História Colin e a Herdeira de Éthera - Capítulo 33


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Categorias Histórias Originais
Tags Ação, Aventura, Colin, Fantasia, Ficção, Magos, Violencia
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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Luta, Magia, Mistério, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yuri (Lésbica)
Avisos: Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 33 - A Formatura


 

Colin acordou novamente, dessa vez num lugar que ele já havia estado mais de uma vez. Não era nem frio, nem quente, um vazio eterno e branco. Era o lugar que se encontrava com Edward.

- Como vai, irmão? – Edward Void disse. Sua situação física estava a mesma, sujo e barbado.

- Vou bem, e você? – Colin disse se levantando.

- Fiquei sabendo que Cornélios Dark voltou. As profecias estavam corretas então. – Edward Void cruzou os braços. – Teve muita sorte em estar vivo.

- Quando você vai se revelar para o mundo? – Colin ignorou as falas de Edward.

- Em breve. – Edward disse tentando ser vago.

- Foi você que me salvou da Maldição certo... A Maldição da Herdeira de Éthera. – Colin disse sem tirar os olhos de Edward, mas ele o viu fazer esforço para não retribuir.

- Foi. De nada. – Edward disse tentando manter a imagem que Colin tinha dele.

- Por que? – Colin sabia que ele não iria responder.

- Fraternidade. – Edward disse para Colin.

- Você não se comunica só pelos sonhos, você mentiu. – Colin percebeu uma coisa que deveria ter sido óbvia desde o início. – Essa magia, é um presente de família.

- Comunicação das Almas. A família Leed teve muita sorte. – Edward Void abriu um sorriso irônico. – Não foi fácil evoluir esse poder para fazer o que eu faço.

Um silêncio tomou conta do lugar. Colin se perguntou quando sairia daquele lugar, mas também se perguntava se queria ir para fora, com certeza estava tendo uma algazarra sobre a volta de Cornélios Dark e naquele momento o bruxo não queria responder a nenhuma pergunta.

- Por que você matou o papai e mamãe? – Colin perguntou, mas sabia a resposta.

- Há coisas mais profundas que você não entenderia... – Edward falou e tentou esconder o rosto com os cabelos brancos.

- Eu já encontrei Éthera. Nada está além da minha compreensão. – Colin cruzou os braços.

- Éthera é muito fácil de entender, Colin. As pessoas são treinadas para isso desde criança. – Edward respondeu com um tom sarcástico.

- O que você quer...? – Colin perguntou com mais garra.

- Lembrar a você que não estou na Magnólia, e em breve você precisará sair daqui também. – Edward disse. – Até lá, eu não vou mais me comunicar com você, mas já te dou as boas-vindas a Zauru, e a Cidade Enterrada de Frey.

Colin abriu os olhos sentindo um peso nas pálpebras como se fosse um tijolo. Com uma visão deturbada e uma forte dor no peito, o bruxo conseguiu se levantar e viu ao seu lado apenas Aluns, lendo uma revista de cajados. Colin se sentou e encostou a cabeça na parede.

- Creio que você saiba que tenho várias perguntas, certo? – Aluns disse sem tirar o olho da revista.

- É mútuo. – Colin respondeu forçadamente, quase não conseguia falar.

- A Pedra da Maldição de Éthera na verdade é um fragmento da Árvore da Vida, que fica numa ilha perto do litoral da Magnólia. Poucas pessoas sofrem com isso em outros países, mas numa vila, na mesma ilha dessa árvore, isso é muito comum. Eles passam por isso sempre, Curie me disse que eles fazem portais para Dimensão de Éthera para matar e salvar os amaldiçoados.

“Essa árvore foi a primeira do mundo, e é impossível de ser destruída. Além disso, ela não é de todo ruim. Ela é a fonte da magia, criada por Éthera, acho que a nossa Deusa não pensou nisso na hora de criar a Árvore da Vida.”

- Vai por mim, ela pensa em tudo. – Colin olhou para os próprios pés.

- Então, algum detrito veio para a Magnólia mas não dá pra saber como ele veio parar já que não pode ser destruída. – Aluns ignorou o que Colin havia dito. – Mas Curie tem uma teoria que a árvore está chegando ao final de sua vida. Logo a magia não será mais uma de nossas virtudes em alguns 200 anos.

