História Colors - Capítulo 11


Escrita por:

Postado
Categorias Inazuma Eleven (Super Onze)
Personagens Afuro Terumi (Aphrodi), Amemiya Taiyou, Kia Hiroto, Kirino Ranmaru, Matsukaze Tenma, Personagens Originais, Shindou Takuto, Shirou Fubuki, Tsurugi Kyousuke
Tags Acromatopsia, Arte, Autismo, Boyxboy, Cegueira De Cores, Cromofobia, Fobia De Cores, Romance, Saúde Mental, Shindouxkirino, Shindouxtenma, Sinestesia, Slash, Transtorno Bipolar, Tsurugixtenma, Yaoi
Visualizações 15
Palavras 3.688
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Ficção Adolescente, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Boa leitura!!!

Capítulo 11 - Dez - um


Eu não estava a conseguir fazer nada. 

A minha folha de papel estava me encarando séria como uma tela normalmente olharia, calada apenas me observando, esperando pelo momento em que eu começaria a trabalhar; mas isso não estava a acontecer. 

Há horas que eu estava sentado com a grande folha de papel deitada na secretária tentando forçar-me a fazer um esboço tal como anterior, a dar continuação ao meu trabalho que estava atrasado, a começar de algum lado porque eu o precisava de fazer. 

O pânico já se tinha formado em meu peito depois de várias tentativas frustradas, meus dedos completamente incapazes de serem delicados em seus toques e movimentos, minha mente gritando que eu tinha já de começar a fazer algo ou então chumbaria, mas eu não conseguia! 

Eu podia ver todos inteiramente absorvidos em seus trabalhos, tão dedicados que faziam tudo parecer fácil, em sua maioria aqueles que eu via terminando suas pinturas apenas acrescentando detalhes e até mesmo polindo; eu realmente estava atrasado. 

Voltei a baixar o olhar para o meu papel em branco onde por mais que eu tentasse não conseguia fazer nada, onde nenhuma das minhas ideias conseguia passar para as minhas mãos e se fazer física. 

Expirei profundamente, minha atenção deixando de se pilhar com o que eu tinha de fazer e se focando em me fazer relaxar, em fazer minha mente acalmar.

Mas não estava a funcionar! Era como se fechar os olhos e tentar pensar em algo que me fizesse de algum modo solto das minhas angústias fosse o caminho para encontrar o exato efeito oposto. 

Olhei para as minhas mãos que estavam frias, que pareciam pálidas e trémulas, que armazenavam em si toda a tensão que se desfilava em minha mente. Fechei os olhos. 

Entre tentar acalmar-me no escuro da minha visão e tentar por algum milagre centrar-me, acabei por largar o lápis que se pôs a repousar ao lado do apoio que eu estava a usar para a minha folha de gramatura própria para aguarela. 

A escuridão estava boa, me estava a fazer relaxar, mas mesmo assim me encontrei a sair dela e a olhar para a janela ao meu lado que dava limites ao sol que entrava, para o céu boémio e para o sol que lhe estava tentar fazer tomar jeito demasiado branco para um sol de final de inverno e beijos tímidos da primavera que ainda estava distante. 

Inacreditavelmente já estávamos na primeira semana de Março que já acabava, que nos preparava para descansarmos mesmo que por apenas alguns dias, que consigo anunciava os exames, aniversários que eu sabia que eram apenas lembranças distantes e aquela data que fazia o meu peito tão apertado quanto tudo o que eu ultimamente tentava ignorar e de modo algum conseguia. 

Ela estava tão perto que era impossível tratá-la como um dia normal, fingir que não era nada e deixá-la passar, criar ignorância em meu peito, principalmente agora. Desta vez não tinha como simplesmente fingir que ela não me importava e magoava, que ela não me fazia sentir tão rasgado por dentro que eu não podia respirar, que ela não me fazia querer apagar tudo e tudo e tudo e tudo, passado e presente. 

Eu sabia que esta dificuldade vinha daquela manhã, da sua presença repentina na minha vida depois de tantos anos. A sua volta parecia-se com os caóticos gritos diários da minha infância, de palavras quentes que me ensurdeciam, que me faziam querer fugir ou gritar de volta mas que eu apenas podia ouvir e não fazer nada. 

Esses gritos estavam a fazer-me assustado como em certo ponto fizeram-me no passado quando eles saíram de palavras para ações, para vidro partido e sangue, berros de objetos que normalmente não quebrariam, sangue no chão e conduções que me deixavam sozinho no meio da noite, e talvez uma noite com a ambulância ali e eu cheio de terror, pânico, medo.

