História Colegas de Quarto - Capítulo 7


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Jikook, Namjin, Taekook, Vhope, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 351
Palavras 4.350
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Ficção, Ficção Adolescente, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁÁÁÁ
Cês tão bem?
Postando esse cap até que rápido se considerar meu histórico uahsuhas
Bom, eu particularmente gostei de escrever ele, espero que gostem de ler...
Provavelmente tiveram coisas que eu esqueci de escrever nas notas e vou me arrepender, mas não consigo lembrar agora, então bora pro cap!

Capítulo 7 - Worst Date Simulator com Kim Namjoon


A tarde passou preguiçosa. Estudei um pouco, com a cabeça mais concentrada na situação atual do que nas funções do meu caderno. Yoongi não saiu do quarto depois que voltou da cafeteria, nem mesmo pra almoçar. Seokjin passou a tarde assistindo televisão e, por mais que eu quisesse que ele estivesse conversando comigo sobre os assuntos que ele estudava, entendia que ele precisava daquela pausa na vida acadêmica.

Até a minha estava sendo motivo de dor de cabeça. Tentava recuperar o que havia perdido antes de entrar e parecia cada vez mais bagunçado do que o quarto do Hoseok depois da noite dele com o Suga. Entre fazer contas, construir coisinhas, ter uma vida social e tentar não surtar, eu me sentia perdido e, pela primeira vez, cansado. Era essa a parte fodida da faculdade que ninguém tinha me dito.

Consultava o relógio de vez em quando pra garantir que não iria perder a hora. Disse a Seokjin que sairíamos pelas quatro, mesmo sabendo que eu havia prometido pegar Sunhee as quatro. Bom, atrasos são chiques, não? A ideia original é o cinema, mas eu sinceramente não curto muito sair pra ver filmes que você pode baixar clandestinamente um mês depois. “Então por que caralhos alados você está indo, Kim Namjoon? ” É, eu fiz a mesma pergunta por um segundo enquanto tentava não chorar em cima da lista de exercícios de cálculo (já tentou resolver uma lista de cálculo? Bom, acreditem em mim, fica mais difícil se ela tá toda borrada de lágrimas). A razão pela qual eu estava saindo era porque:

1 – Eu queria provar pro Yoongi que eu realmente, profundamente, assumidamente, sou hetero (embora ter chamado Jin pra ir junto comigo tenha sido uma pequena estupidez que comprometia a fidelidade do plano).

2 – Depois de refletir abertamente sobre minha vida, cheguei à conclusão de que ela é uma grande bosta. Logo, toda e qualquer tentativa de transformar o grande mar de merda no qual eu me encontro afogado em algo relativamente bom é bem-vindo.

3 – Eu não era o único que precisava sair e relaxar: mais um pouco e Sunhee se transformaria num grão de café gigante (a coitada trabalha mais que treinee da SM) e Seokjin já estava falando durante o sono (sabiam que psicopatas e sociopatas são coisas BEM diferentes? Agora eu sei, obrigado Jin sonâmbulo).

Então sim, era um mal necessário esse passeio. Lá pelas três e meia bufei, frustrado com as contas e me levantei pra ir me arrumar. Tomei banho, coloquei uma roupa boa o suficiente pra dizer “sim, eu me arrumei, mas não, eu não quero te comer. ” (Um recado pros dois, talvez?). Coloquei uma jaqueta por cima da camiseta branca e calcei meus tênis, dando de cara com o Jin praticamente nocauteado no sofá. O encarei, o cabelo caindo na testa, as mãos pra fora do cobertor. Talvez fosse melhor deixar que dormisse, mas... não, só não. Puxei seu cobertor e ele abriu os olhos, devagar.

– Anda, a gente vai chegar atrasado!

– Nam... por que não me deixou dormir? – Ele levantou, coçando os olhos. Ao olhar pra mim, arqueou a sobrancelha. – Que sorriso estranho é esse, menino?

– Você me chamou de Nam.

