História College (Jungkook Imagine) - Capítulo 19


Escrita por:

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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bts, College, Imagine, Jungkook, Strawtears
Visualizações 4.904
Palavras 4.802
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Festa, Ficção Adolescente, Fluffy, Hentai, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


GENTE TENHO NOVIDADE PRA CONTAR NAS NOTAS FINAIS AIDHAHSAAAAAAAA EU TO MUITO ANIMADA

Capítulo 19 - Desculpas e bolos de chocolate


Fanfic / Fanfiction College (Jungkook Imagine) - Capítulo 19 - Desculpas e bolos de chocolate

Me conta o que tá acontecendo entre vocês dois.

A voz de Jimin soou preocupada do outro lado da linha. Suspirei.

Você não vai dizer nada?

Engoli em seco, sentindo o nó na minha garganta se formando.

Tudo bem. Eu entendo. Espero que vocês se acertem, de verdade. Se precisar de qualquer coisa, um ombro amigo pra chorar… você vem até minha casa. O Tae também tá preocupado. Mas não some, ok? Você já faltou por dois dias.

Dois dias… foi tão rápido e imperceptível.

E… o Jungkook também não veio ontem. Mas apareceu hoje. Mesmo assim, ele não estava com uma cara muito boa. Ele nem falou com a gente e nem mesmo apareceu no almoço. Eu acho que as coisas devem estar bem tensas… mas… não esquece da gente, tá? Lembra do que eu disse.

Suspirei novamente, fechando meus olhos.

Nós te amamos.

E no final, estava apenas eu, uma cama e um celular com um som repetitivo de bip, bip, bip. O teto branco agora não era de todo branco, e a história era longa.

Quando cheguei em casa naquela noite, estava deplorável. Mamãe ficou preocupada, me enchendo de perguntas que me deixaram com dor de cabeça. Mas eu tive paciência para respondê-la, já que sabia que ela estava apenas preocupada com meu estado e do porquê eu ter chegado em casa daquele jeito, sem ao menos dizer uma palavra sequer.

Papai me respeitou e me deu espaço. Ele nunca insistia para eu o dizer o que estava acontecendo quando eu estava assim, e por isso, apenas me deu um beijo de boa noite e foi deitar mais cedo na cama, porque na manhã seguinte iria trabalhar.

Mamãe deixou que eu jantasse sozinha em meu quarto, e odiou a ideia de me ver daquele jeito, principalmente quando eu apenas abri minha boca para dizer que o motivo de tudo aquilo havia sido Jungkook.

Mamãe ficava preocupada comigo o dia todo. Eu me sentia meio mal por estar deixando mamãe desse jeito, mas tudo que eu queria era apenas minha cama e os fones de ouvido. Mamãe me deixou faltar porque, com isso tudo, acabei tendo febre e dores que eu tinha certeza que eram psicológicas. Eu estava definitivamente abalada.

E mamãe achou que o método “comprar algo de que ela gosta" fosse funcionar comigo, mas resultou em mais dor. Eu não contei à ela, claro, já que eu queria ao máximo mostrar à ela que só piorava em vez de apresentar uma melhoria, mas era a realidade oculta. As estrelinhas que ela havia comprado e colado no teto do meu quarto, me fazia lembrar de Jungkook e absolutamente tudo que o envolvesse ou fosse sobre ele. Eu me lembrava da cabana e dos pisca-piscas… o que era isso no meu peito? Por que essa dor enorme não vai embora? Eu não aguento mais. Cada segundo que se passa é torturante ao extremo.

Eu sabia que tinha que voltar à escola. Aqui o sistema era rígido demais. Diferente demais. Eles ligavam todos os dias em que eu faltava ao colégio para saber o motivo e conversar com meus pais. Eu não queria prejudicar minha vida acadêmica também, então sabia que teria que seguir em frente.

22h30 e eu ainda estava acordada e completamente sem sono. A confusão era tanta que chegava a trocar a noite pelo dia. E, devido a ansiedade por saber que iria à escola amanhã e veria Jungkook, meus olhos não se entregariam nem tão cedo.

Dito e feito. Passei a madrugada inteira acordada e olhando para qualquer canto do quarto. Só ouvi quando o despertador do celular tocou às 6h da manhã, avisando que estava na hora de ir à escola. Me troquei e arrumei meus materiais com lentidão, ouvindo de papai que ele me levaria ao colégio hoje. Eu não estava animada, mas eu não podia mais viver desse jeito.

