História Cold Little Heart - Capítulo 12


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Categorias Naruto
Personagens Fugaku Uchiha, Ino Yamanaka, Itachi Uchiha, Kizashi Haruno, Mebuki Haruno, Mikoto Uchiha, Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Drama, Hentai, Itasaku, Naruto, Sasusaku, Violencia
Visualizações 991
Palavras 5.139
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Harem, Hentai, Literatura Feminina, Luta, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Como vão, meninas(os)?

Espero que estejam bem!

Adorei os comentário do capítulo passado e também a opinião quanto ao Shipp. E comentando sobre esse assunto, se rolar um poliamor entre os irmão Uchihas e a Sakura, vai ser uma coisa bem trabalhada e calma, não há por que correr, entende? Então fiquem calmas. Se não rolar o poliamor, claramente a fic será SasuSaku (Lembrando que não é uma votação, nem nada. As relações irão fluir de acordo com a fic).

Fico super feliz que estejam gostando da fic e já aviso que o conteúdo abaixo pode deixa-las desconfortáveis, mas a fic é nessa vibe mesmo, então estejam cientes do que estão lendo, por que eu estou ciente do que estou escrevendo.

Capítulo 12 - Capítulo Onze.


Capítulo Onze.

 

“Estava com fome, muita fome. Sua barriga doía, mas não podia falar.

- Vermes não falam – dizia a mamãe.

Levando as mãozinhas pequenas ao nariz, sentiu o líquido quente escorrer. Sangue. Seu nariz ainda sangrava da surra que levou da mamãe. Havia perguntado se podia ir lá fora. Mamãe não gostou.

Não podia ir lá fora nunca, tudo o que podia era ir na janela de vidro sujo e empoeirado.

Queria ir lá fora, queria muito. Lá fora parecia bom, as ruas poderiam a levar para longe dali.

- Sabe, alguns clientes tem perguntado por você – a voz da mamãe soou e a assustou.

Correndo para o sofá, sentou e passou a blusa grande demais para seu corpo pequeno no nariz. Mamãe não gostava de vê-la com sangue. Mamãe a chamava de porca imunda quando via o sangue.

- O que estava fazendo? – mamãe estreitou os olhos vermelhos na direção dela – Não importa. Tenho planos para você. Lembra-se do homem de ontem?

Ele era grande e tinha uma barba grande, que achou legal. Ele tinha sorrido e falado o quanto era bonita. Havia gostado dele. Ele parecia bom.

- Ele virá hoje para ver você – mamãe aproximou-se sorrindo, mostrando seus dentes amarelados por cigarros – Quando ele chegar vai brincar com você, vermezinha, entendeu?

Assentiu sorrindo.

Ninguém brincava ela, nunca. Mamãe nunca podia brincar com ela.

- Seque esse sangue, vermezinha – mamãe sorriu – Ninguém gosta de garotas sujas...”

Sentia as pálpebras pesadas, mas não hesitou em abrir os olhos. Não queria mais sonhar.

Não queria mais brincar.

- Sakura, você está bem? – a voz da médica soou clara ao seu lado.

Virando rapidamente o rosto, encarou Hinata que tinha a feição preocupada. Lambeu os lábios de repente secos, ansiedade chegando aos poucos, arrastando-se sobre sua pele, assim como a água quente em que estava mergulhada.

Não a tinha ouvido entrar no banheiro, estava presa demais em lembranças. Lembranças que a faziam querer correr para longe, ou talvez apenas um comprimido bastaria.

Um comprimido, uma picada, e tudo estaria longe.

- Sakura?

- Estou bem – respondeu roucamente, afastando os pensamentos obscuros.

- Tem certeza? – Hinata mantinha apenas o rosto avista na porta branca de madeira – Você está ofegante e nervosa. Pesadelos?

Ofegante? Sakura não havia reparado que respirava rapidamente, ou que suas mãos apertavam a beirada da banheira com força, fazendo seus dedos retesarem dormentes.

A imagem de Karin abaixada a sua frente, sorrindo lascivamente, era extenuante. Sempre a cansava, deixando-a esgotada.

“Ele virá brincar, vermezinha. Você vai gostar...”.

- Lembranças – voltou a murmurar desviando o olhar da morena.

- Já que está bem, vou deixa-la continuar com o banho – Hinata recuou de volta para o quarto, deixando a porta recostada e não trancada.