Por mais que fôssemos próximos, Jin evitava qualquer apelido que passasse a impressão de que a gente fosse de fato chegados. Isso me irritava, mas eu evitava demonstrar que não estava chateado, por mais que revirasse os olhos inconscientemente ao ouvir ele dizer “Taetae”, “Hobi”, “Kookie”. Quer dizer, se ele demonstrava esse afeto todo com os meninos, por que não comigo? Mas ali estava, um Kim corado, pego distraído ao dizer meu nome abreviado como se fosse algum tipo de palavrão.

– Aigoo, vou me arrumar! Vamos acabar nos atrasando. – Ele levantou num pulo, seguindo pro quarto como um raio. Gritei de volta antes de ele bater a porta.

– MAS FOI O QUE EU DISSE, CRIATURA!

 

[...]

 

Jin não falou comigo durante boa parte do percurso, se contentando em olhar pro chão como se fosse a coisa mais interessante ali. Eu queria que ele conversasse comigo, mas não conseguia tirar o sorrisinho filho da puta de satisfação. Era como uma competição silenciosa: Jin se sentia vitorioso ao me pegar observando seus gestos e eu, por pegá-lo em situações constrangedoras como aquela, onde ele tentava ser impessoal comigo e falhava miseravelmente.

Ele teria continuado em silêncio, se não fosse pelo fato de que, após um tempo observando a rua pra onde íamos, parou subitamente.

– Onde estamos indo? Namjoon, onde estamos indo?

– Ah, preferia Nam. – Disse com deboche, sem me virar pra olhar pra ele. Entretanto, ao reparar que ele não estava mais andando junto comigo, me virei. Seokjin estava pálido, sua boca entreaberta, os olhos arregalados. Me aproximei dele em passos rápidos. – Jin, você tá bem?

– Vo-você não vai no café da família Byun, certo?

Não sabia o nome. Tampouco sabia o sobrenome da Sunhee (ela tinha me contado? Não sabia, afinal eu prestei tanta atenção nela quanto presto atenção aos dramas do Taehyung). Deduzi que não fosse, afinal de contas não tinha nada no café que eu frequentava que pudesse deixar Jin daquele jeito. Ele, porém, não acreditou em mim.

– Namjoon, é o café verde, não?

– Qual o problema? – Agora eu estava ficando preocupado. Jin não se moveu ou me olhou nos olhos, fixando sua expressão na rua vazia.

– Eu não posso ir. Acabei de lembrar que tenho um trabalho.  – Ele se virou e começou a subir a rua de volta pra casa, mas eu o segurei, virando seu corpo de frente pro meu.

– Hey, hey! – Chamei de novo, fazendo com que ele me olhasse. Sabia que o segurava um pouco forte e que provavelmente ele estava se machucando, mas ele pareceu não notar. Me encarou por alguns segundos em silêncio, então vi como sinal pra continuar. – O que foi? Estava tudo bem até agora...

Minha voz soou um pouco mais desesperada do que eu gostaria, mas eu nunca tinha visto seu humor mudar tanto. Ele parecia envergonhado, mas feliz até descobrir pra onde estávamos indo. Havia alguma coisa naquele lugar que eu não sabia? Ele suspirou, mas respondeu.

– Eu só quero ir embora... me deixa ir, Nam. – Ele chamou meu apelido de novo, dessa vez com um tom magoado, sem se importar se estava dizendo isso. Passei a mão livre nos cabelos, bagunçando tudo, da mesma forma que ele estava me fazendo sentir. Parte de mim queria deixar Seokjin ir, não queria vê-lo triste. Mas parte de mim queria descobrir o que estava acontecendo.

– Jin, eu... eu quero sair com você. – Disse com cuidado. Ele levantou o olhar e eu prossegui, cuidadoso. – A gente... a gente pode ir no cinema, eu mando mensagem pedindo pra minha amiga encontrar a gente lá. O que acha?

Ele concordou com a cabeça, devagar. Soltei seu braço lentamente e tive uma vontade impulsiva de abraça-lo, vontade essa que segurei dentro de mim enquanto digitava uma desculpa para Sunhee (manual de como permanecer cabaço com Kim Namjoon: aprenda como estragar qualquer chance de pegar alguém com o cara que leva o amigo pro encontro e ainda pede pra garota chegar lá sozinha). Sunhee estranhou, mas não discutiu por muito tempo.