Eu até mesmo tinha pensado em mandar uma mensagem para Jungkook, mesmo que ele não fosse ou até mesmo tivesse me bloqueado, mas acabei ficando com medo, porque sabia que isso não seria nem metade para resolver as coisas entre nós.

Saltei do carro de papai com um beijo em sua bochecha de despedida. O pátio estava cheio e presumi que ainda fosse cedo. Eu dei sorte de não ter encontrado com Jungkook na entrada, mas sabia que uma hora ou outra, o veria pelos corredores. Eu queria, sim, correr até ele e implorar seu perdão, mas eu sabia que ele precisava do tempo dele, como havia pedido, e eu, do meu. Mas o meu tempo era diferente: era para pensar em um pedido de desculpas decente.

Eu nem assisti às aulas direito. Passei todas ela, até o horário do almoço, com a cabeça baixa, tentando dormir… ou tentando não pensar naquele maldito dia. O maldito dia em que eu estraguei tudo. Como eu poderia ser assim? Como eu pude ser tão idiota? Só faltava pedir licença para os alunos e professor e pedir para que não se assustassem, porque eu só ia bater com a minha cabeça na parede até que a parede se rachasse, nada demais.

Não fiz, mas a vontade foi imensa.

Quando o sinal bateu, eu não quis de jeito nenhum sair para comer, mas como sempre, do jeito que minha vida adorava me ferrar, o almoço era obrigatório e as salas eram trancadas até que voltássemos do refeitório. Ou seja, ninguém podia furar o almoço. Havia pessoas espertas que corriam para o banheiro para não serem pegas, mas quase nunca se safavam.

Coloquei a mochila nas costas e rumei em direção ao refeitório. Tudo parecia perfeitamente comum, tirando o fato de que vi Jimin sozinho em sua mesa desta vez, já que sempre ficou com Tae nos intervalos. Ele não parecia tão triste com isso, mas mesmo assim, precisava da companhia do meu melhor amigo, isso eu não podia negar.

— Até que enfim você deu sinal de vida! — Ele disse desesperado após eu me sentar no banco, colocando minha bandeja sobre a mesa.

— Oi, Jimin. — Disse sem humor, apoiando minha cabeça em minha mão, colocando algumas batatas em minha boca.

— Você tá tão aérea hoje. — Ele suspirou, me analisando bem. — Enfim. Eu sabia que viria, por isso eu to aqui hoje; pra ficar o dia todo com você.

— E por que isso? — Arqueei uma sobrancelha.

— Não vê que o Tae não tá aqui hoje? Sabe o que isso quer dizer?

— Que eu sou segunda opção, então só porque ele não veio hoje, você vai me dar atenção?

— Credo, sua grossa. — Ele fez bico indignado. — Você é minha melhor amiga, seu pedacinho de lixo. Até parece que seria tratada como segunda opção.

Ele respirou fundo, me dando um meio sorriso. Aquilo me confortou por alguns instantes.

— To aqui pra ficar com você, enquanto Tae fica com Jeon. A gente tem que dar uma forcinha, né? Já que a gente não sabe o que fazer… a gente ajuda como pode. Mas vocês estão deixando a gente maluco com essa história que nem foi contada ainda, só esclarecendo mesmo. — Ele fez um bico emburrado, comendo sua comida.

— A gente… brigou. — Dei de ombros.

— Aham, fofinha, isso é nítido, né? Eu sei. To querendo saber dos outros fatos escondidos. — Disse irônico.

— Ah… — Estalei a língua no céu da boca, pensativa. — Foi culpa minha.

Ele parou imediatamente de mastigar, me olhando.

— Ih… o que você já fez com o coração de marshmallow do meu Kookie? Olha, ______, assim não tem como te defender.

— Dessa vez, eu nem mereço defesa mesmo. — Dei de ombros, cutucando a comida em meu prato, mas não tendo apetite para comê-la. — Eu estraguei tudo.

Tive vontade de afundar minha cabeça inteirinha naquela bandeja de comida coreana, apenas pra saber se isso me faria sentir um pouquinho melhor,ou me faria esquecer nem que seja 1% daquele dia desastroso.