- É realmente uma pena. – Colin disse sem se importar muito. – Mas isso não responde nenhuma de minhas perguntas.

- Eu esperava que não respondesse. Como você se safou do manto? Dalton calculou tudo, desde a temperatura até o diâmetro daquele manto com base no que a gente viu e sentiu. São 2000ºC e você demoraria 4 segundos em média para atravessar a luz. Não tinha como sobreviver. – Aluns começou com o que parecia ser uma série de perguntas.

- Eu consegui de alguma forma que eu não sei. – Colin deixou claro para não ser questionado sobre o assunto. – Ter contato com Éthera, ela que me deu aquela pedra triangular e teoricamente me salvou do manto.

- O que 1 dia em coma não faz com alguém... – Aluns não acreditou e Colin fez um sinal com os ombros.

- Eu não estou mentindo, Aluns. Você consegue arranjar uma explicação? O manto deve ser um portal também não sei mas me levou até Éthera. – Colin disse tentando sair da cama.

- Como Wally estava vivo? – Colin fez a pergunta segurando movendo seus músculos com as mãos.

- Aparentemente ele tinha morrido dilacerado com as cerras, mas na verdade tinha caído para uma espécie de portal que dava na Dimensão de Éthera. – Aluns disse fechando a revista e ficando cara a cara com Colin. – O problema é que alguém abriu aquele portal para ele, segundo Victória, não havia como ele abrir um portal naquelas condições.

Colin ouviu isso e a resposta veio em sua cabeça rapidamente, era mais que óbvio que quem abriu aquele portal, foi Salazar Moon, o irmão de Luna.

- Salazar... – Colin falou e Aluns entendeu.

- Talvez. Ele está desaparecido desde aquele dia no palácio labirinto. – Aluns se levantou.

- Aquela explosão, no portal... – Colin perguntou lembrando-se da explosão que empurrou a maior parte da equipe para trás. – Quem foi?

- Samara. Ela colocou algum ingrediente explosivo que jogou todos para parede e os desmaiaram. Mas Asirin conseguiu se levantar quase que no mesmo segundo. – Aluns respondeu dando as costas para Colin. – A enfermeira conseguiu curar todos os seus ferimentos Colin, mas tem um em especial, que ela não conseguiu.  – Ele disse andando até a saída da ala hospitalar.

Colin sabia de qual ferimento ele estava falando. O bruxo abriu a camisa e estava lá, uma grande cicatriz deixada por Cornélios Dark em seu peito.

- Ah, outra coisa, antes de ir para casa de Dalton, fale com Ashley. Principalmente com Ashley. – Aluns disse, mas se lembrou que não mandou Colin ir até a casa de Curie. – E vá a casa de Dalton, ele quer te dar um presente.

- O que vamos fazer quanto a Cornélios Dark? – Colin gritou.

- Morrer ou matar, igual as outras coisas que a gente já enfrentou, né? – Aluns respondeu e finalmente saiu.

Colin vestiu capa presa na cabeceira da cama e sentiu o que ele julgou ser o amuleto de ArgiOra bater na cintura. Quando ele tirou viu que na verdade era o relógio que Ashley havia lhe dado. Estava com a película protetora quebrada.

Ele abriu o compartimento do relógio e a foto dele com ela e o dragão bebê ainda estava lá, um pouco suja, mas ainda estava lá, sendo especial de seu jeito.

Colin colocou novamente o relógio no bolso e desceu até o Grande Salão, lá estava todos os seus amigos rindo mais uma vez comendo tudo que saía do portal que levava o alimento até a mesa.

Primeiro ficou ansioso para revê-los novamente, mas agora sentia receio das perguntas que ele teria que responder, principalmente sobre Cornélios Dark. Continuou ali parado pensando em ir direto para quarto, mas Aluns estava certo. Precisava falar com Ashley antes de fazer qualquer coisa.

Outra coisa que só havia notado agora, era a ausência de Júlia. A menina que ficou com Colin até o início das aulas não estava com seus amigos. Samara era uma grande amiga dela, e mesmo sendo uma criatura destruidora, foi mais amiga dela do que ele que viveu com Júlia por 2 meses na casa de Shun.