Aquele era o dia mais improvável da minha vida: fui acordado por Suga que tinha acabado de foder meu amigo e sair pelado da casa dele num dia extremamente frio. Esse mesmo amigo arrumou um encontro pra mim com uma garçonete que, apesar de bonitinha e legal, nunca tinha pensado nela desse jeito. ELA ACEITOU (sem explicações, isso já é surpreendente o suficiente). Chamei Jin e ele aceitou, mas começou a ter uma crise no meio do caminho e talvez ele tenha fobia de cafeterias (a julgar pelo seu comportamento, medo daquela em específico). Sentei no ponto de ônibus, apoiando meus braços nas pernas e deixando a cabeça cair entre os joelhos. Respirei fundo, mas travei ao sentir a mão do Seokjin nas minhas costas.

– Me desculpe. Eu não queria que tivesse acontecido isso.

– Não peça desculpas. – Disse, ainda abaixado. – Me explica isso. Por quê?

– Também peço desculpas por isso. Não posso dizer.

Bufei, me levantando. Sua mão saiu das minhas costas e eu o olhei, meio puto, meio chateado.

– Não quero te pressionar. Apesar de achar que me esconder as coisas não é o melhor jeito de lidar com seja lá o que for.

– Caso esteja pensando que eu não te conto nada porque não confio em você, está enganado. Dormimos no mesmo lugar, é preciso muita confiança pra fechar os olhos do seu lado.

Ele sorriu, irônico e eu não consegui evitar de sorri também. Ok, não éramos tão próximos quanto eu gostaria, ele não me falava as coisas da forma que eu queria saber, mas valia a pena. Ele era meu amigo, apesar de não confiar em mim. Então notei que, apesar de não conhecer nada sobre ele, era meio recíproco, afinal eu nunca tinha realmente conversado com ele. Falávamos do mundo, mas nunca chegamos a falar do nosso mundo (e esse tipo de sensibilidade você perde durante um tempo convivendo com Yoongi).

– Eu... naquele dia, eu não estava enrolando pra sair porque eu não queria ir. Eu passei por um mau momento nos Estados Unidos. Eu não consigo ficar em lugares lotados ou lidar com muito contato físico.

Ele tinha levantado a cabeça, surpreso. Continuei, falando baixo enquanto entrávamos no ônibus.

– Eu fiquei perdido e bem... eu não era muito fluente em inglês no começo, então eu não conseguia pedir ajuda... eu apontava pras placas e as pessoas riam, achando que eu queria fazer graça, mas não tentavam entender, sabe? Eu pensei em usar o celular, mas como tudo na minha vida conspira pra dar errado, ele estava sem bateria... – A angústia que eu tinha sentido quando passei por aquela situação começou a apertar meu peito. Eu não tinha contado a história nem mesmo pros meus pais (meus tios se encarregaram do serviço), então era basicamente a primeira vez que eu dizia aquilo em voz alta. Queria que Seokjin entendesse que eu também estava me esforçando para confiar nele, mas de repente, ser honesto sobre quem eu era parecia muito difícil.

– Namjoon, não precisa... eu...

– Não, eu quero fazer isso. Eu preciso. – O que era verdade. Eu não tinha parado pra pensar em como esconder isso em mim tinha me afetado. Todo aquele trauma, todos os “detalhes” eles não chegavam a atrapalhar minha vida, mas me incomodavam. – Meus tios me acharam durante a madrugada, num bar, tremendo de frio. Eu só tinha saído pra conhecer a cidade, sabe? Acho que a gente nunca pensa que algo tão estúpido vai acontecer. Eu fui um idiota, devia ter tentado mais, sei lá... eu...

– Eu vejo muitas pessoas se culparem por coisas assim. Não faça isso. – Ele estava subitamente sério. O olhei mais uma vez e ele endireitou a coluna no banco antes de continuar. – Namjoon, olha pra você. É inteligente, nunca vi alguém resolver contas com tanta rapidez. É leal, tá sempre com o Yoongi não importa o quão babaca ele seja. Você tem qualidades e uma coisa banal como essa não deve definir sua personalidade.