Mas eu sabia que isso não iria resolver as coisas.

— E o que você pretende fazer?

Pois é… o que eu faria?

— Eu não sei.

— Vá pedir desculpas, né, sua anta! — Ele jogou em minha cara.

— Como?! Ele me pediu pra ir embora da casa dele naquele dia. Acho que ele nem quer me ver mais. — Desviei meu olhar. — Será que a gente terminou? Nem isso eu sei.

— Mas você é burrinha. — Revirou os olhos. — TaeTae tá com o Jeon lá na sala dele, que aparentemente é a única que não tem tranca.

Parando para pensar, fazia sentido: ele já tinha me levado lá uma vez para comer com ele.

— Ele vai pra casa do Taehyung depois da aula, aí é que você entra.

— Entro em quê? Na casa?

— Não, sua burra! Entra em ação!

— Ah, tá. — Prolonguei as palavras.

— Você vai ter tempo o suficiente pra preparar o melhor pedido de desculpas do universo e aparecer toda cheirosa em frente a porta dele. O resto você se vira, transem, faça o que for.

Corei com o comentário.

— Só garanta pra mim que vai inovar no pedido aí, garota, porque eu não vou deixar você fazer a burrice de perder um garoto como ele. — Ele estava totalmente certo.

Eu não posso perdê-lo, nem quero. Ele é tudo pra mim, ele é a preciosidade da minha vida. Eu não posso nunca deixá-lo.

— Eu vou me esforçar. — Sorri motivada.

— Esforçar é o cacete! Você tem que dizer “eu vou arrasar, uuuh".

— Beleza, eu vou arrasar! — Fiz um fighting com as mãos.

— Faltou o “uuuh".

— Uuuh!

— Assim que se faz, garota!

(...)

Eu não vou arrasar nada.

Depois de ter saído do colégio e ainda ter visto Jungkook ao lado de Tae — acredito eu que eles nem mesmo tenham me visto —, eu voltei para casa de ônibus, apenas para ser mais rápida.

Eu tinha achado a ideia de Jimin genial, e eu tinha que pôr em prática, antes que estragasse tudo de novo e acabasse perdendo quem eu amo.

Tinha chegado em casa na euforia. Mamãe nem recebeu seu beijo de boa tarde que sempre dou quando chego da aula, já que eu entrei correndo e chutando meus sapatos em cada canto do meu quarto. Peguei uma toalha limpa e passei voando pelo corredor em direção ao banheiro. Eu não demorei no banho, mas garanti que estivesse bastante “cheirosa", como Jimin havia me mandado estar.

Sabia que tinha que vestir algo bonito e que agradasse não só a mim, mas Jungkook também. Não sei o que me deu na cabeça, mas vesti um vestido. Eu quase nunca usava um desses, e Jungkook não parecia ligar muito pras minhas roupas, porque literalmente qualquer coisa que eu vestisse ele diria que eu estava “linda e um docinho de coco". Mas, ok. Eu vesti uma daquelas coisas e adorei. Olha só? Bem que mamãe sempre diz que sou meio doida e teimosa. Ela quem comprou esse vestido e eu sempre fiz careta quando o via, porque dizia que era feio. E olha que coincidência? Eu vou usá-lo justamente hoje. Ótimo.

Calcei meus familiares tênis, penteei os cabelos e passei bastante perfume. Eu não sei porque me sentia tão idiota fazendo essas coisas, mas eu estava confiante de que as coisas dariam certo. Agora eu só tinha que pensar em um magnífico plano, digno de Jungkook, para fazê-lo me perdoar. E como eu faria isso? Aish…

Uma cartinha?

Hum… não. Muito infantil.

Uma cena de alguma peça?

É, não… não acho que seria legal.

Já sei! Um cartaz! É bem a cara dele!

Ótimo. Eu só preciso ir até a vendinha ao lado e comprar uma cartolina, porque eu já tinha ótimas canetinhas aqui comigo. Sorte que minha letra era até que bonitinha, porque se não, seria péssimo para que ele pudesse ler aqueles garranchos.

O sol já estava quase se pondo e o meu coração já batia acelerado apenas por pensar que poderia dar errado, escurecer demais e ele até mesmo não voltar para casa. Minha preocupação nem era ele, mas Yoongi: e se ele não me deixasse subir? Digo, ele deixaria, sim. Acredito eu que sim. Mas e se Jungkook não quisesse me ver? Então Yoongi teria mesmo que intervir.