Banho. Sim, estava gostando do banho. Estar mergulhada em água quente era algo bom, conseguia sentir a sujeira indo embora levando muito da dor junto. Aquele banheiro era grande e muito branco.

Sakura sentia-se profanando o ambiente com sua sujeira. Seu fedor.

Ela tinha consciência que não cheirava bem. A médica havia falado suavemente sobre tomar banho, quase com medo de ferir seus sentimentos. Sakura sentiu vontade de rir, mas manteve a expressão de sempre.

Focando o olhar em seus dedos enrugados, suspirou profundamente. Os hematomas em sua pele alva estavam mudando de cor, caminhavam para um roxo suave. E por mais estranho que possa parecer, a rosada sentiu falta do roxo escuro.

“Mamãe tinha saído de seu quarto, depois de jogá-la no chão.

Mamãe estava brava, tinha interrompido a brincadeira dela com o homem baixinho.

Seu braço doía e olhando para ele viu a marca roxa, que há dias manchava sua pele.

A mancha era legal. Era bonita.”

Manchas, marcas, Karin pintou sua pele nos anos que viveu com ela. E apesar de achar as manchas bonitas, não as queria novamente. A dor para consegui-las nunca foi agradável.

Toda a dor que sentia agora iria embora, assim como as machas roxas. Disso tinha certeza. O tempo sempre curava, apenas para trazer mais delas. E assim que estivesse bem, resgataria Haku e então fugiriam para longe.

Agradecia pelos cuidados, mas ali não era onde devia estar. Apenas esperava que Haku estivesse bem e não fosse movido de lugar. As casas de acolhimento vinham primeiro para crianças na idade dele e então viriam os orfanatos.

Um arrepio a fez morder o lábio com força. Precisava resgatá-lo antes.

- Sakura? – a média voltou – Não pode ficar muito tempo na água.

Sakura assentiu, mas não moveu-se um centímetro. Hinata adentrou o banheiro e aproximou-se da banheira, que fazia a rosada parecer ainda mais magra e pequena em meio a água com espuma.

Hinata suspirou ao ver que ela nem ao menos havia lavado o cabelo. Os fios rosas eram longos e estranhamente não estavam tão desbotados quanto deveriam. Um sorriso nasceu no lábios da morena ao imaginar Sakura sentada deixando alguém pintar o cabelo dela.

- Posso lavar seu cabelo? – indagou hesitante.

Não tinha certeza até quanto Sakura permitiria sua aproximação. Já a havia ajudado a se desfazer das roupas, e o que a surpreendeu, foi que Sakura não parecia em nada incomodada com aquilo. Era como se estivesse habituada a estar nua, porém, os olhos verdes eram tão frios e distantes, que quem se incomodou foi Hinata.

Sakura balançou a cabeça permitindo os cuidados. A morena apanhou o xampu disponível ali e abaixou-se próximo a cabeça da rosada. Os fios estando molhados, colocou um pouco do produto cheiroso nas mãos, para logo espalhar pelos fios.

- São bonitos seus cabelos, sabia? – tentou puxar assunto – Eles sempre foram desse tamanho?

- Não – Sakura respondeu depois de alguns segundos de silêncio.

- Não? Eles crescem rápido então?

- Não.

Sakura fechou os olhos. O dedos de Hinata eram suaves, gentis.  Eles massageavam, faziam círculos. Nunca ninguém a tocou assim. Não. Sasuke a tocou assim na noite passada.

 Gostava desses toques.

- Minha irmã tem cabelos grandes como os seus, mas eles são negros, muito escuros – Hinata continuava falando – Ela os adora. Está sempre os penteando...

“Seu cabelo caia no chão.

O barulho da tesoura a assustava. Fazia sua pele se arrepiar.

Estava chorando. Gostava do seu cabelo, não queria o perder.

Mas a mulher disse que não podiam ter cabelos grandes. Nenhuma criança poderia ter cabelos grandes.

- Ela está pronta? – o homem careca perguntou.

Ele era estranho. Usava vestido preto.

- Só mais um pouco padre – a mulher respondeu calmamente – Vou dá-la banho também. Ela fede”.

- Ela ficou furiosa depois que falei isso... – a morena continuava tagarelando.

Sakura abriu os olhos irritada. Não queria mais a ouvir. Não queria mais lembrar.

Não queria mais ficar na água. As lembranças estavam saltando em sua mente rápido demais, começando a deixar tonta.

- Chega! – sibilou afastando-se das mãos da morena.

