mais como um lance pós-traumático do que depressão. E ele gostaria que todos entendessem isso. Ele estava bem e tinha o direito de não está em alguns dias.  

No final, depois de ter protestado muito para que sua mãe parasse de falar e o deixasse assistir em paz, coisa que ela sequer deu ouvidos, ele apenas desistiu de tentar e foi ajuda-la nos serviços domésticos. Enquanto ela falava horrores sobre ele começar a viver sua vida, procurar uma garota para namorar ou simplesmente gastar seu tempo com algo produtivo, Taehyung se ocupou em apenas dobrar as roupas espalhadas pelo sofá e sequer lhe dar atenção. Não estava com cabeça para isso, só queria que a noite chegasse logo e ele pudesse ver o garoto tímido que sempre estava lá, patinando sozinho sobre aquela imensidão de gelo. 

*   *   * 

Era 17h da tarde e lá estava Kim Taehyung de vigia na janela do seu apartamento mesmo sabendo que faltava no mínimo duas horas para seu garoto misterioso aparecer. Ele sentia-se patético por aquilo, muito, quem já se viu viver paranoico sobre um cara que ele sequer sabia o nome, ele sequer sabia que tinha se interessava efetivamente por homens até esse cara aparecer. Veja bem, não era como se Taehyung fosse um menino inocente que não sabia nada da vida, ele sabia e muito, se é que me entende. Só que tudo parecia diferente agora.  

Ele já tinha ficado com um cara, Justin era o nome dele e os dois trocaram alguns bons beijos e para Taehyung, sinceramente, não era muito diferente de beijar uma mulher. Eram só bocas e com ele não houve o lance de "caramba, eu sou gay" como também não deve o de "não, isso não é pra mim". Kim o beijava porque tinha vontade de beijar do mesmo jeito que beijava mulheres quando assim tinha vontade, não fazia muita diferente no final, pelo menos não para ele. Talvez fosse bixessual. Por que não? Até onde ia o seu limitado conhecimento sobre o assunto, ele sabia que na sigla LGBT o B, com toda a certeza, não significava bicicleta. Mas também, convenhamos, sua sexualidade não era algo que lhe tirava o sono, tinha em sua mente sempre que era um homem maduro, independente, bem resolvido e que se tivesse que se apaixonar por alguém, que fosse uma boa pessoa independe do seu gênero. Nem todo mundo concordava com os seus pensamentos, mas aquilo era outra coisa que ele estava pouco se importando também. 

Tinha ligado a tv da sala e estava sentado em uma espreguiçadeira mantando o tempo até que o sol se fosse por completo e a noite enfim chegasse para ele ir até o ginásio. Após arrumarem o apartamento sua mãe foi embora dizendo querer vê-lo na loja dentro de uma hora e Taehyung foi porque ele não queria que a mulher fosse atrás de si e começasse com todo aquele papo dramático de sempre. Ajudou no que ajudava sempre, verificou a entrega de algumas mercadorias e passou um tempo no caixa, ele até correspondeu aos flertes de um grupo de estudantes que ficaram eufóricas demais ao ver um "oppa muito bonito e simpático" as atendendo. Mas ele acabou se cansando logo, seu joelho parecia ainda mais dolorido por ele ter ficado parado por muito tempo, então, logo que pode ele fugiu de lá.  

Taehyung tinha preparado um pouco de ramen com ovo cozinho e uns pedaços de porco que sobrara do jantar e estava ocupado com o seu macarrão enquanto assistia tv e observava a frente do ginásio, ele nem acreditava que o patinador fosse aparecer naquela hora por ali, então foi por isso que ele quase se engasgou com um pedaço de carne ao ver o corpo pequeno coberto por roupas pretas e largas, com uma mochila nas costas, entrando no ginásio sem chamar muita atenção. Ele tinha o rosto coberto com uma máscara e com um boné, mas isso não era o suficiente para passar despercebido por Kim, esse que simplesmente largou a comida de qualquer forma na cadeira onde estava seguiu para o quarto em busca de roupas quentes.  