Colin desceu até o Grande Salão e notou que seus amigos o viu de muito longe, e logo as risadas se transformaram em discretos sorrisos. Ele cumprimentou a todos e sua visão agora procurava Wendy. Assim com Júlia, Wendy ainda deve estar absorvendo um choque absurdo de perder alguém querido, e no caso da Bruxa Esmeralda, o ente tão amado nem estava morto, só do lado contrário da moeda.

- A formatura já é amanhã. Vocês vão, né? – Kodart perguntou animado. Colin lembrou que ele foi um dos anfitriões da formatura desse ano. Mas se tentasse decidir se iria ou não, seu ânimo atual diria para ficar na cama tentando dormir sem Edward atormentar seu sono.

Por outro lado, Colin não conseguia de nenhuma forma negar alguma coisa para Kodart. Talvez por sua simpatia ou pela forma de falar que o deixava sem escolha.

- Claro. – Disse Colin e Ashley depois de todo mundo confirmar.

Colin ficou ali em silêncio até o anoitecer. Depois de jantar um grande frango com arroz ele deu a desculpa de que precisava falar com Dalton Curie e saiu.

- Colin. – Ashley disse quando Colin já estava nas escadas que davam no seu dormitório. – Você tá bem?

Colin se virou para Ashley e não queria responder a pergunta feita a ele.

- Eu que deveria te perguntar. – Colin disse tentando contornar a situação. – Você tá bem?

- Você sabe que eu tô. – Ashley disse se aproximando de Colin nas escadas. – Mas eu não posso dizer o mesmo de você.

- É. Não pode. – Colin decidiu que seria sincero. – Eu não menti quando disse que precisava ir na casa de Dalton.

- Eu sei, todos nós precisamos. – Ashley falou ainda se aproximando. – Ele vai te dar um presentão.

- Você não pode me dizer? – Colin disse quando Ash já estava cara a cara com ele.

- Você não pode me dizer o que está sentindo? – Ashley disse e Colin notou o que ela queria. Colocá-lo contra uma parede para dizer o que ela queria saber. Ela amava fazer isso.

- Cornélios Dark voltou, Ashley. – Colin decidiu que seria sincero. – Parece que nós nunca seremos felizes juntos, sentados numa sacada olhando para Pristin e o movimento das ruas. Ou brincar com os pequenos tigres de nuvens que andam pela floresta, ou ensinar novos jovens o poder da magia. Ser feliz em suma.

“Toda vez que a gente resolve um problema mais um aparece e é sempre pior, quando a gente vai poder parar pra comprar uma casa e deitar na cama como duas pessoas normais?”

- Colin... – Ashley não sabia o que dizer.

- Nada disso é nosso trabalho. Tem 4 bilhões de magos no mundo e sempre nós estamos lidando com coisas absurdas, dragões, semideusas, psicopatas e agora um tirano. Se você parar para pensar parece que somos super-heróis com uma grande galeria de vilões com uma característica caricata cada um.

- Spitilsen nos disse que você carregaria a responsabilidade de vencer Cornélios Dark. E me disse para tentar deixar você fora disso. – Ashley também foi sincera.

- Não é como se eu tivesse escolha. Nada que eu lidei até agora foi porque eu quis. – Colin disse abrindo um sorriso parecido com o de Edward.

- Cornélios Dark mal sabe quem você é. Ele não vai atrás de você. Todos já sabem que ele retornou e que está preso naquela dimensão. E mesmo se sair, Kalidan já está fazendo projetos para pará-lo.

- Cornélios Dark não pode ser parado. Nada consegue pará-lo. – Colin disse se lembrando do curto contato entre eles.

- Katarina Noor já conseguiu. – Ashley falou.

- A gente nem sabe onde ela tá, e de qualquer forma ela já deve ter 90 anos. – Colin respondeu o argumento.

- Não é isso. Se ela conseguiu, outras pessoas conseguem também. – Ashley disse esperançosa.

- Essas pessoas jogam pedra em demônios e dragões sempre. Quando eu deixei uma criança morrer sem querer eu fui apedrejado. Poucos daquela cidade tiveram coragem de enfrentar Drakon. Como você acha que eles vão conseguir vencer o mago mais forte do mundo?

- Eu não sei. Eu não sei. – Ashley disse chorando e abraçando Colin.

