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História Colisão - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa noite!
Esse é o capítulo 1 de Colisão. Aqui, oficialmente começa a história.
Lembrando que os links das músicas estarão nas notas finais e você deve escutá-la, se quiser, quando aparecer “Música: nome da música + nome do(s) artista(s)” em negrito.
Boa leitura!

Capítulo 2 - Capítulo 1


Fanfic / Fanfiction Colisão - Capítulo 2 - Capítulo 1

Música: The Climb – Miley Cyrus

Narrador

Keelin nunca estivera tão nervosa em toda sua vida – bem, talvez não tanto quanto nas horas que antecederam o parto de seu filho, Andrew, mas se tivesse que fazer um hanking dos momentos em que se sentira tão ansiosa para algo que estava prestes a acontecer, certamente esse ocuparia o segundo lugar. E também pudera, o caminho que estava seguindo lhe levaria a um local completamente novo, a uma vida totalmente diferente e, apesar de estar feliz por ter tomado a decisão de aceitar o emprego no The New Orleans East Hospital, também sentia medo do que vinha pela frente, medo do desconhecido. As aproximadas 18 horas de voo acompanhadas de duas escalas também não ajudavam muito. De fato, enquanto secava as mãos suadas no jeans do macacão que usava, a mulher sentia que o coração sairia pela boca a medida em que a chegada a nova cidade se aproximava. E foi percebendo isso que Nora resolveu dizer alguma coisa.

– Desse jeito você vai ter um troço antes de chegarmos a New Orleans. – Comentou em meio a uma risadinha. – Se acalme.

– Não consigo... – Admitiu.

– Do que você ainda tem medo? – Perguntou enquanto segurava a mão da amiga.

– De ter tomado a decisão errada. – Respondeu após um longo suspiro. – Do que vem por aí. É um futuro incerto, Nora. Somos você, Andrew e eu indo para um novo país, uma nova cidade, uma nova vida. Você sabe que eu nunca fui de me arriscar muito. E se nada for do jeito que esperamos? E se não gostarmos de lá? E se não dermos certo nos nossos novos locais de trabalho? E se você tiver desistido de tudo no Rio de Janeiro por nada? – Deu uma pausa para dar lugar a outro suspiro. – Eu sei que conversamos e ponderamos tudo muito bem antes de tomarmos essa decisão, mas agora que estamos tão perto de chegar lá, não consigo deixar de pensar em todos os “e se” que jurava já termos respondido. – O pequeno desabafo fez com que Keelin se sentisse melhor.

– Keelin, – Nora começou a dizer enquanto se ajeitava melhor na poltrona do avião a fim de ficar de frente para a amiga. – não posso garantir que dará tudo certo ou que teremos a vida perfeita, mas sei que enquanto estivermos juntos, os três, poderemos enfrentar qualquer coisa. Sou sua melhor amiga desde que éramos crianças e serei até depois do fim da vida, nunca vou sair do seu lado. Se der tudo errado, se nossos chefes forem uns idiotas e os bares da cidade não forem tão bons quanto dizem, pegaremos um avião de volta. – Abriu um sorriso quando viu a amiga dar uma risada e assentir. – E, sim, eu sei que você não é de se arriscar muito, mas agora que está dando esse grande passo em direção a algo novo, lembre-se: “Keep on moving, keep climbing, keep the faith.”. (“Continue em movimento, continue escalando, mantenha a fé.”)

– Você está realmente citando um trecho de uma das músicas do filme da Hannah Montana pra me acalmar? – Disse em meio a uma risada que arrancou outra da amiga.

– Não é um trecho de uma música qualquer, Keelin. É The Climb! – Fingiu indignação.

Keelin apenas sorriu ao lembrar de todas as vezes que fora obrigada a assistir o filme com Nora. Suas palavras acalmaram seu coração como sempre faziam. Deu um beijo na testa do garoto que dormia tranquilamente na poltrona entre elas e olhou pela janela do avião a fim de deixar os questionamentos e as inseguranças para trás. Não conseguiu adormecer nas 2 horas restantes de viagem, mas elas não se arrastaram como as anteriores pareciam ter feito. Admirava as nuvens e o céu claro e quando deu por si, o avião já estava pousando em uma das pistas do Aeroporto Internacional Louis Armstrong.

Keelin podia não ter certeza do que os esperava, mas sabia que tinha as pessoas que mais amava no mundo ao seu lado e enquanto os tivesse por perto, teria coragem de ir a qualquer lugar e encarar qualquer situação.

Freya estava na enorme cozinha do compound da família Mikaelson conversando com Mary Louise enquanto preparava um café exageradamente forte. A loira, por sua vez, fazia um chá. As duas se assustaram com um barulho de porta batendo e antes que pudessem pensar em qualquer coisa, viram duas figuras imponentes e de expressões nada agradáveis entrarem no cômodo: Mikael e Esther Mikaelson. Sem dar chance para que as mulheres se recuperassem do susto, o homem começou a falar.