Droga, quando ele tinha virado um desses adolescentes obcecado com um crush que o perseguia em todos os lugares? Céus, ele achava isso a maior baboseira e no dia que alguém ouvisse ele falando tal palavra em voz alta, ele certamente teria endoidado. Mas aquela comparação era inevitável e ele não reprimiu um revirar de olhos para si mesmo ao que terminou de vestir seu sobretudo e partiu para fora do apartamento lembrando apenas de levar consigo as chaves.   

A tv continuou ligada enquanto passava Knowing Hyung, do canal JTBC, ele realmente gostava daquele programa e se divertia muito com os convidados mesmo que nem sempre soubesse quem eram. Daquela vez era com um boy grup com sete membros que tinham acabado de lançar um Mv e se Taehyung não tivesse muito enganado, tinham ganho um prêmio na Billboard. Mas ele não ligou para aquilo. Como também não ligou para o celular esquecido em cima do sofá ou o seu macarrão largado de qualquer jeito e o quão, possivelmente, ele estaria frio ao que voltasse. Kim apenas queria ir ver o garoto misterioso e não mediu esforços para isso, apenas foi sem olhar para trás. Que se dane o resto.  

E ele só não saiu de fato correndo porque seu joelho o impedia. Devido a fratura ele não podia mais correr, nem nadar muito rápido e acabou ficando um pouco manco já que não podia dobra-lo por completo. Era um saco. E ele não queria admitir, mas aquilo talvez fosse um dos motivos para ele se manter afastado do garoto porque era praticamente obcecado. Não era como se Taehuung tivesse a auto estima baixa, longe disso, desde muito novo ele tinha ciência sobre a sua boa aparência e nunca lhe foi um empecilho para nada. Porém, não era como se ele pudesse esquecer o quão fracassado foi a sua única tentativa de ter alguém dentro daquele último ano.  

Em um dia normal, cansado demais de toda aquela merda, Kim saiu para beber achando que aquilo era a única coisa que podia fazer. Tomou uns bons drinks, teve uma conversa bem argumentativa sobre o que achava sobre a situação política entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos com o barmen, e não ficou constrangido em flertar abertamente com uma ruiva que sentou ao seu lado no balcão. Ela estava na despedida de solteira da amiga e os dois pareciam bem profissionais na hora da paquera, conversa no pé do ouvido, as mãos parando em lugares estratégicos e o modo sussurrado e lendo de falar. Era nova e tinha acabado um relacionamento a pouco tempo com um cara sem futuro e não se importou ao vê-lo de muleta, pelo contrário, seus olhos brilharam como brasa ao que soube que ele era ex-jogador de hóquei no gelo e aquilo era uma fratura de esporte. Ninguém precisava saber, mas ela tinha um fetiche estranho sobre caras com cicatrizes fazendo cosias aparentemente perigosas.  

Trocaram telefones e entraram juntos em um taxi no final da noite, afoitos, as bocas sequer se desgrudavam para respirar e tudo estava inclinado a crer que a noite dos dois seria quente. O taxista que o diga. Mas foi bem frustrante na hora do vamos ver quando Taehyung não conseguia se mexer muito devido ao joelho machucado, quando ambos saíram insatisfeitos já que o máximo que ele conseguia fazer era ficar deitado enquanto a garota fazia tudo sozinha. Foi um golpe tão grande para o ego dele que Taehyung apenas se vestiu de qualquer jeito e foi embora sem nem olhar para trás. No caminho de volta para casa ele acabou apagando o número dela e desde então não tentou mais nada com ninguém. Sentia-se um inválido e ele queria muito dizer que aquele acontecimento não interferia em nada na sua vida até porque sua mente nunca tinha projetado nada sexual com o patinador. Mas quem ele queria enganar, não é?  

Kim Taehyung tinha projetado muita coisa com aquele cara, principalmente no modo sexual, porque não tinha como assim não fazer. O cara era lindo pra cacete. O corpinho pequeno e magro, o traseiro avantajado na medida certa e a pele branquinha como um floco de neve. Droga, ele já tinha pensado coisas bem sujas com a boca daquele cara, porque ela também era linda pra cacete e ficava ainda mais pelo modo como sempre formava um biquinho quando ele falava.  

