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História Colecionando corações - Capítulo 44


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Capítulo 44 - Capítulo 44


Fanfic / Fanfiction Colecionando corações - Capítulo 44 - Capítulo 44

Gabriela

Senti cheiro de formol e produtos químicos, abri meus olhos, com muita dificuldade, ainda estava tonta, quando consegui focalizar minha visão percebi um homem virado de costas, com uma postura ereta, rígida. Tentei me mover, mas meus braços e pernas estavam amarrados a uma mesa de metal, parecida com as do IML. O homem se virou e eu o reconheci, era Danilo. Minhas memórias me atingiram, fazendo minha cabeça latejar.

- Dan? O que está fazendo?! Me solte! – Me debati tentando me libertar, mas as cordas estavam muito bem amarradas que cortaram minha pele.

- Incrível como todas são iguais! Não é obvio que estão presas, e se debater, gritar ou chorar não vai ajudar vocês? – Danilo parecia se divertir com a situação.

Meu coração batia acelerado contra meu peito, o medo corria por minhas entranhas, me causando náuseas, senti o suor escorrer por minha testa, minhas mãos já começando a formigar pela pressão das cordas em meus pulsos. Olhei ao redor, mas não consegui encontrar a porta de saída, o ambiente era escuro, a minha frente tinha uma velha mesa e uma cadeira de madeira, as paredes eram cobertas por cimento sem acabamento, e em uma delas havia instrumentos de tortura organizados por tamanho, entre eles se destacava uma adaga cigana por sua perceptível beleza, era preta com traços brancos mesclados em seu corpo em um leve espiral e a ponta extremamente fina e afiada. Era ele, Danilo era o Serial Killer!

Meus olhos encontraram o de Danilo que permanecia parado a minha frente, me estudando.

- Gostou do meu cantinho especial?

- Você é doente, Danilo! Como pôde fazer isso com todas aquelas garotas? Como pode fazer isso comigo?!

Ele não me respondeu, apenas caminhou vagarosamente até a parede, olhando para os instrumentos dispostos nela. Quando pegou sua adaga, meu coração disparou, me movimentei com toda minha força, mas as cordas não cederam.

- Pare, Gabriela. Não torne isso mais difícil do que já é para mim. – Sua voz era baixa, não parecia ter remorso, medo, ou sequer felicidade.

- Quem é você? – Foi a única coisa que consegui pronunciar, sentindo o gosto de minhas lágrimas que escorriam por meu rosto.  

- Sempre fui o cara perfeito para você. Desde que te vi pela primeira vez anos atrás, eu soube que seu coração um dia seria meu, mas infelizmente você nunca poderá guardar o meu para você. – Ele suspirou pesadamente, passando o dedo na ponta da adaga, fazendo aparecer uma bolha de sangue.

- Então tudo isso é porque eu não quis namorar você? Todas essas garotas morreram por isso?!

- Claro que não, querida. Assim você fere meus sentimentos, que tipo de pessoa acha que sou? Eu quero mudar o mundo, estou fazendo um favor para sociedade eliminando esse tipo de gente! Você sempre disse que sou uma pessoa boa!

- Eu claramente não te conhecia! Mas todos vão saber quem você é! Bruna e toda a polícia deve estar me procurando agora.

- Podem até estar te procurando, mas sou a última pessoa de que irão suspeitar! Seu amiguinho desengonçado? Acho que não serei sequer um suspeito, não fui até agora! Se tem uma coisa de que me orgulho é de como faço meu trabalho.

Ele parecia presunçoso ao falar de si mesmo, de como nunca havia sido pego. Precisava instigar para que falasse mais, me daria mais tempo viva até que alguém me encontrasse.

- Criminosos sempre deixam rastros, sabemos disso!

- Sim, eu sei, por isso mesmo me tornei perito! Sou bom no que faço porque sei o que estou fazendo! Vamos recapitular um pouco, minha querida. Vamos relembrar a época que estudávamos juntos e fale para mim o protocolo do IML.

Permaneci calada, não iria agradar seu ego. Ele pareceu se irritar com meu silencio, mas se conteve, prosseguindo:

- Bom, caso não se lembre, quando recebemos um corpo, a primeira coisa a fazer é um cadastro com todas as informações do cadáver, correto? Você sabe, você mesma fazia esse cadastro! Mas depois disso, o corpo passava para sala de necropsia, onde eu tinha tempo suficiente para ocultar qualquer coisa que houvesse deixado passar. Eu tinha isso a meu favor. E as garotas era a parte mais fácil, há promiscuidade por todo canto, não precisava de muito esforço para encontra-las, nem mesmo para que aceitassem jantar comigo, afinal posso ser muito galanteador quando quero.