Ah, mas ele vai me escutar! Ele vai ter que me ouvir! Nem que eu tenha que dar uma porrada no Yoongi pra subir naquele quarto dele.

Tudo bem. Eu já voltava para casa com a cartolina e o suco que mamãe pediu, já que ela não pode saber que estou indo para a rua sem não me pedir para comprar algo no mercado; mereço. Deixei a sacola com o suco em cima do balcão da cozinha e corri para o meu quarto. Mamãe ainda queria saber o que eu estava aprontando, mas eu ainda não tinha a contado toda a história louca do meu pedido de desculpas. Contaria apenas se desse certo… ou errado. Mas eu estou torcendo para que seja a primeira opção.

Eu dei meu melhor, viu? Fazer aquele cartaz todo bonitinho não foi uma tarefa fácil. Aliás, eu quase errei um caractere de hangul, fazendo meu coração sair pela boca, porque eu só tinha comprado 1 cartolina. Era essa mesma, confiei tudo nas forcinhas do universo para que não estragasse tudo, o que já era uma característica bem forte minha, não é mesmo? Mas, por sorte, saiu perfeito.

Tive todo o cuidado do mundo para enrolá-lo e me apressar para sair. É claro que Jungkook também seria facilmente conquistado pela barriga, por isso mamãe insistiu que eu levasse aquele bolo de que ele e Yoongi tanto gostavam. Ela colocou delicadamente em um potinho e o tapou, me entregando. Eu parecia radiante por fora, mas por dentro eu tava a mil por hora. Parecia que milhões de fogos de artifícios queriam estourar dentro de mim, e meu estômago dançava de nervosismo.

Me despedi de mamãe e disse que não demoraria, e fui andando mesmo. Chegaria em uns 10 minutos, se não andasse tão devagar, mas eu estava mesmo distraída e sorridente pra tudo quanto é árvore que passava por mim na rua, que até mesmo as pessoas diriam que eu estava maluca. O cartaz estava embaixo do meu braço, que estava coberto pelo casaco. O pote com bolo eu segurava nas mãos, tomando todo o cuidado para não tropeçar por aí ou deixar o pequeno pote cair.

O tempo estava bastante nublado. Mamãe insistiu para que eu levasse um guarda-chuva, mas eu recusei, porque tinha achado a maior bobagem do mundo; não me parecia que iria chover hoje, e além do mais, acho que hoje até mesmo o tempo iria colaborar comigo dessa vez. Pelo menos era o que eu acreditava e torcia.

E, nossa…

Como eu queria ter dado meia volta e ter pego aquele guarda-chuva precioso.

Porque, se você quer saber de uma coisa: não existe oráculo melhor que uma mãe. Sim! Qualquer coisa que sai da boca daquela mulher se torna realidade. Eu juro!

Acho que minha mãe tinha que trabalhar como meteorologista. Ela prevê o tempo só com intuição.

E eu, como uma boa filha teimosa e rebelde, disse “ah, mãe. Pra que levar guarda-chuva? Nem vai chover".

Quando eu senti os primeiros pingos, achei que ainda estava tudo sob controle. Eu já estava relativamente perto, só mais alguns minutos de caminhada e pronto! Porém, eu não estava me garantindo 100% nisso, e algo na minha cabeça me desmotivava e dizia repetidamente que iria dar tudo errado. Foi aí que meu medo aumentou.

Aumentou junto com a chuva.

As pessoas ao meu redor corriam apressadas, outras abriam seus guarda-chuvas; carros passavam com a velocidade mais alta pela pista. Tudo começou a desandar, e para mim não estava diferente.

A chuva começara a aumentar mais e mais à medida que eu dava mais passos. Me senti desesperada. Se aquela chuva molhasse o meu cartaz, eu estaria completamente arruinada. O bolo eu podia proteger… mas o cartaz, não. E ele era o mais importante aqui, junto com minhas palavras que viriam a seguir, é claro. Eu iria me explicar.