E você deve está se pergunta "horas, ele só ver o garoto desse modo? Só pra sexo?". E aí que está o grande problema, porque mesmo que tivesse muito sobre sexo, não era só sobre aquilo, seu fascínio pelo garoto ia bem além de ir para cama ou não com ele e isso era o que lhe frustrava. Porque se assim fosse ele não se importaria de arriscar, mas como não é, ele tinha medo de tentar e acabar cagando com tudo. Era melhor ficar longe e acreditar não ter chance alguma, do que se aproximar, saber que tinha e no final não conseguir dá conta. Preferia ter um colapso ao imaginar que teve aquele garoto e de alguma forma o perdeu.  

Não, nunca em 1 milhão de anos. E veja só, ele tinha aquele turbilhão de pensamentos em relação ao garoto, mas ainda teimava em dizer que não estava obcecado por ele e tão pouco apaixonado como seu amigo sempre lhe dizia. Misericórdia. Ele podia está tudo menos apaixonado, certo?  

Sentem a ironia?  

Não demorou muito para ele atravessar a rua e já está dentro do ginásio. Diferente de como ficava a noite, o lugar parecia mais movimentado, o seu patinador sem nome não estava sozinho na pista de gelo e dividia o espaço com algumas crianças que caiam de metro em metro enquanto suas mães os incentivavam a continuar. Também tinha alguns adolescentes e um casal de namorados que patinavam de mãos dadas. Tudo parecia iluminado demais e Taehyung sentiu falta da penumbra que vez ou outra usava para se esconder, mas como não tinha ele apenas sentou-se em um ponto estratégico e começou a apenas observar.  

O patinador estava lá como sempre, mas parecia ainda mais retraído que o costume, seus ombros caídos e a cabeça baixa, os ouvidos tampados pelos fones e os movimentos tímidos, talvez estivesse assim por ter mais pessoas do que o costume, mas Taehyung descartou logo essa possibilidade ao vê-lo levar as mãos discretamente ao rosto, parecia está chorando e isso deixou o mais velho aflito, mesmo que já tivesse o visto triste e até bravo, nunca o vira chorar. Queria ter coragem para se aproximar e perguntar o que estava acontecendo, não era bom com palavras, mas poderia tentar e desabafar as vezes era bom. Mas não fez, apenas ficou lá o observando como sempre.  

Aquele garoto lhe intrigava de uma forma sobrenatural, tudo em volta dele prendia a atenção do Kim e ele só faltava babar na camiseta. Ele nunca se viu daquele jeito por ninguém, nem mesmo na época do ensino médio onde todos os garotos e garotas passava a se interessar por namoro e era normal se sentir meio bobo diante alguém que você achasse no mínimo bonito. Mas poxa, ele já tinha 23 anos, muito longe de ser um adolescente descobrindo como era se interessar por alguém, como era ter seu coração afoito por alguém que visivelmente era mais novo. Pelos deuses, ele nem sabia se o garoto era maior de idade ou estava sendo ainda mais errado tendo todos aqueles pensamentos por uma pessoa jovem demais. Sentia-se sujo com tal hipótese. Merda.  

Olhar para ele fazia Taehyung querer ainda ser o mesmo Taehyung de antes do acidente, o cara positivo e alegre, o galanteador que não media esforços por aquilo que queria. Se fosse o mesmo de antes, como toda a certeza ele já teria se exibido com todas as suas habilidades no gelo, jogado uma graça e conseguido descobrir no mínimo o nome dele. Dependendo de quem o patinador fosse, ou de como ele agia, eles podiam até já ser amigos, ou melhor, Kim já podia ter provado se seus olhinhos apertados eram tão bonitos de perto quanto eram de longes. Poderiam está em um patamar bem diferente onde eles tinham algum contanto e quem sabe um relacionamento. Mas não, ele não era o mesmo e tinha se transformado em um merda covarde demais para tomar uma atitude.  

"Eu sou tão patético, estupidamente patetico", fora o que pensou sentado naquele bando do ginásio, os braços cruzados sobre o peito e a perna machucada esticada para não forçar o joelho. Estava tão concentrado em observar o garoto e em se martirizar mentalmente que quase não viu a figura de um homem alto sentando ao seu lado.  

Isso, só estava faltando seu melhor amigo aparecer para o dia enfim se tornar completo. O que mais estaria faltando, hum? Porque, cara, ele amava Jung Hoseok, mas quando esse queria ser chato, puta merda, ele conseguia com maestria.  