O sino deslizando intenso pelo ar me fez olhar em volta e para fora dos meus pensamentos, ninguém se estava a mexer. Toda a gente estava centrada em terminar os seus quadros e se ver livre e sem preocupações para a semana depois dos exames que era quando o prazo de entrega terminava. Toda a gente a fazer algo menos eu.

Olhei para a minha folha novamente, ela continuava vazia. Por mais que eu quisesse o oposto mesmo que por algum tipo de milagre, nada mudava e ela continuava séria me encarando em silêncio. Suspirei em desagrado, meus dedos agarrando em meu lápis e tentando forçá-lo no papel em um traço feio e deformado que me fez parar, respirar e desistir. Peguei em minha folha e coloquei-a dentro do envelope na qual ela me havia sido entregue quase três semanas antes. Pus-me a guardar o meu material também, todas as cores e pincéis e até a água que eu pretendia utilizar, peguei em tudo e levei para dentro da minha gaveta no fundo da sala a trancando e caminhando em direção a porta sem dar atenção aos olhares que eu podia sentir em mim. 

Nesse momento o Afuro-sensei entrou na sala de aulas com um par de óculos na cara que ele mal usava no dia-a-dia, seu sobrolho franzido ao aperceber-se de que eu não tinha nem uma gota de tinta nas mãos e o meu trabalho não estava em lugar algum para ser visto, mas não disse nada me deixando sair da sala de aulas sem nenhuma objeção. 

Caminhei pelo corredor que rapidamente se estava a encher de cores, personalidades e muita ansiedade que em grande parte não era minha. Me afastei dele o mais rápido que consegui. 

O ar do lado de fora estava morno e preguiçoso, se mexendo entre os movimentos das árvores cheias de folhas jovens e novas acabadas de sair do inverno que era apenas nú e nada mais. 

Sentei-me no meu lugar de almoço habitual, minhas costas encaixadas no relaxamento rude da casca da árvore e meus olhos se prendendo nas folhas que deixavam passar o sol de um jeito traquinas, num jogo de escondidas para com quem o tentasse observar a partir dali. 

Fiquei olhando para as folhas em sua maioria claras sem vontade alguma de me mexer para comer, a palavra fome algures longe do meu vocabulário no momento. 

Eu ainda estava pensando no mesmo pensamento que me dominava na sala de aulas — apesar de que agora de um modo diferente —: ele. Pensamentos altos e gritantes que não faziam de facto muito para além de murmurar entre lábios selados, que me inundavam e que me faziam facilmente perder controle de mim próprio sem muita resistência da minha parte. 

Ele não havia mudado em nada, incrivelmente. E ao mesmo tempo parecia ter envelhecido uma vida inteira. O mesmo de que eu me lembrava entre minhas memórias mais reprimidas que por vezes simplesmente deslizavam para o meu consciente como acontecera na última consulta com o Dr. Fubuki, mas um completo estranho que meus olhos não conseguiam reconhecer apesar de saberem que era ele. 

Havia sido tão estranho estar ali parado olhando para ele, o ver de todo, algo parecido com ser arrastado para um colapso espácio-temporal, em que o passado e o presente se sobrepunham e era impossível dizer qual era qual. Foi o que eu sentira o olhando naquele momento. Preso algures numa linha de tempo corrompida. 

O seu sorriso morrera tão rapidamente quando ele me vira, se transformando em nada mais do que um forte eco no ar, o vislumbre de algo com que eu me havia  conformado com o facto de que não voltaria a ver...

Talvez parte do meu tormento viesse ali, daquela confrontação de estados que eu sabia e não sabia que podiam existir nele por minha causa, que ele se podia simplesmente fechar para mim daquele jeito como se eu fosse um estranho para si, algo indesejado. 

Magoava mais do que deveria, este sentimento, muito mais do que o terror daqueles gritos que eu sabia, tinha a certeza, que acompanhariam a sua volta. Mais cedo ou mais tarde voltariam, ela alta outra vez, a ela que me aterrorizava, que magoava, que eu odiava; eu não queria isso. 

" O que te está a fazer pensar tanto? " suas notas de piano acompanhavam o seu turquesa aconchegantes, frias entre os meus fios de cabelo. 

Pisquei os olhos por algumas vezes, minha atenção deixando o dourado entre as folhas da árvore para se centrar na textura que não era uma das mais agradáveis do mundo mas sabia bem, muito. 