- O que houve?! – perguntou Hinata sobressaltada com a voz nervosa da rosada. Mas recebendo apenas o silêncio como resposta, suspirou – Tudo bem. Vamos te tirar daí – continuou retirando a espuma dos fios rosas.

Quando lhe foi esticado uma toalha, Sakura apoiou-se na banheira e alavancou-se como pôde, recusando a ajuda da médica. Em pé, segurou as pernas travadas, juntas, e mesmo ligeiramente trêmulas, conseguiu apanhar a toalha grande e fofa.

Hinata esticou a mão para ajudá-la a sair da banheira, e dessa vez Sakura aceitou. Mover-se ainda era um pouco difícil, suas costelas, ainda escuras pelos hematomas, pulsavam quando se mexia.

Enrolada na toalha grande e apoiada pela médica, Sakura andou até entrar no quarto onde estava dormindo. Assim que passou pela porta, seus olhos reconheceram a figura loira próxima à janela, com uma pequena caixa nas mãos.

- Senhora Haruno! – exclamou surpresa Hinata.

- Ah, olá – cumprimentou Mebuki virando-se para elas – Eu bati na porta, mas ninguém respondeu. Fiquei preocupada.

- Sakura estava no banho – Hinata explicou solícita.

Sakura observou como os olhos da senhora Haruno colaram-se nos seus e não desviavam mais. Ela tinha os grandes olhos verdes, eram brilhosos e transmitiam calor. Sakura podia sentir o calor distante como estava.

Hinata a incentivou a voltar a andar em direção à cama, o que a fez desviar o olhar da mulher. Quando sentou-se, não conteve o suspiro. Estava, de repente, cansada.

- Aqui, vista isso – a morena lhe deu um moletom cinza e uma calcinha.  

Sakura voltou a suspirar, mas dessa vez em contento. Moletons eram quentes. Ela havia tido um moletom uma vez, era usado e sujo, mas definitivamente quente. Não foi tão ruim aquele inverno.

Retirando a toalha sem hesitar, Sakura encaixou os braços devagar nas aberturas e deslizou a cabeça para dentro do tecido. Um pequeno sorriso desenhou-se ao sentir o cheiro do tecido. O moletom era muito cheiroso. Colocou a calcinha com um pouco mais de dificuldade.

- Vou deixa-las a sós – Hinata informou, e pegando a toalha molhada, caminhou para fora do quarto – Senhora Haruno – abaixou a cabeça de forma respeitosa e se retirou, fechando a porta.

Sakura observou a mulher caminhar até a poltrona, mas antes depositou a caixa na cama, próximo a seu corpo. Mebuki sentou-se e sorriu.

- Você me parece bem, mas não é bom ficar com o cabelo molhado nesse frio – comentou com sua voz terna.

Sakura manteve o silêncio. Não sabia o que fazer frente a mulher, desde a primeira vez que a viu. Já havia dito que não era sua filha, e os olhos feridos da mais velha ainda estavam em sua mente. Não queria ter aquela conversa novamente.

Aquelas conversas eram as culpadas por trazer as lembranças. Sua mente estava silenciada há muito tempo. Tudo era silêncio.

Tudo se tratava de sobreviver. Não tinha o que pensar.

- Não vim para pressionar ou convence-la – Mebuki lambeu os lábio de repente ansiosa – Kizashi disse que não acredita em nós, e entendo completamente, mesmo que me machuque. Foram tantos anos...

Mebuki olhou para as mãos parecendo nervosa. E quando voltou a falar, a voz estava levemente rouca.

- Você pode abrir essa caixa? – apontou com o indicador, voltando a olhá-la.

Sakura olhou de canto para a caixa. Era pequena e colorida, flores rosas desenhavam-se em toda ela. Pegando a caixa nas mãos e colocando no colo, olhou de volta para a loira mais velha.

- Pode abrir – incentivou sorrindo a Haruno.

Retirando a tampa de papelão endurecido e pintado de vermelho, Sakura viu fotos. Muitas fotos de um bebê de olhos verdes e cabelos loiros. Apanhando uma das imagens, viu uma mulher loira sorridente deitada numa cama e coberta por lençóis brancos, o bebê no colo embrulhado numa manta amarela.

- Essas foram as lembranças que me acompanharam todos esses anos – a voz de Mebuki embargada falava agora – Eu amava tirar fotos de você. Sempre foi muito fotogênica. Sempre muito quieta e curiosa.