- Desculpa. – Colin disse se arrependendo de tudo que tinha dito.

Colin subiu para o quarto e pediu a Ashley que o esperasse na porta. Procurou por todos os lados seu cajado, mas não achou. O bruxo olhou em todas as partes do dormitório, menos na parte que Wally dormia, passar por lá dava calafrios.

Colin desistiu do cajado, procuraria depois. Estava ansioso para ver o que Dalton havia guardado para ele. Ele tomou banho e trocou a capa rasgada por uma em bom estado. Amassou uma rosa regenerativa que soltava líquido e passou no pescoço. O cheiro era de doce, quase nunca usava esses perfumes.

- Tá cheiroso. – Ashley disse abrindo um sorriso.

- É normal. – Colin brincou.

- Vai demorar até chegarmos lá, vamos logo. – Ashley disse rindo e puxou Colin para fora.

- Demora nada. – Colin se soltou e os dois pararam. – Invocação de Fogo.

Hopkins, a fênix se materializou do fogo do cajado. Colin e Ashley subiram em Hopkins e voaram pela Broken Staff Street. Ver as luzes daquela cidade, o movimento, os tigres de nuvem que andavam pela cidade em bando. Era a época daqueles lindos bichinhos saírem da floresta para andar pela cidade, o bruxo só sentia pena dos que eram pegos para serem criados pelos magos e não por eles mesmos.

Colin e Ashley, depois de rodar a cidade várias vezes, pararam na frente da casa de Dalton Curie com seu formato de abóbora e tocaram a campainha. A porta se abriu sozinha, as luzes estavam ligadas e os milhares de aparelhos que Dalton contrabandeou da Terra haviam desaparecido.

- Meu bebê não precisa de vacinas. Isso é uma estratégia do governo para me fazer gastar dinheiro. – Uma mulher disse com um bebe nos braços.

- É verdade. Vacinas para “salvar” bebês de vírus perigosos é tudo invenção. Mas se você quer saber um bom negócio mesmo... É vender caixões para bebês. – Dalton disse com grosseria.

- Adeus. – A mulher disse e saiu da abóbora ofendida.

Colin e Ashley deram espaço para mulher passar e o bruxo não deu a oportunidade da mesma fechar a porta, com certeza bateria com muita força.

- Muito bem, como vai vocês? – Dalton disse se levantando.

- Bem. O que aconteceu? – Ashley falou observando todo lugar.

- Ela não acredita que vacinas funcionam. Não dá certo tentar ser médico nessa cidade mas eu preciso de um emprego, o governo não tá pagando tanto para pesquisas. – Dalton falou gesticulando bem rápido.

- Digo, cadê seus... – Ashley não sabia como chamar todas aquelas máquinas.

- Meus objetos de pesquisa? Transportei tudo para o andar mais a cima, lá é espaçoso e ninguém tem contato com as coisas contrabandeadas da Terra. Só eu tenho esses objetos em todo Mundo Mágico. – Dalton disse com orgulho.

- Muito bem... – Colin disse querendo ir direto ao assunto.

- Ah, meu caro Colin. Em Waterloo temos várias minas de diamantes e pôr a caso... Tenho meus contatos. – Dalton tentava manter a imagem de bom cientista mesmo longe dessa posição. – Logicamente você deve ter percebido que seu cajado sumiu. Aqui está.

Dalton foi para debaixo de uma mesa, pegou o cajado e colocou em cima da bancada de ferro.

O cajado de Colin era feito totalmente de ferro. Ainda parecia ser feito de ferro, mas coberto por 6 camadas de diamante de cor transparente-preto. Na ponta inferior, havia apenas uma camada de diamante por pura estética que formava um cristal negro e transparente.

Na ponta superior as asas do dragão estavam também cobertas por diamante e afiadíssimas.

- Toda de diamante, aço e composto de carbono. – Dalton disse com orgulho da própria criação. – E é claro que com uma pitadinha de pó mágico... Tudo isso ficou muito leve, como carregar uma pena.

Colin pegou o cajado na mão e realmente era mais leve. Notou também que alça que ele usava para carregar o cajado nas costas havia sido trocada por um tecido mais confortável e extenso.