Fechei-os quando sua monotonia de sons começou a rolar por minha pele em pulos, seu jeito brincalhão apenas parando em meu queixo insistente. Senti-o pressionar os nós dos seus dedos em meus lábios em um toque suave como penas e cheio de tonalidades de vermelho, seu cheiro a sabonete mergulhando em minhas narinas sem nenhum tipo de rejeição. 

" Tu deixaste-me preocupado na sala. " ele confessou no meio termo entre muito doce e pouco doce, seu sabor que rolava com prazer em minha língua me fazendo abrir os olhos para olhar para o seu rosto que me estava impossível de ler agora. 

" Não é nada. " murmurei desviando o olhar para longe depois de levar uma mão para afastar o seu toque dos meus lábios para que eu pudesse falar. 

" Tens certeza? " ele perguntou com um perdido de mistura de amoras com pimentas e mel, uma combinação que de todo não caía bem em si. 

" Tenho. " assenti olhando para as minhas mãos que não estavam de todo agradáveis na sua aparência esvermelhada, meu sobrolho se franzindo para o que eu tinha estado a fazer. 

Ranmaru não disse nada apenas se sentando ao meu lado e suspirando alto depois de alguns segundos de silêncio, um murmúrio deixando seus lábios em seguida pouco antes de ele me pedir para tirar as mãos do colo. 

" Para quê? " indaguei olhando para si que tinha o lábio entre os dentes de um jeito que a pressão em meu próprio lábio me fazia saber que não era nada delicado. 

" Apenas o faças, está bem? " ele disse tirando alguns fios de cabelo da frente de seus óculos me dando um sorriso muito menor dos que eu estava habituado a ver. 

O fiz. Olhei para as minhas mãos e sem muita ponderação as tirei do meu colo e as pus a descansar ao lado do meu corpo na relva, a textura cortante dela se agarrando aos meus punhos fechados. 

Vi Ranmaru respirar fundo e me dar as costas antes de se deitar em minhas pernas com os olhos fechados e um sorriso no rosto. Ele ajeitou os óculos na ponte de seu nariz antes de resmungar como esta armação ainda não se encaixava em seu rosto como deve ser. 

Seus óculos que eu podia ver que eram novos pareciam-se muito com os que o Afuro-sensei usava, ainda completamente redondos mas incapazes de dar forma ao seu rosto que parecia impossível de influenciar, dando-lhe o ar inteligente que o seu sorriso no rosto e seu jeito para a ribalta escondiam. Eu gostava dele. 

Ranmaru ajeitou-se um bocado em meu colo, seu pescoço mexendo com a música que meu uniforme não fazia quando estava quieto, seu sorriso ali. 

Encarei aquela cena que simplesmente pouco a pouco estava limpando minha mente e me fazendo pensar no quão ela era digna de ser retratada, especialmente agora sem aquele roxo que eu causara, fosse a cores ou em preto e branco, fosse em desenho — sim, hiperrealismo — ou uma pintura — A. P. Renoir ou Kitagawa Utamaro, ou ambos — ou uma fotografia para eu poder guardar, para eu poder olhar e me sentir leve tal como agora. Uma fotografia que me encheria de antecipação e expetativa na hora de revelar, que faria meus dedos se mexerem inquietos na ânsia de prazer, deste alto emocional que me fazia quente em um calor que eu não me importava de todo de me aninhar, que me fazia querer pedir que ele sorrisse assim para sempre, para todo o sempre.

" Estás a pensar em coisas boas? " Ranmaru indagou com os olhos entreabertos por detrás do sossego das suas lentes, seu sorriso se abrindo preguiçoso, seus dentes lentamente se mostrando perfeitos. 

" Sim, estou. " assenti ainda preso em seu sorriso que corria morno em minhas veias e me fazia respirar nele cheio de calmaria. 

" Eu faço parte delas? " me encontrei a responder a sua pergunta que me foi feita baixa, sobrecarregada por sua respiração nada leve, sem pensar. As palavras me deixando descontraídas, sorridentes e radiantes. 

" Sim, fazes. " nisso Ranmaru sorriu mais ainda, tão grande que com certeza até o sol perderia uma competição de quem conseguia ser mais radiante consigo, tão macio e delicado que me estava a fazer sorrir também. 

" Isso é bom, muito bom. " Ranmaru falou com um gosto adocicado que me distraiu por completo da sensação dos seus dedos procurando caminho entre os meus que cederam facilmente a eles, seu encaixe no meu algo que aconteceu enquanto meus olhos estavam fechados para a forma como suas palavras soavam como música em meus ouvidos e peito, uma música que me estava a fazer pensar em tocar, de encher-me de coragem e dar aquele passo, apagar as minhas barreiras. 