- Não sei como esse garoto ainda não te denunciou por perseguição?  

- Deve ser porque eu não estou o prosseguindo, Hoseok. - revirou dramaticamente os olhos sem ligar de está sendo informal ao que Jung lhe lançava um olhar quase tedioso. - Eu só estou observando, isso não é nada demais.  

- Se voce diz... - deu de ombros se recostando no banco e assumindo a mesma postura do amigo – Mesmo achando que você vai acabar maluco com isso e que deveria ir falar logo com ele pra acabar com todo esse tormento, não foi por isso que eu vi aqui... Como você estar? 

- A mamãe te ligou outra vez pra que viesse falar comigo? Foi isso?  

- Ela está preocupada. - deu de ombros agora seus olhos presos na imagem do patinador que era o foco da atenção do seu melhor amigo. Era um garoto bonito, olhando para ele, Hoseok até podia entender o porquê de seu amigo está tão obcecado, porém, isso não significava que achava aquilo saudável. Pelos deuses, era quase como um daqueles malucos de filmes que ficam perseguindo pessoas inocentes. - E eu quis dizê-la que não era nada demais, que era só uma fase e que deveria relaxar mais, mas, acho que nem eu mais acredito nisso e também ela ameaçou de me dar uns tapas, então cá estou eu.  

- Isso tudo por que eu estava assistindo o jogo e bebendo uma cerveja? - a conversa era entre Taehyung e Hoseok, mas eles sequer se olhavam já que estavam ocupados demais olhando para o patinador que naquele instante tinha ajudado um garotinho de se levantar após um tombo e já patinava para longe do aglomerado de crianças. Kim quase sorriu ao vê-lo sorrindo para o menino que parecia choroso pelo acontecido, mas preferiu reprimir aquela vontade ao ter Jung do seu lado.  

- Isso tudo porque você parou no tempo desde que se aposentou, deixou de viver e só vive enfurnado em casa assistindo jogos e nada mais, pelo amor de Deus, Taehyung, você gasta seu tempo naquela loja em vez de fazer algo produtivo, você tem noção do que é isso?  

- Hyung, eu...  

- Hyung! 

A falava de Taehyung foi cortado por um grito alto que ecoou por todo o ginásio chamando a atenção das pessoas para o garoto parado do lado de fora da pista de gelo, no espaço de entrada. E assim que seus olhos bateram nele, e no rapaz alto que lhe acompanhava, Kim soube exatamente quem era: O amigo baixinho e escandaloso do seu garoto misterioso.  

Também não sabia o nome do garoto, mas pelo pouco que já pode observar, ele e o outro pareciam bastante amigos do seu patinador, já que eram os únicos que já apareceram por ali atrás dele. A princípio Taehyung achou que se tratasse de algum namorado, eles pareciam bem próximos e ter certa intimidade para beijos afáveis e abraços calorosos, mas então, certa noite, o baixinho escandaloso apareceu de mãos dadas com outro garoto e ficou bem óbvio quando eles se beijaram que eles eram namorados. E tinha o outro, o mais quieto que sempre parecia envergonhado com o escândalo do outro e bem, contanto que eles sejam bem discretos e sequer troquem selinhos em públicos, Kim tinha certeza que eles eram amigos. Já tinha se passado por sua cabeça em se aproximar de algum dos dois e pegar alguma informação sobre o patinador, mas nunca teve coragem também e por isso só lhe restava observar de longe.  

Diferente de Taehyung, Jimin, o tal baixinho escandaloso, não se aguentava em apenas observar e por isso já estava ele gritando por Yoongi, dando a mínima aos protestos de Jin que já estava vermelho feito um tomate de tanta vergonha e muito menos se o lugar estava cheio e as pessoas o olhavam. Ele estava preocupado por seu hyung não ter aparecido a aula, preocupado ao ponto de abandonar seu grupo de estudos a tarde e arrastar o Seokjin do grupo de estudos dele para ir atrás de Min. E nem foi tão difícil assim já que o Kim estava tão preocupado quanto.  