Eu sei que ele estava tentando ajudar. Mas eu havia passado por psicólogos suficientes pra saber que aquilo não colava comigo. Mesmo assim, concordei com a cabeça.

– Acho que... fora isso, eu sou ok. Quer dizer, não tive nada de muito emocionante na minha vida. É meio triste, não acha?

Minha vida tinha sido tão legal e empolgante quanto um manual de como montar um ventilador. Talvez por eu acreditar que tudo era de fato tão simples quanto eu imaginava, não conseguia imaginar o que teria deixado Jin daquele jeito.

– Eu trocaria qualquer coisa por uma vida tranquila, Namjoon.

 

[...]

 

Acabamos chegando no shopping um pouco mais tarde do que o previsto. Avistei Sunhee sentada na praça de alimentação, bebendo um suco sem muito interesse. Assim que nos viu, acenei e ela veio caminhando na nossa direção. Jin mexia no celular, distraído. Assim que seus olhos encontraram ela, ele me olhou, meio pasmo.

– O que ela tá fazendo aqui?

– Seokjin? – Ela perguntou, o reconhecendo. Jin não fez questão de olhar para ela, me encarando. – O que faz aqui?

– ME RESPONDE, NAMJOON, O QUE A SUNHEE TÁ FAZENDO AQUI? – Seu tom de voz subiu depressa e eu estava chocado. Sunhee estava com os olhos arregalados e algumas pessoas olhavam para nós. Peguei levemente em seu braço.

– Jin, as pessoas estão olhando... Sunhee é a amiga que eu te falei...

– Ela? – Seu tom de voz era carregado de desprezo. Inclinei a cabeça, confuso pela situação, mas Sunhee parecia mais perdida que eu. – Eu vou ao banheiro. Vem. – Jin praticamente me arrastou até o banheiro, enquanto eu pedia pra minha amiga nos esperar.

Assim que passamos da porta, Jin me jogou contra a parede, com uma força que eu não tinha visto até então. Sabia que ele estava esperando que eu me justificasse, mas eu não conseguia porque, caralho, eu estava muito confuso. O moreno estava com os braços cruzados, me olhando com uma expressão de fúria, como se eu devesse saber porque fiz merda ao chamar Sunhee. Seu peito subia e descia rapidamente, conforme ele respirava rápido. Eu teria dado risada na cara dele, mas ao julgar pela sua cara ele com certeza cometeria um homicídio se eu fizesse isso.

– Jin, o que é isso tudo?

– Por que não me contou que era Sunhee a sua amiga?

– Por que deveria? Como isso pode ser o tipo de informação relevante?

– Bom, é relevante pra mim! – Ele se aproximou ainda mais, tentando não gritar. Conseguia sentir sua respiração bater no meu rosto, ele praticamente bufava. Seus cabelos estavam levemente despenteados. Revirei os olhos, impaciente, e segurei seus ombros.

– Como eu deveria saber, hein? Você não me conta nada, como eu deveria saber que estava fugindo da cafeteria por causa da Sunhee?

– Não é por causa dela... – Ele sussurrou, baixinho. Desviou o olhar e deixou os ombros moles na minha mão. Eu bufei, ainda o segurando.

– Então é por que? Jin, eu não sei ler mentes, preciso que me diga as coisas!

– Esquece, eu vou embora. – Ele se sacudiu para se soltar, mas eu o segurei um pouco mais forte daquela vez. Estava segurando Jin mais do que o aceitável para um dia, mas cacete, por que ele insistia em sair?

– Jin, se for grave, me conta. Se não, fica. Eu não sei mais o que fazer...

– O que?

– Fica, por favor.

A tarde toda estava uma dor de cabeça, mas eu ainda queria que ele ficasse. Provavelmente seria o tempo todo com ele sendo passivo-agressivo com Sunhee e a coitada (?) sem entender nada, mas ainda assim, era melhor do que ser constrangedoramente largado com ela ali. Jin voltou a me encarar. De todas as vezes em que ficamos em situações embaraçosas e inconvenientes, aquela com certeza foi a pior. Conseguia enxergar suas pupilas escuras dilatadas, meus dedos no tecido grossos conseguiam sentir sua respiração forte. Jin tossiu um pouco e virou o rosto. O soltei, como se tivesse levado um choque.