Nós passámos o resto do almoço assim, nossos dedos entrelaçados, sua música em meus ouvidos, e meus olhos fechados. Com por vezes seu encaixe no meu se remexendo, rolando por minha pele em toques friccionados, seu corpo puxando pelo meu.

Eu fiz o mesmo, por mais de uma vez, segui por sua pele até onde meus dedos podiam alcançar, onde nossas temperaturas eram diferentes, onde ele era mais fino e mais leve do que eu, onde seu toque me lembrava do sabor de café que me lembrava da sensação de mergulhar as mãos em tinta que me lembrava da liberdade de até mim próprio acima de todos. 

Quando abri os olhos Ranmaru estava olhando para mim, um sorriso ainda maior no rosto, seu sobrolho franzido para o som do sino a tocar ao nosso redor. 

" Queres gazetar? " Ranmaru indagou quando o cinza em nossos ouvidos baixou e apenas nossas consciências serviam de testemunhas para o seu acontecimento. 

" Eu não posso fazer isso. " neguei ainda olhando para si, para o seu sorriso que continuava radiante de que eu não conseguia desviar o olhar. 

" Nem mesmo por mim? " ele indagou novamente, sua mão mais firme na minha que respondeu imediatamente a si. 

" Não. "Ranmaru apenas murmurou algo como resposta enquanto se remexia, o som alto como um zunido aos meus ouvidos, o seu rosto virando para encarar as folhas acima de nós. 

" Tu és um bocado cruel, sabias? " ele suspirou, gemeu, numa trilha de pensamento que eu não conseguia de facto seguir, mas que me estava a fazer querer calá-lo. " Me fazendo assim. " 

À suas palavras eu me encontrei um bocado frustrado por pela primeira vez não saber do que ele estava a falar, o que ele queria dizer com eu ser um bocado cruel consigo. 

" Mas eu gosto disso. Do quão diferente és. É tão... " ele pausou para respirar fundo, seu peito subindo e descendo intensamente, " Ah! Nós deveríamos ir para a sala já que não queres estar comigo! " ele suspirou se sentando mas não antes de encolher-se contra mim e procurar por mim com os seus olhos que apesar de serem os mais belos que eu já vira eu nunca deixaria que se encontrassem com os meus pois eu sabia que tal facto não mudaria o facto de que os olhos de alguém eram uma das piores sensações do mundo. 

" Eu quero estar contigo. " eu me encontrei a expirar assim que sua mão ameaçou se desesntrelaçar da minha, seus dedos puxando para longe de mim. Ranmaru pausou, talvez a forma como as minhas palavras soaram apressadas e ao mesmo tempo seguras de si tivesse sido um contraste demasiado grande, " Mas eu não posso faltar as aulas por causa disso, é errado. "

Vi Ranmaru rolar os ombros para trás, os abrindo em um movimento que gritava a necessidade de desvencilhamento, como se ele estivesse a tentar livrar-se de cordas que o prendiam, puxavam por ele o obrigando a fazer movimentos, ações, que ele não queria.

Ele mordeu o lábio inferior, seus olhos fechando em sintonia com o seu braço se erguendo na minha direção, os nós de seus dedos contra os meus lábios, suaves e fortes ao mesmo tempo. Tão intensos que tive de fechar os olhos, inspirar profundamente, afiado em meus próprios pulmões — eu estava me sentindo quente, muito quente, tão quente como eu me sentia quando por vezes acordava ofegante, trémulo, tão quente como eu me sentira quando beijara Tenma pela primeira vez, mas sem toda a imobilidade, o susto, a surpresa, cheio da necessidade de beijá-lo de volta, tocá-lo. 

" É melhor entrarmos. " Ranmaru disse em meio a respiração pesada, ofegante algures na ventilação do ar, soando arrastada, quente, trémula em meus ouvidos que sempre ouviam demasiado, " De verdade. " ele se afastou, seus dedos rolando em um arrastão por meus lábios e queixo, gritando sua música em câmara lenta. 

Senti sua mão me largar enquanto ele se levantava, meus olhos ainda fechados, " Shindou... " ele murmurou no mesmo tom de antes, mas mais perto, seu calor em minha bochecha, no corte do meu maxilar, próximo do meu pescoço que ele beijou e me arrepiou e fez rolar os ombros. 