Yoongi não faltava aulas, mesmo que não gostasse de todas, ele nunca faltava porque era melhor ir e enfrentar toda a chatice do que ficar em casa. Então isso deixa os rapazes inclinados a acreditar que algo ruim tinha acontecido, principalmente ao passar no trabalho dele e saber que o mesmo já tinha saído e dito que iria patinar um pouco. E sim, por mais que soubessem que ele patinava todas as noites, não era como se pudesse ignorar tal coisa, certo? 

- Jimin, está todo mundo olhando, para de ser tão escandaloso. - Seokjin repreendeu ao ver seu amigo já vermelho de tanto gritar. As vezes era complicado uma pessoa como ele, tímido e quieto, ser amigo de algum como Park Jimin, mas nem por isso a amizade deles parecia enfraquecer. - Não seja tão escandaloso, não está vendo que ele está com fones de ouvido, espere ele passar aqui e assim falamos.  

- Hyung! Hyung! - não, Jimin não deu a mínima para o que o amigo falava e continuou gritando feito um louco atraindo a atenção de todo mundo menos de Yoongi que estava ocupado demais ouvindo a nova mixtape do rap Agust D no último volume para ligar para as coisas ao seu redor.  

- Jimin! - daquela vez foi Jin quem gritou ao ver Jimin entrando na pista de gelo afoito demais para apenas relaxar e esperar.  

- Hyung! 

Yoongi ergueu a cabeça por um milésimo de segundos apenas para se certificar de onde estavam as pessoas, não iria esbarrar em ninguém, porém, não precisou de muito para ele perceber toda a confusão por ali e sua atenção ir direto para o seu amigo parado no meio do gelo, o corpo abaixado e uma expressão assustado no rosto. Jimin eram uma comédia e Yoongi quase riu dele por causa disso. Mais à frente ele viu Jin gesticulando coisas ilegíveis e com o rosto tão vermelho que parecia pintado, então por isso ele não tardou de tirar os fones de ouvido e ser apreciado pelos gritos de Jimin gritando "hyung, me ajuda", enquanto Jin gritava para que Jimin não se machucasse e o quanto era irresponsável.  

Sem pensar muito, Min deslizou pelo gelo e em segundos ele estava parado perto de Jimin o suficiente para amparar o corpo do amigo junto ao seu e o carregar para fora da pista, o amparando por baixo dos braços enquanto ouvia Jin reclamando por Jimin sempre agir de modo imprudente. Pelos deuses, Park Jimin era uma criança afoita e sem limites aprisionada no corpo de um adulto e isso podia ser muito perigoso.  

- O que te deu pra entrar assim na pista, seu maluco? - apesar da forma que falou, Yoongi não parecia bravo ou irritado com a situação, sua voz saia até divertida e se não fosse pelo modo como Jin estava nervoso ele podia até rir de tudo. 

- Estávamos gritando por você, mas você não ouve, vai acabar surdo de tanto ouvir isso alto. - com cuidado, Yoongi saiu da pista e andou até o banco mais próximo para tirar seus patins, rindo baixinho quando viu Jimin ganhando um tapa na nuca de Jin e logo depois um beijinho na bochecha pra desfazer o seu bico fofo.  

- Você não foi a aula, Yoon, ficamos preocupados.  

- Meu dia não começo muito bem e eu resolvi ir trabalhar em ver de ir a aula... 

Enquanto os três conversavam, Taehyung ainda tinha seus olhos presos nos três amigos que agora pareciam sérios ao que conversavam. Hoseok, ao seu lado, não falava nada, até porque não tinha nada pra falar, mas achava interessante o modo como o amigo parecia conhecer bem o entrosamento deles.  

- Olha, lá, ele está falando alguma coisa bem séria, então o baixinho vai sentar ao seu lado e lhe abraçar. - dito e feito, bastou ele terminar a frase e lá estava Jimin sentado ao lado de Yoongi abraçando o amigo. - E quando eles se levantarem, o mais alto vai carregar seus patins até onde ele deixou a bolsa e vai lhe dar um beijo na testa, enquanto o baixinho fala algo que o faça rir e os três saiam abraçados daqui.  

- E você ainda tem a cara de pau de dizer que não é obcecado nesse cara? Você é um desequilibrado.  

- Não sou, eu apenas observo bem.  