Colin passou o dedo nas asas do dragão, e mesmo que rápido e de raspão, a lâmina cortou a pele do bruxo.

- Muito obrigado. – Colin disse observando seu sangue pingar no chão azul da abóbora.

- De nada. – Dalton falou vendo a cara de surpresa de Colin com o poder daquele cajado.  – Agora Ashley, eu preciso conversar com o Colin. Você poderia me dar licença? – Dalton disse com educação.

- Claro. – Ashley respondeu com a mesma gentileza e foi para o fundo do laboratório.

- Então...Aluns conversou comigo horas depois de vocês terem chegado da Dimensão de Éthera. – Dalton falou olhando para a mesa. – E ele disse que você precisa de um novo guardião até completar os 18 anos e creio que não falta muito tempo...

- Você quer ser meu guardião? – Colin disse, mas percebeu o que Dalton queria dizer desde o início, só queria ver como ele expressaria isso.

- Não... Quer dizer... Sim. Mas se você não quiser e tal e ele me disse seus verdadeiros motivos sabe, ele sabe que você mentiu... – Colin se perguntou como Aluns descobriu o real motivo de querer um novo guardião.

- Claro. Por que não? Só preciso que você assine a Finalização Precoce. – Colin o aceitaria como guardião mesmo que ele negasse.

- Sim. – Dalton fez uma feição estranha, como se escondesse alguma coisa.

- Certo. Precisamos ir. Obrigado Dalton, por tudo. – Colin abraçou o alquimista, mas rapidamente se soltou.

- Nós precisamos ir agora... Então... – Colin falou e Ash ouviu. – Tchau.

- Tchau. – Dalton falou e correu para uma escada, Ashley e Colin estranharam mas logo foram embora.

Colin novamente invocou Hopkins e os dois subiram na fênix. O bruxo não voou diretamente até a Mercury, ele parou em cima de um dos únicos prédios que tinham terraço quando percebeu os flocos de neve caindo lentamente.

- Você parou aqui por que? – Ashley tentou fingir que não sabia.

- Por que eu gosto de neve. – Colin falou procurando um lugar para deitar.

- O que Curie disse para você? – Ashley disse se deitando ao lado dele observando o céu sem estrelas.

- Que ele seria meu novo guardião, e que assinaria a Finalização Precoce. - Colin disse fechando os olhos sentindo a neve bater na sua pele.

- Nossa isso é muito bom. – Ashley tentou ser expressiva, mas não era isso que ela queria.

Ashley e Colin ficaram em silêncio, apenas a neve era significativa naquele momento. Chega de pensar em problemas, chega de lutas, de mortes e de sangue. Agora era só paz e tranquilidade.

- Você vai fazer as aulas de classe mesmo depois da formatura? – Colin perguntou a Ashley se esquecendo totalmente das aulas de classes, e dos treinos com Litherai que ele prometeu para si que voltaria mais tarde.

- Sim. Spitilsen deu essa chance para gente, então...

Ashley depois de alguns segundos subiu em cima do bruxo, o que fez com que ele abrisse os olhos.

- Que isso? – Colin disse dando pequenas risadas.

- Eu te amo. – Ashley disse e abriu um sorriso.

- Eu te amo. – Colin falou e a menina se abaixou mais e deu-lhe um longo beijo sob a neve.

**

No dia seguinte, Colin esperava sentado na cama com o blazer de algodão dado por Amada Swam 1 ano atrás. Pronto para ir até a formatura que seria no Grande Salão.

- Você vai demorar? – Colin perguntou olhando no amuleto de ArgiOra em seu bolso.

- Estou escondendo as espinhas você deveria fazer o mesmo. – Asirin respondeu passando um tipo de maquiagem que Colin nem sabia o nome.

- Eu me orgulho das minhas espinhas. – Colin disse notando que tinha mais espinhas que Asirin.

- é, igual orgulho de perder. – Asirin brincou, mas Colin não ficou ofendido.

Colin estava ansioso, queria logo ver Ashley, queria ver as apresentações, o discurso do orador e o principal... Estava morrendo de fome.

- Vamos. Colin não vai tentar esconder essas espinhas não? – Kodart disse para Colin ao passar pela parte onde o bruxo e Asirin dormiam.

- Mano... – Colin não sabia o que dizer.