Sakura pegou outra imagem. Dessa vez era um senhor Haruno que a enfrentava diretamente. Ele tinha o nariz na cabeça do bebê, como se o cheirasse e gostasse, e olhava para a câmera com os olhos castanhos brilhantes.

E então todas as imagens que vieram a seguir eram felizes. As cenas mudavam, mas o casal continuava a segurar o bebê, afagando carinhosamente, sorrindo para ele amorosamente...

- Quando você se foi... – soluçou Mebuki, ganhando o olhar de Sakura – Eu dormia com elas em seu quartinho. Kizashi deitava-se ao meu lado no chão e me segurava enquanto...

Sakura desviou o olhar. Não conseguia mais a encarar.

Seu peito estava comprimindo-se cada vez mais. A garganta apertando, fazendo difícil respirar. E então o frio o veio, mas era um frio que vinha de dentro para fora, fazendo-a começar a suar.

Negando com a cabeça, largou as fotos na cama e mesmo sentindo dor, repuxou as pernas até o peito e as abraçou. Não queria começar com aquilo novamente. A conversa a fazia sentir estranha.

- Não precisa ficar assim... – Mebuki ergueu-se vendo a agonia da rosada – Eu apenas queria te mostrar. Você pode não...

- Eu não sou Akemi – murmurou Sakura, recusando a encará-la ao ver que Mebuki aproximava-se da cama.

- Não, você não é – a Haruno balançou a cabeça – Você é Sakura, e eu aceito isso. Eu aceito você da forma que for. Você é minha filha, mesmo que não aceite. Mas chegará a hora e vou abraça-la tão forte... – ofegou Mebuki ao terminar de falar.

O silêncio veio sobre elas como um manto, como a neve que cobria o lado de fora da janela. Mebuki suspirou, mas sorriu afetuosamente. Sakura podia negar, mas sabia que a afetou. Aquelas fotos perpetuavam o amor que ela e Kizashi sentiam pela filha.

- Eu já vou – pronunciou depois de alguns longos segundos – Vou deixar as fotos para você. Sei que vai gostar... – caminhava em direção a porta e quando alcançou a maçaneta, voltou a encarar a rosada – Eu te amo, Sakura.

Sakura recusou-se a olhá-la. E quando a porta bateu suavemente, mirou a foto da senhora Haruno com o bebê.

****

Seus olhos passavam atentos enquanto aproximava-se dos portões grandes e com altura semelhante aos muros de pedras maciças e pesadas, que cercavam todo o território, este estendia-se por alguns hectares.

- Capo – cumprimentou o segurança que estava apostos no portão, quando seu motorista baixou o vidro para fazer a identificação.

Todos precisavam se identificar com digitais, e apenas assim os portões abriam-se. A segurança era a principal prioridade naquele local, afinal, era a base de comando da Akatsuki e centro de treinamento para seus soldados, além de servir como lar para alguns deles.

- Para o centro de treinamento, Neji – comandou ouvindo os portões fecharem-se ao passar.

- Sim, Capo – Neji assentiu.

Toda a estrutura da base de comando era em pedras frias e cruas, não havia acabamento e nada de pinturas. A aparência poderia parecer obscura, mas evocava conforto nas lembranças de cada homem que ali pisava.

Aqueles prédios abrigavam homens que nada tinham em suas vidas. Os soldados eram recrutados a dedo, nada além dos escolhidos ficavam por dentro daqueles muros. A organização lhes era tudo e tudo lhe davam.

Sasuke desde dos doze anos viveu por entre aqueles muros com aqueles homens. Criou-se com a maioria dos soldados como, Neji Hyuuga, por exemplo. Treinou e conheceu com a palma das mãos como funcionava cada pequena peça na Akatsuki.

Como Capo, seus soldados não apenas o temiam, mas havia o respeito e companheirismo acima de tudo.

- Chegamos Capo – Neji interrompeu seus pensamentos – Importa-se que eu vá rever alguns homens, senhor?

- Não – Sasuke disse – Fique à vontade, chamarei quando estiver pronto para ir. Mande meus cumprimentos a eles.

- Sim, senhor.

Sasuke alcançou a maçaneta quando um pensamento, com função de lembrete, o fez virar-se novamente para seu motorista de olhos claríssimos.

- Se ver Shikamaru, diga que quero vê-lo em breve – falou e esperou o assentimento, que logo veio, do outro.