- Isso é o que todos dizer, mas já que você sabe tanto, me diz ai, eles namoram ou algo assim? Porque esses caras são muito bonitos, olha aquele ali, o mais alto, tem uma carinha de bebê, não tem? 

- Eu não sei dizer, mas acredito que não tenham nada. O baixinho já apareceu aqui com um cara e eles pareciam bem próximos, então acho que ele namora, mas o mais alto eu não sei.  

- Oh, merda, são muito lindos, hum? Eu não me importaria de ficar com os dois. - sim, Jung Hoseok era um cara bem liberal quando o quesito era namoro, ele nunca ficou sério com alguém, mas tinha uma lista grande de conquista tanto homem ou mulher, ele era do tipo de cara que se a pessoa estivesse respirando regularmente e rolasse um clima, ele não via empecilho em ficar com a pessoa.  

- Aquieta esse rabo, Hoseok, um deles namora e o outro parece tímido demais pra cair no seu papo sujo.  

- Oh, irmão, não me ofenda, eu não tenho um papo sujo, o que posso fazer se sou bom com as palavras e seu usa-las ao meu favor. - sorriu sugestivo ao que Taehyung olhou para si de um modo entediado - E vamos falar a verdade, eu não ligaria de ter os dois, não, não, melhor, olha bem para esse três caras, eu não ligaria de ficar com os três, porque o seu garoto misterioso também é lindo, hum? 

- Nem ouse encostar nele, ou eu esqueço que sou seu melhor amigo e te quebro na porrada.  

A risada alta e característica de Hoseok ecoou por todo o ginásio e atraiu a atenção dos três amigos que acabaram por olhar na direção deles. Jimin e Jin já tinham dito algumas vezes ao Yoongi sobre sempre acharem que Taehyung observava ele demais, era estranho e se ele fosse algum tipo de perseguidor, não era nada discreto e Yoongi já tinha percebido isso também, até porque era quase impossível alguém como Kim Taehyung passar despercebido, mesmo que ele tentasse. Mas, diferente do que seus amigos teimavam em afirmar, ele nunca achou que os olhares do homem eram para si, até porque Yoongi era inseguro demais para achar que alguém como aquele cara iria olhar para ele, porém, isso não significava que seus amigos não comentavam a respeito e principalmente o incentivavam a tomar uma atitude.  

- Ele tá tão na sua, saeng. - Jin comentou não se limitando a dar pulinhos de felicidade e rir alto junto a Jimin. 

- Não está não, ele nem sabe quem eu sou, parem com essa baboseira.  

- Ah, hyung, ele está sim e se eu fosse você eu não perdia tempo e tomava logo uma atitude, que o meu Jungkookie não ouça... - Jimin fez uma expressão fofa ao que deu duas batidinhas sobre os lábios ao falar aquilo e Yoongi não deixou de sorrir por isso - Mas um homem gostoso desses a gente não deixa escapar não, hyung.  

- Olha, não é sempre, mas eu tenho que concordar com o Jimin. Tudo bem, ele é um hyung e pode parecer um pouco estranho com todas essas roupas pretas e o lance misterioso, mas ele é bem bonito e te observa muito, saeng.  

- O que ele iria ver em mim, hum? - Yoongi não queria prolongar aquele assunto, então ele apenas pegou sua mochila e fez menção de sair dali, estava com fome e precisava comer alguma coisa.  

- Você quer que eu fale com ele, hyung? Se quiser eu falo, você sabe.  

- Apenas vamos embora, Jimin, pelo amor de Deus, para com isso.  

E Yoongi precisou arrastar Jimin e Jin para o lado de fora dali ou era bem provável que um deles iriam falar com o tal homem - que daquela vez estava acompanhado - e a situação ia ficar no mínimo constrangedora para Min. Park ainda acenou em direção a ele e Jin ficou rindo com aquela sua risada terrível deixando Yoongi vermelho de vergonha até os fios de cabeço.  


Notas Finais


Então gente, vamos dar muito amor ao novo comeback dos meninos, votem neles na billboard e dêm muito amor aos 7 bolinhos, eles merecem.

Ps: Obrigada por todos que deram uma chance a Cold Heart, farei de tudo para não decepciona-los.

Saranghae 💓


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