- Acabei. Vamos. – Asirin disse colocando sua base no criado mudo.

Kodart, Asirin e Colin desceram até o Grande Salão e o bruxo se surpreendeu com aquela arquitetura.

Ilusões de planetas transitavam pelo teto do castelo iluminando tudo numa cor roxa meio azulada. Um palco decorado de luzes que brilhavam no mesmo tom que os planetas e tinham formato de relógios. As janelas das paredes haviam desaparecido e uma ilusão de Buraco negro tomava seu lugar.

As mesas eram gigantescas cobertas com um pano vermelho portando petiscos que Colin nunca tinha ouvido falar. Mas o que ele mais gostou foi a estátua de gelo de um garoto voando em um dragão.

- Aquilo a gente fez pensando em você. – Ludwig disse com uma taça de vinho na mão.

Colin obviamente entendeu a referência. No meio da pista de dança, havia uma nebulosa roxa completando a ornamentação do evento. Estava tudo perfeito.

- Colin. – Wendy puxou o bruxo para um canto longe e seus amigos. – Você sabe tocar piano né?

Como ela sabia? Colin demorou um tempo para lembrar da habilidade da menina de ler mentes.

- Sei. Um pouco. Porquê? – Colin disse com uma feição curiosa.

- Júlia vai cantar uma música. É a primeira apresentação. Ela precisa de alguém que toque piano. – Wendy falou isso dando na mão de Colin um papel como notas e acordes. – Consegue?

- Claro. – Colin disse com confiança.

- Oi. – Ashley chegou por trás de Colin e Wendy acenou para a maga com uma piscada e saiu. – Ela tá bem?

- Na medida do possível. – Colin falou e andou com Ashley até o seu grupo de amigos.

- Kodart, cadê sua irmã? – Luna perguntou.

- Deve estar em casa, ela ainda não tá bem. – Kodart respondeu e Asirin xingou Luna mentalmente por tentar estragar a diversão. Mas logo percebeu que era necessário empatia com Júlia.

- Ah... – Luna falou dando um grande gole no vinho.

- Luna, sua vez. – Ludwig disse por trás da menina e ela caminhou rápido até o palco.

- Vez para...? – Ashley perguntou. Mas ninguém respondeu.

Luna subiu no palco, e conjurou uma esfera azul e luminosa que Colin conhecia por amplificar a voz. O som lento que tocava no Grande Salão foi pausado, e todos prestaram atenção na maga.

Luna respirou fundo, fingiu tosse e começou seu discurso:

- Nesse ano escolar que completamos, eu e todos que estão se formando hoje, temos muito a agradecer a essa escola. Por nos ensinar da forma mais difícil como é lidar com a vida, com os problemas que enfrentaremos daqui para frente, e com a nossa própria ambição de ser feliz.

“Nós, alunos da Mercury, lutamos contra tudo e vencemos tudo que colocaram a nossa frente. Desde provas quase impossíveis até derrotar dragões maiores que prédios. Tudo isso nós encaramos e caímos mas não desistimos, e por isso ganhamos. Alguns lutaram mais que outros em certas batalhas, mas sei que os “outros” Não deixaram de sofrer também.”

Colin se perguntou se Luna fez aquele discurso para os enfim formandos ou para seus amigos, que tiveram mais um ano difícil.

- É regra, que em toda vitória exista uma essência, algo que foi extremamente necessário para que tal fato acontecesse. E fazendo esse discurso eu me perguntei várias vezes o que foi preciso. Me passou na mente um garoto arrogante em especifico, uma garota.... Mas isso não seria verdade. Creio que, o fator decisivo para tudo foi a nossa amizade.

“Como poderíamos ter salvo a Broken Staff Street sem aquelas malditos pedaços de espadas? Quando todos se mobilizaram para ir atrás dessas drogas sacrificando a própria vida.

E como poderíamos ter salvado a Magnólia de Edward Void sem estarmos juntos o tempo todo? Isso tudo seria impossível. ”

Colin viu uma lágrima no rosto de Luna cair. Ashley, Wendy e Kodart repetiram o feito.

- Antes nós éramos desconhecidos, por muitas vezes fomos mal interpretados e xingados pelo mundo. Mas agora eles sabem nosso nome, e vão levar para sempre dentro das próprias memórias. Como as “crianças” Que nos salvaram do destruição total.