O centro de treinamento era um prédio de apenas um andar, mas estendia-se por um grande pedaço de terra. Milhares de salas em que seus soldados treinavam de todas as formas. Akatsuki garantia que seus homens estivessem preparados para qualquer imprevisto.

Sasuke sorriu de canto, com a certeza de que países gostariam do treinamento que fornecia, para seus próprios exércitos.

Sabendo exatamente para onde se direcionar, Sasuke passava com os olhos observadores pelos corredores e cumprimentava os homens que treinavam nas salas equipadas. Abrindo umas das milhares de porta, desceu por uma escada que o levaria ao subterrâneo do prédio.

A umidade podia sentir-se na pele e a cada lufada que levava para seus pulmões. As salas que ali foram construídas, tinham o foco na recuperação de soldados. Piscinas e saunas, além de banheiras de submersão em gelo. E caminhando em direção a sala de submersão, Sasuke a abriu.

Banheiras brancas e individuais espalhavam-se no espaço amplo e com luz suave. Tudo para se render uma boa recuperação. Itachi estava mais logo à frente, ao lado de uma das banheiras.

- Respire calmamente, imbecil. Ficar fungando como um porco não ajuda em porra nenhuma – falava o Uchiha mais velho.

- Mas...

- Não questione – Sasuke pronunciou-se aproximando-se dos dois.

Colocando as mãos nos bolsos de sua calça social, Sasuke mirou o rosto estourado e ensanguentado de Sai. O garoto tinha a face toda colorida pelos hematomas.

O treinamento para seus soldados não era simples e muitos não aguentavam, onde acabavam desistindo. Mas não se admite desistência, principalmente se passam pelos muros da base. A única opção que resta é sobreviver e doar-se por completo para a organização.

Sasuke sabia que era um privilegiado por ser filho de um dos homens que criou essa organização, mas ainda assim, não há opções. Ele travou o mesmo treinamento que Sai agora passava, e esteve mergulhado em uma banheira daqueles por mais vezes do poderia contar.

- A banheira ajuda com problemas de inflamação e estresse. É um anti-inflamatório, e dá-lhe um impulso neuroquímico e sua dopamina aumenta. Ajuda o sistema imunológico e melhora o fluxo de sangue – Itachi explicou minimamente os benefícios da banheira com gelo.

Sasuke viu Sai contorcer-se mergulhado no gelo e tentando prestar atenção no que seu irmão ditava, mas era claro pelo seu olhar que não entendeu grande parte do que Itachi lhe disse.

- Obrigado pela aula, Capo – sorriu de canto para Itachi, que revirou os olhos – Como anda o treinamento?

- Ele é raivoso e ladra muito. Um cão completo – Itachi cruzou os braços fortes e encarou o irmão – Chutaram a bunda dele muitas vezes, foi entediante assistir. Porém, ele lutou bem e conseguiu derrubar alguns homens.

- Hum – resmungou Sasuke ainda encarando Sai.

O garoto parecia não gostar da forma como falavam dele, como se ele não estivesse presente. Sasuke conseguia ver o potencial na raiva que ele guardava dentro daquele coração selvagem. Conseguia ver que poderia se tornar um grande Whistler, um assobiador, um assassino.

 - Monte um círculo para ele, deixe os homens se divertirem – Sasuke murmurou sombrio, o que fez Sai desviar o olhar para baixo imediatamente.

- Tem certeza? – Itachi virou-se para a banheira e avaliou o garoto, como se fosse a primeira vez que o via – E se ele morrer?

- Não vai. Ele apenas precisa de um incentivo.

- Tudo bem.

Sasuke encarou o irmão por alguns segundos e deu alguns passos para trás, afastando-se dos ouvidos do garoto. Itachi o acompanhou após dizer para Sai relaxar e deixar o gelo fazer seu trabalho.

- Como vai a situação com o governador? – Sasuke indagou.

- Ele tem uma festa na sexta-feira. Às sextas à noite são um perigo – Itachi sorriu – Ele está resolvendo todas as pendências que você me disse. Tudo está se encaminhando como o destino quer.

- Ótimo – Sasuke assentiu.

- Hum... – Itachi observou o irmão – Veio apenas para isso?

- Não – Sasuke respondeu rapidamente e focando em Sai, suspirou pesadamente – Vim para fazer algumas perguntas para ele.

- Orfanato?