– Eu não acredito que vou fazer isso, Namjoon.

– Isso o que?

– Eu vou tornar sua vida emocionante. – Ele disse sorrindo mínimo e saindo do banheiro, deixando claro que ficaria.

 

[...]

 

Sunhee ainda nos esperava, dessa vez um pouco mais nervosa devido ao que havia acontecido. Seokjin estava do meu lado, de braços cruzados, a encarando com completo tédio.

– Seokjin, está tudo bem? – Ela perguntou, receosa. Jin estreitou os olhos e a mediu de cima a baixo, com desdém.

– Não fala comigo. Eu tô ficando por causa do Nam, então nem tenta bancar a boazinha pra mim.

Ela piscou duas, três vezes, completamente confusa. Engoliu em seco e me olhou;

– Então... qual o filme?

 

[...]

 

Eu fiquei entre os dois durante o filme, ou seja, a única coisa que impedia Jin de voar no pescoço da Sunhee era o meu corpo e o balde de pipoca. Balde esse que foi motivo de muita discussão pelos dois, que sempre encontravam as mãos na hora de comer, rendendo alguns tapas nada discretos na mão da Sun e muitas pipocas voadas na minha cara.

Em determinado momento, Sunhee tentou encostar no meu ombro. Me senti desconfortável, não queria que ela tentasse me beijar ali, com Jin na minha frente. Seria muita escrotisse minha fazer ele segurar vela pra mim depois de quase implorar pra que ele ficasse. Mas, como que adivinhando as intenções dela, o moreno passou o braço pelo meu ombro, batendo a mão na testa da Sunhee. O encarei confuso, mas ele tirou a mão, pegando a pipoca e me encarando.

– O que foi? Parecia que você estava com uma sujeirinha ali no ombro... – E piscou, colocando a comida na boca.

[...]

– Eu colei chiclete na bunda de Jesus, não é possível! – Disse, enquanto saíamos da sala de cinema. Seokjin deu um sorriso sarcástico.

– Foi você quem me pediu pra ficar.

– Esse foi o pior encontro da minha vida... – Sunhee disse, chateada. Mal tive tempo de assimilar sua frase, pois senti minha cabeça ser empurrada com força para frente pelo tapa do Seokjin.

–ENCONTRO? VOCÊ ME CHAMOU PRA UM ENCONTRO SEU COM ESSAZINHA?

– Jin, eu nem sei porque você tá puto comigo! Faz quase seis meses que a gente nem se vê!

– Por que será, né? – Ele disse, ainda carregado de ironia. Os dois começaram a discutir, coisa que eu realmente achei que estava até demorando pra acontecer. Depois de mais ou menos cinco minutos de todo aquele barulho, comecei a me sentir incomodado.

– OK JIN, ENTENDI, FOI UM ERRO TER TE CHAMADO! – Gritei, puto. Os dois pararam de falar, se entreolhando. – Foi um erro ter te chamado também, Sunhee. – Disse, dessa vez mais baixo. Estava exausto. Ambos pareciam culpados, como uma criança repreendida pelos adultos. Passei a mão no cabelo. – Vamos?

Saí andando em direção ao ponto de ônibus, sem esperar pelos dois. Eu estava puto. Não era possível que fosse tudo tão complicado assim, aish! Assim que parei no ponto, me virei e vi que somente Seokjin estava me seguindo.

– Onde está Sunhee? – Perguntei, rude. Também estava bravo com Seokjin, afinal. Mesmo que ele tivesse suas razões pra não gostar dela, precisava mesmo de tudo isso?

– Ela... foi sozinha. Disse que tinha que passar em algum lugar.

– Hum. – Coloquei minhas mãos no bolso do casaco e olhei pra frente, esperando o ônibus, sem dar muita atenção para Jin. Assim que subimos, ele começou a falar.

– Eu... me desculpe. Eu não queria...