Mesmo assim, a chuva não parou, e só foi ficando mais e mais forte, até que chegou em um ponto em que eu me sentia horrível. Eu até cogitei a ideia de ser algo predestinado mesmo. Ou seja, talvez não era para acontecer. Não era para eu ter feito aquele cartaz e ter saído de casa para pedir perdão a Jungkook. Não era. E se não era, então também não era para um “nós” existir? E se a chuva fosse o significado de tudo?

A esse ponto, eu já nem tinha mais esperanças.

Meu cabelo estava encharcado e pingava. Minhas roupas estavam ensopadas, e meu rosto sentia cada vez mais as gotículas geladas caindo do céu. Dei a primeira fungada, percebendo então que estava chorando, sentindo as lágrimas quentes se juntando as gotas geladas, mesclando-se em meu rosto. Eu sentia até mesmo aquele último fio de esperança desaparecendo ralo abaixo. Me sentia péssima, e talvez nem mesmo péssima fosse o suficiente para me descrever.

E para completar o serviço, um carro preto passou em alta velocidade ao meu lado, deixando um jato d’água ensopar mais ainda meus tênis e a barra da saia do vestido. Não fiquei surpresa, sabia que uma hora ou outra só iria piorar mais ainda. Eu só queria tudo isso tivesse um fim. Eu até mesmo consigo estragar tudo quando tento consertar. O que há de errado comigo?

Apertei mais ainda o pote em minhas mãos, fungando mais e mais, continuando a caminhada já sem vida em direção à casa de Jungkook. Agora ele só teria as minhas palavras, e eu esperava que isso fosse o suficiente. Olhei para a sua janela, ainda da calçada, fitando aquela sua escadinha que dava acesso direto à sua sacada, a qual tive a honra de estrear junto a ele. Ele sempre me proporcionou os melhores momentos e eu nunca fui capaz de lhe agradecer por isso. Nunca fui capaz de lhe agradecer por ter melhorado a minha vida em 100% desde que tinha entrado na mesma. Ele era parte de mim, e eu não conseguiria viver sem uma parte minha faltando; eu precisava estar completa para realizar essa tarefa. E isso nunca pareceu tão complicado quanto parece agora…

Eu iria tentar o método simples. Eu subi os pequenos degraus e me coloquei de frente à porta de entrada. Bati três vezes, esperando que alguém estivesse em casa, e fui surpreendida por Yoongi, que me olhou preocupado. Ele aparentava estar gripado, já que seu nariz estava vermelho.

— O Jungkook… e-ele está aí? — Eu ainda fungava, desviando meu olhar para os meus pés.

— Ah… ele não… ah, quer saber? Desculpa o linguajar, mas eu to cansado desse caralho! Ele me pediu pra eu dizer pra você, caso viesse, que ele tá dormindo, mas ele não tá dormindo porra nenhuma. Ele tá lá em cima com aquela porta desgraçada trancada, nem mesmo quis comer.

— Ele tá bem? — Automaticamente meus olhos vidraram em Yoongi, esperando por uma resposta.

— Eu não sei. Ele é bem fechado quando quer. Aish… essa criança teimosa. — Ele suspirou, passando a mão pelos cabelos. — Se eu fosse você, subia pela lateral, já que eu sei que ele não vai abrir aquela porta de jeito nenhum. Eu entrego isso pra ele depois. — Ele logo pegou o pote das minhas mãos.

— Mas…

— Pode ir, eu vou guardar esse bolinho cheirosinho com todo o amor do mundo só pra aquele pirralho. Eu juro. — Ele sorriu travesso, e eu deixei que ele sumisse de vista com o pote de bolo em mãos.

Respirei fundo e reuni toda coragem que precisava para subir aquelas escadas. Subi degrau por degrau com calma para não deixar cair o cartaz preso em meu braço. Mesmo todo molhado e talvez em um estado péssimo, esse seria meu único recurso. Eu tinha estragado tudo. De novo. Mas mesmo com todo o meu plano tendo falhado, eu ainda sim precisava tentar.

Passei cada perna pela grade de sua sacada, finalmente pisando em piso firme. Engoli em seco enquanto fitava o vidro à minha frente. A porta de correr e toda a visão de seu quarto estava coberta pela cortina. Nada se podia ver além do branco. Ensaiei mentalmente o que falaria algumas horas antes em meu quarto, mas parece que quando cheguei aqui, me deu um branco total. Teria que ser tudo no improviso, e eu sabia que iria gaguejar bastante pelo nervosismo. Minhas mãos tremiam, e eu jurava que se não fosse pela chuva, minhas mãos estariam suadas e quentes.