“E não vou me surpreender se no lugar de crianças, usarem a palavra: “heróis”. Porque é isso que somos. Heróis. Mas a cima de tudo, somos amigos. E mesmo que nos separemos algum dia, nos encontraremos de novo. Com certeza. E quando novos perigos aparecerem, lembre-se que juntos, seremos um.”

Luna havia finalizado ali o seu discurso. Mesmo com um óbvio direcionamento ao seus amigos, todos da sala tentavam com todas as forças segurar as lágrimas. Talvez estivessem se lembrando de tudo que havia acontecido no ano de 457.

- Nossa. – Ludwig disse sem o mínimo de remorso e bebendo vinho. Colin ficou impressionado com a falta de empatia do amigo. Mas se auto proclamou hipócrita quando viu que também não estava com vontade de chorar.

- Genial. – Wendy disse limpando os olhos. – Colin, sua vez.

Colin viu Vladmir Spitilsen materializar um piano preto de um monte de pedaços escondidos atrás das cortinas. O bruxo correu até o palco e subiu por uma escada mais discreta.

Júlia estava a sua frente prendendo o cabelo em formato rabo de cavalo. A pequena maga piscou para Colin e mesmo com um gesto engraçado ele notou melancolia e nervosismo misturado em sua alma.

- Pronto? – Júlia perguntou antes de se mostrar para o público e Colin acenou positivamente colocando o papel com os acordes num suporte do piano.

Júlia se mostrou para a plateia e todos ficaram em profundo silêncio. Até mesmo Gunther e Amélia Broods, que Colin tinha certeza que vaiariam todo projeto que seus amigos tentassem fazer.

Colin começou a tocar mesmo sem nenhum sinal. Como ele sentia saudade de tocar piano, ele amava pano. O bruxo estava tocando uma música lenta, assustadora quando tocada sozinha mas linda com uma voz por cima. Júlia escolheu muito bem.

A menina começou a cantar e Colin nunca imaginou que linda voz ela tinha. Era doce, suave e num ótimo tom. O bruxo se perguntou como ele não sabia daquele talento.

Eu estou caída por você

Caída por você

Vou precisar de mais tempo

Para que eu precise entender

Saber que perdi alguém que amo

E não pude fazer nada para evitar

O que eu poderia fazer se não tive a chance de lutar?

 

Estou caída por você

Caída por você

O mundo seria mais fácil sem a dor do perder

Como faço para esquecer que estou viva?

Como se vive sem o brilho do meu dia?

 

Estou caída por você

Caída por você

A dor não é tão poética quanto parece ser

É como se perder num grande oceano

Com correntes tentadas a me prender

 

Estou caída por você

Caída por você

Quando a lua mais precisava

Quando eu já te amava

Você teve que me esquecer

 

Estou caída por você

Caída por você

Se a vida foi feliz para mim um dia

Enterrado com você, esse dia se foi

Suas póstumas memórias são o que mata minha saudade

No dia que você se foi, o sol ousou se pôr mais tarde.

 

Estou caída por você

Caída por você

Ninguém vai entender o que senti por você

Mas todos farão questão de me lembrar

Que tudo que eu amo, nem viva está.

Os aplausos vieram de todo salão. Dessa vez até Colin viu sua própria lágrima cair nas teclas do piano. Aquela música poderia não ser a mais poética do mundo que o bruxo conhecia. Mas Júlia estava certa, “Ninguém vai entender o que senti por você.” O tempo longe das amizades agora doía no coração de Colin.

Júlia correu do palco chorando e caiu nos braços de Colin que apenas alisou seu cabelo com a mão e aos poucos foi andando de costas para o espaço escuro do palco.

- Você foi muito bem, Júlia. Parabéns. – Colin falou e ela acenou novamente com a cabeça e saiu mais para o fundo.

Colin desceu do palco e Ashley já estava lá lhe esperando com um abraço forte e um cheiro incrível de girassol.

- Você foi muito bem. – Ashley disse depois de dar um selinho na boca de Colin. – Onde está Júlia?

- Em casa. – Colin sabia para onde a menina ia quando estava triste. Pelo menos disso ele sabia.



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