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História Colecionando corações - Capítulo 40


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Capítulo 40 - Capítulo 40


Fanfic / Fanfiction Colecionando corações - Capítulo 40 - Capítulo 40

Bruna

Cedo pela manhã eu e Gabriela já estávamos prontas para viajar. Coloquei nossas mochilas no banco do fundo, e comprei alguns lanches para petiscar na estrada já que a casa dos pais de Gabriela ficava localizada em um pequeno interior há 4 horas de distância.

Quando nos aproximamos da entrada da cidade, Gabriela passou a ficar mais aflita, ansiosa com nosso encontro. Soltei uma das mãos do volante para segurar e dela, a trazendo para minha perna.

- Está mais nervosa do que eu, Gabi.

- Sim, sua calma me irrita. – Ela estava tensa, e eu achava tudo muito engraçado, mas contive meu riso.

- Tenho certeza que irão me adorar, relaxa

- Seu convencimento também me irrita, Bruna

Dessa vez soltei uma gargalhada, não me contendo, arrancando um riso singelo dela também.

- Sério, Bruna! E se eles fizerem uma confusão? Eu avisei que estava levando uma garota, mas vai que inventam de fazer uma cena!

- Se fizerem uma cena, sorte a nossa que seremos as protagonistas, meu bem! Relaxa, se tudo der errado, voltamos, ok?

- Ok!

- Ótimo. Agora me diga para onde ir porque o GPS ficou doido, aqui não tem sinal?

- Vire a primeira esquerda depois daquela placa. E não, não tem sinal. É uma cidadezinha minúscula, a rede não pega muito bem, mas na janela do meu quarto funciona algumas barrinhas.

Passamos pela entrada da cidade e logo percebi como era pacata, suas ruas pareciam ser de um filme macabro dos anos 80, tinha a impressão que poderia ver Freddy Krueger em qualquer esquina.

 

 

Estacionei o carro em frente à casa. Era muito bonita e parecia ser bem aconchegante. Seu arredor era bem esverdeado, com árvores e um gramado, aproximando o ambiente à uma casa de campo.

Desliguei o carro e me virei para Gabriela

- Pronta?

Ela afirmou com a cabeça e desceu do carro depois que eu apertei a buzina, anunciando nossa chegada.

A porta da frente da casa se abriu, revelando um senhor, deveria beirar os 65 anos, era magro, mas parecia em forma, tinha cabelos grisalhos penteados para trás. Ele veio ao encontro da filha de braços abertos, sendo correspondido por Gabriela que o abraçou calorosamente.

Minutos depois, sua mãe apareceu, parecia ser mais jovem que seu pai, era elegante, cabelos pintados em um castanho escuro, e parecia ser uma mulher rígida. Ela me analisou por alguns segundos para depois abraçar sua filha. Logo percebi que ela seria mais trabalhosa do que seu pai para nos aceitar.

 

Peguei nossas mochilas do carro e joguei para as costas, assim evitaria de algum tipo de abraço constrangedor.

Gabriela se adiantou para meu lado, entrelaçando nossas mãos.

- Mãe, pai, essa aqui é Bruna!

Seu pai prontamente estendeu sua mão para que eu apertasse, tentando forçar um sorriso amistoso.

- Muito prazer, Bruna. Me chamo Marcelo, seja muito bem-vinda.

Apertei sua mão de volta e tentei forçar um sorriso amarelo. Ele abriu espaço e apresentou a mãe de Gabriela:

- Minha esposa, Raquel

Ela também estendeu sua mão para me cumprimentar, mas não tentou forçar um sorriso, permaneceu séria, tendo seus olhos atentos sobre mim e minha mão entrelaçada à de sua filha.

Passamos pela porta de entrada, e pude observar o interior da casa, percebi que ainda que pequena, era uma bela casa, rodeada por grandes janelas transparentes, tendo boa parte de seus móveis de madeira.