Sasuke assentiu sem hesitação, não havia informações que não compartilhava com Itachi. Os dois funcionavam bem no comando central da organização. Contou a ele sobre o orfanato, e acabou que esboçou a mesma reação que teve: curiosidade e um pressentimento ruim.

- Ele não vai lhe dizer. Não chegamos a quebrar essas barreiras ainda – Itachi seguiu o olhar do irmão e focou no garoto – O espírito dele ainda não nos pertence, nem mesmo sua lealdade.

- Precisamos conseguir essas informações...

- Por que tanta pressa? – Itachi questionou, mesmo sabendo a razão.

Sasuke ignorou a pergunta e caminhou em direção ao garoto. Kizashi queria saber tudo sobre Sakura, cada detalhe podre. E ele admitia para si mesmo que queria tudo também. Queria saber mais sobre a pequena selvagem que dormia em sua cama.

- Sai – chamou a atenção do garoto que, de olhos fechados, parecia dormir no gelo – Preciso saber sobre o orfanato.

Sai o encarou silencioso, os lábios selados. Os orbes negros de Sai, antes cheios de expectativa e dor pelos hematomas, apenas tornaram-se vazios. Buracos negros no rosto pálido com hematomas roxos.

- Por que? O que tem de importante para saber sobre? – questionou Sai depois de longos segundos.

- Consegui muitas coisas sobre o orfanato irlandês. Sei que eram corruptos e recebiam quantias grandes de dinheiro... – Sasuke hesitou, pela primeira vez naquele dia – Mas nada sobre os órfãos foi revelado. Nada de nomes, datas de nascimentos ou como chegaram lá. E o mais importante, não sabemos o que acontecia lá dentro. Ninguém da igreja revela.

- Por que não pergunta há Sakura? – Sai rosnou desviando olhar.

- Ela não irá me responder. E olhe para mim quando estiver falando – Sasuke desceu uma oitava em sua voz fria – Quero saber exatamente o que houve para fazê-los pagar. Ninguém maltrata nossa família e é isso o que somos aqui. Tudo o que falar nunca sairá de meus lábios ou dos Itachi.

Sai mordeu o lábio inchado das lutas. Sentia seu estomago revirando apenas em lembrar, mas havia aceitado entrar na organização e alguns outros homens já haviam lhe dito que a família vinha antes de tudo, até acima de si mesmo.

Engolindo em seco, fechou os olhos por um momento. E quando voltou a olhar para os Uchihas, pois Itachi estava ao lado de Sasuke, viu apenas seriedade e promessas de vingança.

- Quando encontra-los, quero estar presente. Quero mata-los – murmurou rouco. Sentia o sangue esquentar com fúria que levantava-se ao lembrar do orfanato.

- Você irá – Itachi prometeu rapidamente – Poderá derramar quanto sangue quiser.

- Fale – Sasuke comandou calmamente.

- Vivíamos com o terror diário de não saber de onde a próxima agressão viria – Sai começou demonstrando todo o desprezo que sentia nas palavras - Apanhávamos com tiras de couro por conversar durante as refeições ou se errássemos as rezas. As freiras gostavam de bater e xingar.

- E os padres?

- Não, os padres não gostavam de bater – riu Sai, mas seus orbes escuros mostravam apenas ódio – Eles gostavam de passar a mão. Entravam nos quartos durante a madrugada e comiam as crianças enquanto gritavam orações. Eles diziam que estavam expurgando o mal de nossos corpos.

Sasuke piscou aturdido com os fotos mórbidos que Sai jogava sobre eles. A bile subia em sua garganta a cada frase.

- Comigo e o restante que veio das ruas era pior. Somos sujos. Ratos nascidos da perdição, da violência... – Sai parou e desviou o olhar. Suas mãos fechadas em punhos, os dedos dormentes pela força com apertava – Eles nos vendiam, por isso tanto dinheiro.

- Para onde eles os vendiam? – Itachi grunhiu.

- Não sei, mas posso adivinhar – Sai o encarou e sorriu murcho – Crianças que não tem família. Ninguém para procura-las se desaparecessem. Ninguém importava-se, eles molhavam as mãos dos smiles para cala-los.

- O que são smiles? – Sasuke perguntou.

- São as pessoas que nos recolhem nas ruas. Eles prometem comida e abrigo. Eles sempre estão sorrindo, sempre fazendo promessas...