– Como você se atreve? – Seu tom não era nada agradável e fez com que Freya percebesse que aquela seria uma conversa desgastante.

– Não sei do que está falando. – Deixou o café de lado e respondeu como se realmente não fizesse ideia do motivo que fizera seus pais se deslocarem de uma cidade qualquer da Europa de volta a New Orleans.

– Não se faça de desentendida e nem teste nossa paciência. – Mikael, que era conhecido por ter um temperamento explosivo, aumentou o tom de voz. – Sua mãe e eu já fomos avisados de que você simplesmente abandonou seu trabalho na Mikaelson’s Advocacy. Queremos que desfaça essa besteira.

Antes de responder, Freya trocou um olhar com Mary Louise. Esta, por sua vez, assentiu de modo a encorajá-la.

– Não.

– Como é? – Foi a vez de Esther se pronunciar.

– Não voltarei a trabalhar lá. Não é o que eu quero e... – Antes que pudesse terminar sua justificativa, foi interrompida por seu pai que começava a ficar com o rosto vermelho de raiva.

– Escute aqui, garota. – Disse em tom ameaçador. – Você voltará para lá amanhã mesmo.

– Já disse que não é o que eu quero e...

– VOCÊ NÃO TEM QUE QUERER. – O grito de Mikael não assustou ninguém, visto que as mulheres que ali se encontravam já estavam acostumadas a presenciar suas explosões. – Sua mãe e eu demos tudo a você, sempre garantimos que você tivesse o que quisesse e é assim que nos agradece? Abandonando os negócios da família? – Voltou a diminuir o tom.

– Você tem quase 30 anos de idade, Freya. Não é hora de começar a fazer rebeldias. – Esther tomou a palavra.

Mary Louise segurou a mão esquerda da amiga numa tentativa muda de dizer que estava ali por ela. Cansada de acatar ordens de pessoas que mal a conheciam, exausta de se sentir infeliz e tomada por uma onda de coragem que parecia percorrer por seu corpo, Freya apertou a mão da amiga e deu um passo à frente, encarando seus pais com um olhar firme.

Música: Weightless – All Time Low

– Eu passei toda a minha vida fazendo tudo o que vocês queriam. Infância, adolescência e vida adulta. Nunca questionei. Mas não mais. – Suas palavras foram recebidas pelos pais como uma afronta, no entanto, ela não parou de falar. Agora que havia começado, precisava ir até o final. – Nunca me deixaram ter uma infância normal e brincar com crianças da minha idade. Quase me casei com o filho de um de seus sócios porque ajudaria nos seus tão prezados negócios. Passei cinco anos cursando algo que não queria, exerci a profissão por mais seis anos. Fiz tudo isso por vocês, mas não adiantou de nada porque, apesar de terem me dado quase tudo, o principal eu nunca recebi. De nenhum dos dois. Então, a partir de agora, farei o que eu quero. – Terminou de dizer, deixando Mary Louise orgulhosa.

– E o que seria o principal que seu pai e eu nunca lhe demos? – Esther perguntou com uma das sobrancelhas arqueadas e ar de desdém.

– Amor.

Ouviu-se apenas o estalo vindo do encontro da mão direita de Esther contra o lado esquerdo do rosto de Freya. Mary Louise fez menção de avançar na direção da mais velha, mas foi segurada pela amiga.

– Como ousa? – Esther perguntou incrédula.

– Não disse uma mentira. Por toda a minha vida vocês nunca me deram amor e apenas me culparam pela... – Novamente foi interrompida pelo pai que lançou a ela um olhar mortal.

– Ingrata. – Mikael praticamente sussurrou. – É o que você é. Se acha que depois dessa decisão e acusação absurdas continuaremos a bancar seus luxos, está muito enganada. A partir de agora você está por sua conta. – E da mesma forma arrogante que entraram, se foram.

Sozinhas novamente, Freya e Mary Louise se abraçaram enquanto a primeira chorava mais de alívio do que por qualquer outro motivo. Pela primeira vez na vida ela tinha tido a bravura de enfrentar os pais e se sentia leve e livre.