- Podem guardar as mochilas em seu quarto, Gabi. Depois desçam para almoçar, devem estar famintas. – Raquel disse com um sorriso contigo.

Gabriela me puxou pela mão e subimos por uma escada de madeira pintada de branco. A primeira visão do andar de cima da casa era um quadro com a imagem dos três. Seguimos por um curto corredor que tinha fotos expostas na parede. Me perdi analisando-as por alguns segundos.

- Sua família é linda, Gabi.

Gabriela sorriu e me deixou um beijo na bochecha.

- Está bem?

- Sim! Só fiquei com saudade de ter isso também. Tem tanto tempo que não convivo com "pais" ou sequer família qualquer que me deixou um pouco nostálgica, só isso.

- Sinto muito, meu bem.

- Está tudo bem! Já estou acostumada. – Sorri e capturei sua mão novamente para que me guiasse até seu quarto.

Aparentemente, no andar de cima só tinha três cômodos: o quarto de Gabriela, um escritório e outro que parecia ser o quarto para visitas.

O quarto de Gabriela era claro, muito organizado e com porta-retratos por todo canto. Deixei nossas mochilas no chão e peguei a primeira fotografia exposta em sua bancada.

- Quem são? - Na foto, havia uma Gabriela sorridente no meio de duas garotas loiras.

- Minhas amigas do colégio. Não as vejo há anos. - Sua voz soou nostálgica enquanto passava o dedo carinhosamente pela foto.

- Quem sabe não as encontramos por aí esse final de semana, então você me apresenta essas duas.

- Nem sei se ainda moram aqui, provavelmente não. E eu nem saberia o que falar mesmo. Enfim, o que está achando até agora?

- Seu pai parece ser ótimo, sua mãe um pouco mais complicada, mas acho que vamos sobreviver.

- Minha mãe sempre teve mais dificuldade em aceitar essas coisas, mas está até calma, espero que permaneça assim.

- A casa é muito bonita! Crescer aqui deve ter sido muito bom, esse contato com a natureza faz bem para crianças. Seu quarto é lindo, tudo em seu devido lugar, você deveria ser um adolescente muito mimadinha.

- Mimada?!

- Sim, mas o tipo bom de mimada. Não aquelas garotas chatas, mas aquelas carinhosas que fazem qualquer pessoa se derreter.

- Eu fiz você se derreter, então talvez seja verdade o que está dizendo.  

A puxei pela cintura, deixando um beijo em seus lábios. Quando ouvi passos subindo a escada me distanciei, preferia evitar conflitos.

A mãe de Gabriela apareceu a porta:

- Almoço está pronto, crianças! E Gabi, Tia Suzy está aqui, veio te ver.

Ela não demorou muito, deu o recado e desceu as escadas novamente, seguida por Gabriela. Suspirei, tomando coragem para enfrenta-los e segui para o andar de baixo.

Toda a casa era rústica, amadeirada, tinha uma sala ampla com um grande sofá em formato L frente a TV. Ao lado, a sala de jantar não era muito grande, apenas o espaço para uma mesa cumprida dando passagem para cozinha.

Gabriela abraçava sua Tia, uma mulher rechonchuda segurando a mão de uma criança. Permaneci calada ao seu lado, levemente constrangida, todos me olhavam constantemente. Não sabia ao certo onde colocar as mãos, ou o que fazer, restando as enfia-las no bolso detrás da calça jeans.

- Quanto tempo, minha sobrinha!

- Sim, tia! E olha o Pedrinho, está enorme!

- Fez três anos semana passada

O garoto parecia ansioso para falar, e quando a atenção se voltou para ele, não se fez de rogado, pulou aos braços de Gabriela tagarelando:

- Quanta saudade, tia Gabi! Eu já tenho tlês anos e agora posso passear de canoa!

Gabriela pegou o garotinho no colo, enchendo suas bochechas de beijos, o fazendo soltar uma gargalhada que animou o ambiente. Nada como o riso de uma criança para deixar a casa mais leve.