Tomei coragem e dei duas batidas no vidro da porta de correr. Não ouvi nada, nem mesmo a cortina balançou. Não era possível que ele não tinha ouvido ou achado estranho. Mais uma vez, bati em sua porta. Mas batia 3 vezes desta vez. Foi aí que a cortina balançou, balançou até que fosse arrastada para o lado e me desse a visão de Jungkook de moletom, com o cabelo todo bagunçado e carinha amassada pelo travesseiro. Ele era a coisa mais linda que eu já tinha visto, e eu acho que ali foi mais um dos momentos em que eu tinha certeza que ele era perfeito pra mim. Perfeito.

Ele estava assustado em ver ali, com o cartaz erguido em sua frente, todo molhado e quase rasgando, e eu completamente ensopada pela chuva, que por sinal continuava a cair de maneira forte e violenta.

“me desculpa por ter sido uma idiota com você. Eu te amo e tenho medo de te perder. Ps: perdoa o micão e não desiste de mim"

Era o que o cartaz dizia. Jimin quem deu a ideia do “ps".

Jungkook ficou alguns segundos com o rosto colado no vidro da porta, lendo meu cartaz idiota, até que tentou prender um sorrisinho, mas que felizmente falhou nessa missão, me dando mais um bela visão, e suas covinhas fofas dando sinal de vida. Ele negou várias com a cabeça e olhou para baixo, como se não estivesse acreditando no que eu havia feito. Ele finalmente abriu a porta de correr, pegando-me pela mão. Ele não falou nada em momento algum, muito menos eu. Apenas me guiou até o banheiro, e eu fiquei lá, confusa.

— Toma um banho quentinho.

Foi tudo o que ele me disse antes de fechar a porta e me deixar ali. Eu, mesmo confusa pelo seu comportamento, me despi das minhas roupas molhadas e geladas, e me enfiei debaixo da água quente, soltando um suspiro de alívio. O tempo estava frio e ventava bastante. O gelado da minha pele ia sendo substituído pelo quente, me trazendo conforto geral. Eu não me demorei, e quando olhei para o balcão da pia, vi que ele tinha deixado roupas secas suas ali, para mim. Vesti devagar e sequei por alguns minutos meu cabelo, pronta para encarar Jungkook novamente.

Respirei fundo antes de sair, e apenas demorei mais por ter me distraído com o cheiro embriagante de seu perfume penetrado em suas roupas largas e quentinhas. Era incrível como algo pequenino nele já me tirava de órbita. Puxei a maçaneta da porta do banheiro, e voltei a ver seu quarto, e Jungkook sentado em sua cama, lendo um livro.

— E-eu…

— Você já penteou o cabelo?

Ele me cortou com uma pergunta aleatória, e eu balancei negativamente a cabeça. Esperei que ele estivesse brincando, mas eu me surpreendi. Ele estava realmente falando sério, e até mesmo passou por mim para pegar um escova de cabelo. Ele me chamou para sentar ali, bem na sua frente, e eu sentei sem reclamar, esperando por alguma atitude sua. Até que senti o pente deslizando por meus fios, e eu percebi que ele estava realmente fazendo aquilo.

Fechei os olhos, aproveitando do seu carinho. Eu amava qualquer coisa que ele fizesse, principalmente quando essas coisas envolviam cuidar de mim, e ele fazia isso tão bem… ele me fazia sentir bem. Ele não precisava de muita coisa pra isso. Eu podia sentir o quão forte e verdadeiro era.

— Pronto. — Ele avisou, deixando a escova ao seu lado. — Agora você pode falar.

Eu me virei para ficar de frente para ele agora, podendo olhar nitidamente para o seu rosto. Me senti nervosa, todo aquele frio na barriga voltando com intensidade agora. As palavras escapulindo…

— É que… — Engoli em seco. — Me desculpa. Me desculpa, por favor, Jungkook. Eu sei que eu só faço coisa errada, que eu sou uma idiota, que eu só estrago as coisas. Eu sei disso. Mas é que eu amo você. Eu… eu amo muito você. E eu tenho medo de perder você. Porque, como você sabe, pessoas idiotas têm tendência a fazerem idiotices, e uma dessas que eu tenho medo de fazer é perder você.