Danilo franziu o cenho, e pareceu perceber o que eu fazia.

- Mas você não se importa com nada disso, não é Gabriela? Está ganhando tempo! Mas esqueça, querida! Ninguém está te procurando! Tecnicamente, você acabou um plantão cansativo e foi para casa dormir. Amanhã perceberão seu sumiço e daqui até lá será tarde demais.

- Bruna vai te encontrar, Danilo!

- Não, não vai! Por anos eu estudei sua namoradinha! Ela não passa de um fruto podre, assim como seu pai! Todo esse tempo a mantive na palma de minhas mãos, movimentando pistas, a levando para direção em que EU queria que ela fosse! Sempre apaguei meus rastros, deletei toda filmagem das câmeras de segurança do IML e só o que verão hoje será eu saindo uma hora mais cedo do meu expediente, e você ficando sozinha, e amanhã eu estarei desolado com isso, clamando justiça ao lado de Bruna!

- Você esteve no IML aquela noite em que fui baleada! Você que nos trancou!

- Obviamente, querida. Na verdade, tudo foi um grande golpe de sorte, para mim, claro. Eu estava lá muito antes de vocês chegarem, estava pegando alguns materiais quando ouvi vocês duas, e logo depois ouvi Mateus e sua amante, precisei ser rápido para trancar vocês e apagar todas as imagens. Depois desse dia eu soube que Bruna estava investigando, somando isso ao fato de Mateus estar com Stefanie, foi perfeito para incriminá-los, inclusive, agradeço pelo feedback que você me dava, era bom me manter informado. – Ele riu sem humor e voltou sua atenção para a adaga em suas mãos.

- Você está completamente fora de si! Matou minha mãe também?

- Isso foi um erro de percurso, realmente lamento pelo ocorrido, mas ela iria estragar todos os meus planos.

Não pude segurar meu choro, estava cansada mentalmente e fisicamente. Danilo se aproximou, enxugando minhas lágrimas. Balancei minha cabeça ferozmente tentando afastar sua mão do meu rosto, ele fingiu não notar, continuando a acariciar minha bochecha.

- Confesso que estou um pouco tocado por ter esse momento com você, Gabriela. Finalmente, depois de passar anos me escondendo de todos, você me vê por inteiro, isso é gratificante, pena que não irá durar muito.

- Não precisa ser assim, Dan, você ainda pode voltar atrás, me desamarre!

- Não, Gabriela! Precisa ser assim! É o meu dever limpar o mundo de gente como você!

- O que eu fiz de tão grave?!

O rosto de Danilo ficou vermelho em fúria, ele bateu com o punho na pesa, e vociferou em minha direção:

- Você ainda pergunta?! Você mente e trai aqueles que te amam, não tem piedade, machuca sem nem perceber. Acha que era fácil para mim assistir suas cenas com Bruna? Justamente com ela! E Mateus? Eu nunca fui fã do cara, mas ele não merecia ser traído! Traição não tem volta, e cada um deve pagar por isso! Estou aqui para fazer justiça, independente de quem seja, amiga ou até mesmo família.

Ele suspirou, deixando a adaga em cima da mesa. Começou a hiperventilar e andar a passos largos pela sala, estava visivelmente alterado.

- Você acha que é fácil para mim viver sob esse código?! Acha mesmo que gostei de fazer isso com minha própria mãe?! Não! Mas foi necessário!

Ele continuava andando de um lado para o outro, nervoso, começando a molhar sua camisa pelo suor.

- Você é uma das poucas pessoas que sabe como eu tinha uma boa relação com meu pai, sempre tive! Nós trabalhávamos juntos, nos divertíamos. Graças a ele sou o homem que me tornei. Ele trabalhava em uma funerária, me ensinou a necromaquiagem, e hoje entrego para vocês as mais belas mulheres com as mais belas maquiagens! Desde criança trabalhei com os mortos, eles não me assustam, mas os vivos são capazes de TUDO – Ele gritava seus pensamentos, estava perdido em lembranças e angustias passadas, parecia cada vez mais a ponto de um colapso nervoso.

- Minha mãe não deveria ter o traído, e quando eu descobri eu... perdi a cabeça, ou melhor, encontrei meu lugar no mundo, o que eu deveria fazer para tornar esse lugar menos horrível.

Ele parou de andar, respirou fundo secando seu suor, endireitou seu corpo e se virou para mim, agora com uma voz baixa, controlada:

- Mas depois da primeira vez, Gabi.... Depois que você sente a adrenalina, o sangue escorrer por suas mãos, parece que a sede de vingança se torna cada vez mais saciada. Naquele momento eu não senti que estava perdendo uma mãe, e sim tirando um ser imundo da terra. E é justamente o que farei com você.  



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