Sasuke assentiu e respeitou o silêncio do garoto. A história de Sai era dura e sofrida. Pessoas que pregavam o amor e todas as outras merdas, foram as que, talvez, mais o machucaram. Ser estuprado, não ter controle sobre o próprio corpo, ter que se submeter para ter comida e abrigo...

Fúria borbulhava em seu sangue, em cada parte de seu corpo. Sasuke nunca havia sentido tanta sede de sangue como naquele momento. E não importava que aquelas pessoas vestiam máscaras de padres e freiras, ele os encontraria. Sai então poderia vingar-se.

- E Sakura? – Itachi perguntou depois de minutos.

- Não sei o que ela passou. Meninos e meninas eram separados apesar de estarmos no mesmo orfanato. Eu a via limpando os bancos da igreja ou varrendo as folhas do jardim durante a tarde inteira, mas é só – Sai os olhou tristemente – As meninas apanhavam mais das freiras. As freiras não gostavam de seus cabelos grandes ou quando conversavam com os meninos.

- Como Sakura o salvou? – Sasuke indagou suspirando profundamente.

- Um padre estava em cima de mim, estava retirando suas malditas calças – Sai cuspiu num rosnado colérico. Seus olhos estavam perdidos, parecia em transe. Perdido na lembrança – Estava na sacristia. Sakura entrou do nada, tinha a blusa do uniforme rasgado em várias partes. Ela me olhou e mandou eu correr. Ela partiu para cima do padre. Eu não sei como...

Os Uchihas assistiam o relato e respeitaram os momentos de pausa que Sai fazia. Lágrimas desciam dos olhos de Sai, mas ele não parecia reparar, apenas continuava a falar.

- Foi Sakura quem colocou fogo no orfanato – Sai riu entre as lágrimas, parecendo divertido pela primeira vez – Quando cheguei ao corredor, outras crianças corriam e gritavam alegres. Sakura me empurrou e começou a correr para a saída. Eu a seguia e a via, com um isqueiro, colocando fogo nas cortinas, nas flores, em tudo o que podia pegar fogo.

Sasuke e Itachi não contiveram o sorriso, mesmo que pequeno.

- Nós pulamos os portões e é isso – Sai finalizou molhando o rosto com a água gelada – Sakura correu para um lado e eu para o outro. Nos batemos meses depois. Todos estavam evitando andar por aí, eles podiam querer nos prender de novo.

- Obrigado por contar garoto – Sasuke inclinou a cabeça. Sai ganhou seu respeito, e mesmo se ele não aguentasse o treinamento, a Akatsuki estaria aberta para ele – Será o primeiro a saber quando encontrarmos esses malditos.

- Sim, Capo – Sai assentiu e sorriu de canto.

- Estou indo – Sasuke afirmou para os dois e virou-se para ir embora, mas virou-se para seu irmão ao lembrar-se de algo – Não dê cigarros para ela, imbecil.

A risada de Itachi ecoou no cômodo, enquanto o outro Uchiha deixava a sala.

Puxando o celular do bolso para chamar Neji, Sasuke pensou que chegaria há tempo para o jantar na mansão.

Chegaria há tempo para vê-la acordada.

****

A TV estava ligada em volume baixo, mas a voz do governador da cidade, que fazia um discurso explicando suas promessas não cumpridas, vagava pelo espaço cômodo. Seus olhos seguiam a imagem risível do homem, mas sua atenção não estava realmente no discurso.

O gelo tilintava no copo enquanto o balançava distraidamente. Todo seu foco estava no segundo andar daquela mansão, onde sua filha comia. Segurava-se para não subir e assisti-la comer a sopa que fez especialmente para ela.

Queria ver a satisfação no rosto dela, a felicidade por comer alguma coisa. A médica Hyuuga o havia dito que Sakura não gostava que a vissem comendo. Mas queria a ver comendo, além da necessidade que tinha por querer cuidar. Ela era tão magra e parecia que iria desaparecer a qualquer instante.

Finalmente tinha a filha de volta e a protegeria de tudo. Queria cuidar e a embalar em plástico bolha. E sabia que não estava exagerando, sentia a mesmo necessidade por Ino, só que com Sakura as coisas eram mais difíceis.

Passos suaves nas escadas, o fez virar-se rapidamente. Hinata descia as escadas com um sorriso pequeno no rosto.

- Ela está comendo? – perguntou antes mesmo que a morena terminasse de descer.

- Sim. Não fechei a porta completamente e observei por uma fresta – riu sem graça a Hyuuga – Ela praticamente atacou a bandeja.