– Não queria ter ficado? É, deu pra notar. Tudo que eu quis foi te tirar um pouco dessa rotina de merda que te faz triste, te deixa estressado. Eu queria esquecer dos problemas e não achei que fosse imaturo o bastante pra fazer isso, sabe? Então sim, eu estou puto, mas acho que o pior disso tudo é que eu nem sei porque você deu aquele show, então não me peça desculpas porque você já estourou sua cota.

Desandei a falar, bravo. Jin não me olhava, apenas mexia na unha, claramente chateado. Eu detestava essa inconstância, ele não podia agir como uma pessoa normal e dizer o que estava incomodando? Detestava como ele ia de agitado pra chateado, de triste pra feliz, não sabia como me portar nas suas mudanças de humor.

Mas era impressionante como ele conseguia me fazer sentir culpado até mesmo quando ele estava errado. Dois minutos depois, após um silêncio mortal, bufei, o empurrando devagar no banco do ônibus. Ele se desequilibrou um pouco, pendendo para o lado e me olhando, confuso.

– O que foi?

– Esquece isso, estamos bem.

– Você tá puto comigo. – Ele comentou, tal como uma criança e eu resisti novamente a vontade de abraça-lo. Porém, não segurei a vontade de bagunçar seus cabelos, fazendo despreocupadamente.

– Eu estou puto com a situação. Queria curtir, não ficar mediando uma briga.

– Não devia ter levado aquela put... a Sunhee. – Ele se corrigiu no meio da frase e eu segurei uma risada.

– Eu preciso saber do que você gosta pra não errar assim então, né Jin? Mas você faz meu trabalho difícil.

– Achei que quisesse uma vida emocionante. – Ele disse, se lembrando de mais cedo.

– Uma vida emocionante é diferente de um infarto. Você tava me deixando louco.

– Desculpa. – Ele riu fraco, seu corpo tremendo levemente. Lá fora, a noite estava alta, escura. O céu limpo deixava as estrelas amostra, a lua não era cheia, mas ainda assim brilhava, como pedindo para que a gente não a esquecesse.

– Embora incompleta, notável. – Comentei baixinho, fazendo Jin me olhar.

– O que disse?

– Ah, é sobre a lua. Incompleta, mas ainda assim brilha tanto... – Ele se inclinou pra ver a lua, ficando praticamente em cima de mim. Seus olhos grandes refletiam o satélite, um arco amarelado nos olhos castanhos. Ele sorriu e voltou a se sentar, me encarando.

– Você realmente devia ter feito literatura. Ah! Acho que tem um lugar que você vai achar o próprio livro de poesia.

Arqueei a sobrancelha. Já estava começando a ficar tarde, mas não tão tarde a ponto de não haver ninguém nas ruas. Jin me pediu com os olhos, a excitação transbordando por finalmente saber de algo que eu não sabia. Assenti em silêncio e vi seus lábios se afinarem ainda mais.

Desceu um ponto depois do nosso, puxando meu braço em direção ao ponto. O segui, ainda me impressionando com sua força. Por que ele parecia tão magro e frágil, mas era tão forte? Meu braço reclamou e eu andei mais rápido afim de reduzir seus puxões. Após andarmos por cerca de cinco minutos, ele parou, animado.

– Um parque?

– Um parque! – E ali estava de novo, o Jin inocente, que só quer um chá e seu livro.

Andamos até um vendedor e compramos sorvete. A noite estava realmente fresca, apesar de fria e haviam algumas famílias curtindo o “bom” clima. Depois de um tempo andando, me sentei na grama, sob o olhar incrédulo do mais velho.

– Tem um banco logo ali... por que o chão?

– Gosto do cheiro da grama.

– Gosta de mato, você quer dizer.

– Bom, foi você quem me propôs vir aqui. Não reclame e se sente.

Ele fez que não com a cabeça, mas se sentou, encolhendo as pernas e apoiando as mãos no joelho. Estava ocupado lambendo o creme de chocolate que ameaçava escorrer na minha mão e ele começou a falar.