18:40 do dia 25 de janeiro de 2020 foi o horário exato em que Keelin, Andrew e Nora entraram na casa que as mulheres haviam alugado para morarem em New Orleans. É claro que os três já tinham visto toda a residência por fotos enviadas por uma das agentes da imobiliária cujos serviços contrataram, mesmo assim não deixaram de exclamar vários elogios desde que chegaram. Era uma casa de dois andares cujo andar principal abriga a cozinha, a sala de jantar e a sala de estar em conceito aberto e um lavabo. O segundo andar acomoda três quartos e dois banheiros. Não era uma residência muito grande, assim como a que moraram no Brasil, porém era bem mais nova e moderna, localizada nos arredores do French Quarter – o mais famoso bairro da cidade. Com certa quantia deixada pelo falecido pai de Keelin, mais a ajuda dos pais de Nora e a economia que as duas vinham fazendo há alguns anos, podiam pagar o aluguel tranquilamente. Deixaram as malas no hall de entrada do novo lar e logo Andrew perguntou à mãe se podia dar uma olhada em seu quarto. Com a aprovação de Keelin, o garoto subiu as escadas, deixando as duas amigas paradas na sala de estar. Toda a preocupação e apreensão da mais velha já não existiam mais. Assim como Nora, ela sentia que estava onde deveria estar.

– Obrigada! – Disse Keelin emocionada, deixando Nora ligeiramente confusa.

– Pelo quê?

– Por tudo. – E abraçaram-se.

Música: Livin’ On A Prayer – Jazz version

Como haviam chegado em casa já ao anoitecer, os três saíram para jantar fora. As duas mulheres ainda não tinham comprado um carro, então foram andando até o restaurante escolhido que ficava situado no French Quarter, mais precisamente na Frenchmen Street. Moravam por perto, portanto o passeio até o local não seria demorado e eles aproveitariam para começar a conhecer melhor a cidade. Não demoraram a perceber que ela era mais viva ainda durante a noite. As construções eram coloridas; as ruas, sempre iluminadas e lotadas de pessoas caminhando despretensiosamente; e dentro e fora dos bares aconteciam as mais bonitas apresentações de grupos de jazz. Reconheceram algumas lojas que haviam pesquisado na internet e concordaram que eram muito mais bonitas agora que podiam vê-las pessoalmente. Jantaram e decidiram continuar o passeio pela cidade, desta vez indo em direção à Bourbon Street, que logo perceberam ser mais agitada que a rua em que estiveram há instantes. Estavam tão deslumbrados que o cansaço das quase 18 horas de viagem passava despercebido por eles. Somente às 23:00, quando o pequeno começou a dar sinais de que estava com sono, decidiram voltar para a casa. Teriam alguns dias livres antes que Keelin e Nora começassem a trabalhar e, apesar do ano letivo já estar em andamento, Andrew só começaria a frequentar a escola primária no dia 01 de fevereiro, então ainda poderiam continuar a admirar as ruas de New Orleans mais tranquilamente.

Após o ocorrido daquela tarde, Freya tentou convencer Mary Louise a sair com ela e seus amigos Josh e Aiden para celebrarem o fato dela ter dado o primeiro passo na direção das grandes mudanças que viriam a acontecer em sua vida. A amiga tinha uma reunião muito importante por vídeo-chamada na manhã seguinte, apesar de ser domingo, mas concordou em se reunir com os amigos por pelo menos uma ou duas horas. Arrumaram-se e foram de encontro aos garotos na Chromatica House, uma das maiores e melhores boates LGBT de toda New Orleans, localizada na Bourbon Street.

Música: Just Dance – Lady Gaga

As luzes neon iluminavam o local, a música era alta e predominantemente pop e cada vez mais pessoas suadas se dirigiam até o centro da pista para dançar. Freya não conseguia parar de sorrir e pensar que fazia tempo que não se divertia daquela forma com seus melhores amigos. Os quatro encontravam-se sentados nos puffs quadrados e coloridos que eram conjunto de uma mesa preta que ficava exclusivamente perto de bar e afastada da principal pista de dança. Conversavam trivialidades enquanto tomavam drinks diversos e ficaram assim por quase uma hora, até que decidiram que estavam alcoolizados o suficiente para dançarem juntos – algo sempre cômico. Deixaram seus corpos serem levados pelo ritmo das músicas e sentiram a leveza do que era não pensar e se preocupar. Seguiram nesse compasso por mais uma hora, até que Mary Louise decidiu ir embora. Mais duas horas se passaram e foi a vez de Josh e Aiden seguirem seu caminho para casa. Quando o relógio marcava 02:00, Freya era a única do grupo a continuar no local e pretendia ficar até o amanhecer se não tivesse recebido uma ligação um tanto quanto reveladora e perturbadora.


Notas Finais


Links das músicas do capítulo:
The Climb – Miley Cyrus: https://www.youtube.com/watch?v=NG2zyeVRcbs
Weightless – All Time Low: https://www.youtube.com/watch?v=CdSoooAjXec
Livin’ On A Prayer – Jazz version: https://www.youtube.com/watch?v=RMeN0CFNWmk
Just Dance – Lady Gaga: https://www.youtube.com/watch?v=2Abk1jAONjw

Nos vemos no capítulo 2!


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