- O que foi? – Kizashi indagou quando a viu rir levemente.

- Ela faz ruídos fofos quando come. Suspira satisfeita – Hinata explicou rapidamente, pois pelo olhar no rosto do mais velho, ele entendeu mal sua reação. Jamais riria de Sakura – É bom ver o quanto ela tem prazer por comer.

- Imagino o quanto deve ser bom para ela comer – Kizashi murmurou seriamente, mas sentindo o peito aquecer por saber que sua filha comia – Ela irá passar mal novamente? Sente-se.

- Bom, não há como saber, depende do organismo dela – Hinata respondeu acatando a ordem e sentando-se em uma das poltronas disponíveis – Mas hoje pela manhã ela tomou um banho e parecia bem mais relaxada, então espero que a comida fique em seu estômago.

Kizashi assentiu. Quando Sasuke lhe atualizou sobre as condições de Sakura, quase pegou o carro e correu para a mansão dele, porém, ele lhe convenceu a ficar e que já dormia. Não havia nada que pudesse fazer. Naquela noite não dormiu nada.

- Ela tem falado mais?

- Não realmente. Apenas responde perguntas, mas já é um grande avanço. Antes apenas me olhava friamente.

- É, ela tem olhos mortais – Kizashi sorriu de canto, mas ainda sentia-se tenso – Quanto tempo para poder muda-la? A quero na minha casa.

- Depende completamente da evolução dela. Mas, sinceramente, acho que daqui a poucas semanas ela já poder ser movida confortavelmente.

- Ela está comendo, aceitando os remédios?

- Sakura está motivada, Dom. Não sei exatamente o motivo, pois no começo ela recusava todas as ajudas, mas agora está aceitando aos poucos.

Kizashi suspirou e desviou os olhos para o copo em mãos. Sabia bem a motivação dela. Sakura queria ir embora a encontrar o garoto que andava com ela, contudo, isso não iria acontecer. Kakashi estava procurando pelo garoto nos abrigos para menores de idade pela cidade e então, talvez, poderia entregar ele para ela.

Haku era importante para Sakura, e se isso a fizesse ficar, então lhe traria o garoto. Porém, se insistisse em partir, Kizashi tinha maneiras para fazê-la permanecer.

- Ela irá melhorar em breve, Dom. Sakura é forte, pode-se ver de longe – Hinata adotou um tom otimista na voz – Ela será uma grande líder.

- Líder? – indagou surpreso.

- Sim.

Kizashi franziu o cenho para a Hyuuga. Mulheres não eram líderes, eram esposas, filhas, irmãs, mas não líderes. Quando estivesse pronta daqui alguns anos, ele casaria Sakura, assim como faria com Ino. Esperaria que estivesse adaptada e se curasse físico e mentalmente.

- Sakura será uma boa esposa – respondeu acentuando a última palavra – Casará com um bom líder.

- Ah – Hinata corou com o tom de voz duro dele – Desculpe. Bom, vou subir e ver se ela já terminou. Permissão para me retirar, Dom – ergueu-se da poltrona e baixou a cabeça.

- Pode ir, menina Hyuuga – Kizashi abanou a mão.

Negando com a cabeça, Kizashi assistiu a morena deixar o cômodo. O pensamento sobre o casamento das filhas, não era tão agradável quanto parecia-se ao falar, eram suas meninas afinal e uma delas precisava de cuidados delicados. Pensar em homens que seriam bons o suficiente para elas, era uma tarefa difícil.

- Dom – a voz grave de Sasuke cortou seus pensamentos – Não o esperava por essa noite.

- Sim – Kizashi assentiu – Decidi vir cozinhar o jantar de Sakura.

- E ela comeu em sua presença? – Sasuke ergueu a sobrancelha surpreso.

- Não – lamentou o Haruno levantando-se do sofá e deixando o copo na mesa a sua frente – Mas descobri que ela faz ruídos.

- Ruídos? – Sasuke estava claramente confuso, o que arrancou uma risada de Kizashi.

- Vamos – o Haruno caminhou até ele. Com a mão no ombro do Uchiha, Kizashi encaminhou-se na direção da cozinha – Vou acompanha-lo no jantar e então me contará as novidades.


Notas Finais


E então?
Deixem a opinião de vcs!

Ahhh, quero deixar uma recomendação de fic para as fãs de ShikaTema:

-Fic: Narasmoker19

- Autora: Keleaomine.


Super amei ela <3


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