Sua tia parecia ser mais amistosa que sua mãe, me deu um abraço forte e então todos nós sentamos à mesa para almoçar. O prato principal era macarronada ao molho vermelho com grandes almondegas, minha barriga roncou só de sentir o cheiro, eu estava mesmo com muita fome.

O pai de Gabriela sempre mantinha o assunto constante na mesa, parecia muito feliz em rever sua filha, sempre fazendo mais perguntas de como estava, seu trabalho, e também perguntou por Danilo e Helena.

- Eu sempre achei esse rapaz estranho – Ele disse pensativo

- Já eu sempre achei que ele daria um belo casal com Gabi - O comentário da mãe de Gabriela pesou no ambiente, ou pelo menos pesou para mim. Gabriela estava visivelmente constrangida, encarando a mãe com olhos enfurecidos.

A princípio meu primeiro pensamento foi responder aquela mulher, mas só iria piorar as coisas. Respirei fundo e tentei contornar a situação, era o melhor a se fazer por Gabriela.

- Pedrinho disse que pode andar de canoa, aqui tem um rio?

- Sim, aqui pertinho. Temos a sorte de morar perto de todas as belezas naturais. Você já andou de canoa? – Marcelo continuou o assunto, talvez para não deixar o silêncio reinar.

- Anos atrás, com meu pai em um acampamento, mas acho que ainda sei fazer uma coisa ou outra.

O pai de Gabriela se inclinou para continuar sua conversa comigo, mas Gabriela ainda permanecia calada.

- Posso te relembrar, vai precisar porque vamos passear pelo rio hoje, e se depender de Gabi você não sai do lugar, ela é péssima!

Todos à mesa deram risada. Ele era um ótimo pai, e ainda que tivesse seus conceitos antiquados, pareceu nos aceitar muito bem.

- Da próxima, chame seu pai, Bruna, se ele gosta de acampar, com certeza vai gostar da cidade.

Gabriela me olhou pelo canto dos olhos, sussurrei que estava tudo bem antes de continuar:

- Na verdade, meus pais faleceram há alguns anos atrás, mas, de fato, ele iria gostar muito daqui.

- Sinto muito, garota! Perdão pelo comentário.

A mesa ficou em silêncio por alguns segundos, apenas com o som dos talheres, quando, pela primeira vez, a mãe de Gabi direcionou a palavra para mim:

- O que você faz da vida, Bruna?

- Sou delegada!

- Espere um pouco, delegada Bruna Martins?! - O pai de Gabi nos interrompeu.

Confirmei e ele sorriu largamente, parecia entusiasmado.

- Uau! Tenho meses lendo reportagens sobre o caso do serial killer, que excelente trabalho você fez! Conheço a fama de seu pai, você com certeza puxou isso dele, era um grande policial! 

Sorri timidamente, lembrando das palavras de Stefanie, ecoando novamente em minha cabeça que estava prendendo a pessoa errada.

 

Depois do almoço, passamos um tempo na varanda da casa, deitados nas redes. Muitas vezes me perdia conversando com o pai de Gabriela, gostei muito dele e ele parecia gostar de mim. A tarde fomos ao riacho andar de canoa. Pedrinho preferiu ir comigo e Gabi, na outra canoa foi Marcelo e Tia Suzy, Raquel decidiu ficar em casa. 

Remamos até o outro lado do rio, vendo a paisagem, jogando conversa fora, até que o pai de Gabriela decidiu voltar, pois já estava ficando cansado. Eu, Gabi e Pedrinho paramos a canoa à margem e decidimos tomar um banho na água.

Tirei minha blusa e meu short, ajeitando meu biquíni preto e Gabi apertava o colete salva vidas de Pedrinho. Os observei e pensei se um dia seria assim com nossa família.

O garotinho me olhou, falou alguma coisa no ouvido de Gabi, e os dois olharam para mim soltando um risinho.