– Meu pai costumava me levar em um parque parecido com esse quando eu era criança. O parque tinha um lago e uma vez estava fazendo muito calor, muito calor mesmo. Eu não sabia nadar, nunca soube. Mas eu queria me refrescar, então tirei a camiseta...

– Você não fez o que eu tô pensando que fez... – Disse, imaginando um Jin pequeno, tentando nadar num lago, sendo puxado pela gravidade. Ele sorriu e olhou pro céu, amassando o papel do sorvete.

– Não, não fiz isso. Mas minha camiseta acabou caindo no lago. Eu não sei exatamente como, mas eu fui brincar de esconde-esconde e quando voltei pra perto do lago meu pai gritava, desesperado. Eu não entendia porque ele tava tão louco, mas de repente eu entendi. Ele viu a camiseta na água e achou que eu tinha entrado ou sei lá o que. Ele ficou tão feliz quando me viu bem que até esqueceu a bronca que eu merecia. – Ele deu um riso soprado e se apoiou com os braços atrás do corpo, esticando as pernas. – Naquela época, mesmo com aquela coisa toda, eu senti que ele realmente ligava pra gente, sabe? Eu senti que ele amava a gente. Jogamos pedras no lago, brincamos o dia todo e até caçamos vagalumes de noite. Se eu pudesse escolher um dia pra eu poder voltar, seria esse. Só mais uma vez.

– Por que diz isso? – Eu estava deitado, com os braços atrás da cabeça, mas me levantei para olhar pra ele. Ele sorriu pra mim e voltou a olhar pro céu.

– Porque tudo parece mais real quando a gente é criança. Até o amor.

Resolvi não perguntar mais nada. É óbvio que eu estava curioso, mas não queria que ele me contasse as coisas simplesmente por contar. Além disso, o céu estava cheio de vagalumes naquela noite, queria que ele pudesse se transportar só mais uma vez pra aquele dia.

 

[...]

 

A casa estava estranhamente acesa e animada quando a vimos da rua. Caminhamos rapidamente, querendo chegar logo pra entender o que estava acontecendo. Alguma coisa na minha cabeça me dizia que Taehyung tinha descoberto o lance do Hosoek com o Yoongi e que o apocalipse estava reinando em casa, com o próprio Tae tocando o Saxofone do anúncio do fim do mundo.

Enquanto corríamos, anotei mentalmente pra ligar pra Sunhee e tentar me desculpar. Na verdade, mais do que pedir perdão, eu queria entender o que havia acontecido. Não tive tempo de refletir sobre isso, mas até onde podia ver, alguém estava mentindo pra mim: ou Sunhee sobre ser boazinha e inocente, ou Seokjin sobre ela ser uma vadia. E eu queria saber quem.

Abri a porta rapidamente, prestes a dar “boa noite”, mas fui interrompido por Hoseok, que berrava com Yoongi.

– VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO, MIN YOONGI!

Suga, aparentemente, estava trancado no seu quarto. No sofá, uma cabeça com cabelos rosados pairava. Desconhecia qualquer pessoa com essa cor, mas não tive tempo de pensar muito, pois Hosoek voltou a me interromper:

– Namjoon, fala pra esse filho de uma meretriz vir falar comigo!

– O que é meretriz? – Perguntei, confuso. Jin passou por nós dois, entrando de vez na casa e respondendo minha pergunta.

– É puta.

– QUE?

– Bom, puta gourmet.

– Hoseok, eu... – Comecei novamente, mas ele simplesmente bufou, saindo impaciente. Depois que ele deixou a sala, voltamos nossa atenção pro outro indivíduo invasor. Fala sério, as pessoas achavam que a gente tinha aberto pensão ou o que?

Ele se levantou, sorrindo timidamente. Tinha olhos finos, bochechas grandes e parecia tão inocente que eu me perguntei o que fazia ali, no meio daquele caos de perversão e putaria. Ele estendeu a mão para Jin e se apresentou:

– Olá, sou Park Jimin, namorado do Yoongi.

 


Notas Finais


Então, o que acharam?
Yoongi com mais rolo que fábrica de papel higiênico e o Namjoon com um ótimo manual de como chegar no crush ahsuhsua
Até o próximo ^^


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