Inalei profundamente, o ar que devia arrefecer os meus pulmões fazendo o oposto disso os sobreaquecendo, demasiado quente. " Se não te mexeres eu não te vou deixar fazê-lo mais. " abri os olhos ao som do seu aviso, ameaça, que era feito ao meu ouvido, seus lábios contra a pele que fazia sua voz soar mais alta que o normal. 

Ranmaru beijou-me outra vez enquanto expirava profundamente, seus lábios se arrastando contra minha pele em pequenos e prolongados beijos como se ele próprio não quisesse que eu cumprisse com o seu aviso. 

" É... Vamos. " Ranmaru levantou-se sem delongas, ficando mais alto e olhando para baixo para mim. Assenti e fiz o mesmo, meus punhos fechados, minha saliva descendo com dificuldades pela minha garganta. 

Ele pegou minha mão pelo pulso, seus dedos longe dos meus, e me puxou para dentro do edifício escolar, os corredores quase que vazios cheios dos olhares de quem via e me fazia querer afastar a mão em hiperconsciência mas sem conseguir fazê-lo porque Ranmaru não deixava apesar das minhas tentativas não serem de todo fortes. 

Ranmaru levou-me até a porta da minha sala de aulas, parando ali e sorrindo, pequeno e preguiçoso, meigo. Ele se aproximou de mim em pequenos passos e tocou em minha bochecha com seus lábios que tocavam as primeiras duas notas do piano. Fechei os olhos para a sensação que era bastante diferente do calor que eu sentira momentos atrás, um calor que não era diferente do sol lá fora que não era de todo muito quente ainda cheio da dormência do inverno. 

" Até logo. " ele beijou-me outra vez e se afastou, seu toque cantando p'ra longe mas seu sorriso me cegando com o seu jeito radiante que me estava a fazer sorrir. " Entra logo, o Chino-sensei está vindo. " olhei para trás onde o homem de cabelos negros sempre muito bem arrumados vinha em passos lentos, sua atenção voltada a uma aluna que falava consigo e apontava para um caderno. 

" Certo. " murmurei me voltando para Ranmaru que acenou afirmativamente com a cabeça, " Até logo. " ele mordeu o lábio inferior e me deu as costas seguindo pelo corredor por mais três salas até entrar na sua onde eu não podia ver muito da sua figura. 

Respirei fundo olhando para trás para Chino-sensei que havia parado e estava também a apontar para o caderno e escrevendo nele, me voltei e abri a porta entrando na sala que estava cheia com todos menos eu e o professor completamente inconsciente do meu sorriso que ainda não havia morrido. 

" Merda... " ouvi o mesmo vermelho sangue que me incomodava na maior parte do tempo grunhir, seu sobrolho franzido enquanto me olhava. Ele chiou, alto grunhindo novamente em seguida, seu rosto cansado com ares de sono se contorcendo em uma carranca. 

Desviei o olhar tentando ignorar o insulto que eu sabia que direta ou indiretamente me era dirigido, um acto que não teve muito efeito porque eu não me conseguia de todo habituar àquilo. 

Sentei-me e esperei que o Chino-sensei entrasse na sala para mais uma aula de preparação, o tempo correndo acelerado entre números e fórmulas e sorrisos doces que não saíam da minha cabeça. Eu não me estava a importar com isso, era bom e eu gostava, era melhor do que o que eu vinha lidando ultimamente. 

As restantes aulas do dia correram na mesma velocidade duas vezes mais rápida que o relógio e muita distração da minha parte. Com os meus dedos cedendo a tentação de curvar toda a vez que eu escrevia e fazendo um retrato onde fiz o máximo para não mudar nada da imagem em minha mente, mantendo cada detalhe do rosto que me fascinava desde a primeira vez que o vira. Seus traços e contornos suaves. Estava bastante realista pela hora que terminei mas nada aos pés de um profissional, eu não era assim tão bom com hiperrealismo. Nem um bocado. 

Fiz mais dois desenhos depois do primeiro, o terceiro ficando inacabado e cheio de linhas por completar, mas eu já não tinha tempo para fazê-lo. 

Quando já estava fora da sala de aulas me encontrei parando no meio do corredor e olhando para trás, me perguntando se também cedia a esta vontade causada pelo tímido tactear no meu peito ou se continuava a caminhar em direção a saída. Fechei os olhos e respirei fundo, me segurando as minhas próprias censuras e me impedindo de ir até a sala dele caminhando até a saída. 


Notas Finais


Tive que dividir o capítulo porque atingi o limite de palavras — seca 😛— então esta é a primeira parte e a segunda está logo a seguir. 😊😊


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...