- Posso saber do que vocês dois estão rindo?

O garotinho cobriu a boca tendo seus olhos apertados por seu sorriso

- Ele apenas fez uma observação do quanto você precisa de sol, Bruna – Gabriela se levantou, ainda rindo.

- E você achou isso muito engraçado, né? - Apressei meu passo e peguei Pedrinho no colo o colocando sentado nas minhas costas - Vamos pegar ela!

Gabi tentou correr, mas a puxei pela cintura, entrando com ela na água gelada, me mantendo em pé para que o garoto não afundasse conosco.

- Meu Deus que água gelada! Não lembrava de ser tão fria assim. – Gabriela se abraçava na tentativa de se esquentar.

- O melhor jeito de se aquecer é se manter ativa, Gabi!

Joguei jatos de água em sua direção e ela tentava desviar inutilmente. Pedrinho gargalhava com toda a situação, parecia encantado com as brincadeiras, estava tão agitado que nem se queixou do frio. Ficamos brincando até o pôr do sol, depois voltamos remando para o outro lado novamente. O caminho de volta para casa de Gabi foi tortuoso com o vento forte e mosquitos, agradeci por ela morar perto. Quando chegamos, fui direto para o banheiro tomar um banho quente.

A noite fazia muito frio na região, então me vesti com uma calça jeans azul claro, e um moletom branco. Me olhei no espelho penteando meus cabelos molhados, parecia que com o pouco sol que tomei minhas bochechas já estavam avermelhadas. Gabriela entrou no quarto falando ao telefone, o que presumi ser com alguém do trabalho, pois respondeu que poderia se atrasar segunda pela manhã.

- Danilo ligou perguntando como eu estava nosso encontro com meus pais e Helena mandou mensagem mais cedo perguntando a mesma coisa, acho que estão na expectativa.

- Você deveria convidar Helena para vir na próxima vez, posso chamar Lucas.

- Então terá “próximas vezes”? – Ela me abraçou pelas costas, olhando nosso reflexo no espelho.

- Muitas próximas vezes – Me virei beijando a ponta de seu nariz gélido – Agora vá tomar um banho, Gabriela, você está parecendo um picolé!

Gabi entrou no banheiro e logo ouvi o som do chuveiro. Seu celular tocou e ela gritou do banheiro para que eu atendesse. Peguei o aparelho e era, na verdade, um SMS de Danilo. Entrei no banheiro e li m voz alta para ela:

“Tentei ligar, mas deve ter perdido o sinal novamente. Se quiser, pode vir somente terça-feira, posso cobrir seu turno. ”

- Responda que quero!

- Ótimo, podemos chegar em casa e descansar da viagem, também não trabalho na segunda. E caso você não tenha percebido, descansar quer dizer transar o dia todo.

Gabi gargalhou arremessando algumas gotículas de agua para mim, mas desviei antes que molhasse minha roupa. Enquanto a esperava, fui até a janela de seu quarto observar a paisagem.

A lua estava cheia, refletindo no rio ao longe, e as grandes arvores completavam o cenário. Achei que tinha visto um vulto na floresta, apertei meus olhos, mas nada se movia. Retornei para o interior do quarto e peguei minha lanterna na mochila, direcionado o facho de luz para os arbustos e novamente vi o movimento, mas não parecia ser de um animal.

- O que está olhando? – Gabriela perguntou enquanto vestia sua calça moletom.

- Nada, achei que tinha visto algo se movimentando lá fora.

- Tem vários animais por aqui, afinal estamos na área mais isolada da cidade, aqui na verdade é um campo, a cidade em si fica há alguns quilômetros.

Me dei por satisfeita e me juntei a ela, descemos as escadas e passamos o resto da noite com sua família. O clima da casa era maravilhoso, eu sentia falta de ter minha família reunida, então aproveitaria cada segundo desse final de semana.



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