Eu sentia de novo aquelas lágrimas rolando pelas minhas bochechas. Lágrimas teimosas, mas eram verdadeiras. Eu tinha que esclarecer as coisas de uma vez por todas.

— Me desculpa por ter sido tão ignorante. Eu sei que eu poderia ter te perguntando, mas eu fiquei louca na hora. Eu não sei… não sei o que é isso. Não sei o que significa, mas me tira do sério. Sabe… você é meu. Só meu. Meu. — Fiz bico. — Mas… me desculpa.

— Ah, mas…

Novamente engoli em seco, ele não tinha expressão no rosto.

— Mas…? — Instiguei.

— Mas é o amor da minha vida todinha mesmo.

Pronto. Parece que foi naquele momento em que eu dei o maior suspiro de alívio da minha vida, como se tivesse tirado um peso gigantesco das minhas costas, e tinha mesmo.

Jungkook sorria feito um bobo, e eu acabei gargalhando. O clima havia melhorado quase 100% entre nós em questão de segundos, e só nós dois compreendíamos como tínhamos essa capacidade incrível.

— Número 1: eu te amo. — Ele esclareceu, apertando minhas bochechas entre suas mãos. — Número 2: número 1.

Novamente ele me fez rir, me fazendo sentir totalmente melhor.

— Você nunca mais vai falar que é uma idiota de novo, ok? Eu não quero mais ouvir isso. — Ele me puxou tão forte pra si, me prendendo em um abraço caloroso, que senti vontade de ficar ali pra sempre. — E eu vou te dizer o que é isso que você sentiu. Espera só um momento que eu vou chamar ele. — Ele se levantou da cama, colocando as mãos entre a boca para tornar sua voz mais alta. — Ôh, ciúmes! Pode entrar!

Eu ri, revirando os olhos pela típica bobeira de Jungkook, que voltava a se sentar sorridente.

— Hum… então quer dizer que você sente ciúmes de mim? Uuuh, ela tá caidinha por mim mesmo. Ai, ai, nem faz questão de esconder. — Ele debochou, me arrancando risadas.

— Ei!

— Ah, mas eu ainda não to muito convencido. Não sei se quero te perdoar. — Ele cruzou os braços e fez um bico, numa pose infantil.

— Eu trouxe bolo.

— Bolo? — Seus olhos brilharam.

— De chocolate.

— Mas é claro que eu te perdoo. Eu te amo.

— Ama? Quem, eu? — Me fiz de desentendida.

— Você mesma, ôh minha Julieta.— Ele brincou. — Agora cadê meu bolo?

— Tá lá embaixo. O Yoongi disse que ia guardar pra você.

— O Yoongi?

Eu peguei em sua mão e o encorajei a descer comigo pelas escadas, para finalmente comer daquele bolo que eu ainda torcia para que estivesse bom. Aliás, se ele também fosse afetado pela chuva, seria o fim.

Eu sentia o quentinho e a maciez de sua mão, era algo que eu não queria soltar nunca. Eu só queria poder sentir mais desse calor que Jungkook emanava. Era tão confortável. Eu me sentia completa agora. Eu me sentia segura. Eu me sentia mais… eu. Porque, talvez, ele e eu fôssemos um só.

Foi quando atravessamos a sala e entramos na cozinha que pegamos o criminoso em flagrante. Yoongi tava lá, sentado na bancada, com um pedação de bolo na mão, prestes a pôr na boca, e com a mesma toda suja. Acho que tinha farelo pelo rosto dele todo. E ele comia tranquilamente.

— O MEU BOLO!

— AH!

E aquela tarde se resumiu em Yoongi fugindo de Jungkook com um pedaço de bolo na mão. O último, por sinal. Acabou que Jungkook não conseguiu comer o bolo, e Yoongi ainda estava com a consciência limpa, mesmo tendo acabado com a felicidade de Jungkook. Ele ficou bem chateado, o que não durou muito, porque eu soube dar a ele algo mais saboroso que um pedaço de bolo de chocolate.


Notas Finais


gente, esse cap foi só pra atualizar e finalizar essa briguinha ae, vai ter mais esclarecimento.

perguntinhas? https://curiouscat.me/strawtears


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